terça-feira, 30 de novembro de 2010

APEGO DE LULA À VERDADE DUROU POUCO......


Apego de Lula à verdade durou pouco…



Como termina mesmo um post abaixo, em que comento um discurso de Lula em que ele, excepcionalmente, não sataniza FHC? Assim: “Passa logo”. Pois é, passou! Não adianta: Lula e o PT têm uma natureza. Não tente ensinar um sapo a pular porque é besteira: ele já sabe; não tente ensinar um sapo a se comportar como um príncipe: é inútil; ele não vai aprender.

Leiam o que informa Fábio Guibu, na Folha Online:

Em sua primeira viagem pós-eleição para inauguração de obras ao lado do presidente Lula, a presidente eleita, Dilma Rousseff, prometeu nesta terça-feira (30), em Tucuruí (a 390 km de Belém, PA), continuar o que chamou de “herança bendita” do atual governo. “Eu vou continuar essa herança bendita do presidente Lula, eu tenho a missão e a responsabilidade de dar continuidade, de fazer avançar esse projeto de inclusão de milhões e milhões de brasileiros e de brasileiras.”

Em discurso de improviso para 3.000 pessoas, Dilma falou por 11 minutos. Comemorou o “momento histórico” do país, creditando ao presidente as conquistas sociais dos últimos anos. Ela não comentou fatos atuais, como o combate ao narcotráfico no Rio de Janeiro, concentrando toda a sua fala nos feitos do governo. Lula discursou em seguida e brincou com os elogios recebidos. “Se a Dilma não falar bem de mim, no dia 1º eu saio correndo com a faixa [presidencial] e quero ver ela me pegar”, disse.

Logo depois, manteve o mesmo tom da sua sucessora e disse que a próxima presidente “vai pegar um país em construção”. Citou grandes obras em andamento, como ferrovias e hidrelétricas, além das descobertas de petróleo no pré-sal. “Eu sei que nós fizemos muito, mas sei que ainda falta muito para fazer”, declarou. No final do seu discurso, Lula disse que, após deixar o governo, vai ouvir no rádio Dilma dizer “nunca antes na história do Brasil, pela primeira vez na história do Brasil” e que “ao invés de ficar com raiva como meu adversário ficou, vou ficar feliz, porque você estará fazendo aquilo que o povo quer”, afirmou. Em Tucuruí, Lula inaugurou duas eclusas construídas no rio Tocantins. A obra, orçada em R$ 1,6 bilhão, foi projetada em 1981, mas sua construção só foi retomada em 2006.

Comento

A brincadeira de Lula, de pegar a faixa e sair correndo, tem um fundo de verdade. Dado o ministério de sua sucessora, é óbvio que o governo lhe pertence. A expressão “herança bendita” está aí para lembrar a pecha que ele pespegou no governo FHC logo nos primeiros dias de governo: “herança maldita”. Com ela, pretendeu fazer tabula rasa do passado, decretar que o Brasil foi descoberto em janeiro de 2003 e incorporar todas as conquistas de governos anteriores, especialmente as de FHC. Lula foi parcialmente bem-sucedido em tornar influente uma mentira histórica. Ao escolher essa linguagem, Dilma evidencia que a mistificação terá continuidade. Alguém esperava algo dirente?

O amor à verdade durou pouco…

Como termina mesmo um post abaixo, em que comento um discurso de Lula em que ele, excepcionalmente, não sataniza FHC? Assim: “Passa logo”. Pois é, passou! Não adianta: Lula e o PT têm uma natureza. Não tente ensinar um sapo a pular porque é besteira: ele já sabe; não entende ensinar um sapo a se comportar como um príncipe: me inútil; ele não vai aprender.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

MERENDA EM CAETÈS


MERENDA EM CAETÉS (José ou Maria)




Minha agente secreta para assuntos educacionais, Carmem Celeste Pereira de Azevedo, lotada como professora na secretaria municipal de educação de Caetés, ensina na escola da rua Nova na cidade, disse que merenda por lá quase não existe. O pessoal da rua nova em sua grande maioria são pobres carentes de dar dó. Nos raros dias que tem bolacha ou biscoito, os alunos dizem, “hoje vai ter maria” em referência ao biscoito “maria”. Quando é bolacha cream cracker, dizem que vai ter José. Muitos afirmam que não querem nenhum dos dois. Aonde está o dinheiro da merenda? Em Recife, visitando ambientes assépticos e refrigerados? E o prefeito, que não aparece? Dizem que vive preso em Recife. De lá, assina os papé. Roubar comida de quem não tem deveria dar no mínimo prisão perpétua. Ainda mais de crianças notadamente carentes. Alô, governador! Alô presidenta! As crianças da rua Nova em Caetés querem merenda. E do restante do município? É uma vergonha! Estão roubando a comida das criancinhas. Alguém pagará? Com a palavra o ministério público!



TRANSPORTE ESCOLAR



Além de ser péssimo em nossa região, é no mínimo, inapropriado. As crianças são transportadas em paus de arara, o que fere no mínimo a lei de trânsito. Devia ser terminantemente proibido a contratação deste tipo irregular de transporte. Além do mais, muitos andam em estado lastimável, e inúmeros dos motoristas não são nem habilitados. Uma vergonha. Os alunos sofrem no inverno aom a chuva, no verão com a poeira.
FORÇA BRUTA




Viram como os bandidos fugiram feito loucos ao verem uma geringonça de esteiras a ameaçá-los? É o poder do estado sem hesitações contra a bandidagem, que já se caracteriza como terrorismo. Aliás, terrorismo não só se caracteriza pelos seus supostos objetivos políticos ou ideológicos. É, quando uma parcela minoritária da sociedade tenta, através de ações intimidatórias e violentas, obliterar o direito de ir e vir dos cidadãos. No caso, os traficantes querem colocar em xeque o poder do estado, e a liberdade e integridade dos cidadãos. Pode-se agir com leniência com essa gente? Tinha que ter prisão perpétua neste país, sobretudo para terroristas e sequestradores. Crimes contra a vida, nada de comutação de pena. Basndido é bandodo, e deve ser tratado como tal. Sobretudo os de colarinho branco.





CUBA




Foram demitidos quinhentos mil funcionários públicos em Cuba. Não se ouviu um pio de quaisquer entidades sindicais ou alhures no nosso país. Dizem que estas pessoas trabalharão ou para a iniciativa privada, ou para si próprios, quando “el gobierno” determinar. Vão tentar a via chinesa, de capitalismo estatal e autoritário. Claro, as melhores vagas no estado ficarão com a elite do partido comunista, que controlará tudo como há cinquenta anos. Muitos investimentos inundarão a ilha, sobretudo no setor de turismo. O partido comunista é a única força organizada do país, e muitos analistas norte-americanos preferem uma saída com o velho PC, para evitar sobretudo as emigrações em massa. O certo mesmo seria acabar com o bloqueio, assim o velho capitalismo invadiria novamente a ilha, para a felicidade do povo cubano. Voltarão as putas a atuarem livremente, e os cabarés e cassinos, para a alegria de muita gente. Abaixo os Castro, viva as putas cubanas. Que ademais não são poucas, e atuam na semi-clandestinidade. Muitas são casadas. E hoje, dizem, são bem baratinhas.



SÉRGIO BUARQUE




Se estivesse vivo, certamente o velho Sérgio Buarque de Hollanda teria rompido estrepitosamente com Lula e o PT. Que no poder se tornaram tão patrimonialistas como os demais partidos antes chamados pejorativamente de “burgueses”. Agora, o velho Sérgio deve ter se estremecido no túmulo, quando virou nome de navio. Que coisa! Ainda teve gente que elogiou.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

DIREITOS HUMANOS

Sim, é preciso respeitar os direitos humamos. Sou terrivelmente contra a tortura. Acho o torturador sobretudo um covarde, que se vale de uma pessoa indefesa para expandir os mais diversos sadismos que o ser humano pôde inventar. Para muitos, tortura só é excecrável, quando contra presos políticos de esquerda, ou seja pessoas de classe média. Já os negros das favelas que são diariamente torturados, ninguém fala. A polícia tem que ser reformada, e o cidadadão de bem tinha que ter o direito de andar armado. Como, numa siutuação dessas desarmar o cidadão? Claro, para andar armado tinha que ter porte, e não ter problemas com a justiça. Mas se um cara vem me dar um tiro, pelo menos posso o assustar dando outro em troca, ora bolas...



ESTADO DE SÍTIO




Com o estado de sítio, a vida de todos os cidadãos teria que mudar. Toque de recolher até certa hora da noite, e policiamento ostensivo, com a presença e apoio logístico do exército, marinha e aeronáutica. Reformular a médio e longo prazo, radicalmente, a polícia, e a justiça. Que também são lenientes com a bandidagem, sobretudo através da corrupção. Hoje quem paga o pato é o cidadão de bem. Aliás, tem sido sempre assim.




25 ANOS DA NOSSA ESCOLA



Esta semana tivemos as comemorações de 25 anos da Escola Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em Capoeiras. Sou um dos mais velhos professores de lá, onde trabalho há mais de vinte anos. Sou o cacareco véio da escola. Tenho orgulho de trabalhar lá, aonde fiz inúmeras amizades, não só de alunos, mas sobretudo de professores e funcionários de uma maneira geral. Desde que comecei a trabalhar por lá, trivemos várias diretoras, como Marizete, Márcia, Nazaré e por enquanto a alegre e irrequeta Rosana. Juntos com os antigos professores que como eu estão para se aposentar, como a lendária Betinha, a simpática e irreverente Mide, a tranquila Nívea, Rita de Cassia seu Erivaldo da portaria, temos os mais novos, como o trio parada dura, Wagner, Valdemir e Richardson Wilker, além de Zezinho e Erivaldo, o dono do sete de setembro, e as meninas, que alegram o ambiente, Valéria, Auricélia, Hiolanda e claro Marcione, a baixinha do salto alto. Tenho orgulho de trabalhar com este pessoal. Orgulho e sorte, por que não? Pessoas simples, lutadoras, grandes amigos e profissionais exemplares. Além dos alunos, claro, a maioria oriundos da sofrida zona rural, muitos uns figuraços que, como muitos dos meus ex alunos, hoje são gente de bem, exemplares trabalhadores aonde atuam. Que Deus proteja a todos, e vida longa para nossa escola. Que é agora semi-integral, e vai tornar-se logo logo integral, e de referência. De certa forma sempre fomos, decerto. Alguém duvida?



A EQUIPE DE DILMA



Vamos ver como esta equipe se comportará na economia. São os chamados “desenvolvimentistas” que estão no poder. Ou seja, a esquerda. São gastadores contumazes, a acham que reformas são coisas de “neo-liberais”. Claro que essa gente não tem capacidade de fazer a reforma tributária, nem tampouco vontade nem força política para fazer a reforma trabalhista e sindical, só para ficarmos nestes exemplos. Gostam quando ouvem falar em aumentar impostos, como ressuscitar a famigerada CPMF. E a inflação está voltando. Está tudo mais caro, e as donas de casa são as primeiras a sentir. Se a inflação voltar, vamos ver como é que fica a popularidade de Lula. Claro, como cidadão espero que não volte. Mas sou pessimista, como o velho Urubulino, personagem impagável de Chico Anisio. Quando uma coisa pinta para não dar certo, não vai dar mesmo. Caminhemos para a “argentinização”? Deus me livre guarde.



CONCURSO EM CAETÉS



Depois de muita pressão do ministério público, finalmente Caetés terá concurso público. É bom as oposições fiscalizarem direitinho para não ter maracutaias, coisa comum no município. O grupo no poder, resistiu às pressões do ministério público até o limite, Queriam, porque queriam, colocar seus eleitores de cabresto, escolhidos a dedo por critérios políticos, claro. Com o concurso esta farra manipulatória deverá acabar. Menos mal para o nosso sofrido município.

BANDITISMO E TERRORISMO




O que acontece no Rio, parece com as histórias mirabolantes de Batman ou de outros super-heróis de inúmeros gibis que li na infância. Cidades acuadas pelo crime. Quadrilhas armadas incendiando carros e ônibus, polícia assustada e em situação de estresse quase absoluto. Povo e imprensa perplexos. Autoridades atônitas. Que coisa! Para mim seria necessário uma decretação de estado de sítio por tempo indeterminado no Rio, e ao mesmo tempo planejar-se ações permanentes. Em outras palavras, as favelas tem que ser invadidas pelo estado. Tanto pela repressão pura e simples à bandidagem, quanto nas ações sociais. A miséria das favelas é abjeta, aliás como toda a miséria. Que não se restringe a material, mas sobretudo espiritual, com a falta de educação, tanto doméstica como a escolar. Infelizmente, nosso povo é ignorante. É preciso escola, e de boa qualidade para essa gente. É preciso também cadeia para os meliantes. E modificações no código penal, instituindo a prisão perpétua, o fim de toda a progressão de pena para crimes de assassinatos e sequestro. Claro, tem que ter cadeia limpa, comida farta, mas segura de fugas e rebeliões. De preferência, cadeias pequenas. Para os mais perigosos, nmo meio da selva amazônica, aonde só se poderia chegar de avião. Se o sujeito quiser fugir, a selva o impedirá de escapar.



domingo, 21 de novembro de 2010

POSTAGENS

 Aceito críticas, sobretudo porque procuro estimular os debates, o que é sempre positivo. Porém, não aceitarei sob hipótese alguma insultos pessoais, ou coisa do gênero. Se minhas opiniões incomodam, estou certo de estar fazendo um bom trabalho como cidadão. Como blogueiro independente, nunca ganhei um derréis de mel coado neste bloguinho. Minha satisfação é que algumas pessoas sempre estão dando uma olhadinha. A não ser em algumas situações, tive que cortar uma ou outra postagem. Inclusive quando um anônimo denegriu a imagem de um crítico ferrenho do meu blog e de minhas idéias. Não gostei, e imediatamente cortei. Só não gosto de comentários anônimos. Por que não mostrar a cara? As pessoas estão com medo de quê? Vamos exercitar a democracia no dia a dia, o que é sempre bom. Do jeito que eu faço, meus críticos devem tentar desconstruir minhas parcas idéias, sobretudo, porque, ao contrário de muitos, gosto de pensar. Livremente. Como um taxi, como diria o mestre Millôr Fernandes. E não tenho rabo preso com nenhum político, porque não costumo andar pedindo nada a ninguém, pois já dizia meu avô, Fausto Souto Maior: “Oferecer é dos homens, aceitar , dos cabras safados”.



MEIRELES



Vamos ver o resultado da conversa de Dilma com o chefão do banco central. Que diz que só fica com autonomia e é o sustentáculo da política macroeconômica de Lula, assegurando-lhe a atual popularidade. Se ele não aceitar, Lula já vai entrar nessa perdendo para o próprio PT, e terá que segurar a língua, e engolir seco. Como numa lapada de cachaça que bate na trave, ou seja, desce mal. Se o governo for leniente com a inflação, adeus popularidade. Mas, quem sabe, podem chamar o Malan. Ou mesmo botar o Palocci. Mantega já assegurou sua vaga, e se notabilizou por falar besteiras e sabotar os ortodoxos do banco central. Outra alternativa seriam as reformas institucionais modernizadoras do capitalismo pátrio. Como a presidenta detesta e não sabe mesmo o que é capitalismo, inclusive em termos marxistas, caminhemos para o buraco negro da estagnação. Afinal, já assistimos a esse filme por mais de trinta anos.
Se não, menos mal. Afinal, é melhor nenhuma idéia do que idéias porcas. Lula que o diga.

sábado, 20 de novembro de 2010

LULA

Luta encarniçadamente para manter o modelo anterior. Ortodoxia na política econômica, e voluntarismo e demagogia na condução da política, e aparelhamento na gigante máquina estatal. Só que agora a conta está chegando. Mais cedo do que imaginava. E a presidenta acena para a heterodoxia econômica. Receita para o fracasso. Estou torcendo contra? Simplesmente não acredito nestes paradigmas. Se Dilma fracassar, leva Lula junto. Aliás, como dissociar a cria do criador? Os ratos pulam o barco logo que percabem que vai virar, deixando a inflação e a desarrumação econômica com Lula e sua criatura. Pode ser diferente? Sim, pode ser pior, afinal, nunca acreditei em Papai Noel. Apesar de ele ser um velhinho muito simpático. Mas gostaria mesmo é que minhas previsões não passassem de fuleiragem dos contumazes especuladores de botequim como eu. Porém, veremos.



                                                                                  
                                          CIRO GOMES


Dizem que ele vai ganhar o BNDES, o caixa do governo. Se for verdade, teremos muitas notícias nos jornais. Pelo temperamento, e falta de ética do sujeito. Assumidamente um autêntico novo coroné da cleptocracia nordestina. Que nunca deixou de se renovar, diga-se de passagem. Uma renovação, digamos , cosmética. Mas como ele se comportou direitinho nestas eleições. É melhor ele no governo. Quando abre a boca é um horror. Vige Maria!




EDUARDO QUER SEU NACO

Como mais um coroné nordestino, Eduardo Campos ambiciona espaços no governo. Seu partido cresceu, e o mesmo sabidamente, mantém boas relações com as oposições, que também, se autointitulam social-democratas. Vamos ver qual a sua parte no latifúndio governamental. Se a barca furar, pula fora, pois Eduardo não leva jeito de abraçar afogado. Se tiver um bom naco no governo a conversa será outra. Mas se tudo der certo, todos eles, vão comemorar a etrrnização do petismo no governo. Um grande e encarnado PRI. O sonho de Zé Dirceu.

                                                                                     CAETÉS

Não paga aos funcionários, principalmente os contratados, que é a grande maioria e estão na ilegalidade. Dizem que o grupo do prefeito não quer fazer concurso, como manda o tribunal de contas do estado, para manter a clientela de mais de seicentos funcionários contratados. Que valem cerca de três mil votos garantidos nas eleições, pois os contrtatados tornam-se votos de cabresto. E paga-se de todo jeito a essa pobre gente, que ganha desde cento e cinquenta reais, a mais de mil, muitos sem nada fazer, ou membros da família ou áulicos do ex prefeito do município. Ademais, o prefeito não conta mesmo. Vive numa espécie de doce exílio em Recife. Nem nem nos eventos oficiais seu nome é citado.



ESTRADA NOVA

Vai melhorar muito as condições gerais da cidade de Capoeiras depois da construção da estrada de São Bento. Principalmente porque vai melhorar e embelezar muito o acesso. Aliás, o futuro de Capoeiras está lá na parte da entrada da cidade, simplesmente porque é mais bonito. Por falar em Capoeiras, preciso ver neu grande amigo Roberto Almeida. Que é secretário do município, e torço para ele.

MAUS SINAIS

Está em andamento a montagem ministerial para o início do primeiro governo verdadeiramente de esquerda no país. Lula, como sabemos, governou com a direita. Ou com as idéias da mesma. Daí a principal razão do seu sucesso. Não atrapalhou, como pregava no passado, o lerdo andamento do cambaleante, mas forte capitalismo nacional. Menos mal. A economia, com Meireles firme no banco central e o comício poermanente que se tornou o governo até agora o “mais popular da história pátria”, asseguraram a transição longa e penosa ao capitalismo. Mas as reformas , claro, foram implodidas. E a nova presidenta, parece que acena para o chamado voluntarismo, abandonando a ortodoxia econômica, nadando nas águas do desconhecido, ou no plenamente conhecido num passado recente. Inflação e estagnação econômica. Ela quer controle da inflação e baixa de juros sem corte de gastos. Vai dar errado. Como fazer omelete sem quebrar os ovos? A Europa sofre com o estado do bem estar social, dos tempos áureos depois das segunda guerra. A conta chegou, e se os estados não se reformarem, estarão irremediavelmente falidos. Alguns já estão. Quando pressentimos que alguma coisa não vai dar certo, não vai dar mesmo. Se voltar a inflação, a popularidade de Lula vai abaixo. Não foi ele quem indicou a “santa” ? Ademais, quem pariu Mateus que embale.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

DIREITA VELHA






A direita, para quem não desconfia, está no poder. Não aquela direita liberal, e mesmo conservadora, do ponto de vista ideológico, mas a pragmática, digamos assim. Como Lula nunca foi de esquerda, cobram caro no apoio, mas garantem qualquer governo, apoderando-se de parte da máquina do governo. Mantendo-se o clientelismo e o patrimonialismo estatal, tudo continua como dantes. Com a cleptocracia sempre em festa. Mas o povo há tempos está enjoado dessa história. Será? A direita que está no poder há séculos, é a dita nacionalista, estatocrata, e por isso, mais corrupta. Que vai de um Getúlo Vargas a um Geisel, que, como Dilma, teve especialmente um eleitor fundamental, Lula. No caso de Geisel, Medici, que era quase tão popular quanto Lula nos tempos do “Brasil grande”. Só que Médici indicou sem participação popular, claro. Estávamos numa ditadura, nos tempos mais duros do regime. Naquela época também não se falava em dissolução das oposições? E assim vamos andando. Como Dilma vai se relacionar com essa turma? Vamos ver.


CRISE INTERNACIONAL?
É, a crise bate à porta. Temos que fechar as torneiras, e pagar as contas de Lula. Que quer, porque quer, fazer o tal de trem bala, quando nem dispomos dos tradicionais. Já pensaram viajar por esse belo país de trem? Mas nossas elites com sua secular burrice, sucatearam quase todo o sistema ferroviário do país, que só pode ser recuperado em décadas. Deram preferência as estradas de rodagem de automóveis. Claro, tinham que cuidar das duas modalidades, não? Mas aqui, a burrice e falta de planejamento são obras de séculos. Lembram dos portugueses? Que raramente planejavam as cidades? Nem criaram universidades, ao contrário dos espanhóis. Aliás, transporte público no país sempre foi um horror. Noves fora as estradas esburacadas...


QUASE DUZENTOS BILHÕES


É o que o governo federal, depois dos aumentos da era Lula, vai pagar aos funcionários públicos federais, por ano. Mas aí os problemas não são os barnabés, claro, que ademais, no serviço público federal, são poucos mesmo. São os marajás, alô Collor? Estes estão com tudo. Claro, todos votam em Lula e Dilma. Veremos, quando o sapato apertar. E a conta, quem é que paga? Só para lembrar, o bolsa-família custa 14 bi. Também por ano.






POPULISMO


Quando era novo, me entusiasmava com os discursos populistas, como aliás, qualquer idiota. Diziam horrores do desperdício que era investir em Suape e num “monstrengo” chamado centro de convenções. Diziam que o dinheiro deveria servir para matar a fome do povo. Centro de convenções e porto era coisa de burguês. Que coisa! Já viram quanta burrice? E os idiotas de sempre aplaudiam. Eu no meio, claro.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

EXPECTATIVA NACIONAL


EXPECTATIVA NACIONAL




O Brasil está parado. Todos afinal querem conhecer a presidenta eleita. Muitos tentam decifrá-la. Outros nem tentam. Como se comportará Lula nesta história? Quando vejo integrantes do petismo, das alas mais ideológicas aplauidirem as possíveis mudanças na macroeconomia, já sei que não vai dar certo. Esta gente detesta mercado, e não sabe o que é economia. Querem destruir o que ainda dá certo no país que é nosso cerceado capitalismo. Dilma, dizem, é braba e ortodoxa, além de não ter experiência política. Está cercada de corruptos e autocratas. gente de sua laia. Um marido de uma de suas protegidas, é empresário e ganhou mais de quarenta concessões de prestações de serviços da petrobrás. Por essas e outras, querem controlar a imprensa.




TIRO NO PÉ




El governador Eduardo Campos deu um tiro no pé, pensando que estava abafando. Sugeriu, sem maiores rodeios, a recriação da CPMF. Calculou que estava fazendo o jogo do governo, e estava mesmo, pois Dilma estava gostando da conversa. Até o governador de Minas, da oposição, apoiaria a medida. É fácil cobrar mais impostos. Difícil é gastar bam o dinheiro público, economizando sempre. Cobrar mais impostos, é um atentado ao capitalismo nacional, que já é bastante tungado pelo estado. A chiadeira da sociedade foi grande. Ainda bem.



SINDICATO DE PROFESSORES




Chora, quando admite que o governo ainda não deu um pio na questão do plano de carreira para os professores estaduais. O governo deu um prazo de, parece-me, 180 dias para se posicionar. Enquanto isso os professores, sobretudo os mais antigos, quase não tiveram aumento. Aliás, a educação é inteiramente jogada nas costas dos professores, com uma burocracia inútil e infernal, quase sem acompanhamento pedagógico, e obrigado a ser, além de professor, psicólogo, assistente social e até servente. Tem professores e até diretores que varrem as salas de aula, por falta de pessoal.



CAETÉS




Ainda estão para pagar os salários de outubro dos contratados da saúde. A cidade está tão abandonada, que membros da chamada operação reconstrução do governo do estado, ao constatar a sujeira do mercado de carne municipal, providenciou um mutirão, para limpar as dependências do imundo lugar. O prefeito vive numa espécie de exílio forçado em Recife, e não manda em nada. Assina tudo o que o chefe manda, o “ficha limpa”, que agora quer ser prefeito de Garanhuns o sr. José Luiz de Lima Sampaio. O “ficha limpa” que teve até agora, todas as contas rejeitadas pelo tribunal de contas do estado. A previdência municipal está literalmente quebrada , e o município ainda está inadimplente com o governo federal, impossibilitado de obter verbas. De onde veio o dinheiro gasto na compra de votos em Garanhuns? E para financiar a campanha?

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

SO NO BRASIL MESMO...

Só no Brasil mesmo
KIT DO BRASILEIRO

*Vai transar?*
O governo dá camisinha.

*Já transou?*
O governo dá a pílula do dia seguinte.

*Teve filho?*
O governo dá o Bolsa Família..

*Tá desempregado?*
O governo dá Bolsa Desemprego.

*Vai prestar vestibular?*
O governo dá o Bolsa Cota.

*Não tem terra?*
O governo dá o Bolsa Invasão e ainda te aposenta.

*RESOLVEU VIRAR BANDIDO E FOI PRESO?*
Desde de 1º/1/2010 O GOVERNO DÁ O AUXÍLIO RECLUSÃO?

*esse é novo* Todo presidiário com filhos tem direito a uma bolsa que, é de R$798,30 "por filho" para sustentar a família, já que o coitadinho não pode trabalhar para sustentar os filhos por estar preso.

Não acredita?
Confira no site da Previdência Social.

Portaria nº 48, de 12/2/2009, do INSS
( http://www.previdenciasocial.gov.br/conteudoDinamico.php?id=22)

*Mas experimenta estudar e andar na linha pra ver o que é que te acontece!*

"Trabalhe duro, pois milhões de pessoas que vivem do Fome-Zero e do Bolsa-Família, sem trabalhar, dependem de você"
Se vc é brasileiro passe adiante.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Ajuste Dificil

Ajuste difícil
Miriam Leitão

O Globo - 11/11/2010

No meio de tantas interrogações sobre a composição da equipe da presidente eleita, Dilma Rousseff, e sobre os rumos da política econômica, algum compromisso firme no caminho da austeridade fiscal deixaria o mercado mais tranquilo. O ministro Paulo Bernardo tem emitido sinais nesse sentido, mas a margem de manobra do Orçamento de 2011 é muito pequena para qualquer esforço mais robusto

A receita líquida de tributos em 2010 — descontada a parcela transferida a estados e municípios — está em 20,2 pontos percentuais do PIB. Cresceu 2,45 pontos no governo Lula e no ano que vem deve aumentar ainda mais. O projeto do Orçamento prevê 20,6% do PIB em receitas, mesmo com uma expectativa de crescimento menor da economia. Visto por esse lado, o cenário pode parecer positivo, mas é do lado das despesas que mora o problema.

Como é público e notório, as despesas do Orçamento cresceram muito no governo Lula, principalmente os chamados gastos correntes, que engessam as contas, porque depois de contratados não podem ser cancelados. Os gastos com a Previdência e com pessoal estão nessa categoria.

No caso de pessoal, embora as despesas tenham se mantido estáveis em percentual do PIB, abaixo de 5 pontos, o que é alardeado pelo governo, subiram fortemente em relação à inflação.

Entre 2003 e 2010, a folha cresceu 114%, enquanto a inflação ficou em 63%.

As despesas correntes — pessoal, previdência, gastos com a máquina e programas de transferência de renda — subiram de 15,04% em 2003 para 17,51% do PIB em 2010, diferença de 2,47 pontos. E, em 2011, devem chegar a 17,76% do PIB, o que equivale a R$ 691 bilhões. É muito dinheiro, mas está praticamente todo carimbado. Pelos cálculos da Consultoria de Orçamento da Câmara, só uma fatia muito pequena, de R$ 57 bilhões, poderia receber cortes, limitados ao funcionamento da máquina administrativa.

Os investimentos previstos no Orçamento são de R$ 54,4 bi, 1,4% do PIB, mas ninguém acredita que o governo Dilma passará a tesoura nessa fatia , como aconteceu no passado, em nome de um ajuste fiscal.

Assim, a intenção do governo de fazer um superávit de 3,3% do PIB, em 2011, sem descontar as obras do PAC, expressa nos bastidores, é difícil de ser cumprida, pois só foram reservados R$ 49,7 bilhões para esse fim no Orçamento, equivalente a 1,28% do PIB. Para alcançar a meta global de 3,3%, a contribuição do governo federal precisaria chegar a 2,15% do PIB, um esforço adicional de R$ 34 bilhões.

Bem pior

O que surpreendeu o mercado na noite de terça-feira foi o tamanho do rombo descoberto no banco PanAmericano, que exigiu um aporte de R$ 2,5 bilhões do Fundo Garantidor. Fontes informaram que já havia uma sensação de desconfiança em relação à solidez da instituição, mas a parceria com a Caixa Econômica em julho deste ano, com o aval do Banco Central, deixou os investidores um pouco mais tranquilos.

De fato, quem olha para o desempenho das ações do banco nos últimos 30 dias percebe que havia algo de estranho. Entre 13 de outubro e o fechamento em 9 de novembro, antes, portanto, do anúncio do socorro, os papéis acumularam queda de 24,9%, saindo de R$ 9,01 para R$ 6,77. Ou seja, a instituição perdeu um quarto de seu valor de mercado em menos de um mês. No mesmo período, o índice Ibovespa ficou praticamente estável, na casa dos 71.600 pontos.

Dívida histórica I

A participação dos negros em cargos de chefia vem crescendo, mas em ritmo bem lento, revela a pesquisa “Perfil Social, Racial e de Gênero das 500 Maiores Empresas Brasileiras”, do Instituto Ethos, edição 2010.

Entre os executivos, houve alta de 2,7 pontos de 2001 a 2010. Já no nível de gerência, o crescimento é de 4,4 pontos, desde 2003.

Dívida histórica II

O resultado de 2010 mostra que os negros continuam com baixa participação nos cargos executivos: são apenas 5,3% do total, contra 93,3% de brancos. A situação é um pouco melhor nos postos de gerência: 13,2%, contra 84,7% dos brancos. Em vagas de supervisão, eles são 13,2%, e no quadro funcional, 31,1% do total.

INVESTIMENTOS: O presidente da gestora de investimentos imobiliários Tishman Speyer, Rob Speyer, veio ao Rio conversar com o prefeito Eduardo Paes sobre os projetos Porto Maravilha e Olimpíadas 2016.

Dilma na encruzilhada

Dilma na encruzilhada
EDITORIAL
O Estado de S.Paulo

A presidente eleita, Dilma Rousseff, ainda não explicou de forma clara e convincente se manterá a política de gastança e de aumento da carga tributária ou se escolherá o caminho da seriedade e do equilíbrio fiscal. Ela parecia comprometer-se com a segunda alternativa, em seu primeiro pronunciamento depois da eleição. Mas logo em seguida anunciou a disposição de conversar com vários governadores sobre a recriação da CPMF, o imposto sobre o cheque, ainda agora defendido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O novo governo seguirá o caminho da responsabilidade se aceitar o roteiro esboçado pelo ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, e certamente apoiado pelo ex-ministro e deputado Antonio Palocci, um dos conselheiros da ex-ministra durante a campanha eleitoral. Do outro lado vêm as pressões para a manutenção da farra fiscal, mais ao gosto do padrinho político da presidente eleita.

O plano sugerido pelo ministro Paulo Bernardo reproduz, no essencial, a proposta apresentada há cinco anos por ele e por seu colega da Fazenda, Antonio Palocci. A ideia era conter a expansão do gasto corrente para equilibrar as contas públicas em poucos anos. A pretensão era mesmo eliminar o déficit nominal, zerando o resultado global da administração nos três níveis de governo. O plano foi derrubado pela ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, com apoio de colegas do primeiro escalão e do então presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Guido Mantega.

A presidente eleita ainda não se comprometeu com o plano agora defendido pelo ministro Paulo Bernardo, muito parecido com aquele por ela qualificado como "rudimentar" em 2005. Mas não poderá seguir um roteiro muito diferente, se estiver disposta a trabalhar pela expansão do investimento governamental, pelo aumento da eficiência do setor público, pela valorização da meritocracia na administração e pelo uso responsável do dinheiro arrecadado.

Além disso, a presidente eleita comprometeu-se explicitamente com o controle da inflação. O povo brasileiro, disse ela depois de eleita, não aceita mais o aumento geral de preços como forma de acomodação dos desajustes profundos da economia. Esses desajustes, poderia ter acrescentado, são normalmente criados pela imprudência das autoridades, frequentemente propensas a pensar mais nas vantagens políticas imediatas do que nos interesses nacionais de longo prazo.

O novo governo poderá promover uma arrumação das contas públicas sem grandes cortes e sacrifícios, tem dito o ministro Paulo Bernardo. A presidente eleita já disse algo semelhante. Mas a situação é um pouco mais complicada e menos tranquilizadora.

Falta negociar o salário mínimo para o próximo ano, e a presidente eleita insinuou a possibilidade de um reajuste maior do que seria possível com a mera aplicação da fórmula em vigor. Deverá haver também aumento real para todos os aposentados.

Além disso, o Tesouro Nacional assumiu compromissos pesados para capitalizar o BNDES e a Petrobrás, elevando seu endividamento. Novos compromissos deverão surgir, se o Congresso não derrubar a Medida Provisória (MP) n.º 511, assinada na última sexta-feira pelo presidente Lula. Com essa MP, o governo assume o risco de gastar até R$ 45 bilhões para garantir os financiamentos concedidos pelo BNDES à concessionária do trem-bala e aos envolvidos em outros projetos de infraestrutura.

Recursos públicos também serão drenados, certamente, para projetos relacionados com a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos. É ingenuidade aceitar sem reserva a hipótese contrária, apesar das declarações do presidente Lula.

O Orçamento federal já está muito menos equilibrado, de fato, do que indica o discurso oficial. O superávit primário exibido pelo governo, em 2010, só foi obtido graças a mirabolantes artifícios contábeis. O novo governo herdará contas públicas em condições nada brilhantes. Se quiser ajustá-las sem recorrer a truques e sem depender só do aumento da carga tributária, terá de agir com uma seriedade nunca vista nos últimos oito anos. Estará disposta a isso a presidente eleita?

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Bateu, levou!

Denis Lerrer Rosenfield

O Estado de S. Paulo - 08/11/2010

"O já longo período eleitoral terminou em temperatura bastante elevada, ofuscando algumas questões centrais. A rigor, não foi apresentado por nenhum dos candidatos um conjunto sério de propostas que digam respeito ao nosso futuro. Chegamos à esdrúxula situação em que a candidata vitoriosa apresentou como plano de governo uma visão sucinta do programa partidário, impregnado do viés dogmático do 3.º Plano Nacional de Direitos Humanos, logo retirado para modificações. No segundo turno tivemos apenas propostas genéricas, em que virtualmente tudo poderia ser incluído. O candidato oposicionista nem isso fez, ao não apresentar plano de governo algum, salvo o cumprimento de um procedimento burocrático no TSE, via recorte de dois de seus discursos. A pergunta que se impõe é: será que o País não merecia ser discutido? Será que somos cidadãos considerados incapazes de apreender e discutir ideias e concepções? Somos apenas objetos de marqueteiros?
Numa campanha carente de ideias, ganhou força novamente o que já se torna um mantra: seguir um pseudoprincípio das campanhas eleitorais segundo o qual "quem bate perde"! Tal como é apresentada, essa ideia ganha o estatuto de uma verdade a priori, válida independentemente de qualquer experiência. O mais curioso é que José Serra a seguiu em todo o primeiro turno e início do segundo, colocando-se, dessa maneira, numa posição de nítida desvantagem. Marina Silva, com seu jeito calmo e cordato, afastou-se desse "princípio", cobrando de Dilma Rousseff o escândalo de tráfico de influência de Erenice Guerra na Casa Civil. Terminou ela viabilizando o segundo turno.
Dilma e sua equipe, desorientados com esse resultado, tiveram, contudo, uma visão mais realista da situação. Certamente auxiliada por pesquisas internas que davam a diminuição de sua vantagem em relação a Serra, a candidata petista mudou de atitude e passou a "bater" em seu adversário, e "levou"! Não seguiu o mantra que aparentemente acatava. Ou melhor, em campanhas eleitorais o que conta são as verdades a posteriori, que dependem de uma reflexão ancorada na experiência. Em alguns momentos convém não bater, em outros é mais do que conveniente. A candidatura Serra não soube avaliar esse timing e terminou vítima de si mesma e da bem conduzida campanha de sua adversária.
Intervém, aqui, outro fator da maior relevância, o de que o "ataque" de Dilma se tenha aproveitado de um velho preconceito a respeito das "privatizações". Chega a ser incompreensível que depois das derrotas de 2002 e 2006 os tucanos não se tenham preparado para esse debate de ideias. Na verdade, mostram-se envergonhados do que fizeram quando governo. As privatizações são um sucesso estrondoso, sobretudo nas áreas de telecomunicações e siderurgia, na Embraer e na Vale, entre outras. O País mudou, e para melhor. Algumas dessas empresas se tornaram players internacionais, sendo motivo de orgulho para o País. Pagam altos impostos, geram renda para si e para seus acionistas, empregam e dão muito boas condições de vida a seus trabalhadores. Argumentos não faltam.
O que fez Serra, confrontado com o problema? Acusou Dilma de "privatista"! Ou, ainda, quis se mostrar tão ou mais estatizante do que ela. Recusou-se a um verdadeiro debate, foi incapaz de mostrar a herança bendita legada por Fernando Henrique. Caiu em duas armadilhas: a do PT, entrando em seu jogo, e a de suas pesquisas "qualis", que partiram da ideia de que o cidadão brasileiro tem uma concepção negativa das privatizações do governo FHC.
Acontece que as pesquisas "qualis", se bem feitas, retratam somente um momento, uma foto fixa de um estado de espírito. Ora, esse estado de espírito foi formado ao longo destes oito anos de governo Lula, e mesmo antes, pois no período anterior elas foram consideradas um mal necessário, algo que deveria ser apenas tolerado. O governo petista aproveitou-se dessa "vergonha" e fez um longo trabalho de formação da opinião pública, cujo "retrato final" foi oferecido pelas pesquisas. A verdadeira política se faz nesse longo processo de formação da opinião pública, e não apenas no calor de uma campanha eleitoral, em que ideias já se encontram cristalizadas. Se os tucanos em todos esses anos não souberam defender o que fizeram, fica, de fato, difícil em poucos meses e semanas reverter uma situação desse tipo.
Neste deserto de ideias, sobra como alternativa nos apegarmos ao discurso da presidente eleita e no que resta de propostas das oposições. Dilma, em seu discurso de vitória e em manifestações posteriores, foi extremamente sensata, tendo sabido captar a importância do momento. Mostrou-se à altura deste, com um discurso de união nacional que poderia ser subscrito pelos oposicionistas. Fez veemente defesa da democracia representativa, da liberdade de imprensa e dos meios de comunicação, do Estado de Direito, posicionando-se, mesmo, contrária às invasões de prédios públicos e de propriedades privadas pelo MST. Sinalizou também um afastamento do Irã, por seus atos de barbárie contra as mulheres. Em algumas dessas questões, demarcou-se de seu mentor. Convém, porém, fazer um acompanhamento de seus passos, para que possamos melhor avaliar se essas ideias vieram para ficar ou não. Seria altamente promissor saber que a nova presidente não é uma "metamorfose ambulante"!
Os tucanos, perdidos, estão na obrigação de se reinventar. Deverão fazer uma avaliação rigorosa de três fracassos sucessivos, em 2002, 2006 e 2010. Deverão apresentar ideias e concepções que deixem claro ao eleitor brasileiro o que significa o seu nome: "social-democracia". Deverão, enfim, fazer uma defesa do seu próprio legado e, em particular, enfrentar a questão das privatizações e, com ela, as das reformas tributária, previdenciária e política. Não podem omitir-se. Se o fizerem, estarão destinados novamente ao fracasso em 2014".

Não é a moeda

Carlos Alberto Sardenberg - O Estado de S.Paulo

Num dos tantos rápidos diálogos da série de comédias Mash, o capitão tenta não dizer ao general que houvera uma farra no acampamento: "Senhor, na sua ausência aconteceram algumas coisas inevitáveis." E o general: "Bom, se eram inevitáveis, vocês não tinham como evitar." A desvalorização do dólar e a consequente valorização das demais moedas em relação ao padrão americano são inevitáveis. E talvez seja um preço, amargo, a pagar pela recuperação da economia global.

Eis a lógica: para que o mundo volte a crescer de maneira sólida, é preciso que os EUA, com seus US$ 14 trilhões de produto e consumo nacional três vezes maior que a segunda potência, a China, retomem o crescimento. Isso exige que o consumidor volte a gastar e as empresas americanas voltem a investir e empregar. Isso, de sua vez, exige que os bancos ofereçam crédito barato. Logo, o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) está imprimindo dólares para comprar títulos públicos que estão em poder dos bancos; passa dinheiro para estes, na expectativa de que emprestem e façam a rodar a economia.

O subproduto disso é a desvalorização do dólar perante as demais moedas do mundo. Claro, é como bananas. Tem muita banana na praça, cai o preço. Tem muito dólar... Isso, aliás, ajuda as exportações americanas e encarece os produtos de todos que vendem para os EUA. Ou seja, ajuda também a recuperação americana, atrapalhando o resto do mundo.

Essa política pode fracassar? Pode. Basta que os consumidores e as empresas americanas, sem confiança na retomada, não se animem a tomar o crédito na quantidade necessária. O dinheiro ficaria parado nos bancos ou seria inteiramente transferido para outros países do mundo, onde há crescimento econômico e taxas de juros mais altas que as americanas. Isso já está ocorrendo, em parte. Por esse lado, pode-se dizer que a política do Fed é muito arriscada e que talvez provoque mais danos do que benefícios.

A questão é: qual a alternativa? Não tem.

O governo Obama poderia, por exemplo, aumentar seus gastos em obras e programas sociais de modo a estimular a produção e o consumo internos? Já está fazendo isso, até com êxito, mas não há como ampliar o projeto por impedimento político. O presidente acaba de perder a maioria na Câmara dos Deputados e os republicanos, vencedores, já anunciaram que pretendem reverter os programas aprovados anteriormente.

Obama poderia também promover mais uma rodada de redução de impostos - coisa que os republicanos aprovariam -, mas não pode fazer isso porque precisa do dinheiro para cobrir o déficit público gerado pelo programa de gastos já em andamento.

Assim, sobra a tal política do Fed, "easing money", fabricar dólares e espalhar na praça, esperando que pessoas e empresas tomem emprestado e gastem.

Assim, temos uma única saída, na verdade uma tentativa para a recuperação americana, com efeitos colaterais danosos. E daí?

Stanley Fisher, presidente do Banco Central de Israel, país que também recebe uma enxurrada de dólares e tem sua moeda (shekel) valorizada, comentou, em conversa recente com este colunista e os jornalistas Celso Ming (Estado) e João Luiz Rosa (Valor) em seu gabinete em Jerusalém, que há duas situações possíveis quando se olha o cenário neste momento. Na primeira, o Fed aplica sua política, a economia americana cresce, garante a recuperação mundial e... provoca um problema para as demais moedas. Na segunda, o Fed não faz nada, os EUA ficam estagnados ou em recessão e o mundo, sem problema de moedas, simplesmente não se recupera. Ora, o governo Obama e o Fed já fizeram sua escolha. O que resta fazer para os demais países?

Os governos - todos, excluindo a China, que mantém sua moeda atrelada ao dólar, portanto, desvalorizada na mesma medida - podem reclamar, como estão fazendo, inclusive o brasileiro. E vão reclamar na reunião do G-20 nesta semana, em Seul, na Coreia do Sul, cuja moeda, aliás, também está valorizada. Vão reclamar dos EUA, mas também da China, que há anos, antes mesmo dessa confusão toda, mantém sua moeda excessivamente desvalorizada.

Reparem: se a China deixasse sua moeda se valorizar, isso resolveria boa parte do problema. Pela lógica: se todas as moedas do mundo se valorizassem igualmente diante do dólar, então todas elas permaneceriam no mesmo lugar, não é mesmo? O problema ocorre quando todas se valorizam e apenas a moeda chinesa, entre as mais importantes, continua desvalorizada. Isso barateia os produtos chineses de exportação, sendo uma vantagem contra todos os demais.

Ocorre que o modelo chinês, com 30 anos de êxito, é baseado nessa exportação. Como mudar de uma hora para outra? Os dirigentes têm medo de um colapso no crescimento, o que, aliás, seria muito ruim para o mundo todo. O Brasil, por exemplo, tem sua fonte de crescimento recente nas exportações e muito especialmente na expansão das vendas para a China e países atrelados a ela.

Sim, caro leitor, cara leitora, vocês têm razão. A cada parágrafo deste artigo estamos complicando a coisa um pouco mais. Mas não se trata de espírito maligno. A situação é assim, um rolo danado.

Primeira conclusão: não vai sair nada de substancial da reunião do G-20. Segunda: se tem muita coisa inevitável nisso tudo, não quer dizer que aos governos locais só resta reclamar. Eles podem fazer muita coisa, especialmente o brasileiro, partindo deste ponto: nosso maior problema não está no jogo internacional das moedas, está aqui dentro mesmo.

Outro dia, exportadores brasileiros de manufaturas estavam dizendo que, por causa da valorização do real, estavam perdendo mercado para concorrentes mexicanos e colombianos. Ora, não faz sentido: as moedas do México e da Colômbia também se valorizaram nos últimos meses e até mais do que a brasileira.

Assim, temos um problema de moeda com a China e os EUA, mas não com os demais emergentes. Qual é a nossa desvantagem competitiva em relação a todos estes?

A taxa de juros: aqui rodando pouco acima dos 5% ao ano, em termos reais, descontada a inflação, enquanto no resto do mundo está entre zero e 1%. A carga de impostos: aqui, de 35% do PIB, contra uns 22% nos demais emergentes. A dívida pública bruta: aqui, em torno dos 60% do PIB e subindo, ante algo na casa dos 40% dos demais.

Tudo isso é coisa nossa. Mas é mais fácil botar a culpa nos outros
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domingo, 7 de novembro de 2010

AÍ É QUE MORA O PERIGO




Essencialmente, o que Lula fez de melhor, foi deixar a macroeconomia com o banco central. Se os chamados desenvolvimentistas, ou o que isso significa, tivessem mudado os fundamentos da macroeconomia, Lula não tinha passado do primeiro mandato. Já pensaram, mensalão misturado com inflação? Claro, a atual macroeconomia não é um dogma sagrado, mas para sair rumo ao chamado desenvolvimento sustentado, temos que incentivar o velho capitalismo, aliás é ele, maltratado, espoliado, mal falado, que nos proporciona um incerto equilíbrio nas nossas contas. Portanto é necessário as reformas, sobretudo as do estado, que ficaram pela metade. Como investir, sem conter os déficits públicos? Como conter o déficit público, com o excesso de funciomnártios, alguns ganhando uma verdadeira fortuna , a corrupção correndo solta, com este estado cada vez mais ineficiente e perdulário? Aumentando impostos? Assim, logo seremos escravos da China. Seus fornecedores de comida e matérias-primas. Sem tecnologia, sobretudo sem educação para o povo, não poderemos acompanhar nem de perto o futuro desenvolvimento das nações. Ficaremos sempre à reboque. Se Lula nada mudou, pois naturalmente não teve coragem de peitar o corporativismo estatal, nem nada que contivesse o gasto público, não mexeu na macroeconomia. Menos mal. Ficou falando em palanques de suas qualidades como estadista, e outras idiotices mais, gozando, por causa da economia, grande popularidade, com a qual elegeu Dilma, uma burocrata totalmente desconhecida da população. Em outras palavras, elegeu seu “poste”. Agora, Dilma quer mudar. Sem tocar nas reformas, para ela coisa de “neo-liberais”. Seria o PT realmente no poder. Todos sabemos, que isso tem tudo para não dar certo. Não vai dar. Fazer omelete sem quebrar os ovos.


OPOSIÇÕES E NOVA CPMF

Tem que ser contra. O PSDB de São Paulo e o DEM estão certos. Aliás, o DEM deveria defender abertamente, inclusive fazendo campanha, pela diminuição do estado e pelas privatizações. Só assim poderia se salvar como um partido conservador, sério e verdadeiramente liberal. É preciso também renovar. É renovar ou morrer. Estão com medo de defender o capitalismo?


FORÇAS DO MAL

São àquelas que querem aumentar o poder do estado sobre nossa sofrida população. Temos que fazer um movimento nacional pela reforma tributária, sindical e trabalhista. Agora querem gastar mais nosso dinheiro, e sobretudo roubar mais. Temos dinheiro para a saúde, mas a corrupção e a falta de gerenciamento, deixa a situação como está, com o povo sofrendo cada vaz mais. Prisão perpétua para os corruptos da saúde! Reformas já! Abaixo a violência e a corrupção. Alguém está ouvindo?

SARNEY DE BARBAS

Não mexeu no corporativismo estatal, antes pelo contrário, o fortaleceu. Desarrumou a contas do estado, deixando-o cada vez mais sem capacidade de investimentos. Deixou um rombo de contas a pagar, na ordem de cinquenta bilhões. Fernando Henrique deixou quatorze, com os números corrigidos e atualizados. Aparelhou o estado e aumentou a presença do mesmo no movimento sindical, corrupto e chapa-branca. Nunca houve tanto atrelamento dos sindicatos com o estado. Nem o finado Getúlio conseguiu tal façanha. Não fez reforma nenhuma, e piorou a já combalida educação. Salvou-se pela economia, antes taxada de neo-liberal e conservadora. Ao contrário de Sarney, deixa o governo com altos índices de popularidade e elegeu sua sucessora. Eis aí a herança de Lula. O redentor dos idiotas. Mas a idiotice e a imbecilidade tem larga tradição histórica nesse país. Afinal, uma construção de séculos, como diria Nélson Rodrigues. Que por essas horas deve estar rindo de todos nós lá no céu. Amém.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

JOSÉ LUIZ INOCENTADO?

De repente, em Caetés, do silêncio calmo da noite, pipocaram bombas de todos os cantos, acordando pessoas, gatos e cachorros da noite quieta, comum no cotidiano da cidade. Carros atravessando as ruas freneticamente, buzinando em estado de infinita alegria. Como conhecemos a política da cidade, sabemos logo que algo, supostamente, para alguns certamente , muito importante e bom aconteceu. José Luiz inocentado. Parece até que seus aliados mantém um verdadeiro paiol de fogos para todas as ocasiões. Depois da barulheira, os fogos foram sumindo, e a noite seguiu seu persurso de eras. Os gatos voltaram normalmente a fazer amor nos telhados, e os cachorros puderam a uivar à vontade, como sempre.
Considero a democracia como processo. Muitas vezes longo e tortuoso. Em relação à justiça, é preciso melhorar muito. Mas é preciso desde há muito fazer uma reforma política. Aos poucos, dependendo da pressão popular, as coisas vão melhorando. A lei de ficha limpa faz parte deste processo. No caso, queimaram bombas à toa, pois a decisão ainda vai passar pelo pleno do TSE. O cidadão ainda não escapou em definitivo. Se escapar, jogarão uma bomba atômica em Caetés? Querem matar as oposições? Exterminá-las? Ridículo. As oposições estão articuladas e unidas na cidade. Não queremos é briga, insultos, e violência, somos da paz. Mas não temos medo nem de bombas, nem de cara feia. E digo e repito, como ser ficha limpa um sujeito que teve todas as suas contas rejeitadas pelo tribunal de contas no estado? Como ele tem ótimos advogados, pagos regiamente não sei por quem, ainda briga desesperadamente para não ser cassado. Afinal ele quer ser prefeito de Garanhuns. Pode até ser, para a infelicidade dos Garanhuenses. Mas também pode ser cassado. Só o pleno do tribunal dirá. Aguardemos.

PISANDO NO TOMATE

Eduardo Campos, muito sabido, para puxar uma suposta pressão de governadores em prol da saúde, fazendo o jogo do governo, propôs ressucitar a velha e derrotada CPMF. Como ele se diz socialista, só sabe gastar. De preferência tirando dos bolsos dos contribuintes, aumentando a nossa estupenda carga tributária, que serve afinal para perpetuar mamatas mil deste estado privatizado, desde os tempos do império. O governo Ludilma, também sinaliza pela volta do imposto, pois este dinheiro na mão de políticos vai proporcionar , claro, mais roubalheira, e aumentar o custo do desenvolvimento das forças produtivas, além de afugentar mais os investimentos. Por que não economizar? Por que não racionalizar, gastando bem o dinheiro que se dispõe? Bem estas pessoas buscam a imediata popularidade. Um bom estadista tem que tomar medidas impopulares quando necessário. Mas o bom mesmo é gastar. Sobretudo com o dinheiro dos outros.

CPMF

Com a maioria governamental no congresso, e até alguns governadores da oposição também querendo, a CPMF vai voltar. Vamos ver os debates, nesta nova tungada no bolso dos contribuintes. Está certo o DEM. Deve-se ser contra, radicalmente. E imediatamente. Os liberais, enxugam o estado. As esquerdas estouram o estado, e gastam mal. Com altas dosagens de corrupção, é sempre bom lembrar.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

FHC diz não endossar mais PSDB que não defenda a sua história


FHC diz não endossar mais PSDB que não defenda a sua história

"Não estou mais disposto a dar endosso a um PSDB que não defenda a sua história", disse o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), ontem, em entrevista no instituto que leva seu nome, no centro de SP.




Presidente de honra do PSDB, Fernando Henrique defende que o partido anuncie dois anos antes das eleições presidenciais seu candidato. "O PSDB não pode ficar enrolando até o final para saber se é A, B, C ou D."

Eduardo Knapp/Folhapress



O ex-presidente diz que Lula "desrespeitou a lei abundantemente" na campanha e que promove "um complexo sindical-burocrático-industrial, que escolhe vencedores, o que leva ao protecionismo".



Para FHC, a tradição brasileira de "corporativismo estatizante está voltando". Lula é uma "metamorfose ambulante que faz a mediação de tudo com tudo".



Folha - José Serra aproveitou a oportunidade do segundo turno como deveria?

Fernando Henrique Cardoso - Cada um tem um estilo e Serra foi fiel ao estilo dele. Tomou as decisões dele na campanha, com o [marqueteiro Luiz] Gonzalez. Não fez diferente do que se esperaria de Serra como um candidato persistente, que define uma linha e, aconteça o que acontecer, vai em frente.



O PSDB, e não o Serra, tem outros problemas mais complicados. Não é falta de bons candidatos. O problema é ter uma noção do coletivo, uma linguagem que expresse o coletivo, que não pode ser fechado no partido. Numa sociedade de 130 milhões de eleitores, a mensagem conta muito --no conteúdo e no modo que se transmite.



Como o Lula ficou muito fixado numa comparação para trás, os candidatos esqueceram a campanha e não definiram o futuro. Esse é o desafio --para o PSDB também.



O nosso futuro vai ser, outra vez, fornecer produtos primários? Ou vamos desenvolver inovação, modificar a educação, continuar a industrialização. Isso não foi posto [na campanha]. Qual será nossa matriz energética. Preocupa-me muito a discussão do petróleo.



Nesse campo, o seu governo quebrou o monopólio da Petrobras e implantou o modelo de concessão. A fórmula proposta por Lula, de partilha, para o pré-sal, que traz novos privilégios à Petrobras, é melhor?

Não posso responder, porque não vi a discussão. Preocupa-me esse modelo porque força uma supercapitalização [da Petrobras] sem que se saiba bem qual será o modelo de venda desse petróleo. Essa forma de partilha proposta é uma estatização do risco. O risco quem corre é o Estado, ao contrário do modelo de concessão.



O que estamos fazendo é uma dívida. Isso obriga a sobrecapitalizar a Petrobras. Parece que não temos mais problemas de poupança no Brasil. Entramos numa ilusão tremenda nessa matéria. O Tesouro faz a dívida com o mercado e empresta para o BNDES ou para a Petrobras. É como se não precisássemos mais poupar. Mas a dívida está aí. Essa questão o PSDB não politizou.



O governo Lula mobiliza fundos públicos e paraestatais e patrocina a formação de grandes empresas no país, uma espécie de complexo "industrial-burocrático", parodiando o "industrial-militar" do Eisenhower [em 1961, ao deixar o governo, o então presidente dos EUA Dwight Eisenhower alertou para os riscos de uma influência excessiva do complexo industrial-militar para o processo democrático]. Há mais ruptura ou continuidade em relação ao processo que se iniciou no seu governo, quando o BNDES e os fundos de pensão das estatais viabilizaram as privatizações?

Tudo é uma questão de medida. Os fundos [de pensão] entraram na privatização porque já tinham ações nas teles e participar do grupo de controle lhes dava vantagem. Fizeram um bom negócios Mas tive sempre o cuidado da diversificação. No mundo integrado de hoje, convém que a economia tenha um setor público eficiente e que tenha um setor privado, nacional e estrangeiro. Tentamos equilibrar isso.



O problema agora é de tendência, de gigantismo de uns poucos grupos, nesse complexo, que na verdade é sindical-burocrático-industrial, com forte orientação de escolher os vencedores. Isso é arriscado do ponto de vista político e leva ao protecionismo.



A máxima "política tem fila" foi usada para defender a precedência de Serra sobre Aécio na eleição de 2010. A fila andou ontem? Chegou a vez de Aécio Neves no PSDB?

Eu não posso dizer que passou a primeiro lugar, mas que o Aécio se saiu bem nessa campanha, se saiu. Não posso dizer que passou a primeiro lugar porque o Serra mostrou persistência e teve um desempenho razoável.



Não diria que existe um candidato que diga: "Eu naturalmente serei". Mas o PSDB também não pode ficar enrolando até o final para saber se é A, B, C ou D. Dentro de dois anos temos de decidir quem é e esse é tem de ser de todo mundo, tem de ser coletivo.



Não estou disposto mais a dar endosso a um PSDB que não defenda a sua história. Tem limites para isso, porque não dá certo. Tem de defender o que nós fizemos. A privatização das teles foi bom para o povo, para o Tesouro e para o país. A privatização da Vale foi um gol importante, porque, além do mais, a Vale é uma empresa nacional. A privatização da Embraer foi ótima.



Então por que não dizer isso? Por que não defender? Privatizar não é entregar o país ao adversário, pegar o dinheiro do povo e jogar fora. Não. É valorizar o dinheiro do país. Tudo isso criou mais emprego, deu mais renda para o Estado.



Do ponto de vista econômico, as questões estão bem encaminhados. Os motores da economia são fortes. Os problemas maiores são em outras áreas: educação, segurança, democracia, igualdade perante a lei, droga. Não é para saber se a economia vai crescer, é se a sociedade vai ser melhor.



Sobre a democracia no Brasil, o sr. escreveu, recentemente, que é uma maquinaria institucional em andamento, mas que lhe falta o "espírito": "a convicção na igualdade perante a lei, a busca do interesse público e de um caminho para maior igualdade social". Sinais desse espírito no processo eleitoral que se encerrou?

Francamente não vejo. O presidente Lula desrespeitou a lei abundantemente. Do ponto de vista da cultura política, nós regredimos. Não digo do lado da mecânica institucional --a eleição foi limpa, livre. Mas na cultura política, demos um passo para trás, no caso do comportamento [de Lula] e da aceitação da transgressão, como se fosse banal.



Houve abuso do poder político, que tem sempre um componente de poder econômico. Quantos prefeitos foram cassados aqui em São Paulo, por exemplo em Mauá, por abuso do poder econômico? Por nada, comparado com esse abuso a que assistimos agora. Não posso dizer que houve progresso da cultura democrática brasileira.

Aqui está havendo outra confusão. Pensar que a democracia é simplesmente fazer com que as condições de vida melhorem. Ela é também, mas não se esqueça que as ditaduras fazem isso mais depressa.



Como o sr. vê a volta de temas como religião na campanha?

Com preocupação. O Estado é laico, e trazer a questão religiosa para primeiro plano de uma discussão política não ajuda. Todas as religiões têm o direito de pensar o que queiram e de pregar até o comportamento eleitoral de seus fieis. Mas trazer a questão como se fosse um debate importante, não acho que ajude.



A dose dos chamados marqueteiros nas campanhas tucanas está exagerada?

Sim, em todas as campanhas. Nós entramos num marquetismo perigoso, que despolitiza. Hoje a campanha faz pesquisas e vê o que a população quer naquele momento. A população sempre quer educação, saúde e segurança, e então você organiza tudo em termos de educação, saúde e segurança.



Sem perceber que a verdadeira questão é como você transforma em problema uma coisa que a população não percebeu ainda como problema. Liderar é isso. Aí você abre um caminho. A pesquisa é útil não para você repetir o que ela disse, mas para você tentar influenciar no comportamento, a partir de seus valores.



Suponha uma pesquisa sobre privatização em que a maioria é contra. A posição do líder político é tentar convencer a população [do contrário]. O que nós temos na campanha é a reafirmação dos clichês colhidos nas pesquisas. Onde é que está a liderança política, que é justamente você propor valor novo. O líder muda, não segue.



Como mostrar as diferenças entre PT e PSDB? As ideias tucanas não são difíceis de assimilar?

Você se lembra de quando fui presidente? A ambição de todo mundo era cortar a burocracia. Por quê? Porque foi politizado.



É preciso politizar, e não é na hora da campanha.O PSDB, quando digo que tem que ter por referência o coletivo e ter um projeto, é agora. Não é para daqui a quatro anos. Daqui a quatro anos é tarde. Ou durante quatro anos você martela os seus valores e transforma os seus valores em algo que é compartilhado por mais gente, ou chega lá e não consegue. É tarde.



Mas o PSDB deixou o Lula falando sozinho um bom tempo.

Não foi só o PSDB. Foi todo mundo. Quando o nosso sistema presidencialista é exercido a partir de uma pessoa carismática como o Lula e que tem por trás um partido organizado, ele quase se torna um pensamento único.



Aqui, fora da campanha, só o governo fala. Quando fala sem parar, o caso atual, e sob forma de propaganda, fica difícil de controlar. No meu tempo, também era o governo que falava. Como não tenho o mesmo estilo e não usava uma visão eleitoreira o tempo todo, não aparecia tanto. Mas isso é da cultura brasileira.



Jornal dá o "outro lado", mas a TV não dá --só dá na campanha. O que a mídia em geral transmitiu ao longo desses oito anos? Lula, violência e futebol.



A oposição, liderada pelo PSDB, ficou mais forte nos Estados e mais fraca no Congresso. Como fará para resistir à força gravitacional do Planalto?

Não é fácil, porque os Estados têm interesses administrativos. Mas um pouco mais de consistência oposicionista pode. No regime militar, Montoro e Tancredo eram governadores e se opunham. É preciso recuperar um pouco essa dimensão política.



Mas o carro chefe para puxar [a oposição] não pode ser o governador. Tem de ser o partido. E não é o PSDB só. Esses 44 milhões [votação de Serra no domingo] não são do PSDB. É uma parte da sociedade brasileira que pensa de outra maneira. E não se pode aceitar a ideia de que são os mais pobres contra os mais ricos. Nunca vi uma elite tão grande: 44 milhões de pessoas.



A polarização nacional entre PT e PSDB completou 16 anos. Tem feito mais bem ou mais mal ao Brasil?

O que o Chile fez na forma da Concertação [a aliança entre o Partido Socialista e a Democracia Cristã que governou o Chile de 1990 a 2010], fizemos aqui sob a forma de oposição. Há muito mais uma linha de continuidade que de quebra. Queira ou não queira, o pessoal do PT aderiu, grosso modo, ao caminho aberto por nós. Isso é que deu crescimento ao Brasil. A briga, na verdade, é pelo poder, não é tanto pelo conteúdo que se faz. No tempo que cheguei lá, eu escrevi o que ia fazer e fiz. Nunca mudei o rumo. O Lula mudou o rumo. Agora acho que tem aí o começo de um rumo que não é o mesmo meu, que é esse mais burocrático-sindical-industrial. E tem uma diferença na concepção da democracia, e o PSDB tem de acentuar essa diferença.



Mas o que seria essa social-democracia?

Social-democracia, vamos devagar com o ardor. O sujeito da social-democracia europeia eram a classe trabalhadora e os sindicatos. Aqui são os pobres. O Lula deixou de falar em trabalhador para falar em pobre. Mudou. Nós descobrimos uma tecnologia de lidar com a pobreza, mas estamos por enquanto mitigando a pobreza.



Tem de transformar o pré-sal em neurônio. Esse é o saldo para uma sociedade desenvolvida. Social-democracia hoje é isso. É inclusão social, respeitando o mercado, sabendo que o Estado terá um papel importante, mas não é tudo, e que o mercado tem de ser regulado de olho numa inclusão que não seja só de mitigação. Não pode ter predomínio do olhar do Estado. Está se perfilando, no PT e adjacências, uma predominância do olhar do Estado, como se o Estado fosse a solução das coisas. Continuo achando que o Estado é indispensável, mas a sociedade deve ter uma participação mais ativa. Os movimentos sociais estão todos cooptados.



Então a diferença entre PT e PSDB, para o sr., se dá em relação ao papel do Estado.

Mas não no sentido de não ter papel para o Estado. No sentido de que esse papel tenha de ser de um Estado que se abra para a sociedade. Não de um Estado burocrático, que se imponha à sociedade.



A nossa tradição é de corporativismo estatizante, e isso está voltando. É uma mistura fina, uma mistura de Getúlio, Geisel e Lula. O Lula é mais complicado que isso, porque é isso e o contrário disso. Como é a metamorfose ambulante, faz a mediação de tudo com tudo.



Lula sempre faz a mediação para que o setor privado não seja sufocado completamente. Não sei como Dilma vai proceder.



O sr. sente que isso tende a se aprofundar nesse novo governo?

Sim, a segunda parte do segundo mandato de Lula foi assim. A crise global deu a desculpa para o Estado gastar mais. E o pobre do Keynes pagou o preço. Tudo é Keynes [O economista britânico John Maynard Keynes (1883-1946) defendeu, em sua obra "Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda", a intervenção do Estado na economia para controlar as crises econômicas]. Investimento não cresceu, gasto público se expandiu, foi Keynes.



Não acho que o Brasil vá no sentido da Venezuela porque a sociedade nossa é mais forte. Aqui há empresas, imprensa, universidades, igrejas, uma sociedade civil maior, mais forte. Isso leva o governo a também ter cautela. Veja o discurso da Dilma de ontem [domingo]. Ela beijou a cruz.



Como todo mundo percebia uma tendência nesse sentido, ela disse: "Olha aqui, vou respeitar a democracia, vou dar a mão a todos". Ela tem que dizer isso, porque senão ela não governa.



O que esperar de Dilma Rousseff, que estreia num cargo eletivo logo na Presidência, no dia 1º de janeiro?

Nós não sabemos não só o que ela pensa, mas como é que ela faz. O Brasil deu um cheque em branco para a Dilma. Vamos ver o que vai acontecer com a conjuntura econômica, mundial e aqui. Há um problema complicado na balança de pagamentos, um deficit crescente, uma taxa de juros elevada e uma taxa de câmbio cruel.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

CALUMBI


CALUMBI




Foi a cidade onde a candidata de Lula obteve a maior votação no estado. Viva Calumbi, a vanguarda da revolução proletária do país! E o Nordeste, segue seguindo seus santos, nenhuma novidade. Pelo jeto, vai ser o último bastião do lulismo, até ele se acabar. Mas ela teve muitos votos em todo o país, assim como mais de quarenta por cento do eleitorado não foi na onda. Agora, o que vier acontecer neste governo baterá em Lula. Para o bem ou para o mal. Lembre-mo-nos que o próximo governo terá que apertar os cintos. Herança maldita da gastança lulista. E as oposições estão mais calejadas. Mais enxutas, digamos assim. Pelas características da campanha, devem aprender que oposição não deve alisar governo. E que não se deve ter medo de bater em Lula. Ídolos de papel, se desmancham com palavras, que são a essência dos atos e fatos políticos.



OPOSIÇÕES




Faz-se necessário a criação de um partido conservador no país. Partido de cunho liberal e democrático, sério e atuante. Nestas eleições tivemos variações de social-democracia. Seria interessante um partido que lutasse abertamente contra as estatais, pelo liberalismo econômico e pelo aperfeiçoamento permanente da nossa democracia. Hoje sólida, graças a deus. Apesar das cassandras stalinistas que ainda infestam este governo. É preciso urgentemente que as oposições não tenham medo de expor a sua história, fundamental para a atual estabilização do país. Fazer política, sem medo e com a cabeça erguida, como o velho líder Fernando Henrique Cardoso.



GOVERNO DILMA




Lula como não é bêsta, vai indicar o presidente do banco central, mantendo o próprio Meireles no cargo. Porém, agora não basta a estabilidade macroeconômica.É preciso fazer inúmeros ajustes, diga-se, controle de gastos, para sair do buraco. A herança do governo Lula não será mole, pois só resta um por cento para investir. Lula continuará em seus palanques. Se o governo Dilma for mal, ele a abandonará, mas vai ser difícil. Mas dizem que ele tem sorte. Vamos ver.





SERRA E ROBERTO FREIRE




Disse que a luta apenas começou. Muito bem. Agradeceu a grande votação que teve, e junto com Aécio, deve tentar organizar as oposições. Por falar em oposições, teremos de volta a liderança do nosso, agora eleito por São Paulo, Roberto Freire. Que é um grande parlamentar, e deve bater de frente no governo Lula-Dilma, com a competência que lhe é peculiar. Lula o odeia, e ele também não gosta muito de Lula. O que já é um bom começo. Os cacarecos da esquerda estadual, o odeiam, e devem estar morrendo de raiva com a sua eleição. E inveja.