quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Xodó do Judiciário, auxílio-moradia já custa R$ 5,4 bilhões aos cofres públicos


Contas Abertas


A opinião pode pública não aprova o pagamento de auxílio-moradia sem nenhum critério para o poder Judiciário. No entanto, entidades de classe prometem brigar com unhas e dentes para garantir que o benefício continue a engordar os recebimentos de juízes e promotores. Liberado desde setembro de 2014, o auxílio-moradia já custa pelo menos R$ 5,4 bilhões ao cofres públicos.
Por meio de decisões liminares – provisórias – do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Fux, a benesse é paga a juízes, desembargadores, promotores, procuradores, conselheiros e procuradores de contas e aos próprios ministros do Supremo. Um dos pontos mais polêmicos do benefício é que ele é válido para quem mora na mesma cidade em que trabalha, e até mesmo para quem tem residência própria.
Apesar de ser considerado uma verba indenizatória, não é preciso comprovar despesas com moradia. Somente não pode receber quem já utiliza um imóvel funcional – cedido pelo Estado –,quem não está mais na ativa ou é casado com alguém que já conta com o mesmo auxílio.
Em dezembro, Fux liberou para julgamento de mérito pelo plenário do STF as liminares que garantiram o pagamento de auxílio-moradia a todos os magistrados do país. Com a decisão, caberá a presidente do STF, Cármen Lúcia, marcar a data do julgamento, que deve ocorrer a partir de 1º de fevereiro, quando a Corte retomará os trabalhos após período de recesso.
O caso chegou ao Supremo por meio de ações de alguns magistrados e a Associação dos Juízes Federais (Ajufe). Todos alegaram que o auxílio-moradia está previsto pela Loman. Com a alegação de que enfrentam uma "campanha orquestrada" contra seus direitos, as principais entidades representativas da Magistratura prometem lutar para evitar a perda de benefícios e programaram um protesto em Brasília amanhã (1), que vai marcar a abertura do ano do Judiciário.
Em mensagem aos associados, o presidente da Ajufe, Roberto Veloso, afirma que "era sabida a campanha orquestrada contra os direitos dos magistrados federais, inclusive quanto ao auxílio-moradia, sendo realizada grande pressão ao ministro Luiz Fux para que tal processo fosse pautado, inclusive campanhas na imprensa contra ele e a Magistratura". "Ainda que não haja data fixada para o julgamento do processo, não aceitaremos a perda de qualquer direito sem a luta necessária, que hoje se reforça."
As decisões em jogo
Fux ‘liberou” o repasse para todos os magistrados do país e em um valor padronizado, de R$ 4.377, o mesmo dos ministros do próprio STF. Por simetria, todos os membros do Ministério Público e de tribunais de contas também passaram a contar com o extra no contracheque.
O valor depois foi mantido pelo Conselho Nacional de Justiça, em resolução aprovada em obediência à liminar de Fux, em outubro de 2014. A norma regulamentou a concessão do auxílio-moradia, estabelecendo que o valor do benefício só poderá ser pago em relação ao período iniciado em 15 de setembro de 2014 e não acarretaria retroatividade.
Também em outubro de 2014, o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) aprovou resolução (117/14) que regulamentou a concessão de auxílio-moradia aos membros do Ministério Público da União e dos Estados. A decisão se baseou nas liminares do ministro Fux e considerou “a simetria existente entre as carreiras da Magistratura e do Ministério Público, que são estruturadas com um eminente nexo nacional, reconhecida pelo STF”.
A Advocacia-Geral da União interpôs Agravo Regimental contra a decisão, que ainda está pendente de julgamento. Para a AGU, a liminar que determinou o pagamento de auxílio-moradia aos juízes é “flagrantemente ilegal” e “já está ocasionando dano irreparável para a União”.

Sobre os ataques das salomés de batina - Olavo de Carvalho

Sobre os ataques das salomés de batina

30 de janeiro de 2018 - 0:00:20
Sei que “os amigos não precisam e os inimigos não querem”, mas denunciar as mentiras é necessário para que não invadam o registro histórico. Quando até os bisnetos dos vermes que comeram o cadáver do Porco Nojeira tiverem se desfeito em pó, ainda haverá gente lendo “O Jardim das Aflições”.
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Os movimentos tradicionalistas existem há mais de cinquenta anos, e o quê conseguiram no Brasil? Nada. Apenas falar para as paredes. Aí veio um zé-mané e virou toda a situação de pernas para o ar, inclusive restaurando, em massas inteiras da população, o respeito pela Igreja Católica. Eles NUNCA vão me perdoar.
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TODO o meu curso “O esoterismo na História e hoje em dia” é uma condenação radical dessa corrente. Mas o Julio Soumzero anuncia que estou “ensinando esoterismo”, e a salomé beneditina acredita. Ou quer que vocês acreditem.
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Se tentar me rotular de seguidor de René Guénon já é um absurdo, tendo em vista as críticas severíssimas que fiz aos conceitos fundamentais da sua doutrina — especialmente “iniciação”, “realização espiritual” e “Tradição” –, bem como, mais ainda, à intenção estratégica que a orienta, muito mais absurdo e intolerável é sugerir que eu o seja de Frithjof Schuon. Como poderia eu, decorridas três décadas, submeter-me ainda ao guiamento espiritual de um homem que, em 1987, me mostrou toda a vileza e desorientação moral do seu espírito ao mover contra mim uma campanha de assédio judicial sob falsa imputação de crime, só vindo a ser derrotado ao fim de seis anos de longas, árduas, custosas e humilhantes batalhas nos tribunais? Seria eu masoquista ao ponto de lamber o pé que tenta me esmagar?
Esse Pe. Joaquim é um moleque irresponsável, um boquirroto de merda, que fala do que não conhece e se alegra em danar a reputação de quem não lhe fez — nem muito menos fez à Igreja — mal nenhum.
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Há anos denuncio o esoterismo e o ecumenismo como instrumentos da estratégia globalista e afirmo com todas as letras que as únicas iniciações válidas são os sacramentos de Igreja Católica. Mas, segundo a salomé beneditinha, sou um seguidor de Guénon e Schuon.
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Cloacas de impureza, dizia Nossa Senhora. Do atual clero católico, só se salvam indivíduos isolados. Não há uma só corrente ou escola que represente o bem.
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Sem a menor dúvida há uma campanha organizada, em certos meios católicos, para se vingar de alguém que fez pela religião o que eles não souberam ou não quiseram fazer. E nessa campanha juntam-se esquerdistas e tradicionalistas, quase que por igual.
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Até a minha entrada em cena, os adversários católicos do guénonismo limitavam-se a alegar contra ele os dogmas da Igreja — o que é tão útil quanto tentar matar um tigre acusando-o de não ser um elefante.
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A empáfia, a ignorância pétrea, a vaidade e a autolatria de salomés e beneditinhos espantam as pessoas da Igreja.
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O aspecto mais nojento nas salomés de batina é que querem julgar e condenar idéias sem saber atender nem mesmo aos padrões mais elementares da probidade científica ao descrevê-las. São como um juiz que, ao lavrar a sentença num crime de homicídio por envenenamento, juntasse, ao rigor na aplicação do código, o total desinteresse pelo exame farmacológico da substância ingerida pela vítima.
Códigos e normas, para esses vagabundos, são tudo. Os fatos que se danem.
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A universalidade daquilo que Guénon e Schuon chamam de “metafísica tradicional” deve-se apenas ao fato de que a percepção esquemática da estrutura da realidade é mais ou menos a mesma em todas as épocas e lugares. A tentativa que ambos fazem de explicá-la por uma linhagem de transmissões iniciáticas é absurda e eu mesmo já expliquei isso mil vezes. Por uma coincidência, três semanas antes de que me chegasse o artigo do tal Pe. Joaquim, li e comentei oralmente o seguinte texto que havia preparado para a aula do COF. Ele bem mostra o quanto sou um seguidor de René Guénon :
O culto do Oriente só assumiu as feições de um confronto belicoso mediante as obras e a influência de um personagem tido como uma das encarnações máximas do tradicionalismo reacionário no século XX, cujas contribuições decisivas ao “espírito de 68” são ainda o mais bem guardado segredo de polichinelo que já se viu no mundo.
Refiro-me ao doutrinário francês René Guénon (1886-1951), que terminou seus dias no Egito como devoto muçulmano. Seu livro Oriente e Ocidente, de 1924, sob as aparências de um mero estudo comparativo, é uma verdadeira declaração de guerra, culminando no esboço de um plano para a ocupação cultural e mesmo militar do Ocidente pelas forças orientais, especialmente islâmicas.
Seja por ignorância genuína, seja por astúcia, Guénon reduz a civilização do Ocidente a uma mescla de capitalismo, materialismo cientificista e pseudo-religiões populares. Os últimos resíduos de espiritualidade que ele enxerga nela são a Maçonaria decadente e o catolicismo reduzido a uma perspectiva “exotérica”, já sem contato com as “fontes da Tradição primordial”. Fontes localizadas, é claro, no Oriente, mais especificamente nas regiões da Sibéria Central, da Malásia e do Tibete percorridas por Ferdinand Ossendowski em 1920 segundo a narrativa de Bêtes, Hommes et Dieux onde o famoso explorador conta ter penetrado no santuário subterrâneo do próprio “Rei do Mundo”.
Coincidência ou não, essas regiões são as mesmas onde se concentra a maioria das “Sete Torres do Diabo”, centros irradiadores, segundo o próprio Guénon, de influência diabólica sobre o planeta inteiro.
De todos os sinais da pujança espiritual católica na época — as aparições de Fátima, os milagres do Sto. Padre Pio, o florescimento da vida intelectual católica na primeira metade do século XX —, Guénon nada quis saber. Para ele, tudo o que não tivesse um canal direto com os templos desconhecidos de Agartha e Shamballa era no máximo exoterismo, se não antitradição pura e simples.
Dessa imagem unilateral de um Ocidente espiritualmente devastado, Guénon só via três saídas possíveis: a queda definitiva na barbárie, a restauração da Igreja católica sob a orientação secreta de mestres espirituais islâmicos e a ocupação do Ocidente pelo Islam, seja por invasão cultural, seja manu militari.
Em contraste com o reducionismo caricatural da sua visão do Ocidente, a imagem que ele tinha das civilizações orientais era tão encantadoramente idealizada que ele chegou a proclamar que o bolchevismo jamais penetraria na China, tão sólidas eram as “defesas espirituais” (sic) da tradição chinesa. Não somente penetrou, como instalou ali uma tirania genocida duradoura cuja violência ultrapassou em muito a da União Soviética e países satélites. Um possante magneto nas redondezas deve ter desorientado por momentos a agulha da “bússola infalível” que Michel Valsân acreditou ver em René Guénon.
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É bem possível que a salomé analfabeta funcional não perceba a ironia na expressão “bússola invelível” e veja nesta a prova definitiva de que Guénon é o meu guia espiritual.
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O sonho das salomés é apresentar a minha cabeça numa bandeja e ganhar um lugarzinho especial no paraíso como recompensa. Só que, como dizia Simone Weil, estar no inferno é acreditar, por engano, que se está no céu.
George Rafael Freyre Gomes Qual livro da Simone Weil o senhor indica para um primeiro contato com seus escritos, professor?
Olavo de Carvalho L’Enracinement
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Jesus não mandou NINGUÉM infringir o Oitavo Mandamento sob a desculpa de honrar o Seu nome.
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Se esse Pe. Joaquim tiver ainda um pingo, um restinho, um átomo de vergonha na cara, vai reconhecer que errou e me pedir desculpas.
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Pe. Joaquim diz que tem dificuldade de distinguir, no meu texto, as idéias que são minhas e as dos autores que comento. De fato, ele não sabe ler o discurso indireto livre, que no meu tempo se ensinava desde o ginásio. TODA a pseudo-interpretação que ele faz do meu pensamento resulta dessa incapacidade somada a doses mastodônticas de malícia e vontade de posar de santinho em cima da difamação de um inocente.
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É absolutamente impossível você contestar com eficiência uma teoria se primeiro não admite a parcela de verdade que possa haver nela. E não há maneira de você conhecer essa parcela sem impregnar-se da teoria como se fosse da sua própria autoria, até levá-la ao limite em que ela começa fazer água por si mesma, sem que você a force a isso.
Se você tem tanto horror ao veneno que jamais se aproxima dele, simplesmente não desenvolve anticorpos. Fica só xingando enquanto ele o mata.
Foi isso que o Apóstolo disse. Eu estou só parafraseando.
Para mim, esse é o método dos métodos.
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Todo grupo minoritário e perseguido se fecha em si mesmo, pega horror de tudo e enxerga o demônio até nos passarinhos do céu.
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Desistam, fofoqueiros e intrigantes. Não só vou votar no Bolsonaro, como vou trazer para ele mais votos do que vocês, sem fazer um só minuto de propaganda e sem pedir nem aceitar nenhum carguinho em troca.
Espero que esta mensagem chegue aos ouvidos dos filhos da puta.
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Sempre defendi os rad trads, mesmo quando não concordava com eles. Meu saco só estourou quando um deles (não interessa o nome) disse que era preciso salvar a Santa Rússia mediante uma guerra mundial que exterminasse dois terços da humanidade.
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Outra decepção que tive, pequena mas significativa, foi quando, num jogo de futebol que se travava num seminário tradicionalista, um menino, obviamente um retardadinho mental, foi abalroado e derrubado por um padre e exclamou:
— Tomar no cu, pô!
O padre, em vez de rir e cuidar da alma do garoto, ficou indignadíssimo com essa ofensa à sua dignidade sacerdotal e vetou a entrada do menino nos jogos futuros.
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Dizem que o tal Pe. Joaquim é sedevacantista. Um amigo meu diz que ele, na verdade, é cerebrovacantista.
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Confesso que ao ler Sto. Irineu às vezes pulo as partes descritivas e vou logo às conclusões. Não só porque quero ver sangue, mas porque não há nada mais chato e soporífero no mundo do que as doutrinas gnósticas.
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Arnaud-Aron Upinsky fez mais pela Igreja do que todos os tradicionalistas somados.
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A Igreja NÃO se levantará enquanto não absorver, processar e transcender os discursos de seus inimigos, como Sto.
Tomás fez com o de Averroes. Ou ela é Mãe e Mestra, ou é uma pobre vítima das circunstâncias. Bater pezinho é só prova de impotência.
Não estando eu mesmo habilitado a fazer a vasta síntese que supere a confusão contemporânea, vou juntando uns pedacinhos que talvez sirvam de subsídios para o trabalho do futuro Sto. Tomás.
That’s all, folks.
Isto é, se algum teólogo da libertação ou rad trad assanhado não estrangular o santo no bercinho.
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O Pe. Joaquim me macaqueando, fingindo que faz primeiro uma descrição objetiva para só depois julgar, é uma comédia. A descrição que ele faz já é falsa para dar credibilidade aparente a conclusões absurdas.
Muitos padres e bispos — esquerdistas, globalistas e rad trads — ficam fulos de raiva quando alguém atrapalha o seu devotado esforço de destruir a Igreja.
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Quando digo que há uma metafísica comum a todas as religiões — e aliás à maioria das filosofias — o tal Pe. Joaquim imagina (ou finge imaginar) que estou aderindo à doutrina guénoniana da “tradição primordial” e da continuidade das tradições iniciáticas, a qual já demonstrei que não apenas é falsa, mas impossível.
Arthur Danzi O que Guénon e Schuon pensavam da pessoa real e histórica de Jesus Cristo?
Olavo de Carvalho Uma dentre muitas manifestações do “Homem Universal”. É foda.
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Reconheço que, para os analfabetos funcionais, que jamais perdem a oportunidade de não entender alguma coisa, sou uma tentação irresistível.
Na juventude, vendo, como milhões de católicos no mundo, a debacle da nossa Igreja, resolvi me abrir a todas as tradições espirituais, a todas as filosofias, a todas as correntes ideológicas, ao menos para obter pontos de comparação.
Tendo lido em Samuel Taylor Coleridge a idéia da “suspension of disbelief”, achei que era o método certo não só para a crítica literária, mas para todo tipo de estudos que envolvessem valores e o destino humano. Inspirei-me também em Leibniz, que dizia concordar com tudo quanto lia (e que por isso mesmo, quando montava uma refutação, era arrasador e definitivo).
Isso quer dizer que eu absorvia cada hipótese, cada doutrina, com total abertura e sem nenhuma prevenção, impregnando-me dela como se fosse minha, sem precisar me comprometer intimamente com a sua aprovação ou desaprovação antes de chegar a conclusões irretorquíveis, o que às vezes levava tempo. Fundi até a “suspension of disbelief” com o método Stanislavski que aprendera com o Eugênio Kusnet.
É por isso que já avisei mil vezes que tudo o que escrevi antes dos 43 anos não tem valor nenhum. São apenas lições de casa, das quais só publiquei algumas em edições discretas, quase confidenciais, e que não merecem fazer parte do “corpus” das minhas obras.
Mas até hoje meu método de exposição ainda é esse: descritivo e analítico, nunca dogmático. Para bobocas acostumados a não ler uma linha sem ter imediatamente a coceirinha de aprová-la ou condená-la, ler os meus escritos é um tormento.
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Segundo leio no livro do Malachi Martin, “The Jesuits”, desde os anos 50 do século passado a ordem jesuíta está em guerra contra o papado. Queria destruí-lo e substitui-lo pelo governo das assembléias de bispos. Não o conseguindo, mudou de estratégia e fez o seu próprio Papa.
Amanda Kelly Já ouvi explicações e mais explicações, truncadas e obscuras, sobre essa miséria moral de ao menos uma parte considerável da Sociedade de Jesus nos últimos tempos.
A de que me lembro diz que, depois que foram expulsos se Portugal pelo marquês de Pombal no fim do século XVIII, refugiaram-se na Rússia czarista, onde foram a origem e/ou foco de propalação de diversos erros doutrinais e se distanciaram de Roma a ponto de não mais reconhecê-la, se embarafundando nos movimentos revolucionários que sacudiram a Rússia durante toda a segunda metade do século XIX. Não sei até onde isso é completamente real.
Olavo de Carvalho A Companhia de Jesus tem uma história gloriosa, sobretudo de fidelidade ao Papa, e só se corrompeu quando começou a ler os escritos de Karl Rahner. A próxima aula do COF é sobre isso.
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Mais uma salomé de batina. Uma análise mais presunçosa, porém incapaz de distinguir entre descrição e julgamento, e baseada na hipótese pueril de que “sigo” René Guénon e Frithjof Schuon. Durante anos intelectuais cristãos discutiram as doutrinas desses dois, sem nunca perceber que por trás delas havia nada mais que um plano sorrateiro de islamização do Ocidente. Suas críticas à dupla, por isso, permaneceram impotentes. Aí venho eu, coloco pela primeira vez o dedo na ferida, abrindo aos cristãos a possibilidade de uma oposição EFETIVA ao projeto Guénon-Schuon de sobrepor à religião um ecumenismo metafísico personificado por eles mesmos, e quê fazem as salomés de batina? Tentam convencer o público de que sou FAVORÁVEL a esse projeto. Analfabetismo funcional ou canalhice? As duas coisas, sem dúvida.
O autor dessa porcaria, habituado à linguagem teológica e morbidamente inculto em todo o mais, interpreta tudo na única clave que ele conhece, e mostra que não sabe ler um artigo de ciência política, no qual, por definição, a descrição objetiva precede o julgamento e às vezes até prescinde dele. No entender do distinto, cada frase ou idéia de um terceiro deve vir acompanhada de aprovação ou reprovação, como se estivéssemos numa obra de catequese e não num trabalho científico. Com ingenuidade patética, ele confessa que sem isso não entende o que lê: “O autor é bastante descritivo e, por vezes, intercala o pensamento de outros autores com o seu, de modo que nem sempre é fácil discernir se está de acordo ou não. Sendo assim, procuraremos ser descritivos e literais nesta primeira parte para, ao procedermos à crítica na segunda parte, só atribuir a ele o que realmente exprimiu como seu.” Ao mesmo tempo, ele dá a si próprio a liberdade de descrever antes de julgar, sem explicar por que eu não posso fazer o mesmo.
Obviamente ele não está habituado à leitura do discurso indireto, que deveria ser parte da educação ginasial e que todo autor usa em trabalhos de ciência social.
Ele é tão analfabeto que acha que, no meu entender — e não no de Guénon-Schuon — a metafísica é “superior” à religião, tese absurda que eu mesmo já comparei à de considerar a zoologia uma espécie de animal superior aos outros. Daí ele conclui que sou um apologista do ecumenismo, o qual publicamente já declarei ilógico e insustentável.
Mentiroso, salafrário, difamador chinfrim é o que esse sujeito é, empenhado apenas em fazer intriga com linguagem suntuosa de sermão cardinalício.
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A canalhice, na Igreja, não é monopólio da esquerda. Os círculos tradicionalistas não estão isentos dela de maneira alguma.
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Os meios tradicionalistas estão repletos de discípulos dos Veadascos e do Julio Soumzero.
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Leiam o meu artigo e vejam se em algum ponto assumo como minha a tese guénoniada de que a tal “metafísica” é superior à religião. Até mesmo em posts do facebook já expliquei que isso é não apenas errado, mas IMPOSSÍVEL.
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Dizem que devemos tratar os maus padres com leniência. Mas isso era do tempo em que o máximo de mal que um padre fazia era tocar uma discreta punheta.
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Quem disse o certo foi o Adolpho Lindenberg: a Teologia da Libertação é a síntese de todas as heresias.
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Quem não vê que metade da profecia já se cumpriu?
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Fabio Ulanin, sem ter o que responder, se esconde por trás de generalidades. Além de mentiroso e fofoqueiro, é cagão:
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By the way. Nos anos 70, como repórter da “Planeta”, por obrigação profissional assisti a muitos rituais e reuniões ocultistas, e não precisei participar de nada, praticar nada, sujar-me com nada. Sei muito sobre o ocultismo, o bastante para saber que ele é desprezível como espiritualidade mas temível como força destrutiva
Por sugestão do Bruno Gimenes, passarei a chamar o personagem de Báfio Fulanin.
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A gloriosa história da ordem beneditina é bem conhecida. Bem outra é a origem do termo “beneditinho”, o mais apropriado a certos personagens. Remonta a uma velha anedota brasileira. Um bêbado entrou na Igreja, foi direto a uma majestosa estátua de São Benedito e fez um pedido absurdo. Para piorar as coisas, em vez de promessa fez uma ameaça:
— Se não for atendido, volto aqui e encho você de porrada.
O padre, tendo ouvido tudo de longe, temeu pelo destino da estátua, que além de consagrada lhe custara os olhos da cara, e a escondeu no porão da igreja, substituindo-a no pedestal por uma pequenininha. Dali a uns dias, o bêbado voltou e, dirigindo-se ao altar, vociferou:
— Ditinho, vá chamar o seu pai, que eu não bato em criança.
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Quando digo que “os católicos não entendem nada da encrenca em que se meteram”, a razão desse fenômeno é simples: eles querem deduzir tudo da doutrina certa em vez de examinar os fatos incertos. O dedutivismo é a redução da consciência ao automatismo do pensamento. Quanto mais neguinho pensa, mais vai tirando conclusões erradas de premissas certas.
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Por que é que os grandes escritores, os dominadores cabais do idioma, gostam de tudo o que escrevo, e os analfabetos funcionais detestam? A pergunta já contém em si a sua resposta.
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Durante o século XVIII, os teólogos e seminários católicos em peso foram aderindo ao racionalismo cartesiano, abandonando o humilde empirismo tomista. Quando Leão XIII os advertiu de que isso era perigoso, voltaram ao tomismo, mas usando-o à moda racionalista, como premissa da qual tudo se podia deduzir.
Destaco, entre os que não caíram nessa esparrela, o Pe. André Marc, não por coincidência o mais brilhante e o mais desprezado dos filósofos tomistas.
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Este depoimento vale mais do que todos os peidos dogmáticos de salomés e beneditinhos:
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Pedro Henrique Medeiros “(…) Existe um número enorme de pessoas que está voltando para a Igreja através dos palavrões do Olavo de Carvalho. É um coisa extraordinária.” – Pe. Paulo Ricardo
Fonte: aos 34 minutos e 40 segundos do vídeo abaixo:
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Até a minha entrada em cena, os adversários católicos do guénonismo limitavam-se a alegar contra ele os dogmas da Igreja — o que é tão útil quanto tentar matar um tigre acusando-o de não ser um elefante.
A empáfia, a ignorância pétrea, a vaidade e a autolatria de salomés e beneditinhos espantam as pessoas da Igreja.
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O sonho das salomés é apresentar a minha cabeça numa bandeja e ganhar um lugarzinho especial no paraíso como recompensa. Só que, como dizia Simone Weil, estar no inferno é acreditar, por engano, que se está no céu.

sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

*Fernando Gabeira: A longa marcha pelo tapetão


- O Estado de S.Paulo

O jogo acabou. O Brasil livrou-se de um populista em 2018. Mas não do populismo

De vez em quando, o Brasil entra nuns desvios e perde o foco, mesmo vivendo uma crise profunda, com alarmes assustadores, como o rombo na Previdência. Esse desvio foi uma escolha da esquerda. E o País, no conjunto, acabou distraído com a sorte do ex-presidente Lula.

Havia mais gente nas filas de vacina contra a febre amarela do que manifestantes na rua. Não perdemos o fio terra.

Esse descaminho começou com a tática do PT de negar a montanha de evidências trazidas pela Lava Jato. A tarefa principal era salvar Lula da cadeia. Foi o motivo de ele ter-se declarado candidato a presidente, de novo.

Com esse movimento, associaram a sorte de Lula ao rumo das eleições e acharam a mola política com que iam saltar a montanha de evidências: explicar os fatos como uma conspiração da Justiça; se as pessoas não percebem isso, é porque a conspiração tem outro braço poderoso, a grande imprensa.

Para a esquerda, a sorte de Lula, a das eleições e da democracia são a mesma coisa. Não perdi tempo tentando discutir isso. É apenas uma cortina de fumaça que nos afasta da tarefa de reconstruir o País e, dentro dos limites, realizar mudanças no sistema político.

A decisão do TRF-4 foi uma espécie de choque da realidade, embora uma perspectiva política carregada de religiosidade possa ver nessa derrota apenas um prenúncio da grande vitória final.

Foram muitas as visões. Viram alguém com um cartaz “Forza Luca” na torcida do Bayern de Munique e acharam que era “Forza Lula”. Viram ônibus de mochileiros vindos da fronteira e acharam que eram apoiadores de Lula.

Nada contra o direito de delirar. Mas quando o delírio compromete o foco de reconstrução nacional, ele preocupa. De certa forma, acho que a própria imprensa – a grande manipuladora, na opinião da esquerda – acaba embarcando nessa expectativa de um grande acontecimento, na verdade, uma condenação lógica e previsível.

Não porque a imprensa tenha uma tendência à esquerda. Ouvi a cobertura do caso na estrada, o rádio passando por várias cidades, vozes diferentes. Existe uma certa expectativa de projetar problemas futuros. Passada a decisão, ela se deslocou para os recursos que podem surgir.

O resultado foi de três a zero. Claro que pode haver recurso, mas não tem importância nenhuma. Ninguém pergunta ao time de futebol que sofre uma goleada se vai entrar com um recurso. E se entrar, pouca atenção se dá a ele.

Quando me dei conta, já havia um cipoal de recursos previstos, de forma que o problema só seria resolvido em agosto de 2018 e até lá seríamos prisioneiros desse impasse. Parece que existe uma satisfação em escavar recursos e apelações, enfim, um desejo inconsciente de não sairmos do lugar, pelo menos até agosto.

Mas os dados estão lançados. Assim que for julgado o recurso, pela lógica de condenação em segunda instância Lula será preso.

Essa é a leitura que fiz na estrada. De forma muito frequente os comentaristas se abstraem da consequência legal da decisão e se fixam nas eleições. É como se Lula tivesse sido condenado simbolicamente e tivesse apenas pela frente uma longa batalha jurídico-burocrática.

Enfim, ao dramatizar um recurso perdido de antemão o Brasil construiu uma grande plataforma emocional, um espaço de distração, cheio de pequenos sobressaltos. Ao invés de cair na realidade e olhar para a frente, vai acompanhar a longa marcha da esquerda pelo tapetão.

Peço desculpas de novo por me ausentar dessa questão, como me ausentei da história do recurso no TRF-4. Havia provas testemunhais, periciais e documentais e o TRF-4 tinha confirmado todas as principais sentenças de Moro.

A emoção desloca-se para embargos de declaração, recursos especiais, enfim, pela perpetuação do jogo.

As multidões que foram às filas de vacina contra a febre amarela, embora um pouco alarmadas, estavam com um pé na realidade, esperando que o universo político-midiático se volte para problemas reais da reconstrução do Brasil. Toda essa encenação dramática do PT diante de um fato inevitável foi a fonte de diversão e material para o suspense jornalístico.

Não tem jeito. Se o ritmo escolhido pela imprensa for também o de dramatizar o tapetão, então vamos ter de esperar com paciência.

O problema é que está chegando a hora de discutir alternativas para o País. Fabio Giambiagi, que estuda há muitos anos o déficit da Previdência, encontrou uma imagem para a situação do País: o Brasil suicida-se em câmera lenta.

Se consideramos o tempo curto e a necessidade do foco na reconstrução, veremos que também na política é preciso olhar para a frente. Toda essas dispersões, esse falsos dramas, servem apenas para consolidar nosso atraso.

Um gigantesco esquema criminoso assaltou o País durante muitos anos. Investigações eficazes e um magnífico trabalho de equipe nos puseram diante de toneladas de evidencias. É razoável esperar que as pessoas sejam condenadas e presas.

Dentro ou fora da cadeia, Lula será um importante eleitor. Não creio que tenha descido acidentalmente ao lado de Jaques Vagner e Fernando Haddad em Porto Alegre. Faz parte do ritual comunista indicar a sucessão pela proximidade física nas aparições em público. Com o tempo, até eles terão de olhar para a frente, como a viúva que aos poucos deixa o luto e encara de novo a vida.

O jogo acabou. O Brasil livrou-se de um populista em 2018. Mas não se livrou do populismo. Esse é ainda um grande problema do amanhã, que só um amplo e qualificado debate nacional pode superar.

Há um longo caminho pela frente, espero que possamos vê-lo com, nitidez, em vez de nos perdemos na gritaria de derrotados pela sociedade, que deseja justiça e instituições que a apliquem com transparência.
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Roberto Freire: Lula, condenado e ficha suja


- Diário do Poder

O Estado Democrático de Direito prevaleceu. A Justiça brasileira e as instituições democráticas do país deram mais uma vigorosa prova de seu bom funcionamento no julgamento realizado pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), em Porto Alegre, que analisou o recurso apresentado pelos advogados do ex-presidente Lula contra a condenação a 9 anos e 6 meses de prisão proferida em primeira instância pelo juiz Sergio Moro no processo referente ao triplex no Guarujá (SP). Para além de qualquer dúvida, o relator João Pedro Gebran Neto, o revisor Leandro Paulsen e o juiz federal Victor Laus foram categóricos ao corroborar a sentença condenatória inicial por unanimidade, inclusive ampliando a pena para 12 anos e um mês pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Demolindo a narrativa mentirosa entoada pelos áulicos do lulopetismo nos últimos meses, o tribunal entendeu que não só havia provas que incriminavam o ex-presidente como elas eram abundantes e incontestáveis. Em seu voto, o desembargador Laus afirmou: “As provas resistiram, sejam as documentais ou as testemunhais. Estamos diante de provas que resistiram à crítica, ao contraponto, ao embate”. Seu colega Paulsen foi além: “Há elementos de sobra para demonstrar que [Lula] concorreu para os crimes de modo livre e consciente, para viabilizar esses crimes e perpetuá-los”. O relator Gebran também foi enfático: “As provas colhidas levam à conclusão de que, no mínimo, tinha ciência e dava suporte àquilo que ocorria no seio da Petrobras, destacadamente a destinação de boa parte das propinas ao Partido dos Trabalhadores”.

Apesar dos covardes ataques perpetrados pela militância petista contra os desembargadores do TRF-4 e o Judiciário em geral, a condenação em segunda instância, de forma unânime e da maneira contundente e afirmativa que se deu, sepulta o discurso fantasioso de que Lula é inocente e vítima de um complô que só existe na mente perturbada daqueles que perderam qualquer conexão com a realidade. E mais: de acordo com a Lei da Ficha Limpa (LC 135/2010), o petista não pode ser candidato a nenhum cargo eletivo. Para desespero do PT, portanto, ele não estará habilitado a concorrer à Presidência da República nas eleições de outubro, e isso nada tem a ver com perseguição política ou ideológica – trata-se, simplesmente, do estrito cumprimento da lei.

A Lei da Ficha Limpa, aprovada no Congresso Nacional com o apoio enfático de todas as forças políticas – incluindo o PT e seus aliados –, é cristalina e não permite dúvidas: em caso de condenação por um tribunal colegiado, como é o caso do TRF-4, o possível candidato se torna “ficha suja” e fica impedido de disputar eleições.

É bom não esquecermos que, além de tudo disso, há um entendimento firmado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) de que um condenado em segunda instância já pode iniciar o cumprimento de sua pena (no caso de Lula, em regime fechado, de acordo com a sentença determinada pelo TRF-4) enquanto apela às instâncias superiores do Judiciário. Convém ressaltar que o próprio revisor do processo no TRF-4 já deixou claro, em seu voto, que a execução da pena a ser cumprida pelo ex-presidente se iniciará tão logo sejam examinados os embargos de declaração no próprio tribunal. Ou seja, não deve demorar muito para que o condenado seja detido e vá para a cadeia.

Uma elevada popularidade ou altos índices de intenção de voto em sondagens eleitorais não dão salvo conduto a Lula, nem a qualquer cidadão brasileiro, para praticar crimes. Não há nenhuma relação entre o potencial eleitoral ou mesmo um eventual bom resultado nas urnas e aquilo que se julgou na 13ª Vara Federal, em Curitiba, ou no TRF-4, em Porto Alegre. Fica a lição dada pelo juiz Moro, com uma frase lapidar, ao final da sentença na qual condenou o ex-presidente ainda na primeira instância: “Não importa quão alto você esteja, a lei ainda está acima de você”.

Nesse sentido, é importante denunciar a fragilidade de um discurso propagado por algumas figuras – muitas delas até críticas de Lula e adversários do lulopetismo – de que seria melhor derrotar o ex-presidente nas urnas, ao invés de nos tribunais. Trata-se, evidentemente, de uma estultice sem tamanho, além de uma grave concessão à impunidade, como se a aplicação do texto legal fosse dispensável e o processo eleitoral substituísse o império da lei e o julgamento da Justiça. Eleição, afinal, é para ser disputada por quem tem ficha limpa. Não é o caso do líder maior do PT, apontado pelo Poder Judiciário como o comandante máximo de uma sofisticada organização criminosa que assaltou os cofres públicos e tentou se perpetuar no poder a qualquer preço. Ao contrário do que bradam os simpatizantes do ex-presidente, eleição sem Lula não é “fraude”, mas apenas consequência natural de uma condenação indiscutível, em primeira e segunda instâncias, por crimes de corrupção. Tão simples quanto isso.

Apesar de todo o estrebuchar, Lula, hoje, é alguém que, “em algum momento, perdeu o rumo das coisas e passou a se confundir, a não compreender suas atribuições”, na definição do juiz Victor Laus durante a leitura de seu voto. O maior símbolo do PT passou a ser, definitivamente, um caso de polícia, embora com reflexos na política em função de um passado marcante para o bem e, principalmente, para o mal. É um ficha suja, nos termos da lei. Um criminoso condenado por suas malfeitorias. Uma triste e vergonhosa página da história. Ao virá-la, enfim, o Brasil se reencontra consigo mesmo e, de alma lavada, volta a olhar para frente e mirar o futuro.
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Roberto Freire é deputado federal por São Paulo e presidente nacional do PPS

Nome de Lula é incluído no cadastro de procurados e impedidos da PF



Andreza Matais e Leonel Rocha, O Estado de São Paulo

SINAIS PARTICULARES – LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA
ILUSTRAÇÃO – KLÈBER SALES

O juiz federal Ricardo Leite, da 10ª Vara, determinou à Polícia Federal a inclusão do nome do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Sistema de Procurados e Impedidos. Trata-se de um banco com os dados de pessoas impedidas de entrar ou sair do País por motivos judiciais. As informações são acessadas pelos policiais nos portos, aeroportos, fronteiras e na emissão de passaporte. A PF informou que já cumpriu a determinação.
A decisão do juiz atendeu a solicitação do Ministério Público Federal, que enxerga risco de fuga do ex-presidente. Lula foi condenado em segunda instância a 12 anos e um mês de prisão em regime fechado no caso do triplex do Guarujá.
Os procuradores da República Anselmo Lopes e Hebert Mesquita também pediram para que Lula fosse proibido de se ausentar de São Bernardo do Campo-SP, ou região metropolitana de São Paulo, sem prévia comunicação ao juízo. O que foi negado pelo juiz. “A restrição de sua locomoção no âmbito nacional não possui idoneidade para violar a aplicação da lei penal”, justificou. Os dos procuradores atuam em outros processos que têm Lula como réu.
Ao deliberar sobre a apreensão do passaporte e a inclusão do nome de Lula no Sistema de Procurados e Impedidos, o juiz afirmou: “É do conhecimento público a divulgação de declarações em que aliados políticos do ex-Presidente, visando à politização de processos judiciais, cogitam a solicitação (se necessário) de asilo político em seu favor para países simpatizantes.”