terça-feira, 9 de julho de 2019

Book Review: “O Jardim das Aflições”, de Olavo de Carvalho

Book Review: “O Jardim das Aflições”, de Olavo de Carvalho

Versão melhorada da palestra por mim proferida no dia 13 de Fevereiro de 2016, no Grupo de Estudos São Thomas More.
Boa tarde a todos! Agradeço a todos os que se dispuseram a tirar algumas horas deste sábado para virem cá me ouvir discorrer sobre o livro “O Jardim das Aflições”, do filósofo Olavo de Carvalho. Agradeço também à coordenação do Grupo São Thomas More por ter-me dado esta oportunidade de estar aqui.
É um prazer imenso para quem segue o caminho da vida intelectual ter a oportunidade de falar de uma das obras mais importantes para a própria trajetória de estudos. E este é o meu caso em relação ao Jardim das Aflições. É um dos meus livros favoritos de todos, um dos que mais me marcaram e, provavelmente, um dos mais interessantes de todo o pensamento brasileiro, ombreando com algumas obras de Gilberto Freyre e Mário Ferreira dos Santos.
olavo-blog
Dentre os livros do filósofo Olavo de Carvalho, é o que possui a forma literária mais elaborada. É, segundo o próprio autor, um “misto de memórias e ensaio filosófico, reportagem e panfleto político, metafísica, esoterismo e fait divers, religião comparada e etc.”. Essa riqueza de temas e de planos foi disposta numa forma harmônica que raramente se vê nas demais obras do autor, que quase sempre consistem em coletâneas de ensaios, uma vez que o livro tem claramente um começo, meio e fim. Nele também se observa um traço característico do estilo de Olavo de Carvalho: partir de um ponto pequeno para daí empreender uma investigação sobre temas imensamente maiores e isso demanda a abordagem de diversos assuntos necessários à elucidação do tema.
Outra coisa surpreendente em relação ao livro fora as condições em que ele foi escrito. O filósofo estava completamente desempregado, na miséria, vivendo num quitinete em um edifício tão degradado, tão ruim que era apelidado de “Favelão”. Se um livro tão bom pode ser gestado em condições tão adversas, é mais uma prova de que a vontade eo talento podem vencer as adversidades.
Uma observação que eu julgo fundamental que por ser muitas vezes ignorada torna-se a fonte de muitos mal-entendidos na interpretação deste livro e que por isso deve ser feita já é a de que essa obra é o começo de uma investigação sobre o tema, e não uma tomada taxativa de posição. Está isso já na página 26 desta nova edição promovida pela VIDE Editorial:
“…, devo advertir que as opiniões expressas no começo são apenas o começo; que aceitá-las ou rejeitá-las in limine é impedir-se de entender aonde levam; que o leitor, ao tomar posição pró ou contra logo nas primeiras páginas – ou pior ainda, ao fundá-la numa impressão de momento -, estará se enganando a si próprio, tomando este livro como expressão de opiniões prontas, quando ele é, como há de ver quem o leia até o fim, substancialmente, uma investigação; investigação que, do meio para diante, toma de fato um rumo bem diverso daquele que parecia anunciar no começo.”
O núcleo deste livro foi redigido numa noite de Março de 1990, após a conferência proferida por José Américo Motta Pessanha sobre Epicuro no ciclo de Ética promovido no MASP. Esse ciclo e outros promovidos por Adauto Novais não eram inocentes; tinham como . tinham como objetivo reformar a cultura brasileira pela propagação de novas crenças. A base para tal empreitada seria o resgate de uma “tradição materialista” na filosofia ocidental, que põe Epicuro, La Mettrie, Marquês de Sade e outros pensadores de quinta categoria até desembocar no marxismo no centro do pensamento ocidental e deslocava para a marginalidade todas as correntes espiritualistas, ainda que mais importantes.
A pretendida tradição, porém não existe, pois uma verdadeira tradição pressupõe uma continuidade ao longo do tempo por meio de uma entrega de um legado e isso simplesmente não existe no materialismo, que aparece ocasionalmente por motivos os mais variados (teses mecanicistas, cientificistas ou filosoficas), ao contrário da permanente e consistente tradição das correntes espiritualistas. Foi com tal espírito deformador da história da Filosofia que Pessanha organizou a famosa coleção Os Pensadores, que acabou por se tornar indispensável nos estudos filosóficos brasileiros.
Olavo passa a analisar a filosofia de Epicuro para entender porque ela foi eleita como indispensável para suscitar o debate ético no Brasil. Todavia, o que se viu foi um pensamento cosmológico caótico, no qual átomos e seres são instáveis; uma teodicéia que sustenta que os deuses são inócuos mas que, ao mesmo tempo, são o modelo supremo de bem e ideal de vida; uma ética que na verdade consiste numa psicologia prática, cujo objetivo não é descobrir a conduta correta, mas aplacar as angústias pessoais por meio de um constante evasionismo da realidade sofrida por meio da constante recordação dos fatos passados agradáveis e da conversação filosófica no jardim, conversa essa que não objetiva encontrar a verdade, mas sim acalmar-se e “ser feliz”. Mas o ensinamento oferecido é o de que só se pode escapar de vez do sofrimento por meio da morte, seguida de um absoluto esquecimento. Essa técnica, conhecida como Tetrapharmakon (o quádruplo remédio), assim chamada em alusão à descoberta de uma inscrição em pedra na Turquia de um texto epicúreo que determinava o seguinte caminho para “alcançar a felicidade”:
1) “Não há o que temer quanto aos deuses;
2) Não há necessidade de temer a morte;
3) A felicidade é possível;
4) Podemos escapar à dor”
Essa técnica é um wishful thinking radicalizado, elevado a regra de vida. É por ela que alguém pode aceitar a física de Epicuro.
Olavo percebeu um vínculo entre Epicuro e a Programação Neurolinguística (o que não significa, claro, que Milton Erickson ou Richard Bandler tenham estudado o filósofo do jardim), no que se refere à rejeição do conhecmento objetivo da realidade e na substituição desta por imagens fictícias melhoradas para dar a alguém uma sensação de superioridade e de poder.
Mas no epicurismo não consistia toda mundividência de Pessanha; fundido a ele estava o marxismo. Mas como uma doutrina ativista e preocupada com a práxis como a de Marx pode se conciliar com uma tão evasionista como a de Epicuro? Ora, Epicuro foi objeto da tese de doutoramento do jovem Marx. Embora ele tenha repudiado isso em sua filosofia mais madura, o vínculo entre eles deve ser buscado nas Teses sobre Feuerbach, precisamente na 11ª tese, que diz: ”Até hoje os filósofos se ocuparam em compreender o mundo, mas o que importa é transformá-lo”. Nela Marx mostra, como Epicuro, um desprezo pela inteligência teorética e substitui-la por uma auto-hipnose retórica direcionada para “reformar o mundo”; as ilusões coletivas, no marxismo, são superiores ao conhecimento pessoal.
Isso nos remete à história da conquista da inteligência teorética, que anda junta à história do desenvolvimento da consciência individual. Esse processo já se mostra em germe na tragédia grega, nasce com Sócrates, fortalece com o aperfeiçoamento da filosofia grega e é completado com o cristianismo. Essa libertação provocou, porém a reação dos nostálgicos da antiga religião greco-romana, de caráter público e coletivista. O conjunto dessas reações, nascidas também da profunda incompreensão dos pagãos em relação ao fenômeno cristão (paganismo e cristianismo são, segundo o simbolismo da cruz, fenômenos frontalmente opostos) recebeu o nome de gnosticismo.
jardimdasaflicoes
Inicialmente um conjunto de seitas esotérico-religiosas variadas, o gnosticismo tinha como traço comum o ódio ao cristiansmo e a nostalgia pela religião e tradição greco-romana. Tal reação se mostra presente em boa parte da cultura ocidental desde a época do Renascimento.
Com o fim do Império Romano, o cristianismo espalha-se numa Europa politicamente fragmentada e socialmente instável, cuja único poder sólido era a Igreja Católica. Ela paira acima dos senhores feudais, principados e reinos que com muita dificuldade duram algumas gerações. A ideia imperial, porém, não morreu com o Império Romano do Ocidente, e a própria Igreja começou a alentar a ideia de criar um império europeu cristão, mas inspirado no romano, em parte para retirar de si própria a carga de cuidar dos assuntos seculares, em parte pelo fascínio mesmo da ideia imperial. E essa ideia continua a ser como que uma constante na cultura ocidental.
Essa ideia tem, marcadamente, quatro grandes momentos: o Império de Carlos Magno; o Sacro Império Romano Germânico; os impérios coloniais surgidos a partir dos Descobrimentos; e o império leigo, primeiro napoleônico e depois americano.
O Império Carolíngio parecia ter concretizado o ideal da Igreja de criar um império europeu cristão, mas ele não sobreviveu à morte do imperador. O Sacro Império mostrou-se uma farsa rocambulesca, com constantes atritos entre o imperador e o Papa. A emergência dos Estados nacionais, o surgimento dos impérios coloniais por volta do final do século XV e a Reforma Protestante (Henrique VIII da Inglaterra tem um papel preponderante nesse sentido), destroem a Cristandade e junto com ela o projeto de império europeu cristão. A partir daí cada soberano reclama para si próprio o papel de braço armado do cristianismo e a missão de “dilatar a Fé e o Império”. Se conseguem cristianizar extensas áreas das Américas, da Ásia e da África, o fazem por meio de muitas violências e nem sempre educando na sã doutrina. Isso para não mencionar o fato de que todos esses impérios não conseguem, apesar de tudo, serem autênticos sucessores do Império Romano.
Mais tarde, com o Iluminismo e a Revolução Francesa, o projeto de império cristão morre, sendo substituído pelo do império leigo: o sucessor do Império Romano não poderia ter vínculos religiosos, devendo ser puramente secular e fundado nas bases materialistas do racionalismo. Entra em cena a figura de Napoleão Bonaparte, que tenta concretizar este intento mas fracassa por ter tentado criar um Império leigo com a estrutura do Antigo Regime. A religião perde grande força no quadro do império leigo.
Já a partir do Renascimento o sentido da vida vai se afastando do cristianismo e isso dá origem a duas correntes de pensamento: a naturalista e a historicista, cuja oposição dá a tônica de boa parte da história cultural da modernidade, dando origem a o que o filósofo, num lance de criação literária, chama respectivamente de “culto dos deuses do espaço” e “culto dos deuses do tempo”.
O “culto aos deuses do espaço” consiste na como que redivinização da natureza a partir das especulações de Nicolau de Cusa que, tentando aplicar ao estudo da natureza os métodos usados para a especulação teológica e tentando matematizar toda a realidade, começa a ver o cosmos como que um ente divino quase que incognoscível.
Mais interessante ainda é, a meu ver, o “culto do deuses do tempo”, com a perversão do buscava dar mais concretude ao acontecer humano, o historicismo desaguou na progressiva entronização da História como agente do acontecer social, relegando os homens concretos a um plano secundário. Sim, com Hegel, o principal responsável por esta concepção, a História humana é mais do que a história de algo ou de alguém, mas sim um sujeito com personalidade própria e independente da humanidade. Daí nasce a ideologia do progresso, segundo a qual a História vive num progresso constante e predeterminado para todos os povos, porém desigual, existindo povos “avançados” e “atrasados”. Esse pensamento é alimento das correntes políticas de esquerda, mas parte da direita acaba por ter parte com ela também.
Tudo isso colaborou bastante para o advento do império americano, o sucessor do império napoleônico no intuito de erguer um império ocidental que fosse sucessor do Império Romano mas, desta vez, sem ter qualquer compromisso religioso e nem qualquer vínculo com as aristocracias hereditárias. Isso, segundo Olavo de Carvalho, só pode nascer por ser os EUA o que são: uma república imperial, capitalista, maçônica e protestante. O que significa isso?
Sendo uma república, a ideia imperial passa a independentizar-se da figura de um imperador autocrata. Na tradicional mentalidade europeia, isso era inconcebível. Sendo capitalista (ou, ao menso, bem mais capitalista do que qualquer país europeu), os interesses privados tinham nos EUA muito mais força do que no Velho Continente, ainda aferrado a elementos feudais e tradicionalistas. Esse forte setor privado tinha força para influir pesadamente nos rumos da política nacional e, não raro, preferia a expansão comercial às intervenções militares no exterior. Maçônica, pois a elite governante dos EUA, desde a Independência, era quase toda composta de membros da maçonaria. A maçonaria exercia aí o papel de casta sacerdotal, moldando o imaginário e os valores profundos desta elite. E protestante, por ser um país composto, em sua esmagadora maioria, por protestantes desde os tempos coloniais. Mas o caso americano se diferenciava do europeu devido ao fato que que lá não havia uma igreja única a dominar no país (como a Igreja Anglicana na Inglaterra ou a Igreja Luterana da Suécia no reino dos Sveas), mas sim um pluralismo denominacional que levou como solução contra possíveis problemas nas relações entre igrejas e o Estado a absoluta neutralidade deste em relação àquelas e, por conseguinte, o Estado americano estava completamente livre de se pautar por qualquer concepção religiosa. O filósofo vê aí a relação entre a expansão mundial da ideologia da Revolução Americana pelo mundo (democracia, capitalismo, lei e ordem, Estado Laico, etc.) com a concomitante expansão do ateísmo pelo mundo.
Claro que tal fenômeno não poderia deixar de provocar certas reações: parte do antiamericanismo no mundo islâmico está nesse contexto, como também a de religiosos em outras partes do mundo. E, seguindo uma emenda ou correção feita há não muito tempo pelo próprio autor a esta análise, há o poderoso movimento conservador americano (pouco conhecido por Carvalho na altura em que redigia o livro), que busca salvar os valores cristãos de maioria da população norte-americana da forte onda secularista contemporânea. Não é possível, ao menos para mim, não ver relação entre este ponto e outro, mais recentemente elaborado pelo autor, sobre os três esquemas de poder globalista que disputam entre si a hegemonia no mundo: o islâmico, o russo-chinês e o ocidental.
O ciclo de palestras no MASP insere-se nesse quadro; os intelectuais de esquerda brasileiros, ao promoverem o materialismo e a politizaão da vida, colocam-se como servidores da Revolução Americana.
Cabe aqui falar em algo como um “antídoto” para o problema do império? Difícil fazer prescrições. Inútil brandir aqui bandeiras como “economia de mercado”, “democracia política”, “direitos humanos”, “transparência”, “justiça social” ou outros chavões abundantes nas discussões públicas, que muitos tomam como se de panacéias se tratassem. O único a fazer aqui é restaurar o sentido cristão da vida: a vida humana é breve, frágil e orientada para Deus. Somos estrangeiros nesta Terra e nossa morada é o Céu. Só a alma obediente antes a Deus do que a qualquer (sim, QUALQUER) poder deste mundo pode santificar-se e cumprir satisfatoriamente seu destino. E MAIS NADA.
Uma das várias virtudes que vejo neste livro são os diversos temas que ele abre para que o leitor empreenda suas próprias pesquisas: a figura do império, a influência da Maçonaria na política e na cultura ocidental modernas, o ateísmo comparado, o crescimento do segredo na sociedade democrática, naturalismo e historicismo, a história da Inquisição, história da Ética no pensamento ocidental, afinidades entre Karl Marx e Epicuro, importância das técnicas de manipulação mental, comparação entre a metafísica de Hegel e a cosmologia de Gurdjieff, etc.
Bem, excedi-me demais no tempo devido, mas não me foi possível ser mais breve. Muito obrigado!
Fábio V. Barreto

sexta-feira, 5 de julho de 2019

'Pessoas normais não são de esquerda', afirma filósofo britânico Roger Scruton

'Pessoas normais não são de esquerda', afirma filósofo britânico Roger Scruton

"Há mil coisas que podem ser chamadas de conservadoras, há mil coisas que podem ser chamadas de liberais. O que importa, no final, é o que você faz com elas."
​Foi assim que o filósofo Roger Scruton abordou uma questão da Folha acerca das diferenças entre os valores que ele se propõe a defender em livros e a realidade política de regimes nominalmente conservadores adernando ao populismo mundo afora.
Uma evasiva deste inglês de 75 anos, o mais celebrado filósofo conservador da atualidade, que falava pelo telefone do banco de um carro na tarde quinta (4) em São Paulo, é verdade. Mas também um chamado à cautela.
"Eu sou um intelectual e gosto de ver as coisas como são, não como eu gostaria que fossem. Assim, minhas opiniões são irrelevantes."
Naturalmente não o são, mas a ponderação ao tentar colher uma avaliação sobre a ascensão de Jair Bolsonaro no Brasil passa por uma humildade objetiva. "Eu não o conheço. É preciso ver o que ele vai fazer além do personagem que é", disse Scruton.
Na véspera, ele dera palestra no ciclo Fronteiras do Pensamento, em São Paulo, e lá havia comentado também sem dar nomes que os regimes populistas que se espalham dos EUA à Europa diferem de extremismos à medida em que as instituições nacionais de cada país são fortes.
O totalitarismo é uma obsessão de Scruton, que critica a União Europeia como projeto por ver nela o valor individual coibido em favor de uma burocracia sem face. Na mesma linha, apoiou a saída do Reino Unido do organismo.
Nos anos 1970 e 1980, ele ajudou a montar uma rede de intelectuais dissidentes de regimes comunistas do Leste Europeu. Acabou banido da Tchecoslováquia, só para acabar condecorado pelo país após a redemocratização de 1989.
Agora, o filósofo se viu novamente atacado pelo que chama de "totalitarismo do politicamente correto". Em abril, foi afastado do cargo de conselheiro de uma comissão do governo conservador britânico para melhorias urbanas.
O motivo? Uma entrevista à revista esquerdista "The New Stateman" na qual, ficou provado depois, o jornalista havia editado frases para que parecessem racistas ou preconceituosas. "Usaram os mesmos métodos totalitários que eu combati no Leste Europeu, tiraram tudo de contexto. Tentaram me atingir sem que eu tivesse feito nada de errado, mas pelo que eu penso", afirma.
Mesmo com a fraude revelada, ele não reivindicou o posto não-remunerado. "Eu sou um constrangimento para eles, e esse é meu papel na vida, ser um constrangimento."
"A esquerda se acha dona da verdade, e acham que devem nos calar. Na mídia social, eles podem fazer isso sem ter de fazer esforços de entendimento ou engajamento para convencer pessoas com argumentos", sustenta.
Não é uma contradição esse poder da patrulha no mundo virtual, enquanto os governos parecem se deslocar no sentido contrário? "As pessoas normais não são de esquerda no Ocidente. São contra perseguições. É aí que entra a figura de um Donald Trump. Ele fala que é contra isso, aí as pessoas votam nele."
Sobre o mérito desses governos, o laconismo de Scruton é notório.
Questionado se as ações de Trump, Bolsonaro, do húngaro Viktor Orbán e do filipino Rodrigo Duterte, além do alinhamento da nova direita europeia ao modus operandi do russo Vladimir Putin, não se chocam com reais valores conservadores, ele corta: "Não sou a favor de ninguém. Essas questões são muito difíceis de responder rapidamente".
Em sua ampla obra filosófica, Scruton coloca no centro do conservadorismo a valoração da experiência do indivíduo. E essa, diz, só pode ser integral com a apreciação do outro, do lugar do outro.
A retórica da nova direita não se chocaria com isso? "As coisas são muito mais sutis do que aquilo que os políticos dizem para vencer as eleições. Eu prefiro ficar de lado", diz.
Ele concorda, contudo, que possa haver característica de um "conservadorismo à brasileira", ao comentar uma pergunta sobre o papel das denominações evangélicas na construção do "éthos" político desse grupo no país —algo semelhante ao que ocorre nos EUA de Trump.
Novamente, contudo, ele prefere não ser assertivo. Isso continua quando o assunto é Olavo de Carvalho, o escritor radicado nos EUA que é considerado um dos introdutores dos textos de Scruton no Brasil, em artigos de jornal nos anos 1990.
Scruton diz que já ouviu falar, mas não conhece o ideólogo do bolsonarismo. "Muitos me dizem que devo lê-lo. E também que é uma figura divisiva", afirma.
Informado de que Bolsonaro havia postado vídeo no Facebook com uma fala sua, Scruton riu. "Todo mundo é livre para ler e usar minhas coisas. Isso não significa que eu concordo com eles."
Com o 17º livro publicado no Brasil neste mês, Scruton deixou o relativo anonimato para o papel de celebridade editorial no país. "É uma coisa incrível, as conversas que tive aqui foram muito gratificantes.
Ainda tenho muito a processar para ter uma ideia sobre a política e a sociedade daqui", afirma o filósofo.
Ele guarda suas conhecidas opiniões assertivas para outros temas, como a imigração na Europa.
"É um problema que todos podem ver. Nós temos de manter a ordem, e muitos não entendem o que deve ser essa ordem. Nós temos de nos adaptar, e eles também. Eu sou a favor da integração. Não deixá-los crescer à parte. O multiculturalismo está enganado e, ao fim, leva à guetificação".
Tirando o "eles" que pode trair seu conceito de identificação com o outro, a frase é um bem-acabado exemplo do discurso de Scruton.

Igor Gielow, Folha de São Paulo

quarta-feira, 12 de junho de 2019

MORO E LAVA JATO SOB ATAQUE DE BANDIDOS - RAFAEL BRASIL

Resultado de imagem para reação dos corruptos a lava jato charges


Justamente no momento da tramitação e votação da reforma da previdência, as forças do atraso se organizam para boicotar e combater o governo e as instituições democráticas, ou o que resta delas, para se safar da revolução democrática inciada pelo povo mesmo caoticamente a partir de 2013.
Agora querem aproveitar o caso do Hacker que gravou conversas de Sérgio Moro, aliás que nada revelaram, e que por serem gravações ilegais não tem nenhum valor jurídico pra mudar a sentença de Lula, para justamente mudar a lei da prisão em segunda instância e soltar o líder da ORCRIM. Claro, tudo é política e esta é mais uma tentativa de manter a narrativa de perseguição política e consequentemente de que a prisão de Lula foi política. Apesar de uma dezena de pocessos com infindáveis provas contra ele e a quadrilha, que parece não ter fim. Em poucas palavras, o que chamam de sistema resiste, e resistirá de todas as formas.
O STF, a mídia, os sindicatos, a intelectualidade acadêmica, ou seja quase a totalidadee do estamento burocrático do estado, reagem porque simplesmente vão perder privilégios. Claro, tudo é um proceso e será longo, mas a sociedade está de certa forma mobilizada, e sabe de tudo pelas redes sociais. Sabe e discute de quase tudo, ou seja, de penico a bomba atômica, para desespero destas elites, que agora tentam deseperadamente controlar o incontrolável numa democracia, que são as redes sociais.
Bom que o presidente como resposta condecorou Moro, e a sociedade reagiu com veemência no apoio a lava jato, que , como sabemos, também é e será um longo processo de aprimoramnento das instituições verdadeiramente republçicanas e democxráticas. Vamos à luta, afinal esta é a luta de todos os brasileiros honestos , trabalçhadores, e que se prteocupam com o futuro de seus filhos e netos. Afinal a destruiição de um  país pode levar uma década, mas a recontrução será longa e penosa. E como bem disse o presidente, temos que ter um momento de inflçexão,  em outras palavras, recomeçar. Renovar pela tradição, afinal, o que tem nos salvado é a tradição do conservador povo brasileiro. E viva nós!

segunda-feira, 10 de junho de 2019

FORÇAS PODEROSAS CONTRA A LAVA JATO - RAFAEL BRASIL

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Como bem disse o jornalista Augusto Nunes, a lava jato é um processo, que não tem data pra acabar, é um patrimônio nacional. E tem muita gente contra, é o chamado sistema, o patrimonialismo nacional, como diria Raymundo Faoro, é a reação do estamento burocrático do estado, que luta e tem muitos poderes, para manter velhos privilégios. Claro, alguns deslizes podem acontecer, afinal, nada é perfeito, só Deus, mas essecialmente é uma questão meramente republicana e democrática, o clamor popular pelas reformas, democráticas e liberais, que o país tanto precisa. Afinal, o estamento burocrático do estado é o principoal empecilho para o desenvolvimento e mesmo sobrevivência do cartorial capitalismo nacional.
Nunca um presidente foi tão atacado pela mídia tradicional majoritariamente esquerdista. Afinal ninguém estava preparado para ter o "choque" de um presidente notadamente de direita, crescendo no bojo de um amplo, mas desordenado movimento conservador. Afinal a sociedade é conservadora, não tem canais de representatividade na mídia, no show buiseness e nas universidades. O Brasi não tem nenhum canal de televisão, rádio ou jornal, assumidamente conservador. E também no estado aí incluindo o judiciário. Foram décadas de ocupação de espaços, num país onde professor conservador sofre o diabo para exercer sua profissão com um mínimo de liberdade. Alunos militantes agem como cães raivosos, geralmente incitados por professores militantes, e como bons esquerdistas, com mentalidades totalitárias.
O governo enfrenta uma figadal resistência da parte mais corrupta e fisiológica do congresso nacional , além de uma esquerda raivosa, desmoralizada pela corrupção e pelo desmonte do estado que dizia defender, que perdeu o bonde da história, sem discursos, sem narrativas, ou melhor, suas narrativas envelheceram.
Bom que o presidente vem bravamenmte resistindo ao fisiologismo mais rasteiro, e tentando desmontar o estado patrimonialista com o liberalismo econômico e as reformas do estado. No caso da reforma da previdência, o governo conseguiu a assinatura de 25 governadores, inclusive os do nordeste, que sabem que seus estados estão quebrados, mas posavam de oposição ao governo e às reformas. Passando a previdência vem a reforma tributária e as privatizações. Enfim serão estas reformas que, se feitas, darão um boas perspectivas de melhria das condições de vida da polulação, com, mais renda e trabalho. É estranho que ainda tem liberal que reclama, fazer o quê?
Agora vem a propalada crise das gravações das falas de Sérgio Moro. Até agora nada comprometedoras, afinal a condenação de Lula está amparada em sólidas provas. E vem mais processos por aí. Erroneamente muitos esquerdistas tentam se salvar com o lema de Lula livre. Seria um reetrocesso estrondoso, e fator de instabilidaede política e institucional. O que ele teria a oferecer? Mais populismo e miséria? E com o acúmulo de processos ele ficará na história como o nosso maior bandido político. Eu pelo menos nunca me enganei. Sabia o que ía dar o populismo, estatismo e nacionalismo fulêiro, ou seja, em crise econômica a recessao.  Só não sabia que ía dar nesta tremenda roubalheira. A maior da história ocidental. E tem gente que ainda duvida. É isso aí.

terça-feira, 28 de maio de 2019

O STF E O PROTAGONISMO DO ATRASO - RAFAEL BRASIL



O STF sempre se notabilizou pela subserviência aos poderosos de plantão, desde a aurora golpista da república. Passando evidentemente pelas ditaduras, a varguista e a militar, a primeira mais cruel e fascista, a segunda tecnocrática. Todas as versões dos chamados tribunais superiores foram de uma subserviência sem par. Só agora o STF se volta contra o governo abertamente, e contra todas as medidas de corrupção,  sobretudo quando se sabe que membros de todas as cortes estão com medo de serem pegos em casos mais que escabrosos de corrupção. Afinal a corrupção petista até agora não chagou ao judiciário. Ou seja, faltam os togados na extensa galeria da corrupção nacional.
Hoje, está aparelhado pela ideologia de esquerda, e quer legislar, como no caso do aborto e da chamada homofobia, que torna este crime igual ao racismo, o que é um absurdo e esta matéria ainda está para ser apreciada pelo congresso. 
Agora, depois da eleição de Bolsonaro, as altas cortes tentam bagunçar o governo, logo mais agora, quando Fachin suspendeu o leilão da petrobrás para a privatização das refinarias, dando um prejuízo de mais de 8 bilhões a estatal de petróleo, que aliás devia ser vendida também.
Assim como os políticos, os ministros do STF são odiados pela população, justamente, aliás. Afinal eles se colocam sempre ao lado dos poderosos, aliás os mesmos que lhes deram os preciosos cargos cheios de mordomias. E, claro, como os políticos, tem medo da lava jato, que está se tornando um processo, altamente positivo para a nação. E que, no andar mesmo deste processo, vai pegar gente das altas cortes, aliás, várias propostas de impeachment de alguns de seus membros já tramitam pelo senado sem sucesso. 
Agora, com a pressão popular, o presidente negocia um pacto entre os três poderes, simplesmente para salvar o estado, falido até a medula. Aliás não só o governo federal, as estados e municípios estão à mingua. Evidentemente a má vontade com o novo presidente é total, mas vão-se os anéis, ficam os dedos. Afinal a falência total do estado também atingiria em cheio a nata do estamento burocrático do estado, o pior e mais poderoso inimigo do povo, cevado desde o império.
A rigor não devia ter pacto algum, afinal o judiciário está aí para que se cumpra a lei. Porém, com este ativismo, e com a mídia contra, aliás acusando o governo de não saber negociar, fez bem o governo abrir negociações para o caminho das reformas que garantirão, como disse, a própria sobrevivência do sistema, mas, claro, com mudanças mais do que significativas. O problema vai ser até que ponto as mudanças vão ser permitidas. Em poucas palavras, esta gente quer justamente que tudo mude para que tudo fique onde está. Dá pra fazer omelete sem quebrar os ovos? A ver.