domingo, 12 de agosto de 2018

PICOLÉ DE CHUCHU - Rafael Brasil - setembro de 2006




Que candidato ruinzinho esse tal de Alkmin! Maluf deu uma dentro em o classificar de um picolé de chuchu. Ô cara sem gosto e, sobretudo, sem idéias. Lula, com a cara de pau que deus lhe deu, mente descaradamente, e ele nada responde. Parece um robô falando, embora sem a mesma “graça “ dos mesmos. Fala desapropriadamente, fora do contexto e do lugar. Não quer ser oposição, quem já viu oposição não falar mal do governo? E Lula vai ganhar de lavada. E a oposição tem que explicar aos seus seguidores, porque trocou Serra por esse burocrata Paulista. E, por mais quatro anos, vamos ter que agüentar um governo que admite que para governar, atola as mãos em merda. Agora vai ser mais merda para todo o lado.

Confiante na vitória, Lula fala em pacto nacional. Essa história. ouço desde a antiga ditadura militar, como seu principal negociador , o finado Petrônio Portela. Alguém lembra dele? “O pacto nacional”, palavras bonitas que enchem a boca dos analfabetos políticos, e, claro, dos muito espertos, que não são poucos na terra de Macunaíma. Há mais de vinte anos fizemos um pacto nacional, pela democracia, elegendo através do Colégio Eleitoral, Tancredo Neves, lembram-se? Pacto aliás ,que Lula e seus seguidores se recusaram a participar, como sempre, fazendo beicinho para as negociações políticas. Hoje se aliam até com cachorro atropelado, como diria Nélson Rodrigues. Porém, os espertinhos querem reformar a constituição, em seu proveito,e quem sabe, com características autoritárias, tão comuns ao pensamento de esquerda? Seria hilário, um Hugo Chávez de barbas, com cara de matuto a empolgar as multidões! São Lula, o santo do bolsa esmola! O único campeão da ética e dos bons costumes políticos, deste enorme, quente, e corrupto país. Ave Lula o campeão dos fracos e dos oprimidos. Mas, é difícil. Difícil enrolar a todos nesses tempos de internet, e, apesar do nosso sistema educacional, nem todos são analfabetos. Menos mal, mas muitos letrados ainda votam nele. Como Paulo Betti, acham que não se faz política sem meter a mão na merda. Diria que depende do tamanho da merda, né? Os escolarizados que votam nele, no mínimo, acham que os meios justificam os fins. Se ou outros fizeram, o resto é que se dane. E o povo quer esmola mesmo, pois é miserável. E quem é miserável qualquer coisa serve, menos a indiferença.
Além de um pacto nacional, o noço grande líder, “planeja” uma reviravolta na economia, abandonando a ortodoxia, e adotando o chamado desenvolvimentismo. Aí que mora o perigo. Gastos e gastos e mais gastos. Sem mexer na estrutura tributária. De onde tirar? Já sinto algo metendo a mão no meu bolso...Ademais, se tudo fosse assim tão simples, alguém já teria feito, não? Claro, isso é um aceno para as esquerdas,m que de tão tontas, ainda tem gente que vai votar nele, crendo ser tudo de ruim que acontece ao governo resume-se a eterna conspiração das elites. Que alegremente se reúnem, para sorrateiramente foder o povo. Que de tão inocente, gosta de votar em corruptos. E como! Mas com chuchu na oposição, tudo ficou mais fácil. É só encomendar o terno, e não escorregar muito. Não fazer muitas besteiras, além da conta. E afinal, esse governo pode tudo. Ou quase tudo. 

VAIAS E VAIAS - Rafael Brasil, julho de 2007



VAIAS E VAIAS

Nunca gostei de vaias. Existem, aquelas espontâneas , como a que Lula recebeu no Maracanã. ÙÙÙÙ. Uníssona, sonora vaia, como diria Nelson Rodrigues. Existem as orquestradas, geralmente por grupos antidemocráticos, e que atingem um público mais restrito, como dos auditórios das universidades, tal qual a vaia que deram em dona Ruth Cardoso, se não me engano, na UNB. E mesmo a que deram em Roberto Campos, quando se não me engano da visita de Henry Kissinger, lá pelos idos dos anos sessenta, na mesma UNB. Ouvi uma sonora vaia na então primeira dama Geralda Farias num show musical, lá no Teatro do Parque no Recife, lá pelos idos dos anos setenta, quando anunciaram seu nome no microfone oficial do teatro. Como seu marido, Antonio Farias era prefeito biônico do Recife, representando a odiada ditadura, foi uma, digamos,boa vaia, ou vaia do bem. Uma vaia que ficou na história foi a que recebeu Ceausescu, o ditador Romeno, que convocou o povo justamente para ouvi-lo, como era o costume das ditaduras comunistas. Ao invés de aplaudi-lo, o povão oprimido tascou uma sonora vaia que não parou mais. A vaia depôs o presidente, levando-o exatamente para o xilindró, e depois para uma execução sumária pelas forças de segurança, certamente por queima de arquivo. Bom para o oprimido povo Romeno e claro, para a democracia.
A vaia de Lula foi uma uníssona e sonora vaia, como disse anteriormente. Nunca ninguém, foi vaiado tão acintosamente como o presidente no maracanã. Sociólogos e politicólogos de plantão encheram de tinta os jornais, ressaltando que a mídia, mais precisamente a Rede Globo quase omitiram o fato, certamente para não desgostar o presidente e seu comissariado de plantão, que logo ressaltariam as pesquisas de opinião, constatando a popularidade presidencial, etc. e tal. O próprio presidente comparou o fato de ser vaiado quase inconcebível, para ele foi como se levasse uma vaia na festa de aniversário de um amigo.
Para mim a festa foi boa, a vaia melhor. Foi sonora uníssona e democrática. O povo carioca está de parabéns, ressaltando seu espírito rebelde e libertário. Mais precisamente a classe média que é a principal formadora de opinião. A vaia presidencial foi um alerta para o presidente e seus áulicos, que o poder, enfim , é fugaz, e é preciso baixar a bola, ou o topete. Sobretudo na política, que muda como as nuvens, já dizia uma velha raposa política mineira, que morreu sem deixar saudades, por isso me omito em citar seu insignificante nome. Lula e o PT metidos em escândalos de corrupção. ÚÙÙÙ! Lula e seu governo que não fizeram nenhuma reforma institucional diga de nome. ÙÙÙÙ! Lula e sua turma que quiseram restringir a liberdade de imprensa. ÙÙÙÙ! Lula e sua turma que protegem Renan Calheiros, e outros notáveis corruptos da vida nacional. ÙÙÙÙ! Vaia para ele. Viva ao povo do Rio de Janeiro e Lourenço meu grande primo véio, que tanto espelha o espírito carioca de independência, liberdade e idiotice ao mesmo tempo. Quarem mais vaias? Elas voltarão, para o bem geral da nação e da nossa sempre frágil democracia. Saravá.

MAROLAS - Rafael Brasil, novembro de 2008.



MAROLAS


A atual crise que passa o capitalismo mundial dá um regozijo gostoso nos intestinos dos velhos marxistas. Sempre que pinta uma crise, vem à memória dos velhos comunas a crise final do capitalismo, tão decantada, como o fim do mundo cristão. O assunto estava na geladeira, pois o velho capitalismo mostrava sinais de robustez há pelo menos duas décadas. E já chega aqui, mais rápido do que supunham os analistas governamentais, que aliás, logo mudariam de linguagem. A crise é braba, e ninguém sabe nem de longe o seu desfecho. Como sempre, a grande maioria dos analistas de plantão, sobretudo os que ganham muito dinheiro, erraram feio. E ainda estão errando, como os analistas de botequim. Dão palpites a esmo. Geralmente errados. Quem se habilita? Enquanto isso, o desemprego bate às portas da população, sempre com as barbas de molho. Em se tratando de Brasil, é melhor não esperar para ver. Pagar as contas, não aumentar despesas. Apertar o cinto. Enquanto isso, o governo trata de apertar o cinto para os piores dias que certamente virão. Certo, mas por que não fizeram isso antes? Deixaram as reformas no meio do caminho, e optaram por inchar mais a máquina pública, aumentando as despesas. Como sempre, o governo Lula optou pelo caminho mais fácil. E nós, brasileiros, ainda agüentamos este estado e corrupto. Até quando?
Ainda mais, que estão aproveitando a crise para estatizar mais. O banco do Brasil comprou a nossa caixa, um dos bancos de São Paulo. A Petrobrás continua estatizada, uma verdadeira caixa preta. Quando o preço do barril de petróleo baixa no mercado internacional, nada acontece nas bombas de gasolina. Mudanças de preços, só para cima. Diferente da estatização dos bancos europeus, que só estão estatizando diante da enorme crise econômica, os estatocratas daqui estão aproveitando o momento para colocar mais peso nas costas do povo, em detrimento de uns poucos que lucram e sempre lucraram muito com a situação. E assistimos , como sempre, passivamente a tudo isso. 

"Os ativos do Brasil", por Gustavo Krause


Amanhecer no Brasil é sentir o peso da crise prolongada e se perguntar: o Brasil tem jeito? Dá para apostar no futuro do Brasil?
Uma percepção mais clara exige ir além da conjuntura e olhar o Brasil em perspectiva ao longo das sete últimas décadas. Às vésperas das eleições, é possível contrapor ativos aos passivos que tanto nos angustiam.
O primeiro ativo completa trinta anos – a Constituição Federal de 1988 – que estabeleceu os marcos legais e institucionais de democracia política. Na superfície, os defeitos da democracia saltam aos olhos; na profundidade, as virtudes da democracia respondem com flexibilidade, resiliência, capacidade de adaptação e garantem a emergência da autonomia individual inserida no espaço público da cidadania. Testada em vários momentos, a democracia brasileira será submetida à tentação populista e autocrática.
De outra parte, o país fez uma opção pela economia de mercado. Lamentavelmente, o capitalismo de laços e o patrimonialismo capturaram o estado brasileiro. Estamos pagando um preço alto. Ainda assim, há um Brasil que dá certo: é o que trabalha mais do que pode frente a um que pode mais do que trabalha. A economia de mercado e a livre iniciativa são ativos que precisam de mais Brasil e menos Brasília.
Segue-se o paradoxo da décima economia mundial: uma economia grande e um país injusto. Transformar este passivo em ativo requer a convergência de políticas públicas permeadas por uma educação de qualidade em todos níveis e com os olhos voltados para as transformações do século XXI.
Outro ativo é fazer valer o primado da igualdade de todos perante a lei. Estamos no caminho. Passos largos foram dados na construção de uma ética pública que vai além da ética na política; que não se constitui, apenas por meio regras e sentenças judiciais no combate à corrupção e à impunidade, mas que se consolida numa cultura punitiva a toda e qualquer transgressão.
Cabe, por fim, uma palavra sobre o protagonismo brasileiro na perspectiva ambiental. Os fatores que respondem por uma economia de baixo carbono fazem parte dos nossos recursos naturais. É preciso um grande esforço de incompetência governamental para não assegurar sustentabilidade ao desenvolvimento econômico. Sem descambar para o ufanismo dos “risonhos e lindos campos”, basta olhar para o sol e os ventos de um nordeste renovável pelo conceito de uma matriz energética limpa.
Democracia, livre iniciativa, equidade social, ética e sustentabilidade são os pilares das nações desenvolvidas.
Gustavo Krause é ex-ministro da Fazenda 

sexta-feira, 10 de agosto de 2018

*Fernando Gabeira: Para onde correm os candidatos


- O Estado de S.Paulo

Se a esquerda está resignada a perder agora para ressurgir adiante, é um equívoco

Tive a oportunidade de conhecer as posições de alguns candidatos à Presidência ao participar de uma sabatina. Tentarei um projeto, como realizei nas eleições passadas, de entrevistar todos os outros, independentemente da pontuação em pesquisa. De um ponto de vista jornalístico, é interessante saber o que se passa na cabeça de alguém que decide ser candidato num momento tão complicado no País. Mais do que ninguém, tenho dúvidas sobre o futuro do próximo presidente, sobretudo a partir de uma quase certeza de que a renovação do Congresso será modesta.

Minha visão da conjuntura recomenda algo que chamo, brincando, de catastrofismo emancipatório, expressão que o sociólogo Ulrich Beck usa diante das mudanças climáticas. Isso significa deixar de apenas falar do desastre, mas encarar a situação com a clareza de que o dilema é cooperar ou morrer.

Creio que a esquerda também conta com uma grande crise adiante. Mas ela se fragmentou e parece ter se resignado a perder as eleições e ressurgir adiante como alternativa. Se for isso mesmo, é um equívoco.

Não creio que uma próxima crise possa ser vista como um movimento de gangorra que alterne forças esgotadas do sistema político-partidário. Um período PSDB, outro período PT, como se a sucessão no poder fosse natural como o ritmo das estações de ano.

Para mim, vivemos uma ofensiva das forças tradicionais semelhante, em muitos aspectos, à que houve nos EUA. No Brasil, esse movimento vem de longe. A esquerda cultural sempre foi dominante. Mas, quando ela passa a ser também a cultura do governo, a contestação de suas ideias ganhou muito mais força. Isso porque a maioria no Brasil – acho eu com minha experiência de lutas minoritárias – é conservadora. Nem sempre o aval que ela dá para dirigir o País se estende a questões de comportamento. É um pouco como política externa. Você faz a política do país, e não a do partido vencedor.

Isso não significa conformar-se a uma situação estática. É possível em debates pacíficos encontrar soluções razoáveis.

Toco neste tema cultural por duas razões. A primeira, porque não é o mais importante quando se constata que a democracia brasileira está em risco. Em seguida, porque no fundo sou muito cético a respeito do poder da política sobre estes temas diante do impacto do avanço do capitalismo, da interconexão do mundo, do avanço tecnológico.

Um ponto central em que a política importa muito é na escolha do sistema educacional. Nesse campo, questionei Bolsonaro sobre seu projeto de escolas militarizadas. E certamente questionarei a esquerda sobre o método Paulo Freire. Mas isso é apenas um aspecto que pode evoluir para uma discussão mais ampla e, quem sabe, um quase consenso para seguir adiante.

É um lugar comum responder educação quando se pergunta por um grande problema no Brasil. E os candidatos respondem também com a mesma ênfase. No entanto, ela ainda não foi discutida com muita clareza e o tempo é muito curto.

Por que essa necessidade enfatizar programas diante de uma previsível crise que pode congelar as melhores expectativas? Porque programa é uma destas coisas que podem sobreviver à crise, como um elemento da nova fase.

O problema da segurança pública é outro que merece um esforço de cooperação. O próximo presidente tem de saber o que fazer, pelo menos um pouco mais que os anteriores, que subestimaram o tema.

Mas tudo isso se faz à sombra de uma dificuldade maior: as relações do eleito com o Congresso, algum tipo de reforma política.

É difícil de reformar uma estrutura entrincheirada, na qual a maioria quer manter os velhos vínculos franciscanos do toma cá, dá lá. Às vezes penso que uma solução francesa poderia ajudar. Consiste em separar as eleições presidenciais das parlamentares. Depois de eleger um presidente, a maioria teria a chance de dotá-lo de uma grande bancada de apoio.

Uma solução mais audaciosa seria escolher de uma vez o parlamentarismo. Traria a vantagem de resolver mais rápido as inevitáveis crises, e talvez por meio de sucessivas quedas de gabinetes pudesse surgir um senso de responsabilidade inexistente hoje.

Tenho apenas intuições. Mas é um problema que marcará a próxima Presidência. Os partidos conseguiram, por meio do dinheiro público, um passaporte para manter seu velho jogo. Naturalmente, vão clamar pela legitimidade do voto conseguido em circunstâncias desiguais.

Mais influenciável que o governo, o Congresso pode ser controlado também por pressão popular. Alguns desastres foram evitados assim. Nem todos. Em alguns momentos, decidem enfrentar a opinião pública, sobretudo quando seus interesses diretos estão em jogo.

A única possibilidade no horizonte seria uma pressão conjugada do eleito e da opinião pública. Ainda assim, isso demandaria uma grande sensibilidade para avançar sem romper.

Todo este cenário é envolvido numa situação econômica grave, com demandas sociais crescentes.

É com este olhar preocupado que sigo os candidatos à Presidência. Qualquer um deles vai enfrentar o problema. Quem achar que pode ir tocando o barco sem mudanças pode desembocar numa crise mais grave.

E quem achar que tira proveito dela para voltar ao poder vai se perder mais no caminho.

Talvez marcado pelas próprias experiências, um quadro de profunda crise, esquerda fragmentada e direita em ascensão me parece complicado demais para leituras equivocadas.

A viagem à Rússia reforçou em mim a ideia de que outras variáveis, às vezes, conseguem neutralizar nas pessoas os anseios por democracia. As pesquisas na América Latina já indicam um crescimento dos que a dispensariam na vida política de seu país.

É um momento distinto da alegria das Diretas Já. O processo político-partidário se degradou, afastou-se da sociedade. O segredo é não jogar fora o bebê com a água do banho. E, se possível, reanimá-lo.
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*Jornalista

quinta-feira, 9 de agosto de 2018

"Coxinhas e mortadelas juntos", por Carlos Alberto Sardenberg


O partido do senador Fernando Collor, o PTC, fez aliança com o Podemos para apoiar a candidatura presidencial de Alvaro Dias. Em Alagoas, Collor é candidato a governador e tem como seu vice o vereador Kelmann Vieira, do PSDB, do tucano Geraldo Alckmin.

No Ceará, o PT descartou o senador José Pimentel, intenso militante, que queria tentar a reeleição, e deu seu lugar na chapa para o “golpista” Eunício Oliveira, do “traidor” MDB. 

Assim, o governador petista Camilo Santana tem ampla aliança na sua campanha pela reeleição. A outra vaga ao Senado ficou para Cid Gomes, do PDT, irmão de Ciro, que acaba de ser fritado pelo PT.

O PP está no centrão, portanto na chapa de Geraldo Alckmin. Mas o presidente do PP, Ciro Nogueira, já avisou que lá no Piauí é Lula e não abre. Não sendo Lula candidato, bom, será preciso outra conversa, não é mesmo?

A gente que está fora da prática política estranha. As alianças federais e estaduais não têm o menor conteúdo ideológico. Os cabeças de chave ainda apresentam programas — até são obrigados a isso. Mas os coadjuvantes das chapas não precisam. Não falam de programa, mas de governo, quer dizer, de participação no futuro governo.

Em resumo, a gente diz: não tem a menor lógica. Mas tem, sim. E até se pode dizer que é uma lógica econômica — a de eliminar ou reduzir a concorrência para obter controle do mercado.

Imagine que o petista Camilo Santana se recusasse a formar chapa com os “golpistas” que derrubaram Dilma. O MDB e o PDT seriam obrigados a formar suas próprias chapas, com candidatos a governador e senador. Ampliava-se assim a concorrência eleitoral, o que, aliás, daria mais opções ao consumidor, quer dizer, eleitor.

Mas concorrência é boa para o consumidor. As empresas gostam mesmo é de uma boa reserva de mercado e/ou monopólios.

Assim, na política. Fazendo aquelas amplas alianças, os caras reduzem ou eliminam a concorrência, controlam o mercado eleitoral e garantem suas eleições.

Simples, não?

Os bobos somos nós. O que achamos estranho, para eles é absolutamente normal.
Tira o dinheiro

Aliás, esse conceito de normal está espalhado.

Por exemplo: tem muito assalto a banco pelas cidades do interior remoto. Com a polícia praticamente inexistente, fica fácil para bandidos da capital fazer um tour por algumas localidades e levar o dinheiro das agências.

De tanto acontecer, virou normal. Até que bancos — sobretudo o BB e o Bradesco — que têm mais capilaridade, encontraram uma solução simples. O que os bandidos querem? 

Dinheiro vivo. Logo, tirando dinheiro vivo das agências desaparece o objeto do roubo, e acabou-se o problema.

Sucesso. Todo mundo ficou sabendo que não tinha mais papel moeda por aquelas cidades do interior.

E os aposentados, a maioria recebendo um salário mínimo, e acostumados a pegar o dinheiro vivo?

Paciência. Que paguem suas contas pelo meio eletrônico. Muitos não se dão bem com essas coisas. Além disso, e o dinheirinho do dia a dia?
Paciência, virem-se.

O pessoal se vira: por exemplo, as pessoas entram na fila do banco e ficam esperando aparecer alguém que pague uma conta em dinheiro. Aí entra algum no caixa, o funcionário chama o primeiro da fila e paga o que der. Ou então os aposentados vão receber em agências de cidades maiores.

Ficou assim, normal: agência bancária sem dinheiro.

Tira o bronze

Outra: tem muito roubo nos cemitérios municipais de São Paulo. Com o policiamento praticamente inexistente — devem achar que os caras já morreram mesmo — fica fácil para a bandidagem fazer um tour pelas alamedas e levar as peças artísticas dos túmulos e todo o material nobre (como cobre).

Virou normal.

Até que os usuários, ou os parentes de usuários, encontraram solução simples: em vez de cobre, registrar os nomes e datas em placas de latão ou acrílico. Em vez de colocar peças decorativas valiosas, chamar um bom grafiteiro. Pintura, ninguém leva, óbvio.

Como? Mais policiamento? Bobagem, já está resolvido.

Em tempo: não tem nada disso nos cemitérios privados.

domingo, 5 de agosto de 2018

"Violência, omissão e votos", por Ruy Fabiano


A violência no Brasil, com índices anuais de massacre (já que apenas um dos lados, o do crime, está armado), não é obra do acaso.
É uma gradual e contínua elaboração, a que se associam políticos, ONGs (nacionais e internacionais) e formadores de opinião (artistas, jornalistas, acadêmicos e quem mais aí figure).
Consiste em atenuar progressivamente a legislação penal, ao ponto de torná-la inoperante, figurativa, mera abstração. É construção de fundo ideológico, que vê no crime um sucedâneo inevitável da pobreza, o que imporia proteção moral aos criminosos.
A Lava Jato, nos seus quatro anos de ação, desmente essa vinculação socioeconômica, que, no entanto, prossegue. E o resultado é uma legislação que, em vez de freio ao crime, garante-lhe salvo conduto. Poucas atividades no Brasil, se é que há alguma, desfrutam hoje de tantas salvaguardas legais e ideológicas, dentro e fora do Estado, quanto o crime.
Quem se der ao trabalho de pesquisar as mudanças operadas na legislação nas duas últimas décadas, há de entender o que se passou com aquilo que um dia se chamou de segurança pública.
Da progressão da pena, que a pode reduzir a um nada, à audiência de custódia, que liberta em 24 horas, sem inquérito ou processo, criminosos recorrentes, presos em flagrante (ideia genial de Ricardo Lewandowski, quando presidente do STF), chegou-se a limitar o direito de o policial valer-se da arma para enfrentar bandidos – em regra, mais bem armados.
Por essa lógica, o correto é o policial evitar a iniciativa e limitar-se a responder ao agressor, isto é, só atirar depois que o bandido o fizer. Ano passado, mais de uma centena de policiais, somente no Rio de Janeiro, foram parar no cemitério na tentativa de cumprir esse regulamento; neste semestre, já são mais de 70.
Nesse processo, chegou-se à tipificação bizarra do “excesso de legítima defesa”, em que se pretende limitar o número de tiros dados em pleno confronto. Além de cuidar da pontaria, o policial tem que contabilizar os tiros; caso contrário, pode ser – e é – punido.
Como tais limites só valem para um lado – o que defende a sociedade -, o crime agradece e segue ganhando de goleada. Os números oficiais – e que, por serem oficiais, não expressam plenamente a realidade – falam em mais de 61 mil homicídios no ano passado, marca que se repete há pelo menos uma década.
Esses números contabilizam apenas os que morrem no local do crime – e os especialistas avaliam que pelo menos metade disso morre depois ou padece de sequelas graves e irreversíveis.
A intervenção militar no Rio não mudou o quadro: a MP que a instituiu nega ao soldado o poder de polícia. Torna-o, e ao aparato bélico que o acompanha, mero adorno, que não assusta o bandido.
Estudiosos da cena – em regra, acadêmicos e teóricos que jamais subiram um morro – sugerem investimentos em saúde, educação, saneamento básico, o que, sem dúvida, é fundamental, mas não exerce efeito de curto (ou mesmo médio) prazo – e nem conflita com o que a urgência da situação requer.
Em meio a balas perdidas (e achadas), impõe-se o enfrentamento, com a devida retaguarda jurídica, recusado em nome dos direitos humanos, que obviamente não são os das vítimas.
Os mesmos personagens que sustentam essas teses horrorizam-se com os índices crescentes da candidatura presidencial do deputado Jair Bolsonaro. Não percebem que ele nada mais é que fruto político desse quadro bizarro, que por anos, ainda que com linguagem rude, excessiva ou inadequada, denuncia obsessivamente.
O público perdoa os excessos da linguagem, não os da burrice, alienação ou cumplicidade; quer socorro, não conversa fiada.
Ruy Fabiano é jornalista 

William Waack imita gesto de Miriam Leitão e diz: Não tenho chefe no ponto



A entrevista de Jair Bolsonaro ao programa "GloboNews Eleições 2018″, exibida na noite de sexta-feira (03), terminou com uma situação não programada. Avisada pelo ponto eletrônico, a apresentadora Miram Leitão pediu para todos permanecerem sentados. Alguns instantes depois, ela começou a ler um editorial, explicando por que o Grupo Globo, que apoiou o golpe militar de 1964, décadas depois considerou este gesto um erro. O texto foi motivado por um comentário do candidato, durante a sabatina, lembrando palavras de um editorial do jornal "O Globo" sobre o assunto.
O constrangimento passado por Miriam Leitão foi tema de um comentário do jornalista William Waack neste sábado (04). Em seu canal no You Tube, onde apresenta um programa intitulado "Painel WW", ele primeiro imitou os gestos e as palavras da jornalista da GloboNews durante o seu instante de hesitação: "Vocês já pensaram eu terminar uma edição do 'Painel WW', com os meus convidados ainda sentados ali, e eu falo assim: 'Aguenta mais um pouquinho… um momento… Eu queria dizer… em relação ao que o convidado acabou de dizer… Abre aspas… Que é fato… Fecha aspas'. Gente, cada um adjetiva isso como quiser".
Em seguida, disse: "Eu não tenho chefe no ponto. Eu falo as coisas pela minha consciência. As pessoas concordam, discordam, aplaudem, xingam, mas eu queria deixar um recado. Fiquem tranquilos: tudo que eu falo é por mim. Eu não tenho chefe no ponto".
Waack trabalhou na Globo por 21 anos. Em novembro de 2017, foi afastado após o vazamento de um áudio, gravado um ano antes, no qual apareceu fazendo comentários de cunho racista. Em 22 de dezembro, o seu contrato com a emissora foi rescindido.
Veja abaixo o vídeo de Waack:

Mauricio Stycer, UOL

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