quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

COMUNISMO MATA, SÓ IDIOTA NÃO SABE - RAFAEL BRASIL

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Comunismo mata e muito. Desde os massacres nunca dantes vistos, na já autocrática Rússia dos Tzares, feitos por Lênin, ainda nas primeiras semanas do golpe que antecedeu a guerra civil, aos genocídios e autocracias aqui na América Latina contemporânea. Cuba, Nicarágua e agora o desastre venezuelano.
Muitos dizem que comunismo acabou, mas podemos chamar de comunismo a idéia leninista de que a elite do partido em questão é portadora da verdade histórica, e como diria Gramsci, o partido seria o condutor das massas, o moderno príncipe. O portador do socialismo, o paraíso na terra, que aliás Marx não deixou uma linha sequer de como seria feito. E o motor de tudo isso seria a luta de classes, agora transfigurada em supostas minorias contra maiorias nem  sempre explicitadas. 
Afinal, mudam as teorias ao calor dos movimentos dialéticos da política e da história, ou seja, o comunismo é um movimento político de grande envergadura que sobrevive mais na periferia do capitalismo, em outras palavras é coisa de subdesenvolvido. E aqui na América Latina foi uma catástrofe de grande envergadura. Brasil, Venezuela, Argentina, Peru, Equador, Bolívia, Nicarágua além do Uruguai, entraram na onda. Curiosamente o Paraguai não seguiu os outros e foi o que mais se desenvolveu, com a devida ajuda das máfias chinesa e outras, claro. Cuba permaneceu como uma espécie de vanguarda deste exército de bandoleiros políticos.
O comunismo é muito atrativo para os jovens, afinal, todos se entusiasmam por lutar pelo bem da humanidade. Mas como disse diversas vezes nosso grande Nélson Rodrigues, a juventude é a fonte da imbecilidade. Enfim, o problema agora é reconstruir sociedades inteiramente corrompidas pelo estado, e tentar implantar o velho e bom capitalismo nestas plagas. Claro, o capitalismo está longe de ser perfeito, mas com democracia é certamente o sistema menos ruim, justamente por não ser um sistema. Digamos, mais um estilo de vida. Mas isso é tarefa de décadas. Afinal, nossa imbecilidade é uma construção de séculos, não é Nélson Rodrigues? KKKKK!

A ZOADA DO HINO - RAFAEL BRASIL

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Me diverti muito nas redes sociais nos últimos dias. Foi a questão do hino, que foi sugerido pelo ministro da educação Velez Rodriguez, de todos cantarem e até filmarem estes eventos cívicos, que estávamos acostumados no passado, e que nas últimas décadas de ensino "progressista" foi praticamente abolido, afinal, nas nossas universidades, nacionalismo ficou fora de moda, virou até coisa de direitista fascista e xenófoba, naturalmente.
A besteira do ministro, que logo foi consertada, foi botar o slogan da campanha, que aliás no início pensei que era mentira dos oposicionistas, o que hoje chamam de fake. E também de filmar, isso acho besteira, pois filmar hoje é uma coisa mais do que banal, aliás por que não filmar muitos professores dando aulas? Assim como as mazelas das nossas escolas, que aliás não são poucas, e até para vermos como funciona uma sala de aula com o pobre do professor, que passou a ser opressor, não ter autoridade nenhuma sobre alunos livres de punição, e por isso mal educados e autoritários? Filmar é uma ótima idéia, assim como antigamente punir alunos mal criados e mal educados, pra dizer o mínimo.
Pórém, o mais ridículo, foi uma penca de professores esquerdistas ficarem fazendo faniquitos por causa do hino, insinuando que obrigar a cantar o mesmo seria coisa de fascista. Até o governo do estado, envolvido até o gogó com corrupção, emitiu uma nota, com aplausos de muitos professores, dizendo que não era pra cumprir a determinação de cantar o "maldito" hino nacional. 
Em suma , foi bom essa besteirada toda, para medir o grau de ignorância em que nos meteram. O óbvio passou a ser o exótico, e vice versa. Temos que lutar pelo óbvio, aliás em quase tudo. E temos que seguir a intuição milagrosa do homem comum, de quem falou magistralmente o Grande jornalista britânico do início do século XX, Chesterton. O homem comum está salvando o país, mas as elites falantes reagem, e com raiva. Uma raiva histérica, e claro, ridícula. Alguém duvida?

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

A GUERRA AINDA NEM COMEÇOU - Rafael Brasil

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A guerra do governo contra o establishment apenas está começando, e nunca na nossa história recente um governo foi tão hostilizado pela mídia e as chamadas classes falantes. Primeiro a reforma da previdência, depois a reforma do estado com muitas privatizações e desregulamentações, mais do que necessárias para atrair investimentos, em poucas palavras, fomentar o velho e bom capitalismo no país. Além do pacote contra a violência, mais do que urgente, precisamos, e o povo está compreendendo, de mais sociedade e menos estado. E, claro, mais educação.
Enquanto escrevo, muitas corporações se movimentam para manter seus inúmeros privilégios, como o judiciário e os altos escalões das burocracias, federal, estadual e municipal, com seus marajás dormindo em berço esplêndido, desde tempos imemoriais.
E a batalha pela educação que está em pandarecos, nem tanto pela falta de dinheiro, mas com os inumeráveis desperdícios e pedagogias mais do que equivocadas como o sócio construtivismo, e a horrenda ocupação militante da educação pela esquerda. Isto é trabalho para décadas, mas sem educação não iremos a lugar algum.
Como sempre por aqui deixam tudo pra depois do carnaval. Os demagogos de sempre, os fisiológicos da velha política e a esquerda, jogam no quanto pior melhor. Sem a reforma da previdência continuaremos ladeira abaixo, com a consequente quebradeira total dos estados e municípios. Todos perdem, sobretudo os mais pobres. É isso aí. Vamos acompanhar os acontecimentos e ver como o governo vai lutar a guerra da comunicação. Na campanha, as redes sociais foram fundamentais. Agora também, mas todos vão perder, eis a questão. Afinal, vão-se os anéis ficam os dedos. Mas a questão é cortar privilégios. E o governo deve se empenhar nesta guerra midiática. A ver.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

PEGARAM O PÁSSARO, PAULO, O PRETO - AGORA A VEZ DO PSDB

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Hoje a operação lava jato pegou um pássaro, não um tucano, mas um pássaro preto, o chamado Paulo Preto, o operador das maracutaias do PSDB. É bom que vai desnudando as operações nada republicanas naqueles que diziam representar a social democracia brasileira. Afinal, foi com grande satisfação que Fernando Henrique passou o poder ao PT, alegre porque Lula ía manter os parâmetros, digamos assim, do PSDB quando no poder. Na verdade, a pauta mais conservadora do partido, como a responsabilidade fiscal e outros parâmetros contidos no brutalmente combatido pelo PT de outrora,  plano real.
Até agora, só figuras mais periféricas do partido foram atingidas pela lava jato, com exceção de Aécio Neves, a vergonha do avô o falecido Tancredo Neves. Agora, o núcleo do partido, com figuras como Geraldo Alkmin e José Serra, dentre outros, como Aloysio Nunes Ferreira, ex comunista, estarão na mira. 
Bom pra todos desmistificar políticos que se apresentavam como honestos e portadores de uma nova política, excluindo totalmente a direita do processo, esta sempre tachada de extrema direita. Afinal, a narrativa do PT era que o PSDB era a direita. 
Depois o PT não só adotaria a agenda econômica conservadora, pelo menos no primeiro governo Lula, mas depois, com as alianças antes veementemente condenadas pelo partido, tentou comprar o congresso com dinheiro de corrupção. Era o mensalão, que foi fichinha para o petlolão. O PT com seu projeto de poder atolou o país e o continente num inédito,  esquema de corrupção nunca antes visto em nossa história.
Vamos aguardar os acontecimentos, e muita coisa ainda está para ser descoberta. Aliás, a social democracia nunca foi, digamos, um parâmetro de probidade e honestidade nos países em que esteve no poder. E junção de governos esquerdistas já dura cerca de três décadas. É bom desmistificar essa turma. Quem não acha?

A BOA PRESENÇA DOS MILITARES NO GOVERNO - RAFAEL BRASIL



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Um dos pontos positivos do governo é a presença de militares em postos importantes da administração. Longe de ameaçar a democracia, como bradam muitos idiotas da objetividade, neste momento, apontam para um processo, necessário, de organizar a máquina pública, com ética e responsabilidade. Ademais são quadros técnicos competentes vindos de instituições como academias militares. E não existem grupos associados a quaisquer projetos autoritários, antes pelo contrário. Estão voltadas para o aperfeiçoamento institucional democrático.
Esta semana é muito importante para os rumos do governo e do país. O presidente vai apresentar dois programas chaves sem os quais a economia e a democracia afundam. A questão da segurança, com o pacote de Sérgio Moro, e a reforma da previdência. O primeiro é uma questão de salvação nacional, sem dúvida, não podemos continuar com a impressionante cifra de 60 mil assassinatos por ano, e com  a leniência das leis contra a bandidagem. O segundo, as contas públicas. Se não for feita nenhuma reforma, muitos idiotas do estamento estatal, em todos os níveis, vão ficar sem receber, dentro de aproximadamente três anos.  Os estados estão quebrados, e os municípios também.
É isso aí, vamos acompanhar o andamento e os debates destas questões. Afinal precisamos de segurança e de empregos. A reforma da previdência abre espaço para uma ampla reforma do estado, e outras mais do que necessárias, mas de médio e longo prazos. Vamos conferir e rezar para que tudo se encaminhe. Capital político o governo tem, e afinal, precisa convencer não só os políticos, mas a sociedade. E a sociedade está captando os bons sinais.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

"Roube um índio", por J.R. Guzzo


Roubaram até remédio de índio, e exigem que o seu líder, Luiz Inácio Lula da Silva, seja prêmio Nobel da Paz. 

Nada como olhar com cuidado cada uma das partes de alguma coisa para ter uma ideia mais exata do todo. 
A máquina pública brasileira, como revelam quase todos os dias fatos trazidos à luz do Sol, transformou-se durante os treze anos e meio dos governos de Lula e de Dilma Rousseff no maior pesqueiro privado do mundo para o desfrute de ladrões do Erário — era chegar à beira da água, jogar o anzol e sair com uma refinaria para a Petrobras, uma hidrelétrica no Xingu ou mesmo um trem-bala, se você fosse uma empreiteira de obras amiga íntima do presidente da República como as Odebrecht, as OAS, as Andrade Gutierrez. 
Também podiam rolar duas dúzias de ambulâncias, lanchas para o Ministério da Pesca ou o patrocínio de um show de axé no interior do Nordeste. 
Roubaram-se sangue humano dos hospitais, leite das crianças nas escolas e sondas para encontrar petróleo no fundo do mar. 
Houve quadrilhas operando a toda na venda de livros didáticos ao Ministério da Educação, na entrega de recursos da “reforma agrária” a mais de 30 000 mortos (sem contar 1 000 políticos eleitos) ou na compra, com dinheiro dos fundos de pensão das estatais, de ações de empresas falidas. 
Pense, em resumo, numa insânia jamais cometida na história mundial da corrupção; haverá precedentes nos governos Lula-Dilma.
Muita gente não tem mais paciência nem tempo para ficar olhando de perto cada episódio da roubalheira desesperada dos três governos e meio do PT. Muito justo, até porque a tarefa seria impossível. 
Mas de tempos em tempos vale a pena ver de novo — ou, mais exatamente, vale a pena separar alguma ladroagem especialmente depravada, de todos os milhares que o cardápio Lula-Dilma oferece, e fazer uma espécie de análise clínica mais demorada da patologia que existe ali dentro. 
Isso contribui, como dito no começo, para o melhor entendimento do todo. 
A esquerda, no comando do arrastão mental que se pratica todo dia no Brasil, tenta passar ao público a alucinação de que o conjunto completo da corrupção no país se resume, no fundo, às sentenças que condenaram Lula (25 anos de cadeia no lombo, pela última conta) por recebimento de propina e lavagem de dinheiro. 
Como, no seu entender, “não há provas definitivas” da culpa do ex-presidente, não há, realmente, corrupção alguma. Aí dá curto-circuito. 
Quando você olha a rapina parte por parte, e faz a soma de tudo, tem certeza de que está vendo um avestruz. 
O PT diz que você está vendo uma galinha.
“Invente uma ‘política pública’. Diga que é ‘social’. E corra para o abraço”
Considere, por exemplo, uma das últimas demonstrações de demência praticadas pelo governo com o seu dinheiro, trazida a público, ainda outro dia, pelo novo ministro da Saúde. 
Dá para fazer ideia, aí, de onde foram amarrar o nosso burro. Segundo o ministro, o Brasil gasta por ano 1,4 bilhão de reais para cuidar da saúde dos índios. 
Esqueça se é muito ou pouco; pode até ser uma miséria, e talvez o governo devesse gastar o dobro, ou o triplo, ou quanto quisesse, nesse serviço. 
O que realmente acaba com qualquer discussão é que 650 milhões desse 1,4 bilhão vão direto para as ONGs a quem as autoridades entregam a tarefa de cuidar da saúde indígena. 
Cereja do bolo: desses 650, quase 500 — isso mesmo, quase 500 — vão para uma única ONG. 
Que tal? 
Os outros 700 milhões da verba total são consumidos com as despesas para a existência material do próprio programa: aluguel de helicópteros e carros para transporte de pessoal, gasto com isso, gasto com aquilo. 
Sabe-se muito bem, em suma, de onde o dinheiro sai: do seu bolso, a cada tostão de imposto que você paga. 
Sabe-se, também, para onde vai: para o bem-estar dos 13 000 agentes das ONGs envolvidas no esquema. 
Sabe-se definitivamente, enfim, para onde essa montanha de dinheiro não vai: para os índios propriamente ditos. Seus índices de saúde são os piores de toda a população brasileira. 
Eles não recebem remédios. 
Não têm acesso regular a exames clínicos. 
As taxas de mortalidade infantil entre os índios são três vezes superiores à média nacional.
Muito bem: multiplique agora essa calamidade por 1 000, ou por 10 000, ou sabe-se lá por quantas partes mais, e dará para perceber a dimensão delirante a que chegou o “todo” na transferência de recursos públicos para interesses privados neste país nos últimos anos. 
É a grande lição do manual de instruções que os governos petistas deixaram como herança. 
Invente uma “política pública” qualquer. 
Diga que ela é “social”. 
Pronto: é só correr para o abraço. 
Roubaram até remédio de índio, e exigem que o seu líder seja prêmio Nobel da Paz. 
É onde estamos.

Veja

"Conversa fiada', por J.R. Guzzo


O QUE REALMENTE SUSTENTA O MOVIMENTO EM FAVOR DO CRIME É O INTERESSE MATERIAL DOS ADVOGADOS QUE O DEFENDEM




A cada dia que passa mais se firma a convicção de que o Brasil é um país realmente extraordinário nas  aberrações de sua vida pública; nada se verá de parecido no mundo atual, no passado e possivelmente no futuro. 
Há demonstrações diárias e concretas dessa degeneração psicótica das “instituições da sociedade civil”, cuja função, na teoria, é fornecer os parâmetros, a segurança e o equilíbrio para o país funcionar com um mínimo de chances. 
Faça o teste: daqui para frente, ao acordar de manhã a cada dia, verifique se você consegue chegar até a noite sem ser atropelado por algum absurdo de primeira classe produzido pelos que resolvem como será a sua existência, quais as suas obrigações e qual o custo a pagar para viver por aqui. 
Conseguiu? 
Impossível, a rigor, não é; mas a experiência mostra que é muito difícil. 
Acabamos de viver, justo agora, um dos grandes momentos deste processo permanente de depravação de valores, conduzido pelos peixes mais graúdos da “organização social” brasileira. 
O ministro da Justiça, Sergio Moro, apresentou, apenas 30 dias após chegar ao governo, um conjunto de medidas essenciais, urgentes e tecnicamente impecáveis para combater o crime e a corrupção que fazem do Brasil um dos países mais lamentáveis do planeta. 
E de onde vem, de imediato, a oposição mais enfurecida contra as medidas de Moro? 
Não dos criminosos ─ de quem, aliás, não se perguntou a opinião. 
A guerra contra a proposta vem da Ordem dos Advogados do Brasil, de juízes do Supremo Tribunal Federal, de integrantes do Ministério Público, dos filósofos que frequentam o mundo das comunicações e por aí afora. 
É uma espécie de ode ao suicídio.
O resumo da opera é o seguinte: todas essas forças, mais as diversas tribos de defensores do “direito de defesa”, acham que o grande problema do crime no Brasil é que existe punição demais para os criminosos, e não de menos. 
Há excesso de presos sofrendo dentro dos presídios, argumentam eles. 
A noção de que a impunidade incentiva diretamente o crime, segundo as mesmas cabeças, é uma construção da “direita branca”, da classe média e dos grandes interesses econômicos para impedir a organização dos pobres e sua ascensão social. 
Na visão do PT, expressa de imediato pelo professor Fernando Haddad, o ministro Moro está errado porque não propôs nada contra a verdadeira criminalidade no Brasil: ela está no “genocídio da população negra”, na “letalidade da polícia” e no “excesso de lotação nos presídios”. 
O pacote de Moro, segundo todos, é “apenas repressivo” ─ e crime, como se sabe hoje em dia, não pode mais ser combatido com repressão. 
O que o governo deveria fazer, então? 
Deveria estabelecer “canais de diálogo” com a sociedade, promover o “desarmamento da polícia”, para evitar a morte de “suspeitos da prática de crimes”, a soltura de presidiários que estão “desnecessariamente” nos presídios, a redução no “excesso de prisões” e mais o que se pode imaginar no gênero.
Muito pouco disso, na verdade, é fruto da inocência ou da compaixão pelo ser humano. 
O que realmente sustenta o movimento em favor do crime, sempre disfarçado como ação para promover os direitos legais dos criminosos, é o interesse material dos advogados que os defendem. 
Esqueça a massa de pobres diabos amontoados no presídio de Pedrinhas ou algum outro inferno parecido: esses aí, a OAB e os escritórios de advocacia milionários, querem mais é que se lixem. 
O que lhes interessa, mesmo, é manter, ampliar e criar leis e regras que permitam deixar eternamente em aberto os processos contra os clientes que lhes pagam honorários de verdade. 
São os corruptos, traficantes de drogas, contrabandistas de armas, empresários, sonegadores de imposto ─ as “criaturas do pântano”, de que fala o ministro Paulo Guedes. 
O resto é pura conversa fiada. 
O que importa, mesmo, é que a culpa do réu nunca seja “provada em definitivo”. 
Enquanto houver crimes e processos que não acabam, haverá cada vez mais fortunas em construção.

Exame

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

"Ditadura socialista", por Denis Lerrer Rosenfield


CHÁVEZ E MADURO COMETERAM TODO

TIPO DE ATROCIDADES PARA SE 

MANTEREM NO PODER



A profunda crise que assola a sociedade venezuelana deve ensinar uma lição ao continente. O que mais se vê é a demonização rasteira de Nicolás Maduro, como se fosse ele o maléfico criador desse sistema. Nos últimos 20 anos observou-se na imprensa brasileira uma perversa complacência com o desmantelamento do Estado de Direito na Venezuela, liderado por Hugo Chávez, em nome, bem entendido, do "socialismo do século 21".
O grande amigo do PT fez o que Lula e Dilma não tiveram êxito em realizar no Brasil: esgarçar o tecido social até o ponto de ruptura. Reclamam eles de uma obra incompleta, abortada pelo impeachment!
Neste momento dramático, é importante rememorar alguns pontos importantes para o debate em torno da situação lastimável em que a Venezuela se encontra, pois tal situação não se deu da noite para o dia. 
Chávez foi eleito presidente em 1998 com o discurso de tirar o país de um largo período de crises econômicas e institucionais. Diante do desgaste generalizado dos partidos políticos tradicionais, prometeu sanear o país da corrupção, trazendo prosperidade, progresso, direitos e benefícios sociais. As benesses sociais, como se sabe, foram distribuídas a torto e a direito com finalidade eleitoreira, sem nenhum controle fiscal.
Seu discurso, muito comum nas esquerdas latino-americanas, estava centrado na multiplicação de direitos – sociais, ambientais, indígenas – e ele acabou sendo saudado como o suprassumo do suposto "progressismo" no continente. Gozando de enorme prestígio quando de sua eleição, Chávez logo convocou um referendo para instituir uma Assembleia Nacional Constituinte. Com ampla aprovação popular, o referendo de abril de 1999 foi um sucesso retumbante, que viu a população manifestar-se pela elaboração de uma nova lei fundamental. Foi o início da destruição da democracia por meios democráticos. A esquerda latino-americana começava a delirar!
Com o referendo constitucional de 1999, a empreitada chavista consolidou-se com a Constituição da República Bolivariana, publicada em 15 de dezembro do mesmo ano, que continua vigente. Dentre as muitas inovações da nova Constituição, dois elementos restam suficientemente claros.
A carta fundamental colocou, em primeiro lugar, um amplo rol de direitos fundamentais, na tentativa aparente de resgate de valores morais, identitários e de união. Na verdade, levava a cabo o solapamento do Estado de Direito, com o poder político se liberando de qualquer limite. Foi o estabelecimento do Führerprinzip, o líder político que tudo pode, acima da própria Constituição. 
O perigo que poucos enxergaram à época estava na ausência de freios e contrapesos eficazes, pois parte considerável da separação de Poderes da antiga Constituição de 1961 foi eliminada. O mandato presidencial teve seu período ampliado de cinco para seis anos, agora com a possibilidade de reeleição imediata. Além de se abrir a possibilidade de o presidente ficar 12 anos no poder, o Congresso Nacional Venezuelano (antes dividido entre Câmara dos Deputados e Senado, como no Brasil) foi desmantelado e substituído pela unicameral Assembleia Nacional.
A ideia que permeava a nova Constituição do chavismo era a de ter um Legislativo gradualmente enquadrado pela retórica socialista, capaz de votar emendas constitucionais por maioria simples. Chávez encontrou a fórmula que precisava para sua ditadura plebiscitária, um sistema constitucional sempre manobrável, governando por meio de sucessivos referendos populares.
Chávez elegeu-se para debelar as graves crises econômicas dos anos 80 e 90. Mas esses problemas foram substituídos por outro tipo de crises políticas a partir do ano 2000, criadas por ele mesmo, em que a solução apontada era sempre a mesma: referendos populares. A suposta democracia direta, tão almejada pela esquerda brasileira, foi um dos remédios constitucionais de que o chavismo lançou mão. O Legislativo foi sendo progressivamente enfraquecido, tornando-se um apêndice de um Executivo todo-poderoso. O caminho da ditadura estava pavimentado.
Some-se a esse cenário o desmantelamento gradativo do Judiciário, aparelhado por partidários do regime, e o cerceamento da liberdade de imprensa. Tudo isso sob aplausos das esquerdas latino-americanas, pois Chávez realizou às claras tudo o que muitos líderes socialistas do continente almejavam.
Como não havia preocupação alguma em defender o liberalismo econômico e político e a democracia parlamentar, o sistema implementado teve como fim a destruição do arcabouço democrático. As promessas vazias de um futuro melhor e mais alvissareiro são parte integrante da ideologia do chavismo e eclipsaram, para os incautos, a natureza radical do regime.
Com a Emenda Constitucional de 2009, aprovada por referendo popular, permitiu-se a reeleição indefinida para cargos eletivos, além de se aumentar o poder discricionário do presidente. Como se tudo isso não fosse suficiente, muitas das eleições foram fraudadas sistematicamente pelo Executivo em conluio com o Judiciário bolivariano. Com o agravamento da situação econômica, causado pelo próprio regime, Maduro terminou por enveredar para o uso sistemático da violência, da repressão política e da tortura, tudo em nome, evidentemente, da luta pelo socialismo e contra o imperialismo!
A crônica desse verdadeiro desastre político tem como final uma nação estraçalhada. Governando por decretos e escudado por referendos populares cada vez mais fraudulentos, Chávez e, agora, Maduro cometeram todo tipo de atrocidades para se manterem no poder. Foram coerentes com o seu projeto socialista! A "revolução bolivariana", que hoje mais parece uma piada de mau gosto, consagrou um modelo de opressão que deixaria os ditadores mais sanguinários com inveja. Tudo sob os aplausos das esquerdas da América do Sul.
*PROFESSOR DE FILOSOFIA NA UFRGS

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

Ricardo Vélez Rodríguez e a Faxina ideológica


Em novembro passado, o professor Ricardo Vélez Rodríguez, de 75 anos, sentou-se diante de Jair Bolsonaro, na Granja do Torto, em Brasília, para uma sabatina. O presidente eleito estava em busca de um nome para comandar o Ministério da Educação, ainda hoje conhecido pela sigla MEC. “Vélez, você tem faca nos dentes para enfrentar o problema do marxismo no MEC?”, perguntou Bolsonaro logo de início. A conversa durou mais de duas horas. Dias depois, o professor, que nasceu na Colômbia e se naturalizou brasileiro em 1997, foi anunciado como o chefe de uma das pastas mais importantes do governo. Todos os dias, quando deixa o ministério, Vélez é involuntariamente lembrado de sua missão original. Na saída do prédio, há um vistoso totem com um mosaico de Paulo Freire, educador celebrado pela esquerda. O ministro não pretende remover o monumento ali instalado durante o governo Lula. “Não sou iconoclasta a esse ponto”, diz. Se tiver oportunidade, no entanto, ele cogita estender a homenagem a outros nomes — um deles, Olavo de Carvalho, o filósofo que o indicou ao cargo, conhecido pelas posições extremadas e pelo palavreado chulo. Na terça-feira 29, Vélez, que fala português com forte sotaque, recebeu VEJA em seu gabinete em Brasília para a seguinte entrevista.
O senhor ficou mesmo surpreso ao receber o convite para assumir o Ministério da Educação? Certo dia, um assessor do presidente me ligou e disse: “Olhe, o deputado Bolsonaro está interessado no seu nome. Caso fosse indicado, o senhor aceitaria ser ministro?”. Eu disse: “Aceitaria, mas queria conversar com o candidato antes de ser convidado”. Isso foi antes da eleição. Mais ou menos na mesma época participei de um almoço com alguns discípulos do Olavo de Carvalho. Eles diziam: “Ô ministro!”. Eu perguntei: “Mas que ministro?”. Eles respondiam: “Nós estamos pensando em sugerir o senhor”. O Olavo indicou o meu nome. Depois da eleição, o assessor me telefonou novamente e disse: “O presidente vai querer entrevistá-lo”. Então vim a Brasília para falar com ele. Eu nunca havia pensado em ser ministro.
Como foi a conversa? A primeira pergunta que me fez o presidente: “Vélez, você tem faca nos dentes para enfrentar o problema do marxismo no MEC?”. Eu disse: “Presidente, é o que faço há trinta anos”. Eu, como professor de universidade pública, fui marginalizado na concessão de bolsas de doutorado e pós-­doutorado. Nunca consegui uma bolsa por causa do aparelhamento do MEC pelos petistas.
Petistas? Eles já tomavam conta do ministério desde os anos 1990.
O senhor afirmou em uma entrevista que a universidade não é para todos. O que isso quer dizer? Em nenhum país a universidade chega a todos. Ela representa uma elite intelectual, para a qual nem todo mundo está preparado ou para a qual nem todo mundo tem disposição ou capacidade. Universidade não é elite econômica nem elite sociológica. Nos governos militares, deu-se muita ênfase às universidades. Criaram-se as grandes universidades, que receberam muita verba do governo, desenvolveram-se. E a preparação de professores para o ensino básico e fundamental ficou em segundo plano. Foi um erro.
Por quê? Os primeiros anos do ensino fundamental preparam para o ensino médio. O ensino médio prepara para o vestibular. O vestibular prepara para a universidade. E a universidade prepara para o desemprego. É o funil da insensatez. O que precisamos resgatar no Brasil é a valorização do ensino fundamental e dos cursos profissionalizantes. Além disso, se continuarmos nesse modelo, as universidades vão cair no buraco da inadimplência. Precisamos equacionar uma solução que salve a universidade e que não dependa de pôr mais dinheiro público.
“A ideologização nas escolas é um abuso, um atentado ao pátrio poder e uma invasão da militância em um aspecto que não lhe compete. Quem praticar isso ostensivamente vai responder à legislação que existe neste país”
Cobrar mensalidade dos alunos nas universidades é uma alternativa? É uma possibilidade. Gosto do regime vigente na Colômbia. Lá, paga-se de acordo com a renda. Se você é rico paga mais, se é pobre recebe bolsa. Há outras questões importantes. A relação entre professor e aluno nas faculdades públicas, por exemplo, é de um para sete, um para oito. Tem de ser um para vinte, daí para cima. E segundo: tem de haver Lei de Responsabilidade Fiscal para os reitores. Eles são habitantes deste belo país, também estão submetidos à lei. O CPF deles pode ser rastreado pelo juiz Sergio Moro, por que não? Querem mais dinheirinho? Paguem as contas.
O senhor é contra a eleição direta para reitor das universidades federais? Recebi representantes da Andifes (entidade que representa os reitores) no meu gabinete. Disse a eles: “Vamos ser honestos. O tempo é curto, estamos velhos, barrigudos, vamos tratar dos problemas reais da universidade”. Qual é o principal problema de um reitor de universidade federal? O sindicato, que é da CUT, o elege e ele fica refém. O tal Andes (sindicato dos professores de ensino superior) é um monstrengo que persegue o reitor durante todo o seu mandato. Por que não fazer um banco de currículos e ter um comitê que escolhesse os três melhores candidatos? Os nomes seriam apresentados ao ministro ou ao presidente. É um sistema mais correto que esse que envolve o sindicato ou a CUT.
O governo pretende acabar com o sistema de cotas nas universidades? As cotas são uma solução emergencial, e, como tudo no Brasil, o provisório vira definitivo. Essa é a lógica macunaímica brasileira. Isso não conduz a lugar nenhum. Temos de chegar ao momento de eliminar as cotas para dizer que elas não são mais necessárias porque elevamos o nível do ensino fundamental. De imediato, não vamos abolir as cotas, até porque me matariam quando eu saísse à rua. Mas as cotas têm de ser eliminadas com o tempo.
O senhor acha que esse dia está ali na esquina ou levará décadas? Quatro anos é pouco tempo. Mas tenho certeza de que, se fizermos o dever de casa, meu sucessor conseguirá iniciar esse processo.
O senhor pretende mudar a Base Nacional Comum Curricular, aprovada recentemente? Não. Ela já foi fruto de muitos debates, e sou favorável à ideia de ter um roteiro geral para orientar os professores. No entanto, pretendo mexer na interpretação. Se a base serve para que as escolas atinjam determinados objetivos genéricos, tudo bem. Mas isso pode ser adaptado para a realidade de cada escola e região.
O senhor planeja alterar algo da reforma do ensino médio, que reduziu a carga de conteúdo obrigatório e abriu brecha para o ensino técnico? Há muita coisa que precisa ser complementada. Mas, se formos mexer, mexeremos democraticamente. Vai para o Parlamento, será transitado em julgado, sem canetada.
“O brasileiro viajando é um canibal. Rouba coisas dos hotéis, rouba o assento salva-vidas do avião; ele acha que sai de casa e pode carregar tudo. Esse é o tipo de coisa que tem de ser revertido na escola”
O senhor apoia o projeto Escola sem Partido? Posso dizer uma maldade? Se o José Dirceu (ex-ministro do governo de Lula) achou o fim da picada, é porque o Escola sem Partido deve ser algo bom. Sou contra a ideologização precoce de crianças na escola. A escola não serve para fazer política. A ideologização nas escolas é um abuso, um atentado ao pátrio poder e uma invasão da militância em um aspecto que não lhe compete. Quem praticar isso ostensivamente vai responder à legislação que existe neste país.
A liberdade de cátedra inclui ensinar marxismo, fascismo e liberalismo, ou o senhor discorda? Liberdade não é fazer o que você deseja. Liberdade é agir, fazer escolhas dentro dos limites da lei e da moralidade. Fazer o que dá vontade não é ser livre. Isso é libertinagem. No Brasil, por força de ciclos autoritários, temos uma visão enviesada da liberdade. Liberdade não é o que pregava Cazuza, que dizia que liberdade é passar a mão no guarda. Não! Isso é desrespeito à autoridade, vai para o xilindró. Nossas crianças e adolescentes devem ser formados na educação para a cidadania, que ensina como agir de acordo com a lei e com a moral.
Isso não é perseguição ideológica? Já existe clima persecutório. E é das esquerdas contra os que pensam de modo diferente delas. Se pensa diferentemente do coletivo, você está lascado pelo resto da vida, assassinam a sua reputação. A minha já foi assassinada várias vezes. E isso é um abuso terrível contra o qual temos de nos reerguer com raiva. O PT foi mestre em assassinar reputações. Essa prática fascista, leninista, não pode mais ocorrer.
Mas como evitar que a perseguição de esquerda seja substituída pela perseguição de direita? Doutrinas ideológicas devem ser estudadas apenas no ensino superior. O dever do professor universitário é ensinar aos alunos todas as posições ideológicas e colocar entre parênteses o seu ponto de vista, para não induzir o aluno a adotar o ponto de vista do mestre. Se o mestre for muito bom, o estudante terminará fazendo as escolhas certas.
Por que o senhor acha que a disciplina educação moral e cívica deve voltar ao currículo? Os alunos devem sair do ensino básico e do fundamental sabendo que há uma lei interior em todos nós. Se nós a transgredimos, mesmo enganando até a própria mãe, sentimos uma coisa chamada remorso. A primeira parte dessa disciplina pode ser dada nas quatro primeiras séries do ensino fundamental. Os estudantes podem aprender, por exemplo, o que é ser brasileiro. Quais são os nossos heróis? O PT tentou matar todos eles. Carla Camurati (cineasta) colocou dom Joãozinho (refere-se a dom João VI) como um reles comedor de frango, sem nenhuma serventia. Ele era um grande estadista, um grande herói. Outro ponto: hoje, adolescente viaja. É necessário lembrar que existem contextos sociais diferentes e que as leis dos outros devem ser respeitadas. O brasileiro viajando é um canibal. Rouba coisas dos hotéis, rouba o assento salva-vidas do avião; ele acha que sai de casa e pode carregar tudo. Esse é o tipo de coisa que tem de ser revertido na escola.
Se o senhor fosse trocar o busto de Paulo Freire no MEC, quem colocaria no lugar? Do século XIX, Tobias Barreto. Do século XX, Antonio Paim. Do século XXI, Olavo de Carvalho. Ele soltaria um palavrão e me xingaria se soubesse. Aliás, reconheço que Olavo fez um grande trabalho de formação humanística. Muitos jovens saíram do marxismo e se tornaram pessoas de bem lendo Olavo de Carvalho. Então, a obra educadora dele é importante.
Olavo de Carvalho defendeu recentemente o fechamento de universidades públicas. Deve-se dar um descontaço aos xingamentos do mestre Olavo. O efeito prático do que ele diz é para que você mude de atitude. Esse chute é para estimular a pessoa a pensar e a mudar de atitude. Um recurso pedagógico que só um mestre da talha de Olavo de Carvalho pode se dar ao luxo de utilizar.

 Gabriel CastroMaria Clara Vieira, Veja

"Vai tu mesmo", por J.R. Guzzo


Houve um tempo em que pouquíssimas coisas eram tão difíceis no Brasil quanto ser um herói. Faça as contas: quantos heróis, mas heróis de verdade, você conseguiria pôr na sua lista? 
É duro de admitir, mas o fato é que nunca deu para encher nem o espaço de um guardanapo de papel, de tamanho pequeno, com os nomes de brasileiros que poderiam reivindicar para si, por força das ações concretas que praticaram em vida, a condição de “glória nacional”. 
O fato é que o sujeito precisava ser um Tiradentes, no mínimo, para que fosse considerado um herói com padrão de qualidade garantido. 
Sempre se podem discutir as medidas exatas do heroísmo de Tiradentes — Getúlio Vargas, por exemplo, chegou a cassar o feriado de 21 de abril —, mas nos 227 anos que se passaram desde a sua morte na forca de dona Maria I, a Louca, quem apareceu com o mesmo tamanho? 
Ninguém.
É verdade que existe uma lista com 52 heróis e heroínas oficiais do Brasil, cujos nomes estão escritos em páginas de aço no Panteão da Pátria, em Brasília; Tiradentes, aliás, é o primeiro. 
Mas muita gente não assinaria embaixo. 
O título de herói oficial é dado por decisão do Senado Federal e da Câmara dos Deputados — e só isso já chega para avacalhar qualquer conversa a respeito de heroísmo. 
Além do mais, fazem parte da lista figuras como Zumbi, Chico Mendes ou Marechal Deodoro, que traiu o seu imperador com um golpe de Estado — o que mostra bem o tipo de qualidade requerida para um cidadão receber o certificado de herói brasileiro. 
(Considerava-se, até há pouco, a inclusão de Ayrton Senna no Panteão da Pátria.) 
Fazer o quê? 
Também não é razoável esperar que o nosso panteão de heróis e heroínas tenha um nome só; como ficaria a imagem do Brasil no exterior, especialmente agora que os eleitores colocaram a direita no governo? 
Não dá. Ficamos, assim, naquela situação de “se não tem tu, vai tu mesmo”, como se diz. 
A verdade é que, depois de Tiradentes, conseguimos fazer uma guerra inteira contra o Paraguai, durante mais de cinco anos, sem que ao fim houvesse a produção de um único herói claro. 
Na Guerra da Independência contra Portugal, o comandante de maior destaque foi o almirante Grenfell — mas ele era inglês e, embora tenha perdido um braço em combate lutando pelo Brasil, foi um tipo que hoje se chamaria de “polêmico”. 
(Entre outros feitos, chegou a trancar 256 simpatizantes da causa portuguesa no porão de um navio em Belém do Pará; morreram todos. Mais tarde, foi absolvido numa corte marcial do Rio de Janeiro, por falta de provas.)
Para ser herói hoje basta a certidão de “pessoa de esquerda”
Antes, no passado remoto, houve O Anhanguera, Fernão Dias ou Raposo Tavares, o Marco Polo brasileiro. Mas, se você lembrar esses nomes, a CNBB, o papa Francisco e a Comissão de Direitos Humanos da ONU podem vir com acusações de genocídio contra os índios; é melhor não mexer com isso. 
Santos Dumont, mais recentemente? Oswaldo Cruz? Gente fina, mas sem apoio entre os “influencers”. 
Agora, enfim, tudo isso mudou. Hoje, dependendo da sua imagem nas classes intelectuais, liberais, progressistas etc., ser herói é uma das coisas mais fáceis: basta obter uma certidão de “pessoa de esquerda”. 
Assassinos patológicos como um Carlos Marighella, por exemplo, têm direito a estrelar, no papel de salvador do Brasil, filmes pagos com o dinheiro dos seus impostos. 
Um psicopata homicida como Carlos Lamarca chegou a ganhar uma estátua num parque florestal de São Paulo. 
A vereadora Marielle Franco jamais recebeu uma única citação por algo de útil que tenha feito em toda a sua vida política, mas, depois de ser assassinada “pelo fascismo”, é tratada como um dos maiores colossos da história nacional.
O herói dos comunicadores, neste momento, é o ex-deputado Jean Wyllys. A soma total das realizações de sua existência se resume a ter ganhado, anos atrás, o prêmio de um programa de televisão que compete com o que existe de pior na luta pela audiência das classes Y e Z. 
Outra foi cuspir, no conforto de quem está cercado por um bolo de gente, num colega na Câmara dos Deputados — justamente o que acabaria se tornando o atual presidente da República, vejam só. 
Agora, alegando subitamente ameaças à própria vida na internet, abandonou o mandato, os eleitores e suas promessas de “resistência” — e fugiu para a Espanha. 
Pronto: virou herói instantâneo. 
Agredido mesmo nessa disputa, até agora, foi Bolsonaro, vítima de uma tentativa de homicídio que quase lhe tirou a vida e acaba de exigir uma terceira cirurgia, com sete horas de duração. Mas o mártir é a figura que cuspiu. 
É o Brasil 2019.