quarta-feira, 31 de agosto de 2011

UFRPE: Uma obra de petistas.

Apenas cinco quilômetros separavam, ontem, duas cenas marcantes na vida dos pernambucanos. Numa sessão solene, na Universidade Estadual de Pernambuco (UPE), a presidente Dilma Rousseff, carregando a tiracolo o ministro da Educação, Fernando Haddad, dava uma aula inaugural no curso de Medicina ao lado de ilustres autoridades, como o governador Eduardo Campos (PSB).

Naquele mesmo momento, professores e alunos do câmpus de Garanhuns da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE),anunciavam que a instituição, inaugurada pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva como pioneira na interiorização do ensino superior no País, “está em coma profundo, na UTI, precisando de uma junta médica para salvá-la”.

A paisagem no câmpus era, de fato, desoladora. Esgoto a céu aberto, falta de professores e servidores, de salas de aula e laboratórios, de ônibus, de água, um hospital veterinário fantasma - e, para completar, uma aula inaugural de Agronomia dada no auditório, por falta de sala.

“É tão grande a dificuldade para entrar aqui, e ao chegar vemos que a dificuldade para sair aprendendo alguma coisa é ainda maior”, resumiu o calouro Hugo Amadeu. “Ela (Dilma) vai atender a um curso de elite e aqui falta laboratório”, emendou outro, Lucas Albuquerque. No curso de ciências agrárias “não se dispõe de um único hectare para trabalho experimental”, diz um professor.

Números. Professores, alunos e funcionários já encaminharam à Presidência um documento de 26 páginas relatando os problemas no câmpus. Um dos professores, Wallace Telino, chama a atenção para a evasão - de alunos e de mestres. O governo, diz ele, “está preocupado com números, mas se esquece da qualidade”. É que, embora a UFRPE já tenha dois campus problemáticos - além de Garanhuns, também o de Serra Talhada - a presidente Dilma anunciou um terceiro, em Cabo de Santo Agostinho.

A UFRPE tem nove construções suspensas e duas interrompidas, por problemas com as construtoras. Um mês atrás, o Estado noticiou que o de Serra Talhada foi definido pelos alunos como “museu de obras”. O diretor da unidade de Garanhuns, Marcelo Lins, reconhece os problemas mas afirma que “um enorme esforço” está sendo feito para resolvê-los.

Estadão.com

sábado, 27 de agosto de 2011

Dirceu ataca de novo.

Sabe Zé Dirceu, aquele ex-ministro todo-poderoso e que chefiava o mensalão no governo Lula? Pois a Veja descobriu que o ''chefe de quadrilha'' (segundo o MPF) tem reuniões exclusivas com ministros, senadores e deputados em um bunker num quarto de um hotel de Brasília. Dirceu mostra quem manda e Dilma que se cuide. Vejam o que está em Veja:

Desde que foi abatido pelo escândalo do mensalão, em 2005, tudo em que o ex-ministro José Dirceu se envolve é sempre enevoado por suspeitas. Oficialmente, ele ganha a vida como um bem sucedido consultor de empresas instalado em São Paulo. Na clandestinidade, porém, mantém um concorrido “gabinete” a 3 quilômetros do Palácio do Planalto, instalado numa suíte de hotel. Tem carro à disposição, motorista, secretário e, mais impressionante, mantém uma agenda sempre recheada de audiências com próceres da República – ministros, senadores e deputados, o presidente da maior estatal do país. José Dirceu não vai às autoridades. As autoridades é que vão a José Dirceu, numa demonstração de que o chefão – a quem continuam a chamar de “ministro” – ainda é poderoso.

Dirceu: chefão do PT

A edição de VEJA que chega às bancas neste sábado revela a verdade sobre uma das atividades do ex-ministro: mesmo com os direitos políticos cassados, sob ameaça de ir para a cadeia por corrupção, ele continua o todo-poderoso comandante do PT. E agora com um ingrediente ainda mais complicador: ele usa toda a sua influência para conspirar contra o governo Dilma – e a presidente sabe disso.

A conspiração chegou ao paroxismo durante a crise que resultou na queda de Antonio Palocci da Casa Civil, no início de junho. Na ocasião, Dirceu despachou diretamente de seu bunker instalado na área vip de um hotel cinco estrelas de Brasília, num andar onde o acesso é restrito a hóspedes e pessoas autorizadas. Foram 45 horas de reuniões que sacramentaram a derrocada de Palocci e nas quais foi articulada uma frustrada tentativa do grupo do ex-ministro de ocupar os espaços que se abririam com a demissão. Articulação minuciosamente monitorada pelo Palácio do Planalto, que já havia captado sinais de uma conspiração de Dirceu e de seu grupo para influir nos acontecimentos daquela semana. Imagens obtidas por VEJA e que estão na galeria que ilustra esta reportagem mostram que Dirceu recebeu, entre 6 e 8 de junho, visitantes ilustres como o ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, os senadores Walter Pinheiro, Delcídio Amaral e Lindbergh Farias, todos do PT, e Eduardo Braga, do PMDB, o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, e os deputados Devanir Ribeiro e Cândido Vaccarezza, do PT, e Eduardo Gomes, do PSDB. Esteve por lá também o ex-senador tucano Eduardo Siqueira Campos.

Apesar de tantas articulações, Dirceu não conseguiu abocanhar cargos para seus indicados no governo. A presidente Dilma já havia sido advertida por assessores do perigo de delegar poderes a companheiros que orbitam em torno de Dirceu. Dilma também conhece bem os caminhos da guerrilha política e não perde de vista os passos do chefão. “A Dilma e o PT, principalmente o PT afinado com o Dirceu, vivem uma relação de amor e ódio”, diz um interlocutor da confiança da presidente e do ex-ministro.

Dirceu anda muito insatisfeito com o fato de a legenda não ter conseguido, como previra, impor-se à presidente da República. Dilma está resistindo bem. Uma faxina menos visível é a que ela está fazendo nos bancos públicos. Aos poucos, vem substituindo camaradas ligados a Dirceu por gente de sua confiança. E o chefão não tem gostado nada disso. Procurado por VEJA, Dirceu não respondeu às perguntas que lhe foram feitas. A suíte reservada permanentemente ao “ministro” custa 500 reais a diária. Quem paga a conta é o escritório de advocacia Tessele & Madalena, que tem como um dos sócios outro ex-assessor de Dirceu, o advogado Hélio Madalena. Na última quinta-feira, depois de ser indagado sobre o caso, Madalena instou a segurança do hotel Naoum a procurar uma delegacia de polícia para acusar o repórter de VEJA de ter tentado invadir o apartamento que seu escritório aluga e, gentilmente, cede como “ocupação residencial” a José Dirceu.

O jornalista esteve mesmo no hotel, investigando, tentando descobrir que atração é essa que um homem acusado de chefiar uma quadrilha de vigaristas ainda exerce sobre tantas autoridades. Tentando descobrir por que o nome dele não consta na relação de hóspedes. Tentando descobrir por que uma empresa de advocacia paga a fatura de sua misteriosa “residência” em Brasília. Enfim, tentando mostrar a verdade sobre as atividades de um personagem que age sempre na sombra. E conseguiu. Mas a máfia não perdoa.

A Veja deixa corruptos de calças na mão toda a semana. Essa edição chegou hoje às bancas.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

ELEIÇÕES MUNICIPAIS


As articulações para as eleições estão acontecendo em todo o país. As eleiçõpes municipais são a base da democracia, pois quase todos participam, e discutem os problamas locais, como a segurança pública, os buracos do asfalto ou do calçamento, e de questões importantíssimas,  como a educação fundamental e a saúde pública. Nos municipios mais pobres campeia a compra de votos e o clientelismo, agora abençoado como importante política pública nestes tempos do lulismo , seja oficial, ou não.

ELEIÇÕES EM GARANHUNS

Estão aparecendo muitos candidatos. Os mais fortes são Aurora pela oposição, e Izaías pelo partido governista. E são os melhores candidatos, embora o governador e o prefeito da cidade mantenham uma aura de mistério sobre as suas preferências que vão redundar em seu apoio. Falam na candidartura de Pedro Falcão, ou mesmo do filho de Romário Dias, aliás, como é msmo seu nome? Ou mesmo Fernando Ferro um leninista nem tão pouco enrustido, resquícios do petismo ideológico, um dos remanescentes ideológicos do partido, raça em extinção, graças a deus. Tem também Sivaldo Albino,  Zé da Luz, este o maior corrupto do agreste, tal o desastre da administração da pobre Caetés, antigo distrito de Garanhuns, que até hoje sustenta suas caras e corruptas campanhas. Na última, pegaram um dos seus cabos eleitorais tentando comprar votos, como ele faz rotineiramente no seu feudo de origem. Faz sucesso no lumpesinato da cidade, àqueles pobres coitados da periferia sem eira nem beira. Sua eleição seria o maior desastre político da história de Garanhuns. Mas, creio que vai dar Aurora ou Izaías. Menos mal para a cidade.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

CORRUPÇÃO

Sempre defendi que a democracia é por natureza instável, como ademais todos os fatos e atos que envolvem a esfera humana. A própria vida é naturalmente instável, e se esvai, sem hora nem lugar desde que os primeiros protozoários que começaram a habitar a terra. Naturalmente, a vida também é eternamente renovada, e não podia ser diferente na política. Para o bem da democracia, precisamos reformá-la para assegurarmos sua permanência. Há tempos o Brasil precisa de reformas direcionadas ao aperfeiçoamento democrático. Reformar o estado, dar mais poder aos cidadãos, que são os que pagam a conta. Não só de políticas públicas equivocadas, mas também da corrupção. É preciso uma verdadeira cruzada nacional contra a corrupção. Todos devemos vestir a camisa e sair às ruas, repartições públicas ou nos mais variados locais de trabalho, usando símbolos de campanha contra a roubalheira e a pilantragem. Nem dá mais para aturar, nem é hora de ficar parado. O governo Dilma está dando o mote contra a corrupção. Todos os demitidos foram escolhido por Lula, que depois do mensalão escancarou as portas do país para a corrupção. Muitos chegariam a dizer, se até Lula, o antigo arauto da ética na política está roubando, ou pelo menos deixando roubar, vamos todos meter a mão.  Vamos ver se ela continua, radicalizando o processo, o que seria muito bom, ou por pressões da chamada base aliada montada por Lula, vá recuar. Depois de iniciado um processo, ele pode ficar incontrolável por quem o iniciou. Isto é o mais comum na política. A imprevibilidade. Como também na vida privada. Alguém duvida que a política está dissociada da vida?

O CALCANHAR DE EDUARDO

Danilo Cabral foi secretário de educação no governo Eduardo Campos, e é tido por muitos como o seu provável candidato à  sucessão. Na secretaria de educação, contratou a peso de ouro a instituição MODUS FACIENDI, que vem tentando implantar na rede o que eles chamam de "educação do amor". Segundo esta concepção, basta se aproximar pessoalmente do aluno, com muita atenção e amor, e induzi-lo, digamos assim, a serem mais esforçados nos estudos, levando-os ao sucesso. Com a ampliação das escolas intgrais e semi-integrais, o governo pasou a pagar um extrazinho para os pobres professores aderirem, com a condição de não fazerem greve e de se submeterem a práticas pedagógicas mais do que equivocadas, serem servis e submissos com os mandantes de plantão. Resultado:  TEMOS O PIOR SALÁRIO DO PAÍS. Querem que o professor seja psicólogo, assistente social, e tudo o mais, burocrarizando ainda mais o nosso trabalho, já por demais burocratizado. Os alunos que recebemos em sua grande maioria chegam ao segundo grau semi-analfabetos. Todos que estamos dentro da escola sabemos disso. E os maus resultados ainda são atribuídos quase que exclusivamente aos professores. Com todos os problemas. são os professores que ainda carregam o barco da educação, e são os últimos a serem ouvidos. Somos funcionários de estado sendo administrados por estranhos a cada governo que passa. Estes , ou se projetam politicamente, ou enchem os bolsos com o dinheiro da corrupção. Que, como o trádico de drogas, as que descobrem só são apenas a ponta do iceberg. Algém duvida? Se não melhorar o salário dos professores, a candidatura Danilo poderá estar fadada ao fracasso. Bem feito! Que vão para o inferno das cuias estes tecnocratas de merda. Disso já estamos cheios. Nem pense Eduardo que pode formar uma oligarquiazinha no estado. Se até aqui, Pernambuco não formou oligarquias, não é agora que vai ser diferente com o coronelzinho do asfalto Eduardo Campos. Deus nos livre destas coisas.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

ARQUIVO DE ARTIGOS ETC: EUA e a crise ANTONIO DELFIM NETTO

ARQUIVO DE ARTIGOS ETC: EUA e a crise ANTONIO DELFIM NETTO: "FOLHA DE SP - 17/08/11
Acabam de ser publicadas as estimativas corrigidas do crescimento real do PIB dos EUA (medido a preços constantes d..."

http://robertoalmeidacsc.blogspot.com/2011/08/pernambuco-paga-pior-salario-do-pais.html

O jornalista Magno Martins revela hoje uma triste realidade Pernambuco, na área da Educação.Segundo ele  (baseado em dados de uma pesquisa divulgada pela TV Globo), o Estado atualmente paga o pior salário do país aos professores. O profissional de Imprensa informa ainda que os profissionais de ensino não gostam nem um pouco do secretário Danilo Cabral. Abaixo o "petardo" de Magno, que estará no dia 28 participando do II Encontro dos Blogueiros de Bom Conselho.

"Nem tudo é um mar de rosas em Pernambuco, como tenta vender a propaganda do Governo e o próprio governador. Que o digam os professores que, de caras pintadas e nariz de palhaço, foram às ruas do Recife, ontem, protestar contra os baixos salários praticados no Estado. Levantamento nacional aponta Pernambuco como a unidade da Federação que paga o pior salário de professor do Brasil.

Em faixas, exibidas com destaque na manifestação que culminou no prédio da Assembleia Legislativa, estava lá a indignação dos mestres. Uma delas dizia: “Eduardo Campos paga o pior salário do Brasil. Queremos salário digno e não bônus”. Não são os professores que chegaram a criar essa estatística.

Trata-se de uma pesquisa veiculada com destaque no Jornal Nacional, da Rede Globo. O déficit se acumula de gestões passadas, é verdade, mas cresceu na gestão socialista, com a escolha de Danilo Cabral para a Secretaria de Educação. Os professores falam horrores da administração de Danilo e dizem que ele tentou tapar o sol com a peneira ao implantar a política de bônus ao invés de seguir os demais Estados, que adotaram o piso nacional.

Além de tratar mal a categoria, o secretário não cumpriu com a promessa de contratar concursados que estão há muito tempo na fila, precisamente desde o último concurso de 2009. Na contramão da história, o Governo preferiu a política de sobrecarregar a folha com professores contratados sem concurso, temporários, pela chamada janela do improviso e da ilegalidade. Isso não é exemplo de gestão plena em lugar nenhum do mundo".

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Os erros argentinos MÍRIAM LEITÃO








O que acontece na Argentina é impensável no Brasil. Um governante que elevasse a inflação a 27% e ainda manipulasse o índice, certamente, não se reelegeria. A presidente Cristina Kirchner está sendo favorecida pelo crescimento econômico, pela viuvez - a imagem do marido morto é usada como parte da propaganda - e pela fragmentação da oposição.



Oficialmente, a inflação ficou em 10,9% em 2010, mas todos sabem que é um número fabricado no Instituto Nacional de Estadística y Censos (Indec), que tem estado sob intervenção da Casa Rosada há cinco anos.



Lá, não há tradição de institutos privados com boa reputação, como temos aqui a FGV e a Fipe. Os bancos e consultorias fazem cálculos que estão em torno de 25%. A previsão do Itaú é de que este ano a inflação será de 27%, caminhando para 30% e 35% nos próximos dois anos. Isso, apesar da queda do dinamismo econômico. O país deve crescer 6% este ano, menos do que os 9% do ano passado, mas reduzirá o ritmo para 3,5% e 3% nos próximos dois anos.



Por enquanto, o crescimento forte está retirando um pouco do desconforto econômico que a inflação produz. As categorias mais fortes estão conseguindo reajustes salariais de 30%. O poder de consumo tem se mantido, mas os desequilíbrios estão aumentando. Os argentinos estão mostrando que são mais lenientes com a inflação. Brasileiros e argentinos sofreram diante do mesmo inimigo, mas os brasileiros aprenderam. Aqui, seria inimaginável uma intervenção no IBGE para manipular o índice; e governo, empresas e famílias estão preocupados com a taxa de inflação, que está em 6,7%.



O Kirchnerismo estava com baixa popularidade quando o ex-presidente Nestor Kirchner morreu. As dificuldades de relacionamento com a Confederación General del Trabajo (CGT), de Hugo Moyano, eram cada vez maiores. A partir da viuvez, no entanto, Cristina recuperou fortemente sua popularidade. Manteve luto fechado, cercou-se dos dois filhos que lideram o movimento da juventude peronista e manteve sob controle os conflitos com o velho sindicalismo peronista, usando, entre outras coisas, o controle que o governo tem sobre o Judiciário. Moyano é acusado em alguns processos.



As primárias deste fim de semana foram uma eleição de fato. A amostra reproduz o eleitorado. Em outubro, haverá uma confirmação do resultado, porque ficou claro que há enorme distância entre a presidente e a oposição. Na comemoração, Cristina disse que a vitória era "dele", e os eleitores responderam que "ele"estava ali.



Em 1973, Héctor Cámpora foi eleito presidente com o lema Cámpora al gobierno, Perón al poder. O voto em Cámpora representava um voto "nele". No caso, ele era o próprio Juan Domingo Perón, que, muito vivo, quis exercer diretamente o poder. O governo Cámpora, que mobilizou a juventude daquela época, a geração de Cristina, durou 60 dias. Cumpriu seu papel de ser apenas uma ponte para a volta de Perón. O fim de tudo foi trágico, como se sabe. Por mais que os argentinos explorem na política a mística dos mortos, os vivos é que governam. Perón criou uma corrente política, um partido, mas o kirchnerismo é apenas uma facção desse partido.



A partir da morte de Kirchner, o que começou, de fato, foi o governo Cristina Fernandez. Ela usa de forma indisfarçável a imagem do marido na política. Quando vivo, era fonte de atritos; morto, tem sido santificado. A presidente aprofundou algumas escolhas perigosas que haviam sido feitas pelo casal: aumento de gastos para manter o país crescendo em qualquer conjuntura, uso das reservas para pagamento de dívidas, estatização dos fundos de pensão, e também protecionismo para agradar à indústria.



Esse crescimento turbinado e inflacionado tem fôlego curto e os primeiros anos do próximo governo serão difíceis, como disse ontem aqui neste jornal o jornalista argentino Joaquim Morales Solá.



Uma das decisões mais perigosas foi a de usar os recursos dos fundos de pensão, tanto de empresas públicas, quanto de empresas privadas, como se fossem recursos do governo. É uma bomba de efeito retardado. A Argentina tem feito escolhas insensatas do ponto de vista econômico.



A oposição se fragmentou, facilitando a vida de Cristina. Como o processo eleitoral é do voto em lista, abrir mão agora de concorrer para apoiar outro candidato seria abrir mão das candidaturas para o Parlamento também.



Cristina Kirchner se preparou para ter maior poder, ao usar as listas em cada província. Os governadores foram chamados ao palácio de governo e lá receberam os nomes dos candidatos na ordem que ela queria. Os primeiros lugares na lista do vencedor são garantia de mandato, nesse sistema que fortalece os caciques partidários.



Cristina usou esse poder para pôr nas cabeças das listas provinciais jovens militantes do movimento "La Campora", comandado por seus filhos Máximo e Florencia. Isso dará a ela mais controle do Congresso, mas mais distanciamento das lideranças tradicionais do partido.



Outro fator que impulsiona o bom momento econômico, o Brasil conhece bem: é o boom das commodities.



A Argentina é a terceira maior exportadora de soja, grande exportadora de milho, trigo e carnes. A seca provocou uma quebra de 10% na safra de soja, mas isso foi compensado pela alta dos preços.



Enquanto o país cresce, o governo vai elidindo seus problemas fiscais ou com a inflação ou com decisões como a estatização dos fundos de pensão. Os ricos repetem o que fizeram em outros surtos inflacionários: poupam em dólar em contas no Uruguai ou nas Bahamas.


segunda-feira, 15 de agosto de 2011

'Volta, Lula’, de Ricardo Noblat


Ricardo Noblat
Um dos donatários do Poder, ocupante de amplo e luxuoso imóvel numa das áreas mais nobres de Brasília, registra com letra miúda em um caderno de capa preta dura os relatos que lhe chegam regularmente sobre memoráveis reprimendas aplicadas por Dilma Rousseff em seus auxiliares desde que tomou posse há oito meses como presidente da República.
Não. Não peçam que eu revele o nome do (a) aplicado (a) cronista da Corte. Ele (a) cumpre sua missão com gosto, paciência e de olho na posteridade. Adianto apenas que é partidário (a) de Dilma. E que a ajuda vez por outra. Jamais foi alvo de uma descompostura presidencial. Não teria cabimento. E pronto. Mais não digo.
O “Caderno das Reprimendas de Dilma Rousseff”, inaugurado em fevereiro último, reúne 16 histórias até agora. Acompanha cada uma delas uma espécie de ficha técnica com data, hora, local e personagens. Três histórias seguem contadas aqui de forma resumida, suprimidos ou trocados alguns dos seus termos menos elegantes.
Dilma despacha com Maria do Rosário, ministra da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República. Em discussão, a Comissão da Verdade a ser criada pelo Congresso para esclarecer casos de violação de direitos humanos durante a ditadura militar (1964-1985). Diante de algo que a ministra diz, Dilma perde a paciência: “Cale sua boca. Você não entende disso. Só fala besteira”.
Dilma despacha com Ideli Salvatti no dia seguinte à sua nomeação para o ministério das Relações Institucionais. Leitora atenta de jornais, ela sabia o que Ideli dissera na véspera aos jornalistas. E não gostara. Queixou-se: “Na primeira coletiva que você dá vai logo dizendo bobagem… Imagine nas próximas”.
Dilma despacha com Antonio Patriota, ministro das Relações Exteriores. Quer saber em que pé andam as discussões na ONU sobre países fornecedores de insumos nucleares. Lá pelas tantas, irritada, interrompe Patriota e o adverte: “Ou você e sua turma dão um jeito nisso ou então demito toda aquela itamarateca”.
Sarney foi um presidente de fino trato. Assim como FH. Collor era formal. Contrariado, ficava pálido. Mas não estourava com seus auxiliares. Lula estourava, sim. Não o constrangia destratar Gilberto Carvalho, seu assessor mais próximo, em meio a uma reunião ministerial. Depois pedia desculpas.
Por ora, não há registro de pedido de desculpas feito por Dilma. Nem mesmo ao ministro Cezar Peluso, presidente do Supremo Tribunal Federal. Outro dia, Peluso telefonou duas vezes para Dilma. Que não lhe deu retorno. Devia estar muito ocupada, suponho. Ou sua assessoria falhou.
O estilo Dilma tensiona o governo e assusta os políticos em geral. A maioria deles está convencida de que ela enveredou por um caminho perigoso. Qual? O de posar de guardiã do interesse público em oposição a uma classe política que só pretende dilapidá-lo. O governo é bom. O Congresso está repleto de vilões.
De mãos postas, o ex-ministro José Dirceu nega a autoria de uma previsão que circulou em Brasília na semana passada: “Se Dilma continuar assim, correrá o risco de não concluir o mandato”. Mas a frase que ele não disse está na boca de políticos de partidos que apoiam o governo. Eles só não têm coragem de repeti-la em voz alta.
Estão acuados por uma presidente que não disfarça seu desprezo por eles, que os mantém à distância, que resiste a atender aos seus pedidos por cargos e dinheiro para pequenas obras, e que, por último, parece gostar de se exibir fantasiada de “faxineira ética”. É verdade que a faxina estancou às portas dos redutos do PMDB. Mas…
Os partidos que apoiam o governo não querem briga com Dilma. Querem o que tiveram em todos os governos: fatias do poder, respeito e afagos. Dispensam beijo na boca. Se não forem capazes de se entender com Dilma mesmo assim não a abandonarão. Não têm para onde ir. De resto, 2014 é logo ali. E Lula… Ah, Lula, suspiram os partidos da base aliada! Que falta você faz!

domingo, 14 de agosto de 2011

Por que Wagner Rossi tem de ser demitido. Ou: Um ministério no lixo


A casa de Wagner Rossi, em Ribeirão Preto: propriedade avaliada em 9 milhões de reais
A casa de Wagner Rossi, em Ribeirão Preto: propriedade avaliada em 9 milhões de reais
Na VEJA.com:
O ministro Wagner Rossi, da Agricultura, gastou a semana passada tentando convencer a presidente Dilma Rousseff e o Brasil inteiro de que não tinha ligações com as interferências do lobista Júlio Fróes nos negócios da pasta que comanda, como havia sido revelado por VEJA. Apesar da demissão de Milton Ortolan, segundo na hierarquia e seu braço direito há 25 anos, e das provas de que Fróes tinha sala dentro da Comissão de Licitações da Agricultura, Rossi posava de marido traído. Chamado ao Congresso para dar explicações, disse que Ortolan era ingênuo, e que ele, como ministro, não podia controlar a portaria do ministério para impedir a entrada de Fróes. Sobreviveu uma semana, mas vai precisar de muito mais do que frases de efeito se quiser continuar na cadeira de ministro.
A edição de VEJA que chega às bancas neste sábado mostra que Wagner Rossi, paulistano de 68 anos, é um colecionador de problemas, um daqueles políticos que costumam deixar um rastro de histórias esquisitas por onde passam.
A primeira história relatada por VEJA remonta ao tempo em que Rossi presidia a Companhia Nacional de Abastecimento, a Conab, vinculada ao ministério da Agricultura. No final de 2007, a estatal doou 100 toneladas de feijão para a prefeitura de João Pessoa, então comandada por Ricardo Coutinho, do PSB, hoje governador da Paraíba. O feijão deveria ser distribuído entre famílias de baixa renda, mas como havia uma eleição municipal em 2008, o prefeito decidiu guardar parte do estoque. Funcionário da Conab há 25 anos, Walter Bastos de Moura descobriu a irregularidade e a denunciou diretamente a Wagner Rossi, em abril de 2008. Rossi prometeu tomar providências.
Como nada aconteceu, Walter Bastos passou a vigiar a mercadoria estocada. Em setembro, a poucos dias eleição, ele recebeu a informação de que o feijão seria enfim distribuído e acionou a Polícia Federal e a Justiça Eleitoral. Para evitar o flagrante, diz ele, a prefeitura decidiu sumir com as provas e despejou 8 toneladas de feijão no aterro sanitário de João Pessoa. A cena do lixão inundado por grãos foi registrada em vídeo (clique aqui para assistir)
A história chegou a ser explorada como denúncia contra o prefeito, mas era muito mais grave: tratava-se de um flagrante do uso político da Conab para favorecer aliados do governo federal. Num acesso de sinceridade, o ex-presidente da empresa Alexandre Magno Franco de Aguiar, que sucedeu Rossi na empresa e hoje é seu assessor especial no ministério, confessou a VEJA que o próprio Rossi usou o expediente de distribuir alimentos para conseguir votos, inclusive para favorecer eleitoralmente o filho, Baleia Rossi, deputado estadual e presidente do diretório do PMDB de São Paulo.
Já no cargo de ministro da Agricultura, para o qual foi nomeado em março de 2010 por Lula, Rossi não tardou a implantar seu método de lidar com a coisa pública. Em 8 de dezembro do ano passado, a Comissão de Licitação do Ministério da Agricultura estava reunida para abrir as propostas técnicas de quatro empresas que disputavam um contrato para prestar serviços de comunicação à pasta. Um dos representantes de empresas ali presente fez uma denúncia grave. Disse, em alto e bom som, que aquilo era um jogo de cartas marcadas e que já estava acertado um “pagamento de 2 milhões de reais ao oitavo andar”. No oitavo andar, fica o gabinete do ministro.
O presidente da Comissão de Licitação, Israel Leonardo Batista, disse que registraria a acusação em ata e a encaminharia à Polícia Federal. Não demorou para que fosse chamado à sala da então coordenadora de logística do ministério, Karla Carvalho, onde recebeu a ordem de não tomar nenhuma atitude. Karla já era, na época, figura de confiança de Rossi. De lá para cá, só subiu na hierarquia da pasta. Até a semana passada, era a poderosa secretária-executiva do ministério. Trabalhava diretamente com Milton Ortolan, demitido horas após a última edição de VEJA chegar às bancas com as revelações sobre Júlio Fróes.
Não bastassem as suspeitas que rondam seu gabinete na Agricultura, o ministro ainda deve esclarecimentos sobre sua atuação na Companhia Docas de São Paulo (Codesp), cargo ao qual chegou também pelas mãos do amigo Michel Temer. Quando presidia a Codesp, uma estatal, Rossi descobriu que empresas contratadas pelo Porto de Santos deviam 126 milhões de reais à Previdência. Em vez de exigir que acertassem as contas, decidiu pagar ele mesmo a fatura - com dinheiro público da Codesp, é claro. A lista de beneficiários do dinheiro público inclui 99 empresas privadas que jamais quitaram os débitos assumidos pela estatal. Em 2005, seis anos depois do acordo, apenas 20.000 reais haviam sido ressarcidos à empresa.
Amigo há 50 anos e leal servidor do vice-presidente Michel Temer, Wagner Rossi entrou para a política em 1982, quando concorreu pela primeira-vez a deputado federal. Até então, levava uma vida modesta de professor universitário. Morava em uma casa de classe média em Ribeirão Preto, tinha uma Kombi, uma Belina e um Fusca Laranja, com o qual fez a campanha. “Ele não tinha dinheiro nem para bancar os santinhos”, lembra João Gilberto Sampaio, ex-prefeito de Ribeirão Preto. Depois de dois mandatos como deputado estadual, dois como deputado federal, a presidência da Codesp, da Conab e dois anos como ministro (funções cujo salário máximo é de 26 mil reais), sua ascensão patrimonial impressiona.
O homem do fusca laranja e sua família são, hoje, proprietários de empresas, emissoras de rádios, casas e fazendas. Wagner Rossi mora numa das casas mais espetaculares de Ribeirão Preto, no alto de uma colina, cercada por um bosque luxuriante, numa área de 400 mil metros quadrados. Adquirida em 1996, quando ele era deputado, a mansão é avaliada hoje em 9 milhões de reais. Tudo, nas palavras do ministro, conquistado com o esforço de 50 anos de trabalho e uma herança recebida.

CAETÉS NO FUNDO DO POÇO

Estive andando pela zona rural do município, e fiquei horrodizado com o estado de abandono de suas estradas. Todas além de esburacadas, mostrando que há anos não se faz nenhum tipo de serviço. As autoridades , como sempre ausentes, pensando nas noitadas em Recife, ou mesmo em festas em São Paulo, ninguém sabe com qual dinheiro. A corrupção da cidade é corriqueira, e tem muitos funcionários, que ganham menos de mil reais por mês, acumulando fortunas. Todos demonstrando acintosamente os produtos da corrupção com a aquisição, além de imóveis, carros novos. Aliás, são os novos ricos da cidade. Todos muito "finos"  "educados". Membros da "seleta" cleptocracia local. Se estes ladrões menores roubam muito, e os maiores? Alçém de sem estradas, não tem mais médicos, os professores, escolhidos por critérios políticos, desqualificados em sua grande maioria, e o funcinalismo de cabeça baixa, pois há mais de uma década não tem concurso público no município. Querem mais? Como a previdência está literalmente quebrada, os funcionários mais antigos estão impedidos de se aposentar.

Novos desafios



Passados os momentos de euforia por havermos ingressado no clube dos que tomam decisões no mundo (e não nos esqueçamos de que o G-20 começou como encontro entre ministros da Fazenda quando Pedro Malan ainda exercia a função), começam as dores de cabeça e as indefinições criadas pela nova situação. Se a estas juntarmos as advindas da política doméstica, não são poucos os enigmas e incertezas que temos pela frente.
O mundo está se reordenando. A liderança norte-americana, com Barack Obama, evita a arrogância e começa a aceitar novas parcerias. Ainda agora, ao proclamar que a melhora de posição dos Brics e dos demais países emergentes não põe a perigo a predominância anglo-saxã, não disse isso como ameaça, mas como conselho aos seus: não temam o que está surgindo porque surgirá de qualquer modo e é melhor ter aliados do que inventar inimigos. Diante dos novos atores políticos no Norte da África e no Oriente Médio, a atitude americana está sendo marcada por um encorajamento democrático discreto como há tempos não víamos. É cedo para saber até onde irá esse bafejo de idealismo pragmático e também para ver até que ponto evoluirá a situação dos países recém-ansiosos por liberalização.
De qualquer modo, a situação internacional é distinta daquela aterradora da era Bush. O que não quer dizer que o futuro será melhor. Depende de muita coisa. De os Estados Unidos superarem a crise financeira, pois o desemprego continua enorme e o gasto público, descontrolado. De a Europa mostrar ser capaz de suportar as agruras de uma austeridade “germânica” sem romper a coesão social produzida pelo modelo democrático e próspero sonhado pela União Europeia. De a China continuar a crescer e dar pitadas de bem-estar ao povo. Mesmo que tudo isso se realize da melhor maneira, sobram dúvidas.
Que farão EUA e China, gigantes em comparação com as demais economias e Estados em expansão, jogarão como um duo gestor do mundo? Haverá um G-2 com suas economias complementares impondo seus interesses ao conjunto do planeta? Ou, então, EUA e Europa imporão seu predomínio, como tentam fazer agora na sucessão do FMI? E nós nisso tudo?
As incertezas pesam e tornam necessárias estratégias de convergência doméstica e lucidez para organizar alianças internacionais. Dado o caráter dos interesses globais, que ora unem, ora repelem alianças entre os Três Grandes, o necessário é que participemos da grande cena mundial sem ilusões ideológicas e com muita coesão interna. Para tanto precisamos de uma estratégia consensual e de determinação política. Estratégia consensual não é um “projeto nacional”, expressão que, em geral, significa o Estado conduzindo o povo para objetivos definidos por um partido ou um grupo de ideólogos. Não é disso que precisamos, mas de um consenso enraizado na sociedade sobre questões decisivas, sem supor adesão a governos nem oposições aquietadas.
Com a globalização os condicionantes geográficos não nos limitam, como no passado. Não há por que nos cingirmos ao “Ocidente”, ao Hemisfério ou mesmo à América do Sul. Mas temos outros condicionantes. A demografia impõe-nos desafios, com o crescimento da população adulta e idosa. Há que criar empregos de qualidade para sustentar tal tipo de população. É certo também que aprendemos a amar a liberdade e a desejar uma sociedade com crescente participação de todos no bem-estar e nas decisões. Por fim, os imperativos de preservação do meio ambiente e da criação de uma economia baseada em energias de baixo consumo de carbono são onipresentes.
Não adianta sonhar com o “estilo chinês” de crescimento, pois o afã de liberdade e consumo impede tal proeza. Nem imaginar que a expansão econômica baseada na exportação de minérios e produtos alimentícios gerará, por si só, a quantidade e a qualidade de valor agregado necessário para distribuir melhor o bolo, que é o que queremos. Tampouco faz sentido limitarmos nossas alianças a este ou àquele parceiro: elas deverão ser com quem nos ofereça vantagens de conhecimento (tecnológico, científico, organizacional) que permitam nos apropriarmos do que de melhor há no mundo. É imperativo inovar, não abrir mão da indústria e oferecer serviços em quantidade e qualidade em saúde, educação, transportes, finanças, etc. Aproveitar, mas ir além do que as commodities nos permitem alcançar. Nosso caminho será o da democracia. Ela não é um obstáculo. É parte inseparável do desenvolvimento, como valor e como “método”. Por isso é preciso aumentar a transparência das decisões e debater com o País os passos decisivos para o futuro.
É ai que pecamos. Desde o governo Lula, a modo do autoritarismo militar, as decisões fundamentais são tomadas sem debate pelo Congresso e pelo País (mudança da Lei do Petróleo, decisões na política energética, especialmente na nuclear, reaparelhamento militar, não decisões sobre a infraestrutura por medo das privatizações, ou pior, decisões com abuso de subsídios, como no caso do trem).
Quando o governo da presidente Dilma parecia dar passos certos para ajustar a política internacional e começava a permitir que o debate sobre as grandes questões nacionais se deslocasse do plano miúdo das divergências eleitorais, vem de novo “seu mestre” (que prometera ficar calado como ex-presidente) e joga em solo corriqueiro as questões políticas. Em vez de se preocupar com a veracidade do que transpareceu, acusa irresponsavelmente o PSDB pelo vazamento de informações relativas à evolução patrimonial do principal ministro do governo. E passa a operar a disputa por cargos e troca de votos no Congresso, ofuscando sua sucessora. Em vez de um passo à frente, mais um passo atrás no amadurecimento da sociedade e da política, que volta a se apequenar no jogo rasteiro de chantagens e pressões. No lugar de o líder sustentar valores, temos o retorno da metamorfose ambulante operando com o costumeiro desdém aos princípios.
Assim será difícil uma nação com tantas virtudes alcançar a maturidade que as condições materiais começam a tornar possível. É preciso ter lideranças à altura se quisermos jogar na grande cena mundial. Presidente Dilma: não desperdice sua chance!

“O Estado de S. Paulo” – 05/06/2011

sábado, 13 de agosto de 2011

Hadriel Ferreira: Por Que Admiram Lampião?

Hadriel Ferreira: Por Que Admiram Lampião?: "Imaginem a seguinte cena: um homem armado e chefiando um bando invade uma casa sertaneja e busca por comida. A dona da casa, paupérrima e vi..."

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

CRISE NO GOVERNO



Como não sabe para que veio, não tem rumo nem prumo, Dilma vem levando seu governo ainda ancorada no que restou de ortodoxia aplicável à economia nestas circunstâncias de crise internacional. Que como em todas as crises, ninguém sabe como e quando vai terminar.  No momento tudo indica que será lenta, podendo durar anos. E a crise é de governabilidade. Como cortar privilégios de imensas camadas de populações que nem querem ouvir falar de perder direitos. É a conta salgada do chamado Welfare State, com suas amplas políticas sociais levadas a cabo sobretudo pela social-democracia européia, visando, dentre outros objetivos, conter o avanço, na época bastante plausível do socialismo de tipo soviético. Hoje os países estão quebrados. Se não houver aperto, as coisas pioram. A faxina deve ser feita pelos conservadores. A gastança os socialistas fizeram.
NADA FEITO
Nada, ou quase nada foi feito para desarmar a bomba deixada por Lula para a sua sucessora. Claro, como ela faz parte do esquema, torceu o nariz para a gastança das eleições , ou seja, foi conivente com tudo. Agora a conta vem salgada, e a inação governamental sempre piora as coisas. É preciso reformar radicalmente o estado patrimonial brasileiro, mas isso seria uma revolução, e não dispomos de forças políticas para isso. Aqui temos a briga entre social- democratas. Os liberais e conservadores já foram desde há muito derrotados. Desde o varguismo, passando pelos governos militares. Todos nacionalistas e corporativistas. Ademais, o nacionalismo sempre andou de mãos dadas com o socialismo, sobretudo na América Latina. Roubada e ludibriada , não pelo imperialismo americano, mas pelas suas sempre hesitantes e atrasadas elites. Lula e Dilma, são o desfecho desta nossa trajetória histórica. E são estas elites que, através da apropriação do estado saqueiam impiedosamente o povo. Porém mesmo o nosso tacanho desenvolvimento trará uma nova classe média à arena política. No momento são lulistas. E amanhã?
AJUSTE FISCAL
O Brasil ainda está longe do ajuste fiscal. Não cortou gastos, pelo contrário, aumentou. Por essas e outras a inflação está à espreita. E os gastos, como sabemos , são de péssima qualidade. Devia-se gastar prioritariamente com infra-estrutura e educação, abrindo nosso mercado para capitais estrangeiros, inclusive filiais de universidades, por que não? Os chineses estão fazendo isso. Certamente nossos governantes são mais nacionalistas do que os chineses. Parece piada.
PROTESTOS
Diante da crise os europeus protestam nas ruas. Não adianta, pois os cortes terão que ser feitos, Claro ninguém quer perder, mas na estagnação todos perdem, sobretudo a longo e médio prazos.  Alemanha e França são os mais fortes do continente, mas a França tem grandes problemas, com a grande presença do estado e consequentemente altas taxas de desemprego. Se a Europa desandar, desanda o mundo todo, bem assim como os Estados Unidos. Como os petistas nada sabem fazer em matéria de orientação governamental, apertem os cintos, e viva o juízo do banco central. Sem ele estaremos perdidos.

             

Blog do Ronaldo Cesar: Rafael Brasil em palestra do ProJovem Urbano para ...

Blog do Ronaldo Cesar: Rafael Brasil em palestra do ProJovem Urbano para ...: "Nesta quinta-feira (11 de agosto) se comemora o DIA do ESTUDANTE, na qual muitos estudantes pelo país comemoram essa data sem ter o conheci..."

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Dias Difíceis.

Com a aprovação na decrescente, ministro apoiando a ditadura síria e a base aliada rebelde e sem querer conversa, Dilma Ducheff está em apuros, é inegável. E a quem ela recorre? Ao criador, ora. A gerentona que dá esporro em ministros e os deixa de calças molhadas recorreu ao seu guru. E o que disse tamanha sabedoria barbuda? Lula disse-lhe que não aperte o PMDB, ou será o fim do governo. Sem essa tão importante aliança, da qual o PT é ultradependente, perde-se a governança e o gado vai ao brejo. Soube que o PMDB já acertou entre os seus pares para, se for pressionado ou afrontado em seus interesses, criar uma CPI apenas para investigar os petistas. É uma carta na manga que o partido tem e se reserva o direito de usá-la quando lhe convier. E Dilma já sabe com quem está negociando, afinal, figuras como Renan, Temer, Sarney, Jucá, Raupp e outros não são de brincarem em serviço. O PMDB é um partido experiente na tarefa de associar para comandar e extrair. Faz chantagem política e arma conspirações, não estando preocupado com aliados. Danem-se as alianças. O corporativismo e o parasitismo estatal falam mais alto dentro da sigla. Já é uma prática antiga dentro do partido e o PT está pagando caro para tomar essa lição. E enquanto o governo não sai das sessões policiais dos jornais, Dilma, a gerentona e mãe do empacado PAC, vai consultar o Oráculo de Caetés.
Pobre Brasil. Que os deuses tenham dó!

terça-feira, 2 de agosto de 2011

FUTEBOL

O fiasco do futebol brasileiro na copa América, não representa a decadência do nosso, mas a evolução do esporte por todo o mundo, mais espcialmente na América do Sul. Antes, só ganhavamos de goleada, agora a conversa é outra. O Uruguai está de volta. com a mescla do seu velho estilo guerreiro e clássico, a Bolívia é um time fechadinho e compacto, o Equador e a Colômbia, sempre dão trabalho, e o Paraguai tem muma retranca de doer. Além da Venezuela, sempre considerado um dos piores do continente, hoje dá trabalho, e ganha partidas. Além de Chile e a poderosa Argentina, duas forças tradicionais da parte sul e também latina do continente. Que adora futebol, com exceção de Cuba e da própria Venezuela, que preferem o beisbol. Portanto, na copa, ninguém vai encontrar moleza. Tem que se fazer um time. Brasil e Argentina se constituuiem num amontoado de bons e médios jogadores. Uns excepcionais, como Messi e Neymar. Porém, a choradeira vai sr grande se o Brasil perder. E se for para o Uruguai?

URUGUAI

Tenho a maior simpatia pelo Uruguai. Tem pelo menos a metade da popúlação de Pernambuco, e já foi considerada s Suíça da América do Sul. Tem forte tradição democrática mas também caudilhesca. Pelo menos metade da população vive na capital, Montevidéu, que é uma bela cidade, culta e cosmopolita. Tal qual a Argentina o nível de vida da população ainda é um dos melhores da América do Sul, embora se a grande decadência do vizinho. Foi uma província brasileira, e fizeram certo em se desvincilhar deste grande e complicado país de lingua portuguesa. Depóis de uma grande decadência, volta como um dos maiores protagonistas do futebol no continente, ganhando merecidamente a Copa América.

OBDÚLIO VARELLA E A RAÇA URUGUAIA

Na decisão da copa de cinquenta, antes dojogo nos vestiários, chega o embaixador do Uruguaiu, fazendo um discurso derrotista, aseverando a todos a importância do vice campeonato, e de competir, o que para ele era realmente o que importava. Comno o Brasil era gigante, não era vergonha perder a decisão. Logo depois que ele saiu, o capitão da celeste, Obdúlio Varella, chamou os companheiros e disse: "Nada de competir. Vamos mesmo é comer grama se possível para ganhar! " Deu no que deu. Sobretudo no futebol, ninguém morre de véspera. Ainda mais em copa do mundo.  

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

MOVIMENTO CONTRA A CORRUPÇÃO

O velho Fernando Henrique está lançando no país um movimento contra a corrupção. Uma boa iniciativa política, pois nunca tivemos nossas instituições tão desmoralizadas. Antes tarde do que nunca. Resta saber a receptividade do movimento. Basta de falta de indignação, corrupção está virando coisa normal. Corrupto hoje faz questão de ostentar suas riquezas obtidas ilicitamente. Quem não rouba é considerado nada mais nada menos do que um otário. Ninguém sabe realmente o peso da corrupção no chamado custo Brasil. Como bem disse Fernando Henrique, todos os cidadãos estão convocados para esta luta.Não se pode falar na luta contra a corrupção sem participação popular. Isto a curto prazo. O passo seguinte é democratizar o estado, desprivatizando-o. Aí o Brasil mostraria suas entranhas. Um sonho? Vamos sonhar, pois sem esperança, nada feito. Sem esperança e ação política as coisas ficarão como estão. Até quando?

CORRUPÇÃO EM CAETÉS

Aqui na terra de Lula, já estão praticando corrupção em plena luz do dia. O seguinte: Tem um funcionário da prefeitura rsponsável pela entrega de uns evelopes pardos recheados de dinheiro, pagos a inúmeros cabos eleitorais ou agregados à família do prefeito e do ex, religiosamente a cada mês. Pois o cidadão está entregando estes envelopes no meio da rua, abertamente. Só ganha algo se for eleitor de cabresto. Se for um eleitor especial, mensalão nele, que claro, vai brigar pelos candidatos governistas. Isto sem falar nos que recebem em folha e não trabalham. Há  mais de uma década que não tem concurso na cidade, que tem um dos piores IDH do estado.