quinta-feira, 20 de junho de 2013

MULTIDÃO NAS RUAS DO RECIFE E CRÍTICAS A DILMA E EDUARDO CAMPOS

Mais de 50 mil pessoas vão às ruas em Recife

Militantes de partidos políticos foram rechaçados; todo o centro da cidade foi fechado

20 de junho de 2013 | 19h 43


Angela Lacerda, de O Estado de S. Paulo
Mais de 50 mil pessoas, de acordo com a Polícia Militar, participaram nesta quinta-feira, 20, da manifestação que tomou conta do centro do Recife expondo a insatisfação popular em vários níveis – da qualidade dos serviços públicos, à corrupção, impunidade, PEC-37 e políticos. A grande maioria levava cartazes para expressar sua reivindicação.
Multidão toma as ruas de Recife - Flávio Alves/Futura Press
Flávio Alves/Futura Press
Multidão toma as ruas de Recife
Militantes de partidos políticos que tentaram dar o tom vermelho à passeata, foram rechaçados logo no seu início. No Facebook, petistas chegaram a fazer convocações no estilo "Vamos avermelhar o Recife, sou PT, sou Dilma". Não funcionou. Com bandeiras vermelhas do PSTU, do PT Jovem ou da central sindical Conlutas, militantes foram rechaçados. Um grupo com bandeiras do PSTU tentou se impor. Enquanto os manifestantes gritavam "partidos não", eles retrucaram com "censura é ditadura", mas terminaram se rendendo à maioria e recolheram as bandeiras.
A manifestação se concentrou na Praça do Derby, área central da cidade e antes das 16 horas, saiu percorrendo as avenidas Conde da Boa Vista e Guararapes até a praça do Marco Zero, no bairro do Recife Antigo. Todo o centro fechou. Motoristas de ônibus fizeram uma paralisação das 16 horas às 19 horas.
Pacífica e colorida, jovem em sua maioria, a manifestação teve o clima de alegria interrompido, por várias vezes, por pequenos grupos que promoveram furtos e provocaram correrias e sustos durante o percurso. Pessoas foram furtadas e um homem de 68 anos, Rubens de Araújo Rocha, levou uma pedrada na perna esquerda. A ação policial foi aplaudida a cada intervenção. Pelo menos 20 pessoas foram detidas.
Momentos de emoção e beleza também marcaram a manifestação. No prédio de número 1183 da Avenida Conde da Boa Vista, um violinista tocou o Hino Nacional, da sua janela, arrancando muitas palmas. Pouco depois, moradores de outro prédio jogou papel picado sobre a passeata.
Quando a passeata chegou no Recife Antigo, palco do irreverente carnaval da capital, alguns se dispersaram. Outros chegaram e o clima de festa dominou. Palavras de ordem foram entoadas. "Oh, Recife acordou" foi uma delas. A partir daí, não havia hora para a manifestação ser encerrada.
Ninguém poupado. A presidente Dilma e o governador Eduardo Campos (PSB) não foram poupados. Em cartazes, manifestantes fizeram cobranças além da redução do preço da passagem de ônibus. "Dilma pensa que acabou? Ainda faltam escolas, PEC 37, hospitais, segurança", dizia um deles. Ou "Dilma imagina na Copa". "Vinte centavos não dá para comprar nem um Dudu", provocavam outros, fazendo referência ao apelido do governador quando jovem. Dudu é uma espécie de picolé vendido em pequenos sacos plásticos.

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