quinta-feira, 20 de junho de 2013

É A HISTÓRIA DE NOVO - RAFAEL BRASIL

Os últimos acontecimentos mostram o quanto a história é imprevisível, dentre outros fatores, porque os fatos históricos são únicos. Segundo uma avaliação de analistas norte-americanos, que considero interessante, é que o "modelo" brasileiro se esgotou. Em poucas palavras, o parco desenvolvimento do nosso tosco capitalismo, trouxe milhões para a chamada classe média, que , bem mais nutrida, também passa a ser sedenta de conhecimento e participação política. Mesmo com nosso sistema educacional em frangalhos, desenvolveu-se uma , digamos, mesmo difusa massa crítica. O que pode ser muito bom , mas também traz certos perigos, ao ameaçar o poder e as mesmo fragilizadas instituições democráticas, como o congresso e os poderes constituídos. Tudo, ou muito pode acontecer, inclusive nada, como diria o ex senador Marco Maciel. 
Numa análise marxista, só para chatear os mesmos, que nunca compreenderam direito o velho revolucionário, a estrutura econômica mudou, sem mudanças na chamada superestrutura. Ou seja, com um leve incremento do capitalismo, comandado por Fernando Henrique incluiu muita gente na sociedade de produção e consumo, sem a contrapartida da modernização das instituições republicanas e democráticas. O que seria a "segunda transição" da qual falava o cientista politico Guillermo O' Donnel, lá pelos idos dos anos noventa, século XX.
Na oposição, o PT, mesmo difusamente, tinha este discurso, digamos mudancista. No governo, não só continuou com os vícios que proclamavam combater, como aprofundaram a nossa triste "tradição" de corrupção e de roubalheira, levando o processo ao, digamos limite do minimamente tolerável. O povo quer honestidade , competência e democracia, presumo. Ter escolas e hospitais eficientes, transportes dignos, etc. O problema é que pedem mais estado, quando é justamente o estado patrimonialista o responsável pela desorganização e corrupção endêmicas. A questão é de mudança total , sobretudo numa ampla e radical reforma do estado, inteiramente ineficaz no atendimento à população. O movimento político que convencer à população que tem um projeto claro para tal empreitada, tem tudo para deter a hegemonia política. Aliás, a primeira das grandes reformas deveria ser a política e eleitoral. Veremos quais os atores que vão emergir depois de baixada a poeira das manifestações. Se ficar tudo como está, aí partiremos para o realmente imponderável, com sacrifício da própria democracia. Aí estaríamos mesmo no inferno, que ainda felizmente não conhecemos. Afinal conhecemos muito o purgatório com o século de regimes autoritários no nosso país , no sangrento século XX. Vade retro satanás!

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