terça-feira, 31 de julho de 2012

Pressões - MERVAL PEREIRA

Nos últimos dias têm sido feitas tantas tentativas de adiar o julgamento do mensalão que fica claro que o que querem os réus é mesmo não serem julgados, contando com a prescrição de seus crimes.

Eum sinal de que fez bem o Supremo Tribunal Federal em não desmembrar o processo, pois, sendo a última instância de nosso sistema judiciário, a decisão que sair de seu plenário é irrecorrível.

Se, com todos os cuidados tomados pelo relator Joaquim Barbosa para não atrasar o processo, ele levou cinco anos para chegar ao julgamento, imagine se a maioria dos processos estivesse tramitando a começar pela primeira instância do Judiciário.

Isso sem falar da tentativa rasteira de colocar sob suspeição o ministro Gilmar Mendes, incluindo-o em uma lista forjada de beneficiários do mensalão mineiro. Manobra tão primária que o suposto autor da lista, o empresário Marcos Valério, negou sua autenticidade em nota oficial.

A mais recente manobra da defesa é o pedido de vista do processo pelos advogados Márcio Thomaz Bastos e José Carlos Dias, sob a alegação de que o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, enviou na última semana um documento aos 11 ministros do Supremo ao qual a defesa dos réus não teve acesso.

Os advogados usam a justificativa de que a defesa tem a última palavra e precisam tomar conhecimento do que diz Gurgel para apresentar o contraditório.

Vários advogados consultados, no entanto, consideraram a manobra meramente procrastinadora, com pouquíssimas chances de ser acolhida.

O memorial que o procurador-geral Roberto Gurgel enviou aos ministros não é anexado aos autos e, portanto, não é um “novo documento” que precise ser analisado.

É comum os advogados fazerem tais memoriais às vésperas dos julgamentos, para facilitar o trabalho dos juízes, razão também alegada por Gurgel.

Um advogado lembra que todos os réus do mensa-lão fizeram seus memoriais e os distribuíram não apenas aos juízes do Supremo, mas também a diversos advogados e formadores de opinião.

O do ex-tesoureiro Delúbio Soares foi feito pelo advogado Arnaldo Malheiros. Já o ex-ministro José Dirceu, acusado pela Procuradoria Geral da República de ser o “chefe da quadrilha” tem 16 páginas em papel cuchê.

Antes da tentativa dos advogados dos réus, outros cinco advogados de São Paulo, ligados ao PT, mas sem atuação direta no caso, haviam enviado à presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia, um manifesto no qual defendem que é inoportuno julgar a ação do mensalão durante o período eleitoral, alegando “desequilíbrio, em desfavor dos partidos envolvidos’,’ pelo fato de que as sessões do Supremo serão televisionadas, e o assunto será tema dos meios de comunicação justamente durante a campanha eleitoral.

Como o assunto já foi, por óbvio, devidamente analisado pelo plenário do Supremo, que não viu impedimento para marcar o julgamento a começar nesta quinta-feira, dia 2, esse é outro movimento que se destina mais a pressionar o Tribunal do que a ter efeito prático.

Outra pressão externa sobre o Supremo veio nada menos que do Tribunal de Contas da União. Surpreendentemente, com base em uma lei aprovada em 2010 e às vésperas do início do julgamento do mensalão, a ministra do TCU Ana Arraes (ex-deputada federal e mãe do governador de Pernambuco, Eduardo Campos) reverteu uma decisão anterior do próprio TCU e considerou legais os contratos da agência de publicidade DNA, empresa de Marcos Valério, com o Banco do Brasil, mesmo não tendo o empresário mineiro devolvido os “bônus de volume” como previsto.

Para o advogado de Marcos Valério, Marcelo Leonardo, a nova decisão do TCU, atestando a legalidade da apropriação do bônus, deve ser analisada pelos ministros do STF.

O TCU havia constatado anteriormente que a agência de Marcos Valério não fazia o repasse dos “bônus” ao Banco do Brasil, embora essa obrigação estivesse estipulada em contrato, dando prejuízo aos cofres públicos de mais de R$ 106 milhões.

Esse dinheiro era uma das fontes do valerioduto que financiou o mensalão. O objetivo da lei aprovada cinco anos depois do fato acontecido é justamente legalizar a posse desse dinheiro pela agência de publicidade e tentar descaracterizar o uso do dinheiro público no esquema do mensalão.

A manobra é tão acintosa que o próprio procurador do TCU está recorrendo contra a decisão. Como o TCU é um órgão auxiliar do Congresso, e não um membro do Poder Judiciário, essa manobra caracteriza-se como uma jogada político-partidária e provavelmente não terá efeito direto na decisão dos juízes do Supremo.

Muito mais que descortês - MIRIAM LEITÃO


As declarações do ministro Aldo Rebelo sobre o fato de a ex-ministra Marina Silva ter carregado a bandeira olímpica poderiam ser apenas mais uma exibição dos maus modos do ministro, ou de suas esquisitices. Mas foi pior do que isso. Sua fala pública e a de outros nos bastidores mostram que eles confundem país com governo, o que é comum apenas em regimes autoritários.

O mal estar gerado por algo que deveria ser visto como um motivo de orgulho foi mais significativo do que pode parecer. É autoritarismo o que está implícito na ideia de que só governistas podem representar o país, suas causas, suas lutas. Era comum no regime militar essa mistura entre o permanente e o transitório, essa apropriação do simbolismo da pátria pelos governantes. É também falta de compreensão do que é o espírito olímpico: a boa vontade que prevalece sobre as diferenças. Foi por isso que os escolhidos representavam o combate à pobreza, a luta por justiça, os pacificadores, o esforço de convivência entre povos, a preservação da Terra.

Quem o ministro gostaria que fosse o símbolo da proteção da floresta? Ele e seu projeto de Código Florestal que permitia mais desmatamento? Marina dedicou a vida a essa causa, desde o início de sua militância com Chico Mendes. Esse é um fato da vida.

"A Marina sempre teve boas relações com a aristocracia europeia. Não podemos determinar quem a Casa Real vai convidar, fazer o quê?", disse o ministro dos Esportes. Nisso revelou que desconhecia os fatos, as regras de etiqueta, a lógica da festa, o simbolismo da bandeira olímpica, o que o governo inglês pretendia com a abertura e até quem é responsável por organizar a festa. Obviamente, não é a Casa Real.

Isso é mais espantoso, porque o Brasil é o próximo país a receber uma Olimpíada e a preparação já está em andamento. Se essa pequenez exibida na declaração do ministro tiver seguidores, o Brasil fará uma festa governamental. Outro integrante do governo comparou a escolha de Marina ao desfile de um trabalhista na frente de um governo conservador. A espantosa confusão não é exclusividade do ministro, é feita por outros graduados funcionários. Outros concordaram com essa canhestra interpretação. A demonstração de desagrado do governo brasileiro foi tão evidente que o representante inglês se sentiu obrigado a lembrar aos jornalistas o óbvio: a escolha não foi política, porque este não é o momento.

O governo poderia interpretar os fatos como os fatos são. O Brasil é detentor da maior fatia da floresta com maior biodiversidade do planeta. É o segundo país em cobertura florestal do mundo. O primeiro é a Rússia, que não tem a mesma riqueza de espécies. Nem de longe. A escolha de uma brasileira demonstra esse reconhecimento de que, numa causa estratégica para o século XXI, o Brasil tem destaque.

Marina mostrou que tinha entendido exatamente o que tudo aquilo representou. Fez declarações delicadas e com noção da grandeza do momento. O incidente não é apenas uma descortesia à Marina, mas uma demonstração de falta de capacidade de compreensão do espírito olímpico por parte dos governantes do país que organizará a próxima Olimpíada.

Autoridades que falaram aos jornalistas, com o compromisso de não divulgação de seus nomes, explicaram por que estavam amuadas: não foram avisadas. Como a ex-ministra disse, os organizadores pediram que não divulgasse a informação. Ela fez isso. Até a presidente Dilma deu uma nota fora do tom ao dizer que "o Brasil fará melhor" na festa de abertura. "Vai levar uma escola de samba e abafar". A hora era de elogiar a festa de Londres e entender a complexidade da preparação da abertura de uma Olimpíada. Não basta chamar uma escola de samba.

segunda-feira, 30 de julho de 2012

CARTÃO VERMELHO EM CAETÉS

Foi impugnada pela justiça eleitoral a candidatura de Sampainho, o filho do ex prefeito José Luiz Sampaio, que também é candidato em Garanhuns. Agora vão precisar escolher, e rápido, um novo candidato. Que deve ser outro da família, afinal eles não confiam em ninguém. Em último caso, um de fora, mas se sujeitando a ser laranja, e pelo menos tudo ficar como está. O povo aguenta? O povo, com a palavra. 

sexta-feira, 27 de julho de 2012

‘Mambembe’, por Dora Kramer


PUBLICADO NO ESTADÃO DESTA QUARTA-FEIRA
DORA KRAMER
O valentão encarnado por José Dirceu não foi às ruas mobilizar as massas; preferiu a casa da mãe em Passa Quatro, no interior de Minas, que é lugar quente e mais seguro ao abrigo de possíveis desagrados por parte de seus julgadores. Atendendo aos conselhos de advogados e assessores, Dirceu fechou a boca e recolheu-se em copas a fim de adequar-se ao perfil de vítima de uma injusta perseguição.
O silêncio também é considerado pelos conselheiros do principal réu do mensalão como a melhor forma de não angariar antipatias e preparar o terreno para o retorno à vida política em caso de absolvição. A partir da avaliação de que não ganha nada falando, arriscando-se ainda a perder a razão futura, Dirceu desistiu de participar no próximo sábado de um debate promovido pelo Movimento de Libertação Popular (Molipo), um dos expoentes da luta armada na ditadura.
Enquanto José Dirceu faz o silente, Roberto Jefferson, seu companheiro de infortúnio na cassação do mandato de deputado devido ao escândalo que gerou o processo, faz o falante. Desenterrou uma história segundo a qual o hoje líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia, ofereceu facilidades junto à Polícia Federal para que ficasse calado e não denunciasse a existência de um duto financiador para partidos a serem cooptados para integrar a base de apoio ao governo Lula.
O caso não altera em nada o julgamento, mas ajuda Jefferson a compor a figura do herói que denunciou tudo e por isso não merece ser condenado. João Paulo Cunha foi buscar nova absolvição nas urnas que já o haviam levado de volta à Câmara e podem levá-lo agora à prefeitura de Osasco. Se, eleito, não for para a cadeia.
Do elenco linha de frente fazem parte ainda Delúbio Soares e Marcos Valério de Souza. O primeiro no papel de arauto da tese de que nada houve além de crime eleitoral cometido apenas por ele na condição de tesoureiro do PT sem o conhecimento de ninguém mais no partido.
O segundo desenha o personagem vítima dos políticos para quem reclama mais atenção do público, mas a respeito dos quais adianta que nada falará. ”Sou igual ao Delúbio, nunca endureci o dedo para ninguém.” Certo, não é dedo-duro. Mas teria algo a dizer?

quinta-feira, 26 de julho de 2012

PROGRAMA DE GOVERNO

O PSB de Caetés, talvez cansado de "governar" a cidade, ou achando que a mesma não tem problemas, lançou o seguinte programa de governo para seus munícipes: 1. Estudo de solo para melhorar o produtor; 2. Investir em oficina para agregar valor aos produtos; 3. Dá ênfase na Saúde e Educação que é a base de qualquer governo. É isso aí e pronto. Parece brincadeira, mas não. São essas pessoas que querem continuar. O quê? A incompetência e a inação. Para dizer o mínimo.


LÁ VEM O MENSALÃO


Setores do governo não dormem direito pela proximidade do julgamento. Muitos juram e torcem para que alguns não abram a boca. Muito dinheiro e sujeira deve estar rolando por debaixo dos tapetes , oficiais ou não. No banco dos réus, lula e o lulismo. Do outro lado o judiciário e parte da nação, perplexa, e cansada de tanta safadeza. De certa forma o imponderável pode estar à espreita. De minha parte, quero ver sangue. Ver muitos cabras safados, chorando e indo para a cadeia. Mas estamos no Brasil. Aonde só vão para a cadeia, pobres, pretos e prostitutas, das mais baratinhas, claro. E assim continuemos nossa larga caminhada para a insignificância. Esperemos esperançosamente pelo imponderável.


LEI DA PALMADA


Nunca bati num filho meu. Mas o estado se intrometer na vida privada dos cidadãos é que é um indício da entrada no  totalitarismo. Daqui a pouco vão querer dizer como devemos comer, e beber, além de como e com quem nos relacionar. Um fato é que por trás da violência tem traços de impunidade, a começar da educação doméstica. O que existe é uma verdadeira idolatria ao jovem e a juventude, como dantes nunca vista. Uma imbecilização abjeta, que todos querem não só ser, mas parecer jovens. Com proteínas, e sem preceitos morais ou religiosos, os jovens andam se matando pelas ruas.

PROGRAMA DE GOVERNO

terça-feira, 24 de julho de 2012

Mensalão – Eduardo Campos, o político que é de direita, de centro e de esquerda, e o caso raro da mãe parida pelo filho


Augusto Nunes, em seu blog aqui na VEJA Online, foi ao ponto, como de hábito, ao tratar do comportamento de Ana Arraes no TCU. Como se sabe, a ministra considerou – ancorada de forma duvidosa numa lei imoral – legal uma prática que já havia sido considerada ilegal pelo próprio tribunal. Explico de novo. Agências de publicidade que trabalhavam para as estatais estavam obrigadas a devolver às empresas as chamadas “bonificações por volume”. O que é isso? Os descontos concedidos pelos veículos de comunicação tinham de ser repassados aos anunciantes. Marcos Valério detinha a conta do Banco do Brasil. E não repassou um tostão. Ora, esse mesmo Valério vem a ser ninguém menos do que o operador do mensalão. Com a sua decisão, a ministra Ana Arraes, vamos dizer assim, colabora para diminuir as evidências de que a grana do mensalão era, na verdade, dinheiro público.
Muito bem! Ana Arraes não existe! Ana Arraes é um caso notável de mãe parida pelo filho… Mais complicado do que Hesíodo narrando a Teogonia. Quem existe é Campos. Agora reproduzo trecho do post de Augusto. Volto depois:
(…)
[a reação da oposição] foi pífia!. Os jornais noticiaram preguiçosamente a jogada que transformou o TCU em avalista da inocência do gatuno Marcos Valério. E não associaram o relatório de Ana Arraes, que deixou o gerente-geral da quadrilha menos intranquilo, à informação divulgada por VEJA neste fim de semana: a mais perigosa caixa-preta do país vinha ameaçando revelar detalhes de encontros que teria mantido com Lula antes da descoberta do mensalão.
Se a imprensa cochila, a oposição oficial dorme profundamente o sono dos otários que se acham malandros. Caso acordem, os líderes do PSDB, do PPS e do DEM poderão ser instados a comentar o que fez a mãe de Eduardo Campos. E não convém melindrar o dono de um partido que, se já não é sócio, pode vir a sê-lo. O prefeito Gilberto Kassab, como se sabe, inventou um partido que não é de esquerda, nem de centro e nem de direita. Eduardo Campos foi mais esperto que o fundador do PSD: conforme as circunstâncias, o PSB é de esquerda, de direita ou de centro.
Isso permite a Eduardo Campos estar com o PT em São Paulo, com o PSDB em Belo Horizonte e contra os dois no Recife. Tratado como inimputável pelo governo e pela oposição, o governador de Pernambuco não ouviu sequer uma interjeição de espanto ao mostrar-se capaz de uma ousadia que jamais passou pela cabeça dos coronéis da velha guarda. Para levar vantagem nos acertos que faz, o moderno coronel nordestino põe até a mãe no meio.
Voltei
Há gente observando que a decisão pode ter sido imoral, mas foi legal, já que uma lei proposta por José Eduardo Cardozo – sim, o atual ministro da Justiça e um dos ex-Três Porquinhos de Dilma – legalizou a apropriação daquele dinheiro, para contratos passados e vindouros. Sim, essa lei indecente existe mesmo.
Ocorre que a devolução do dinheiro da bonificação ESTAVA PREVISTA EM CONTRATO. O que Eduardo Campos fez … ooops! O que Ana Arraes fez, com o endosso do tribunal, foi permitir que os contratos fossem rasgados. Atenção! A lambança vale para todas as agências e todas as estatais. Estima-se em R$$ 106 milhões a rapina.
Eis Eduardo Campos, um “homem novo”, um “nome novo” da política… O escândalo dos precatórios que o diga, não é mesmo? Ele está anunciando o que nos espera caso venha a ser, como pretende, presidente da República um dia. 
Por Reinaldo Azevedo

Ainda o TCU e as folias mensaleiras – A prática velha de Ana Arraes dá a cara de Eduardo Campos, o “novo”!


A reação da oposição e da imprensa àquela que, entendo, foi uma das maiores agressões à institucionalidade em muitos anos foi modesta. Não! Foi pífia! Refiro-me ao relatório da agora ministra do TCU Ana Arraes, que livrou a cara de um ex-dirigente do Banco do Brasil e também de Marcos Valério e de sua agência de publicidade. Para lembrar: por lei, o desconto concedido pelos veículos de comunicação para veicular propaganda do banco deveria ter sido devolvido à instituição. Não foi. Em tese, a agência de Valério embolsou a grana que não lhe pertencia. Ocorre que a empresa era usada para repassar dinheiro aos mensaleiros. Ninguém precisa ser muito bidu para ao menos desconfiar que parte do dinheiro que alimentou o esquema criminoso poderia ser aquele do… Banco do Brasil!

Ana encontrou uma saída para dizer que tudo estava nos conformes: uma lei proposta pelo agora ministro José Eduardo Cardozo, do PT. Ela dispensa as agências de devolver os descontos às estatais — o que abre uma brecha fabulosa para que se enfie a mão em dinheiro público! — e anistia os crimes cometidos no passado, tornando legais as apropriações indevidas. Valério não foi o único beneficiado.
“Ah, Reinaldo, mas se existe a lei… Por mais imoral que ela seja, foi aprovada”. Não é bem assim, não! A devolução para o banco do dinheiro decorrente do desconto era uma CLÁUSULA CONTRATUAL. A “Lei Cardozo” não tem o condão de tornar sem efeito um contrato devidamente celebrado. Uma coisa é uma lei tornar legal uma determinada prática que era considerada ilegal; outra, distinta, é jogar uma exigência contratual no lixo, como fez Ana Arraes, com endosso de outros ministros. O TCU se desmoraliza assim.
Mas quem é Ana?É claro que Ana Arraes, no fim das contas, não tem grande importância nessa história, porque ela não é ela, mas suas circunstâncias. Explico-me. A ministra não é membro do TCU por conta de seus dotes especiais para acompanhar gastos e contas públicas. Foi alçada ao posto pelo filho, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, presidente do PSB — na verdade, seu dono, seu “sinhozinho”.
O partido é um dos que mais incham no Brasil. A Campos se atribuem aqui e ali virtudes renovadoras. Pois é… Ele foi o grande protagonista do chamado “escândalo dos precatórios” — pesquisem a respeito —, que rendeu até uma CPI. O agora governador se livrou da condenação do STF, mas não no Conselho de Recursos do Sistema Financeiro Nacional (CRSFN). Ali se considerou que ele cometeu “infração grave”. Não pode ter cargo de direção em instituições sob fiscalização do Banco Central até dezembro de 2012. É uma questão saber se o governador pode ser considerado ou não um “ficha suja”… O caso dos precatórios é uma lambança literalmente federal.
Campos é jovem — 47 anos —, mas as suas práticas vão se mostrando bastante velhas. A mobilização para pôr a mãe no TCU foi constrangedora. Agora vemos a ministra — a mãe do filho — imprimindo suas digitais num troço imoral por sua própria natureza. Nas duas vezes em que a ação do governador de Pernambuco foi além das linhas do seu estado e ganhou dimensão nacional, quem paga o pato foram os cofres públicos.
Convenham: não pode haver nada mais mais velho na política brasileira do que isso.
Por Reinaldo Azevedo

Os desmentidos de Marcos Valério confirmam que Lula precisa tratar com muito carinho a caixa preta mais perigosa do país


Como revelou a edição de VEJA desta semana, o grão-mensaleiro Marcos Valério comunicou a amigos de Lula que, se não fosse tratado com o carinho que merece a mais perigosa caixa-preta do país, poderia ceder à tentação de contar detalhes de conversas que teve com o ex-presidente antes da descoberta do mensalão. Nesta segunda-feira, instado pelo portal Terra a comentar a reportagem, Valério confirmou a ameaça com duas frases grávidas de entrelinhas.
“Eu sou igual ao doutor Delúbio, nunca endureci o dedo para ninguém e não vai ser agora, às vésperas do julgamento”, começou o declarante. “Eu não tenho nenhum confidente em Brasília, principalmente lá, onde não vou há anos”, terminou. Traduzidas as frases, o que se ouve são dois desmentidos que ratificam e ampliam as informações divulgadas por VEJA.
A primeira lembra aos interessados que, como Delúbio Soares, Valério sabe muito e não contou nada, está pagando sozinho por pecados coletivos e espera que os danos morais e financeiros sejam devidamente compensados. Ao frisar que nunca endureceu o dedo, está dizendo que poderia ter feito o contrário. O indicador só enrijece se existe algo ou alguém a apontar. Não fez isso e não fará às vésperas do julgamento, sublinha. Mas nada impede que faça depois. Depende do desfecho do caso.
Ao afirmar na segunda frase que não tem confidentes em Brasília e não aparece por lá há alguns anos, Valério confirma outra informação da reportagem: os encontros com Paulo Okamotto e Luiz Eduardo Greenhalgh, que repassaram o recado a Lula, ocorreram em São Paulo. Não foi necessário reaparecer no local do crime. Antes da descoberta do esquema criminoso, ele passava mais tempo em Brasília do que em Belo Horizonte e entrava sem bater em gabinetes inacessíveis para a gente comum. Até ser reduzido a caso de polícia e descobrir como é passar a noite na cadeia.
Em setembro de 2011, nas alegações finais apresentadas ao Supremo Tribunal Federal pela defesa de Marcos Valério, o advogado Marcelo Leonardo afirmou que o elenco formado por 38 réus do processo do mensalão só ficará completo com a incorporação do protagonista ausente. Dois trechos do documento resumem a ópera:
“É um raríssimo caso de versão acusatória de crime em que o operador do intermediário aparece como a pessoa mais importante da narrativa, ficando mandantes e beneficiários em segundo plano”, escreveu o advogado. “Alguns, inclusive, de fora da imputação, embora mencionados na narrativa, como o próprio presidente LULA”.
“A classe política (…) habilidosamente deslocou o foco das investigações dos protagonistas políticos (LULA, seus ministros, dirigentes do PT etc) para o empresário (…) dando-lhe uma dimensão que não tinha e não teve”.
Letras maiúsculas são gritos gráficos. As menções a LULA berram silenciosamente as ameaças sussurradas pelo diretor financeiro do bando. Ninguém tem tanto a dizer quanto Marcos Valério


domingo, 22 de julho de 2012

IGNORÂNCIA NACIONAL

fotos do asno

Pesquisas feitas recentemente, confirmam a falência do ensino nacional. Apenas 63% dos alunos dos cursos superiores, sabem ler corretamente um texto. O resto é analfabeto funcional. Seria interessante fazer um teste também com professores, inclusive os com mestrado e doutorado. Tenho um colega que é professor de doutorado, e me relata os absurdos cometidos à língua portuguesa pelos futuros "doutores". Tem muito professor que nunca leu um livro. E que nunca lê jornal. Um colega professor me disse que em Recife, quando o prefeito doou a cada professor um dicionário ilustrado, muitos o venderam até pela quantia de 25 reais. A ignorância tem um passado glorioso e um futuro promissor neste país, parafraseando Roberto Campos, tão maltratado em vida pelos estudantes universitários brasileiros esquerdistas. Uns ignorantes, mas também não tão inocentes.


PARECE PIADA


Um cidadão paranaense foi condenado a cinco meses de prisão por ter dado uma "cinturãozada" numa filha , no mínimo desobediente. Claro, o condenado em questão vai cumprir pena em liberdade, certamente com penas alternativas. Ou seja, se fosse viva, vovó Irenita iria pegar prisão perpétua. Criou quinze filhos, e muito bem. e dava suas pisas, extremamente necessárias. Eu mesmo levei as minhas e nunca fiquei traumatizado com nada. Na maioria das vezes ela tinha razão, pois eu era um menino chato e preguiçoso. A questão de fundo é: Se o estado ainda nem resolveu a questão do saneamento básico, como se intrometer na educação das crianças, que é uma questão essencialmente da esfera privada? Claro, machucar é outra coisa, e sempre foi caso de polícia. Um estado que protege criminosos de colarinho branco e até outros piores, vai dizer como posso educar meu filho? Uma boa palmada, e até uma pisa, desde que não machuque é necessário e pedagógico. Por essas e outras, nos tempos de vovó, quase não existia violência, se comparada aos dias de hoje. O que também existe é uma falsa glamourização da juventude e do jovem. Todo mundo quer ser jovem, ninguém que ser ou ficar velho. Uma imbecilidade, enfim. Como também estão matando Deus, tudo passa a ser possível. Não é Dostoiévski?  Daqui a pouco vão pulular denúncias de filhos contra pais nas delegacias, ou instâncias judiciárias deste violento país. Em que os filhos a não serem admoestados em casa, morrem aos montes, nas mãos do aparelho policial, ou mesmo das quadrilhas de marginais, espalhados por todos os rincões deste país , que está se tornando mais infeliz.  

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Analfabetos na universidade Editorial Estadão


Sempre se soube que um dos principais entraves ao crescimento do Brasil é o gargalo educacional. Novas pesquisas, porém, revelam que o problema é muito mais grave do que se supunha. A mais recente, elaborada pelo Instituto Paulo Montenegro e pela ONG Ação Educativa, mostrou que 38% dos estudantes do ensino superior no País simplesmente "não dominam habilidades básicas de leitura e escrita".
O Indicador de Analfabetismo Funcional, que resulta desse trabalho, não mede capacidades complexas. Ele é obtido a partir de perguntas relacionadas ao cotidiano dos estudantes, como o cálculo do desconto em uma compra ou o trajeto de um ônibus. Mesmo assim, 38% dos pesquisados não atingiram o nível considerado "pleno" de alfabetização, isto é, não conseguem entender o que leem nem fazer associações com as informações que recebem.
Para os autores da pesquisa, resumida pelo Estado (16/7), os resultados indicam que o notável aumento da escolarização verificado nas últimas décadas ainda não se traduz em desempenho minimamente satisfatório em habilidades básicas, como ler e escrever, e isso num ambiente em que essas etapas do aprendizado já deveriam ter sido plenamente superadas, isto é, nas universidades.
A "popularização" do ensino superior, com a abertura indiscriminada de faculdades ávidas por explorar um público de baixa escolaridade - que não consegue ingresso nas universidades de prestígio, mas sabe que o diploma é uma espécie de "passaporte" para melhorar o salário -, é vista como um dos fatores principais do fenômeno. Essas escolas, concluem os especialistas, se adaptaram confortavelmente a um mercado consolidado, e só reagirão diante da exigência sistemática por melhor qualidade, que deve vir do governo e dos próprios alunos.
No entanto, o tempo para a reversão desse quadro é curto. O sentido de urgência se dá diante do desafio de colocar o Brasil entre os países mais competitivos do mundo, ante o encolhimento dos mercados por conta da crise. A situação de semianalfabetismo nos campi brasileiros - que contraria o discurso populista da presidente Dilma Rousseff segundo o qual seu governo, como o anterior, cuida mais dos jovens do que do PIB - talvez seja o indicador mais importante para medir o tamanho do fosso que nos separa do mundo desenvolvido.
Em primeiro lugar, a indigência intelectual compromete os projetos de aperfeiçoamento profissional, por mais bem-intencionados que sejam. Não se pode esperar que egressos de faculdades sem nenhuma qualificação possam acompanhar as mudanças tecnológicas e científicas cujo desenvolvimento é precisamente o que determina a diferença entre países ricos e pobres. A China, por exemplo, já entendeu que sua passagem de "emergente" para "desenvolvida" não pode prescindir da qualificação de seus trabalhadores, como mostrou José Pastore, em artigo no Estado (16/7).
Os chineses, diz Pastore, têm investido pesadamente no ensino superior, cujas matrículas foram multiplicadas por seis nos últimos dez anos. Agora, quase 20% dos jovens em idade universitária estão no ensino superior na China, enquanto no Brasil não passam de 10%. Ademais, a China demonstra há décadas um vivo interesse em enviar estudantes ao exterior, para uma preciosa troca de informações que encurta o caminho do país na direção do domínio técnico essencial a seu desenvolvimento. Só em 2008, diz Pastore, os chineses mandaram 180 mil estudantes para as melhores universidades do mundo, volume que se mantém ano a ano. O Brasil apenas iniciou o Programa Ciência Sem Fronteira, que pretende enviar 110 mil estudantes nos próximos anos.
O impacto do investimento chinês em educação aparece no cenário segundo o qual quase metade do extraordinário crescimento econômico do país resulta desse esforço de qualificação. Assim, se o Brasil tem alguma pretensão de competir com o gigante chinês, ou mesmo com países emergentes menos pujantes, o primeiro passo talvez seja admitir que é inaceitável entregar diplomas universitários a quem seria reconhecido como analfabeto em qualquer lugar do mundo civilizado.

Repetindo o óbvio


Roberto Campos
FOLHA - 09/01/2000

Aceito o risco de parecer repetitivo. Diante das grandes questões que preocupam mais no nosso país, a originalidade do articulista fica em segundo lugar. Estamos atravessando dias pesados, um ambiente de insatisfações e sombras. Os mais jovens sentem-se angustiados diante das incertezas do futuro, da ameaça de desemprego, de falta de horizontes.


Os mais velhos tentam lembrar-se daqueles períodos em que o Brasil não atravessava um estado de crise permanente. Salvo alguns breves anos do começo do Plano Real, parte da era Kubitschek e o otimismo do "milagre econômico" do fim dos anos 60 - que, no entanto, foi tisnado pela situação política de exceção - todo o resto de nossa História contemporânea é um confuso mosaico de problemas e condições institucionais instáveis.


Não chegamos felizmente ao extremo dos gulags, campos de extermínio, "limpezas étnicas" e coisas que tais. Nossos chamados "anos de chumbo", comparados às experiências de outras nações (e certamente aos "anos de aço" dos regimes comunistas), pareceriam antes de papel de cigarro metalizado. Se afundamos numa situação crítica injustificável, é por nossa própria culpa, por falta coletiva de bom senso e de responsabilidade.


O público exprime sua perplexidade naquela conhecida anedota de como Deus, tendo presenteado nossa geografia com uma abundância de vantagens materiais, colocou no Brasil, como contrapeso, um "povinho ruim". Essa autodepreciação está errada. O trabalhador brasileiro, ainda que subinstruído, é diligente e flexível, como as empresas estrangeiras são as primeiras a reconhecer.


Os engenheiros e gerentes especializados têm em alguns casos nível bastante alto. Somos a 8ª economia do mundo e temos conseguido adaptar-nos a mudanças tecnológicas complexas. Falta-nos reduzir os excessivos contrastes em matéria de educação, informação e saúde - demanda social justa, mas não um impedimento real ao nosso desenvolvimento tecnológico ou industrial.


A verdade é que nosso grave subdesenvolvimento não é só econômico ou tecnológico. É político. Somos um gigante preso por caguinchas dentro de estruturas disfuncionais. A máquina político-administrativa que rege hoje nossos destinos é uma fábrica de absurdas distorções cumulativas. 


O regime presidencialista e o voto puramente proporcional, cada um dos quais, já de si, dificilmente funcionam bem, transformam-se, quando combinados, numa crise quase ininterrupta. O presidencialismo americano, que nos serviu de modelo, é conjugado ao voto distrital, e a federação é autêntica, porque foram os Estados que a criaram, enquanto que no Brasil estes resultaram do desfazimento do império unitário.


Não é que os políticos só pensem em si ou sejam "corruptos" de nascença. Essa é uma visão popular deformada. A maioria é dedicada e séria. Mas o deputado, o senador, o prefeito, o governador e, obviamente, o presidente têm de ser eleitos, ponto de partida do qual não há escapatória.


Nas eleições proporcionais de hoje, os deputados são obrigados a catar votos por todo o Estado, garimpando aqui e ali - um processo caro e tremendamente incerto, porque eleitor em geral não sabe como discriminar entre dezenas de representantes eleitos. Como é que o eleitor médio vai se lembrar de quem propôs medidas ou leis, para poder avaliar quem merece o seu voto?


Um americano ou um inglês pode falar no "seu" deputado: sabe exatamente quem ele elegeu e tem como cobrar respostas ao representante do "seu" distrito. O alemão, com um sistema misto, tem o "seu" deputado distrital e também o da lista do seu partido. E, como o regime é parlamentarista, pode cobrar de ambos.


No Brasil, cobrar o quê, de quem? Mal acaba de ser eleito por um partido, o deputado ou senador se sente à vontade para mudar de partido. Não existe sanção. A eleição presidencial então é sempre um trauma violento, agravado pela percepção de que o vencedor passará a controlar a máquina pública, os mecanismos de dar ou negar favores. 


Gerir a coisa pública é, entre nós, um contínuo varejo. Dá para estranhar que, desde o início da República, raros tenham sido os governos que não se envolveram em conflitos com o Congresso, com riscos de descontinuidade institucional? Contra um sistema tão ruim, tanto faz se os políticos são santos ou bandidos. Num ônibus sem freios, o perigo de desastre é o mesmo para todos.


Há perto de três séculos e meio, Colbert, o famoso ministro protecionista da França monárquica, assim se lamentava na Carta de Luis 14 aos funcionários e ao povo de Marselha (26 de agosto de 1764): "Como desde a morte de Henry 4º temos tido só exemplos de carências e necessidades, precisamos determinar como aconteceu que, durante tão longo tempo, não tenhamos tido, senão abundância, pelo menos uma renda toleravelmente satisfatória...".


Colbert põe a culpa no sistema fiscal e afirma que piores do que os muitos corruptos foram aqueles altos funcionários "cuja incompetência prejudicou mais o Estado e o povo do que os roubos pessoais".


Entre os vícios da burocracia fiscal da época, Colbert lista os seguintes: "Consumir com despesas correntes as receitas ordinárias e extraordinárias dos dois próximos anos..." e "negligenciar as receitas gerais ordinárias afazendadas, dedicando-se ativamente à busca de fontes de renda extraordinárias...".


Colbert se revelou um reformista e desenvolvimentista "avant la lettre". Mas a França já estava politicamente entalada, e ele não conseguiu realizar sua "reforma fiscal".


O mundo está cansado de esperar pelas "reformas" brasileiras. E de ouvir lamentações sobre a nossa pobreza. Há muito, exceto em regiões desérticas da África ou gravemente sobrepovoadas da Ásia, a pobreza deixou de ser uma fatalidade. É um acidente histórico de povos que preferem externalizar a culpa ao invés de fabricar seu próprio destino.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Rigor na aplicação da Ficha Limpa - EDITORIAL O GLOBO


Com a responsabilidade de presidir a primeira eleição em que a Lei da Ficha Limpa será aplicada na plenitude, a presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministra Cármen Lúcia, demonstra entender com clareza a dimensão do desafio.

Na sexta-feira, em reunião no Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte, a ministra foi incisiva: “Ninguém tolera mais a corrupção. Temos que fazer cumprir esta lei”, afirmou, antes de se colocar à disposição de qualquer juiz eleitoral, para garantir a aplicação da Ficha Limpa.

É mesmo essencial que não escape qualquer “ficha suja” do filtro ético representado por esta lei. Seria lamentável que, depois de toda a mobilização para o encaminhamento do projeto da lei ao Congresso, das intensas negociações parlamentares e da tramitação acidentada do assunto no Supremo Tribunal Federal, a Ficha Limpa tropeçasse nos tribunais.

É acertada a iniciativa da presidente do TSE de colocar todos os meios à disposição dos tribunais regionais para a lei impedir de fato que donos de prontuários policiais e/ou condenados em julgamentos com mais de um magistrado busquem refúgio nas imunidades criadas para proteger ocupantes de cargos eletivos de ações de cunho político. Com o passar do tempo e a degradação do quadro político-partidário, essas imunidades começaram a proteger criminosos comuns, e não apenas corruptos.

O Ministério Público Eleitoral, até a semana passada, havia pedido a impugnação de 349 candidaturas — não apenas com base na Ficha Limpa —, das quais 316 para vereador, 23 a vice prefeito e dez a prefeito. No Rio, 97 estão com o pedido de registro de candidatura impugnado. Destes, cinco são acusados de serem “fichas sujas”. A tendência dos números é aumentar.

É nas eleições municipais que fica mais visível a interferência da criminalidade na política. Neste aspecto, o Rio tem um péssimo histórico, devido à atuação de milícias, principalmente na Zona Oeste, e de outros esquemas criminosos interessados em interferir no processo eleitoral. Há exemplos em que o tráfico interfere no acesso de candidatos a seus redutos. A Rocinha era um deles, antes da ocupação da favela pelo poder público, para a instalação de uma UPP. As milícias, porém, parecem bem mais ativas na infiltração de representantes na vida pública. Até vereador e deputado estadual já foram presos por atuar em milícias.

Há bolsões controlados por policiais, agentes penitenciários e bombeiros que funcionam como currais eleitorais, mesmo que os chefes estejam presos. Repete-se o esquema do tráfico, no qual chefões mantêm o controle sobre as quadrilhas, de dentro de penitenciárias ditas de segurança máxima.

A situação levou o presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro, desembargador Luiz Zveiter, a constituir um grupo especial com a Secretaria de Segurança, Polícia Federal, Comando Militar do Leste e Polícia Rodoviária Federal, para atuar na campanha deste ano. Providência necessária.

Neste contexto, de invasão do mundo político pelo crime organizado, a Lei da Ficha Limpa ganha ainda maior relevância.

Seria desastroso se, depois de toda a luta, os tribunais falhassem

DE SACO CHEIO - RAFAEL BRASIL

 

Estou de saco cheio de acompanhar a política nacional. Uma canalhice só. Ou faremos a reforma política, ou nos acanalhemos todos. Roubam em todas as esferas, e tipos de repartições. E a burocracia é, além de ridícula, humilhante, para o cidadão comum. Depois de nove meses de labuta, com idas e vindas ao Recife, uma vez para levar “ Xerox” de identidade e CPF, meu irmão, deficiente, ( teve paralisia infantil, com seqüelas), passou muitos  constrangimentos, para ser beneficiário de um programa governamental para ajuda de deficientes. Finalmente vai sair o carro, que de especial, é automático. Modelo mais que banal nos Estados unidos. Aliás, por lá, pouco mais de dois por cento dos carros tem marcha manual. È o Brasil. Nada se faz para dobrar as corporações simplificar as leis, desafogando à população como um todo. Pobre do meu irmão vibrou, como se o Sport fosse campeão, quando finalmente, recebeu o ilustre telefonema da agência confirmando a chegada do tão sonhado automóvel. Ademais, se burocracia valesse não se roubava tanto no país. Onde tem estado, tem muita, é claro. É o nicho preferido dos antes chamados ratões do dinheiro público. “Da viúva”, decerto. Dos ratões e dos ratinhos, pois tem rato para tudo o que é gosto. Da saúde, da educação, dos portos, dos desportos, das crianças, dos deficientes, dos mortos, e, claro dos muito vivos.

DEMÓSTENES TORRES

Se fosse ele, saía atirando. Afinal, o cidadão que mais pregou a ética neste país foi Lula. Um udenista de esquerda, como diria o nem tão honesto finado Brizola. Ainda mais com um senado com cidadãos como Humberto Costa, Sarney , Collor, Renan Calheiros e outros pulhas menores, se fosse eu, chamaria todos de ladrões, contando os podres dos outros, que não são poucos. Detesto molengas.  Diante de uma turma dessas, sairia pelo menos atirando. Porém como bom mafioso, resolveu calar. E desfrutar do poder. Logo assumiria a cadeira de promotor. É o Brasil.

SARNEY E SEU RABO DE PALHA

Como esconde bem o rabo de palha este senhor. Um primor. Dizem que mandou todos os terreiros do maranhão tocar bumbos para secar Tancredo, este já nas últimas. É um velho decrépito que ainda comanda boa parte da máquina estatal brasileira.  Em todos os governos. Foi o principal conselheiro de Lula no mensalão. Conhece como poucos as manhas e artimanhas da politicalha nacional.  É mais uma eminência parda no governo, e continua mandando muito. Por essas e outras, estamos onde estamos.

CONVERSA DE EDUARDO

Conversa mole do governador, de que a eleição do Recife vai ser fácil. Humberto, o chato, junto com João Paulo, segundo Lula, o mais chato. Para Lula mais chato até do que Cristovam Buarque, para ele um porre. Mesmo considerados por mim uns chatos de galocha, são fortes eleitoralmente, pois boa parte da classe média recifense os adora. Assim como adoram Lula. Já o candidato de Eduardo é desconhecido, todos sabem. Mendoncinha corre por fora, mas num segundo turno, creio que teria poucas chances. Só se a campanha se radicalizar muito entre o PT e Eduardo, e o mesmo apoiar Mendonça. Mas é difícil de acontecer. Vamos ver. Mas Lula e o PT deram o cheque mate. Se ganharem, bem. Se perderem, perdem de vez o estado, e o PT vai definhar.É o que todos querem. Ou não?

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Democratas de ocasião - FERREIRA GULLAR

Só um presidente já politicamente inviável é impedido com o apoio unânime do Congresso 

Deixei a poeira assentar para dar meu palpite sobre a polêmica surgida com o impeachment do presidente Fernando Lugo, do Paraguai. Ao saber da notícia, logo previ a reação que teriam os presidentes de alguns países sul-americanos, inclusive o Brasil. 

E não deu outra. Hugo Chávez e Cristina Kirchner, como era de se esperar, reagiram de pronto e com a irreflexão que os caracteriza. Logo em seguida, manifestou-se Rafael Correa, do Equador, que, com a arrogância de sempre, rompeu relações com o novo governo paraguaio. Chávez decidiu cortar o fornecimento de petróleo àquele país. E o Brasil? Fiquei na expectativa. 

Como observou certa vez García Márquez, o Brasil é um país sensato e, acrescento eu, talvez por nossa ascendência portuguesa, pé no chão. E assim foi que Dilma primeiro mandou seu ministro das Relações Exteriores qualificar o impeachment de "rito sumário". Ou seja, não teria sido dado a Lugo tempo para se defender. 

Sucede que o próprio Lugo, presente à sessão do Congresso quando se votou seu impedimento, declarou: "Aceito a decisão do Congresso e estou disposto a responder por meus atos como presidente". 

Não disse que o Congresso agira fora da lei nem que tinha sido impedido de se defender. De acordo com as normas constitucionais paraguaias, recorreu à Suprema Corte e ao Tribunal Superior de Justiça, que não atenderam a seus recursos por considerarem constitucional a deposição e legítima a entrega do governo ao vice-presidente. 

Só depois que os vizinhos tomaram a inusitada atitude de repelir a decisão do Congresso paraguaio foi que Lugo mudou de opinião e decidiu formar um governo paralelo, este, sim, destituído de qualquer base legal. 

Fala-se em golpe, mas só um presidente já politicamente inviável é impedido com o apoio praticamente unânime do Congresso: 76 votos a 1 na Câmara de Deputados e 39 a 5 no Senado. Fora isso, nem os militares nem o povo paraguaios se opuseram. Pelo contrário, o impeachment de Lugo parece fruto de uma concordância nacional. Nessa decisão pesou, sem dúvida, o Partido Liberal, de centro-direita. Mas foi com o apoio deste que ele se elegera presidente da República. 

O que houve então? Um complô de que participaram todos os partidos e quase a totalidade dos deputados e senadores? Se fosse isso, o povo paraguaio teria saído às ruas para protestar e denunciá-los. Só uns poucos o fizeram. As Forças Armadas, os intelectuais, os sindicatos protestaram? Ninguém. 

O inconformismo com o impeachment de Lugo veio de fora do país: de Hugo Chávez, Cristina Kirchner, Evo Morales, Dilma Rousseff, que se apresentam como defensores da democracia. Serão mesmo? 

Vejamos. Hugo Chávez suspendeu o funcionamento de 60 emissoras de rádio e televisão que se opunham a seu governo, criou uma espécie de juventude nazista para atacar seus opositores e fez o Congresso mudar a Constituição para permitir que ele se reeleja indefinidamente. Cristina Kirchner apropriou-se da única empresa que fornece papel à imprensa argentina, de modo que, agora, jornal que a criticar pode parar de circular. 

Já Rafael Correa processa um jornal de oposição por dia, exigindo indenizações bilionárias. Democratas como esses há poucos. Dilma mandou seu chanceler a Assunção para pressionar o Congresso paraguaio e evitar o impedimento de Lugo, como o faziam antigamente os norte-americanos conosco. 

Como se vê, há um tipo de democrata que só defende a democracia quando lhe convém. Mas, mesmo que Chávez, Cristina, Morales, Correa e Dilma fossem exemplos de líderes democráticos, teriam ainda assim o direito de se sobrepor às instituições paraguaias e à opinião pública daquele país? 

Como o impeachment de Lugo consumou-se de acordo com a Constituição paraguaia e pela quase unanimidade dos parlamentares, o único argumento do nosso chanceler foi o de ter sido feito em "rito sumário". 

No entanto, que chance deram eles ao Paraguai para se defender das sanções que lhe foram impostas? Nenhuma. Essas sanções, além de sumárias, são também ofensivas às instituições do Estado paraguaio e a seu povo.

sábado, 14 de julho de 2012

O que Cuba tem de especial para merecer um capítulo inteiro nos livros de Geografia e História?

O que leva a ilha caribenha a merecer uma honraria tão grande nos livros de ciências humanas? Examinei nesta semana seis livros de 6º a 8º anos das áreas acima citadas e notei que em todos Cuba tem um espaço extenso, cativo e garantido, o que me levou a fazer a pergunta do título. Por que será que um país minúsculo, que tem menos habitantes que a cidade de São Paulo, que amordaça seus cidadãos, os persegue, os mata, os exila, que vive de suas vítimas e que não é exemplo para ninguém, tem tanto a dizer aos jovens pelo mundo afora?Tudo isso deve-se ao grau de infiltração da esquerda nos meios acadêmicos, especialmente os brasileiros. Tá tudo dominado, como dizem aqueles funks cariocas de péssimo gosto. E as besteiras que os esquerdistas espalham sobre Cuba aqui no Brasil não estão nos gibis. Mal sabem os brasileiros que as estatísticas sobre aquele país são absolutamente fajutas, devido, principalmente, ao fato dessas informações virem sempre do governo cubano. Como se levar a sério informações de uma ditadura? Comida suficiente em Cuba, segundo Yoani Sánchez, a blogueira que escreve sobre o seu país, só tem quem rouba o estado, que recebe dinheiro enviado por parentes do exterior ou quem  faze trabalhos ilegais. Os livros que são editados no Brasil sobre Cuba não citam nem perto disso.  Uma pessoa que escreve em um blog pode ser condenada sob a acusação de fazer propaganda inimiga. Por que,  no Brasil,  repete-se  o clichê de que Cuba é uma ilha de socialismo, música e rum? Essa turma que falseia informações sobre a ilha-prisão e que a defende, não deve saber como é viver em um paísonde  receber ninharias em moeda sem valor, enfrentar as filas de racionamento de comida, não poder criticar o governo, não sair do país sem autorização, ou depender do precário transporte público é rotina. 

Olavo de Carvalho disse dia desses que os milicos brasileiros tomaram o poder, mas a esquerda tomou as mentes. Infiltrando-se nos meios culturais e acadêmicos, os esquerdistas esperaram 30 anos para minar as estruturas conservadoras e estabelecer a sua hegemonia, o que sempre foi o seu sonho. Uma revolução silenciosa. Na surdina. Se os da caserna  tivessem sabido usar a propaganda naquela época emostrado as tiranias dos regimes socialistas pelo mundo, como o que acontecia na URSS, China, Leste Europeu, Camboja, Cuba e outros, possivelmente a esquerda não teria angariado os corações e mentes dos brasileiros da forma rápida e sem resiliente que se deu. E hoje o que temos é que os conservadores perderam o rumo, a causa, a maneira de reagir, dada a expressiva vantagem que os esquerdistas têm em garantir os seus domínios. As vozes direitistas hoje no Brasil não assustam mais ninguém. Têm o mesmo efeito de um pum ante as dezenas de milhares de canhões da Batalha de Stalingrado. E as escolas apenas repassam essa doutrinação através dos livros didáticos queprofessam fatos inexistentes e perpetuam mentiras míticas, numa verdadeira lavagem cerebral. Daí o fato de vermos, diariamente, Cuba e outras tiranias serem enaltecidas nas escolas brasileiras. Tudo isso faz parte do projeto que foi iniciado nos anos 1960, e que ninguém teve a competência de frear. E levaremos muitos anos para que essa situação sofra alguma alteração. Infelizmente!

Do blog de Hadriel Ferreira.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

BURRICE NACIONAL – Rafael Brasil


Se vivo, o velho Marx riria sobre os absurdos perpetrados pelos ditos socialistas, neste lugar, por ora chamado Brasil. Como Marx era progressista, ou seja, realmente a favor do progresso, como bom iluminista do século XIX, eliminaria, no máximo, o estado, liberando as forças progressistas, que sabem e querem dinamizar a economia e a sociedade, ou seja o velho capitalismo. Que significa liberdade para criar e ganhar dinheiro através do trabalho, assim reza a ideologia. O estado brasileiro atrapalha mais que ajuda o capitalismo, irmão do empreendedorismo.. É preciso diminuir ao máximo os controles de quem produz, criando riqueza e trabalho. E estado tira de todos nós para alimentar as corporações, das mais diversas origens e orientações. O que sobra para o povo é pouco, e o pior, vem como esmola. É marajás de todos os tipos, ganhando verdadeiras fortunas, deputados federais e estaduais, assessores asseclas mil, uma turba de inutilidades dotadas principalmente de alpinistas sociais de todos os tipos e colorações supostamente ideológicas. É preciso mexer em tudo, provocar uma grande discussão nacional, ou seja, FAZER POLÍTICA, para que as coisas possam acontecer. O Brasil continua produzindo pouco e mal, dizem os especialistas. A escola não funciona, TEM que melhorar. Temos quase tudo por fazer, mas o estado não deixa. Sobretudo em infra estrutura, nas estradas, ferrovias, portos e aeroportos e hidrovias. Se o estado não pode fazer, e quando o faz, faz mal feito, porque não permitir capitais privados, devidamente regulamentados institucionalmente, claro.

PATRIMONIALISMO

O caso da cidade de Luís Eduardo, na Bahia é exemplar: Querem, porque precisam de um aeroporto, o construíram, mas o processo de regulamentação estatal sempre atrapalha o processo. Tudo precisa passar pelas mãos deste estado aonde ainda tem recesso do judiciário. Pode?
O estado patrimonialista vem dos tempos da colônia, onde qualquer iniciativa tinha que ter a aprovação, ou o consentimento do estado, sempre doador, e dono de tudo. Ou quase tudo. onde a burocracia é de matar, e mesmo assim os contratos não são cumpridos. As pessoas costumam  atrasar compromissos, e desrespeitar as instituições. Não se marca hora para nada. O estado mima a burguesia com milhões e os pobres com migalhas. Menos mal, pois antes não ficavam com nada, mas é preciso melhorar, e muito. Sobretudo COM EDUCAÇÃO. Não é possível que não consigamos alcançar o patamar que muitas nações alcançaram já em fins do século XIX. 
Certamente, com a roubalheira do PT, o velho Marx teria motivos mais para chorar do que para rir. Porém, como ele sabia, ainda estamos atolados na periferia do capitalismo, e consequentemente do pensamento. A burrice e a preguiça mental nos perseguem. Além da esperteza de muitos, que se apoderam do gigantismo estatal. Falei?

quinta-feira, 12 de julho de 2012

E tudo sem governo - CARLOS ALBERTO SARDENBERG

Conhecem a cidade de Luís Eduardo Magalhães, no Oeste da Bahia? Pois é um polo agropecuário e industrial de nível global. Ali se produz algodão, por exemplo, com a maior produtividade do mundo em plantio não irrigado .

Estive lá há duas semanas, período de colheita, em um momento ruim, por falta de chuvas. Há quebra de safra. Mas topei com muitos estrangeiros, executivos de vários países que estavam lá para negociar contratos de compra. Os produtores locais são conhecidos no mercado internacional pela pontualidade e rigor na entrega. Vai daí, conseguem contratos de longo prazo, o que minimiza os problemas de uma safra ruim .

E tudo sem governo, comenta o pessoal de lá. Foi assim mesmo que a região se desenvolveu, inclusive com a recuperação do algodão. Esse cultivo estava praticamente morto no Brasil, quando foi restabelecido por agricultores de Luís Eduardo e Rondonópolis, esta no Mato Grosso, com base em genética e tecnologia de ponta. Esses agricultores vieram principalmente do Paraná, de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul. Saindo do nada, ali desenvolveram o terreno e novas modalidades .

A cidade baiana ainda não é muito grande, mal passou dos 50 mil habitantes, mas sofre, na sua escala, os problemas de uma metrópole congestionada. Tem trânsito, falta infraestrutura na cidade e nas áreas produtivas .

Ou seja, a iniciativa privada toca os negócios, o governo não ajuda. Não faz nem deixa fazer. Ali, como em diversos outros polos dinâmicos, há empresas privadas dispostas a investir em rodovias, aeroporto, via fluvial e porto (no Rio São Francisco). Mas dependem de concessões, que simplesmente não saem .

É exatamente igual à situação que encontrei recentemente em Foz de Iguaçu (PR), turismo, e São José dos Campos (SP), centro industrial de ponta. Projetos de aeroportos privados estão praticamente prontos, incluindo o financiamento, aguardando as decisões do governo federal. Pessoas envolvidas contam que há anos buscam autorização para fazer até mesmo simples obras paralelas, como a ampliação de estacionamentos, e topam com burocracias e má vontade dos funcionários do governo federal .

Em Luís Eduardo, construíram um aeroporto assim, digamos, meio na marra, em propriedade particular. Está lá, novinho, mas não dá para replicar essa solução em cidades com necessidades maiores .

A ministra do Planejamento, Miriam Belchior, disse, nesta semana, que o governo anunciará em agosto um grande programa de concessões de aeroportos, ferrovias, rodovias e usinas de eletricidade. É positivo, mas em termos. Será um anúncio de intenções, porque a partir daí se iniciará o processo que leva até a licitação e entrega das obras às empresas privadas .

É nisso que o governo se atrasa. E está aí uma das causas do baixo nível de crescimento do país, a falta de investimentos em infraestrutura. Não é uma coisa do outro mundo, há modelos já testados no Brasil e em outros países.

Se demora tanto, isso é um sinal de incompetência, mas também de restrições e resistências que partem da máquina governamental e dos políticos no poder. Alguns são contra as privatizações por razões ideológicas. Outros, a maioria, porque precisam de cargos nas estatais e na administração para nomear e contratar .

Difícil superar essa combinação.

(Em tempo: perguntei aos luiseduardenses se estavam confortáveis com o nome da cidade. Responderam: era pior, Mimoso do Oeste) .

DUPLO CALOTE
O banco ou a empresa concede crédito ao cliente. Este não paga, o caso vai para a Justiça. Quanto o credor consegue recuperar no Brasil? Menos de 20% do dinheiro emprestado .

Na Inglaterra, o credor pega de volta quase 100%. Dirão: mas é um país desenvolvido, com um sistema judiciário tradicional. Pode ser, mas na Colômbia, aqui ao lado, na Coreia do Sul e Taiwan, o nível de recuperação é de quase 90% .

O dado consta da pesquisa "Fazendo Negócios", do Banco Mundial. Acrescentamos: na concessão do crédito, banco ou empresa recolhem impostos elevados, isso aqui no Brasil. Quando o devedor não paga, o credor tem que pedir ao governo a devolução do imposto já recolhido. Já perceberam. Se der tudo certo, o credor recebe parte do IR, no mínimo um ano depois de solicitado .

quarta-feira, 11 de julho de 2012

CAETÉS: UM CRIME ANUNCIADO



Como venho advertindo em postagens anteriores, a oligarquia que domina Caetés há mais de vinte anos, tenta de todas as maneiras burlar as leis, a ética e a cidadania, no processo eleitoral. Eis o "segredo" da manutenção dessa gente no poder, seguindo a máxima de Maquiavel, de que é melhor ser temido do que amado.
Sexta-feira, último dia de aula no colégio municipal, vão fazer a inauguração do comitê de campanha. Na verdade, as aulas serão de mentirinha, os pobres alunos e população em geral, virão mesmo é assistir a manifestação política em questão. O problema é que os estudantes, na prática serão utilizados como massa de manobra para assistirem a tal ato. Faço uma pergunta ao ministério público e a justiça eleitoral: É legal utilizar os automóveis agregados à prefeitura, para atos políticos? Os motoristas são obrigados a carregar não os estudantes, mas também o povo em geral, e como são agregados. são obrigados a vir ao aludido evento. E o pior: Soube, através de inúmeras pessoas, que os funcionários, em sua maioria contratados, mortos de medo de perseguições, ou mesmo de perderem seus empregos, são obrigados a participar deste malfadado evento. É uma vergonha que afronta a justiça eleitoral e a democracia. É por isso que , ao arrepio da lei, essa gente não faz concurso. Como  sabemos, a grande maioria dos funcionários são contratados, e ainda serão obrigados a trazer pelo menos cinco pessoas por cabeça. É assim que Zé da Luz, o político mais corrupto do Agreste Meridional faz política. É uma vergonha! Queremos justiça! Com a palavra, a justiça eleitoral.

terça-feira, 10 de julho de 2012

Irregularidades em hospital de Garanhuns



Um leitor do blog enviou e-mail denunciando irregularidades no hospital Dom Moura, em Garanhuns (Agreste Meridional, a 229 km do Recife), como compra de remédios e material cirúrgico sem licitação. A mensagem relata a contratação de médicos e enfermeiros como prestadores de serviço, ao invés da contratação por serviço público, além de um caso de nepotismo no setor financeiro do hospital.
De acordo com o documento, o braço direito da chefe da área, Maria Veridiana Albuquerque, é o seu filho (o nome não foi informado), que trabalhou por dois anos no local, sem contrato, tendo sido efetivado recentemente.
As auditorias foram constatadas pelo TCE, que em abril deste ano solicitou esclarecimentos. Contudo, nenhuma punição teria sido aplicada à diretora do hospital, Maria Emília. Segundo a fonte, Emília é madrinha do governador Eduardo Campos (PSB).
Escrito por Magno Martins

Réquiem para o século


"O Brasil chega despreparado ao novo milênio por não ter corrigido duas deficiências fundamentais: a carência de poupança interna e o déficit educacional"


Parafraseando Charles Dickens, em Tale of Two Cities, pode-se dizer que o atual século foi o melhor dos séculos e o pior dos séculos. Segundo Hobsbawm, foi também um século curto, tendo começado com a I Guerra Mundial (1914) e a eclosão do comunismo (1917) e terminado com o colapso do império soviético, em 1991. Tão curto que um oitentão como eu pode dizer que viveu menos de um século e viveu mais de um século.


Foi também um século esquisito. Começou com a belle époque liberal até a I Guerra Mundial, em que se conjugaram três movimentos que repontam neste fim de século: uma revolução tecnológica, acompanhada de expansão do espaço democrático e globalização financeira e comercial. Houve depois um longo interregno coletivista, com duas ameaças malignas ao liberalismo - o comunismo e o nazismo - e um desafio benigno, o keynesianismo (este postulava apenas maior intervenção estatal, e não a destruição do liberalismo).


Foi o pior dos séculos, pela maré montante de violência: duas guerras mundiais e duas ideologias assassinas - o comunismo e o nazi-fascismo. O primeiro produziu três grandes carniceiros - Lenin, Stalin e Mao Tsé-tung. O segundo, além de ter provocado a II Guerra Mundial, aperfeiçoou duas sinistras tecnologias: a do holocausto e a dos campos de concentração.


Foi também o melhor dos séculos, pela explosão científica e tecnológica, que nos trouxe coisas milagrosas: a descoberta do segredo do átomo, que inviabiliza guerras mundiais e que, quando substituirmos a fissão pela fusão nuclear, será fonte inesgotável de energia; a descoberta do segredo da vida - a dupla hélice do DNA - , que pode levar à clonagem de animais e à reengenharia do corpo humano; a morte da distância e o encurtamento do tempo pela comunicação e pelo comércio via internet; o rompimento da nossa prisão planetária, podendo o homem sonhar com a exploração de planetas; a passagem de nações da pobreza à abastança no espaço de uma só geração, feito inédito na história humana.


Apesar dos solavancos recentes, os leste-asiáticos demonstraram que é possível escapar da pobreza coletiva em uma só geração e que a riqueza não está nos recursos naturais, e sim nos artificiais, isto é, tecnologia e educação.


No Brasil sobram recursos naturais, mas faltam os "recursos artificiais", infectados que somos por dois animais nocivos: os necrófilos e os paranóicos. Os necrófilos são os nacionalistas, tão ciumentos dos cadáveres geológicos no subsolo, como petróleo e minério, que preferem lá deixá-los a vê-los explorados por estrangeiros.


Exemplos de burrice necrofílica foram a campanha do "minério de ferro é nosso", nos anos 20, e a campanha do "petróleo é nosso", nos anos 50. Exemplo de paranóia tecnológica foi a política de informática nos anos 70 e 80, que encareceu computadores e fez abortar, pela reserva de mercado, a fabricação de chips, como se não fôssemos carentes nos três pré-requisitos da revolução informática: massa crítica universitária, maciços investimentos em pesquisa e acesso a mercados externos.


A sociedade do próximo milênio será uma sociedade globalizada e digitalizada. Em vez de lamentações sobre a globalização, dela devemos aproveitar-nos, como parece estar fazendo a China, ao abandonar cacoetes protecionistas para ingressar na OMC. 


Precisamos nos preparar para a quarta onda de crescimento do pós-guerra, que provavelmente advirá na primeira década do milênio, alicerçada em três revoluções tecnológicas: a revolução da internet, que eliminará constrangimentos de tempo e espaço; a revolução da engenharia genética, com a clonagem de animais e a geneterapia; e a revolução da nanotecnologia, que, por meio da miniaturização, substituirá cada vez mais insumos físicos por insumos cognitivos.


O Brasil chega despreparado ao novo milênio por não ter corrigido duas deficiências fundamentais: a carência de poupança interna e o déficit educacional. Este exigirá maciça concentração de recursos na educação primária e secundária.


O déficit de poupança exigirá a correção da despoupança governamental, por uma revolução fiscal que substitua impostos declaratórios sonegáveis por impostos cobráveis eletronicamente na fonte. E a adoção, na Previdência Social, do sistema de capitalização individual, para alavancagem de investimentos.


Roberto Campos é economista e diplomata, foi deputado federal, senador e ministro do Planejamento