quarta-feira, 29 de outubro de 2014

O QUE É SER "NORDESTINO'? RAFAEL BRASIL

Para quem não sabe, o termo nordestino só começa a aparecer, tanto no sentido geográfico, quanto no cultural, depois da chamada revolução de 30, no limiar do processo de formação de uma embrionária tecnoburocracia federal, juntamente com a centralização administrativa e política  do governo Vargas. Assim nos nos ensina o historiador Evaldo Cabral de Melo, sobrinho do grande poeta João Cabral de Melo Neto. Antes era sul e norte. Ou para os mais bairristas, norte e sul.
A região que hoje chamamos de nordeste do Brasil, mais especialmente a joia da coroa, a capitania de Pernambuco, foi, até meados do século XVIII a região mais rica, pois era produtora do principal produto de exportação, o açúcar. Tanto que os holandeses a cobiçaram e ocuparam a região. Assim, passaram mais de duas décadas por aqui, em meados do século XVII. 
Segundo Gilberto Freyre, as terras de massapê, eram todas usadas na plantação da cana de açúcar. Por isto, não raro, se passava fome na colônia, e os escravos eram muito mal alimentados. A coroa portuguesa incentivava o plantio de mandioca para minorar os efeitos da fome, mesmo na capitania mais rica. 
A interiorização da região deu-se pela criação de gado. Não só pela carne, mas também pelo couro, produto muito valioso na época, pois ainda não existia o malfadado plástico. Assim, trabalhadores pobres, muitos livres, e também escravos libertos, vieram ocupar o interior, o agreste e o sertão.
Como estes trabalhadores já eram miscigenados, "preavam" índias e faziam família. Moravam em casebres de sapé e dormiam em camas de varas. Estas atividades, representavam, cerca de um por cento da economia do litoral. Por essas e outras, a grande maioria do povo do interior é cabocla, isto é, mistura de negros, europeus, com a predominância de índios. 
O que hoje chamam de nordeste é uma região multicultural por excelência. Além da multiculturalidade étnica, temos a multiculturalidade geográfica propriamente dita. A chamada zona da mata é muito diferente do semi árido, o nosso querido sertão. Como também é muito diferente o Maranhão, geograficamente ligado a hoje denominada região norte do país.  
Por essas e outras é tão rica a nossa cultura popular. Por exemplo, o samba de coco daqui do agreste é muito diferente do da zona da mata. E vai por aí. 
Economicamente, nossa região, desde o período colonial, sempre teve uma maciça presença do estado. Com a decadência da economia açucareira, a decadência se fez sentir, sobretudo em Recife, antigo grande centro comercial da região. 
A economia do agreste e do sertão ficou restrita à agricultura de subsistência, e da pecuária, com relações trabalhistas quase servis. Daí o banditismo e os movimentos de cunho religioso, como o de Canudos, e logo depois o mito de Lampíão. 
O certo é que, mesmo com forte intervenção estatal (lembram-se da SUDENE?) o atraso continuou na região. Agricultura atrasada, e indústria, mesmo as incipientes como a indústria têxtil em franca decadência desde a segunda metade do século XX. 
Nosso povo é pobre, e falta investimentos na região. Suape foi um grande projeto para Pernambuco, e foi gerado pelos tecnocratas inovadores ligados ao regime militar, como Eraldo Gueiros, e Marco Maciel. Graças a essas pessoas Pernambuco está bem melhor, com uma politica de atração de investimentos. Ou seja, apesar do atraso, temos ilhas de progresso. 
Quem pensar que, quem mudou Pernambuco foi Eduardo Campos está enganado. Claro, ele teve o mérito de manter o estado focado na atração de investimentos, sejam estatais ou privados, nacionais ou estrangeiros. Este novo perfil foi dado por Jarbas, junto com Marco Maciel e sua equipe, que saneou o estado depois de administrações desastrosas  
 Precisamos romper as barreiras da miséria, mas isso só se consegue é com abertura econômica e sobretudo com educação de qualidade. Com a permanência e até o aumento dos programas sociais, estamos criando verdadeiras gerações de "NEM NEM". Ou seja, àqueles que nem estudam nem trabalham. Se estudam não aprendem, pois as escolas são verdadeiros depósitos de crianças e adolescentes. Uma verdadeira lástima. Claro, nem todo mundo é moderno por ter votado em Aécio nem tampouco quem votou no PT é essencialmente atrasado. Mas se valer do medo dos pobres e miseráveis, fazendo terrorismo na eleição, acusando os adversários de querer tirar tais benefícios é de lascar. Aliás nem os milicos fizeram tal coisa. Seria como se membros da antiga ARENA tenham intimidado os eleitores  ameaçando-os de perderem as aposentadorias do antigo FUNRURAL que foram criadas no tempo do general presidente Médici. 
Sou nordestino, mais ligado à chamada cultura sertaneja. Votei contra o PT pois não suporto ver nosso pobre povo vivendo de esmolas. Um grande e criativo povo é bom que se diga. Só com o dinheiro dos investimentos e da educação podemos ver a região livre das esmolas e do coronelismo. Inclusive o novo coronelismo, que são os pequenos marajás dos grotões desta imensa e bela região. Viva o povo nordestino, e abaixo os idiotas de todas as regiões. Àqueles que querem racializar e dividir a nação. Uma banana para eles!  

NOTINHA DE CARLOS BRICKMANN SOBRE O BESTEIROL DO PRECONCEITO CONTRA NORDESTINOS


Besteira tem limite

Aécio Neves, derrotado, cumprimentou sua adversária Dilma Rousseff pela vitória. O pessoal de cúpula de sua campanha até agora se comportou civilizadamente. Em compensação, seus eleitores xiitas saíram falando besteira: criticando os eleitores nordestinos (que deram ampla vitória a Dilma), ameaçando ir embora do país, retomando velhas e imbecis teses separatistas. 

O Brasil, ainda colônia, derrotou duas nações que tentaram dividir-nos: a França (que criou a colônia da França Antártica) e a Holanda, que se instalou em Pernambuco (e, até ser expulsa, até que tomou boas iniciativas). Não seria uma derrota eleitoral que provocaria aquilo que nem duas grandes potências conseguiram. Brasileiro é brasileiro, seja de que Estado for; e com frequência descende de uma mescla de migrantes brasileiros e estrangeiros. Separar-se por perder uma eleição? Ridículo.

E que seria do esplêndido churrasco gaúcho sem o sal grosso de Mossoró?

Dois dias depois de reeleita, “represidenta” sofre derrota histórica na Câmara, que rejeita decreto bolivariano sobre conselhos populares - do blog de Reinaldo Azevedo


Dois dias depois da reeleição de Dilma Rousseff, a Câmara dos Deputados, por ampla maioria — foi realizada em votação simbólica, com encaminhamento de lideranças —, derrubou o Decreto 8.243, o dos Conselhos Populares. Acompanhei a sessão. Voltarei ao assunto com mais detalhes. O PT, o PSOL, o PCdoB e o PROS tentaram desesperadamente obstruir a votação do Decreto Legislativo 1.491, que derruba o de Dilma. Não conseguiram.
Por mais que os governistas, alguns com discursos lastimáveis, tenham afirmado que não se trata de uma derrota de Dilma, a verdade evidente é que se trata, sim. Ela perdeu, e a democracia ganhou.
Não custa lembrar trechos do monstrengo dilmiano. O Artigo 1º do decreto estabelece: “Fica instituída a Política Nacional de Participação Social – PNPS, com o objetivo de fortalecer e articular os mecanismos e as instâncias democráticas de diálogo e a atuação conjunta entre a administração pública federal e a sociedade civil”Sei… O Inciso II do Artigo 3º sustenta ainda que uma das diretrizes do PNPS é a “complementariedade, transversalidade e integração entre mecanismos e instâncias da democracia representativa, participativa e direta”.
Certo! Então os conselhos seriam uma forma de democracia direta, né? Só que é a democracia direta que se realiza à socapa, sem que ninguém saiba. Ou o “cidadão” decide fazer parte de algum “coletivo” ou “movimento social” ou não vai participar de coisa nenhuma. O texto tem o topete de definir o que é sociedade civil logo no Inciso I do Artigo 2º: “o cidadão, os coletivos, os movimentos sociais institucionalizados ou não institucionalizados, suas redes e suas organizações”Ou por outra: é sociedade civil tudo aquilo que o poder decidir que é; e não é o que ele decidir que não é.
Fim da propriedade privadaComo observei numa coluna na Folha, O “indivíduo” só aparece no decreto para que possa ser rebaixado diante dos “coletivos” e dos “movimentos sociais institucionalizados” e “não institucionalizados”, seja lá o que signifiquem uma coisa, a outra e o seu contrário. Poucos perceberam que o decreto institui uma “justiça paralela” por intermédio da “mesa de diálogo”, assim definida: “mecanismo de debate e de negociação com a participação dos setores da sociedade civil e do governo diretamente envolvidos no intuito de prevenir, mediar e solucionar conflitos sociais”.
Ai, ai, ai… Como a Soberana já definiu o que é sociedade civil, poderíamos esperar na composição dessa mesa o “indivíduo” e os movimentos “institucionalizados” e “não institucionalizados”. Se a sua propriedade for invadida por um “coletivo”, por exemplo, você poderá participar, apenas como uma das partes, de uma “mesa de negociação” com os invasores e com aqueles outros “entes”. Antes que o juiz restabeleça o seu direito, garantido em lei, será preciso formar a tal “mesa”…
Isso tem história. No dia 19 de fevereiro, o ministro Gilberto Carvalho participou de um seminário sobre mediação de conflitos. Com todas as letras, atacou a Justiça por conceder liminares de reintegração de posse e censurou o estado brasileiro por cultivar o que chamou de “uma mentalidade que se posiciona claramente contra tudo aquilo que é insurgência”Ou por outra: a insurgência lhe é bem-vinda. Parece que ele tem a ambição de manipulá-la como insuflador e como autoridade.
Vocês se lembram do “Programa Nacional-Socialista” dos Direitos Humanos, de dezembro de 2009? É aquele que, entre outros mimos, propunha mecanismos de censura à imprensa. Qual era o Objetivo Estratégico VI? Reproduzo trecho:
“a- Assegurar a criação de marco legal para a prevenção e mediação de conflitos fundiários urbanos, garantindo o devido processo legal e a função social da propriedade.
(…)
d- Propor projeto de lei para institucionalizar a utilização da mediação como ato inicial das demandas de conflitos agrários e urbanos, priorizando a realização de audiência coletiva com os envolvidos (…) como medida preliminar à avaliação da concessão de medidas liminares (…)”
Dilma voltou à carga, resolveu dar uma banana para o Congresso e, em vez de projeto de lei, que pode ser emendado pelos parlamentares, mandou logo um decreto, que não pode ser emendado por ninguém.
Quebrou a cara. E olhem que isso aconteceu com a atual composição da Câmara. A da próxima legislatura é ainda mais inóspita ao governo. A democracia respira, sim, senhores! Se Dilma quer brincar com essas coisas, que vá para Caracas.
Texto publicado originalmente às 22h31 desta terça
Por Reinaldo Azevedo

Em delação premiada, executivo diz que pagou propina a Renato Duque, que era o homem do PT na Petrobras - do blog de Reinaldo Azevedo


Por Mario Cesar Carvalho, na Folha:
Um executivo de empresa investigada sob suspeita de pagar propina para conseguir contratos da Petrobras disse em seu acordo de delação premiada que o ex-diretor da estatal Renato Duque fazia parte do esquema e recebia suborno, de acordo com duas pessoas que atuam na Operação Lava Jato. O nome do ex-diretor da estatal foi citado por Julio Camargo, executivo da Toyo Setal e primeiro integrante de uma grande empresa investigada sobre desvios na Petrobras a fazer um acordo de delação com procuradores da Operação Lava Jato.
Camargo afirmou que a Toyo pagou propina para obter contratos. Três empresas controladas pelo executivo (Treviso, Piemente e Auguri) repassaram R$ 13,4 milhões à GFD Investimentos, firma de fachada controlada pelo doleiro Alberto Youssef. O montante era para pagamento de propina, de acordo com os procuradores.
Duque foi diretor de serviços da Petrobras entre 2003 e 2012, indicado para o cargo pelo ex-ministro José Dirceu. Ele foi demitido junto com Paulo Roberto Costa, que ocupou a diretoria de abastecimento entre 2004 e 2012, foi preso pela Polícia Federal e também fez um acordo de delação premiada para tentar obter uma pena menor. Costa, que confessou uma série de crimes e vai devolver cerca de R$ 70 milhões que ganhou ilicitamente, já havia citado o nome de Duque em depoimento que prestou na Justiça federal.
Segundo Costa, o PT ficava com 3% do valor líquido dos contratos assinados pela diretoria de serviços. Na sua delação, Costa citou que ajudou a arrecadar recursos para a campanha de Lindberg Farias (PT), candidato derrotado ao governo do Rio. A Toyo Setal, filial de uma empresa japonesa, a Toyo Engineering, tem contratos com a Petrobras cujos valores somam cerca de R$ 4 bilhões.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

Um dos documentos apreendidos pela Polícia Federal mostra a anotação do doleiro Youssef: ‘Leonardo Attuch 6×40.000,00′ - VEJAM DE ONDE VEM O DINHEIRO PAGO A BOA PARTE DOS BLOGUEIROS PETISTAS


Um dos documentos apreendidos pela Polícia Federal mostra a anotação do doleiro Youssef: ‘Leonardo Attuch 6×40.000,00′

“No monitor de uma das meses (sic) havia um post it com a anotação‘Leonardo Attuch 11-950206533 6×40.000.00 24/02/2014′”, informa o trecho do relatório em que a delegada Paula Ortega Cibulsk resume o que foi encontrado, num dos imóveis utilizados pela quadrilha de Alberto Youssef, por agentes da Polícia Federal incumbidos de cumprir o mandado de busca e apreensão expedido pela Justiça. No fim do texto reproduzido abaixo, datado de 17 de março de 2014, a delegada acrescenta que anexou ao relatório um registro fotográfico do documento que vincula o alvo principal da Operação Lava Jato ao blogueiro Leonardo Attuch, proprietário do site Brasil 247.
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As letras e os algarismos que constam do anexo 3, confrontados com outras peças da montanha de documentos capturados pela Polícia Federal, revelaram que o próprio Youssef fez as anotações manuscritas que incorporam Attuch ao bando de políticos, governantes, empresários, funcionários públicos, além de indivíduos, que se apresentam como “jornalistas” envolvidos de alguma forma com um dos comandantes do mais portentoso propinoduto montado no Brasil desde o Descobrimento.
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São tantos os integrantes do esquema forjado para saquear a Petrobras que, como faz a CBF com os times de futebol, os responsáveis pelo esclarecimento dos crimes dividiram informalmente os investigados em duas categorias. Na série A figuram presidentes da República (embolados no G4), ministros de Estado, governadores, figurões do Congresso, megaempreiteiros, diretores da Petrobras e gatunos de alta patente. Na série B aglomeram-se empreiteiros e fornecedores menos graúdos, parlamentares do baixo clero, funcionários do segundo escalão e jornalistas estatizados ou arrendados pela organização criminosa.
Compreensivelmente, a série A tem monopolizado tanto as investigações de campo quanto os interrogatórios de Alberto Youssef e Paulo Roberto Costa, que toparam contar o que muito que fizeram ou sabem em troca dos benefícios da chamada delação premiada. Sorte de Attuch: a Polícia Federal, o Ministério Público e a Justiça Federal ainda não encontraram tempo para devassar as catacumbas da classe B. Mas chegará o dia em que as suspeitíssimas anotações manuscritas terão de ser elucidadas.
O blogueiro costuma desperdiçar seu tempo com a edição de textos abjetos sobre jornalistas independentes, aos quais se seguem “comentários” que difamam, caluniam e afrontam a honra de quem ousa criticar o governo lulopetista. A prudência recomenda que suspenda o serviço sujo e procure a ajuda de um advogado especialmente imaginoso. Vai precisar de um álibi e tanto para escapar do enquadramento no Código Penal.

Terceiro turno. Coluna Carlos Brickmann

28/10/2014 16:13

Campanha pró-impeachment, baseada num abaixo-assinado com mais de um milhão de adesões? Bobagem: Dilma acaba de ser reeleita, com 54,5 milhões de votos, e não existem condições políticas para afastá-la legalmente. Da mesma forma, os 14 pedidos de impeachment já protocolados na Câmara Federal devem morrer por asfixia: o Governo tem maioria folgada e cuidará de arquivá-los.

Mas haverá terceiro turno. Não agora, mas quando forem divulgadas oficialmente, ou vazarem, as delações premiadas de Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef a respeito do Petrolão. Há mais: um diretor de uma das empresas atingidas pela Operação Lava-Jato, da Polícia Federal, já comunicou ao Ministério Público que está disposto a negociar a delação premiada. Há outros interessados.

Com revelações que podem atingir gente importante do Governo, talvez a opinião pública se mobilize (ou não), forçando parlamentares a rever posições. Pode ser que no fim não aconteça nada (Suas Excelências acabam de ser eleitos, e só terão de enfrentar as urnas daqui a quatro anos, quando tudo que hoje é importante não passar de vaga lembrança), mas a dura batalha para deslegitimar o Governo inevitavelmente deixará vítimas - talvez de escalão mais baixo, mas talvez não. 

Nessas épocas de crise ocorrem coisas estranhas (uma bobagem até baratinha, as cascatas artificiais da Casa da Dinda, inflamou a opinião pública. Uma entrevista de Pedro Collor levou à queda de seu irmão, o presidente Collor). Também pode acontecer de Dilma domar a crise. 

Como se vingará em seguida?

Profeta do passado

Como ensina a banda Capital Inicial, vivemos olhando o futuro e prevendo o passado. Prever o passado é bem mais fácil; o futuro insiste em desafiar os prognósticos. Mas pode-se prever que, a menos que Dilma mostre qualidades de conciliação e liderança (que até agora ocultou), que seja capaz de negociar em benefício da estabilidade do país, que seja capaz de lidar com a insatisfação pública de boa parte da Polícia Federal, o clima, já ruim, pode degenerar. 

É ruim para todos - até para quem vencer e tiver de comandar um país dividido e envenenado. 

Flagrante do clima

Como é que gente do comando vitorioso se comporta após a vitória? O ministro das Relações Institucionais, Ricardo Berzoini, abordado por um repórter do programa CQC, deu um soco no microfone e foi embora. A presidente reeleita Dilma Rousseff, na Rede Record, foi grosseira com a jornalista Adriana Araújo, que lhe perguntou se o presidente do Bradesco, Luiz Trabuco, seria o próximo ministro da Fazenda.

Dilma: "Você está lançando um nome, Adriana?" E, voltando-se para quem estava no estúdio, debochou: "Ela está lançando um nome!"

De tardementa

Logo depois, na Globo, a presidente voltou a seu estilo habitual: criticou o eleitor de São Paulo por reeleger o governador Alckmin e a imprensa por, segundo ela, não realçar o risco da falta dágua. "Fosse com qualquer Governo da situação, nós seríamos criticados diuturna e noturnamente". 

Pois é: Governo só pode ser da situação. Se fosse da oposição, não seria Governo. E "diuturnamente" não tem nada a ver com dia: quer dizer "por longo prazo". É o que dá permitir que o marqueteiro João Santana vá para longe, Paris, tirar alguns dias de férias.

Besteira tem limite

Aécio Neves, derrotado, cumprimentou sua adversária Dilma Rousseff pela vitória. O pessoal de cúpula de sua campanha até agora se comportou civilizadamente. Em compensação, seus eleitores xiitas saíram falando besteira: criticando os eleitores nordestinos (que deram ampla vitória a Dilma), ameaçando ir embora do país, retomando velhas e imbecis teses separatistas. 

O Brasil, ainda colônia, derrotou duas nações que tentaram dividir-nos: a França (que criou a colônia da França Antártica) e a Holanda, que se instalou em Pernambuco (e, até ser expulsa, até que tomou boas iniciativas). Não seria uma derrota eleitoral que provocaria aquilo que nem duas grandes potências conseguiram. Brasileiro é brasileiro, seja de que Estado for; e com frequência descende de uma mescla de migrantes brasileiros e estrangeiros. Separar-se por perder uma eleição? Ridículo.

E que seria do esplêndido churrasco gaúcho sem o sal grosso de Mossoró?

A presidente e o Supremo

Esqueça a preocupação com as nomeações de Dilma para o Supremo. É verdade que, de acordo com o previsto, ela deve indicar cinco nomes. É verdade que, em 2016, só deverá haver um ministro não indicado nem por Lula nem por Dilma: Gilmar Mendes, nomeado por Fernando Henrique, cuja aposentadoria compulsória, aos 70 anos, está marcada para 2025.

Só que não muda nada: dos dez ministros atuais do Supremo (falta indicar o substituto de Joaquim Barbosa), nove foram indicados por Lula, Dilma ou presidentes que estão em sua base de apoio, Collor (Marco Aurélio) e Sarney (Celso de Mello). Isso não impediu que o Governo fosse derrotado em várias ocasiões - inclusive no processo do Mensalão, comandado por Joaquim Barbosa, um dos indicados de Lula. Ministro do Supremo não depende de quem o nomeou: tem independência garantida. Nomeie dez, nomeie todos, isso não assegura vitórias sucessivas ao Governo.

COLUNA DE CLAUDIO HUMBERTO “Estende uma mão e, na outra, tem um punhal” Senador Aloysio Nunes (PSDB-SP) sobre a proposta de ‘diálogo” de Dilma Roussef



Contrabando na MP 651 livra aéreas de impostos

Um dos “contrabandos” do governo na Medida Provisória 651 isenta as companhias aéreas de Imposto de Renda Pessoa Jurídica, CSLL, PIS, PASEP e Cofins sobre passagens compradas com cartões corporativos até 2017. Pior: para driblar a Lei de Responsabilidade Fiscal, que veda essa renúncia fiscal de R$ 19 milhões, a conta será paga pelo aumento de 0,38% para 6,38% no IOF de quem compra dólares para viajar.

Escândalos

É um duplo absurdo: a MP isenta as áreas de impostos e o governo federal fica autorizado a comprar passagens com cartões corporativos.

Balcão de negócios

Agora é habitual inserir “contrabandos” em medidas provisórias, no balcão de negócios do Congresso, desvirtuando os temas originais.

Enxertos

A medida provisória 651 recebeu 334 emendas, quase todas produto de lobbies inescrupulosos, fazendo-a saltar de 51 para 114 artigos.

Outras providências

A MP 651 trataria do Refis da Crise e outras medidas para dinamizar o mercado de capitais, mas no caput há a frase “outras providências”.

Lobão já se prepara para deixar Minas e Energia

Com a reforma ministerial para compor o segundo governo Dilma, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão (PMDB-MA), se prepara para deixar o cargo no governo e reassumir sua cadeira no Senado. Ele já mandou avisar seu gabinete no Senado que vai deixar o cargo ainda na primeira semana de novembro, e que pretende levar sua equipe do ministério para ocupar seus (muitos) cargos comissionados.

Desgaste

Edison Lobão entrou para a lista negra da presidente Dilma após os rumores de seu envolvimento no esquema bilionário de corrupção na Petrobras.

Quando 2015 vier

Marina Silva, que vai sair do PSB, entregará somente em 2015 ao TSE as 31 mil assinaturas que faltam à criação da Rede Sustentabilidade.

Lula forma o governo

Derrotado para o Senado em Minas, Josué Alencar é cotadíssimo para o Ministério de Indústria, Desenvolvimento e Comércio Exterior.

Missão impossível

Dilma pediu à cúpula do PMDB para apelar aos governadores eleitos do partido a fim de que suas bancadas atuem contra a candidatura de Eduardo Cunha (RJ) à presidência da Câmara. Missão impossível.

Vexame

Dirigido no Brasil pelo petista Pedro Abramovay, ex-auxiliar de Dilma, o site de abaixo-assinados Avaaz congelou por todo o dia de ontem em 1,3 milhão o contador de adesões à petição pelo seu impeachment.

Disso ele entende

O megalonanico Celso Amorim cola em Lula para voltar a ser ministro das Relações Exteriores pela quarta vez, ou para indicar ao cargo alguém que possa manipular – como ele próprio foi manipulado pelo saudoso José Aparecido de Oliveira, no governo Itamar Franco.

Criminosos na mira

A polícia investiga ataque ao portal Diário do Poder, domingo. A Lei Carolina Dickmann e o Marco Civil na Internet preveem prisão dos criminosos e indenização por dano moral.

Olha o caráter do PTB

O PTB declarou apoio a Aécio Neves, mas, segundo seu líder na Câmara, Jovair Arantes (GO), 22 dos 25 deputados eleitos fizeram campanha para Dilma: “Foi um tiro no pé romper com o governo”.

Corporativismo

Empresa sediada nos Estados Unidos descobriu que o advogado contratado para uma disputa judicial, em Santa Catarina, passou a prestar serviços à parte contrária. E o processo não andava. A queixa da empresa dormita há 45 dias nas gavetas do “tribunal de ética” da OAB-SC.

Isolado

O governador André Puccinelli (MS) ficou em maus lençóis no PMDB, após haver rifado candidato do partido, Nelson Trad, para apoiar Delcídio Amaral (PT), afinal derrotado por Reinaldo Azambuja (PSDB).

Pilantra solto

Recusando a extradição do mensaleiro petista Henrique Pizzolatto, corrupto transitado em julgado, a Itália deu o troco no Brasil de Lula, que protege outro bandido, o terrorista italiano Cesare Battisti.

Reciprocidade

O leitor Jorge Rodini acertou no olho da mosca: “Quem com Battisti fere, com Pizzolato será ferido”.


PODER SEM PUDOR

Mineiro opositor

A história foi contada ao governador de Minas, Itamar Franco, entre risos, nos tempos em que havia alguma expectativa de composição com FHC. Relata o diálogo entre um garoto e seu pai, que visitavam Ouro Preto. No Museu Tiradentes, o pai explicou, muito compenetrado:

- Este foi Joaquim José da Silva Xavier. Morreu pela Pátria, deu sua vida para nos livrar do jugo português. Um grande homem!

Antes que o filho se empolgasse, o pai advertiu:

- Não se impressione, me filho. Foi o único mineiro que ficou contra o governo e terminou esquartejado. Respeite sua história, jamais o gesto.

DITADURA CLEPTOCRÁTICA TOGADA - RAFAEL BRASIL

A ditadura cleptocrática togada, do consórcio PT/ STF, se baseia nos princípios fundamentais de qualquer ditadura comunista. Terrorismo de e...