quinta-feira, 30 de maio de 2013

AMISTOSO DA SELEÇÃO SUSPENSO PELA JUSTICA


Pé frio de Dilma entra em ação e Justiça do Rio suspende amistoso no Maracanã

Olho gordo – Engana-se quem pensa que a presidente Dilma Rousseff herdou de seu antecessor apenas as pílulas de ufanismo, a cartilha da mitomania, a inflação e a incompetência governamental. Na herança maldita deixada pelo messiânico e fugitivo Lula consta também o famoso “pé frio”, que transformou o ex-metalúrgico em persona non grata em inaugurações e apoio a esportistas.

A exemplo de seu mentor eleitoral, Dilma tem levado onda de azar locais e temas da Copa do Mundo. Depois de megalômano evento no Palácio do Planalto, onde foi lançada oficial e efusivamente a tal da “caxirola”, o instrumento musical inventado (sic) por Carlinhos Brown foi proibido pela FIFA nos jogos da Copa das Confederações. E essa decisão deve ser estendida à Copa do Mundo. Azar de quem acreditou nessa invencionice absurda e apostou fortunas em algo que é mera cópia.
Há dias, depois de ver a presidente Dilma Rousseff dar o primeiro pontapé na Arena Fonte Nova, em Salvador, os baianos foram tomados pela notícia que parte da cobertura do estádio cedeu por causa da chuva. Ou seja, nem mesmo os santos da Bahia foram capazes de neutralizar o pé frio de Dilma.
Na tarde desta quinta-feira (30), a juíza Adriana Costa dos Santos, da 13.ª Vara de Fazenda da Capital e que responde pelo plantão judiciário do Rio de Janeiro, concedeu liminar que suspende o amistoso entre Brasil e Inglaterra, no Maracanã, marcado para o próximo domingo (2).
O pedido para o cancelamento do jogo foi feito pelo Ministério Público, que solicita que a partida seja suspensa para “garantir a segurança”, até que sejam apresentados os laudos técnicos que comprovem que o estádio está em condições de sediar jogos e eventos.
Em seu despacho, a juíza foi clara: “Apesar das inúmeras solicitações feitas pelo Ministério Público, os laudos não foram entregues em sua totalidade, não havendo, até o momento, a comprovação de que o estádio apresenta os requisitos mínimos necessários para a realização de jogos ou eventos”.
Difícil será explicar aos ingleses que os cofres públicos foram saqueados em mais de R$ 1,3 bilhão para a construção de um estádio que não tem segurança e pode não funcionar durante a Copa das Confederações. Mais uma vez o pé frio de Dilma entrou em ação.
A incompetência que grassa de Norte a Sul conseguiu transformar um dito popular na mais completa tradução de um país de governantes irresponsáveis, pois o Maracanã agora é de fato apenas paa inglês ver.

quarta-feira, 29 de maio de 2013

LEIAM ENTREVISTA: OLAVO DE CARVALHO E A ASTROLOGIA


A Amnésia moderna
Entrevista com Olavo de Carvalho 
Roberta Tótora - Editora da Porto do Céu

Não há como ficar inerte e não parar para pensar diante de um texto de Olavo de Carvalho. Autor de livros polêmicos como O Imbecil Coletivo, o filósofo tem sacudido os meios universitário e cultural do país, com sua análise crua e profunda da intelectualidade nacional. Mais do que 
criticar personalidades em grandes veículos de comunicação e criar inimizades, Olavo diz lutar contra uma postura "imbecilizante" do pensamento, buscando retomar os valores da verdadeira Filosofia, esquecida por uma modernidade arrogante e sem memória. Poucas pessoas sabem que o filósofo é também astrólogo e que considera a Astrologia um estudo obrigatório para aqueles que procuram saber sobre Filosofia e Cultura, não só como uma mera curiosidade histórica, mas como um sistema de pensamento sobre o qual nossa sociedade está estruturada até hoje. Olavo de Carvalho falou com exclusividade à Porto do Céu sobre a importância do estudo astrológico e os problemas da sua utilização nos dias de hoje.


Porto do Céu - Como a Astrologia contribuiu para a sua formação?

Olavo de Carvalho - Muito. Não existe possibilidade alguma de entendimento de qualquer civilização antiga sem o conhecimento da Astrologia. O modelo de visão do mundo baseado nos ciclos planetários e nas esferas esteve em vigor durante milênios e isto continua a estar, de certo modo, no "inconsciente" das pessoas. Apesar de algumas deficiências no modelo astrológico, foi ele quem estruturou a humanidade pelo menos a partir do império egípcio-babilônico, o que significa, no mínimo, cinco mil anos de história. A Astrologia é um elemento obrigatório, por isto quem não a estudou, não estudou nada, é um analfabeto, um estúpido. O trabalho mais vigoroso nas ciências humanas do século XX, por exemplo, só aconteceu depois da existência do Instituto Warburg, fundado em Londres por um milionário judeu fugido da Alemanha, que juntou, durante 20 anos, as melhores cabeças do século em torno de uma coleção de manuscritos astrológicos e alquímicos. Sem este estudo, a comunidade acadêmica nunca teria qualquer possibilidade de compreensão real das civilizações antigas.


Porto do Céu - Quais as conseqüências da perda deste conhecimento em nosso tempo?

Olavo de Carvalho - A conseqüência é simplesmente não entender mais o passado. Se alguém não entende as civilizações antigas, não sabe mais onde está. É uma amnésia.


Porto do Céu - Como foi que o Sr. entrou em contato com a Astrologia?

Olavo de Carvalho - Foi uma casualidade. O Dr. Müller contratou-me na época em que eu trabalhava no Jornal da Tarde para redigir um curso de psicologia baseado em astrologia, já que era argentino e não dominava muito bem o português. Depois destas aulas, um mundo sem limites se abriu para mim.


Porto do Céu - Qual é a sua relação com a Astrologia hoje?

Olavo de Carvalho - O meu acerto de contas com a astrologia foi o curso "Astrocaracterologia", uma espécie de conclusão que tirei dos meus vinte anos de estudo e que fechou a minha contribuição para o assunto. Eu equacionei a Astrocaracterologia de tal modo que, para avançar de onde parei, só mesmo a pesquisa experimental. Para se formar uma ciência, é preciso levantar uma série de conceitos; destes conceitos, tirar hipóteses; das hipóteses, um método e dos métodos, as pesquisas. A parte teórica eu pude concluir, mas daí para frente, a Astrocaracterologia deixou de ser problema teórico para ser de investigação científica. Eu não tenho condições de dar continuidade a estas pesquisas porque precisaria de tempo, gente e dinheiro. Voltar a mexer neste assunto só me deixaria desesperado, porque eu não poderia realizar as investigações necessárias para responder as questões que levantei.


Porto do Céu - É possível resgatar a Astrologia tradicional nos dias de hoje?

Olavo de Carvalho - Não sei. Isto é um tremendo abacaxi. Primeiro: não existe uma só astrologia tradicional, mas milhares. Quando falamos "tradicional", estamos nos reportando a certas épocas, onde esta Astrologia estava integrada completamente nas civilizações. Se a pergunta é "nas condições da nossa sociedade, é possível produzir uma astrologia tradicional?", a resposta é "não". Precisamos retomar o estudo astrológico de um outro plano, para estruturar uma ciência. Só que não fizemos nem uma coisa nem a outra. Os astrólogos não fizeram porque têm preguiça e os outros, porque têm preconceito. Só quem se interessou realmente pela Astrologia foram historiadores e filólogos, cuja função não é desenvolver a Astrologia, mas estudar o que ela foi e qual o lugar dela nas civilizações antigas. Estes fizeram a sua parte e levaram a coisa a sério.


Porto do Céu - O trabalho dos astrólogos, então, seria pesquisar junto aos textos antigos e desenvolver a astrologia enquanto ciência, já que é impossível o resgate da astrologia tradicional?

Olavo de Carvalho - Eu não diria que esta é a única possibilidade. Você não imagina como esta sua pergunta é difícil. A resposta é: não sei (risos). Não sei.


Porto do Céu - O Sr. afirma no seu livro "Astros e Símbolos" que não é possível a compreensão da Astrologia sem a prática de um esoterismo vivente, só alcançado através de um compromisso com um exoterismo ortodoxo. É neste sentido que é impossível a compreensão desta e de outras ciências tradicionais em nosso tempo?

Olavo de Carvalho - A própria descrição de esoterismo e exoterismo, que levei a sério por muito tempo, eu não aceito mais. Ela não é suficiente, é muito pobre, apesar de poder ser válida. Esoterismo e exoterismo são conceitos que só se aplicam tal e qual no conceito islâmico, onde existe uma fronteira, uma lei exotérica clara que funciona para todo mundo, e organizações esotéricas, que são para os que estão interessados. Esta fronteira, tão clara no mundo islâmico, não existe no mundo cristão e em outras tradições. Como é que podemos falar em esoterismo e exoterismo no contexto budista, por exemplo? Na obra de René Guenon, ele aplica este conceito a todas as tradições, mas isto é uma espécie de "islamização" das religiões e o próprio Guenon estava consciente disso.


Porto do Céu - A Astrologia, então, pode ser resgatada num contexto cultural, mas não a astrologia tradicional?

Olavo de Carvalho - A Astrologia esteve integrada de algum modo às tradições, mas hoje em dia não temos mais tradição espiritual nenhuma. Temos, sim, uma devastação. Como é que podemos recuperar somente a Astrologia, se ela é apenas um pedaço do equipamento? Só podemos no sentido de estudo histórico, de compreensão do passado ou então sob uma forma de ciência, do modo como as ciências hoje são compreendidas.


Porto do Céu - Esta visão que o Sr. tem hoje é diferente da apresentada nos seus livros sobre Astrologia.

Olavo de Carvalho - Os três livros que escrevi sobre Astrologia foram redigidos para um grupo de pessoas que estavam metidas até a goela no esoterismo islâmico. Para entender-se o que está escrito, é preciso saber para quem foi escrito. Nada do que está ali pode ser transposto para um público geral sem que sejam feitas as devidas conversões. Se eu fosse reeditar estes livros, no lugar de uma página, teria que escrever trinta. Com estas perguntas, você não tem idéia da complicação que me arrumou (risos). A maior parte das coisas que está me perguntando, eu terei que responder "não sei". São talvez as questões mais espinhosas da nossa civilização e, no entanto, tem gente que dá palpites sobre elas a torto e a direito.


Porto do Céu - Esta perda das tradições espirituais tem alguma coisa a ver com a era de Aquário?

Olavo de Carvalho - A era de Aquário é exatamente isto, a era da farsa, e já estamos nela. O Anticristo já está aí. Hoje, através dos meios de comunicação, é possível que dez pessoas mintam simultaneamente para bilhões e a farsa fica estabelecida.


Porto do Céu - Existe alguma espécie de compensação para os homens que estão vivendo na nossa época?

Olavo de Carvalho - Sim. As pessoas são julgadas com menos severidade. Deus, nesta época, suporta coisas que em outros tempos não suportaria. Nós estamos conversando sobre coisas aqui que, no passado, demoraríamos uns vinte anos para compreender, só depois de rezar muito. Hoje não precisamos passar por diversas práticas ou rituais de iniciação para compreendermos uma série de coisas. Esta é uma espécie de compensação natural ou sobrenatural, da mesma forma que o julgamento de Deus sobre as almas torna-se muito mais brando. Se você está no meio da confusão geral e ainda está tentando descobrir o que é o certo, no meio de pessoas que não sabem mais distinguir o bem do mal, então você já fez muito.


Porto do Céu - O Sr. não utiliza os planetas Urano, Netuno e Plutão em suas análises astrológicas. Acha impossível estabelecer um simbolismo correto para estes planetas?

Olavo de Carvalho - Não sei. Deixei este assunto de lado, porque achei que ele era mais um abacaxi. Se há alguém que não pode opinar sobre o assunto, este alguém sou eu. Não atendo para leitura de mapas há uns vinte anos, mas foi exatamente depois que deixei de trabalhar profissionalmente que comecei a estudar mesmo a astrologia. Se você está em dúvida a respeito de tudo e mexendo nos pilares de uma ciência, não tem como trabalhar com ela no campo da prática diária. Não dá para desmontar um carro e andar nele ao mesmo tempo. O questionamento teórico da Astrologia é muito profundo. Não utilizei Urano, Netuno e Plutão porque percebi que isto me colocava perguntas muito mais complicadas do que aquelas com que eu estava lidando, utilizando apenas os sete planetinhas.


Porto do Céu - O que o Sr. pensa das interpretações atribuídas a estes planetas descobertos nos últimos séculos?

Olavo de Carvalho - Urano, por exemplo, recebe uma interpretação já muito ligada ao próprio espírito moderno. Certas organizações esotéricas agem, ritualmente, no sentido da interpretação que elas próprias atribuíram ao planeta. Os ciclos destes astros começam a trabalhar mais neste sentido, porque são reforçados pela ação humana. Eu não acredito, realmente, que um planeta possa trazer a ideologia da revolução francesa. Agora, quando se quer realizar uma grande mudança no mundo, saber da existência de um novo planeta pode ser maravilhoso, já que possibilita a realização de toda uma reinterpretação da história, com base nos significados que você mesmo quis atribuir a ele. Acontece a mesma coisa com Netuno e Plutão, mas isto não quer dizer que estas interpretações não funcionem, porque parcialmente estes efeitos podem corresponder ao dos planetas, embora sejam apenas uma parte destacada do significado total daquele astro. Até o sétimo planeta, os astrólogos contavam com uma interpretação estável entre várias civilizações e não dá para justificar estas interpretações apenas como produto ideológico de tais civilizações. Mas nestes últimos, você tem interpretações específicas da astrologia ocidental, feita quase que totalmente por sociedades secretas. Essas interpretações não tem universalidade, apesar de poderem ser parcialmente válidas. Acho que somente lá perto do século XXV que será possível entender este problema. A gente pode perguntar tudo, mas não ter todas as respostas de uma vez.


Porto do Céu - A astrologia está, então, numa encruzilhada?

Olavo de Carvalho - Sim, ela está em uma confusão miserável. Nunca um século foi tão difícil de ser entendido contemporaneamente como este. Nós estamos vivendo numa era verdadeiramente terrível. O número de coisas que dá para saber e utilizar como orientação é muito pequeno. A humanidade sempre soube mais ou menos o que estava acontecendo, as decisões de reis e príncipes não eram mistérios inimagináveis. Hoje são. As pessoas poderosas estão distantes, cercadas por muros e muros de segredos e mentiras. Os instrumentos de ocultação são monstruosos. Mais do que na era da informação, estamos na da ocultação.


Porto do Céu - Diante de todas estas confusões incorporadas à Astrologia nos dias de hoje, ainda vale a pena falar sobre o assunto?

Olavo de Carvalho - Se é para as pessoas entenderem o que está acontecendo, é claro que vale a pena. As discussões públicas sobre isto são muito problemáticas, e é preciso ter paciência para explicar tudo, o que numa entrevista é impossível. Vale mais é ensinar para aqueles que estão dispostos a estudar ao longo dos anos.

A REALIDADE DA TRANSPOSIÇÃO DO SÃO FRANCISCO - BRANCA NUNES

O Brasil Real continua a sofrer com a falta d’água solucionada no Brasil Maravilha pela transposição do Rio São Francisco

BRANCA NUNES
“Além das ações emergenciais, estamos investindo em infraestrutura para garantir fornecimento estável de água mesmo em períodos de seca”, viajou Dilma Rousseff no programa Conversa com a Presidenta desta terça-feira, depois de lhe perguntarem o que tem feito o governo para enfrentar a maior seca dos últimos 50 anos. Já na decolagem, festejou os 6 mil carros-pipa imaginários e 296 mil cisternas de armazenamento de água para o consumo humano e 12 mil para a produção”.
Alcançou a estratosfera em seguida: “Em Pernambuco, são dezenas de obras do PAC para oferta de água, dentre as quais o Ramal do Agreste, que ligará o Eixo Leste da Transposição do Rio São Francisco à Adutora do Agreste, garantindo água para 68 municípios pernambucanos, incluindo Arcoverde”. No Brasil Maravilha que Lula fundou e Dilma não para de aperfeiçoar, a transposição das águas do Rio São Francisco está sempre a um passo da inauguração.
“A água desce por gravidade até uma estação de bombeamento, onde é transportada até um nível mais alto por energia elétrica”, informa o locutor federal no vídeo institucional sobre a obra, enquanto desfilam na tela imagens produzidas por computação gráfica. “Quando há alguma depressão no terreno, especialmente sobre os vales dos rios, o canal é convertido em um aqueduto que transpõe o vão como uma ponte”. Não é pouca coisa.
Mas não é tudo: “Como o canal passa por uma região muito seca, algumas tomadas de água serão criadas no caminho para atender as comunidades vizinhas”. E tem mais: “Ao longo do trajeto, a água é acumulada em reservatórios, onde ela pode seguir caminho, abastecer as populações próximas ou em alguns pontos usada para gerar energia elétrica”.
No Brasil real, as coisas são muito diferentes. “O projeto lembra hoje uma quilométrica passarela de retalhos na qual faltam costura e pedaços de tecido”, constatou uma reportagem publicada em abril pelo jornal O Globo.“Aquela que seria a rendição de 12 milhões de sertanejos não passa de um conjunto de canais desconectados, dutos enferrujados com ferros retorcidos e estação elevatória que parece um fantasma de concreto”.
Embora as obras não tenham chegado sequer à metade (o governo celebra “mais de 43% de avanço”), o preço dobrou. Os R$ 4,8 bilhões estimados em 2007 subiram para R$ 8,2 bilhões – dos quais R$ 3,6 bilhões já foram desembolsados. Também os prazos fixados originalmente foram desmoralizados pela realidade. Lula prometeu em 2006 que a transposição do São Francisco estaria concluída em 2010. Dilma promete entregar o colosso invisível em 2015.
Até agora, nenhum sertanejo foi beneficiado por uma única gota de mais um milagre brasileiro. “A firma foi-se embora. Começaram fazendo o serviço, depois abandonaram e tá desse jeito agora, só buraqueira”, conta Damião Serafim dos Santos, morador de Sertânia (PB), no vídeo publicado pela TV Estadão neste domingo (assista abaixo). Dentro de uma das valas onde deveria estar correndo a água do São Francisco, hoje retomada pela vegetação, Damião extrai a conclusão óbvia: “Agora tem que fazer tudo de novo”.
Os 9 mil funcionários que chegaram a trabalhar nos canteiros de obras foram reduzidos a 4,6 mil. “Tem dia que só aparecem três clientes”, disse ao GloboEliane Maria da Silva, ex-trabalhadora rural que montou um restaurante e chegou a vender 400 refeições por dia em Floresta, no interior de Pernambuco.
As obras que pegaram carona na transposição também enfrentam problemas. No Rio Grande do Norte, por exemplo, a adutora do Alto Oeste, que já consumiu R$ 35 milhões, corre o risco de ficar sem serventia. O reservatório roça a fronteira do colapso. Quase 150 municípios potiguares castigados pela seca decretaram estado de emergência.
Caso visitasse os canteiros de obras, Dilma Rousseff descobriria que o que diz não tem semelhança alguma com o que se vê. E também encontraria sem esforço os miseráveis e desempregados que acabaram no Brasil Maravilha. Uma escala na pernambucana Curralinho, por exemplo, poderia proporcionar à presidente uma didática conversa com Rosalina Maria dos Santos. “Nós somos pobres”, garante Rosalinha, em frente à casa de pau a pique que emoldura a integrante de uma espécie oficialmente extinta. “Num lugar como esse aqui nós não temos emprego não. Não tem água para trabalhar na roça. Se nós tivesse água, nós trabalhava, mas nós não tem água”.
Terminada a viagem, é provável que Dilma Rousseff  recebesse com mais desconfiança os resultados das pesquisas de popularidade. Talvez até aprendesse que não é possível mudar a vida real por decreto.

DEPOIS DE CHÁVEZ - NORMAN GALL

Depois de Chávez ALDIR BLANC 
N
o dia de sua posse, o presidente Hugo
Chávez estava ausente, provavelmente
lutando contra a morte num hospital de
Cuba depois de sua quarta operação para remover um tumor recorrente no abdômen. Em
esforços frenéticos para manter algo do carisma e da
autoridade de Chávez, enquanto a Venezuela afunda na desordem, seus mais próximos colaboradores
reuniram milhares de partidários em frente ao Palá-
cio Miraflores, em Caracas, e pediram-lhes que levantassem as mãos e fizessem este juramento:
“Juro, pela Constituição Bolivariana, que defenderei a presidência do Comandante Chávez nas ruas,
com bom senso, de forma verdadeira e com a força
da inteligência de um povo que se liberou do jugo
da burguesia.”
A genialidade de Chávez para a recompensa
psicológica, concedida a seus seguidores, não é
compartilhada por seus mais próximos colaboradores, que se encontraram em Havana com o alto-comando da Revolução Cubana dias antes da
data prevista para a posse, 10 de janeiro, para decidir o que fazer. O vice-presidente Nicolás Maduro esteve pelo menos cinco vezes com o presidente Raúl Castro e o vice-presidente Ramiro Valdés,
de Cuba, que por muitos anos dirigiram o aparato
de segurança do regime de Fidel Castro. Valdés
hoje supervisiona a massa de 40 mil cubanos enviados à Venezuela como médicos, instrutores esportivos, planejadores, assessores militares e
agentes, muitos dos quais estão incorporados às
Forças Armadas da Venezuela, aos ministérios do
Exterior e da Fazenda, portos, rede elétrica, banco
central e órgãos de inteligência.
Os cubanos também foram contratados para
criar passaportes eletrônicos e carteiras de
identidade, concentrando os dados pessoais
dos 30 milhões de venezuelanos. Muitos desses
serviços são pagos em espécie e em troca do fornecimento de mais de 100 mil barris diários de
petróleo a Cuba, a preços abaixo do mercado, o
que salvou a economia socialista cubana do colapso — ela vinha afundando para níveis próximos da subsistência.
A noção de uma “Cubazuela” emergente continua sendo uma questão delicada, especialmente entre os militares venezuelanos, apesar
dos expurgos dos oficiais ressentidos com a interferência cubana na vida nas Forças Armadas.
Em meio à confusão que hoje se aprofunda, não
se pode esquecer que a conspiração está no
DNA dos militares venezuelanos. O melhor
exemplo disso é a carreira de Chávez como
conspirador contumaz desde que era um jovem
oficial, nos anos 1970, até a tentativa de golpe de
1992, que o lançou em ascendência política.
Virtualmente todas as mudanças nas estruturas políticas da Venezuela nas últimas sete dé-
cadas — em 1945, 1948, 1958 e 1992, com alternância brusca entre ditadura e democracia —
foram precipitadas por levantes militares. Um
provérbio decorrente dessas experiências, ainda repetido hoje, é que o próximo golpe será liderado por jovens oficiais ou sargentos desconhecidos para o governo estabelecido.
Qualquer que seja o resultado imediato, a Venezuela continuará sendo uma sociedade polarizada no futuro previsível, e o chavismo, um
protagonista na política nacional, da mesma
forma que o peronismo segue sendo uma força
vital na Argentina seis décadas após a derrubada de Juan Domingo Perón, em 1955.
No entanto, a Venezuela hoje está ameaçada
por severa inflação, tendo desperdiçado quase
US$ 1 trilhão em receita do petróleo e empréstimos desde que Chávez ganhou a primeira elei-
ção, em 1998. A inflação ao consumidor, não
obstante controle de preços e maciços subsídios
à importação, deverá romper a meta oficial de
20% no ano. Há estimativas de que o déficit fiscal alcance 17% do PIB, obscurecido por fundos
à margem do orçamento acessíveis apenas a
Chávez e seus colaboradores mais próximos.
Até que Chávez retornasse a Cuba em dezembro
para sua última cirurgia, funcionários vinham
planejando uma grande desvalorização da moeda — o preço do dólar no mercado negro está
quatro vezes acima da cotação oficial.
Até agora, a Venezuela tem sido salva do colapso econômico pela alta dos preços do petró-
leo na última década. Apesar de se gabar de
uma das maiores reservas mundiais de petró-
leo, a produção venezuelana caiu de 3,2 milhões de barris por dia em 1998 para 2,4 milhões
hoje, devido a politicagem, má administração e
corrupção na empresa estatal.
A PDVSA, a estatal petrolífera, gerou oito novas subsidiárias para entrar nas áreas de construção civil e na produção, importação e distribuição de comida, expandindo sua folha de pagamentos de 39 mil para 115 mil desde 2002, a
despeito de ter despedido 22 mil pessoas, incluindo a maior parte de sua equipe técnica e gerencial, que entraram em greve em 2002 em
protesto contra a politização da companhia.
A Venezuela se tornou um dos maiores importadores de gasolina e diesel dos EUA, após uma
série de grandes acidentes em suas refinarias e
outras instalações, atribuídos a manutenção insuficiente, que também responde por blecautes
elétricos crônicos em todo o país. O maior sintoma de desordem social é a epidemia de assassinatos e sequestros, que tornou Caracas uma das
cidades mais perigosas do mundo e triplicou a
taxa nacional de homicídios desde 1998 para
mais de 50 em cada 100.000 pessoas.
A Venezuela representa uma advertência para
o resto da América Latina a respeito do custo da
degradação e a falência das instituições públicas. A história da Venezuela descreve o impacto
da receita ascendente do petróleo em institui-
ções fracas, agravado pela rápida urbanização.
Depois que Chávez se for, a Venezuela continuará sobrecarregada pela pobreza e pelo conflito,
até que iniciativas coerentes sejam desenvolvidas em esforços a longo prazo para superar a
desordem e a polarização.
No momento, a economia está em frangalhos
enquanto muitos potenciais sucessores, civis e
militares, competem para assumir um legado
duvidoso. Parte deste legado é a divisão das tendências democráticas na América Latina entre
regimes populistas com instituições fracas — como em Venezuela, Bolívia, Argentina e Equador
—, e repúblicas mais cautelosas — como Chile,
Peru, Colômbia e México —, que lutam por estabilidade, crescimento e justiça social via engajamento mais profundo na economia mundial. l
Norman Gall é

MANUAL DO PERFEITO IDIOTA LATINO-AMERICANO





Acredita que somos pobres porque eles são ricos e vice-versa, que a história é uma bem-sucedida conspiração dos maus contra os bons, onde aqueles sempre ganham e nós sempre perdemos (em todos os casos, está entre as pobres vítimas e os bons perdedores), não se constrange em navegar no espaço cibernético, sentir-se on line e (sem perceber a contradição) abominar o consumismo. Quando fala de cultura, ergue a seguinte bandeira: “O que sei, aprendi na vida, não em livros; por isso, minha cultura não é livresca, mas vital.” É o idiota latino-americano.

Eis a descrição do idiota na apresentação, redigida pelo escritor peruano Mário Vargas Llosa, à obra Manual do perfeito idiota latino-americano, de Plínio Apuleyo Mendoza, Carlos Alberto Montaner e Álvaro Vargas Llosa. Intencionalmente polêmico, o livro traça, com humor ferino, o perfil do sujeito que freqüentou universidade e, depois, passou a militar nos sindicatos, nos partidos, nas ongs e outras associações que se dizem sociais. De quebra, destrói impiedosamente a galeria de mitos revolucionários e heróis populistas que infestaram a região.

A idiotia latino-americana, diz ainda o apresentador, é deliberada e de livre-escolha: “é adotada conscientemente por preguiça intelectual, apatia ética e oportunismo civil. É ideológica e política, mas acima de tudo frívola, pois revela uma abdicação da faculdade de pensar por conta própria, de cotejar as palavras com os fatos que pretendem descrever, de questionar a retórica que faz as vezes de pensamento.” Não parece uma descrição fiel da intelectualidade brasileira que se diz “esquerdista”?

O idiota latino tem sempre uma biblioteca política. Afinal, é bom leitor, ainda que só leia livros ruins. “Não lê da esquerda para a direita” – escarnecem os autores -, “como os ocidentais, nem da direita para esquerda, como os orientais. Dá um jeito para ler da esquerda para a esquerda. Pratica a endogamia e o incesto ideológico.”

Mas o que lê o nosso idiota? O livro cita algumas obras, considerando uma delas a bíblia da idiotia: As veias abertas da América Latina, do escritor uruguaio Eduardo Galeano, que tem devastado cabeças desde os anos 70. Ainda é levado a sério por muita gente e recomendado a alunos por professores idiotas. As outras obras são: A História me absolverá, de Fidel Castro; Os condenados da Terra, de Frantz Fanon; A guerra de guerrilhas, de Ernesto (Che) Guevara; o onipresente Os conceitos elementares do materialismo histórico, de Marta Harnecker; O homem unidimensional, de Herbert Marcuse (um ataque à “civilização industrial”); Para ler o Pato Donald, de Ariel Dorfman e Armand Mattelart (obrigatório nas escolinhas de comunicação nos anos 70); e Para uma teologia da libertação, de Gustavo Gutiérrez.

Dois brasileiros contribuem para a formação do idiota latino-americano: Fernando Henrique Cardoso que, com Enzo Faletto, escreveu Dependência e desenvolvimento na América Latina (que dividiu o mundo entre “centro” e “periferia”), e Frei Betto, apóstolo da teologia da libertação no Brasil e “conselheiro espiritual” do presidente Lula. FHC, como se sabe, tomou o rumo da civilização; já o frei continua escrevendo bobagens nos jornais (exemplos: "Cuba é o único país onde a palavra dignidade tem sentido"; "Em nossos países se nasce para morrer. Em Cuba, não!").

Manual do perfeito idiota latino-americano foi lançado em 1996 e traduzido pela Bertrand Brasil, do Rio de Janeiro (está na 5a. edição, de 2005). Vale a pena a ler. Quem já foi idiota em outros tempos – como este escrevinhador – dará boas gargalhadas lembrando da juventude; outros, percebendo-se ainda na idiotia, poderão pelo menos começar a criticar-se a si próprios. Mas, não nos enganemos, há os irredutíveis, aqueles que jamais abandonarão a condição (veja aqui, por exemplo).

DE NOVO O SOL

O SOL DE CADA DIA

DITADURA CLEPTOCRÁTICA TOGADA - RAFAEL BRASIL

A ditadura cleptocrática togada, do consórcio PT/ STF, se baseia nos princípios fundamentais de qualquer ditadura comunista. Terrorismo de e...