quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

PSDB divulga nota sobre panfleto criminoso que se disfarça de livro

O PSDB divulgou uma nota sobre um panfleto criminoso, que se finge de livro, produzido no mesmo chiqueiro de onde saíram outras tramóias. Não difamar é uma escolha moral e ética. O processo que leva a essa escolha é lento: tem a ver com a educação que se recebeu, com valores, com o cultivo da decência. Já a decisão de delinqüir é rápida quando não se teve e não se tem nada disso, e a canalha não hesita. O caminho da Justiça é mais longo e mais lento, mas tem de ser cumprido. A cadeia espera os vigaristas.
Leia nota divulgada pelo PSDB
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O PSDB repudia veementemente a mais recente e leviana tentativa de atribuir irregularidades aos processos de privatização no governo do presidente Fernando Henrique Cardoso e acusar o Partido e os seus líderes de participar de ações criminosas.
As privatizações viabilizaram a modernização da economia brasileira, com centenas de bilhões de investimentos em serviços essenciais e a geração de milhares de empregos.
Todo o processo foi exaustivamente auditado pelo Tribunal de Contas da União, Ministério Público Federal e outros órgãos de controle, e nenhuma irregularidade foi constatada.
O livro agora publicado tem as mesmas características de farsas anteriores, desmascaradas pela polícia, como a “Lista de Furnas”, o “Dossiê Cayman” e o caso dos “Aloprados”. Seu autor é um indiciado pela Polícia Federal por quatro crimes, incluindo corrupção ativa e uso de documentos falsos.
Uma constante dessa fabricação de falsos dossiês tem sido a participação de membros e agentes do Partido dos Trabalhadores. Os que não se envolvem diretamente nas falsificações não têm pudor de endossá-las publicamente, protegidos, alguns deles, pela imunidade parlamentar.
A nova investida ocorre num momento em que o PT está atolado em denúncias de corrupção que já derrubaram seis ministros, e aguarda ansiosamente o julgamento do Mensalão, maior escândalo de corrupção de que se tem notícia na história do Brasil.
Serão tomadas medidas judiciais cabíveis contra o autor e os associados às calúnias desse livro.
Brasília, 15 de dezembro de 2011
Deputado SÉRGIO GUERRA
Presidente Nacional do PSDB”
 

Por Reinaldo Azevedo

FHC aponta um novo “Dossiê Cayman” e acusa a “calúnia organizada”

O presidente Fernando Henrique também se manifestou sobre a peça de propaganda tornada pública por uma quadrilha de analfabetos - também morais. Leia nota.
A infâmia, infelizmente, tem sido parte da política partidária. Eu mesmo, junto com eminentes homens públicos do PSDB, fomos vítimas em mais de uma ocasião, a mais notória das quais foi o “Dossiê Cayman”, uma papelada forjada por falsários em Miami para dizer que possuíamos uma conta de centenas de milhões de dólares na referida ilha. Foi preciso que o FBI pusesse na cadeia os malandros que produziram a papelada para que as vozes interessadas em nos desmoralizar se calassem. Ainda nesta semana a imprensa mostrou quem fez a papelada e quem comprou o falso dossiê Cayman para usá-lo em campanhas eleitorais contra os tucanos. Esse foi o primeiro. Quem não se lembra, também, do “Dossiê dos Aloprados” e do “Dossiê de Furnas”, desmascarado nestes dias?
Na mesma tecla da infâmia, um jornalista indiciado pela Polícia Federal por haver armado outro dossiê contra o candidato do PSDB na campanha de 2010, fabrica agora “acusações”, especialmente, mas não só, contra José Serra. Na audácia de quem já tem experiência em fabricar “documentos” não se peja em atacar familiares, como o genro e a filha do alvo principal, que, sem ter culpa nenhuma no cartório, acabam por sofrer as conseqüências da calúnia organizada, inclusive na sua vida profissional.
Por estas razões, quero deixar registrado meu protesto e minha solidariedade às vítimas da infâmia e pedir à direção do PSDB, seus líderes, militantes e simpatizantes que reajam com indignação. Chega de assassinatos morais de inocentes. Se dúvidas houver, e nós não temos, que se apele à Justiça, nunca à infâmia.
São Paulo, 15 de dezembro de 2011
Fernando Henrique Cardoso
 
Por Reinaldo Azevedo

domingo, 11 de dezembro de 2011

A Soma e o Resto.

Desde que a carranca de Jânio Quadros substituiu o sorriso de Juscelino Kubitschek, em 1961, o gabinete do presidente da República já hospedou napoleões de hospício, generais de exército de salvação, perfeitas cavalgaduras, messias de gafieira, gatunos patológicos, vigaristas provincianos e outros exotismos da fauna brasileira. A rotina da anormalidade — retomada pelo triunfo de Lula, um ex-operário metalúrgico que acha leitura pior que exercício em esteira, e mantida pela eleição de Duma Rousseff, primeira mulher a chefiar o governo (e provavelmente a primeira figura a governar um país sem conseguir expressar-se de modo inteligível) — só foi interrompida entre 1° de janeiro de 1995 e 31 de dezembro de 2002, quando o Palácio do Planalto abrigou Fernando Henrique Cardoso. “A Soma e o Resto - Um Olhar sobre a Vida aos 80 anos” (Civilização Brasileira; 195 páginas; 29,90 reais) confirma que foi FHC o ponto fora da curva desenhada pela saga republicana.
Lula e Dilma são duas formidáveis singularidades, mas parecem à vontade na galeria de retratos que os tornou vizinhos de parede de Jânio, João Goulart, Emílio Medici, João Figueiredo, José Sarney, Fernando Collor ou Itamar Franco. Todos executam harmoniosamente a partitura da ópera do absurdo. O acorde dissonante é Fernando Henrique, constata quem ouve as mais de dez horas de confissões, lembranças, reflexões e desabafos reunidas no livro organizado por Miguel Darcy de Oliveira.
Eleitos pelo voto popular ou impostos pelo regime militar, quase todos os ex-presidentes têm tudo a ver com o Brasil dos 14 milhões de analfabetos, dos 33 milhões que não compreendem o que acabaram de ler nem conseguem somar dois com dois, imensidão de miseráveis embrutecidos pela ignorância. Tal paisagem ajuda a entender por que tantos brasileiros se dobraram sem perguntas a populistas sedutores, ou foram dobrados sem resistência por autoritários fardados. E torna especialmente intrigante a passagem pela Presidência de um intelectual brilhante, exemplarmente democrata, que escreveu muitos livros e fala sem espancar a língua portuguesa. A leitura de “A Soma e o Resto” explica alguma coisa, mas acentua a suspeita de que FHC tinha tudo para não ser o presidente do Brasil da virada do século.

Texto de Augusto Nunes. 

domingo, 4 de dezembro de 2011

Encruzilhadas mundiais - FERNANDO HENRIQUE CARDOSO



  O Estado de S.Paulo - 04/12/11


"Diante dos horrores da 2.ª Guerra Mundial, os vencedores dispuseram-se a criar a Organização das Nações Unidas (ONU) e outras instituições internacionais para impedir as grandes conflagrações e regular, dentro do possível, certas matérias de interesse geral, como o comércio, com a Organização Mundial do Comércio (OMC), os desequilíbrios financeiros globais e o socorro a países endividados, com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Outras, ainda, para promover o desenvolvimento (Banco Mundial) ou para remediar as questões básicas dos povos em matéria de saúde (Organização Mundial da Saúde) e da educação (Unesco). Embora longe do ideal, é inegável que essas organizações alcançaram algum progresso. Em pelo menos um ponto crucial a ONU foi vitoriosa: apesar da guerra fria, não se deu um choque direto entre os Estados Unidos e a União Soviética. No período pós-guerra fria tampouco se veem riscos de confronto militar entre a China e as potências ocidentais.

Acontece, entretanto, que já se passaram mais de 50 anos da formação da ONU e os fundamentos econômicos e políticos da ordem mundial se transformaram enormemente. Pelo menos quatro fatos significativos impõem uma revisão dessas instituições internacionais: o fim da União Soviética, a incrível expansão econômica da China, a reaparição do mundo islâmico na cena internacional e a emergência de novos polos de poder econômico e político no mundo (não apenas o Bric, mas a Turquia, o Irã, a África do Sul, a Coreia do Sul e outros países asiáticos). Sem esquecer que o Japão e a Alemanha, que não têm assento no Conselho de Segurança, se colocaram no topo da economia mundial.

No mundo ocidental, a transformação de maior significado foi a construção da União Europeia, por seu alcance político-civilizatório. Esse movimento unificador foi consequência do mesmo impulso que levou à formação da ONU: cansadas de guerrear, a Alemanha e a França tornaram-se o sustentáculo da Comunidade Europeia, conjunto de nações cujas relações se devem basear na solidariedade entre a Europa mais rica e a mais pobre, num arranjo supranacional que busque a paz fundamentada na prosperidade comum.

Considerados em conjunto, os acontecimentos político-econômicos pós-Guerra Mundial foram capazes de substituir a guerra pela luta por melhores posições na produção, no comércio e nas finanças mundiais. Os conflitos refluíram para o âmbito regional e muito frequentemente tiveram, depois do desabamento da União Soviética e dos ideais comunistas, mais fundamentos culturais e religiosos do que propriamente econômicos. As transformações no sistema produtivo nos últimos 40 anos, com uma série de avanços tecnológicos, permitiram uma expansão econômica à escala global sem guerras nem anexações territoriais. A atual globalização difere, portanto, da anterior expansão capitalista, denominada geralmente de imperialismo, que supunha o poder dos Estados, com exércitos, guerras e ocupações coloniais.

Que modificações advirão do quadro de poder que se vai desenhando no mundo, somado à crise financeira iniciada em 2007, e que perdura? Uma coisa parece certa: o predomínio do Ocidente vê-se contestado pela emergência de fatores econômicos, demográficos, e mesmo culturais, sinocêntricos, ou, melhor, "asiáticocêntricos". Está reaberta a rota para o Extremo Oriente. Dominique Moïsi, analista francês da cena internacional, vem insistindo nessa tese, exposta no livro A Geopolítica da Emoção. Em artigo mais recente, mostrou que a América está tentando se adaptar ao que chama de "século da Ásia", formando uma comunidade econômica com países dessa região. Alguns países emergentes, como o próprio Brasil, desde a década de 1990 se vêm aproximando da China e da Ásia em geral - em nosso caso, as relações com o Japão são mais antigas e já foram mais próximas. Países africanos, mesmo não sendo "economias emergentes", do mesmo modo se vinculam crescentemente à China como exportadores de matérias-primas, tendência seguida por vários países da América Latina.

Com as consequências econômicas da crise financeira atual, é natural que a tendência a depender da Ásia se reforce. Dela escapa a Europa, embora não tenha sido capaz de tomar decisões que interrompam a débâcle econômico-financeira. Velhas tensões voltam a incandescer os corações europeus. Berlim quer se manter na ortodoxia financeira, não aceita que o Banco Central Europeu empreste aos Tesouros nacionais, teme que os eleitores reajam negativamente a ajudar países que, ao ver deles, não souberam ser previdentes. Por isso se recusa a emitir bônus salvadores em troca de títulos das dívidas dos bancos e países europeus. É como se, de alguma maneira, voltássemos, figurativamente, à linguagem das guerras. Em alguns países europeus se deu a falência da política: enquanto os povos protestam, indignados, os "mercados" indicam e conseguem impor primeiros-ministros, tal a desmoralização dos partidos e da classe dirigente.

Neste panorama, é premente que apareçam lideranças globais do calibre das que conseguiram criar a ONU e suas diferentes organizações e daquelas que construíram a velha-nova Europa. Os governos norte-americanos já erraram muito ao não perceberem o significado do mundo árabe e islâmico e tentarem impor-lhe o seu estilo de democracia, quando eles próprios já se retorciam em dificuldades econômicas e políticas. O mundo todo paga o preço da expansão do terrorismo e da quase impossibilidade de manter unidas comunidades religiosas, culturais e nacionais diversas sob o domínio de um mesmo Estado. Caiu o Iraque, mas a paz não veio. O Afeganistão padece entre a corrupção e os senhores da guerra e do ópio. Na Líbia, uma intervenção que tinha propósitos humanitários percorreu o caminho das atrocidades. E por aí vamos, sem mencionar as áreas mais quentes, como Palestina/Israel, Irã ou Paquistão.

Com realismo, mas sem perder de vista os ideais universais desenhados em 1948, é urgente que as potências dominantes reconheçam as novas realidades e convidem à mesa os que têm vez e voz no mundo. Tomara que Dominique Moïsi tenha razão e a liderança americana esteja mesmo construindo as bases para um relacionamento estável, de paz, prosperidade e respeito aos direitos humanos, com a Ásia, sem ambicionar difundir sua ideologia política, muito menos aceitar a generalização do modelo chinês".

Ainda será proibido discordar do governo!



Essa já era de se esperar:

A Freedom House, uma instituição estrangeira que mede a liberdade de imprensa pelo mundo, classificou o Brasil  como apenas “parcialmente livre”, no seu relatório anual sobre esse assunto. O nosso país ficou na 89ª posição dentre os 196 países existentes no mundo, segundo o Almanaque Abril. O Brasil ficou atrás de nações que viveram sob o jugo comunista como Estônia (19º), República Tcheca (24º), Lituânia (35º), Hungria (42º), Eslováquia (43º), Polônia (49º), Eslovênia (53º), e Letônia (56º). Estes receberam a avaliação  de “livres”. Até aqui no Ocidente, o Brasil perde para nações pequenas ou pobres como a Jamaica (16º), Costa Rica (28º), Bahamas (30º), Belize (33º), República Dominicana (40º), Suriname (44º), Trinidad e Tobago (45º), Chile (67º) e Guiana (68º), também todos eles classificados como “livres”. 
Mas o que torna a avaliação brasileira pior do que há anos atrás? 
Elementar, caro leitor: as tentativas de implementação de leis de “controle social” da mídia e de criação de um conselho federal de jornalismo; tudo eufemismo para a velha e burra censura. Alguns acontecimentos evidenciam isso: a proibição ao jornal O Estado de São Paulo sobre o escândalo de corrupção envolvendo os Sarneys, também  o caso do jornal Debate, de Santa Cruz do Rio Pardo, que foi obrigado a pagar o equivalente a trezentos mil dólares a um juiz local por ter denunciado que o mesmo vivia em uma casa paga pelo município e que mantinha um telefone de uso oficial ilegalmente dentro dela; e outros casos envolvendo ameaças, surras e até mesmo assassinatos de jornalistas ou de seus entes queridos. E, como não poderia deixar de ser, há a influência direta dos petistas: além do assédio contínuo à imprensa, os petistas também atacam pelos flancos ou pela retaguarda: o relatório da Freedom House relata o caso do jornal Diário do Grande ABC, que foi impedido pela justiça local de publicar denúncias de má gestão das escolas públicas de São Bernardo do Campo depois que Luís Marinho, o atual prefeito e ex-ministro do Trabalho do presidente Lula, um dos figurões dos sindicatos e do PT, ter reclamado que o jornal estava procurando arranhar a sua reputação. Isso mesmo, vocês leram direito: um petista preocupado com a reputação. Só com a proximidade do Natal é que isso acontece...
Mas por que o governo tenta achacar, assediar, constranger, desqualificar a mídia, se ela foi-lhe tão importante, tão generosa e hoje ainda lhe é tão servil? Todos sabem, apesar de não admitirem, que o PT valeu-se muito bem dessa mesma mídia quando estava fora do poder. A imprensa livre que hoje está na mira do partido e do governo era lida nas tribunas, exibida ante as câmeras de TV e reproduzida nos microfones das emissoras de rádio. Por quê? Porque veiculavam denúncias que serviam muito bem às suas intenções. Quando chegou a vez de mostrarem a que vieram, os ''salvadores da pátria da estrela vermelha'' puseram fim à lua de mel. Rotularam a imprensa livre de entreguista e golpista, apenas porque essa imprensa mostra-nos os seus podres e contradições. 
A boa mídia não é bajuladora nem vendida aos governos. Não é aquela paga para elogiar, como tantos querem. A crítica está ficando difícil no Brasil. Quem não gosta do governo é entreguista, anti-patriota, e outras bobagens mais. A liberdade para discordar e apontar os erros do governo é fundamental para um país. Não é apenas eleições que mostram se um país é democrático ou não. A liberdade dada a um povo para escolher os políticos é a mesma que ele deve ter para poder discordar deles e criticá-los. Cuba, Rússia, Venezuela e Irã realizam eleições,  que não significam muita coisa. E o nosso governo os admira e aprende rápido...
 
Autor: hadriel ferreira

ROBERTO ALMEIDA

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É sempre muito agradável estar e conversar com meu amigo Roberto Almeida. Estivemos juntos na fazenda, que não é só minha, mas de meus irmãos. Meu pai a comprou no ano  de 1954, quando Caetés era um mero distrito de Garanhuns. Esperamos preservar, e deixar para os filhos e sobrinhos, ,pois o velho meu pai tinha um grande apreço pelo lugar. Era lá que descansava e relaxava, sempre que podia. Também, gostamos muito de lá, onde hoje é habitada  por Tiago meu grande filho, com sua educada e meiga esposa Suerleide, a quem chamamos de "Sú".
Como bem disse o Roberto, fui comunista, e dos radiocais. Ou metido a tal. Era trotskista, e achava que o socialismo real podia ser restraurado. Ledo engano, como vimos. Hoje sou um liberal, radicalmente democrático, que acredita no eterno aperfeiçoamento das instituições, aonde o estado não oprima o indivíduo, que deve ser o centro das atenções políticas, e sociais. Acho que Roberto não pensa muito diferente, mas ele é apaixonado por Lula. Fazer o quê? Afinal ninguém é perfeito, e não é por pensar diferente que vou fricar com raiva de ninguém. Aliás, viva as diferenças! Quero agradecer a Terezinha e filhos, uma grande mulher, a simpatica esposa de Roberto, e dizer que nossa amizade é grande, e como vosmecê bem o disse, vem de longas datas. É bicho, estamos ficando velhos. Graças a Deus.

POLÍTICA, MÚSICA E POESIA NA SERRA DO TARÁ

A convite do professor Rafael Brasil, amigo de longas datas, mesmo ele sendo hoje confessadamente de direita, enquanto me inclino mais à esquerda, estive hoje na Serra do Tará, que se não estou enganado está praticamente na divisa dos municípios de Caetés e Venturosa. A fazenda de Faé, herdada do seu velho pai, fica próxima a estrada que liga Garanhuns/Arcoverde, num terreno íngreme cheio de pedras e uma bela visão do que é o semi-árido nordestino. A serra é um lugar tão encantador e meio mágico, em nossa paisagem, que foi escolhido para as cenas iniciais do filme "Lula, o Filho do Brasil". O professor não gosta de Lula nem um pouco e por isso detesta a obra cinematográfica sem precisar assistir. Devia conferir só para comprovar que sensação boa é ver um lugar assim, podemos dizer "da gente", eternizado no cinema. Mas isso não vem ao caso, independente de posições ideológicas, sétima arte ou qualquer outra coisa conservo pelo meu amigo o mesmo afeto dos tempos de Olinda, quando passávamos tardes inteiras conhecendo as novidades da MPB dos anos 70, como Fagner, Belchior, Zé Ramalho, Amelinha. Éramos jovens e sonhávamos com o fim da ditadura de Ernesto Geisel e depois João Batista Figueiredo.

O Rafael Brasil Filho era comunista neste tempo. Alguém imagina uma coisa dessas?

O professor e sua esposa, Josinete, receberam este escriba - devidamente acompanhado de Tereza e Carolina - com aquele sorriso e nos serviram uma excelente buchada de bode, acompanhada de todos aqueles apetrechos que fazem deste prato um dos mais saborosos e interessantes da culinária nordestina. Depois de comer,  Faé soltou o verbo e disse o que queria de Lula e Dilma, criticou o PT e as esquerdas em geral e não escondeu sua admiração pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Depois falou abertamente dos problemas de Caetés batendo sem dó na administração municipal. Disse que seu município é um escândalo e sem medo de ser acusado de homofobia insinuou que o prefeito é homossexual: "O namorado dele está de carro novo", reclamou, só faltando dizer que o dinheiro do veículo saiu dos cofres municipais. "Pode publicar que eu, Rafael Brasil, assumo", recomendou o professor.

Como outros integrantes da oposição de Caetés, Faé está desconfiado de que Lindolfo fez algum acordo com Zé da Luz. A seu ver, o município precisa de mudança e está na hora de testar um nome novo. Acha que uma chapa formada pelo ex-vereador Neguinho (não soube informar o nome do político porque todos só o chamam assim) e Carlos do Correio teria condições de empolgar os caeetenses.

O filho do ex-prefeito sabe que as oposições devem estar unidas. Armando, Galego, Severino Gordo, Dra. Gisele e outras lideranças devem dar as mãos e pensar num projeto para Caetés. Ou fazem isso ou Zé da Luz elege novamente quem quiser.

Todo esse papo sobre política - nacional e regional - teve como fundo musical o alagoano Djavan. As canções mais bonitas desse excepcional artista foram executadas no som do dono da casa e da sala o repórter via uma parte da serra, naturalmente atento tanto às conversas quanto à música de qualidade com que era brindado.

Ainda falei com Ricardo, irmão de Rafael, um sujeito boa praça a quem a gente sempre vê de bom humor. Estava com Rodrigues, um cara de cor escura e sorriso claro, gente boa. Lembro dele moço, jogando nos times de futebol de Caetés, de Capoeiras e também na AGA. Era um craque.

Outro que estava lá era o professor Carlos Eduardo, hoje funcionário da Secretaria de Educação de Capoeiras e uma das pessoas de confiança da secretária Josevalda Cavalcanti. Edu chegou na sala, de surpresa e durante quase 3 ou 5 minutos declamou uns versos muitos bonitos. Sinto não tê-los guardados na memória, contudo garanto que era uma poesia bem construída. E ele tem talento para declamar. Fiquei curioso para saber o autor, Josinete também e quando ela perguntou o mistério se desfez: "Os versos são meus", disse.

Depois disso tudo ainda passei em Capoeiras, dei benção a minha amada mãe Maria das Neves, cumprimentei meu irmão rubro-negro, o Júnior e dei uma passada na Loja de Linda Almeida. Estava lotada, muita gente jovem, aquela atenção de sempre dos funcionários e é impossível não comprar alguma coisa.

Uma tarde assim, para conversar com os amigos, comer buchada, discutir política, ouvir música,  apreciar poesia e fazer compras não é todo dia, não é mesmo? A gente tem mais é de agradecer a Deus.

Avisei a Josinete, a mulher de Faé: "Eu sofro de uma doença. Estou aqui, mas o texto já está pronto na cabeça. Quando chegar em casa vou relatar este momento no blog". Ela com muita generosidade disse não se tratar de doença nenhuma e sim de um talento. Pode ser. Espero que alguns leitores concordem com ela e mesmo que falte o talento anunciado aprovem a postagem. Seja pela poesia, pela música, a parte política ou pelo menos pela buchada. (A foto da Serra do Tará é do Elio Rocha).
 
Texto de Roberto Almeida.

DITADURA CLEPTOCRÁTICA TOGADA - RAFAEL BRASIL

A ditadura cleptocrática togada, do consórcio PT/ STF, se baseia nos princípios fundamentais de qualquer ditadura comunista. Terrorismo de e...