
Muitos querem analisar o resultado das eleições municipais
através do que seria qual, ou quais os partidos mais favorecidos ao final da
contenda. Enfim, o que ficou constatado foi a falência dos partidos. O povo
votou nas pessoas, e não nos partidos. Que não passam de agremiações meramente
eleitorais, e servem para formar coalizões para fazer a maioria do governo no
congresso nacional. Aí o adesismo é total. Ainda mais que, pelo menos na
teoria, existem poucas diferenças entre os social democratas do PSDB e os ,
digamos, neo social democratas do PT, sem perder àquele ranço leninista, ou até
mesmo stalinista. Com uma boa dose de cleptocracia, já que a corrupção também
faz com que o PT seja igual a todos os outros que criticara no passado.
Ademais, é deplorável a defesa que o PT faz dos chamados mensaleiros do
partido. Criticam a débil oposição, e ameaçam a imprensa com o controle estatal
dos maios de comunicação, ou seja, acenam contra a liberdade de imprensa
implantando a censura. É preciso uma ampla reforma política e eleitoral. Numa
análise marxista tradicional, digamos, as mudanças na estrutura econômica nos
últimos vinte anos, não foi acompanhada de uma readaptação das superestruturas
à nova realidade que se apresentou. Em outras palavras, tivemos mudanças significativas
na economia, mas permanecemos com uma arcaica estrutura político jurídica.
Houve uma pequena abertura para o capitalismo na era FHC, e com o lulo-petismo,
houve uma acomodação, para não dizer retrocessos, sobretudo também em relação a
nossa política externa, que virou um samba de crioulo doido. E quando existem
grandes contradições entre o surgimento de novas forças produtivas, que entram
em choque com arcaicas relações sociais de produção, pode haver ruptura. Ou
ruptura ou reforma. Até quando a situação vai continuar como está, ninguém sabe.
Mas a inação é muito perigosa na política. E o partido que hoje resiste mais às
mudanças, é o PT e sua grande coalizão clientelista e reacionária, ou seja , o
que há de pior no país. Hoje o PT é o partido conservador e reacionário. Que
ainda flerta com uma certa concepção de esquerda há muito morta e enterrada,
desde meados do sangrento século XX.
LIBERAIS
Os liberais no país já seriam enxovalhados da política pelos
militares, que eram positivistas, a anti-liberais na essência. Por essas e
outras, Roberto Campos foi “exilado” com uma embaixada em Londres, depois da
sua proeminência no governo Castelo Branco, o mais liberal dos militares. Hoje
os verdadeiros liberais caberiam numa Kombi. Porém, esta consciência liberal
deve ser recriada, pois só o liberalismo pode se contrapor a social-democracia,
ou os que defendem uma forte presença do estado na economia, o que constitui no
maior atraso brasileiro. A questão afinal, não é só o tamanho do estado, mas o
controle que a sociedade civil, possa ter sobre ele. Como nossa sociedade civil
ainda é frágil, temos que tirar o queijo da boca dos ratos de plantão. Em
outros termos, temos que diminuir ao máximo o tamanho do estado, derrubando
barreiras burocráticas, ou as que impeçam o desenvolvimento do capitalismo, ou
seja, das reais forças produtivas da sociedade. A liberação dessas forças significaria
um grande salto para a frente em termos de crescimento em todos os sentidos. Só
as corporações adoram o estado, porque mamam em suas tetas. O resto é farofa.
COLLOR E A MODERNIDADE
Collor era e é um farsante. Mas seu discurso contra as
injustiças do estado brasileiro, ao contrário, ainda é muito atual. O estado
protege inúmeros marajás de todos os tipos. É um estado atrasado e cartorial,
que oprime todo o povo brasileiro, e impede o desenvolvimento capitalista. A
burocracia é infernal. Oprime o povo, e castra as iniciativas, em todos os
setores. E esta terrível burocracia só serve mesmo para as corporações de
funcionários. Não se faz nenhuma reforma de peso neste país, sem enfrentar
estas questões. A burocracia nacional é a verdadeira inimiga do povo. Enquanto
o povo não perceber quem realmente o oprime, seguiremos o século XXI, sempre
como um país de segunda. Marx daria gargalhadas com o esquerdismo pátrio. É um
esquerdismo anti-moderno, para dizer o mínimo. Cartorial, como nossos
colonizadores portugueses conceberam o
estado. Antes, o monarca regulamentava a economia como queria. Hoje este poder
está com a chamada tecnoburocracia estatal. Que é quem realmente mama nas tetas do estado,
tendo os partidos como sócios no aparelhamento estatal. E os políticos metidos
neste emaranhado de corrupção. Aparelham o estado para roubar eleições, que nunca estiveram tão caras. Sempre que puder, voltarei ao assunto.