sábado, 28 de fevereiro de 2015

PARA QUEM SERVE O MINISTÉRIO DA "CURTURA" - RAFAEL BRASIL

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Pretendo fazer uma pergunta: Para que serve o ministério da cultura? Para cuidar e promover o patrimônio cultural público, ou promover festas de cultura de massas e filmes de diretores fracassados?
Evidentemente esta questão  não vem do governo petista. Sejamos justos, embora os petistas tenham piorado drasticamente a questão. A politica de cultura desde há tempos vem na mesma direção. Um fiasco total e a mais completa privatização, pelos vigaristas de plantão, do dinheiro público, isto é, o nosso.
 Li um ótimo artigo do jornalista J. F. Guzzo da veja sobre  o descalabro do patrimônio público nacional. Museus em pandarecos, bibliotecas raras e completamente desestruturadas, prédios históricos destruídos pelo tempo, uma vergonha, sítios arqueológicos abandonados e depredados,  um crime de lesa pátria.
Porém quero chegar ao ponto central: Deveria ser proibido o financiamento pelo poder público de todas as festas referentes à chamada cultura de massas. Como disse certa vez Paulo Francis, “ A VOZ DO POVO É A VOZ DA IMBECILIDADE”. Festas populares deveriam ser financiadas pala iniciativa privada. O governo deveria cuidar dos museus, parques arqueológicos e prédios históricos, inclusive em parceria com a iniciativa privada. Quem quiser ir para festas se rebolar e namorar, que pague. E que o velho e bom mercado tome conta.
 Quem for bom fica. Quem não prestar, que fique chupando o dedo.  Para que filme sem público? O governo deveria incentivar só a produção de documentários ou filmes educativos, e de uma forma terceirizada. O que tem de espertalhão se fazendo de artista e ganhando do estado não é brincadeira.  Artistas falidos e em decadência, políticos fazendo demagogia com as ditas festas populares, posando de “patrocinadores” da cultura popular, faturando com o populacho e roubando e muito.
O estado deveria se preocupar em fazer bibliotecas em todas as cidades, interligadas com o que existe de melhor em termos de tecnologia informática, servindo de suporte às escolas e a população em geral. Incentivar a criação e difusão de música nas escolas, DESVINCULADAS das músicas da chamada cultura de massa. As prefeituras idem. O QUE SE GASTA, OU SE JOGA FORA DE RECURSOS PÚBLICOS NÃO É BRINCADEIRA.  QUANTOS BILHÕES POR ANO?
É o que podemos chamar de populismo  cultural. Ou pseudo cultural. Por outro lado deveriam ser incentivadas pelos municípios e pela iniciativa privada  orquestras musicais, aonde se formariam diversas gerações de músicos de todas as tendências.
Paulo Francis , desde a finada EMBRAFILME, já metia o pau nessa corja de ladrões. Cineastas de filme ruins, zero de público, comprando apartamentos na av. Vieira Souto em Copacabana, e outros luxos burgueses às custas do estado. Isto desde a ditadura. Claro, no caso, uma “burguesia” formada em roubar o estado e  ainda posar de artistas. Aliás, quem aguentava ver um filme dirigido por um Cacá Diegues? Ou mesmo por Arnaldo Jabor? Aliás, quem hoje aguenta ver um filme de Gláuber Rocha, uma das vacas sagradas do cinema nacional, segundo os críticos, os sabidos de plantão?
Ainda hoje é mais divertido ver os ingênuos filmes da ATLÂNTIDA ou mesmo DO ESTÚDIO VERA CRUZ do que os filmes patrocinados pela extinta Embrafilme. Estes estúdios, foram, digamos, o germe do cinema popular nacional, cuja melhor especialidade é a comédia. Filmes baratos e populares, que rendam dinheiro. Como no cinema americano, que comporta também excelentes filmes além do besteirol habitual. Estarei errado?  Quem se habilita ver um filme de Arnaldo Jabor? Ou de outras nulidades dos festivais nacionais?

Aliás,  a globo  já vem produzindo alguns filmes populares nacionais, como os filmes da turma de Guel Arraes, ou coisas do gênero. E o caminho tem que ser por aí. Basta de jogar nosso dinheiro fora. Estarei errado? Quem não tem competência não se estabelece. 

J. R. GUZZO: Não há perigo de o Ministério e as secretarias da Cultura fazerem qualquer coisa de bom “neste país”


(Foto: Adriano Vizoni/Folhapress)
Grafite autorizado: por decisão de Fernando Haddad, o patrimônio histórico de São Paulo — em lugares como os chamados “arcos do Jânio”, descobertos em escavação durante o mandato do ex-presidente como prefeito (1986-1989) –, agora estampa imagens como um rosto estranhamente parecido com o de Hugo Chávez (Foto: Adriano Vizoni/Folhapress)
SUPREMO TRIBUNAL CULTURAL
Artigo publicado em edição impressa de VEJA
J. R. GuzzoSe alguém, seja lá pelo motivo que for, quer impedir que alguma tarefa útil seja executada na cultura brasileira, pode chamar o Ministério da Cultura; o resultado é 100% garantido. E as secretarias de Cultura, ou outros mamutes culturais do poder público – haveria algum risco de fazerem algo de bom?
Fiquem todos sossegados: não há o menor perigo de que venha a acontecer, também aí, qualquer coisa que preste. Os fatos, sempre eles, são a prova disso. O Museu do Ipiranga, monumento básico da cultura de São Paulo, está fechado até 2022; é uma proeza que se candidata ao livro de recordes da cervejaria Guinness.
A formidável Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro vive esperando o padre para receber a extrema-unção. (Ainda recentemente passou meses a fio sem ar condicionado, com temperaturas internas que chegaram aos 50 graus. Nos últimos doze anos o governo fez três planos de carreira para seus funcionários; não cumpriu nenhum.)
O Museu Nacional de Belas Artes, também no Rio, com 200 anos de história e sua notável fachada de estilo Renascença francesa, é humilhado por goteiras. As construções das cidades históricas de Minas Gerais e do Norte, relíquias únicas da arquitetura colonial brasileira, podem virar entulho. Cinquenta anos após sua fundação, Brasília, a capital do Brasil Potência, ainda não tem um museu decente. É a vitória do Bolsa-Cupim.
Mas as figuras que mandam desde 2003 na máquina pública brasileira não se contentam com isso. Além de se negarem a fazer o trabalho pelo qual são pagas, querem, acima de tudo, decidir o que é cultura neste país e o que não é – ou o que é cultura certa e o que é cultura errada. São contra, é claro, essa cultura “que está aí”. A única que admitem é a sua, e no Brasil de hoje isso quer dizer “cultura popular”.
Basicamente, trata-se de um conjunto de atividades exercidas por pessoas que não sabem pintar, escrever, compor uma melodia, fazer um filme ou montar uma peça de teatro capazes de interessar a alguém – e que são sustentadas, de um jeito ou de outro, pelo Erário, por serem contra a “arte burguesa”, a favor da “arte dos desvalidos” ou praticarem algum outro truque que esconda a sua falta de talento, de mérito e de público.
Seu grão-vizir no momento é o doutor Juca Ferreira, ministro da Cultura (pela segunda vez), ex-secretário da Cultura da prefeitura de São Paulo e marechal de campo no combate contra o modelo de cultura “excludente”; imagina que “uma política cultural abrangente é um essencial instrumento da construção de uma nova cultura política”.
O ministro Juca e todos os que ganham a vida como ele formam hoje o Supremo Tribunal Cultural brasileiro. Não cabe nenhum recurso contra as suas decisões.
O último feito de armas dos árbitros que ora determinam se podemos ou não gostar disso ou daquilo deu-se na cidade de São Paulo, governada pelo PT do prefeito Fernando Haddad. Para executar sua “política de cidadania cultural”, a prefeitura resolveu convocar grafiteiros amigos para pichar os “Arcos do Jânio”, um modesto conjunto de arcadas que alivia um pouco a paisagem de deserto do centro de São Paulo.
Esses arcos nunca fizeram mal a ninguém. Não são o Coliseu de Roma ou a Catedral de Notre-Dame de Paris, mas é o que temos – e, já que temos tão pouco, supõe-se que esse pouco deveria ser deixado em paz. Nada disso: a prefeitura de São Paulo tem uma política cultural a executar. No caso, sem consultar ninguém, sepultou as arcadas sob um amontoado de rabiscos, borrões e desenhos deformados.
Oficialmente, isso é “arte da periferia”. Na prática, trata-se apenas de degradar a superfície de um muro. Esse tipo de coisa, como se sabe, sempre pode ficar pior, e ficou. Não demorou muito e apareceu, no meio da pichação, um rosto que é a própria fotografia do coronel Hugo Chávez, o líder de massas da Venezuela que a esquerda mais rústica tenta transformar num novo “Che” Guevara, ou algo assim.
Chávez? Nem pensar, diz a autoridade municipal. O autor queria apenas pintar um “rosto negro”, só isso. Foi pintando, pintando – e no fim, quem diria, saiu uma figura que é a cara do Chávez. Que coisa, não? Essa vida é mesmo uma caixinha de surpresas.
O prefeito se encanta com o homem que presenteou a Venezuela com a falta de papel higiênico? Problema dele. Mas Haddad foi eleito para governar a cidade por quatro anos; não tem o direito de privatizar a paisagem urbana para exibir suas crenças políticas, nem de mudar o “gosto conservador do paulistano”. Isso não é promover cultura. É fazer propaganda, apenas.

VÍDEO IMPERDÍVEL - JOSÉ SERRA MOSTRA COMO O PT JOGOU FORA O FUTURO DO BRASIL

Sobrinho de Lula faz fortuna com negócios em Cuba e na África

Em VEJA desta semana


Taiguara Rodrigues dos Santos é filho de Lambari, irmão da primeira mulher do ex-presidente. De pequeno empresário de Santos, ele se tornou milionário graças a privilégios obtidos na agência do governo para o comércio exterior

Daniel Pereira e Hugo Marques
O empresário Taiguara Rodrigues: para funcionários do governo e executivos de empreiteiras, ele é ‘o sobrinho do Lula’
O empresário Taiguara Rodrigues: para funcionários do governo e executivos de empreiteiras, ele é ‘o sobrinho do Lula’ (Reprodução)
O personagem ao nesta página, com ar de Che Guevara playboy, se chama Taiguara Rodrigues dos Santos. É figura conhecida na rede de negócios de empresas brasileiras em Cuba, na África e na Europa. Até 2009, ele ganhava a vida em Santos, no litoral de São Paulo, onde se estabelecera como pequeno empresário, dono de 50% de uma firma especializada em fechar varandas de apartamentos. Taiguara tinha uma rotina compatível com seus rendimentos. Seu apartamento era um quarto e sala. Na garagem, um carro velho. A partir de 2009 a vida dele começou a mudar para melhor — muito melhor. De pequeno empresário do ramo de fechamento de varandas, ele se reinventou como desbravador de fronteiras de negócios no exterior. Abriu duas empresas de engenharia e, em questão de meses, fechou negócios em Angola. O primeiro contrato no país africano destinava-se a construir casas pré-moldadas e tinha o valor de 1 milhão de dólares, conforme registro no Ministério das Relações Exteriores. No segundo, de 750 000 dólares, comprometia-se a construir uma casa de alto padrão. Até aqui o que se tem é um empreendedor ambicioso que vislumbrou oportunidades de mudar de patamar vendendo seus serviços em países com os quais o governo Lula estabelecera inéditos laços de cooperação comercial. Mas a história de Taiguara é, digamos, bem mais complexa.
Conta o advogado Rafael Campos, representante da proprietária de um imóvel alugado por Taiguara: “Ele me falou que estava indo para a África no vácuo das grandes empreiteiras que expandiam negócios por aquele continente”. A vida além-mar, pelo jeito, ofereceu a Taiguara grandes dificuldades práticas. Tendo recebido o dinheiro, as obras não saíram. Seus clientes angolanos acionaram a Justiça brasileira em busca de reparação, o que combinou com um inferno astral em que ele teve dezenove títulos protestados e passou 25 cheques sem fundos. Se 2009 foi de esperança, os anos seguintes, 2010 e 2011, foram de amargura com o fracasso na África, e Taiguara teve o desgosto adicional de ver seu nome no Serviço de Proteção ao Crédito. Mas...
...a maré mudou, e mais tarde Taiguara reemergiu em glória. Havia comprado uma cobertura dúplex de 255 metros quadrados em Santos, dirigia um Land Rover Discovery de 200 000 reais e tomou gosto por viagens pelas capitais do mundo, hospedando-se sempre em hotéis de alto luxo. VEJA perguntou a Taiguara como ele explica a reviravolta em sua vida empresarial. Não obteve resposta.
Taiguara é filho de Jacinto Ribeiro dos Santos, o Lambari, amigo de Lula na juventude e irmão da primeira mulher do ex-presidente. Funcionários do governo e executivos de empreiteiras costumam identificá-lo como “o sobrinho do Lula”. Em 2012, uma de suas empresas de engenharia, a Exergia Brasil, foi contratada pela Odebrecht para trabalhar na obra de ampliação e modernização da hidrelétrica de Cambambe, em Angola. O acerto entre as partes foi formalizado no mesmo ano em que a Odebrecht conseguiu no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) um financiamento para realizar esse projeto na África. Uma coincidência, certamente. Orgulhoso, Taiguara postou fotos das obras na hidrelétrica de Cambambe numa rede social. “E tome água! Vamos gerar energia!”, escreveu. A Odebrecht não quis informar o valor do contrato com a Exergia Brasil, que vigorou em 2012 e 2013. Em nota, disse que segue “padrões rigorosos de contratação de fornecedores, levando em conta sua capacidade técnica, financeira e de execução”.     
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Outros destaques de VEJA desta semana

A elite vermelha: depois do Lulinha, o sobrinho do Lula Com Blog Felipe Moura Brasil - Veja



Lulas montagem
Lula, Lulinha e o sobrinho “Guevara” do Lula: todos ricos
1) Era uma vez o sobrinho do Lula.
Taiguara Rodrigues dos Santos, segundo a VEJA desta semana, “ganhava a vida em Santos, no litoral de São Paulo, onde se estabelecera como pequeno empresário, dono de 50% de uma firma especializada em fechar varandas de apartamentos. Mas a maré mudou.”
“Em 2012, uma de suas empresas de engenharia, a Exergia Brasil, foi contratada pela Odebrecht para trabalhar na obra de ampliação e modernização da hidrelétrica de Cambambe, em Angola. O acerto entre as partes foi formalizado no mesmo ano em que a Odebrecht conseguiu no BNDES um financiamento para realizar esse projeto na África”.
Resultado: algum tempo depois, Taiguara já “havia comprado uma cobertura dúplex de 255 metros quadrados em Santos, dirigia um Land Rover Discovery de 200.000 reais e tomou gosto por viagens pelas capitais do mundo, hospedando-se sempre em hotéis de alto luxo”.
O sobrinho do Lula está rico.
2) Era uma vez Lulinha.
Fábio Luís Lula da Silva era, nas palavras de Jair Bolsonaro, “limpador de estrume de elefante no Zoológico de São Paulo”. Até os 28 anos, ganhava R$ 600. Mas a maré mudou.
Menos de um ano após a posse do pai em 2002, Lulinha virou sócio de uma produtora especializada em jogos, a Gamecorp, que, com capital de apenas 100.000 reais, conseguiu vender parte de suas ações à Telemar, a então maior empresa de telefonia do país, por 5,2 milhões de reais. Em 2006, a Telemar injetou outros R$ 10 milhões na Gamecorp como antecipação de compra de comerciais na Play TV, antigo Canal 21, arrendado por 10 anos à empresa de Lulinha pela Rede Bandeirantes para seis horas de programação diária.
Como a Telemar tinha capital público e era uma concessionária de serviço público, a sociedade com o filho do presidente sempre causou estranheza. O objetivo mais óbvio seria comprar o acesso que ele tinha a altas figuras da República. Sim: Lulinha foi acionado para defender interesses maiores da Telemar junto ao governo do pai. Em especial, em setores em que se estudava uma mudança na Lei Geral das Telecomunicações, que impedia a compra da Brasil Telecom. No fim de 2008, veio a “coincidência”: a lei foi alterada por decreto de Lula, e a Telemar formou com a Brasil Telecom um império de telecomunicações.
Lulinha está rico.
3) Era uma vez Lula.
Calma: não vou contar a história do sindicalista que subiu ao poder pregando a ética na política.
Só lembro seu comentário em 2006 sobre a estranha evolução de patrimônio do filho:
“Porque deve haver um milhão de pais reclamando: por que meu filho não é o Ronaldinho? Porque não pode todo mundo ser o Ronaldinho.”
Não pode todo mundo enriquecer depois de receber 15 milhões de reais da Telemar. Não pode todo mundo enriquecer depois de assinar um contrato com a Odebrecht. Não pode todo mundo ser filho ou sobrinho do presidente da República.
Lula já tem dois “Ronaldinhos”. Os três estão ricos, enquanto o Brasil está pobre.

Malufar já foi crime - PLÁCIDO FERNANDES VIEIRA

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CORREIO BRAZILIENSE - 28/02

O verbo malufar está definitivamente desmoralizado. Foi reduzido a pó. Perto do megaesquema de corrupção montado para roubar a Petrobras, as maracutaias atribuídas ao neocompanheiro, e que deram origem ao termo, parecem hoje café pequeno. Nunca antes na história deste país, políticos inescrupulosos zombaram tanto da inteligência alheia.

Imagine o ladrão cara de pau que rouba o leite das crianças e depois convoca a própria quadrilha para uma manifestação em defesa da creche assaltada? Ou o cinismo do bandido que, uma vez descoberto, invoca, em defesa própria, a existência da corrupção no Brasil desde o descobrimento? "Ora, a elite já rouba faz mais de 500 anos", argumenta.

Logo, a saída não pode ser a prisão dos "guerreiros do povo brasileiro". Pôr na cadeia a turma "que rouba, mas distribui" é coisa da "mídia golpista". Como a "esquerda" de Dilma, Lula, Temer, Renan e Maluf tem maioria no Congresso, a ordem é investigar tudo desde a chegada das caravelas e passar o Brasil a limpo. Igual ao que o PT pregava (e nunca fez) antes de chegar ao poder. Bons tempos aqueles em que malufar ainda era crime.

Hoje, crime é ser contra a sangria da companheirada aos cofres públicos. Afinal, na literatura que faz a cabeça dos "progressistas" reza que, para alcançar a "revolução" redentora, "os fins justificam os meios". Não à toa, boa parte dessa gente idolatra o obscurantismo jihadista do Estado Islâmico. Principalmente quando fuzila, incinera ou corta cabeças de defensores da tal liberdade de expressão, esse mi-mi-mi "pequeno burguês" que é um dos pilares da democracia.

A hora e a história - DEMÉTRIO MAGNOLI FOLHA DE SP - 28/02


A história não é a hora. Dilma vai passar, cedo ou tarde. Ela não vale o preço da redução do Brasil a um Paraguai

O governo Dilma 2 acabou antes de começar. Batida pelo turbilhão da crise que ela mesma engendrou, a presidente perdeu, de fato, o poder, que é exercido por dois primeiros-ministros informais: Joaquim Levy comanda a economia; Eduardo Cunha controla as rédeas da política. Na oposição, entre setores da base aliada e, sobretudo, nas ruas, a palavra impeachment elevou-se, de murmúrio, à condição de grito ainda abafado. É melhor pensar de novo, para não transformar o Brasil num imenso Paraguai.

Nos sistemas parlamentares, um voto de desconfiança do Parlamento derruba o gabinete, provocando eleições antecipadas. No presidencialismo paraguaio, regras vagas de impeachment conferem aos congressistas a prerrogativa de depor um chefe de Estado que não enfrenta acusações criminais. Um parecer de Ives Gandra Martins sustenta a hipótese de impedimento presidencial por improbidade administrativa, mesmo sem dolo. Na prática, equivale a sugerir que Dilma poderia ser apeada com a facilidade com que se abreviou o mandato de Fernando Lugo. A adesão a essa tese faria o Brasil retroceder do estatuto de moderna democracia de massas ao de uma democracia oligárquica latino-americana.

Não são golpistas os cidadãos que fazem circular o grito abafado. Dilma Rousseff tornou-se um fardo pesado demais. Lula deu o beijo da morte no segundo mandato da presidente ao lançar sua candidatura para 2018 antes ainda da posse. No ato farsesco de "defesa da Petrobras", o criador da criatura emitiu sinais evidentes de que, em nome de sua campanha plurianual, prepara-se para assumir o papel um tanto ridículo de crítico do governo. Diante de uma presidente envolta na mortalha da solidão, os partidos oposicionistas parecem aguardar uma decisão das ruas. Fariam melhor oferecendo um rumo político para a indignação popular.

Antes de tudo, seria preciso dizer que, na nossa democracia, a hipótese de impeachment só se aplica quando há culpa e dolo. O complemento honesto da sentença é a explicação de que, salvo novas, dramáticas, informações da Lava Jato, inexiste uma base política e jurídica sólida para abrir um processo de impedimento da presidente. Contudo, só isso não basta, pois o país não suportará mais quatro anos de "dilmismo", essa mistura exótica de arrogância ideológica, incompetência e inoperância.

"Governe para todos --ou renuncie!". No atual estágio de deterioração de seu governo, a saída realista para Dilma é extrair as consequências do fracasso, desligando-se do lulopetismo e convidando a parcela responsável do Congresso a compor um governo transitório de união nacional. O Brasil precisa enfrentar a crise econômica, definir a moldura de regras para um novo ciclo de investimentos, restaurar a credibilidade da Petrobras, resgatar a administração pública das quadrilhas político-empresariais que a sequestraram. É um programa e tanto, mas também a plataforma de um consenso possível.

"Governe para todos --ou renuncie!". O repto é um exercício de pedagogia política, não uma aventura no reino encantado da ingenuidade. As probabilidades de Dilma romper com o lulopetismo são menores que as de despoluição da baía da Guanabara até a Olimpíada. Isso, porém, não forma uma justificativa suficiente para flertar com o atalho do impeachment. Se a presidente, cega e surda, prefere persistir no erro, resta apontar-lhe, e a seu vice, a alternativa da renúncia, o que abriria as portas à antecipação das eleições.

Dilma diz que a culpa é de FHC. Lula diz que é da imprensa, enquanto reúne-se com o cartel das empreiteiras. A inflação fará o ajuste fiscal. Por aqui, os camisas negras usam camisas vermelhas. A justa indignação da hora faz do impeachment uma solução sedutora. Mas a história não é a hora. Dilma vai passar, cedo ou tarde. Ela não vale o preço da redução do Brasil a um Paraguai.

A IMAGEM DO ANO: FHC enquadra os idiotas no poder com o poder da ironia


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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Conta de luz vai subir 23,4% para bancar repasses à CDE


Conta de Desenvolvimento Energético usada para capitalizar distribuidoras exigirá repasses de até 25 bilhões de reais este ano, levando-se em conta os restos a pagar de 2014

Conta da Eletropaulo e calculadora
Aneel: reajuste na conta de luz ajudará a bancar repasses à CDE (Itaci Batista/Estadão Conteúdo/VEJA)
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou nesta sexta-feira revisões extraordinárias de tarifas para 58 distribuidoras de eletricidade do país, com impacto nacional médio de 23,4%. As novas tarifas entram em vigor na próxima segunda-feira.
Para a Eletropaulo, o aumento médio das tarifas será de 31,9%, enquanto a Cemig terá elevação de 28,8%. Para a Light, o aumento será de 22,5%. O aumento foi necessário para custear o repasse da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), uma vez que o Tesouro não fará aportes na conta esse ano, e também para fazer frente ao reajuste da energia de Itaipu. A Aneel aprovou o orçamento da CDE para 2015, que exigirá repasses de 18,92 bilhões de reais.
A proposta inicial de orçamento da CDE para este ano estipulava em 21,80 bilhões de reais o repasse para todos os consumidores em 2015, mas durante a fase de consulta pública o órgão regulador reviu seus cálculos iniciais e reduziu em 2,88 bilhões de reais os valores da cotas a serem cobertas pelas contas de luz.
Além do reajuste de 23,4%, parte dos consumidores do país ainda pagará mais 3,13 bilhões referentes à primeira parcela da devolução da ajuda do Tesouro às distribuidoras em 2013. A proposta inicial previa o pagamento de apenas 1,4 bilhão de reais nessa rubrica este ano. Somente os clientes das empresas beneficiadas pagarão essa parte da tarifa.
Somando a cota a ser paga por todos os consumidores do país mais a cota a ser cobrada de quem recebeu ajuda do Tesouro há dois anos, o impacto tarifário total da CDE este ano será de 22,05 bilhões de reais — ou 1,05 bilhão menor que a previsão inicial.
O total de despesas da CDE deste ano é de 25,24 bilhões de reais e inclui 3 bilhões em despesas de anos anteriores que ficaram para 2015, ou seja, restos a pagar. A maior parte, no entanto, são gastos correntes previstos para este ano, que incluem indenizações para empresas que aderiram ao pacote de renovação antecipada das concessões, subsídios para irrigantes, produtores rurais e carvão mineral, Tarifa Social da Baixa Renda, Luz pra Todos e despesas com combustível para as térmicas da Região Norte do país. "Os valores no orçamento representam as melhores estimativas para despesas e receitas. Mas o valor final tem incertezas que dependem do próprio mercado de energia elétrica, se ele vai crescer ou não, se vai chover ou não, e das próprias atividades de fiscalização da Aneel", afirmou o relator do processo, Tiago de Barros Correia.
(Com Estadão Conteúdo)

Clube Militar repudia fala demencial de Lula e lembra que o Brasil tem apenas um Exército


Clube Militar repudia fala demencial de Lula e lembra que o Brasil tem apenas um Exército

Em nota, que endosso da primeira à última palavra, o Clube Militar responde a Lula e lembra que o Brasil só tem um Exército. Eis aí. No dia em que Lula vomitou impropérios naquela patuscada no Rio, já critiquei a sua fala demencial. Leiam a nota do Clube Militar.
O BRASIL SÓ TEM UM EXÉRCITO: O DE CAXIAS!
Ontem, nas ruas centrais do Rio de Janeiro, pudemos assistir o despreparo dos petistas com as lides democráticas. Reagiram inconformados como se só a eles coubesse o “direito” da crítica aos atos de governo. Doeu aos militantes petistas, e os levou à reação física, ouvir os brados alheios de “Fora Dilma”.
Entretanto, o pior estava por vir! Ao discursar para suas hostes o ex-presidente Lula, referindo-se a essas manifestações, bradou irresponsáveis ameaças: “ ..também sabemos brigar. Sobretudo quando o Stédile colocar o exército dele nas ruas”. Esta postura incitadora de discórdia não pode ser de quem se considera estadista, mas sim de um agitador de rua qualquer. É inadmissível um ex-presidente da República pregar, abertamente, a cizânia na Nação. Não cabem arrebatamentos típicos de líder sindical que ataca patrões na busca de objetivos classistas.
O que há mais por trás disso?
Atitude prévia e defensiva de quem teme as investigações sobre corrupção em curso?
Algum recado?
O Clube Militar repudia, veementemente, a infeliz colocação desse senhor, pois neste País sempre houve e sempre haverá somente um exército, o Exército Brasileiro, o Exército de Caxias, que sempre nos defendeu em todas as situações de perigo, externas ou internas.
Por Reinaldo Azevedo

RENATO DUQUE FOI SOLTO A PEDIDO DE LULA DIZ JORNAL. ESPOSA TERIA AMEAÇADO DENUNCIAR O ENVOLVIMENTO DO EX PRESIDENTE - DO BLOG DE FELIPE MOURA BRASIL



BOMBA
Duque, Lula e Zavascki
Quando o ministro Teori Zavascki, do STF, mandou deixar solto Renato Duque, o afilhado de José Dirceu e arrecadador petista na Petrobras, que ele mesmo mandara soltar noutra ocasião, escreviaqui no blog:
A Justiça brasileira é motivo suficiente para sair às ruas em 15 de março. Que a constrangedora impunidade desses criminosos, especialmente dos protegidos do PT, desperte o sentimento e o dever cívicos de milhões e milhões de brasileiros.
Quando outra decisão do ministro revelou “dois pesos, duas medidas”, tuitei:
Captura de Tela 2015-02-27 às 18.22.54Os demais golpes do partido governante para blindar Lula e Dilma Rousseff no escândalo do Petrolão também estão resumidos passo a passo neste blog – aqui e aqui.
Mas agora estourou a ‘bomba’ que revela a atuação direta do ex-presidente no boicote à Justiça, com a cumplicidade do ministro do STF:
Isso mesmo: Duque foi solto a pedido de Lula, conforme O Antagonista apurou com três fontes diferentes. Em resumo:
1) A mulher do arrecadador entrou em desespero com a prisão do marido em novembro de 2014 e, não podendo mais recorrer ao mensaleiro em baixa Dirceu, procurou o braço-direito de Lula, Paulo Okamotto, que lhe prometeu resolver depressa a situação.
2) Cobra criada em lidar com petistas, ela não caiu na conversa e ameaçou reunir provas suficientes para demonstrar que Lula sabia e participara de todo o esquema de corrupção na Petrobras, o que acabou obrigando Okamatto a alertar o ex-presidente de que ele deveria resolver pessoalmente o problema.
3) Lula então se encontrou com a mulher de Duque e tentou convencê-la de que seu marido ficaria na prisão por menos tempo do que se imaginava, mas ela tampouco se deixou levar e voltou a dizer que o implicaria no escândalo se Duque não fosse libertado rapidamente.
4) Acuado, Lula pediu socorro a um grande amigo seu, ex-ministro do STF, que lhe sugeriu, como o melhor caminho, recorrer a Teori Zavascki.
5) O próprio amigo de Lula marcou um encontro com o ministro para lhe explicar a urgência de livrar Renato Duque, porque, caso contrário, Lula seria envolvido “injustamente” num escândalo de proporções imprevisíveis para a estabilidade institucional.
6) Teori Zavascki aquiesceu. Avisado pelo amigo ex-ministro do STF, Lula comunicou à mulher de Renato Duque que tudo estava resolvido e, passados pouco mais de quinze dias após a sua prisão, o arrecadador viu-se livre da carceragem da Polícia Federal em Curitiba.
Comento: Não faltam motivos para o povo sair às ruas.
Teori
Teori Zavascki mostra onde enfia a democracia
Felipe Moura Brasil ⎯ http://www.veja.com/felipemourabrasil

LULA CONVOCA O EXÉRCITO DE VAGABUNDOS PARA DEFENDER OS LARÁPIOS DA PETROBRÁS - RAFAEL BRASIL

LULA CONVOCA O EXÉRCITO DE VAGABUNDOS PARA DEFENDER OS LARÁPIOS DA PETROBRÁS
Só faltava essa. Lula o maior capo da história brasileira, convoca João Pedro Stédile com seu exército do lumpesinato para defender os larápios da petrossauro, que claro, são exatamente seus subordinados do PT. Este tal de João Pedro Stédile nunca pegou numa enxada, e prega a revolução maoísta no Brasil. Justamente Mao Tsé Tung, o maior genocida da história da humanidade. Genocida e pedófilo, pois no seu macabro “reinado” se servia de menores de idade para manter relações sexuais, quando o mesmo vivia cheio de doenças venéreas. Como os senhores de engenho na época colonial faziam com as negrinhas, como relata Gilberto Freyre no seu clássico Casa Grande e Senzala. Nos tempos coloniais, os senhores de engenho achavam que a cura das doenças venéreas era fazer sexo com meninas virgens. Como as pobres escravas não podiam dizer não, tinham que se submeter. Já Mao, matava por diversão. Calcula-se que durante o seu “reinado”, matou, ou de morte matada ou de fome, cerca de SETENTA MILHÕES DE PESSOAS. É essa laia que acompanha Lula e o PT juntamente com seus “intelequituais” como Marillena Chauí, Frankin Martins, Fernando Moraes, Maria da conceição Tavares, e outras "sumidades".
A máscara está caindo, e as advertências dos desmandos na economia, foram feitas por todos os analistas do país. Aliás, nem precisava ser um expert em economia para saber que Lula e Dilma estavam botando o país no buraco. É preciso tirar democraticamente este povo do poder.  Se não eles acabam de vez com o Brasil. O que tinha tudo para dar errado, deu errado mesmo. Qualquer analista de botequim anteviu o estrago. Agora querem consertar as coisas com um, segundo os petistas, nojento neoliberal que é o ministro Joaquim Lewy. Que é um grande patriota tentando reparar a incompetência alheia e ainda sendo hostilizado pela horda de ignorantes do PT. Se fosse ele pedia logo o boné, e entregaria a economia a Maria da Conceição Tavares, que nunca devia ter saído de Portugal para fazer as maldades diabólicas que sempre costumou fazer no Brasil.
Quem tem medo dessa gente? Bastaria um tiro de espingarda soca tempero para sair tudinho correndo pelos matos deste imenso país. Não passam de uns bravateiros, mas eles estão  mesmo desesperados. Lula ainda fala em ser candidato a presidente. Só se for à cadeia aonde ele já deveria estar.    Diferentemente dos tempos do mensalão, a economia está em frangalhos, ao contrário das mentiras de Dilma na campanha eleitoral, quando ainda conseguiu enganar os bestas. Sobretudo os mais pobres, pobres não só economicamente, mas  de cidadania. Agora sentem no bolso, com a inflação comendo suas parcas rendas, em grande parte, esmolas concedidas por um governo que sempre viveu da miséria alheia. Ademais, o que seria desta canalha sem a miséria do povo? O pior é que, como sempre, o povo ficou e se contenta com as migalhas. Enquanto o comissariado petista caiu na gandaia do consumismo capitalista assaltando o estado, como jamais se viu neste pobre país. Que vão para a lata de lixo da história nacional, de onde eles nunca deviam ter saído. 


Fernando Gabeira - Os saqueadores da lógica


Se o PT pusesse fogo em Brasília e alguém protestasse, a resposta viria rápida: onde você estava quando Nero incendiou Roma? Por que não protestou? Hipocrisia.

Com toda a paciência do mundo, você escreve que ainda não era nascido, e pode até defender uma ou outra tese sobre a importância histórica de Roma, manifestar simpatia pelos cristãos tornados bodes expiatórios. Mas é inútil.

Você está fazendo, exatamente, o que o governo espera. Ele joga migalhas de nonsense no ar para que todos se distraiam tentando catá-las e integrá-las num campo inteligível.

Vi muitas pessoas rindo da frase de Dilma que definiu a causa do escândalo da Petrobrás: a omissão do PSDB nos anos 1990. Nem o riso nem a indignação parecem ter a mínima importância para o governo.

Depois de trucidar os valores do movimento democrático que os elegeu, os detentores do poder avançaram sobre a língua e arrematam mandando a lógica elementar para o espaço. A tática se estende para o próprio campo de apoio. Protestar contra o dinheiro de Teodoro Obiang, da Guiné Equatorial, no carnaval carioca é hipocrisia: afinal, as escolas de samba sempre foram financiadas pela contravenção.

O intelectual da Guiné Juan Tomás Ávila Laurel escreveu uma carta aos cariocas dizendo que Obiang gastou no ensino médio e superior de seu país, em dez anos, menos o que investiu na apologia da Beija-Flor. E conclui alertando os cariocas para a demência que foi o desfile do carnaval de 2015.

O próprio Ávila afirma que não há números confiáveis na execução do orçamento da Guiné Equatorial. Obiang não deixa espaço para esse tipo de comparação. Tanto ele como Dilma, cada qual na sua esfera, constroem uma versão blindada às análises, comparações numéricas e ao próprio bom senso.

O mundo é um espaço de alegorias, truques e efeitos especiais. Nicolás Maduro e Cristina Kirchner também constroem um universo próprio, impermeável. Se for questionado sobre uma determinada estratégia, Maduro poderá dizer: um passarinho me contou. Cristina se afoga em 140 batidas do Twitter: um dia fala uma coisa, outro dia se desmente.

Numa intensidade menor do que na Guiné Equatorial, em nossa América as cabeças estão caindo. Um promotor morre, misteriosamente em Buenos Aires, o prefeito de Caracas, Antonio Ledezma, só e indefeso, é arrastado por um pelotão da polícia política bolivariana.

Claro, é preciso denunciar, protestar, como fazem agora os argentinos e os venezuelanos. Mas a tarefa de escrever artigos, de argumentar racionalmente, parece-me, no Brasil de hoje, tão antiga como o ensino do latim ou o canto orfeônico.

Alguma evidência, no entanto, pode e deve sair da narrativa dos próprios bandoleiros. Quase tudo o que sabemos, apesar do excelente trabalho da Polícia Federal, veio das delações premiadas.
Alguns dos autores da trama estão dentro da cadeia. Não escrevem artigos, apenas mandam bilhetes indicando que podem falar o que sabem.

Ao mesmo tempo que rompe com a lógica elementar, o governo prepara sua defesa, organiza suas linhas e busca no fundo do colete um novo juiz do Supremo para aliviar sua carga punitiva. O relator Teori Zavascki, na prática, foi bastante compreensivo, liberando Renato Duque, o único que tinha vínculo direto com o PT.

Todas essas manobras e contramanobras ficarão marcadas na história moderna do Brasil. Essa talvez seja a razão principal para continuar escrevendo.

Dilmas, Obiangs, Maduros e Kirchners podem delirar no seu mundo fantástico. Mas vai chegar para eles o dia do vamos ver, do acabou a brincadeira, a Quarta-Feira de Cinzas do delírio autoritário.

Nesse dia as pessoas, creio, terão alguma complacência conosco que passamos todo esse tempo dizendo que dois e dois são quatro. Constrangidos com a obviedade do nosso discurso, seguimos o nosso caminho lembrando que a opressão da Guiné Equatorial é a história escondida no Sambódromo, que o esquema de corrupção na Petrobrás se tornou sistemático e vertical no governo petista.

Dilma voltou mais magra e diz que seu segredo foi fechar a boca. Talvez fosse melhor levar a tática para o campo político. Melhor do que dizer bobagens, cometer atos falhos.

O último foi confessar que nunca deixou de esconder seus projetos para ampliar o Imposto de Renda. Na Dinamarca (COP 15), foi um pouco mais longe, afirmando que o meio ambiente é um grande obstáculo ao desenvolvimento.

O País oficial parece enlouquecer calmamente. É um pouco redundante lembrar todas as roubalheiras do governo. Além de terem roubado também o espaço usual de argumentação, você tem de criticar politicamente alguém que não é político, lembrar o papel de estadista a uma simples marionete de um partido e de um esquema de marketing.

O governo decidiu fugir para a frente. Olho em torno e vejo muitas pessoas que o apoiam assim mesmo. Chegam a admitir a roubalheira, mas preferem um governo de esquerda. A direita, argumentam, é roubalheira, mas com retrocesso social. Alguns dos que pensam assim são intelectuais. Nem vou discutir a tese, apenas registrar sua grande dose de conformismo e resignação.

Essa resignação vai tornando o País estranho e inquietante, muito diferente dos sonhos de redemocratização. O rei do carnaval carioca é um ditador da Guiné e temos de achar natural porque os bicheiros financiam algumas escolas de samba.
A tática de definir como hipocrisia uma expectativa sincera sobre as possibilidades do Brasil é uma forma de queimar esperanças. Algo como uma introjeção do preconceito colonial que nos condena a um papel secundário.

Não compartilho a euforia de Darcy Ribeiro com uma exuberante civilização tropical. Entre ela e o atual colapso dos valores que o PT nos propõe, certamente, existe um caminho a percorrer.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

TVEJA: Digo a Joice Hasselmann porque é muito bom o projeto de José Serra que estabelece voto distrital para a eleição de vereadores de grandes cidades. E porque é má ideia o “distritão” estadual defendido pelo vice-presidente Michel Temer



Nessa conversa com Joice Hasselmann no programa “Aqui Entre Nós”, da TVEJA, eu considero muito boa a ideia do senador José Serra (PSDB-SP), transformada em projeto, que propõe a introdução do voto distrital no país — por ora, contudo, apenas nas eleições para vereadores nas 80 maiores cidades do país, o que significa abranger 40% do eleitorado brasileiro.
É uma forma muito inteligente de familiarizar o eleitor com o conceito de voto distrital: cada cidade seria dividida em um número de distritos igual ao número de vereadores a que tem direito.
Dando como exemplo a maior cidade do país, São Paulo, que tem 55 vereadores: a cidade, com seus quase 9 milhões de eleitores, seria dividida em exatamente 55 distritos, cada um com número semelhante de eleitores (algo como 160 mil eleitores cada). Em cada um desses distritos, a eleição seria decidida por voto majoritário — é eleito vereador quem tiver mais votos.
O eleitor paulistano, que atualmente precisa escolher seu vereador entre 1.200 candidatos, passaria a ter sua escolha reduzida a cinco, seis ou sete nomes, ligados à área em que vive, o que facilitaria a decisão, permitiria conhecer melhor o candidato e cobrá-lo depois de eleito. O vereador eleito, por sua vez, sendo de uma área restrita da cidade, conheceria melhor os problemas locais e seu próprio eleitorado.
Na mesma conversa, comento também o projeto do “distritão”, ideia do vice-presidente Michel Temer que transformaria cada Estado brasileiro em um distrito para as eleiçõeso de deputado federal e estadual, sendo eleitos os nomes mais votados — e pronto. Sem voto de legenda, sem coligação entre partidos, sem as confusas regras atuais.
Parece bom, mas não é. Vejam o vídeo para entender por que tenho essa opinião.
E obrigado pela audiência!