terça-feira, 2 de setembro de 2014

J. R. GUZZO: Marina, como a Rússia descrita por Churchill, é uma charada envolvida em mistério que fica dentro de um enigma


J. R. GUZZO: Marina, como a Rússia descrita por Churchill, é uma charada envolvida em mistério que fica dentro de um enigma

(Foto: Alexandre Santana/VEJA)
“Vai ser difícil, por exemplo, dizer que Marina é da elite branca do Sul, porque ela nasceu mais pobre do que Lula, não é branca e veio da periferia de Rio Branco”, diz J. R. Guzzo (Foto: Alexandre Santana/VEJA)
Artigo publicado em edição impressa de VEJA
J. R. GuzzoEis aí, qual galera em noite apagada, essa imprevisível Marina Silva navegando outra vez em mar imenso – e levando a si própria, junto com os eleitores brasileiros, para algum porto desconhecido. O que existia até a morte de Eduardo Campos não existe mais; o que ninguém imaginava passa a ser a nova realidade.
Marina, até agora uma mera candidata a vice que andava esquecida nas linhas de trás da disputa, e ainda por cima nem estava transferindo seus votos ao companheiro de chapa, como ele tanto queria, passa de repente a ser um nome decisivo para o resultado final – logo na primeira pesquisa após o acidente que tirou Campos da vida e da política brasileira, ela já aparece em segundo lugar na corrida, e à frente da atual líder Dilma Rousseff se houver um segundo turno entre as duas.
Aécio Neves, que toda a lógica do governo apontava como o nome a derrotar, talvez não seja mais o desafiante número 1. A presidente Dilma, até aqui a grande favorita por liderar com folga as sondagens, ter na televisão o dobro do tempo de propaganda que terão os seus adversários somados, e contar com a força bruta da máquina pública em seu favor, pode acabar nem sendo mais candidata a nada.
O ex-­presidente Lula, que estava fora, volta a ficar dentro – se bater mesmo o desespero, poderá empurrar a presidente para fora do barco, sem maiores delicadezas, e assumir ele próprio a candidatura.
É a vida, com suas vastas emoções e itinerários imperfeitos. Um desses nevoeiros malignos que de repente se formam sobre o quebra-cabeça de rios, braços de mar, canais e mangues onde ficam Guarujá e Santos, no litoral paulista; um avião com tecnologia de primeira classe, feito para não cair nunca; uma falha que aparece quando nem máquina nem homens poderiam falhar.
Pronto: bastaram alguns minutos de capricho da fortuna para reduzir a zero toda a vã sabedoria dos excelentes cálculos, análises e raciocínios feitos até agora sobre a eleição presidencial de 2014.
Como se pode ver, a prudência básica está nos aconselhando a lidar só com o presente, e do jeito com que se lida com um porco-espinho – ou seja, com extremo cuidado. O que acontece hoje, quando Marina herda cheia de gás a candidatura de Campos, pode acabar não tendo nada a ver com o que acontecerá no dia 5 de outubro.
Não há como fazer ciência aí. O que se sabe é menos do que o que não se sabe – a começar por quem é a própria candidata.
Marina, como a Rússia descrita por Churchill, é uma charada envolvida em mistério que fica dentro de um enigma. Em 2010, quando se candidatou à Presidência, conseguiu um prodígio: quase 20 milhões de pessoas votaram nela sem saber direito por quê. Não foi, certamente, por ficarem entusiasmadas quando ouviram Marina falar em “centralidade da necessidade”, “controles ex post frente” ou “agenda plasmante”.
Que patuá é esse? Nem o rapaz do Rio de Janeiro que ganhou outro dia a supermedalha internacional de matemática seria capaz de entender.
Ela admite que não se pode viver sem luz elétrica, mas parece não encontrar nenhuma usina que a satisfaça. Sabe que o Brasil não sobrevive 24 horas sem as exportações que só podem ser obtidas com agricultura capitalista de larga escala, mas defende uma “inflexão” na área agrícola.
Marina tinha o dobro das intenções de voto de Eduardo Campos, mas era candidata a vice. Formou-se no PT, mas hoje é a sua principal concorrente. Não se sabe o que pretende fazer, na vida real, diante de nenhum dos problemas que o eleitor quer ver resolvidos com urgência.
Seus 20 milhões de admiradores, até hoje, não lhe cobraram mais esclarecimentos – não entendem o que ela está dizendo, mas parecem achar que é bom. Dá para chegar ao Planalto nessa toada, falando de “sustentabilidade” e “esforço transversal”?
Lula e Dilma, mais que Aécio, esperam que não. Os dois só sabem fazer campanha apostando tudo na destruição do competidor, que sempre pintam como um inimigo da “maioria pobre” – e essa opção não está mais disponível para eles.
Vai ser difícil, por exemplo, dizer que Marina é da elite branca do Sul, porque ela nasceu mais pobre do que Lula, não é branca e veio da periferia de Rio Branco, no fundo do Acre. Não dá para pregar ódio contra alguém que só foi se alfabetizar aos 16 anos de idade, ou teve a saúde arruinada pela falta de dinheiro.
Não se conseguirá negar a Marina o “heroísmo moral” de que fala Cervantes – aquela penca de desvantagens que ninguém quer para si, a começar pela pobreza, mas acha um grande mérito nos outros.
Marina Silva pode ser uma pedreira.

AMEAÇA DE TSUNAMI NO CONGRESSO: ex-diretor da Petrobras pode revelar à polícia dinheiro sujo que repassou a 49 parlamentares — de 6 partidos diferentes - DO BLOG DE RICARDO SETTI


AMEAÇA DE TSUNAMI NO CONGRESSO: ex-diretor da Petrobras pode revelar à polícia dinheiro sujo que repassou a 49 parlamentares — de 6 partidos diferentes

(Foto: Daniel Marenco/Folhapress)
Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras, tem uma lista de parlamentares a quem pode ter subornado, e usa o documento como instrumento de chantagem em período eleitoral (Foto: Daniel Marenco/Folhapress)
A LISTA DOS CORRUPTOS
Nota publicada na seção “Holofote” de edição impressa de VEJA
Pode ser pura chantagem. Mas pode não ser.
O fato é que amigos de Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras preso sob acusação de participar do esquema de lavagem de dinheiro do doleiro Alberto Youssef, fizeram uma lista de 49 parlamentares de seis partidos a quem ele teria distribuído propina.
Se for verdade, o Congresso pode estar na iminência de um tsunami. Paulo Roberto sempre acreditou que seus contatos no mundo político moveriam as engrenagens necessárias para tirá-lo da prisão. Como isso não aconteceu, ele vive ameaçando revelar seus segredos à polícia — para desespero de muita gente que disputa a reeleição.

Radiografia de uma fraude (parte 3): A secretária do governo gaúcho que pouco entende de minas e energia virou ministra porque Lula entende menos ainda - NÃO PERCAM. DO BLOG DE AUGUSTO NUNES

Radiografia de uma fraude (parte 3): A secretária do governo gaúcho que pouco entende de minas e energia virou ministra porque Lula entende menos ainda

Doutor em Física, com mestrado em Engenharia Nuclear, coordenador do grupo que redigiu o capítulo sobre a área de minas e energia no programa do candidato do PT, o professor Luiz Pinguelli Rosa já escolhera o terno para o primeiro dia na Esplanada dos Ministérios quando soube que fora barrado no baile. Por motivos ignorados tanto pelo quase ministro quanto pelos demais integrantes da equipe de transição acampada no Centro de Treinamento do Banco do Brasil, em Brasília, o cargo caiu no colo de Dilma Rousseff, filiada ao PDT gaúcho e secretária de Minas e Energia do Rio Grande do Sul.
O que teria levado o dono do time a alterar a escalação minutos antes da entrada em campo?, intrigaram-se os Altos Companheiros. Lula só desvendou o mistério semanas depois da festa de posse: “Já no fim de 2002 apareceu lá uma companheira com um computadorzinho na mão”, contou com a placidez de quem está narrando uma história para crianças. Lá era o Centro de Treinamento do BB. “Começamos a discutir e percebi que ela tinha um diferencial dos demais, porque ela vinha com a praticidade do exercício da secretaria. Aí eu fiquei pensando: acho que já encontrei a minha ministra”.
Simples assim. Se Dilma Rousseff era secretária do governador Olívio Dutra, por que não promover a ministra a companheira do computadorzinho portátil? O maior governante desde a chegada das caravelas entende de minas e energia tanto quanto entende de gramática e ortografia. Como Dilma não entende do assunto muito mais que o chefe, do que teriam tratado nas conversas a dois? O que teria ouvido Lula para dispensar-se de consultas a especialistas no ramo e pedidos de informações a quem a conhecia menos superficialmente?
Em 2007, ela resumiu em duas frases o que os dois conversaram: “O presidente perguntou como tinha sido o apagão do Fernando Henrique no Rio Grande do Sul, e eu contei que lá não teve apagão”. Mitômanos, quando não mentem simplesmente, contam só um pedaço da verdade. Sim, os gaúchos não tiveram de racionar energia em 2001. Nem os catarinenses e os paranaenses, Dilma deixou de dizer. Como não faltaram chuvas, tampouco faltou água nos reservatórios da hidrelétricas da região sul. Os três Estados escaparam das medidas de emergência não pela competência dos secretários estaduais, mas pela clemência da natureza.
Sem chances de concorrer com quem derrotara até o apagão, restou a Pinguelli conformou-se com  a presidência da Eletrobrás. Caiu fora em pouco tempo para afastar-se do crônico mau humor da ministra. “Essa moça formata o disquete a cada semana”, ironizou. ”Nunca tive simpatia pela maneira como Dilma trata as pessoas”, diz o professor Ildo Sauer, demitido pela ministra da Diretoria de Gás e Energia da Petrobras. “Ela não conversa, só dá ordens. Mas é um doce com quem está acima dela”. Como a guerrilheira obediente aos comandantes dos grupos clandestinos, como a mulher dócil no trato com os maridos, como a secretária que nem piava nas reuniões do governo gaúcho, a ministra sempre sabe com quem está falando.
Os interlocutores de Dilma Rousseff acreditaram durante muitos anos que falavam com uma sumidade em economia. Em 2005, transferida do Ministério de Minas e Energia para o gabinete do qual José Dirceu fora despejado pelo mensalão, o site da Casa Civil manteve no currículo oficial duas informações fraudulentasque enfeitavam a biografia da nova chefe. Ali se lia que Dilma era mestre em teoria econômica pela Universidade de Campinas (Unicamp) e doutoranda em economia monetária e financeira pela mesma universidade”. Nunca foi nem uma coisa nem outra, descobriu a imprensa em julho de 2009. Ela jamais pediu desculpas pela trapaça.
Num e-mail endereçado a amigos, Ildo Sauer confessou que foi uma das vítimas da vigarice forjada pela doutora em nada. No fim de 2002, os integrantes do grupo de energia do Instituto Cidadania, vinculado ao PT, entregaram seus currículos atualizados à direção da entidade. Sauer leu o apresentado por Dilma e, bem impressionado, quis saber se tinha concluído o curso de doutorado. Diante da resposta positiva, perguntou se Dilma toparia participar da banca que examinaria a tese de um candidato a doutor. “Não tenho tempo para essas coisas”, recusou com rispidez a convidada.
“Hoje compreendo”, disse Sauer na mensagem pela internet. “O desprezo e o desdém eram ferramentas para encobrir a impostura… Há outras”. Quais seriam? Sauer acha que é cedo para divulgá-las agora. “O que já se sabe é suficiente para mostrar que Dilma não é nada do que se imaginava”, explica. Dilma Rousseff é só uma fraude.

CONFIRMADO: DILMA NÃO PARTICIPARÁ, HOJE, DA SÉRIE DE ENTREVISTAS DE PRESIDENCIÁVEIS NO “JORNAL DA GLOBO”. Perguntas que seriam feita a ela vão ser lidas no ar (Foto: O Globo)


CONFIRMADO: DILMA NÃO PARTICIPARÁ, HOJE, DA SÉRIE DE ENTREVISTAS DE PRESIDENCIÁVEIS NO “JORNAL DA GLOBO”. Perguntas que seriam feita a ela vão ser lidas no ar

(Foto: O Globo)
Dilma: apesar de uma expectativa de que voltaria atrás de sua decisão de não conceder entrevista à Globo, o Palácio do Planalto confirmou e a presidente será a única candidata a não comparecer (Foto: O Globo)

Depois de aceitar ser entrevistada pelo Jornal Nacional no dia 18 passado, tal como ocorreu com seus principais adversários, a presidente Dilma Rousseff comunicou sexta-feira à Rede Globo que não participará da sequência de entrevistas com candidatos à Presidência que será realizada pelo Jornal da Globo. Por sorteio, Dilma deveria ser entrevistada hoje, terça-feira.
A série começou nesta segunda, com Marina Silva (PSB). Amanhã, será a vez de Aécio Neves (PSDB). O Pastor Everaldo (PSC) ficou de fora por não haver atingido 3% das intenções de voto no mais recente levantamento, do Datafolha, segundo critério divulgado com antecedência pela Globo para fazer os convites a candidatos.
Não por acaso, a decisão tinha sido adotada e comunicada no mesmo dia em que o instituto Datafolha mostrou a presidente petista empatada com Marina Silva (PSB) em intenções de voto para o primeiro turno das eleições, a 5 de outubro, e sendo derrotada por ampla margem — dez pontos — em uma projeção de segundo turno, que se realizará a 26 do mesmo mês.
Dilma não explicou as razões de não se apresentar diante de um entrevistador experiente e firme como o âncora William Waack que, junto com Christiane Pelajo, sua companheira de bancada, fazem as entrevistas. O porta-voz da presidente, Thomas Traumann, simplesmente comunicou que Dilma não iria.
Mesmo assim, havia expectativas na Globo de que a presidente voltaria atrás. Ontem, porém, pouco antes do início do debate do SBT, veio a decisão final da candidata do PT: será a única entre os candidatos convidados a não comparecer.
Como procedimento padrão da Globo, os jornalistas William Waack e Cristiane Pelajo lerão no ar as perguntas que fariam a Dilma.

Nervosa, atrapalhando-se com as palavras, consultando textos e precisando ler para responder, Dilma vai mal no debate do SBT - VEJA.COM

Nervosa, atrapalhando-se com as palavras, consultando textos e precisando ler para responder, Dilma vai mal no debate do SBT

Dilma questiona Marina:   (Foto: Reprodução SBT)
Dilma questiona Marina: logo de cara, a presidente se confundiu com as regras do debate e admitiu “nervosismo” (Foto: Reprodução SBT)
Questionada e pressionada por todos os demais seis candidatos à Presidência no debate recém-encerrado pelo SBT, a presidente Dilma Rousseff (PT), aspirante à reeleição, teve uma atuação fraca e sai como a grande perdedora.
Nervosa, algo que admitiu logo no início do programa ao mostrar desconhecimento das regras do debate, Dilma repetiu sucessivamente cantilenas de realizações que ninguém vê, de melhorias que não se identificam e de feitos que só constam do mundo dos sonhos, como a contenção da inflação e o crescimento econômico.
Atrapalhando-se, como sempre, com as palavras, a presidente não deixou uma só vez de consultar textos feitos por sua assessoria ao endereçar perguntas, comentar respostas ou oferecer tréplica. Quando tentou improvisar, tropeçava nas frases e, num universo — o da imagem — em que o que se vê é mais importante do aquilo que se ouve, naufragou.
Eduardo Jorge debate com Aécio
Eduardo Jorge debate com Aécio: nanicos acabaram dando ao candidato tucano o espaço que Dilma e Marina, espertamente, recusaram (Foto: Reprodução SBT)
Aécio Neves (PSDB), desta feita, criticou com mais dureza o governo do que no debate anterior, o da Band, assinalando sempre que possível que a gestão Dilma “fracassou”, afirmando que nenhuma das supostas providências anti-corrupção que a presidente disse ter adotado funcionou e, entre outros pontos, lembrando que há um importante ex-diretor da Petrobras preso. Deixou, porém, de bater em pontos fracos do governo lulopetista, como, entre muitos outros, sua incompreensível aliança com o regime de Cuba.
Marina Silva (PSB), sem perder a postura de Gandhi que costuma adotar, acabou sendo mais direta e clara nas críticas, falando do descontrole da inflação, da paralisia na economia e dos “péssimos serviços prestados à população”, e teve um de seus melhores momentos fustigando Dilma ao assinalar:
– Quando as coisas vão bem, os louros vão para seu governo. Quando vão mal, a culpa é da crise externa ou até da natureza.
Em outro bom momento, Marina disse que é incapaz de reconhecer os erros de seu governo, e sentenciou:
– Se não se reconhecem os erros, não há como repará-los.
Dilma e Marina, em uma tática correta do ponto de vista de seus interesses eleitorais, ignoraram Aécio, que, porém, teve oportunidade de dar seus recados graças a perguntas ou indicação para comentar provenientes dos candidatos nanicos, dos quais, como sempre, o mais patético foi o candidato profissional Levy Fidelix (PRTB), já em sua 10ª campanha eleitoral, todas sem o mais remoto sinal de qualquer repercussão no eleitorado.
O debate, iniciado às 17h45, durou 1 hora e 49 minutos. Foi transmitido pelo SBT e pelos coorganizadores — o portal UOL, o site do jornalFolha de S. Paulo e a rádio Jovem Pan.
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O saldo do debate promovido nesta segunda pela Jovem Pan, Folha, UOL e SBT? Uma Marina Silva que se consolidou como alternativa aos olhos do eleitorado e que cresceu, como presidenciável, atropelando Dilma Rousseff, que teve, de muito longe, o pior desempenho entre os três principais candidatos. O debate está na Internet, pode ser visto por qualquer um que não o tenha feito. O tucano Aécio Neves se saiu muito bem. Respondeu, como de hábito, com clareza e desenvoltura. Demonstrou conhecimento de causa e segurança. Mas, como afirmei no post de ontem, as circunstâncias não o transformaram em um dos polos do debate, que caminhou para o confronto entre Marina, ora no PSB, e Dilma, do PT. Qualquer juízo objetivo constata o óbvio: a candidata à reeleição perdeu feio o embate. Os petistas estão completamente desorientados.
Há dias, chamo aqui a atenção para o desastre a que as ideias fixas podem conduzir as pessoas, lembrando o Machado de Assis de “Memórias Póstumas de Brás Cubas”. Como nunca, o PT tem sido vítima de sua natureza. Se não conseguir sair da encalacrada em que está, perdeu a eleição.
Os petistas só sabem fazer campanha presidencial contra, nunca a favor. A de 1989 se organizou na oposição a José Sarney e Fenando Collor, hoje seus queridos aliados. Em 1994, passa a ser vítima da ideia fixa: atacar os tucanos. Perdeu dois pleitos consecutivos no primeiro turno no ataque ao Plano Real, às privatizações e à Lei de Responsabilidade Fiscal. Em 2002, mudou de rumo: passou a falar uma linguagem propositiva e se tornou monopolista da esperança e da mudança — um discurso que hoje, tudo bem pensado, serve a Marina Silva.
Muito bem! Eleito presidente, Lula resolveu governar com os marcos macroeconômicos herdados do PSDB — não adianta disfarçar —, mas deu início à demonização do adversário. Com impressionante vigarice, o PT se portava como “oposição”, embora fosse governo, embora fosse situação, embora estivesse no controle do Estado. Exercitou, no limite do possível, o discurso do ressentimento, do ódio e da perseguição aos adversários. Queria, em suma, ser o senhor — e era! —, mas com o poder das… vítimas.
Enquanto as circunstâncias econômicas foram favoráveis à construção dessa farsa, surfou na onda. Acreditem: os petistas já não contavam mais — e não contam ainda — com a possibilidade de deixar o poder. Há pouco mais de um ano e meio, falavam abertamente na reeleição de Dilma no primeiro turno e depois em mais oito anos de Lula… Tudo assim, com desassombro, sem combinar antes com a história e com o imponderável.
Para isso, no entanto, sempre dependeu de um inimigo de estimação: o PSDB. O partido era sua antivitrine, seu exemplo de elite pernóstica e insensível aos reclamos do povo. Os braços de aluguel do partido na subimprensa e na imprensa ainda insistem nessa cascata. Mas eis que surge uma Marina no meio do caminho, oriunda justamente do ninho… petista! Também sabe fazer o discurso dos “Silva”; também sabe desempenhar o papel da “vítima triunfante”; também é especialista na “demonização do outro”, embora tenha uma fala menos rascante do que a de Lula, embora se expresse com mais fluência — o que não quer dizer clareza —, embora pareça a pura expressão da mansidão.
E eis que vemos um PT sem resposta, a dar tiros no próprio pé. No debate desta segunda, Dilma tentou encurralar Marina, mas perdeu todas. Mesmo quando atacava, estava na defensiva. A petista só se esmerou no jogo bruto, beirando a grosseria, contra Aécio. Ocorre que, hoje ao menos, quem fará Dilma mudar de endereço é Marina Silva.
Depois do debate, Dilma se reuniu com seu núcleo duro de campanha — incluindo o marqueteiro João Santana e o ministro Aloizio Mercadante — e com Lula. Foi, certamente, uma reunião para lamber as feridas do dia. Marina foi a vencedora da noite, e Dilma, a grande derrotada. Os petistas vivem o dilema expresso pelo asno de Buridan, aquele que pode morrer de fome e de sede, incapaz de decidir entre a água e a alfafa. Se bate em Marina, teme se esborrachar com a rejeição do eleitorado, que vê na ex-senadora a magricela pobrezinha do seringal, que se esforçou e se tornou uma figura mundialmente conhecida. Se não bate, a magriça se agigante e engole a máquina petista nem que seja com um trocadilho, no que ela é boa. Nesta segunda, mandou ver em mais um: “Não sou nem pessimista nem otimista, sou persistente”. O que quer dizer? Nada! Enquanto isso, Dilma, coitada!, se enrolava em números e siglas, com a cara feia, visivelmente contrariada.
Pela primeira vez, desde 2002, as circunstancias atuam contra a ideia fixa do PT. E o partido não sabe o que fazer. Desta vez, nem o Santo Lula pode ajudar. Encontrou uma Silva que sabe ser ainda mais coitadinha e mais orgulhosa do que ele próprio. Como colar nela a pecha de candidata da Dona Zelite, né, Lula?
Por Reinaldo Azevedo

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

No Rio, Aécio diz que Dilma já perdeu

Eleições 2014

No Rio, Aécio diz que Dilma já perdeu

Candidato tucano, que participou de partida de futebol organizada por Zico na Barra da Tijuca, afirma que o governo atual "fracassou" e "não vencerá" as eleições. E ainda criticou Marina Silva, em quem vê contradições

Daniel Haidar
aecio-zico
(Daniel Haidar - VEJA.com/VEJA)
O candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves, afirmou neste domingo que Dilma Rousseff, a candidata do PT à reeleição, já perdeu a disputa pelo Palácio do Planalto. "O atual governo fracassou. Essa é a questão central. E não vencerá as eleições o grupo que está hoje no poder", disse o mineiro, pouco antes do  jogo de futebol organizado por Zico com celebridades e ex-atletas na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio de Janeiro, do qual tomou parte.
LEIA TAMBÉM: Jogo de futebol de Aécio e Zico tem candidato 'penetra'

Aécio também fez críticas a Marina Silva (PSB), hoje empatada com Dilma na disputa pela presidência. “Vejo na proposta do PSB um número muito grande de contradições em relação ao que se propõe hoje e o que se praticou no passado em todas as áreas”, disse Aécio, que respondia à provocação do vice de Marina, Beto Albuquerque (PSB), para quem os tucanos precisavam apresentar um plano de governo antes de criticar os adversários. 
O tucano conclamou ainda a adversária do PSB a apresentar o que pensa para a política externa e programas de transferência de renda. Aécio voltou a dizer que o PSB defende “as mesmas posições” que o PSDB defendeu historicamente para a economia. “Agora Marina terá oportunidade de externar suas propostas. Boas intenções todas as candidaturas trazem, mas é importante termos algo mais do que isso para que o Brasil não viva uma nova frustração como a de hoje”, criticou.
Marina apareceu empatada na última pesquisa Datafolha com a presidente-candidata Dilma Rousseff, ambas com 34% das intenções de voto, enquanto Aécio registrou 15% das preferências. 

DITADURA CLEPTOCRÁTICA TOGADA - RAFAEL BRASIL

A ditadura cleptocrática togada, do consórcio PT/ STF, se baseia nos princípios fundamentais de qualquer ditadura comunista. Terrorismo de e...