Saiu a lista dos convocados da seleção brasileira que irão jogar a copa do mundo na África do Sul. O técnico Dunga, um perna de pau frustrado, que participou e ganhou a copa de 94 naquela sofrida disputa de pêneltis contra a Itália, que aliás ninguém se lembra muito, nem dele nem da seleção. Se fosse em 1958, não teria chamado Pelé. E por falar em l958, muitos burocratas do futebol daquela época não queriam chamar Garrincha, pois diziam que ele era meio louco, no mínimo um desequilibrado mental. Atendendo as pressões da torcida, Feola e comissão técnica atenderam aos apelos populares, convocando o gênio das pernas tortas, que foi fundamental naquele título até então inédito para os brasileiros. Era um timão, e ainda hoje persiste a polêmica, sobre qual o melhor time do Brasil em todos os tempos, se o de 58 ou o de 70. Em 62, com a contusão prematura de Pelé, Garrincha deu o título ao Brasil na copa do Chile.
Quando falo de perna de pau frustrado, me refiro a jogadores que sempre tiveram inveja de craques que sabem jogar com arte, como é característico do alegre e perigoso futebol nacional. E por falar em arte, todos se lembram do time de 82, que, mesmo perdendo, ainda é mais lembrado do que a seleção de Dunga, aonde só tinhamos Romário como representante do nosso tradicional futebol arte. E ele se destacou como o nosso melhor jogador da copa, apesar de que o mesmo quase não foi convocado pelo burocrata Parreira. Ademais, ele só foi mesmo convocado pela pressão popular, e pela sua participação no último jogo das eliminatórias contra o sempre aguerrido Uruguai. Ganhamos a copa de 94, mas com um futebol retranqueiro, e sofridamente nos pênaltis. Como sabemos, nos pênaltis, até o Íbis pode ser campeão mundial.
Pois bem, Dunga, com a maior cara de pau e inveja do futebol arte, deixou de convocar os meninos do Santos e Ronaldinho Gaúcho, que segundo Maradona, é um supercraque que não poderia ficar de fora de nenhum time do mundo. Podemos até ganhar esta copa com àqueles jogadores mediocres, como Elano , Júlio Batista, Klébson, Josué e outros menos votados. Mas deixar de levar os melhores do momento , quando temos sempre safras de novos talentos é uma armação contra o bom futebol. E copa do mundo, como é um campeonato curto, deve-se levar os melhores do momento e pronto. O resto é conversa fiada. O finado João Saldanha uma vez indagado se convocaria Zico para a seleção de 70, não titubeou: Convocaria, disse ele prontamente, ao ser indagado de novo, em que lugar colocaria o galinho: “talvez no lugar do Everaldo, ou outro qualquer, menos Pelé é claro”, respondeu o velho Saldanha , para depois completar: “Craque não pode ficar de fora” e ponto. Se ganharmos, venceremos com um futebol feio, e o que é pior: Esta concepção de futebol de resultados, perdurará por muito tempo em detrimento do nosso futebol arte, que é o que temos de melhor neste Brasil de tanta safadeza e corrupção. Para mim , desse jeito é melhor perder. Acho que vou torcer pela Espanha, ou pela África do Sul. Quem sabe a Argentina? Brincadeiras à parte, perdi o tesão por essa seleção e pela copa do mundo. Vou torcer mesmo é para que o meu Sport consiga chegar novamente à primeira divisão. Está difícil também , mas não deixa de ser um consolo.
quarta-feira, 12 de maio de 2010
segunda-feira, 10 de maio de 2010
AMIGÃO ROBERTO ALMEIDA
Gosto muito de cutucar o velho amigo, mas sei que, felizmente você está longe de ser um xiita, ou mesmo um fanático lulista. O ideal é não ser fanático por ninguém, afinal, já passamos da idade de ficarmos deslumbrados pelas personalidades da política. Por isso gosto muito de Fernando Henrique, pela sua ponderação, e seu estilo, digamos, anti-carismático. Um democrata, que não se preocupou em trombetear seus feitos no govcerno, que Lula quer se apropriar indevidamente, digamos assim. Em outras palavras, se não existisse PROER, nosso sistema financeiro não estaria blindado contra a crise internacional, não é verdade? O problema é que Lula não reconhece nada disso, e fica com àquele besteirol de herança maldita. Herança bendita, é bom que se diga! Quando na crise da Rússia, Fernando Henrique apertou as torneiras da gastança nacional, provocando até uma considerável recessão, e em época pré-eleitoral, eu disse na época: Eis aí um estadista. Não jogou para a platéia, e garantiu para o país uma estabilidade até os dias que correm. Apesar da impopularidade das medidas. E o que você diz é que ele é simplesmente um bunda-mole. Navegamos ainda nas reformas institucionais feitas durante o governo passado. Qual a reforma que Lula fez? Nenhuma, caro Roberto. Claro, a grande virtude de Lula foi ter dado continuidade as bases do plano real, e o reconhecimento deste fato, não diminuiria seu governo, muito pelo contrário. Mas a mentira é que me chateia, sobretudo dessa esquerda doi PT, corrupta e mentirosa, que aliás, sempre foi contra a estabilidade, por considerá-la neo- liberal, ou coisas do tipo. O que me chateia também, é o caráter golpista e anti-democrático destes setores da esquerda petista, que, deve-se de pasagem , foi renegada pelo próprio Lula, quando o mesmo optou em seguir a constituição, apesar das cassandras, agora das esquerdas.
Em relação à política internacional, é um desastre a política tresloucada deste governo, apoiando as piores ditaduras do mundo, sobretudo tirando fotos sorridentes com Fidel Castro, e desdenhando a luta pela democracia em Cuba. Desafiaria seu amigo Jodeval Duarte, a viver como cidadão, (não como turista e apoiador do regime), pelo menos seis meses na ilha-prisão, ganhando vinte dólares por mês, sem blog nem tampouco internet. Um cidadão que usou seu cargo de jornalista para denegrir a imagem de uma pessoa honesta como minha prima Carmen Celeste Azevedo, filha de Ormito Azevedo, um cidadão incorruptível, ela também, uma professorianha do interior, a soldo de um corrupto como Zé da Luz, que tem mais de três dezenas de processos na justiça por improbidade administrativa quando foi prefeito desta pobre cidade de Caetés. Isto sem falar no Mensalão, quando os principais atores indiciados pela justiça federal por formação de quadrilha, são amigos do presidente, recebendo afagos do mesmo com a maior cara de pau.
Quanto a Obama, será que agora ele acharia Lula o cara, com o apoio a ditadura do Irã? E, interessante, a tão criticada imprensa imperialista agora tornou-se isenta porque em alguns órgãos elogia o falante e mentiroso presidente? E o aparelhamento do estado? E o financiamento do MST e das centrais sindicais pelegas ancoradas no estado? E o desequilíbrio fiscal deste fim de governo? Ademais, já dizem no exterior, que o que póde estragar a situação do Brasil num futuro próximo é a empáfia de um suposto futuro novo rico. Ou não andas lendo os jornais? Aonde anda o Roberto democrata que conheci? Será que a popularidade presidencial apaga tudo? Aliás , não devemos esquecer que Hitler era mais popular do que Lula na época da Alemanha Nazista, e não só pela propaganda. O povo alemão estava todo com ele, só alguns gatos pingados saíram do país. E Médici, o pior carrasco da ditadura militar, foi o presidente mais popular do período da ditadura, que humildemente combatemos, estás lembrado amigão Roberto? É bom não esquecer o lembrete da velha revolucionária assassinada na Alemanha pelos gendarmes da direita alemã, Rosa de Luxemburgo, de que a essência da democracia são as minorias, que representam o dissenso. A história ainda dará o balanço deste governo. Lula é inteligente ? Claro, nunca o subestimei, se não não estaria dando as cartas. Porém, muito melhor do que quaisquer personalidades da política, é a democracia. Para mim bom político é aquele que luta pelo aperfeiçoamento das instituições democráticas. Abaixo as ditaduras, sejam elas de diteita ou de esquerda. Nesse sentido, orgulho-me de ser minoria. Só acho chato é que pessoas como você, que considero um legítimo democrata, fique fascinado com certas lideranças carismáticvas tão canhestras como Lula. É bom ligar o desconfiômetro, não amigo Roberto? Falar nisso, que tal conversarmos, comendo uma deliciosa buchada de bode no meu sítio? Estou com saudades do velho amigo. Saudações democráticas. E rubronegras, afinal, falta pouco para hexa ser luxo.
Em relação à política internacional, é um desastre a política tresloucada deste governo, apoiando as piores ditaduras do mundo, sobretudo tirando fotos sorridentes com Fidel Castro, e desdenhando a luta pela democracia em Cuba. Desafiaria seu amigo Jodeval Duarte, a viver como cidadão, (não como turista e apoiador do regime), pelo menos seis meses na ilha-prisão, ganhando vinte dólares por mês, sem blog nem tampouco internet. Um cidadão que usou seu cargo de jornalista para denegrir a imagem de uma pessoa honesta como minha prima Carmen Celeste Azevedo, filha de Ormito Azevedo, um cidadão incorruptível, ela também, uma professorianha do interior, a soldo de um corrupto como Zé da Luz, que tem mais de três dezenas de processos na justiça por improbidade administrativa quando foi prefeito desta pobre cidade de Caetés. Isto sem falar no Mensalão, quando os principais atores indiciados pela justiça federal por formação de quadrilha, são amigos do presidente, recebendo afagos do mesmo com a maior cara de pau.
Quanto a Obama, será que agora ele acharia Lula o cara, com o apoio a ditadura do Irã? E, interessante, a tão criticada imprensa imperialista agora tornou-se isenta porque em alguns órgãos elogia o falante e mentiroso presidente? E o aparelhamento do estado? E o financiamento do MST e das centrais sindicais pelegas ancoradas no estado? E o desequilíbrio fiscal deste fim de governo? Ademais, já dizem no exterior, que o que póde estragar a situação do Brasil num futuro próximo é a empáfia de um suposto futuro novo rico. Ou não andas lendo os jornais? Aonde anda o Roberto democrata que conheci? Será que a popularidade presidencial apaga tudo? Aliás , não devemos esquecer que Hitler era mais popular do que Lula na época da Alemanha Nazista, e não só pela propaganda. O povo alemão estava todo com ele, só alguns gatos pingados saíram do país. E Médici, o pior carrasco da ditadura militar, foi o presidente mais popular do período da ditadura, que humildemente combatemos, estás lembrado amigão Roberto? É bom não esquecer o lembrete da velha revolucionária assassinada na Alemanha pelos gendarmes da direita alemã, Rosa de Luxemburgo, de que a essência da democracia são as minorias, que representam o dissenso. A história ainda dará o balanço deste governo. Lula é inteligente ? Claro, nunca o subestimei, se não não estaria dando as cartas. Porém, muito melhor do que quaisquer personalidades da política, é a democracia. Para mim bom político é aquele que luta pelo aperfeiçoamento das instituições democráticas. Abaixo as ditaduras, sejam elas de diteita ou de esquerda. Nesse sentido, orgulho-me de ser minoria. Só acho chato é que pessoas como você, que considero um legítimo democrata, fique fascinado com certas lideranças carismáticvas tão canhestras como Lula. É bom ligar o desconfiômetro, não amigo Roberto? Falar nisso, que tal conversarmos, comendo uma deliciosa buchada de bode no meu sítio? Estou com saudades do velho amigo. Saudações democráticas. E rubronegras, afinal, falta pouco para hexa ser luxo.
Seis de cada dez crianças brasileiras estudam segundo os dogmas do construtivismo, um sistema adotado por países com os piores indicadores de ensino do mundo
Marcelo Bortoloti
Oscar Cabral
Faltam metas
Típica aula construtivista: o aluno dá o ritmo
VEJA TAMBÉM
• Quadro: A desconstrução do construtivismo
• Especial: como escolher o método de ensino
da escola
Mais de 60% das escolas públicas e particulares no Brasil se identificam como adeptas do construtivismo. Sendo assim, parece óbvio que seis de cada dez crianças brasileiras estão sendo educadas com base em uma doutrina didática cuja natureza, objetivos e lógica devem ser de amplo conhecimento de diretores, professores e pais. Correto? Errado. Uma pesquisa conduzida pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) desvenda um cenário obscuro. Em plena era da internet, os conceitos do construtivismo parecem ter chegado ao Brasil via as ondas curtas de 49 metros de propagação troposférica, com suas falhas e chiados. Ninguém sabe ao certo como o construtivismo funciona, muito menos saberia listar as razões pelas quais ele foi adotado ou deve ser defendido. Ele é definido erradamente como um "método de ensino". O construtivismo não é um método. É uma teoria sobre o aprendizado infantil posta de pé nos anos 20 do século passado pelo psicólogo suíço Jean Piaget. A teoria do suíço deu credibilidade à concepção segundo a qual a construção do conhecimento pelas crianças é um processo diretamente relacionado à sua experiência no mundo real. Ponto. A aplicação prática feita nas escolas brasileiras tem apenas o mesmo nome da teoria de Piaget. O construtivismo tornou-se uma interpretação livre de um conceito originalmente racional e coerente. Ele adquiriu várias facetas no Brasil. Unifica-as o primado da realidade da criança sobre os conceitos básicos das disciplinas tradicionais. Traduzindo e caricaturando: como não faz frio suficiente na Amazônia para congelar os rios, um aluno daquela região pode jamais aprender os mecanismos físicos que produzem esse estado da água apenas por ele não fazer parte de sua realidade. Isso está mais longe de Piaget do que Madonna da castidade.
A experiência mostra que as interpretações livres do construtivismo podem ser desastrosas – especialmente quando a escola adota suas versões mais radicais. Nelas, as metas de aprendizado são simplesmente abolidas. O doutor em educação João Batista Oliveira explica: "O construtivismo pode se tornar sinônimo de ausência de parâmetros para a educação, deixando o professor sem norte e o aluno à mercê de suas próprias conjecturas". Por preguiça ou desconhecimento, essas abordagens radicais da teoria de Piaget são a negação de tudo o que trouxe a humanidade ao atual estágio de desenvolvimento tecnológico, científico e médico. Sua ampla aceitação no passado teria impedido a maioria das descobertas científicas, como a assepsia, a anestesia, as grandes cirurgias ou o voo do mais pesado que o ar. Sir Isaac Newton (1643-1727), que escreveu as equações das leis naturais, dizia que suas conquistas só haviam sido possíveis porque ele enxergava o mundo "do ombro dos gigantes" que o precederam. O conhecimento que nos trouxe até aqui é cumulativo, meritocrático, metódico, organizado em currículos que fornecem um mapa e um plano de voo para o jovem aprendiz. Jogar a responsabilidade de como aprender sobre os ombros do aprendiz não é estúpido. É cruel.
Em um país como o Brasil, onde as carências educacionais são agudas, em especial a má formação dos professores, a existência de um método rigoroso, de uma liturgia de ensino na sala de aula, é quase obrigatória. A origem latina da palavra professor deveria ser um guia para todo o processo de aprendizado. O professor é alguém que professa, proclama, atesta e transmite o conhecimento adquirido por ele em uma arte ou ciência. Nada mais longe da realidade brasileira, em que menos da metade dos professores é formada nas disciplinas que ensina. À luz das versões tropicais do construtivismo, essa deficiência é até uma vantagem, pois, afinal, cabe aos próprios alunos definir com base em sua realidade o que querem aprender. É claro que um modelo assim já seria difícil funcionar em uma sala de aula ideal, com um mestre iluminado cercado de poucos e brilhantes pupilos. Nas salas de aula da realidade brasileira, é impossível que essa abordagem leniente dê certo. Adverte o doutor em psicologia Fernando Capovilla, da Universidade de São Paulo (USP): "As aulas construtivistas frequentemente caem no vazio e privam o aluno de conteúdos relevantes".
Um conjunto de pesquisas internacionais chama atenção para o fato de que, em certas disciplinas do ensino básico, o construtivismo pode ser ainda mais danoso – especialmente na fase de alfabetização. Enquanto na pedagogia tradicional (a do bê-á-bá) as crianças são apresentadas às letras do alfabeto e aos seus sons, depois vão formando sílabas até chegar às palavras, os construtivistas suprimem os fonemas e já mostram ao aluno a palavra pronta, sempre associada a uma imagem (veja o quadro). A ideia é que, ao ser exposto repetidamente àquela grafia que se refere a um objeto conhecido, ele acabe por assimilá-la, como que por osmose. De acordo com a mais completa compilação de estudos já feita sobre o tema, consolidada pelo departamento de educação americano, os estudantes submetidos a esse método de alfabetização têm se saído pior do que os que são ensinados pelo sistema tradicional. Foi com base em tal constatação que a Inglaterra, a França e os Estados Unidos abandonaram de vez o construtivismo nessa etapa. O departamento de educação americano também o contraindicou para o ensino da matemática – isso depois de uma sucessão de maus indicadores na sala de aula.
O construtivismo ganhou força na pedagogia durante a década de 70, época em que textos de Piaget e de alguns de seus seguidores, como o psicólogo russo Lev Vygotsky (1896-1934), vários dos quais traduzidos para o inglês, foram descobertos nas universidades americanas. Foi a partir daí que a corrente se disseminou por escolas dos Estados Unidos e da Europa. No Brasil, virou moda. Uma década mais tarde, porém, tal corrente começaria a ser gradativamente abandonada nos países que a adotaram pioneiramente. Os responsáveis pelo sistema educacional daqueles países chegaram a uma mesma conclusão: a de que a adoção de uma filosofia que não se traduzia em um método claro de ensino deixava os professores perdidos, deteriorando o desempenho dos alunos. Hoje, são poucos os países ainda entusiastas do construtivismo. Entre eles estão todos os de pior desempenho nas avaliações internacionais de educação. Com seis de cada dez crianças brasileiras entregues a escolas que se dizem adeptas do construtivismo, é de exigir que diretores, professores, pais e autoridades de educação entendam como se atolaram nesse pântano e tenham um plano de como sair dele.
Oscar Cabral
Faltam metas
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da escola
Mais de 60% das escolas públicas e particulares no Brasil se identificam como adeptas do construtivismo. Sendo assim, parece óbvio que seis de cada dez crianças brasileiras estão sendo educadas com base em uma doutrina didática cuja natureza, objetivos e lógica devem ser de amplo conhecimento de diretores, professores e pais. Correto? Errado. Uma pesquisa conduzida pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) desvenda um cenário obscuro. Em plena era da internet, os conceitos do construtivismo parecem ter chegado ao Brasil via as ondas curtas de 49 metros de propagação troposférica, com suas falhas e chiados. Ninguém sabe ao certo como o construtivismo funciona, muito menos saberia listar as razões pelas quais ele foi adotado ou deve ser defendido. Ele é definido erradamente como um "método de ensino". O construtivismo não é um método. É uma teoria sobre o aprendizado infantil posta de pé nos anos 20 do século passado pelo psicólogo suíço Jean Piaget. A teoria do suíço deu credibilidade à concepção segundo a qual a construção do conhecimento pelas crianças é um processo diretamente relacionado à sua experiência no mundo real. Ponto. A aplicação prática feita nas escolas brasileiras tem apenas o mesmo nome da teoria de Piaget. O construtivismo tornou-se uma interpretação livre de um conceito originalmente racional e coerente. Ele adquiriu várias facetas no Brasil. Unifica-as o primado da realidade da criança sobre os conceitos básicos das disciplinas tradicionais. Traduzindo e caricaturando: como não faz frio suficiente na Amazônia para congelar os rios, um aluno daquela região pode jamais aprender os mecanismos físicos que produzem esse estado da água apenas por ele não fazer parte de sua realidade. Isso está mais longe de Piaget do que Madonna da castidade.
A experiência mostra que as interpretações livres do construtivismo podem ser desastrosas – especialmente quando a escola adota suas versões mais radicais. Nelas, as metas de aprendizado são simplesmente abolidas. O doutor em educação João Batista Oliveira explica: "O construtivismo pode se tornar sinônimo de ausência de parâmetros para a educação, deixando o professor sem norte e o aluno à mercê de suas próprias conjecturas". Por preguiça ou desconhecimento, essas abordagens radicais da teoria de Piaget são a negação de tudo o que trouxe a humanidade ao atual estágio de desenvolvimento tecnológico, científico e médico. Sua ampla aceitação no passado teria impedido a maioria das descobertas científicas, como a assepsia, a anestesia, as grandes cirurgias ou o voo do mais pesado que o ar. Sir Isaac Newton (1643-1727), que escreveu as equações das leis naturais, dizia que suas conquistas só haviam sido possíveis porque ele enxergava o mundo "do ombro dos gigantes" que o precederam. O conhecimento que nos trouxe até aqui é cumulativo, meritocrático, metódico, organizado em currículos que fornecem um mapa e um plano de voo para o jovem aprendiz. Jogar a responsabilidade de como aprender sobre os ombros do aprendiz não é estúpido. É cruel.
Em um país como o Brasil, onde as carências educacionais são agudas, em especial a má formação dos professores, a existência de um método rigoroso, de uma liturgia de ensino na sala de aula, é quase obrigatória. A origem latina da palavra professor deveria ser um guia para todo o processo de aprendizado. O professor é alguém que professa, proclama, atesta e transmite o conhecimento adquirido por ele em uma arte ou ciência. Nada mais longe da realidade brasileira, em que menos da metade dos professores é formada nas disciplinas que ensina. À luz das versões tropicais do construtivismo, essa deficiência é até uma vantagem, pois, afinal, cabe aos próprios alunos definir com base em sua realidade o que querem aprender. É claro que um modelo assim já seria difícil funcionar em uma sala de aula ideal, com um mestre iluminado cercado de poucos e brilhantes pupilos. Nas salas de aula da realidade brasileira, é impossível que essa abordagem leniente dê certo. Adverte o doutor em psicologia Fernando Capovilla, da Universidade de São Paulo (USP): "As aulas construtivistas frequentemente caem no vazio e privam o aluno de conteúdos relevantes".
Um conjunto de pesquisas internacionais chama atenção para o fato de que, em certas disciplinas do ensino básico, o construtivismo pode ser ainda mais danoso – especialmente na fase de alfabetização. Enquanto na pedagogia tradicional (a do bê-á-bá) as crianças são apresentadas às letras do alfabeto e aos seus sons, depois vão formando sílabas até chegar às palavras, os construtivistas suprimem os fonemas e já mostram ao aluno a palavra pronta, sempre associada a uma imagem (veja o quadro). A ideia é que, ao ser exposto repetidamente àquela grafia que se refere a um objeto conhecido, ele acabe por assimilá-la, como que por osmose. De acordo com a mais completa compilação de estudos já feita sobre o tema, consolidada pelo departamento de educação americano, os estudantes submetidos a esse método de alfabetização têm se saído pior do que os que são ensinados pelo sistema tradicional. Foi com base em tal constatação que a Inglaterra, a França e os Estados Unidos abandonaram de vez o construtivismo nessa etapa. O departamento de educação americano também o contraindicou para o ensino da matemática – isso depois de uma sucessão de maus indicadores na sala de aula.
O construtivismo ganhou força na pedagogia durante a década de 70, época em que textos de Piaget e de alguns de seus seguidores, como o psicólogo russo Lev Vygotsky (1896-1934), vários dos quais traduzidos para o inglês, foram descobertos nas universidades americanas. Foi a partir daí que a corrente se disseminou por escolas dos Estados Unidos e da Europa. No Brasil, virou moda. Uma década mais tarde, porém, tal corrente começaria a ser gradativamente abandonada nos países que a adotaram pioneiramente. Os responsáveis pelo sistema educacional daqueles países chegaram a uma mesma conclusão: a de que a adoção de uma filosofia que não se traduzia em um método claro de ensino deixava os professores perdidos, deteriorando o desempenho dos alunos. Hoje, são poucos os países ainda entusiastas do construtivismo. Entre eles estão todos os de pior desempenho nas avaliações internacionais de educação. Com seis de cada dez crianças brasileiras entregues a escolas que se dizem adeptas do construtivismo, é de exigir que diretores, professores, pais e autoridades de educação entendam como se atolaram nesse pântano e tenham um plano de como sair dele.
domingo, 9 de maio de 2010
PEDRO S. MALAN -O que temos que ver com gregos e outros? O Estado de S.Paulo
A experiência histórica de séculos, tão bem documentada no belo livro de Rogoff e Reinhart (This Time is Different), mostra a grande frequência em que, após graves crises financeiras, as finanças públicas podem se deteriorar de maneira rápida e profunda. Os riscos associados a esta deterioração são particularmente agudos em países que já experimentavam, antes da crise, elevados ou crescentes déficits fiscais e de balanço de pagamentos; alto ou crescente estoque de dívida pública; significativa proporção desta dívida detida por estrangeiros, denominada em moeda estrangeira (ou em moeda que o país em questão não emite); elevado grau de rigidez em seu nível e estrutura de gasto público; um alto e crescente gasto com idosos e aposentados; e uma economia pouco competitiva internacionalmente.
Países que já tinham vários desses problemas antes da crise passaram a tê-los fortemente agravados pela natureza da inevitável resposta à crise. Com efeito, a necessidade de conter o pânico e o colapso da confiança nos mercados financeiros levou governos, por intermédio de seus Tesouros e bancos centrais, a uma intervenção historicamente sem precedentes, em termos de assistência de liquidez, garantias a depositantes e credores, compra de ativos dos balanços de bancos e injeções de capital em instituições financeiras e não-financeiras. As estimativas são de que os países desenvolvidos tenham assumido compromissos que, se necessário, poderiam chegar a cerca de 27% de seu PIB conjunto, nas várias formas de intervenção acima mencionadas.
Como consequência, seus déficits fiscais chegaram, na média, à faixa de 8% a 9% do PIB e o estoque de suas dívidas públicas está estimado para, na média, chegar aos 100% de seu PIB em dois anos mais. Uma expansão sem precedentes históricos em tempos de paz. No caso mais grave - o da Grécia -, o déficit público chegou a 13,6% do PIB em 2009 e sua dívida pública, a mais de 115% do PIB no ano, devendo alcançar 150% em 2014 - mesmo que a Grécia consiga reduzir seu déficit em quase 11 pontos porcentuais de seu PIB (de 13,6% para menos de 3%) em 2014. O que é altamente improvável para um país que - como vários outros, e não apenas da área do euro - já vinha seguindo uma forte e insustentável trajetória de expansionismo fiscal e que tinha - como vários outros países - muitas das características mencionadas no primeiro parágrafo deste texto.
O fato é que a questão da "crise das dívidas soberanas" estará na agenda das discussões internacionais por anos à frente. A eurozona ocupa um lugar especial por uma razão importante: os países que adotam o euro não podem esperar resolver problemas de dívida pública por meio de abruptas e não antecipadas acelerações de inflação e depreciações cambiais. Afinal, individualmente, esses países não emitem a sua própria moeda, não tendo política monetária e cambial decidida no âmbito nacional.
Esperemos que o Brasil esteja na categoria dos países que podem, mas não querem incorrer neste autoengano, porque aprenderam com as experiências - suas e de outros. Países nesta categoria sabem, ou deveriam saber, que não há alternativa que não seja evitar que a irresponsabilidade fiscal leve a dúvidas quanto à solvência de médio e de longo prazos de seus respectivos setores públicos. E, não menos importante, que é exatamente nos períodos de bonança e de euforia que se deve, precavidamente, como há muito mostraram os noruegueses, chilenos e outros, preparar o terreno para tempos mais difíceis - que sempre chegarão.
Nesse sentido, tão ou mais importante do que comemorar o décimo aniversário da Lei de Responsabilidade Fiscal é, agora, resistir às inúmeras pressões para que ela seja desrespeitada na prática e não permitir que o espírito que presidiu a sua elaboração, no final dos anos 90, seja gradualmente deixado de lado. Como já notei em outra oportunidade, construir uma reputação de comportamento fiscalmente responsável demanda muito tempo. A destruição progressiva de tal reputação pode ser realizada em muito pouco tempo.
Esse é o risco que estamos correndo. No Brasil, todos têm "muito apreço" pelo gasto público que os beneficia - e a seus eleitores. Mas este "apreço geral", que não está de forma alguma restrito aos anos eleitorais, e a voracidade com que se procura o acesso privilegiado a recursos públicos constituem o ovo da serpente de futuras crises fiscais e estão por trás das dificuldades que temos em assegurar investimentos em infraestrutura, em educação de qualidade e, em ultima análise, uma aceleração sustentada de nossa taxa de crescimento. Como vem acontecendo com países que não atentaram em tempo hábil para a importância da responsabilidade fiscal como política de longo prazo, ainda que ciclicamente ajustada.
Alguém pode perguntar: e nós com isso? Afinal, estamos em situação muito melhor do que vários países da zona do euro em termos fiscais, não temos as amarras que eles têm em termos de política monetária e cambial, estamos crescendo em matéria de consumo e investimento, atraindo capital estrangeiro, há confiança no ar. Qual é o problema? O problema no momento é a enorme complacência que existe entre nós com o agravamento de nossa situação fiscal, quando se a considera em perspectiva, incluindo todas as elevações de gastos permanentes já contratados e as expectativas de gastos por contratar. Deveríamos estar analisando com atenção os casos de crises de dívida soberana ora no foco da atenção mundial, não para derivarmos satisfação com nosso melhor desempenho relativo, mas para aprender grandes lições sobre a importância de não deixar as coisas começarem a fugir de controle nessa área. Parafraseando o grande poeta John Donne, "não me perguntes por quem os sinos dobram, eles (talvez) dobram por ti".
Mães, feliz dia!
Países que já tinham vários desses problemas antes da crise passaram a tê-los fortemente agravados pela natureza da inevitável resposta à crise. Com efeito, a necessidade de conter o pânico e o colapso da confiança nos mercados financeiros levou governos, por intermédio de seus Tesouros e bancos centrais, a uma intervenção historicamente sem precedentes, em termos de assistência de liquidez, garantias a depositantes e credores, compra de ativos dos balanços de bancos e injeções de capital em instituições financeiras e não-financeiras. As estimativas são de que os países desenvolvidos tenham assumido compromissos que, se necessário, poderiam chegar a cerca de 27% de seu PIB conjunto, nas várias formas de intervenção acima mencionadas.
Como consequência, seus déficits fiscais chegaram, na média, à faixa de 8% a 9% do PIB e o estoque de suas dívidas públicas está estimado para, na média, chegar aos 100% de seu PIB em dois anos mais. Uma expansão sem precedentes históricos em tempos de paz. No caso mais grave - o da Grécia -, o déficit público chegou a 13,6% do PIB em 2009 e sua dívida pública, a mais de 115% do PIB no ano, devendo alcançar 150% em 2014 - mesmo que a Grécia consiga reduzir seu déficit em quase 11 pontos porcentuais de seu PIB (de 13,6% para menos de 3%) em 2014. O que é altamente improvável para um país que - como vários outros, e não apenas da área do euro - já vinha seguindo uma forte e insustentável trajetória de expansionismo fiscal e que tinha - como vários outros países - muitas das características mencionadas no primeiro parágrafo deste texto.
O fato é que a questão da "crise das dívidas soberanas" estará na agenda das discussões internacionais por anos à frente. A eurozona ocupa um lugar especial por uma razão importante: os países que adotam o euro não podem esperar resolver problemas de dívida pública por meio de abruptas e não antecipadas acelerações de inflação e depreciações cambiais. Afinal, individualmente, esses países não emitem a sua própria moeda, não tendo política monetária e cambial decidida no âmbito nacional.
Esperemos que o Brasil esteja na categoria dos países que podem, mas não querem incorrer neste autoengano, porque aprenderam com as experiências - suas e de outros. Países nesta categoria sabem, ou deveriam saber, que não há alternativa que não seja evitar que a irresponsabilidade fiscal leve a dúvidas quanto à solvência de médio e de longo prazos de seus respectivos setores públicos. E, não menos importante, que é exatamente nos períodos de bonança e de euforia que se deve, precavidamente, como há muito mostraram os noruegueses, chilenos e outros, preparar o terreno para tempos mais difíceis - que sempre chegarão.
Nesse sentido, tão ou mais importante do que comemorar o décimo aniversário da Lei de Responsabilidade Fiscal é, agora, resistir às inúmeras pressões para que ela seja desrespeitada na prática e não permitir que o espírito que presidiu a sua elaboração, no final dos anos 90, seja gradualmente deixado de lado. Como já notei em outra oportunidade, construir uma reputação de comportamento fiscalmente responsável demanda muito tempo. A destruição progressiva de tal reputação pode ser realizada em muito pouco tempo.
Esse é o risco que estamos correndo. No Brasil, todos têm "muito apreço" pelo gasto público que os beneficia - e a seus eleitores. Mas este "apreço geral", que não está de forma alguma restrito aos anos eleitorais, e a voracidade com que se procura o acesso privilegiado a recursos públicos constituem o ovo da serpente de futuras crises fiscais e estão por trás das dificuldades que temos em assegurar investimentos em infraestrutura, em educação de qualidade e, em ultima análise, uma aceleração sustentada de nossa taxa de crescimento. Como vem acontecendo com países que não atentaram em tempo hábil para a importância da responsabilidade fiscal como política de longo prazo, ainda que ciclicamente ajustada.
Alguém pode perguntar: e nós com isso? Afinal, estamos em situação muito melhor do que vários países da zona do euro em termos fiscais, não temos as amarras que eles têm em termos de política monetária e cambial, estamos crescendo em matéria de consumo e investimento, atraindo capital estrangeiro, há confiança no ar. Qual é o problema? O problema no momento é a enorme complacência que existe entre nós com o agravamento de nossa situação fiscal, quando se a considera em perspectiva, incluindo todas as elevações de gastos permanentes já contratados e as expectativas de gastos por contratar. Deveríamos estar analisando com atenção os casos de crises de dívida soberana ora no foco da atenção mundial, não para derivarmos satisfação com nosso melhor desempenho relativo, mas para aprender grandes lições sobre a importância de não deixar as coisas começarem a fugir de controle nessa área. Parafraseando o grande poeta John Donne, "não me perguntes por quem os sinos dobram, eles (talvez) dobram por ti".
Mães, feliz dia!
SUELY CALDAS Comprometendo o futuro O Estado de S.Paulo
A Grécia levou algum tempo para destruir os instrumentos de proteção ao crescimento e à estabilidade econômica e pôr no lugar o caos que fez mergulhar o país na maior crise social de sua história recente. Funcionou assim: por vários anos o governo gastou mais do que arrecadava, o déficit cresceu como bola de neve e, para cobri-lo, o país tomava empréstimos cada vez mais caros, elevando a dívida pública a patamares absurdos, impagáveis. Para esconder a ameaça de descontrole, os governantes falsificaram os indicadores econômicos e seguiram tomando empréstimos.
Mas o mercado financeiro não é bobo, percebeu a falseta e fez secar as fontes que jorravam dinheiro na Grécia. Falido, sem tostão para pagar os credores, o governo grego recorreu ao FMI para evitar o pior: a moratória que arrastaria a Europa inteira.
O leitor com mais de 35 anos conhece bem esse script. O Brasil o viveu em dois momentos: nas moratórias de 1982 e de 1987. Nos dois episódios, sair do caos e recuperar o crédito perdido implicou recessão econômica, retração dos investimentos, desemprego, congelamento de salários e empobrecimento do País e dos brasileiros. Como acontece agora na Grécia, aqui também ocorreram manifestações de protesto, confronto com a polícia, feridos nas ruas.
O governo FHC criou mecanismos institucionais para proteger o País contra gestões públicas irresponsáveis, e o mais importantes deles foi a Lei de Responsabilidade Fiscal, que acaba de completar dez anos e foi comemorada em seminário em Brasília.
No debate foi unânime a aprovação à lei. Até o PT, que brigou para não aprová-la em 2000, hoje no governo a aplaude. Mas para governadores e prefeitos, não para a gestão Lula. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse no seminário ser contra definir limites para o endividamento da União, como há para Estados e municípios. Se José Serra for eleito, com certeza o ministro muda de opinião. Agora não, porque Lula quer ter liberdade para aumentar a dívida pública e emitir dinheiro para gastos questionáveis, sem se submeter a limites e ameaçando o futuro do País.
O governo Lula foi bem na gestão de gastos e da dívida enquanto o ex-ministro Antonio Palocci comandava a economia. Ele e Paulo Bernardo, do Planejamento, arquitetavam um plano de redução de despesas e da dívida pública quando foram golpeados pela ex-ministra Dilma Rousseff. A partir daí o governo deu uma guinada política em direção ao Estado forte, grande e caro, que não se limita a regular - interfere e toma o lugar de agentes privados.
No modelo Dilma, se o Estado precisa de dinheiro para funcionar, não há problema: aumenta-se a dívida pública, mas com a artimanha de maquiar a contabilidade e parecer para os credores que não vai tirar do superávit primário (economia para pagar a dívida). O governo transfere dinheiro para o BNDES e diz que está emprestando; emite dívida para capitalizar a Petrobrás e não inclui no superávit primário; promete fazer o mesmo com a Eletrobrás e, em final de gestão, ressuscita a Telebrás e empurra para o próximo presidente desembolsar R$ 3,2 bilhões para capitalizá-la. Nada disso entra na contabilidade da dívida líquida, mas a dívida bruta explode.
São esqueletos que o governo Lula deixa para o sucessor. E, como do Palácio do Planalto saem sinais de que quem comanda é o interesse político e o papel da economia é viabilizá-lo, os súditos da Câmara dos Deputados seguem a lição do chefe e aprovam o fim do fator previdenciário e o aumento de 7,7% para aposentados, acrescentando mais R$ 5,4 bilhões no enorme rombo na Previdência. Não causará espanto se Lula não os vetar. Afinal, o bem-amado não quer deixar o governo odiado por aposentados.
A situação financeira do Brasil é diferente da da Grécia. Mas a Grécia não chegou ao colapso rápido, foram anos de má gestão. Aqui, o risco é estarmos iniciando a trajetória da Grécia, conduzidos por um governo que gasta mais do que pode e expande a dívida pública para saciar seus gastos. E pior: com a inflação ascendendo.
Mas o mercado financeiro não é bobo, percebeu a falseta e fez secar as fontes que jorravam dinheiro na Grécia. Falido, sem tostão para pagar os credores, o governo grego recorreu ao FMI para evitar o pior: a moratória que arrastaria a Europa inteira.
O leitor com mais de 35 anos conhece bem esse script. O Brasil o viveu em dois momentos: nas moratórias de 1982 e de 1987. Nos dois episódios, sair do caos e recuperar o crédito perdido implicou recessão econômica, retração dos investimentos, desemprego, congelamento de salários e empobrecimento do País e dos brasileiros. Como acontece agora na Grécia, aqui também ocorreram manifestações de protesto, confronto com a polícia, feridos nas ruas.
O governo FHC criou mecanismos institucionais para proteger o País contra gestões públicas irresponsáveis, e o mais importantes deles foi a Lei de Responsabilidade Fiscal, que acaba de completar dez anos e foi comemorada em seminário em Brasília.
No debate foi unânime a aprovação à lei. Até o PT, que brigou para não aprová-la em 2000, hoje no governo a aplaude. Mas para governadores e prefeitos, não para a gestão Lula. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse no seminário ser contra definir limites para o endividamento da União, como há para Estados e municípios. Se José Serra for eleito, com certeza o ministro muda de opinião. Agora não, porque Lula quer ter liberdade para aumentar a dívida pública e emitir dinheiro para gastos questionáveis, sem se submeter a limites e ameaçando o futuro do País.
O governo Lula foi bem na gestão de gastos e da dívida enquanto o ex-ministro Antonio Palocci comandava a economia. Ele e Paulo Bernardo, do Planejamento, arquitetavam um plano de redução de despesas e da dívida pública quando foram golpeados pela ex-ministra Dilma Rousseff. A partir daí o governo deu uma guinada política em direção ao Estado forte, grande e caro, que não se limita a regular - interfere e toma o lugar de agentes privados.
No modelo Dilma, se o Estado precisa de dinheiro para funcionar, não há problema: aumenta-se a dívida pública, mas com a artimanha de maquiar a contabilidade e parecer para os credores que não vai tirar do superávit primário (economia para pagar a dívida). O governo transfere dinheiro para o BNDES e diz que está emprestando; emite dívida para capitalizar a Petrobrás e não inclui no superávit primário; promete fazer o mesmo com a Eletrobrás e, em final de gestão, ressuscita a Telebrás e empurra para o próximo presidente desembolsar R$ 3,2 bilhões para capitalizá-la. Nada disso entra na contabilidade da dívida líquida, mas a dívida bruta explode.
São esqueletos que o governo Lula deixa para o sucessor. E, como do Palácio do Planalto saem sinais de que quem comanda é o interesse político e o papel da economia é viabilizá-lo, os súditos da Câmara dos Deputados seguem a lição do chefe e aprovam o fim do fator previdenciário e o aumento de 7,7% para aposentados, acrescentando mais R$ 5,4 bilhões no enorme rombo na Previdência. Não causará espanto se Lula não os vetar. Afinal, o bem-amado não quer deixar o governo odiado por aposentados.
A situação financeira do Brasil é diferente da da Grécia. Mas a Grécia não chegou ao colapso rápido, foram anos de má gestão. Aqui, o risco é estarmos iniciando a trajetória da Grécia, conduzidos por um governo que gasta mais do que pode e expande a dívida pública para saciar seus gastos. E pior: com a inflação ascendendo.
sábado, 8 de maio de 2010
VERGONHA NACIONAL
Lula e sua turma, insistem em tentar desrespeitar a legislação eleitoral, aproveitando a máquina pública para promover a campanha de Dilma a presidente. A última foi em Pernambuco, na inauguração antecipada do estaleiro em Serinhahém, quando foi armado um grande palanque, em que de uma forma bastante direta, todos pediam votos para a candidata stalinista. As oposições devem marcar de perto, denunciando estes lamentáveis fatos à justiça eleitoral, que já multou o presidente duas vezes. Como é que um presidente da república já no seu segundo mandato insiste em burlar a lei, quando o mesmo devia servir de exemplo? Aliás, estes candidatos a ditadores não querem saber de lei, só querem saber de suas vontades e seus interesses. Uns cacarecos da democracia, pois um regime democrático é, essencialmente o império da lei. Se a lei é ruim, que se mude, mas por meios legais, que é o congresso nacional, ora bolas. Ainda vem alguns articulistas de plantão, tentando justificar estes malfadados atos, pela popularidade do presidente. Será que ele pode matar, só porque é popular? Um absurdo.
ALIANÇAS
Para meu amigo Roberto Almeida, Arraes, Lula e seus amigos, podem fazer alianças com a direita, ou com quem quer que seja. Jarbas não pode. Ademais, Jarbas fez uma aliança com a direita mais civilizada e ética, como Roberto Magalhães e Marco Maciel, que ademais, foram os dissidentes do regime militar que proporcionaram a transição democrática com Tancredo, não é doutor Roberto? Já o PT não só foi contra, mas expulsou do partido três deputados que resolveram apoiar Tancredo, Bete Mendes, Ayrton Soares e José Eudes. Também afastaram Erundina que decidiu assumir um cargo no governo Itamar, não é Roberto? Hoje Lula destila suas menstiras com gente como Maluf, Inocêncio Oliveira, que nosso amigo Roberto apóia, Collor, e outros cacarecos políticos e ideológicos menos votados.
LULISMO EM DECADÊNCIA?
Vi no estadão que Lula continua muito popular no Nordeste, que para Dilma não pertence ao Brasil, com cerca de oitenta por cento dos votos, cerca de oitenta no Norte, e setenta no Centro Oeste. No sudeste sua popularidade cai para vinte e seis por cento, mais por causa do Rio de Janeiro e Espírito Santo. Em São Paulo sua populçaridade cai para dez. No sul, chega a parcos vinte por cento. Como na época dos militares, sua popularidade ficará restrita aos grotões , mais especialmente nas regiões mais atrasadas, pré-capitalistas, digamos assim. Graças a Deus, e o capitalismo livre concorrencial, que o monolito começa a cair. Antes tarde do que nunca, e como é bom a democracia.
HERANÇA MALDITA
Tenho a impressão que Lula quer deixar o país arrasado, pois desconfia que não pode impor ao país uma candidata laranja. O chamado déficit público aumenta assustadoramente, sobretudo neste triste final de governo. Quem assumir, provevelmente Serra, vai ter que cortar gastos, ou seja impor a devida austeridade na máquina pública, para poder governar. Diferentemente de Lula que recebeu uma herança bendita do governo Fernando Henrique, vem batata quente por aí. Porém, o futuro governo vai poder desmascarar das inumeras falcatruas deste desgoverno da mentira nacional.
ADESISMO
Concordo plenamente com Jarbas e Roberto Magalhães, que uma das piores coisas da politicalha nacional é o adesismo. Quando o sujeito está no poder, todo mundo corre atrás, e a babação é ridícula. Um horror. A respeito, tenho orgulho de meu velho pai, que na eleição de Arraes, foi um dos únicos prefeitos do interior que conseguiu derrotá-lo nas urnas com uma diferença de mais de quinhentos votos aqui em Caetés, e nunca abandonou seus companheiros de partido. Eu, jovem idealista, votei am Arraes, pensando que ele era progressista. Quebrei a cara. Já José Múcio, em quem meu pai votou, tornou-se um dos maiores áulicos deste desgoverno Lula. Coisas da vida. E meu velho pai só perdeu as eleições em Caetés, porque roubaram. Sei de toda a história, e um dia vou contá-la. Podem esperar. Hoje Caetés é uma das cidades mais corruptas do Brasil. Agora veio somar à corrupção com a violência.
ALIANÇAS
Para meu amigo Roberto Almeida, Arraes, Lula e seus amigos, podem fazer alianças com a direita, ou com quem quer que seja. Jarbas não pode. Ademais, Jarbas fez uma aliança com a direita mais civilizada e ética, como Roberto Magalhães e Marco Maciel, que ademais, foram os dissidentes do regime militar que proporcionaram a transição democrática com Tancredo, não é doutor Roberto? Já o PT não só foi contra, mas expulsou do partido três deputados que resolveram apoiar Tancredo, Bete Mendes, Ayrton Soares e José Eudes. Também afastaram Erundina que decidiu assumir um cargo no governo Itamar, não é Roberto? Hoje Lula destila suas menstiras com gente como Maluf, Inocêncio Oliveira, que nosso amigo Roberto apóia, Collor, e outros cacarecos políticos e ideológicos menos votados.
LULISMO EM DECADÊNCIA?
Vi no estadão que Lula continua muito popular no Nordeste, que para Dilma não pertence ao Brasil, com cerca de oitenta por cento dos votos, cerca de oitenta no Norte, e setenta no Centro Oeste. No sudeste sua popularidade cai para vinte e seis por cento, mais por causa do Rio de Janeiro e Espírito Santo. Em São Paulo sua populçaridade cai para dez. No sul, chega a parcos vinte por cento. Como na época dos militares, sua popularidade ficará restrita aos grotões , mais especialmente nas regiões mais atrasadas, pré-capitalistas, digamos assim. Graças a Deus, e o capitalismo livre concorrencial, que o monolito começa a cair. Antes tarde do que nunca, e como é bom a democracia.
HERANÇA MALDITA
Tenho a impressão que Lula quer deixar o país arrasado, pois desconfia que não pode impor ao país uma candidata laranja. O chamado déficit público aumenta assustadoramente, sobretudo neste triste final de governo. Quem assumir, provevelmente Serra, vai ter que cortar gastos, ou seja impor a devida austeridade na máquina pública, para poder governar. Diferentemente de Lula que recebeu uma herança bendita do governo Fernando Henrique, vem batata quente por aí. Porém, o futuro governo vai poder desmascarar das inumeras falcatruas deste desgoverno da mentira nacional.
ADESISMO
Concordo plenamente com Jarbas e Roberto Magalhães, que uma das piores coisas da politicalha nacional é o adesismo. Quando o sujeito está no poder, todo mundo corre atrás, e a babação é ridícula. Um horror. A respeito, tenho orgulho de meu velho pai, que na eleição de Arraes, foi um dos únicos prefeitos do interior que conseguiu derrotá-lo nas urnas com uma diferença de mais de quinhentos votos aqui em Caetés, e nunca abandonou seus companheiros de partido. Eu, jovem idealista, votei am Arraes, pensando que ele era progressista. Quebrei a cara. Já José Múcio, em quem meu pai votou, tornou-se um dos maiores áulicos deste desgoverno Lula. Coisas da vida. E meu velho pai só perdeu as eleições em Caetés, porque roubaram. Sei de toda a história, e um dia vou contá-la. Podem esperar. Hoje Caetés é uma das cidades mais corruptas do Brasil. Agora veio somar à corrupção com a violência.
sexta-feira, 7 de maio de 2010
JARBAS CANDIDATO
Enfim, Jarbas decidiu ser candidato. Portanto teremos eleições, e torço para que o mesmo ganhe deste tresloucado governador, o único da história que conseguiu rebaixar os já parcos salários dos professores. Tenho uma colega que com vinte e dois anos de serviço ganha mil e trezentos contos, salário que deve ser rebaixado até junho para mais ou menos mil e duzentos. Só não revelo o meu, porque tenho vergonha, mas fica pelo menos igual a da minha colega. Outro companheiro novato, ganha oitocentos e cinquenta contos. Ao mesmo tempo, deu aumento de mais de sessenta por cento para os diretores das escolas, e acabou com as eleições para o cargo, deixando os mesmos só para os aliados políticos. Voltou o clientelismo político e o aparelhamento político nas escolas, um retrocesso que os sindicatos pelegos ligados ao PT ficaram calados. Ademais, o sindicato é controlado pela gangue de Humberto Costa, provável candidato a senador na chapa governista. O sindicato reclama, mas é só para inglês ver. Na prática nada fizeram. Por muito menos fizeram uma zoada danada em São Paulo porque o governador era Serra, candidato do PSDB. Se fizessem greve, adeus candidatura do político mais chato do nordeste que é precisamente Humberto Costa, que ganhou no partido a indicação para João Paulo, outro áulico de Lula, que defendia o terceiro mandato para o presidente que detesta as letras, como é bem sabido por todos os cidadãos medianamente informados deste país. Aliás,Humberto ganhou a indicação com pesquisas sabiamente fajutas, forjadas pela máfia petista que não queria João Paulo na disputa. Bem feito. Quem mandou fazer um parque no Recife com o nome de dona Lindú, a mãe de Lula? Aliás o próprio presidente ficou satisfeitíssimo com a indicação. Agora o ex prefeito está isolado politicamente
pois seu sucessor o traiu. Um crápula chamado João da Costa. Ah, como detesto os traidores, mas a vida é asim mesmo, sobretudo na política.
Jarbas foi o responsável pela restruturação do estado, quando o encontrou falido pelo mesmo governador que hoje quer dar uma de progressista. Foi o responsável pelo escândalo dos precatórios, aquele mesmo que os petistas ficaram calados no nosso estado, e fizeram uma zoada danada com os precatórios de Maluf em São Paulo. Bem mas hoje estão unidos em prol da candidata governista, a boneca assasina. Maluf e o PT. Tudo a ver. Enfim , como diria o velho Benito de Paula,” tudo está no seu lugar...graças a deus”, não é, petistas? Por isso Jarbas não pôde dar grandes aumentos ao funcionalismo, mas decerto não tirou de ninguém, nem acabou com o tão sonhado plano de carreira do magistério. O interessante é que apesar de ter quebrado o estado, o povo o elegeu. Aí está mais um cacareco no poder. E o povão pode o eleger de novo, mas a campanha ainda nem começou. Vai ser uma guerra, mas os governistas estão nervosos, e tem medo do passado. Como Serra, Jarbas é o candidato do futuro. Mesmo com a cabeleira branca, ele ainda é a esperança dos pernambucanos, contra esta farsa que foi montada e precisa ser desmascarada. Para o bem de todos os pernambucanos com consciência democrática e republicana.
CAETÉS
Nossa cidadezinha já foi uma ilha de tranquilidade na conturbada região do Agreste Meridional. Hoje é uma das cidades mais violentas do estado. Tem apenas dois policiais lotados, e o prefeito é um cidadão ausente que nunca deu um único expediente na prefeitura. Aliás seguindo a mesma prática do ex prefeito que quer ser deputado e prefeito de Garanhuns, com apoio do governador que só pensa em voto. A cidade está entregue às baratas, e aos larápios de toda espécie. Socorro, Caetés precisa de ajuda! O que faremos? Vamos reclamar ao bispo? Esta semana roubaram à mão armada um carro de um amigo meu, às seis da noite, na área urbana do município. Na ausência dos poderes públicos, ocupam os lugares as gangues. Cadê os políticos, cadê o governador? Eles só querem votos, nada mais. Até quando?
pois seu sucessor o traiu. Um crápula chamado João da Costa. Ah, como detesto os traidores, mas a vida é asim mesmo, sobretudo na política.
Jarbas foi o responsável pela restruturação do estado, quando o encontrou falido pelo mesmo governador que hoje quer dar uma de progressista. Foi o responsável pelo escândalo dos precatórios, aquele mesmo que os petistas ficaram calados no nosso estado, e fizeram uma zoada danada com os precatórios de Maluf em São Paulo. Bem mas hoje estão unidos em prol da candidata governista, a boneca assasina. Maluf e o PT. Tudo a ver. Enfim , como diria o velho Benito de Paula,” tudo está no seu lugar...graças a deus”, não é, petistas? Por isso Jarbas não pôde dar grandes aumentos ao funcionalismo, mas decerto não tirou de ninguém, nem acabou com o tão sonhado plano de carreira do magistério. O interessante é que apesar de ter quebrado o estado, o povo o elegeu. Aí está mais um cacareco no poder. E o povão pode o eleger de novo, mas a campanha ainda nem começou. Vai ser uma guerra, mas os governistas estão nervosos, e tem medo do passado. Como Serra, Jarbas é o candidato do futuro. Mesmo com a cabeleira branca, ele ainda é a esperança dos pernambucanos, contra esta farsa que foi montada e precisa ser desmascarada. Para o bem de todos os pernambucanos com consciência democrática e republicana.
CAETÉS
Nossa cidadezinha já foi uma ilha de tranquilidade na conturbada região do Agreste Meridional. Hoje é uma das cidades mais violentas do estado. Tem apenas dois policiais lotados, e o prefeito é um cidadão ausente que nunca deu um único expediente na prefeitura. Aliás seguindo a mesma prática do ex prefeito que quer ser deputado e prefeito de Garanhuns, com apoio do governador que só pensa em voto. A cidade está entregue às baratas, e aos larápios de toda espécie. Socorro, Caetés precisa de ajuda! O que faremos? Vamos reclamar ao bispo? Esta semana roubaram à mão armada um carro de um amigo meu, às seis da noite, na área urbana do município. Na ausência dos poderes públicos, ocupam os lugares as gangues. Cadê os políticos, cadê o governador? Eles só querem votos, nada mais. Até quando?
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