segunda-feira, 4 de abril de 2016

Diário do Olavo: o amadorismo da direita, Hegel, marxismo, PT, maçonaria, etc.


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Infelizmente, todo o impulso do movimento popular, boicotado pelos puxa-sacos da classe política e incapaz de organizar-se para uma efetiva resistência pacífica, acabou sendo canalizado para a única direção que restava: o pedido de impeachment. Era apenas um prêmio de consolação, mas, no momento, até essa miséria está difícil de obter. Não adianta o Dr. Ribas Paiva arrotar doutrina sobre a constitucionalidade da "intervenção militar", pois intervenção não depende disso e sim da vontade dos militares, a qual até agora se revelou inexistente. Desprezar os pedidos de impeachment, no começo, era apostar numa estratégia mais abrangente, que eu mesmo sugeri na ocasião; na presente situação, é desistir do ÚLTIMO recurso que resta contra o esquema comunolarápio. Mendigo orgulhoso que recusa esmola pequena acaba é morrendo de fome.
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Impeachment, impugnação das eleições, intervenção militar, etc., são ALTERNATIVAS TÁTICAS. Discutir as táticas antes de ter um plano estratégico é coisa de um amadorismo patético. TODOS os movimentos de direita no Brasil são culpados disso.
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Impeachment, intervenção militar, impugnação das eleições, etc. -- tudo isso é muito bonito, mas não passa de um conjunto de táticas auxiliares. A única coisa essencial para a salvação do Brasil é a ORGANIZAÇÃO DA MASSA PARA A DESOBEDIÊNCIA CIVIL MACIÇA. Digo isso desde março de 2015. É como falar com um poste.
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Sempre concordei que, na situação de controle hegemônico montada pelo PT, uma intervenção militar seria constitucional e legítima. O problema não é esse. É que simplesmente os militares NÃO QUEREM intervir. A coisa mais inútil do mundo é ficar dizendo o que os outros deveriam fazer.
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Mais uma:
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A mim não interessa se o autor que estou lendo é católico, protestante, maçom, comunista, esotérico ou sei lá o que mais. Interessa é apreender o que ele diz de VERDADE, mesmo que no meio de erros. A pior das ilusões é pensar que a adesão a uma doutrina universal verdadeira, mesmo revelada pelo próprio Deus, garanta o conhecimento da verdade nas situações particulares e concretas, ou, inversamente, que ter uma doutrina geral errada impeça de conhecer a verdade nessas situações.
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Pessoas de mentalidade militante, sempre na defesa apaixonada do seu grupinho, não são capazes de conceber uma inteligência livre, apta a reconhecer a verdade sob qualquer das suas formas e versões parciais. Quando vêem você admitir alguma veracidade nesta ou naquela corrente -- ou mesmo simplesmente não tê-la criticado --, já concluem que você é um adepto dela, e reinterpretam à luz disso o que quer que você diga. Esse é um dos sinais mais característicos da atrofia intelectual brasileira. Muitos católicos tradicionalistas não escapam disso. São provincianos que interpretam o mundo na escala da sua província mental.
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Frithjof Schuon rompeu com Guénon por causa da maçonaria. Ele proibia aos seus discípulos qualquer aproximação com lojas maçônicas. Mas o próprio Guénon, que sempre insistiu na "autenticidade tradicional" da maçonaria, acabou por concluir que essa organização não poderia representar nenhum papel relevante na "restauração espiritual" do Ocidente. No fim da vida, ele só apostava mesmo era no Islam.
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Cá entre nós: "perenialismo maçônico" o caralho. O fundador e líder inconteste do perenialismo, Frithjof Schuon, ODIAVA a maçonaria.
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Ninguém pode me acusar de não falar em estilo presidencial.
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A regra número um da ciência do simbolismo é a impossibilidade de reduzir um símbolo a um significado único. Nenhum símbolo, portanto, significa algo por si mesmo independentemente da interpretação que lhe dá o seu usuário.
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Interpretar símbolos como "provas" da presença de um poder ou influência material é coisa de ANALFABETO.
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Por esse "método" você acaba concluindo que o nazismo é hinduísta.
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Colocar a mão sob a camisa, na altura do diafragma, é um símbolo maçônico? Prova que alguém é maçom? Ora, porra, quem popularizou esse gesto foi Napoleão Bonaparte, que reuniu contra si toda a maçonaria européia.
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Respondendo ao Anderson Silva: Não vejo nenhuma unidade no fenômeno maçônico, que permita uma tomada de posição integral a favor ou contra. Ser contra DOUTRINAS maçônicas ou contra as investidas anticristãs da maçonaria, como todo católico tem de ser, não pode suprimir o fato de que ao longo da maior parte do século XX o único abrigo seguro do cristianismo em geral, e do catolicismo em especial, esteve numa nação criada eminentemente pela Maçonaria: OS EUA. Também não se pode esquecer que o antimaçonismo militante se tornou até doutrina oficial do nazismo e do comunismo (com exceções locais, como Cuba). Qualquer "tomada de posição" que implique suprimir as contradições e ambigüidades dos fatos é CHARLATANISMO.
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Se numa família existe amor e harmonia em vez de ódios e recriminações, a teoria feminista chama isso de triunfo temporário do macho, e fica provado que "no fundo" é tudo ódio e recriminação. A interpretação neutraliza os fatos. É o mesmo esquema da "luta de classes".
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Um pouco de estudo da História basta para provar que a colaboração entre as classes com vistas a um bem maior é um elemento muito mais constante do que a "luta de classes". É fácil, no entanto, escapar desse fato sob o pretexto de que os momentos de colaboração e harmonia refletem apenas o triunfo temporário da classe dominante e a falta de autoconsciência da classe dominada. É assim que a paz se torna guerra, e a guerra paz, numa fascinante suruba de gatos pardos.
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Uma coisa que sempre me impressiona nos autores marxistas é sua capacidade de raciocinar com base em premissas jamais provadas, tomando-as como se fossem verdades inquestionáveis. TODOS, sem exceção, fazem isso.
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Uma característica essencial e constante do pensamento marxista é raciocinar sempre a partir de premissas fixadas pela sua própria tradição e desenvolvê-las em mil e uma ramificações e conseqüências, elaborando meticulosamente as divergências internas e detalhes históricos da formação de cada variante, sem JAMAIS voltar às questões fundamentais e recolocar em questão os princípios. Nunca vi um só pensador marxista que tentasse, nem de longe, provar a veracidade da mais-valia, da luta de classes como motor principal da História, ou mesmo do materialismo dialético de modo geral. Tudo o que se faz é criar novas e mais sofisticadas versões desses princípios, discutir as diferentes interpretações que receberam de vários teóricos, e "aplicá-los" a novas construções explicativas de tal ou qual fenômeno histórico-social, sem nem mesmo cotejá-las com qualquer explicação alternativa, dada "in limine" como viciada por interesses de classe. Assim, a discussão pode evoluir indefinidamente, estendendo-se num vasto e inabarcável matagal de questões interessantíssimas jamais submetidas ao teste de realidade. Vidas inteiras consomem-se assim na dedicação integral à construção de uma mixórdia intelectual sem fim, cada vez mais fascinante e hipnótica. É assim que o acachapante fracasso econômico do comunismo coexiste pacificamente com o seu permanente sucesso editorial e universitário.
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Por isso o marxista jamais DISCUTE com outras correntes de pensamento: Ignora-as ou as reinterpreta segundo os seus próprios cânones, jamais lhes concedendo o direito de falar por si mesmas. A tradição marxista é um solipsismo coletivo fundado num sentimento de solidariedade militante e autoproteção psíquica contra o "inimigo de classe". É o mais esplêndido fenômeno de teratologia intelectual de todos os tempos.
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Se você começa a ler a "Estética" de Georg Lukacs, você tem material para continuar pensando pelo resto da sua vida sem JAMAIS ter tempo de perguntar: "Mas, afinal, essa porra é VERDADE?"
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Stalin e a turma da KGB sempre compreenderam o marxismo muito mais do que todos os filósofos marxistas.
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Hegel, que era um filósofo de raça, embora com um sutil pendor pela vigarice, ensinava que a fé no poder de conhecer a verdade é a primeira condição da investigação filosófica. Mas o marxismo se tornou tão rico e complexo que uma vida não basta para conhecê-lo por inteiro, de modo que a questão da verdade vai sendo adiada até ser completamente esquecida.
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Hegel está certo ao dizer que nossa autoconsciência se define pela relação com os outros. Mas reduzir essa relação a um conflito de vontades é coisa de menino neurótico. Lembro-me, por exemplo, de que muitas pessoas em torno me pareciam arrastadas ao sofrimento por uma compulsão anancástica, uma espécie de urucubaca auto-infligida e incurável, e muito cedo na vida decidi que comigo isso não ia ser assim, que eu iria lutar para assumir o meu destino nas minhas próprias mãos. Mas isso não foi um conflito de vontades, e sim um contraste de destinos, coisa muito mais complicada.
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É impressionante como tantos escritores franceses se deixaram hipnotizar pela dupla Hegel-Kojève ao ponto de vir a imaginar suas próprias vidas sob o modelo do conflito dialético entre o eu e o outro, em vez de examinar essas vidas com seus próprios olhos e ver que não cabiam inteiramente no modelo.
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Basta alguma experiência da vida, mesmo com pouco ou nenhum estudo da filosofia, para entender que a teoria de Hegel, tal como resumida por Alexandre Kojève, segundo a qual o ser humano se torna autoconsciente por meio do conflito com o Outro, é uma simplificação unilateral, pueril e maximamente idiota, boa para deslumbrar adolescentes que buscam em poses de malícia a compensação do seu complexo de imaturidade.
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Quando eu era pequeno, ver a minha mãe sofrer, sem poder ajudá-la, me levava ao desespero e quase à loucura. Meus desenhos da época -- eu desenhava dia e noite -- tinham um tema recorrente: um homem maduro e forte, com uma barba muito preta, socorria um bebê, um cachorro, uma velhinha em apuros. Eu queria ser esse homem, é claro. Mas, na ocasião, tudo o que eu podia fazer pela minha mãe -- ou por quem quer que fosse -- eram micagens para fazê-la rir por uns momentos. Até hoje tento aliviar os sofrimentos das pessoas por meio de piadas. Às vezes consigo.
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A pretensão de representar no miserável tempo presente a autoridade moral do futuro glorioso é a essência do movimento revolucionário. Por isso mesmo ele só pode existir e prosperar SE OS SEUS OBJETIVOS FOREM INALCANÇÁVEIS. O fracasso em realizar as promessas do comunismo, ao contrário do que imaginam os críticos liberais, não é um verdadeiro fracasso: é a condição indispensável do seu sucesso contínuo. O comunismo não é um ideal que falhou: é uma armadilha perversa que aprisiona a humanidade num círculo de autodestruição como quem amarra uma salsicha no rabo de um cachorro.
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Essa é aliás a maior dificuldade para o político comunista que é eleito para governar uma nação democrática: ele tem de manter o círculo da destruição em movimento e ao mesmo tempo apresentar alguns resultados positivos para agradar o eleitorado. Mais dia, menos dia, essa tentativa de conciliar o inconciliável leva a um beco-sem-saída, e então, das duas uma: ou o governante cai, ou arranca a máscara democrática e parte logo para a violência ditatorial. Esse será um dos temas do meu curso "Política e Cultura no Brasil".
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A coisa certa:
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A única boa idéia que os petistas tiveram foi o pão com mortadela. Quando vi nas passeatas, lembrei que fazia dez anos que eu não comia isso, e passei a comprar toneladas de mortadela pela Amazon.
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Comem mortadela e arrotam valentia:
Abjeção sem limites:
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Pirou de vez:
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Jean-Paul Sartre é tão bom psicólogo que afirma que um sujeito vira homossexual cinco minutos antes de se suicidar, o que é absolutamente falso. Quem se torna homossexual por depressão não é um verdadeiro homossexual, apenas "está" homossexual. A cena de "Les Chemins de la Liberté" em que o gay quarentão se contempla no espelho com uma navalha na mão, pensando em cortar o próprio saco, é uma confusão grotesca de transexualismo com impulso suicida. Fisicamente, a cirurgia transexual é uma mutilação, mas não é assim que o transexual a interpreta. Perder o peru não é o mesmo que ganhar uma vagina. Nisso, como em tudo o mais, a regra áurea da compreensão é: distinguir, distinguir e distinguir.
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Conheci um sujeito que, abandonado pela noiva no dia do casamento, pirou e começou a achar que era transexual. Passada a tristeza, esqueceu a idéia.
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O repentino amor dos esquerdistas americanos aos imigrantes é mesmo coisa de canalhas. Pensam que todo mundo esqueceu que ainda ontem eles tratavam os refugiados cubanos como cães sarnentos. E pensam que ninguém repara que negam toda assistência aos cristãos fugidos da perseguição muçulmana.

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