13 de agosto - ELIANE CANTANHÊDE
FOLHA DE SP - 14/08
BRASÍLIA - A morte chocante de Eduardo Campos joga um grau de imprevisibilidade ainda maior numa eleição já particularmente imprevisível desde junho de 2013.
Campos era jovem, promissor, de uma família política e uma opção criativa à polaridade de 20 anos entre PSDB e PT. Sua morte trágica, na reta final da campanha à Presidência, no mesmo mês da morte de Getúlio e JK e no mesmo dia da morte do avô Miguel Arraes --13 de agosto-- atinge uma dramaticidade especial num país emotivo e religioso como o Brasil.
Sem Campos, o caminho natural é que a candidata seja Marina Silva, que conquistou cerca de 20% dos votos em 2010, deixou uma legião de seguidores e sabe falar, olho no olho, com o eleitorado evangélico.
Confirmada, será uma guinada e tanto na chapa do PSB. Campos era pragmático, pró mercado, pró agronegócio. Marina é menos flexível e enfrenta resistência no mercado e, especialmente, entre ruralistas. Mas pode e tem tudo para crescer muito.
Campos patinava em 8% e 9% de intenções de voto, mas tinha certeza de que iria deslanchar com o início da propaganda na TV e no rádio, dia 19. Essa expectativa se transfere agora para Marina, que poderá, enfim, somar o seu capital ao potencial dele.
Assim, seria decisiva para evitar a vitória de Dilma no primeiro turno. O problema é o quanto ela poderá crescer. Só o suficiente para garantir o segundo turno? Ou a ponto de ameaçar o tucano Aécio Neves?
A eleição fica ainda mais embolada e ainda mais imprevisível, mas a melhor aposta ainda é a de mais um round, não necessariamente o último, no pugilato entre petistas e tucanos. Com Marina correndo por fora e empurrada pela enorme comoção com a morte de Campos.
Diante da perplexidade e da tristeza, o mais importante é destacar o homem, o marido, o pai Eduardo Campos. Mas é impossível não dizer que a tragédia, mais uma em agosto, roubou do Brasil um político de grande futuro, para o qual o céu era o limite.
BRASÍLIA - A morte chocante de Eduardo Campos joga um grau de imprevisibilidade ainda maior numa eleição já particularmente imprevisível desde junho de 2013.
Campos era jovem, promissor, de uma família política e uma opção criativa à polaridade de 20 anos entre PSDB e PT. Sua morte trágica, na reta final da campanha à Presidência, no mesmo mês da morte de Getúlio e JK e no mesmo dia da morte do avô Miguel Arraes --13 de agosto-- atinge uma dramaticidade especial num país emotivo e religioso como o Brasil.
Sem Campos, o caminho natural é que a candidata seja Marina Silva, que conquistou cerca de 20% dos votos em 2010, deixou uma legião de seguidores e sabe falar, olho no olho, com o eleitorado evangélico.
Confirmada, será uma guinada e tanto na chapa do PSB. Campos era pragmático, pró mercado, pró agronegócio. Marina é menos flexível e enfrenta resistência no mercado e, especialmente, entre ruralistas. Mas pode e tem tudo para crescer muito.
Campos patinava em 8% e 9% de intenções de voto, mas tinha certeza de que iria deslanchar com o início da propaganda na TV e no rádio, dia 19. Essa expectativa se transfere agora para Marina, que poderá, enfim, somar o seu capital ao potencial dele.
Assim, seria decisiva para evitar a vitória de Dilma no primeiro turno. O problema é o quanto ela poderá crescer. Só o suficiente para garantir o segundo turno? Ou a ponto de ameaçar o tucano Aécio Neves?
A eleição fica ainda mais embolada e ainda mais imprevisível, mas a melhor aposta ainda é a de mais um round, não necessariamente o último, no pugilato entre petistas e tucanos. Com Marina correndo por fora e empurrada pela enorme comoção com a morte de Campos.
Diante da perplexidade e da tristeza, o mais importante é destacar o homem, o marido, o pai Eduardo Campos. Mas é impossível não dizer que a tragédia, mais uma em agosto, roubou do Brasil um político de grande futuro, para o qual o céu era o limite.
Presidência é destino - MERVAL PEREIRA
O GLOBO - 14/08
Nunca a frase atribuída a Tancredo Neves, de que a Presidência da República é questão de destino, foi tão apropriada quanto agora, diante da trágica morte de Eduardo Campos, que cortou uma carreira política ascendente e mudará necessariamente a eleição presidencial.
Quis o destino que o ex-governador de Pernambuco nem mesmo chegasse a disputar o cargo, para o qual se qualificou por meio de uma carreira política exitosa. E Marina Silva, que havia sido impedida de disputá-lo pela segunda vez, devido a manobras políticas, pode vir a ser a candidata na vaga aberta pela morte de Campos, de quem era companheira de chapa.
Campos pretendia liderar uma nova maneira de fazer política, e acreditava que com a propaganda oficial, a partir do dia 19, poderia, com a apresentação de sua proposta de governo, reverter o quadro sucessório em que aparecia em terceiro lugar.
A jogada política mais ousada da campanha eleitoral até agora foi dele, ao se aproximar de Marina Silva assim que a ex-senadora perdeu o direito de disputar a eleição por seu partido, a Rede Sustentabilidade. Essa imprevisível aliança política criou mais problemas do que soluções para sua candidatura, mas deu a Campos a possibilidade de disputar um espaço político maior e, sobretudo, expectativa de vitória devido aos 20 milhões de votos que Marina recebera na eleição de 2010.
A decisão sobre a campanha eleitoral do PSB tem que ser tomada em dez dias, segundo a legislação eleitoral, e num prazo tão curto será difícil criar uma candidatura do nada. Se aparentemente a substituição por Marina seria escolha natural, as disputas internas, no entanto, podem levar o PSB a outros caminhos.
Há um grupo à esquerda no partido que sempre preferiu o apoio à candidatura Dilma, dando continuidade a uma aliança histórica com o PT que Campos passou a renegar de uns anos para cá. O tom da campanha do ex-governador de Pernambuco, porém, torna difícil essa opção.
Dilma era sua adversária preferencial, ao mesmo tempo em que ele poupava Lula, por amizade e cálculo político, pois considerava provável que, a certa altura da campanha, vendo a impossibilidade de reeleger a presidente, o PT a cristianizaria e passaria a apoiá-lo a comando de Lula.
Também o PPS, que apoiava a candidatura de Campos, não aceitaria essa hipótese e passaria a apoiar Aécio Neves, do PSDB. O lançamento de Marina transformaria a terceira via em uma alternativa bastante viável, mas, embora seja filiada ao PSB, quem daria o tom da sua campanha seria a Rede, e este é o maior embaraço na costura dessa nova aliança, com Marina na cabeça da chapa. A ex-senadora já apareceu em pesquisas eleitorais com 27%, na última vez em que seu nome foi testado.
Uma hipótese pensada em setores do partido é simplesmente abrir mão de apresentar uma nova candidatura, o que representaria na prática um apoio branco à reeleição da presidente Dilma. Apresentar um candidato próprio, que seja do PSB e não da Rede, teria o mesmo efeito, pois dificilmente esse indicado conseguiria ter uma projeção nacional e, sobretudo, não contaria mais com o apoio nem de Marina nem da Rede.
Na hipótese de Marina não vir a ser a candidata, o que pode acontecer até mesmo por decisão dela de não participar da eleição nessas circunstâncias, a eleição se transformaria num duelo entre Dilma e Aécio Neves - numa antecipação do segundo turno, mas com a desvantagem para o candidato do PSDB, que continuará com três vezes menos tempo de televisão que a incumbente.
As recentes pesquisas eleitorais mostram, no entanto, que, no confronto direto com a presidente, o candidato tucano recebe grande parte dos votos que iriam para os demais candidatos, chegando a um virtual empate técnico.
Caso Marina venha a ser a candidata do PSB em substituição a Eduardo Campos, a disputa ficará mais difícil para Aécio Neves, mas o segundo turno estará praticamente garantido, e, com ele, os riscos da presidente Dilma aumentarão bastante.
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