quarta-feira, 12 de junho de 2013

RODRIGO CONSTANTINO - ' A MARCHA DOS OPRIMIDOS'


11/06/2013
 às 16:40 \ Feira Livre

‘A marcha dos oprimidos’, um artigo de Rodrigo Constantino

PUBLICADO NO GLOBO DESTA TERÇA-FEIRA
RODRIGO CONSTANTINO
Represento a ONG Minorias Unidas na Luta Ativista (Mula). Somos uma entidade que defende as pobres vítimas do “sistema”, ou seja, os gays, as lésbicas, os transexuais, os negros, as mulheres, os índios, os muçulmanos e todos os demais grupos excluídos que são explorados pelos brancos capitalistas.
Nossa visão de mundo não engloba o indivíduo, essa figura de carne e osso criada pelos ocidentais para fins espúrios. Nós só enxergamos grupos, que formam nossas identidades: classe, raça, gênero, inclinação sexual, religião. Somente essas abstrações nos interessam. Falar em indivíduo é cair na estratégia pérfida dos liberais. Não aceitamos isso!
Dividir para conquistar, eis nossa meta. Separamos o mundo entre aqueles que estão conosco, e nossos inimigos mortais. Estes são representados pela ONG Brancos Ricos Ocidentais Capitalistas Heterossexuais e Associados (Brocha). São nossos arquiinimigos na retórica, e ao mesmo tempo nossos melhores amigos na prática. É que precisamos deles para que paguem a conta de nossos privilégios.
Conseguimos isso por meio de chantagem emocional, incutindo culpa nas “elites”. A bilionária Fundação Ford é ótimo exemplo, sempre do nosso lado. É verdade que o mundo teve escravidão desde sempre, que até Zumbi tinha escravos, que os próprios africanos escravizaram outros africanos, e que foi o Ocidente que colocou um fim nessa prática nefasta. Não importa! Vamos dizer que todo negro é vítima e que os brancos precisam pagar.
Alguns negros, como Thomas Sowell, condenam isso? Simples: chamamos eles de traidores da raça. Funcionava com Lênin e os demais comunistas. Lembrem-se: existem apenas dois grupos. Por isso podemos fazer como o ex-presidente Lula e culpar os “brancos de olhos azuis” pela crise de 2008, mesmo que o CEO de um dos maiores bancos envolvidos na confusão fosse negro.
Por falar em Lula, eis outra grande vítima: nordestino e metalúrgico. Não importa que ele não trabalhe em um chão de fábrica há décadas, ou que receba duzentos mil por palestra, ou que só ande em jatinho particular, ou que seja aliado de todos os velhos caciques da política. Lula sempre será um ícone das minorias oprimidas!
O mais importante é vender a ideia de que somos vítimas, e que os brancos são responsáveis por todos os males do mundo. Sabemos que os negros e “chicanos” americanos gozam de muito mais liberdade e prosperidade do que seus pares africanos e latino-americanos. Não importa! Eles são vítimas, mesmo que o homem mais poderoso do mundo seja negro. Eternas vítimas.
Somos herdeiros de Foucault, o sadomasoquista que falava da forma mais cruel de tirania: a “hegemonia” oculta. Esqueça Coreia do Norte, Irã ou Cuba. A verdadeira ditadura está nos Estados Unidos! Sabemos que os gays correm risco de vida nos regimes comunistas ou islâmicos, mas o que importa isso? São os gays em São Francisco e Ipanema as verdadeiras vítimas. É que tem de ser muito macho para ser ativista em Cuba ou no Irã.
Somos filhos de Paulo Freire, e também acreditamos na “pedagogia dos oprimidos”. As escolas e faculdades não podem ser máquinas de formação de engenheiros e cientistas para ajudar na hegemonia capitalista. Precisamos de ainda mais professores marxistas, engajados nas causas das minorias, doutrinando nas áreas humanas. Viva Gramsci!
Vamos criar várias nações dentro do Brasil. A nação negra, a nação gay, a nação indígena, e por aí vai. Nada de ver todos apenas como brasileiros. Cada um desses grupos vai receber sua legítima cota, e vai direto para ótimos cargos públicos ou dar aulas nas faculdades. Merecemos essa vantagem, nada mais do que uma reparação pelo domínio dos brancos ao longo dos séculos.
E podemos ficar tranquilos: o povo da Brocha costuma aceitar calado nossas demandas. Nada como uma “elite” culpada, mesmo que de classe média. Basta acusarmos eles de “homofóbicos”, “racistas”, “reacionários”, ou “preconceituosos” que eles logo se intimidam e recuam. Sempre funciona acusar alguém que não é nada disso dessas coisas feias. O verdadeiro homofóbico ou racista não liga, mas a turma da Brocha entra em pânico.
Eis nosso grito revolucionário: minorias do mundo todo, uni-vos! Vamos pleitear mais privilégios de grupo, pois essa coisa de igualdade perante as leis que os liberais defendem é muito chata. Alguns podem estranhar eu ser homem e branco. Mas Chico Buarque é branco, com olhos claros, rico e heterossexual, e é aclamado pela Mula. Somos nós contra eles. Só há identidade no grupo. Abaixo o indivíduo! Socialismo ou morte! A morte dos que discordam, claro.
10/06/2013
 às 18:46 \ Feira Livre

Reynaldo-BH: ‘Não preciso de tutores, de quepe ou de macacão’

REYNALDO ROCHA
Assustador. Não existem meias-verdades.
Existe história. E amnésia. Nosso Celso Arnaldo tocou no ponto que considero crucial. Até onde este projeto de poder nascido do PT e por ele aproveitado deixou como verdadeira herança maldita esta miopia preocupante que deseja ─ a até pede ─ a quebra da legalidade? O retorno a uma noite que foi longa?
A chegada do PT ao poder foi embalada por sonhos de mudanças profundas na política nacional. Mais que alterações econômicas tínhamos a expectativa de uma nova ética e de novos valores. Valores democráticos.
Deu-se o oposto. Manteve-se a política econômica (e, como sempre alertei, sem a continuidade necessária, como está começando a ficar claro) e foram aprofundadas todas as práticas demagógicas e até mesmo ditatoriais que julgávamos sepultadas. Os opostos se atraem.
A arrogância aliada à mentira, a prepotência em parceria com a corrupção, tudo isso resultou no maior estelionato da história do Brasil. O que vemos hoje é o uso abastardado de um estado aparelhado, o uso de ameaças e enganações concebidas para a permanência no poder.
Até que ponto este atiçamento que se vê na web (hoje circula um factóide envolvendo o ministro general José Elito) é fruto do desconhecimento histórico, da ação premeditada (do PT ou dos saudosos da ditadura) ou de um esgarçamento de qualquer esperança na democracia?
Quero o PT fora do governo. Chega de tudo o que representa. Uma década perdida. Mas quero pelas ruas e pelas urnas.
Não é possível que tantos tenham esquecido o que era viver sob o chicote de alguma cavalgadura de plantão! Dos assassinos de Herzog. Do imperial Ernesto Geisel, que sabia de tudo e concordava com tudo. De Médici, que ouvia radinho de pilha no Maracanã e nunca ouviu o grito dos torturados nos porões!
Não é possível que queiram de volta os censores com as suas (DELES!) canetas vermelhas nas redações. Que tenhamos todos (SIM, TODOS, inclusive os que pedem esta “solução!”) que nos esconder e não mais opinar e debater em espaços livres.
Certamente uma nova “junta militar” me levaria para algum calabouço! Já os conheço. Não quero viver isso de novo.
Quem defende a “volta dos militares” está assinando o próprio atestado de incompetência como cidadão. Não preciso de tutores, de quepe ou de macacão! Acredito no povo brasileiro, na história, na evolução e na democracia.
Aos que pedem a volta da barbárie, fica uma pergunta: vocês não se julgam capazes de mudar este cenário que, aliás, já está mudando? Ou não está claro que o PT está ─ pela primeira vez em dez anos! ─ mais fragilizado do que nunca? Sem que precisemos usar canhões. Só com os fatos. Costumam ser sempre mais eficientes.
Não aceito a mentira do lulopetismo, com seu eterno “eu não sabia”. E nunca aceitei a dos militares e seu “não é verdade” usado para negar as mortes e perseguições.
Não aceito o aparelhamento de “companheiros” ambiciosos que sequer conseguem assinar o nome ou construir uma frase, como nunca aceitei o enxame de coronéis e generais nos postos executivos do governo federal. Não aceito que o MST mande estudantes de medicina para Cuba (com emprego garantido no retorno) como nunca aceitei que tenentes fossem aos USA para aprender “técnicas de interrogatório”. Não aceito ─ como nunca antes aceitei ─ a criação de estatais que eram (e hoje também são!) cabides de empregos para indicados.
Por fim, não aceito que o esquecimento suplante o aprendizado.
O fato de estar contra tudo o que está aí não me inclui entre os que defendem quarteladas e outras agressões ao Estado de Direito, à democracia e à minha dignidade. “Me incluam fora disto”.
Espero sim ─ e vamos! – tirar estes embusteiros do poder. Chegaram lá pelo voto. Sairão de lá do mesmo modo.
Mesmo que demore. A estrada é mais longa do que desejo. Mas é estrada. Nunca atalho.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

DITADURA CLEPTOCRÁTICA TOGADA - RAFAEL BRASIL

A ditadura cleptocrática togada, do consórcio PT/ STF, se baseia nos princípios fundamentais de qualquer ditadura comunista. Terrorismo de e...