segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

BENTO XVI


Depois do pontificado de João Paulo, um papa carismático, criado na luta contra os totalitarismos nazista e comunista, um dos responsáveis - sobretudo na Polônia, um dos maiores países católicos da Europa - pela progressiva desestabilização do sistema, surge sua antítese, Bento XVI. Um homem introvertido, um intelectual que comandaria a doutrina católica, desde o pontificado de João Paulo, e um dos responsáveis pela retomada conservadora da igreja, obra inconclusa, segundo especialistas. Afinal, a tradição cristã católica vem dos tempos do martírio dos cristãos, quando eles eram cruelmente perseguidos nas imensidões do império romano.
Desde o Concílio Vaticano II, a Igreja Católica sofreu uma série de mudanças, desde sua liturgia, até o extremo de suas representações na América Latina tentar conciliar o cristianismo com o marxismo. 
Até Paulo VI as coisas, digamos assim, correram frouxas, com a expansão vertiginosa dos adeptos das mudanças, estas cada vez mais radicais. Com João Paulo, e o alemão na retaguarda, a igreja começa sua guinada conservadora de uma forma avassaladora, sobretudo na América Latina e no Brasil. No Brasil, após a saída de Dom Helder da arquidiocese de Olinda e Recife, seu substituto foi dom José Cardoso, uma das mais proeminentes figuras do clero conservador. Para diminuir a influência de dom Paulo Evaristo Arns na Arquidiocese de São Paulo, fatiaram a mesma em várias dioceses. Leonardo Boff, pretenso teólogo da libertação, após anos de silêncio obsequioso imposta pelo então futuro para Bento XVI, foi "convidado" para sair, na verdade um eufemismo para expulsão da igreja por suas teorias consideradas heréticas. Leonardo foi instruído a fundar sua própria religião, e não ser um verdadeiro câncer nas entranhas da igreja. Porém, membros da  teologia ainda sobrevivem aos montes nos , digamos, grotões da igreja, nesta imensidão de economias e culturas que acostumamos chamar de América Latina. Lembremos que , dentre outras correntes, o PT foi formado por sindicalistas, esquerdistas revolucionários e trotskistas, além de membros do clero, que fundaram as chamadas comunidades eclesiais de base, na verdade células da chamada esquerda católica. Aliás, desde o início dos anos sessenta, inspirados pela revolução cubana, muitos católicos fundaram a famosa AP, (ação popular), de orientação católico-revolucionária, podemos dizer assim, e que teve uma participação destacada nas oposições de esquerda na ditadura militar, com inúmeros dos seus membros logo depois participando da fracassada luta armada. 
Além da tradição esquerdista na América Latina, tem o problema da pedofilia, que desgastou enormemente o nome da igreja, sobretudo nos países anglo saxões, Inglaterra e principalmente os Estados Unidos. Já quando papa, Bento XVI, clamou, alto e bom som, que não queria quantidade, mas qualidade. Ademais, se as religiões tem como base os dogmas, sobretudo a visão deísta, como introduzir mudanças, sobretudo as seculares? Se isto continua, a igreja deixaria  de ser igreja e se transformaria num partido político.  Claro, em muitos aspectos a igreja tem e teve que se amoldar aos tempos, mas nunca em sua essência, ou seja, na sua doutrina. Quem não quiser aceitar, saia, mas não se pode esperar da igreja apoiar coisas como o casamento gay e achar como normal as relações homossexuais, e apoiar coisas como o aborto. Problema este que hoje em muito aflige a igreja, com a digamos ponta do iceberg que é a pedofilia.
A renúncia do papa deve indicar que ele quer controlar sua própria sucessão, garantindo os conservadores no poder, de preferência com um papa jovem e dinâmico, inclusive para enfrentar as constantes perseguições contra cristãos e católicos nos países mulçumanos e na China. O enclave vai ser curto, e Bento XVI vai ver os resultados de sua estratégia. Tomara que dê certo, graças a Deus. Veremos o que vai acontecer.

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