sábado, 28 de abril de 2012

Estudante branco e pobre é condenado - EDITORIAL O GLOBO


O GLOBO - 28/04/12


Aprovadas por unanimidade pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento de uma ação sobre a aplicação do sistema pela Universidade de Brasília (UnB), as cotas raciais são um fato. Mas continua necessário discutir suas implicações. O fato é consumado, mas não seus desdobramentos. Não cabe ir contra a decisão judicial em nenhuma hipótese, sob o risco de o estado de direito ser alvejado. Pertinente é discutir a execução da sentença. Mesmo que ela fosse em sentido contrário, contra as cotas.

É simbólica a reação de grupos indígenas ao veredicto. Se fica fácil chegar ao status de “estudante universitário”, sem considerar, no devido peso, o mérito escolar, é compreensível que etnias e “raças” queiram também um passaporte especial para embarcar nesta viagem rumo a uma suposta vida de sucesso profissional, independentemente de aptidões pessoais. Vendese um sonho, como se não existisse a seleção do mercado de trabalho.

O STF discorda que, ao se importar um modelo racialista de uma sociedade constituída sobre “ raças”, a americana, o Brasil, construído na miscigenação — não entender como ausência de racismo —, estará se inoculando vírus de tensões inexistentes na história nacional. Que tenha razão o Supremo. Torçamos.

É da ideologia do “politicamente correto” que decisões “políticas” resolvem intrincados problemas. As cotas derivam desta fonte. Bem intencionada, a proposta pressupõe que o passe livre para a entrada no ensino superior operará milagres, sem considerar o mérito acadêmico. Engano. A cor da pele não pode substituir o conhecimento.

Oportuno comentário o da pesquisadora do Núcleo de Pesquisas Públicas da Universidade de São Paulo (USP) Eunice Durham: “Você está tentando consertar a goteira do telhado, quando a casa está toda ruim. Em vez de reparar erros do passado, você dá cotas, que não reparam.” É certo. Apenas mascaram, de forma discriminatória, a baixa qualidade do ensino.

Mesmo nos Estados Unidos, onde as cotas se destacaram nas ações afirmativas, elas, por decisão da Suprema Corte tiveram sua ponderação reduzida nos programas de admissão de estudantes universitários.

Criticar cotas raciais não deve ser interpretado como desconhecimento da realidade social e educacional do país, em que a grande massa de pessoas de baixa renda, de qualquer cor, continua a ter acesso apenas ao ensino público, quase sempre de nível deplorável. Com as cotas, uma parcela dos jovens de baixa renda foi premiada, ganhou a sorte grande. O que fazer com o branco pobre? Este deve torcer para que as promessas oficiais de melhoria do ensino sejam cumpridas. Pelo ritmo de avanço dos programas de aprimoramento da escola pública, pelo menos parte de uma geração da “raça branca” de brasileiros de baixa renda foi condenada a não ascender ao ensino superior.

Aprovadas as cotas raciais, o problema da qualidade do ensino básico continua. E o branco pobre precisa se conscientizar da necessidade de ter melhor qualificação. A cor da pele agora é uma questão institucional no Brasil. É preciso conviver com ela e evitar as piores consequências.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Presidenta por decreto - RUY CASTRO

FOLHA DE SP - 27/04/12



RIO DE JANEIRO - Amigos me alertam para um decreto-lei recém-publicado no "Diário Oficial da União": "A Presidenta da República faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte lei: Art. 1º. As instituições de ensino públicas e privadas expedirão diplomas e certificados com a flexão de gênero correspondente ao sexo da pessoa diplomada, ao designar a profissão e o grau obtido. [...]

Art. 3º. Esta lei entra em vigor na data de sua publicação. Brasília, 3 de abril de 2012. Dilma Rousseff. Aloizio Mercadante. Eleonora Menicucci de Oliveira".

Tal lei serve apenas à teimosa vontade da presidente Dilma de ser chamada de presidenta, na ilusão de, com isso, estar valorizando as mulheres. E não adianta dizer-lhe que não é assim que a língua funciona. O problema é que, com a medida, ela obriga a que se parem as máquinas e se corrijam a jato todos os dicionários da língua portuguesa.

Porque, se Dilma agora é presidenta por decreto, também quero ser chamado de jornalisto, articulisto, colunisto ou cronisto.

Idem, os calistas, juristas, dentistas, arquivistas, criminalistas, ortopedistas, ginecologistas e médicos-legistas do sexo masculino, todos podem requerer diplomas de calistos, dentistos, arquivistos, criminalistos, ortopedistos, ginecologistos e médicos-legistos. O próprio Aloizio Mercadante, ministro da Educação e cúmplice da presidenta nessa emboscada contra a língua, deve exigir ser chamado de congressisto quando voltar ao Senado.

Pela novilíngua da presidenta, o sindicalista Lula teria sido um sindicalisto. Luiz Carlos Prestes, um comunisto. Millôr Fernandes, um humoristo. Luizinho Eça, um pianisto. Guimarães Rosa, um romancisto. O cego Aderaldo, um repentisto. Ayrton Senna, um automobilisto.

Dilma acha pouco ser presidenta. Quer ser também linguista.

CACIQUES SE ARTICULAM


A partir da eleição para prefeito, os caciques se articulam visando o emaranhado de possibilidades, no quadro das eleições para os governos estaduais e para presidente. Em Pernambuco os palanques se armam, com Eduardo e seu escolhido, contra o PT e o representante do que seria parte da burguesia nativa, mais voltadas para  o setor industrial e de serviços. Todos contra a possibilidade de ascensão do PT, o que seria realmente um atraso de vida. Aliás, os programas de Eduardo, Armando Monteiro, Jarbas e até o DEM, em pouco se diferenciam. Querem desenvolver o capitalismo local, voltado para os mercados globais, sobretudo considerando as vantagens da nossa região, do ponto de vista geográfico. O PT é um partido cada vez mais ligado às corporações, sejam estatais ou privadas, defensores do estatismo em todos os sentidos, e do assistencialismo. Ou seja, as diferenças são pontuais, digamos.
Se o PT ameaçar, todos podem se unir. Todos, razoavelmente, não gostam do autoritarismo do partido, nem tampouco de suas idéias econômicas, e hegemônicas no campo político.
Se o PT estiver fraco, como até agora, deve ficar a reboque de Eduardo, apresentando , pelo menos o vice. Com muita sorte. Será um jogo de profissionais, como aliás deve ser na política. Vamos ver a dança dos atores, como diria meu velho professor e amigo Jorge Zaverucha, que faz tempo que não vi.

ARMANDO MONTEIRO



Sempre quis ser candidato, a há anos trabalha por isso, o que é um dado positivo, a vontade política. Se coloca como representante da burguesia industrial e de serviços, e é um bom quadro para dirigir o estado. Não pensa a política e a economia muito diferente de um Jarbas , ou mesmo Eduardo, o que é um ponto extremamente positivo. Pode se coligar com Eduardo, bem como, tentar disputar, junto com a oposição. Para ele existem várias possibilidades. Aliás, o futuro, só Deus sabe. Mas é a política que impera. Menos mal.

COTAS PARA NEGROS

É preciso promover de vez a inclusão do negro na sociedade brasileira. Em todas as estatísticas os negros perdem. Por isso é preciso agir para acabar com as disparidades. Isto deve ser uma luta permanente, não só dos negros , mas de toda a sociedade. Porém, o melhor remédio para superar tudo isso é o velho capitalismo. Só com investimento , sobretudo no capital tecnológico, é que podemos de fato abolir as diferenças. Em outras palavras, educação, e ação afirmativa. Com o desenvolvimento econômico das últimas décadas, milhões de negros foram incluídos nas classes médias. Somos um povo miscigenado, étnica e culturalmente. Felizmente, podemos nos tornar , como nos sonhos de um Gilberto Freyre, ou mesmo de um Darcy Ribeiro, numa grande nação mestiça. Apesar das desigualdades, não temos conflitos raciais, ou seja, segregações. Seria preciso defender a mestiçagem, criando políticas que apontassem contra a discriminação. Creio que não é com cotas para negros que vai se resolver o problema. Seria como se o estado pudesse tudo. Até os juízes da suprema corte, posam de libertadores da pátria. Só com educação de qualidade para todos, e um clima de abertura, não só a investimentos, mas sobretudo à inovação tecnológica. É preciso adequar todos para os desafios de uma sociadade competitiva em termos globais. As universidades devem ser centros de excelência técnica e científica, onde o que deve prevalecer é a meritocracia. As cotas ferem os principais preceitos de isonomia perante ao estado. Ademais, como definir os negros no Brasil? Pela cor da pele, ou pela cultura? Pretos mesmo, ao que me parece, só uns quatro por cento, isto sem levar em conta os aspectos culturais, de suma importância. Por isso, estas leis,  colocam em perigo a integração, sobrepondo à segregação. Somos um país mestiço. Com a integração, resultante do crescimento do capitalismo nas últimas décadas, a mestiçagem se acentua. Sobrertudo porque o capitalismo tende a priorizar a meritocracia sobre quaisquer outros fatores. Se não, não teria sobrevivido até hoje. E, ademais, tudo deve ser ampla e permanentemente discutido, não?

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Contribuição à agenda rival José Serra


"O Estado de S. Paulo
 
Segundo o noticiário, a presidente Dilma Rousseff pretende buscar uma agenda que rivalize com a CPI do Cachoeira, que desagrada ao Palácio do Planalto e ameaça paralisar ainda mais a ação administrativa do governo federal. Creio que essa intenção merece simpatia, sempre que a agenda rival seja positiva, feita de coisas reais, e não de PACs inexistentes ou de novos programas contra a miséria que só prosperam nos discursos oficiais e no noticiário. Tampouco vale renovar as reclamações em off sobre os maus costumes da vida pública brasileira, como se o PT nada tivesse que ver com isso.
Permito-me citar algumas iniciativas que estão ao alcance imediato do governo, sem grandes obstáculos jurídicos ou parlamentares.
São apenas exemplos.
Um primeiro exemplo é a exigência de certificação ocupacional para o preenchimento dos cerca de 24 mil cargos de livre provimento da administração federal,  bem como de suas empresas estatais.
Ou seja, embora esses cargos não exijam concurso público, as pessoas nomeadas deveriam ter qualificações obrigatórias para ocupar certas funções, como capacidade técnica e gerencial, formação escolar compatível e experiência profissional, a ser em atestada sem prova de avaliação; e ainda ter bons antecedentes.
Essa medida frearia o fisiologismo reinante, além de melhorar a qualidade do serviço público.
E impediria casos como o do "amigo de 20 anos" do ministro da Saúde que, sem qualificação alguma, foi nomeado seu assessor e embolsou R$ 200 mil de propina a fim de prestar favores impróprios.
A certificação poderia começar pela Fundação Nacional de Saúde (Funasa), estropiada depois da recuperação promovida no governo FHC, quando foram exigidas qualificações específicas para os cargos de direção.
Logo no começo da era petista, em abril de 2003, o decreto que estabelecia a exigência foi revogada,  a fim de liberar o loteamento da instituição.
Uma certificação especial deveria ser exigida dos diretores das agências reguladoras, hoje loteadas entre pessoas na sua maioria sem a qualificação necessária.
São nomeações que favorecem grupos partidários e interesses privados, fraturando a espinha de uma importante reforma do Estado brasileiro.
Sempre chegam à imprensa cochichos sobre a insatisfação da Presidência da República com esse quadro deprimente.Porque, então,  não adotar a certificação imediatamente, privilegiando os ocupantes de cargos efetivos nas próprias agências? Outra medida urgente é a reestruturação da dívida de Estados e municípios com a União, vinculando seus benefícios a investimentos.
Tem cabimento, hoje, o BNDES cobrar juros nominais de 4%,5% ao ano de grandes grupos privados, com dinheiro do Tesouro, e este cobrar de Estados e municípios juros que, em alguns casos chegam a 12,5% ou 14%? Os efeitos são óbvios: dívidas crescendo como bola de neve, apesar dos elevados pagamentos, e corrosão da capacidade de investimento de governos estaduais e municipais.
Acredite o leitor: essas unidades da Federação respondem por dois terços dos investimentos públicos do País, excluindo empresas estatais.
Outra providência fácil e oportuna é o descarrilamento do trem-bala Rio-São Paulo.O projeto exige mobilizar recursos de R$ 65 bilhões para um trem de passageiros que não tem demanda.
De tudo o que conheço da História brasileira posso assegurar: em face do tamanho e do despropósito, trata-se do projeto governamental mais alucinado que já tivemos desde o Descobrimento.
O governo precisa transferir esse esforço e os recursos virtuais para outras finalidades com bons resultados assegurados: metrô/modernização de trens urbanos (R$ 30 bilhões) em dez capitais e transporte ferroviário de carga Brasil afora (R$ 35 bilhões).
Um quarto exemplo é a eliminação já dos tributos federais (PIS e Cofins) que incidems obreas empresas estaduais e municipais de saneamento, tirando-lhes em torno de R$ 2 bilhões anuais. Esses recursos seriam investidos pelos Estados e municípios em obras prioritárias na coleta e tratamento de esgotos, que não oferecem retorno financeiro adequado. Lembre- se que somente 55% dos domicílios no Brasil e stão ligados à rede de esgotos e apenas 38% dos esgotos coletados são tratados.
Por último, a adoção da Nota Fiscal Brasileira, nos moldes da bem-sucedida Nota Fiscal Paulista, coma devolução de tributos federais que incidem sobre o consumo no varejo.Isso reduziria a carga tributária individual dos consumidores, que receberiam de volta parte dos impostos recolhidos pelo comércio, ao lado de uma redução significativa da evasão fiscal.
A presidente precisa ainda exigir que seu ministro da Educação tire do papel, de modo rápido e competente, o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec) – uma espécie de ProUni do ensino técnico.
Mais ainda, que o descentralize e estenda ao ensino técnico privado.
E que o ministro da Saúde tire da lenga lenga o programa Rede Cegonha, voltado para a assistência à maternidade, desde o início da gravidez até as primeiras semanas do bebê.São programas baseados nas propostas que fizemos em 2010: o Protec e o Mãe Brasileira.Sinceramente, em políticas públicas, cópia não é plágio nem gera royalties. Ao contrário, se o projeto é bom, a cópia expressa inteligência administrativa.
Exceto, é claro, quando é distorcida ou se serve mais para marketing eleitoral, sem sair do papel.
Sugeri acima, algumas poucas medidas que dependem da determinação e da clarividência do governante.
Há várias outras.Reparem que nem falo em "vontade política", um conceito sempre fluido. A pequena lista de providências citadas está entre as prerrogativas de fato e de direito do Poder Executivo.
Há muita coisa a melhorar na vida dos brasileiros e na institucionalidade do País que passa longe do famoso "toma lá, dá cá".O governo federal só se tornará refém da eventual paralisia do Congresso Nacional se quiser, se continuar na letargia".

quarta-feira, 25 de abril de 2012

MARX E O CAPITALISMO RURAL


Muitos comunistas tupiniquins nunca leram , nem tampouco conhecem através de outros escritores, a obra de Marx. Por isso cometem tantas asneiras. Marx era um grande admirador do capitalismo norte-americano, sobretudo com a implantação do capitalismo no campo. Enaltecia a mecanização agrícola e a transformação da agricultura capitalista em empresas voltadas para o mercado, forçando o processo de urbanização, e barateando, através da tecnologia,  os alimentos. Como todos os comunistas tradicionais, desdenhavam o camponês, bruto e ignorante, seguidor do tradicionalismo político e ideológico de uma maneira geral. A grande maioria dos movimentos políticos camponesesd, abraçavam a tradição religiosa, não a ruptura revolucionária. Certamente, o ódio ao camponês, e seu reacionarismo, digamos, congênito, que Stálin fez a coletivização em massa nos anos trinta na extinta União Soviética, promovendo as fracassadas fazendas estatais. A coletivização em massa stalinista, promoveu, seja pela desestruturação da economia, seja pela brutal repressão, um dos piores genocídios da história da humanidade, ceifando a vida de pelo menos trinta milhões de pessoas. Num primeiro momento, a revolução russa através de Lênin, expropriou os grandes proprietários. Com Stálin, expropriou os médios e pequenos, apontados como0 inimigos do povo os conhecidos Kulács. Opipior é que até o velho crítico de Stálin, Trotski, também defendia de uma forma geral, a coletivização. O desastre foi tão grande que, a ex União Soviética sempre foi uma grande importadora de alimentos, e na década de cinquenta, quase a metade da sua produção agrícola era produzuda por quatro por cento de propriedades privadas sobreviventes à repressão do totalitarismo stalinista.
Aqui as esquerdas são contra a agricultura capitalisrta, ou seja, voltada para o mercado global, e que nos dá os superávites na economia comemorados pelo governo. Aqui os esquerdistas querem voltar ao sistema de pequenas propriedades, fazendo, digamos assim, querer voltar o motor da história. Aliás, foi o próprio Marx, ao analisar a agricultura americana do século XIX, dizia entusiasticamente, que a figura do camponês seria uma espécie em extinção. Hoje, nos Estados Unidos, apenas três por cento da população mora no campo. No Brasil cerca de quinze por cento. Hoje o agronegócio, está chegando ao pobre Piauí,  com a soja mecanizada, pelos agricultores majoritariamente do Rio Grande do Sul, os verdadeiros progressistas do país. Aliás, estes revolucionários agricultorea é que fazem com que nossa comida seja uma das mais baratas do mundo. O resto é conversa fiada e ignorância que é o que não falta no país. Enquanto isso, os produtores rurais são tratados como bandidos, não só pelo governo que financia  movimentos como os sem terra, como da mídia, que seguem a cartilha dos populares sociólçoos de botequim, que também o Brasil está cheio.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

O VELHO RAFAEL BRASIL

No dia 25 de julho vai fazer uma década do falecimento de Rafael Brasil. Até hoje ele incomoda muita gente, não sei por que. Vez por outra, membros da oligarquia dominante da cidade, que foram inclusive muito beneficiadas por ele, tentam detratar a sua imagem. Agora arranjaram um laranja para fazer o "serviço" um auto intitulado professor, que ninguém na cidade sabe mesmo quem é. Já não basta um prefeito laranja, arrumaram um laranja para denegrir a imagem do verdadeiro fundador da cidade. Era só o que faltava. Com medo, ou vergonha de mostrar a cara, a oligarquiazinha corrupta e atrasada que governa a cidade faz coisas deste tipo. Claro, creio que não seja todas as pessoas da família Sampaio. O velho Hermínio, amigo e aliado de mei pai, até seu falecimento, era um grtande homem, o qual tive orgulho de conhecer, bem assim como dona Hilda Sampaio, um exemplo de mulher e mãe de família. E creio que tem muita gente da família Sampaio que não concorda com este tipo de coisa. Quem teve a infelicidade de atacar meu falecido pai, tentando me atingir, não passa de um pobre coitado, de um pau mandado. Deixemos nossos mortos descansarem em paz. Felizmente o povo de Caetés conhece seu passado. Aliás. só os autocratas tentam apagar o passado. Obrigado povo de Cetés pela solidariedade e pela capacidade de indignação, demonstrada nas postagens. Também, quando quiserem falar, que não utilizem "laranjas". Aliás, Caetés já está cheio de "laranjas. Ou não?

sábado, 21 de abril de 2012

Ares argentinos - MIRIAM LEITÃO

O GLOBO - 20/04/12


Empresários brasileiros já estão repensando os investimentos na Argentina. Não exatamente porque houve a expropriação da YPF, nem mesmo pela maneira como aconteceu, mas porque o ambiente para negócios é cada vez mais hostil. Tudo pode acontecer a partir de uma ordem de Guillermo Moreno ou por algum rompante da presidente Cristina Kirchner. A incerteza jurídica é um ambiente onde o investimento não prospera.

Brasil e Argentina estão unidos pela geografia e separados pelo temperamento. Certa vez, um ministro argentino me disse que a distância entre um e outro é a mesma que existe entre o tango e o samba. Os dois países enfrentaram problemas muito parecidos ao longo da sua história, com reações diferentes, pelo menos na intensidade.

A hiperinflação deles elevou os preços a níveis muito mais altos do que no Brasil. Eles fizeram um plano que era baseado no câmbio fixo. Só que era rígido. Uma lei proibia a desvalorização da moeda. Nós fizemos um plano que usou o câmbio quase fixo por algum tempo. As duas políticas cambiais entraram em colapso depois de alguns anos. Aqui, houve alguma confusão, mas a inflação foi controlada rapidamente ao custo de um ano sem crescimento. Na Argentina, tudo acabou em queda de governo e longa recessão. O Brasil aprendeu a lição e nada alterou o compromisso com as bases da estabilidade, nem mesmo a alternância de partidos adversários na Presidência da República. A Argentina volta a brincar com o mesmo animal, permitindo que ele se aproxime cada vez mais da economia.

Há artificialismos assim: a presidente visita uma empresa e pergunta por que certo produto não está sendo vendido no mercado. O empresário responde que não é do gosto argentino, por isso ele é feito apenas para exportação. No dia seguinte, o empresário recebe um telefonema de Moreno, que o manda pôr no mercado o tal produto e informa a que preço deve ser vendido. O empresário avisa que aquele preço dá apenas para cobrir o custo da embalagem. Moreno liga então para a empresa fornecedora e dita o preço que ele vai fornecer a embalagem. A empresa pede desconto no custo da energia. E recebe. Isso é fato real. Aconteceu com empresa brasileira. Moreno, para quem não sabe, é quem manda chover e parar de chover no país, por ordem da presidente. É secretário da Indústria e Comércio, mas é como se fosse primeiro-ministro. Houve um tempo em que ele despachava com revólver em cima da mesa. Hoje, já o recolheu à gaveta, ainda que ameace com outras armas os empresários que não o obedecem.

Ele ligou para um empresário brasileiro estabelecido no país e determinou que suspendesse as exportações. Quando o executivo disse que tinha contratos a cumprir, ele respondeu que não os cumprisse porque aquele produto tinha que ficar no mercado interno.

No Brasil, há também decisões controversas. Aqui foi elevado o imposto interno para carro importado, apesar do alerta de especialistas de que isso fere regras da Organização Mundial do Comércio. Na Argentina, o governo suspendeu a licença automática de importação e isso está criando problemas concretos para exportadores brasileiros que não podem embarcar mercadorias já vendidas.

Inúmeras empresas brasileiras estão na Argentina vivendo situações em que o voluntarismo substitui leis de mercado. O Brasil é visto hoje como uma economia mais organizada e mais previsível, o que pode, num primeiro momento, nos favorecer, mas os descaminhos do vizinho não nos ajudam. Para o Brasil, o ideal é que a Argentina tenha sucesso, porque o comércio entre os dois países é pujante, e os interesses comuns se adensaram muito nos últimos anos. O problema é que acordos comerciais negociados pelo bloco com alguns países ou regiões podem emperrar a partir de agora. O acordo Mercosul-União Europeia, por exemplo, é melhor deixar para outra oportunidade.

Atualmente há muito ruído em torno da decisão tomada pelos argentinos. O "Wall Street Journal" pediu em editorial a expulsão da Argentina do G-20, a Espanha ameaça parar de comprar grãos do país e pressiona a União Europeia a retaliar também, as ações da YPF despencam, e diversas autoridades do mundo fazem admoestações ao governo. Tudo isso pode passar, mas ficará a cicatriz.

Cartazes pregados nos muros argentinos dizem que CFK enfrentou YPF e que agora as petrolíferas "são nossas". Isso pode soar aos brasileiros de forma simpática pela lembrança da campanha do "petróleo é nosso". É bem diferente. A empresa argentina tinha sido privatizada, aliás com o apoio dos K. Claro que o país pode mudar de ideia, mas tudo seria aceito se fosse dentro da lei e com indenização negociada aos donos da companhia. O governo Lula também reclamou que a Vale não investia em siderúrgica no Brasil. A briga foi pública. Os acionistas, entre eles fundos de pensão de estatais e o BNDES, trocaram o presidente da Vale. O mercado não gostou e as ações da mineradora perderam valor, mas a empresa não foi ameaçada de expropriação.

Decisões governamentais controversas existem de um lado e outro da fronteira, mas o que a Argentina fez foi quebrar o cristal da confiança do investidor. Isso produz consequências difíceis de mensurar, mas que se prolongam pelo tempo.

Os juros no Brasil chegaram a 8,75% em julho de 2009, e não pouco antes da crise de 2008, como foi registrado na coluna de ontem "Próximo passo".

"NEGRO E ANALFABETO"

Era assim que os adversários, jocosamente, no mínimo, o chamavam em Capoeiras, numa campanha de extremo baixo nível. Como se toda a população fosse constituída de arianos, louros , de olhos azuis, e não majoritariamente mestiça , como no nosso agreste. Analfabeto, como se fosse um cidadão bruto, afeito a maus tratos, ou mesmo um indivíduo cuja principal característica seria a brutalidade e a falta de educação. Foi assim durante a campanha política, onde Dudu enfrentou seus adversários. Uma campanha suja, racista, e por isso mesmo anti-democrática. No mínimo mal educada.
O conheci pessoalmente no fórum da cidade, quando ele reclamava sobre o baixo nível da campanha, coisa comum em embates políticos na cidade. Ele estava lá, justamente para interpelar judicialmente seus algozes, liguas sujas. À primeira vista achei um homem calmo e educado. Já sabia que era um empresário muito bem sucedido para os padrões da região, comerciante atuando no setor de secos e molhados, e que desde menino trabalhava feito um mouro, razão primordial do seu sucesso. Só esta semana, por intermédio de Roberto Almeida, meu velho amigo e irmão, tive a oportunidade de conversar com ele, sobretudo sobre plolítica e administração. Fiquei maravilhado, com sua calma e educação, sobretudo ressaltando sua prática de não responder às baixarias de ninguém. Lembrei-me logo de meu pai, o velho Rafael Brasil, que nunca subiu num palanque para detratar ninguém. Tal qual Marco Maciel, seu amigo, de  quem era fã.
Falou-me entusiasticamente sobre sua administração, e como encontrou a prefeitura. Didaticamente, disse que a cidade tinha pelo menos treze pendências sérias com o governo federal. Dentre elas, o sucateamento da previdência , e o não ,pagamento do plano de carreira do professorado. Destas, sanou todas, organizou a administração, renovou toda a frota da prefeitura, com a aquisição de novos ônibus escolares, e máquinas para fazer barreiros e pequenois açudes, e está pagando o piso dos professores, inclusive pagando as sobras , recomendação do governo federam com o FUNDEB. Paga os salários religiosdamente em dia, e está recuperando a saúde, antes sucateada. Alegremente falou que conseguiu mais de duas mil bicicletas para os estudantes, e estava estusiasmado para fazer mais. Esta foi a resposta a seus mal-educados adversários. Educação e trabalho.
Lembrei a ele a situação de Caetés. Lula , como presidente da terra, poderia ter feito uma verdadeira revolução no município. Porém , inadimplente com o governo federal, quase nenhuma obra veio para a cidade. Sobretudo por causa da ganância do grupo dominante, de financiar campanhas para deputado, quebrando, ou mesmo desarrumando as parcas finanças públicas. Os salários são aviltantes, os professores , estes em sua maioria contratados, recebem bem abaixo do piso, e a saúde agoniza. Falta água na cidade, e sobretudo na populosa e pobre zona rural. Hoje Capoeiras respira. Caetés agoniza. O prefeito é um laranja, e completamente ausente. A cidade é "administrada" a partir do Recife, e o grupo do prefeito só aparece em tempos de eleições, ou mesmo de festas.
Claro, já tinha conhecimento de sua administração. Mas gostei muito da pessoa. Um homem extremamente educado e de fala mansa, está na prática educando muitas pessoas que o detrataram, sobretudo sob o manto do racismo, e do preconceito social, que são duas atitudes que abomino radicalmente. Parabéns prefeito, contunue assim. Capoeiras e sua boa gente merecem.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Viva Paulo Freire!

Olavo de Carvalho


Vocês conhecem alguém que tenha sido alfabetizado pelo método Paulo Freire? Alguma dessas raras criaturas, se é que existem, chegou a demonstrar competência em qualquer área de atividade técnica, científica, artística ou humanística? Nem precisam responder. Todo mundo já sabe que, pelo critério de “pelos frutos os conhecereis”, o célebre Paulo Freire é um ilustre desconhecido.
As técnicas que ele inventou foram aplicadas no Brasil, no Chile, na Guiné-Bissau, em Porto Rico e outros lugares. Não produziram nenhuma redução das taxas de analfabetismo em parte alguma.
Produziram, no entanto, um florescimento espetacular de louvores em todos os partidos e movimentos comunistas do mundo. O homem foi celebrado como gênio, santo e profeta.
Isso foi no começo. A passagem das décadas trouxe, a despeito de todos os amortecedores publicitários, corporativos e partidários, o choque de realidade. Eis algumas das conclusões a que chegaram, por experiência, os colaboradores e admiradores do sr. Freire:
“Não há originalidade no que ele diz, é a mesma conversa de sempre. Sua alternativa à perspectiva global é retórica bolorenta. Ele é um teórico político e ideológico, não um educador.” (John Egerton, “Searching for Freire”, Saturday Review of Education, Abril de 1973.)
“Ele deixa questões básicas sem resposta. Não poderia a ‘conscientização’ ser um outro modo de anestesiar e manipular as massas? Que novos controles sociais, fora os simples verbalismos, serão usados para implementar sua política social? Como Freire concilia a sua ideologia humanista e libertadora com a conclusão lógica da sua pedagogia, a violência da mudança revolucionária?” (David M. Fetterman, “Review of The Politics of Education”, American Anthropologist, Março 1986.)
“[No livro de Freire] não chegamos nem perto dos tais oprimidos. Quem são eles? A definição de Freire parece ser ‘qualquer um que não seja um opressor’. Vagueza, redundâncias, tautologias, repetições sem fim provocam o tédio, não a ação.” (Rozanne Knudson, Resenha da Pedagogy of the Oppressed; Library Journal, Abril, 1971.)
“A ‘conscientização’ é um projeto de indivíduos de classe alta dirigido à população de classe baixa. Somada a essa arrogância vem a irritação recorrente com ‘aquelas pessoas’ que teimosamente recusam a salvação tão benevolentemente oferecida: ‘Como podem ser tão cegas?’” (Peter L. Berger, Pyramids of Sacrifice, Basic Books, 1974.)
“Alguns vêem a ‘conscientização’ quase como uma nova religião e Paulo Freire como o seu sumo sacerdote. Outros a vêem como puro vazio e Paulo Freire como o principal saco de vento.” (David Millwood, “Conscientization and What It's All About”, New Internationalist, Junho de 1974.)
“A Pedagogia do Oprimido não ajuda a entender nem as revoluções nem a educação em geral.” (Wayne J. Urban, “Comments on Paulo Freire”, comunicação apresentada à American Educational Studies Association em Chicago, 23 de Fevereiro de 1972.)
“Sua aparente inabilidade de dar um passo atrás e deixar o estudante vivenciar a intuição crítica nos seus próprios termos reduziu Freire ao papel de um guru ideológico flutuando acima da prática.” (Rolland G. Paulston, “Ways of Seeing Education and Social Change in Latin America”, Latin American Research Review. Vol. 27, No. 3, 1992.)
“Algumas pessoas que trabalharam com Freire estão começando a compreender que os métodos dele tornam possível ser crítico a respeito de tudo, menos desses métodos mesmos.” (Bruce O. Boston, “Paulo Freire”, em Stanley Grabowski, ed., Paulo Freire, Syracuse University Publications in Continuing Education, 1972.)
Outros julgamentos do mesmo teor encontram-se na página de John Ohliger, um dos muitos devotos desiludidos (http://www.bmartin.cc/dissent/documents/Facundo/Ohliger1.html#I).
Não há ali uma única crítica assinada por direitista ou por pessoa alheia às práticas de Freire. Só julgamentos de quem concedeu anos de vida a seguir os ensinamentos da criatura, e viu com seus própios olhos que a pedagogia do oprimido não passava, no fim das contas, de uma opressão da pedagogia.
Não digo isso para criticar a nomeação póstuma desse personagem como “Patrono da Educação Nacional”. Ao contrário: aprovo e aplaudo calorosamente a medida. Ninguém melhor que Paulo Freire pode representar o espírito da educação petista, que deu aos nossos estudantes os últimos lugares nos testes internacionais, tirou nossas universidades da lista das melhores do mundo e reduziu para um tiquinho de nada o número de citações de trabalhos acadêmicos brasileiros em revistas científicas internacionais. Quem poderia ser contra uma decisão tão coerente com as tradições pedagógicas do partido que nos governa? Sugiro até que a cerimônia de homenagem seja presidida pelo ex-ministro da Educação, Fernando Haddad, aquele que escrevia “cabeçário” em vez de “cabeçalho”, e tenha como mestre de cerimônias o principal teórico do Partido dos Trabalhadores, dr. Emir Sader, que escreve “Getúlio” com LH. A não ser que prefiram chamar logo, para alguma dessas funções, a própria presidenta Dilma Roussef, aquela que não conseguia lembrar o título do livro que tanto a havia impressionado na semana anterior, ou o ex-presidente Lula, que não lia livros porque lhe davam dor de cabeça.

JURO, NÃO É MENTIRA!

Esta semana , um amigo meu daqui de Caetés, estava assistindo a novela "Avenida Brasil", quando, subitamente, a imagem saiu do ar. O sujeito pensou que era um defeito na televisão, porém, constatou que roubaram sua antena parabólica. Parece piada, mas não é. É assim que se encontra a cidade. Abandonada, completamente. Há mais de duas décadas os prefeitos moram em Recife, governando de lá, manipulando os cabrestos eleitorais, que são os mais de mil funcionários contratados. Há mais de uma década que não tem concurso, justamente para manter o povo encabrestado, digamos assim. A polícia só atua contra os pobres. E ainda dizem que a cidade é um modelo a ser seguido. Parece também piada. Só que, de mau gosto. Que coisa!

quarta-feira, 18 de abril de 2012

O surto populista de Cristina - EDITORIAL O ESTADÃO


O Estado de S.Paulo - 18/04/12


Só faltou a presidente argentina Cristina Kirchner assomar aos balcões da Casa Rosada, a sede do governo nacional no coração de Buenos Aires, diante de uma multidão adrede arregimentada em estado de apoteose cívica, para completar o regressivo espetáculo de exaltação nacionalista do anúncio da reestatização da YPF, a maior empresa petrolífera do país, privatizada em 1993 e adquirida pela Repsol espanhola em 1999. Tudo o mais, porém, seguiu o mofado figurino do auge da era peronista, nos anos 1950. Por volta do meio-dia de anteontem, no salão nobre do palácio, tendo às costas uma imagem de Evita Perón e à frente uma siderada plateia de militantes justicialistas, entoando cânticos e palavras de ordem dos viejos tiempos, a presidenta, como exige ser chamada, proclamou a recuperação da "soberania petrolífera" argentina. Desnecessário dizer que o show de arrebatamento patriótico e fabulação econômica foi transmitido em rede nacional.

Naturalmente, ninguém teria a insolência de lembrar que a então senadora Cristina, bem como o seu marido Néstor, à época governador da província patagônia de Santa Cruz, aplaudiram a desestatização da YPF promovida pelo presidente Carlos Menem, o correligionário peronista que guinou para o neoliberalismo sem jamais perder o ardor populista. A esta altura, de todo modo, há paradoxos mais importantes a ressaltar. O principal é o que separa a demagógica celebração da reconquista da soberania argentina no setor de petróleo do estado crítico das finanças nacionais. Desde o calote da dívida em 2001, o país perdeu a confiança dos mercados internacionais de capital. Os descalabros da política econômica kirchnerista, entre os quais avulta uma indisfarçável inflação da ordem de 25%, obrigaram o governo a decretar em outubro passado o controle do câmbio - engessando, em consequência, as importações. Só naquele mês fugiram do país US$ 3,4 bilhões. No ano, já deixaram o país US$ 22,5 bilhões.

O Tesouro argentino não tem a mais remota condição de bancar os investimentos que a Repsol é acusada de ter deixado de fazer para devolver ao país a autossuficiência no setor energético - o argumento invocado por Cristina para justificar a nacionalização da YPF, que passará a ser controlada pelo governo federal, com 26,01% das ações, e pelas províncias produtoras de hidrocarbonetos, com 24,99%. Dos 51% que detinha, restarão à Repsol 6,43%. Ora, ela deixou de investir na proporção desejada pelo governo porque o próprio governo a privou dos meios de fazê-lo. O Estado, por exemplo, pagava-lhe por barril extraído uma fração do seu valor de mercado (US$ 42) e embolsava a diferença. Depois de o governo espanhol prometer, com o apoio da União Europeia, fortes represálias ao "claríssimo gesto de hostilidade" de Buenos Aires, como disse o ministro da Indústria José Manuel Soria, o presidente da Repsol, Antonio Brufau, acusou a Casa Rosada de forçar a baixa das ações da YPF para comprá-las a preço vil.

Ele atribuiu a desapropriação à intenção de Cristina de açambarcar a exploração do riquíssimo Campo de Vaca Muerta, na província de Neuquén, descoberto e posto a operar pela Repsol no ano passado. As jazidas de óleo e gás de xisto ali são estimadas em 22,5 bilhões de barris equivalentes, ou pouco menos da metade das reservas brasileiras no pré-sal. Ora, depois da violência jurídica perpetrada pelo governo argentino, no quadro de um surto nacionalista que começou com a exumação da demanda pelas "Malvinas argentinas", passados 30 anos da sua fracassada invasão, com que parceiros o país poderá contar para voltar ao seu passado de autonomia e superávits comerciais na área de energia? Cristina diz que quer implantar o "modelo brasileiro" no setor, numa alusão aos 51% que o Estado detém na Petrobrás, mas hostilizou a empresa ao cancelar a concessão de que dispunha em Neuquén, onde já tinha investido US$ 10 milhões.

A única - e pervertida - lógica pela qual Cristina parece pautar-se, ainda mais depois de sua reeleição no ano passado com um formidável estoque de votos, é a do populismo crasso. O pior é que a Argentina já viu diversas versões deste filme. Nenhuma terminou bem.