terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

GOVERNO FRAQUINHO



É o que parece que vai ser o governo Dilma. Se Lula não fez nada de significativo para, digamos, a estruturação do país, em termos capitalistas e democráticos, juntamente com o restante do mundo, sobretudo entre os países da América Latina, pelo menos o Brasil cresceu. O bom, mesmo é que ele não inventou de mexer nos fundamentos macroeconômicos, e surfou no crescimento do país atribuindo o mesmo ao seu governo. Dilma continua na mesma. Quer posar de xerifona do governo, mas não propõe uma reforma do estado, tornando-o transparente e democrático. Nem no número de ministérios mexeu. E ainda anda brincando com a inflação.

REFORMA POLÍTICA

Há décadas que precisamos de uma ampla reforma política. Do jeito que está não dá, com a plutocracia e a banda podre do estado financiando as eleições. A corrupção é desenfreada e é preciso urgentemente uma reforma no judiciário, e nas polícias. Ademais, todo o sistema de segurança tem que ser reformado. É pouco? E a reforma sindical e trabalhista? Até o futebol precisa ser reformado dada a corrupção e má administração do mesmo. E a presidente nada faz. Essa gente é ruim mesmo de fazer.

PRIVATIZAÇÕES

As privatizações dos aeroportos foram mal-feitas, segundo os técnicos do setor. Porém esta gente ainda continua com uma mentalidade estatizante. Seria preciso fazer cm que a população saiba o quanto custa m manter este paquidérmico estado, que serve mesmo às corporações, e nunca ao povão. Quando vamos nos livrar do patrimonialismo? E das mazelas do clientelismo político? E da violência?

DESARMAMENTO

Quero me armar. Não é possível que num país aonde ocorra mais de quarenta mil homicídios por ano, com a grande maioria sendo de armas de foro, proíba o povo de se armar. Só quem pode é o estado, com as conhecidas bandas podres das polícias, e, claro, os bandidos. Tenho um velho amigo em Caetés – já está com mais de oitenta – que quando percebeu a presença de ladrões em seu terreiro, mandou bala. Matou um ao que me parece e feriu outro. Bem feito. Se este cidadão tivesse desarmado? Temos que ter a chance e o direito de nos defender , nem que seja à bala. Temos que dificultar ao máximo a ação dos bandidos. Se o estado não resolve, então vamos todos nos armar. Afinal, já faz muito tempo que estamos em guerra civil. Alguém duvida?

ROBINSON CAVALCANTI

O conheci como professor na universidade federal. Era um esquerdista moderado, ou seja um social-democrata, e bispo da igreja anglicana. Um bom homem, que juntamente com a esposa foi barbaramente assassinado pelo próprio filho a golpes de facadas. Uma morte horrível para um genuíno humanista. Ou mesmo claro para qualquer homem comum. Uma grande perda para o estado, e para todos nós. 

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

MANDA QUEM PODE...

A nota do dirigente socialista de Garanhuns, praticamente chamando Zé da Luz de ingrato, foi um recado ao agora não provável postulante à prefeitura, mais ou menos nestes termos: Ou vosmecê sai da frente, ou passaremos por cima. Como o postulante tem um vistoso rabo de palha, tende a recolher-se. Não é homem de confiança do governador, e pronto. Se tentar peitar o governador será facilmente atropelado, afinal o governo deve muito saber o que está fazendo e com quem está tratando. O certo é que Zé da Luz já se recolheu, e rapidinho. Tratou logo de desmentir a articulação de uma frente anti-governo na cidade, aliando-se a Aurora-Silvino e o prefeito balconista de farmácia. Se houve, as articulações políticas viraram poeira, e o postulante que se nutre do dinheiro da pobre Caetés, está de castigo. Deve estar de joelhos com caroços de milho embaixo. Bem feito.

ROBERTO ALMEIDA E CRISTINA TAVARES


Também votei em Cristina para deputada. Foi na época da chapinha de Arraes, quando muitos dos seus desafetos não foram eleitos, sobretudo Egídio Ferreira Lima , Maurilio e outros. Cristina no meio. Quando faleceu, dizem que a família "recomendou" Arraes a não ir para o velório, nem tampouco ao enterro. Roberto Almeida está cada vez melhor como jornalista, só que hoje está mais bonitinho. Como o bicho era feio, vejam a foto.  Geneton Moraes Neto, que jogava (muito mal) bola com a gente na praia, o chamava de "homem de Neanderthal". Tudo a ver.

DE ONDE VEIO O DINHEIRO?


Li estarrecido no blog de Roberto Almeida que um dirigente do PSB afirmou que foram gastos carradas de dinheiro para derrotar o então candidato das oposições de Caetés nas últimas eleições, o sr. Lindolfo. Quem afirmou isso? De onde veio o dinheiro? Quanto foi a bufunfa? Claro, todos nós sabíamos do despejo de dinheiro na última semana das eleições, e do provável socorro do governador para eleger o prefeito da situação. Agora está provado. Compraram as eleições, e o povo agora está sofrendo com a corrupção desenfreada, e a transformação de Caetés em um feudo político familiar. E o povo sem saúde e educação. Quantos milhões do município foram gastos com eleições, para deputado e prefeito de Garanhuns? A justiça e o ministério público deviam investigar, porém estamos no Brasil.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

ATAQUE AO IRÃ


Tam-se como quase certo o ataque às instalações militares do Irã por Israel. Se isto não acontecer, os iranianos terão a bomba. Isto num estado teocrático que apóia abertamente o terrorismo dito religioso. Quarenta por cento do petróleo consumido no mundo vem daquela região. O barril já subiu 19%, e a petrobrás está subsidiando o preço da gasolina aqui no Brasil, para, detre outras coisas, segurar a taxa de juros. Logo a corda rompe, e o aumento será inadiável. Com uma grande crise internacional envolvendo a geopolítica dos países produtores, o sonho das novas classes médias tupiniquins vai por água abaixo. Milhões terão carro, mas não vão poder botar gasolina.

ESPERANDO PELA SÍRIA

Enquanto o ataque não vem, todos, principalmente os EUA e Israel, esperamn pelo desfecho da crise síria. O atual governo é apoiado pelo Irã, e dá guarida a inúmeras organizações terroristas, sobretudo as de origem palestina. Se os possíveis novos governantes sírios não forem fundamentalistas, menos mal. Assim, mais lenha na fogueira da conturbada política no Oriente Médio, que ficará cada vez mais imprevisível. Tudo isto com a crise européia, cada vez mais imprevisível. É a história se movendo, apçesar de muitos teóricos que previam a vitória final do liberalismo econômico e político no final do sangrento século XX. E com estes atores em cena, fica cada vez mais distante uma sociadade democrática e liberal global. A crise, enfim, favorece os países autocráticos ou totalitários, mais contrários à liberalização econômica global. Veremos.

ABRAÇO DE AFOGADO

Seria o fim da linha Aurora ser a vice de Zé da Luz, nas eleções em Garanhuns. O sujeito é ficha suja, e todas as suas contas em Caetés foram rejeitadas. Faz bem o governador trazer um candidato de sua confiança para a cidade. Em Garanhuns ninguém sabe quem é quem, pois a maioria dos atores não tem posição pólítica. Certamente, com exceção de Paulo Camelo, mas suas idéias são jurássicas. E ele faz questão de se manter assim.

CARLOS DO CORREIO

É o mais novo postulante à prefeitura de Caetés. É um sujeito da terra, filho do velho rubronegro Cícero Valério, já falecido, e dona Izabel, também de tradicional família na cidade. Muitos estão vibrando com sua pre-candidatura, pois Carlos é gente boa por sua competência e simpatia no trato com o povo da cidade. Tem posição politica firme, pois sempre foi oposição ao atual grupo que domina com corrupção e mão de ferro a cidade por mais de vinte anos. Ele representa msis uma grande possibilidade de renovação política na cidade. Que está precisando muito, como sabemos.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

OPOSIÇÕES EM CAETÉS

Quem apostar no esfacelamento das oposições de Caetés, está enganado. Todos estão unidos em torno dos quatro pré-candidatos que se submeterão a uma pesquisa que apontará o preferido. Enquanto os governistas procuram inutilmente escapar dos fichas-suja, todos se encontraram na casa do vereador Gordo, apoiando a decisão. Pela primeira vez em Caetés o candidato será escolhido de uma forma democrática. Os postulantes, são: Carlos do Correio, Armando, Neguinho e o próprio Gordo. São ótimos candidatos que apontam para uma inteira renovação na política caeteense. Gisele,  Lena, Vando Pontes , Galego de Zé Miúdo, Nenem de Heronides, Ratinho além do presidente do sindicato José Ferreira e outros candidatos também estiveram presentes. A insatisfação na cidade e na zona rural é grande, com o povo cansado da mais completa falência dos serviços públicos, mais notadamente da saúde, educação e segurança. O município está sucateado, e a corrupção campeia. Vamos tentar salvar Caetés de governos corruptos, cuja sem-vergonhice impera. Ademais, o que Caetés realmente precisa é de vergonha na cara.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

CARNAVAL





O carnaval tem melhorado muito nos últimos anos como festa popular. Sobretudo com a emergência do carnaval de rua, mais notadamente no Rio de Janeiro. O carnaval , de certa forma  mostra as expressões da pluralidade cultural no Brasil. Cada lugar tem suas peciliaridades, porém a safadeza é geral. É o Brasil. O povo gosta mesmo é de festa. Só as "zelites" de Garanhuns fazem beicinho para o evento. Inventam até festival de jazz. Por essas e outras o governador quer trazer um candidato de sua confiança para mudar a cidade, quem sabe trazendo investimentos de fomento ao capitalismo local. E aí teremos carnaval. E também, São João.

CARNAVAL II

Eu, particularmente já brinquei carnaval - era assim que se falava. Em Olinda, onde morava e até em Caetés, seguindo o velho Zè Cardoso, que passava os dias de momo bêbado. Bebia num penico e se pintava todo para o evento. Passava os dias bebendo, ou melhor, as noites, geralmente dormindo pelas manhãs, influenciado pelos meus primos, Breno e Sérgio Murilo, que me introduziram nas artes de beber cachaça. Todos a dar trabalho a tia Marlene, que, juntamente com Tio Hélio, adoravam a festa. Só que eles, mais sofisticados, geralmente íam para os carnavais de clubes, sobretudo o internacional. Afinal, gente fina é outra coisa. Hoje, nem gosto de ouvir falar. Sobretudo festas com milhões de pessoas pulando e se esfregando. Prefiro ficar em casa, ler e dormir.

CARNAVAL III

Sempre detestei escolas de samba. Geralmente os sambas enredo também. Tudo muito pausterizado digamos assim, com àqueles horríveis carros alegóricos. Bom são as mulheres nuas de bundas e perequitas à mostra. Seria bom trazer àqueles terroristas de Guantánamo ver os desfiles. Para eles, píor tortura não poderia existir. E o ocidente estaria salvo. Além das bundas, viados mil. Como tem, no carnaval. Mas é aí que eles gostam de se mostrar, a exibir seus ridículos trejeitos femininos. Mas também tem muito homem vestido de mulher, ademais, sem bicha, não haveria carnaval. Então, viva elas também.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

FICHAS SUJAS EM CAETÉS



Pelo jeito, todos os cidadãos que tiveram cargos como prefeito ou presidentes da câmara de vereadores na era Zé da Luz têm ficha suja. Vai ficando difícil arranjar candidatos, pois a corrupção no município é endêmica, e as negociatas políticas são feitas com alarde e à luz do dia. Quando supostamente um é comprado com dinheiro público, muitos comemoram aberta e alegremente. Fogos são efusivamente soltados, até parecendo final de copa do mundo. O principal mentor das negociatas é considerado um "gênio" da política pelo poder,digamos de "articulação". E o povo continua sem concurso público há mais de uma década, os funcionários contratados são meros cabos eleitorais, e tem muita gente vivendo às custas da prefeitura sem trabalhar, sobretudo os da enorme família do ex prefeito. Nada mudará, enquanto o povo não despertar. Porém , pelo menos muitos ladrões vão ficando pelos caminhos da inelegibilidade. Deviam, mesmo é ir para a cadeia.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

QUESTÃO RELIGIOSA



Um dos fatos marcantes da atualidade, é o crescimento das ingrejas protestantes. Geralmente, estão crescendo muito, juntamente com a ascensão das chamadas novas classes médias no cenário. Eram sete por cento da população, há uns quarenta anos, e agora beiram os vinte. Em sua grande maioria são pentecostais, ou seja, crêem e pregam a cura de doenças através da fé, dentre outras coisas. São ativos militantes da fé, e geralmente arrebanham seus fiéis além da nova classe média, inúmeros integrantes do lumpesinato, as camadas mais pobres da população. Por sua natureza, são conservadores. Defendem ardorosamente o sucesso econômico e profissional através da fé, e unúmeros pastores tem ocupado a mídia recentemente, debatendo temas como o aborto e o homossexualismo, por exemplo. Com o processo de esquerdização da Igreja Católica, eles vão ocupando os espaços, apesar dos inúmeros esforços de Bento XVI ao lado do conservadoriamo católico para reverter, ou pelo menos estancar a migração de fiéis para as igrejas protestantes. Esta reação é caracterizada pelo surgimento dos carismáticos e de grupos como a canção nova. Todos militantemente contra o aborto e o homossexualismo. Ademais alguém gostaria que os cristãos fossem a favor?

O PT E AS CHAMADAS MINORIAS

Lula foi eleito pelo grande eleitorado conservador. Lula e Dilma. Alguém duvida? Só quando jogou no lixo ou escondeu debaixo do tapete os programas esquerdizantes do partido, é que Lula e o PT ganharam eleições. Todavia, no processo de formação, o partido sempre foi um ferrenho defensor de minorias, que aliás, sempre foram muito militantes em seu interior. Agora, quando Dilma chama sua antiga amiga de militância e de cárcere uma cidadã chamada Eleonora Menicucci para o ministério da mulher, que é não só a favor do aborto, como diz abertamente que já teve dois, a política pode ser nitroglicerina pura, com dois temas que poderiam ser evitáveis. Também tem Fernando Haddad, candidato a prefeito de São Paulo, que, quando no ministério, foi um dos responsáveis pelo chamado Kit gay nas escolas, depois devidamente retirado de circulação pelas polêmicas causadas. Com esta atitude, o governo arrumou sarna para se coçar. E pode perder as eleições na cidade de São Paulo. De novo. Os conservadores, evangélicosw à frente, já a chamam de "ministra do aborto". Parece que o estrago já foi feito. Veremos.

CATÓLICOS

Um dos maiores problemas da Igreja Católica, é certamente a pedofilia, e consequentemente o homossexualismo na igreja. Que aliás sempre existiu, só que não nestas proporções. Talvez seja a hora de repensar o celibato. Porém o chamado alto clero nem quer ouvir falar, por isso fica tudo como está. Apesar dos grandes esforços do papa para resolver estas questões.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

A VEZ DA SIRIA


A síria é um pais em fanca convulsão. O regime é uma horrenda ditadura que já passou de pai para filho. Hoje, Internacionalmente, só tem  apoio de China e Rússia. A primeira surgindo como protagonista na cena internacionmal. A segunda, tentando inutilmente reviver os tempos de glória da guerra fria, quando era União Soviética, de triste memória. Só uns malucos latino - americanos ainda a admiram, com a devoção a Cuba. Sim, tem o Irã, que mantém em seu território os terroristas do Hamas e Hesbolah. Aliás o irã é hoje o principal sustentáculo do regime. Que está dando um verdadeiro banho de sangue naquele sofrido povo.

RADICALIZAÇÃO RELIGIOSA

Todos os movimentos inssurrecionais nos psíses árabes-mulçumanos podem redundar em ditaduras islâmicas. Nunca se matou tanto cristãos e outras minorias religiosas como hoje no Egito. A conhecida irmandade mulçumana funciona há décadas, e prepara o bote para a islâmização do estado. Tudo num processo estrategicamente calculado. Israel está cada vez mais isolado, e murmura-se um ataque ao Irã , mais especialmente nas suas instalações nucleares.  Porém, perdendo a Síria, dependendo da conjuntura política, perdem os fundamentalistas iranianos, que não são nem árabes , mas persas, e não de maioria sunita como a maioria dos países árabes, mas chiita. Dependendo das circunatâncias, o ataque será inevitável, obstruindo quem sabe, o fornecimento mundial de petróleo, Neste caso, adeus estabilidade na já instável conjuntura internacional.

GUANTÁNAMO

A presidenta, para fugir do debate sobre os dirteitos humanos em Cuba, citou Guantánamo. Se fosse no Brasil, os terroristas teriam progressão de pena? E se eles explodissem alguns prédios em Brasília ou em São Paulo? Seriam tratados a pão de ló? Dariam palestras em nossas universidades de mentirinha? Por falar nisso, a polícia baiana em greve, matou, pelo menos vinte pessoas pobres os chamados indigentes. à queima roupa, sem direito à defesa. Uns pobres coitados, vítimas permanentes da nossa conhecida e covarde violência policial. O que Dilma e os petistas falaram destes pobres e anônimos mortos? Nana. Nadinha. Mortte de pobre não dá ibope. Nem peroração de sociólogo de botequim.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

BUROCRACIA





Quanto custa a burocracia para o país? Meu irmão é deficiente físico e precisa comprar um carro automático, com descontos, como reza a lei. Pois fazem cinco meses que o mesmo labuta nas repartições, sejam federais ou estaduais, e até agora, nada. Uma ocasião ele foi convocado ao Recife, para levar as cópias das carteiras de identidade e CPF. Será que não tinha uma forma mais moderna de enviar estes documentos? Agora os documentos dormitam na receita federal. Deus sabe quando, mas vão ter que passar pela receita estadual, por causa da isenção de impostos. Depois ainda vem a burocracia das agências. Algumas marcas demoram mais, dizem. Outras menos. Tudo isso para beneficiar um deficiente, que como tal, precisa urgentemente de um automóvel. Este é um dos aspectos do chamado custo Brasil. O chamado serviço público, serve a muita gente decerto, menos ao público. Por isso todo mundo quer ser barnabé. Ganha dinheiro enchendo o saco do povo, e suas funções, são sempre imprescindíveis à nação , segundo o discurso corporativo. Esta situação perdura desde os tempos coloniais. Podbe Brasil, diria o velho Décio Pignatari.

O OVO DA SERPENTE

Já foi detectado há anos, e ninguém toma providências. Este movimento sindical das polícias ainda vei gerar uma grande crise, diante da inação governamental. Ou o governo age com firmeza, sobretudo no campo institucional, reavaliando e lei de greve no serviço público, ou os problemas vão surgindo de forma piorada. Pela unificação das polícias e desmilitarização das polícias estaduais. Proibição de greve ou movimento sindical nos setores de segurança, e saúde. Seria um bom começo. Mas, cadê governo? Mas os governos petistas são ruins mesmo para fazer. Só fazem copiar, e mal.

PRIVATIZAÇÕES

Agora é bacana privatizar. Mas seria melhor começar pela petrossauro. Depois, o Banco do Brasil. As universidades federais e estaduais. Os bancos regionais. As rodovias, aeroportos e portos. O governo passaria a cobrar impostos e fiscalizar, e os serviços melhorariam. Quem duvida? Certamente a gasolina viria de melhor qualidade, e quem sabe, mais barata? Viram , como tem muita coisa ainda para vender?

COMUNISTAS

Perguntei a um querido tio que mora em Santos, se ele era ainda comunista. O bicho ficou brabo, e me disse que no dia em que avistasse Lula o chamaria alto sonante, de traidor. O problema não é Lula trair, afinal ele nem sabe mesmo direito o que vem a ser socialismo. O danado é o meu tio ter acreditado tanto tempo em nele e no PT. Quantos velhos comunistas não se sentem traídos por Lula? São as viúvas de sempre. Porém, segundo o finado meu avô, ele gosta mesmo é de um capitalismozinho. Ou seja, é um burguês enrustido. E ainda torcedor do náutico. Pode?


domingo, 12 de fevereiro de 2012

Vivendo e aprendendo - PEDRO S. MALAN



A grande maioria da população, em qualquer país do mundo, está de tal forma assoberbada pelos afazeres e pelas responsabilidades do dia a dia de sua vida privada que não tem tempo para o cultivo da memória do passado, não tem muito interesse em problemas coletivos de médio/longo prazo à frente, tampouco tem tempo e paciência para detalhes de discussões técnicas ou excesso de informações estatísticas.

Isso não impede, contudo, que, por vezes, se forme uma "opinião popular" a respeito de determinados temas, opinião essa que pode, sim, ser influenciada pela "opinião pública", que se forma e se transforma pelo debate aberto entre os que têm memória, interesse em problemas à frente e que estejam dispostos a investir tempo no debate público.

Mas, como notou Albert Hirschman, "muitas das pessoas que participam destes debates têm apenas uma opinião inicial, aproximada e um tanto incerta sobre as questões de políticas públicas envolvidas. Não obstante o ar de convicção com que anunciam suas opiniões, as posições mais articuladas surgem apenas através do debate - cuja função é desenvolver novos argumentos, bem como obter novas informações. Como resultado, posições finais podem estar a alguma distância das opiniões originalmente mantidas - e não apenas como resultado de compromissos políticos com forças opostas".

Nós, brasileiros, sabemos que isso aconteceu no Brasil. Uma oposição barulhenta e por vezes irresponsável foi obrigada a mudar gradualmente quando passou a assumir, democraticamente, responsabilidades de governo. O discurso da ruptura necessária, a falsa certeza de um superior modo de governar, a pretensa superioridade moral e o maniqueísmo entre o "nós" e "eles" e do famoso "a opinião pública somos nós" tiveram de ceder lugar à responsabilidade e ao pragmatismo necessários ao ato de governar, para todos.

Muitos de nós, brasileiros, sabemos que a gradual desconstrução da herança que o lulopetismo construiu para si nas duas primeiras décadas teve início com o processo que levou ao crucial parágrafo da carta-compromisso de junho de 2002 e à civilizada transição de Fernando Henrique Cardoso para Luiz Inácio Lula da Silva. E continuou com a preservação das linhas básicas dos regimes monetário, fiscal e cambial, com o fim das críticas abertas ao Proer (na verdade, oferecido publicamente por Lula a George W. Bush). A lista é longa. Mas o que importa é que esse processo continua, como mostram as privatizações da semana passada.

A esse respeito vale notar que muitos dos que (como eu) defenderam as mudanças constitucionais realizadas em meados dos anos 1990, bem como o subsequente regime de concessão da Lei do Petróleo de 1997, não o fizeram por motivações de natureza político-ideológica. A posição que tínhamos era de um pragmatismo responsável que havia chegado à conclusão de que o volume de investimento que o Brasil (não o governo FHC) precisava realizar a médio e a longo prazos nas várias áreas de infraestrutura era de tal magnitude que simplesmente não poderia ter lugar apenas com os gastos governamentais e de empresas e bancos públicos. Era imperativo, portanto, abrir oportunidades, então vedadas ou restringidas, ao setor privado (doméstico e internacional), pensando no desenvolvimento do País.

Pois bem, o lulopetismo conseguiu o feito de, ao mesmo tempo que se beneficiava, como governo, dos resultados do processo de privatização, apresentar esse processo como uma dilapidação do patrimônio do povo brasileiro, que caberia interromper e denunciar ad nauseam. As oposições atuais não foram capazes - ou não o desejaram - de enfrentar abertamente essa discussão. Ao contrário, não só a evitaram, como tiveram, a meu ver, um discurso defensivo, quando não equivocado, nas eleições de 2006 e de 2010.

O que o governo Dilma Rousseff fez, após anos e anos de hesitações durante o governo anterior (devidas a controvérsias entre seus inúmeros facções, correntes e movimentos), foi exatamente chegar à mesma conclusão a que havíamos chegado há mais de 15 anos para outros casos: não havia futuro para os grandes aeroportos brasileiros com a continuidade do "modelo Infraero". Nem na gestão nem na capacidade de realização eficaz dos investimentos absolutamente necessários, após anos de negligência, ineficiência e procrastinação.

O presidente da Odebrecht Infraestrutura, que integrou um dos consórcios que disputaram os leilões da semana passada, disse em entrevista ao jornal O Globo acreditar que está em curso "uma evolução do modelo estatal antigo". E também que acredita que "o modelo de parceria público-privada no qual a Infraero fica com 49% das novas empresas é temporário, embora importante para romper com o paradigma dos aeroportos estatais". E mais: "Gradualmente, o governo perceberá que não faz mais sentido direcionar recursos públicos escassos para áreas em que o Estado precisa estar mais presente, como a educação e saneamento". Espero que ele tenha razão.

Quero concluir com uma observação sobre a expressão, que virou uma espécie de mantra, repetido à exaustão e de forma eloquente por lideranças políticas e econômicas dos mais variados países para demonstrar sua férrea determinação de superar não apenas dificuldades existentes, como expectativas de quaisquer dificuldades futuras: "Faremos tudo o que for necessário para"... (a lista é longa).

Isto vai do "Yes we can" norte-americano ao "Whatever it takes..." europeu e ao típico do nosso governo: "Não permitiremos que..." (a lista é longa). O penúltimo filme de Woody Allen tinha como título, em inglês, a expressão Whatever Works (o que quer que funcione). A tradução desse título para o português foi mais alentadora: Pode Dar Certo. Estaremos torcendo para tal, pensando, na observação de Hirschman, no que já avançamos e no muito que ainda falta por avançar.


Debate tolo - MIRIAM LEITÃO


Uma discussão ociosa surgiu depois da privatização dos aeroportos: quem privatiza melhor, PT ou PSDB? O PT, que usou eleitoralmente a privatização como sinônimo de roubo do patrimônio coletivo, fez o que condenava. Os processos foram parecidos, têm virtudes e defeitos. O Brasil tem muita necessidade de investimento em infraestrutura e está na hora de um debate mais maduro. A ideia de que o governo Fernando Henrique fez privatização e o PT faz apenas concessão é tola. Uma siderúrgica se vende. Um serviço público se leiloa a concessão. Foi assim na telefonia, energia, estradas, aeroportos. Houve erros em todos os leilões — de qualquer governo — e o mais recorrente é o dinheiro público ajudar a pagar o que o setor público está vendendo. Nas privatizações de FH, o BNDES financiou os compradores com dinheiro subsidiado. No leilão da última semana, os altos ágios serão pagos pelas Sociedades de Propósito Específico que serão criadas pelos consórcios vencedores com a Infraero. A estatal terá 49%. Como ela será parte da empresa que vai pagar a conta ficará na estranha situação de ter parte de suas receitas usada para pagar por um ativo que antes era 100% dela. A maior virtude em todos os processos é o pragmatismo. Em vez de ter enormes prejuízos fabricando aço e usar dinheiro do Tesouro para capitalizar siderúrgicas, o governo passou a receber impostos sobre lucros crescentes de empresas que passaram a ser mais bem administradas. Em vez do absurdo atraso nas telecomunicações, vender as concessões para que novas empresas, mais ágeis, atendessem à explosiva demanda por telefone. Foi o que o governo FH fez, felizmente. É a mesma esperança com os aeroportos. O Brasil está engargalado e precisa de novas empresas, inclusive internacionais, ajudando a remover os obstáculos ao crescimento. No caso dos aeroportos, o melhor era mesmo privatizar os mais rentáveis. É o que o governo Dilma está fazendo. O Brasil precisa de uma montanha considerável de dinheiro para se tornar um país eficiente do ponto de vista logístico. O Instituto Ilos fez um estudo que divulguei esta semana no "Globo a Mais" mostrando que o país precisará investir R$ 900 bilhões para chegar ao patamar dos Estados Unidos em infraestrutura. O professor Paulo Fernando Fleury explicou que se o país investir 2% do PIB em rodovias, portos, aeroportos e ferrovias durante 25 anos conseguirá chegar ao nível de hoje dos americanos.

— Isso não é impossível porque em 1975 o Brasil investiu 1,8%. Atualmente está investindo 0,8% — disse Fleury.Entre 2004 e 2010, o transporte de mercadorias por aviões aumentou 26%. Pelas rodovias, 23,6%; pelas ferrovias, 35%. O transporte aéreo de passageiro tem crescido a uma média de 10% ao ano. Temos exigido cada vez mais de todas as malhas de transporte do Brasil, e o Estado sozinho não consegue acompanhar.O presidente da Infraero, Gustavo do Vale, me disse, em entrevista na Globonews, que a privatização foi feita dentro da equação financeira para que a empresa possa ter receitas para cuidar de outros aeroportos, grande parte deles deficitários, mas importantes para o país. A Infraero fez a projeção de crescimento da demanda para os próximos 30 anos e descobriu que só na região da Grande São Paulo será necessário um novo aeroporto com a dimensão de Guarulhos, para atender 30 milhões de usuários. A infraestrutura terá que crescer espantosamente nos próximos anos, e por isso o monopólio estatal da Infraero era insustentável.O Galeão, explicou Gustavo do Vale, é tão velho que há dificuldade de encontrar peças de reposição. Tem 70 escadas rolantes, 65 elevadores, está sendo readequado e ampliado para demandas imediatas.                                                                                                                                                  — O Galeão é importante para o Brasil, não apenas para o Rio. Temos daqui a alguns meses a Rio+20. Em 2013, teremos a Copa das Confederações e a vinda de talvez dois milhões de jovens católicos para o encontro com o Papa — afirmou Gustavo.Há várias emergências como essa no nosso sistema aéreo. O Galeão não foi privatizado, nem se sabe se será. Mas deveria. Tudo pode ficar mais claro quando sair o Plano de Outorgas que vai disciplinar toda a aviação civil brasileira, em que há vários vácuos como o que ocorre com os 3.500 aeródromos do país, hoje funcionando de forma precária. Alguns terminais serão entregues aos estados e municípios. Enfim, tudo começou a mudar a partir do leilão da semana passada.Houve pontos fracos no processo. De novo, os fundos de pensão de estatais foram chamados a salvar a pátria. São os donos de Guarulhos. Quem vai se dar bem são os sócios privados, já que terão dinheiro do BNDES para os  investimentos e os fundos como garantia de capital. Há dúvidas sobre a solidez dos consórcios que compraram Brasília e Vira-copos, mas até o dia 17 a documentação que entregaram vai ser avaliada pela Comissão de Licitações. Privatização e concessão são instrumentos normais para a gestão de um país complexo como o Brasil. Está na hora de o debate amadurecer no país. Há necessidades urgentes e perigosos obstáculos pela frente. E não temos  tempo a perder com discussões ociosas.



Um sonho que acabou - FERREIRA GULLAR


Nenhum defensor do regime cubano desejaria viver num país de onde não se pode sair sem permissão É com enorme dificuldade que abordo este assunto: mais uma vez -a 19ª- o governo cubano nega permissão a que Yoani Sánchez saia do país. A dificuldade advém da relação afetiva e ideológica que me prende à Revolução Cubana, desde sua origem em 1959.Para todos nós, então jovens e idealistas, convencidos de que o marxismo era o caminho para a sociedade fraterna e justa, a Revolução Cubana dava início a uma grande transformação social da América Latina. Essa certeza incendiava nossa imaginação e nos impelia ao trabalho revolucionário.Nos primeiros dias de novo regime, muitos foram fuzilados no célebre "paredón", em Havana. Não nos perguntamos se eram inocentes, se haviam sido submetidos a um processo justo, com direito de defesa. Para nós, a justiça revolucionária não podia ser questionada: se os condenara, eles eram culpados.E nossas certezas ganharam ainda maior consistência, em face das medidas que favoreciam aos mais pobres, dando-lhes enfim o direito a estudar, a se alimentar e a ter atendimento médico de qualidade. É verdade que muitos haviam fugido para Miami, mas era certamente gente reacionária, em geral cheia da grana, que não gozaria mais dos mesmos privilégios na nova Cuba revolucionária.Sabíamos todos que, além do açúcar e do tabaco, o país não dispunha de muitos outros recursos para construir uma sociedade em que todos tivessem suas necessidades plenamente atendidas. Mas ali estava a União Soviética para ajudá-lo e isso nos parecia mais que natural, mesmo quando pôs na ilha foguetes capazes de portar bombas atômicas e jogá-las sobre Washington e Nova York. A crise provocada por esses foguetes pôs o mundo à beira de  uma catástrofe nuclear.Mas nós culpávamos os norte-americanos, porque eles encarnavam o Mal, e os soviéticos, o Bem. Só me dei conta de que havia algo de errado em tudo isso quando visitei Cuba, muitos anos depois, e levei um susto: Havana me pareceu decadente, com gente malvestida, ônibus e automóveis obsoletos.Comentei isso com um companheiro que me respondeu, quase irritado: "O importante é que aqui ninguém passa fome e o índice de analfabetismo é zero". Claro, concordei eu, muito embora aquela imagem de país decadente não me saísse da cabeça.Impressão semelhante -ainda que em menor grau- causaram-me alguns aspectos da vida soviética, durante o tempo que morei em Moscou. O alto progresso tecnológico militar contrastava com a má qualidade dos objetos de uso. O que importava era derrotar o capitalismo e não o bem-estar e o conforto das pessoas. Mas os dirigentes do partido usavam objetos importados e viam os filmes ocidentais a que o povo não tinha acesso. Se a situação econômica de Cuba era precária, mesmo quando contava com a ajuda da URSS, muito pior ficou depois que o socialismo real desmoronou. É isso que explica as mudanças determinadas agora por Raúl Castro. Mas, antes delas, já o regime permitira a entrada de capital norte-americano para construir hotéis, que hoje hospedam turistas ianques, outrora acusados de transformar o país num bordel. Agora, o governo estimula o surgimento de empresas capitalistas, como o faz a China. Está certo desde que permita preservar o que foi conquistado, já que a alternativa é o colapso econômico.Tudo isso está à mostra para todo mundo ver, exceto alguns poucos sectários que se negam a admitir ter sido o comunismo um sonho que acabou. Mas há também os que se negam a admiti-lo por impostura ou conveniência política.Do contrário, como entender a atitude da presidente Dilma Rousseff que, em recente visita a Cuba, forçada a pronunciar-se sobre a violação dos direitos humanos, preferiu criticar a manutenção pelos americanos de prisioneiros na base aérea de Guantánamo, o que me fez lembrar o seguinte: um norte-americano, em visita ao metrô de Moscou, que, segundo os soviéticos, não atrasava nunca nem um segundo sequer, observou que o trem estava atrasado mais de três minutos. O guia retrucou: "E vocês, que perseguem os negros!".A verdade é que nem eu nem a Dilma nem nenhum defensor do regime cubano desejaria viver num país de onde não se pode sair sem a permissão do governo.



lADROAGEM NA PREVIDÊNCIA DE CAETÉS


Deu no blog do Jamildo que o Tribunal de Contas do Estado juntamente com o TCE, mais o ministério público e a polícia federal estão investigando a fundo a situação das previdências dos nossos municípios. Caetés é um dos que tem a previdência quebrada, sobretudo nos últimos vinte anos. O fundo previdenciário da cidade está quase sem um vintém. Descontam a taxa do funcionário e não repassam ao INSS. Logo os aposentados não terão dinheiro para seus salários prejudicando seriamente a previdência. Ademais, alguns aposentados no município recebem suas aposentadorias como funcionários encostados. A corrupção em Caetés envolve milhares de pessoas. Enquanto alguns enricam ilicitamente a olhos vistos, outros até se vangloriam de receber proventos sem trabalhar. Aqui é conhecido pelo popular mensalão que são entregues em envelopes pardos. Os que trabalham são contratados e permenentemente vigiados. Qualquer deslise são sumariamente demitidos, como manter relações de amizade com membros da oposição. Dizem que um humilde cidadão perdeu o cargo de diretor de coisa alguma por ter ido assistir ao jogo do palmeiras na casa de um colega da oposição. E vida as oligarquias!


MAIS PERIGO À VISTA


Leio nos blogs que os policiais civis organizam uma greve nacional pela implantação de um piso nacional. Agora, a polícia federal quer também se organizar para entrar em greve. É preciso uma ação conjuunta e firme do governo para votar a lei que limita as greves no funcionalismo público. Isto é uma bomba de efeito retardado. E se todas as polícias articularem um movimento nacional? Chamaremos o exército, juntamente com a decantada guarda nacional e seus trezentos homens? Ou solicitaremos as polícias de nossos vizinhos, como Paraguai e Bolívia?

JUÍZES PRIVILEGIADOS

Os juízes, além de ganharem muito dinheiro e mordomias, não são demitidos. São aposentados compulsoriamente. O sujeito rouba, prevarica, enriquece ilicitamente. Se pego, recebe um prêmio de uma gorda aposentadoria. Só no patrimonialista e corporativista Brasil. Um primo que passou um ano na Alemanha, me disse que um juiz por lá, ganha cerca de cinco mil euros, ou seja, dez mil contos de réis. Quando se aposenta o salário diminui. Bem, digamos que a Alemanha á um país pobre...Me digam, parcos leitores: Dez mil já não é muito dinheiro? Aqui e na Alemanha?

SEGUNDA TRANSIÇÃO

Depois da transição democrática, precisamos urgentemente de um aperfeiçoamento institucional. Sobretudo com a estabiliazação econômica e a necessidade de inserção do Brasil realmente no mundo global. Precisamos de reformas, e liberais. Construção de um novo pacto federativo, as refomas, política, judiciária, previdernciária, tributária, enfim. Seria, numa visão marxista, um processo de adequação de novas estruturas econômicas ascendentes com o capitalismo, em contradição com as arcaicas superestruturas política, jurídica e ideolígica herdadas desde os tempos do varguismo.

EDUCAÇÃO E SEGURANÇA

Na educação não é preciso reinventar a roda. É preciso disciplina, boa formação para os professores e salários. Estes intimamente ligados à meritocracia. E com o afastamento radical da política partidária da educação. Hoje uma das piores profissões do país é ser professor. Enfrentar hordas de alunos analfabetos e ignorantes, num clima de indisciplina geral. Como, dar aulas com todos ou quase todos conversando? Como enfrentar o descomprometimento amplo e geral das famílias com a educação? Como enfrentar meninos e moças, bem nutridos fisicamente, mas ignorantes, digamos de pai e mãe. Ou seja, sem uma devida educação familiar? É preciso o comprometimento de todos com educação, sobretudo a família. E não querer jogar tudo nas costas dos pobres professores. Estes, as principais vítimas de pedagogias ideologizadas e por isso mesmo equivocadas.

RANÇO STALINISTA

O velho e corrupto PC do B não resistiu, mandando pêsames pela morte de Kin Jon Il, o "grande timoneiro " do regime norte-coreano. Ai que saudades de Mao Tsé Tung, que quase acaba com a China e o povo Chinês na década de sessenta, século XX. Foram expurgadas, ou seja , excomungadas do partido cerca de cem milhões de pessoas. Isto mesmo, cem milhões! Ser expurgado do partido naquela época, era a mesma coisa que ser expulso da sociedade ou mesmo do convívio social. Professores e intelectuais foram os mais perseguidos, pois repositórios, digamos assim, da chamada decadente cultura burguesa. Se expulgado significava sobretudo à fome. Era comum naquela época dar um bom dia com as seguintes palavras: Você já comeu hoje? A fome metou também milhões pela desestruturação da economia provocada por Mao, a quem os chineses hoje odeiam. Com muita razão. Apesar da falsa propaganda oficial. O PC do B quis fazer nossa revolução maoísta nas selvas do Araguaia, lá pelos idos dos anos setenta. João Amazonas seria nosso "timoneiro". José Genoíno o comissário das finanças. Uma beleza!


sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

JARBAS



Mostrando sua experiência como oposicionista, desde os tempos da ditadura, Jarbas bateu forte no governo. Humberto Costa, que presidia a sessão, quase teve um troço. Muito bom o posicionamento do senador pernambucano, tentando mostrar como se faz oposição. Criticando o governo. Porém é preciso formar no país um grande e sério partido conservador de feições nitidamente liberais. Seja do ponto de vista político, como econômico. Um partido radicalmente comprometido com a democracia e o capitalismo, com a construção de controles cada vez mais efetivos dos cidadãos soibre o estado. Abaixo estes cacarecos ideológicos que teimam em não privatizar nossa infra-estrutura, condenando o país a mais anos de atraso. Chega de mandonismo e patrimonialismo estatal. Mas ressaltemos, Jarbas nem é tão liberal assim. Mas cada vez mais tenho orgulho do meu voto.

ESTATAIS E PPP

Enquanto a transnordestina deve ficar pronta em 2015,  as obras de transposição do rio São Francisco continuam a passo de cágado. A transnordestina que vai interligar boa parte do nordeste, está sendo tocada em sistemas de parcerias público-privadas, enquanto a transposição com dinheiro do PAC, ou seja, só do governo. Só que as empresas privadas tem capitais minoritários no projeto. Por isso é preciso abrir radicalmente. Se el gobierno não pode fazer, poe que impedir que outros façam? Vejam como o estado é um empecilho para o desenvolvimento das chamadas forças produtivas? Marx mandaria este governo para o inferno das cuias.

COMUNISTAS

Só na América Latina tem comunistas, ainda. Taí uma das razões do nosso atraso. No caso do Brasil, o governo é meio de mentirinha, pois governam com mananciais teóricos conservadores, digamos assim. Assim como o Uruguay, e quem sabe o Peru, que seguem, mais ou menos, o "modelo" petista, ou melhor, lulista de governar. Menos mal. Mas o povo, é mesmo conservador. Amam o Lulinha paz e amor, com temperos e tolerâncias mil à corrupção, não o pretenso "revolucionário" do passado recente.

COMUNISTAS II

Já fui comunista na juventude. E dos radicais. Li boa parte do principal da literatura socialista do sangrento século XX. Marx, Lênin, Plekhanov, Gramsci, e, principalmente Trotski. Ao conhecer os escritos de Gramsci , enviesadamente, comecei a olhar criticamente o modelo socialista. Já na redemocratização, Paulo Francis, ex-trotskista na juventude, além é claro de outras leituras mais críticas, como Roberto Campos e Hannah Arendt, além de muitos escritos históricos, sobretudo o também comunista Hobabawn, me fizeram perceber o monstrengo que era o chamado socialismo real. Hoje me considero um liberal radicalmente democrata, defensor do estado liberal e capitalista. As grandes utopias do iluminjismo do século XIX, redundaram em estados totalitários ou autoritários e terroristas, ceifando a vida de formas mais vis e covardes, milhões de inicentes cidadãos.

 PERIGO À VISTA

Os policiais militares se mobilizam em favor da greve no estado do Rio de Janeiro. Defendo o estado de sítio e a punição exemplar de todos os envolvidos, com o envio de um projeto urgente regulamentando a greve, sobretudo no setor público do país. Principalmente, os essenciais. Categoria armada não pode entrar em greve. Logo eles vão querer sitiar os presidente da rapública, como já fizeram com inúmeros governadores, como o velho Arraes na última vez que governou Pernambuco. Se o movimento está se alastrando , é preciso radicalizar. Na oposição o PT era a favor da baderna, e contra a constituição. No governo é outra história.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

LINDOLFO, O NEUTRO



A coisa mais difícil na política é a neutralidade, simplesmente porque ela não existe. Se você não é de oposição, mesmo não se manifestando, você concorda, de certa forma com "o status quo". Ou seja, com os poderosos de plantão. O velho pudê. Lindolfo diz que vai ficar neutro nas eleições de Caetés, porque diz, por várias razões  não poder concorrer. Será que ele não pode nem dar um reles apoio formal a muita gente que brigou por ele nas últimas eleições? Vem com essa história de neutralidade? Será uma grande covardia, não lutar, nem tampouco pedir pelos velhos companheiros, ademais muitos lutaram e até brigaram por ele. Ou será mesmo que houve um acordo mesmo dele com o grupo dominante? Esta é a pergunta de todos os caeteemses,. sobretudo os que nele votaram fazem.

CONVERSAS NAS RUAS

Tirando Lindolfo, o grupo dominante acha que já ganhou as eleições em Caetés. Segundo alguns, sairia mais barato Zé da Luz comprar Lindolfo, do que gastar muito contra ele nas eleições. Se for verdade, é tramóia de crápulas, e com  dinheiro meu, nosso , que é da prefeitura como de costume. Pelo acordo comentado, Lindolfo deverá ficar calado, e se afastar completamente das eleições. Justamente o que ele disse no rádio. Se verdade, uma vergonha. No momento em que escrevo, áulicos pagos pela prefeitura soltam bombas pela cidade já comemorando a vitória. Estão vendo como fazem política em Caetés? Tudo muito caro, mas com dinheiro público, decerto.

ANTES TARDE...


O senador Humberto Costa, mesmo  tardiamente, propôs ao congresso a regulamentação do direito de greve, mais especialmente nos serviços essenciais. Antes as incitava, como a grande maioria dos petistas, mas quem tem telhado de vidro não atira pedra no dos outros, reza o ditado popular. Já faz tempo estão no poder, e nada fizeram. Bom para eles mesmo seria em Cuba, onde os sindicatos são proibidos, pois quem manda mesmo é o partido comunista. Aqui existem, tutelados pelo estado ,fazendo a alegria das inúmeras máfias sindicais que operam no país, e de onde saiu o mito mor, Lula. Mas este negógio de médico e policial entrar em greve, é um atentado aos mais básicos direitos dos cidadãos. Que naturalmente já sofre com as deficiências do sistema de saúde e da segurança.

BRASIL DE ONTEM

Quebra pau nas linha suburbanas de trens do Rio de Janeiro. Como não podem reclamar nem ao bispo, o povo parte para o quebra quebra. Desde os tempos da ditadura é assim. E o transporte público continua uma desgraça. Estado só é bom mesmo para os burocratas, os cleptocratas de sempre. Não temos estradas, aeroportos , portos, hospitais nem cadeias. E ainda são contra as privatizações. Agora nem tanto, com a privatização de aeroportos de São Paulo e Brasília. Porém, seria preciso muito mais. Seria interessante começar pela petrossauro, como a batizou o saudoso Roberto Campos. Mas essa turma não é do ramo. Querem mesmo é roubar do estado. A população que se dane.

ELEIÇÕES EM GARANHUNS

Muitas fofocas, e poucas propostas. Muito cacique para pouco índio. Uma vergonha. Todos morrem de medo do governador, e torcem contra a candidatura do ex prefeito de Lagedo para pegarem o apoio governamental. Isso porque todos conhecem os poderes da máquina pública. De Garanhuns, o governador só confia mesmo em Ivan Rodrigues, que pela idade não teria disposição para tal empreitada. Enquanto isso, as fofocas. Talvez o candidato governamental aumente sua popularidade, de tanto baterem nele. Porém, ele é o candidato de confiança do governador , e pronto. Alguém duvida?

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

GREVES FARDADAS


É um verdadeiro perigo para a democracia a greve nas polícias. Gente fardada e armada, não deverria, pela constituição, entrar em greve. Não só os setores fardados , mas também os setores considerados essenciais, como hospitais, sobretudo nos setores de emergência, e de tratamento intensivo. Infelizmente, a constrituição não regulamentou ainda a greve nos setores considerados essenciais. E a população, já sem segurança com a polícia, fica no pior dos mundos, como hordas de delinquantes, roubando pessoas e estabelecimentos comerfiais dos mais diversos mesmo à luz do dia. A greve já pipocou no Ceará. e agora na Bahia. Teme-se que o movimento alcance dimensões nacionais, pois tramita no congresso a unificação salarial dos policiais, ,o que quebraria de vez o estado.

REFORMA DAS POLÍCIAS

É necessário uma ampla reforma nos aparelhosm de segurança dos estados. Unificação das polícias, e controle civil. Fim da militarização das polícias. Reforma no judiciário, no sistema carcerário e prisional.  Ajuste nas leis. Latrocina, asssassino, crimes hediondos de uma maneira geral, inclusive contra o sistema financeiro, não deveriam ter comutação de pena. Além de ineficientes, as polícias são caras e a corrupção anda solta. Até as pedras sabem disso. Depois de baixada a poeira, novos casos de insubordinação surgirão. Até quando?

BEM FEITO

O atual governador da Bahia, àquele que parece andar sempre com cara de ressaca, Jacques Wagner, não só instigou, como ajudou intensivamente no processo de mobilização das forças políciais em greve contra o então governador carlista Paulo Souto. Agora está do outro lado do balcão mordendo a ligua pelas besteiras que fez e falou no passado recente. Bem feito. Quem mandou ser irresponsável, isto para dizer o mínimo? Agora, tenta dar uma de responsável , negociando para apagar os incêndios.

ZÉ DA LUZ

Pergunta-se sempre na região, sobretudo para quem conhece a política de Caetés, quando vem a condenação do ex prefeito e seu grupo metido em diversas falcatruas muitas vezes denunciadas pelos cidadãos da cidade? Falência da previdência municipal, não realização de concurso para manipular os votos dos contratados no cabresto. Enriquecimento ilícito de membros a família do prefeito e pessoas ligadas à corrupçção muninicipal. Será que quem segura tudo é mesmo o Governador Eduardo Campos, como falam na cidade?  Não creio, mas dá para desconfiar. Cadê a justiça, o ministério público, e os órgãos competentes?

LINDOLFO DESISTE

Como publiquei aqui anteriormente, Lindolfo não será mais candidato a prefeito de Caetés. Disse estar cansado, e com um processo nas costas tornando-o inelegível. E sem vontade política, sem a qual ninguém nada faz. É uma pena, pois muitos apostavam nele. Porém as oposições estão unidas em nome de uma pessoa escolhida democrarticamente através de pesquisas. Neguinho, Armando , Carlos do Correio, Gordo de Zé de Sinhozinho, e tem vaga para mais. Todos se comprometerão em apoiar o nome escolhido. Esperamos que Lindolfo nos retribua pelo menos como seu apoio. A neutralidade significaria um acordo com os homens do poder, o que macularia de vez o fim de sua carreira política.  Vamos conferir.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

PEDRA NO CAMINHO


O famoso escândalo dos precatórios é um antigo calo na pretensa carreira política nacional de Eduardo Campos. Um órgão técnico do banco central declarou o atual governador culpado, relatando miniciosamente as falcatruas. Um grande espúrio acordo político absolveu a todos os figurões da história, mas no banco central tinha uma pedra no meio do caminho. Assunto por demais farto a ser usado numa campanha presidencial.
IMPUNIDADE
Nestes escândalos, reina a impunidade, e o pior é que o dinheiro raramente é recuperado. Depois dos escândalos, alguém é afastado do cargo ou mesmo demitido, mas o dinheiro que é bom, nada. Claro sempre existe alguém que fica com ele. Porém, ninguém sabe, ninguém vê. Depois que baixa a poeira dos escândalos, geralmente ofuscado por outros mais cabeludos, sempre alguém sai muito bem na história. Coisas do Brasil. E ainda querem posar de bonzinhos.
CORRUPÇÃO E MEMÓRIA
Lula e o famigerado PT, tentam apagar o escândalo do mansalão da história. Estão fazendo de tudo para que o caso não seja julgado. Até o ex ministro da justica Márcio Tomaz Bastos, e membros do STF estão nessa. Agora querem por que querem macular o processo de privatizações de Fernando Henrique, que foram os casos mais investigados pela polícia e pela justiça, largamente infiltrada de petistas. Não encontraram nada. Eduardo Jorge, assessor de Fernando Henrique, era o principal acusado de falcatruas pela oposição, ganhou diversos processos na justiça por danos morais. Foi o homem mais acusado e investigado da era petista, bem como outros como Antonio Barros de Castro, um dos economistas que organizaram as privatizações. Agora os petistas atacam com um livro de um jornalista picareta. Mais uma picaretagem petista.
PRIVATIZAÇÕES
O governo Dilma privatizou alguns aeroportos. Deveria privatizar mais, mas ideologicamente é contra. Porém a questão mesmo não é privatizar ou estatizar, mas o grau de controle social sobre as empresas. Como aqui é quase nulo, então tem mesmo que privatizar. Petrobrás, Banco do Brasil e regionais, as universidades estaduais e federais. A médio e logo prazos nosso capitalismo daria um grande salto. Isso se fosse feita também uma ampla reforma no estado. Porém do jeito que as coisas andam, só talvez na próxima geração, quando o povo sentir os efeitos maléficos do populismo. Saravá. Mas só apanhando para aprender.
CORONEL
Quem pensa que o governador vai ser o novo coronel do estado, pode estar muito enganado inclusive o próprio. De um lado corre Armando Monteiro, com amplas chances de fazer acordos com a oposição, que está esfacelada, mas nunca morta, como sonham os áulicos do autoritarismo. Do outro o PT, que ademais nunca confiou em ninguém, e quer por que quer o governo do estado com o inssosso Humberto Costa. Aliás, depois dfas eleições para prefeito, o mandato del governador pretendente a ditador, já estará com os dias contados. A não ser que ele eleja seu poste. Quem será, aliás, o ungido?

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Eduardo tenta derrubar condenação administrativa dos precatórios




 Sem alarde, os advogados do governador pernambucano Eduardo Campos protocolaram, em dezembro do ano passado, uma petição no CRSFN, o Conselho de Recursos do Sistema Financeiro Nacional.
Na peça, os defensores de Eduardo, presidente do PSB federal, pedem que seja revista uma condenação administrativa imposta a seu cliente dois anos antes, em 4 de dezembro de 2009.
O governador e dois ex-diretores do Bandepe (Banco do Estado de Pernambuco) foram proibidos de exercer cargos de direção em instituições fiscalizadas pelo Banco Central –- públicas e privadas. Veja no extrato abaixo:



A punição vale por três anos. Expira em dezembro de 2012. O caso que a motivou é de 1997. Nessa época, Eduardo Campos era secretário da Fazenda do governo do avô, Miguel Arraes.
Deve-se ao repórter Andrei Meirelles a revelação da novidade. Em notícia veiculada na revista ‘Época’, ele conta o pedaço desconhecido de uma fraude que ficou conhecida como ‘escândalo dos precatórios’.
Apelidado no mercado financeiro de ‘Conselhinho’, o CRSFN é uma espécie de tribunal administrativo. Julga recursos contra penalidades impostas pelo Banco Central e pela Comissão de Valores Mobiliários.
Integram o colegiado oito pessoas –quatro representantes do governo e quatro indicados por entidades classistas, como a Febraban. Na esfera administrativa, é esse grupo que dá a palavra final.
O episódio que resultou na condenação administrativa do governador já havia tramitado pelos escaninhos do Judiciário. Em decisão de 2004, o STF isentara Eduardo Campos de culpa.
Munido dessa sentença judicial, o governador pernambucano como que apagara de sua biografia uma nódoa que ameaçou sua carreira política na ocasião em que despontava como pupilo do avô.
A condenação do Conselhinho, decretada cinco anos depois da absolvição do Supremo, vem à luz num instante em que Eduardo Campos, estrela ascendente da política, projeta vôos altos.
Ele cultiva dois projetos. Num, mira a vice-presidência na provável chapa reeleitoral de Dilma Rousseff, em 2014. Noutro, imagina-se capaz de reivindicar a própria Presidência da República.
É contra esse futuro promissor que o fantasma dos precatórios volta do passado para assombrar Eduardo Campos. A encrenca nasceu em 1996, na emissão fradulenta de títulos do Estado de Pernambuco.
No ano seguinte, ganhou as manchetes. Em 1998, depois de ser escarafunchado numa CPI do Congresso, chegou ao Judiciário. Passeou pelas mesas da Justiça Federal de Pernambuco.
Depois, fez baldeação no STJ. Por fim, aportou no STF em fevereiro de 2001. As estrelas do processo eram Miguel Arraes, então governador, e o neto Eduardo, seu secretário da Fazenda.
Sob Arraes, Pernambuco emitiu, em 1996, R$ 480 milhões em títulos. Destinavam-se a quitar precatórios (dívidas decorrentes de sentenças judiciais). Anabolizaram-se os precatórios.
As dívidas vinham de outubro de 1988. Somavam R$ 234 milhões, não os alegados R$ 480 milhões. Um títulos, de R$ 350 mil, virou débito de R$ 350 milhões.
A emissão do papelório fraudulento foi urdida por Wagner Ramos, então coordenador da Dívida Pública da prefeitura de São Paulo. Gestão de Paulo Maluf (1993-1997).
Os títulos de Pernambuco foram assados nessa fôrma paulistana, copiada também na emissão de letras de outros Estados –Alagoas e Santa Catarina, por exemplo.
A fraude foi esquadrinhada pelo Banco Central. Ao julgar o caso, o Conselhinho serviu-se da documentação colecionada num processo administrativo do BC.
Leva o número 0101090149. Conduziiu-o o Departamento de Combate a Ilícitos Cambiais e Financeiros do BC. Relata de forma minuciosa os meandros da fraude.
Além de secretário da Fazenda de Arraes, Eduardo Campos era membro do conselho de administração do Bandepe, o antigo banco estadual de Pernambuco.
De acordo com a documentação de que serviu o Conselhinho, Eduardo assinou documentos que ensejaram os ilícitos. Conhecia toda a operação –“ou deliberadamente provocou”, concluíram os auditores.
Parte dos membros do Conselhinho chegou a defender a tese segundo a qual não seria possível punir Eduardo Campos. Não por falta de provas, mas por prescrição dos malfeitos.
Prevaleceu, porém, o entendimento de que o julgamento ocorria dentro do prazo. Como o colegiado não tinha dúvidas quanto às evidências da fraude, optou-se pela condenação.
Chamam-se Wanderley Benjamin de Souza e Jorge Luiz Carneiro de Carvalho os dois ex-diretores do Bandepe condenados junto com Eduardo Campos. Concluiu-se que cometeram “infração grave”.
O Estado alegou que o dinheiro amealhado com os títulos custeou despesas administrativas. A investigação do BC não conseguiu rastrear o destino final de todo o numerário.
Assinada pelo gerente técnico do BC José Arnaldo Dotta, a conclusão do processo administrativo anota que grande parte dos lucros foi parar nas contas de doleiros. Diz o texto:
“Como os recursos saíram de empresas não integrantes do Sistema Financeiro Nacional, principalmente no caso dos valores remetidos ao exterior, tornou-se impossível saber o destino final.”
Houve pior, segundo o BC: “Lavagem dos lucros obtidos, na tentativa de acobertamento da identidade dos beneficiários finais dos ganhos, através de sucessivas transferências de valores e do uso de empresas de fachada e de “laranjas”, de tal forma que os valores recebidos a título de lucros em negociação e de taxa de sucesso não permaneceram com os beneficiários iniciais.”
Não é só: “Frequentemente os recursos, após transitarem por várias contas, foram parar em contas de doleiros ou de não residentes no país, seguindo destino ignorado (confira no extrato abaixo):



O Conselhinho analisou defesa feita pelos advogados de Eduarco Campos. É datada de setembro de 2002. Pedia o encerramento da investigação, sob a alegação de que o caso prescrevera.
“Não cabe mais à autoridade administrativa a apuração do fato por não tê-la promovido dentro do prazo legal”, escreveu o advogado José Henrique Wanderley Filho, que representava Eduardo.
Procurado nesta semana, o governador pernambucano manifestou-se por escrito. Em nota que assina junto com o mesmo advogado José Henrique, sustenta que a decisão do Conselhinho “ainda não é definitiva”.
Realça, de resto, que a condenação contraria “frontalmente o posicionamento de todas as outras instâncias administrativas e judiciais.”
Na petição de dezembro do ano passado, na qual Eduardo Campos recorre contra a deliberação do Conselhinho, anotou-se: “Tal recurso expõe o claro conflito verificado entre a decisão administrativa e o acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal.”

Olhos dos cidadãos - MIRIAM LEITÃO



Nesta semana houve um momento glorioso para a democracia brasileira.        
A decisão do Supremo Tribunal Federal de que o Conselho Nacional de Justiça tem a integridade de seus poderes confirma o princípio da igualdade perante a lei, do controle externo do Judiciário, da transparência dos julgamentos. O que degrada a Justiça é o desvio de alguns magistrados e o risco de que erros sejam varridos para debaixo da toga.

O debate foi intenso, a sociedade participou, e o resultado consagrou o princípio democrático de que o órgão federal de correição tem poderes de punir o mau comportamento dos juízes, mesmo os que estiverem protegidos pelo corporativismo local.

A imprensa deu amplo destaque aos argumentos dos dois lados; os poderes respeitaram o direito de o Judiciário tomar a sua decisão sobre como se organizar;
 a sociedade aguardou o momento do julgamento no Supremo, mesmo com tanta gente discordando da liminar concedida pelo ministro Marco Aurélio Mello.

Com a liminar, o CNJ atravessou todo o longo recesso do Judiciário tendo seus poderes limitados por um único ministro até que o plenário fosse ouvido. Na abertura dos trabalhos do órgão maior, o seu presidente, ministro Cezar Peluso, afirmou que é suicida a sociedade que tenta retirar poderes do Judiciário. Isso é fato. Apresentou o número de processos que deram entrada nas várias instâncias, para sustentar que a sociedade brasileira confia na Justiça. Sim, a sociedade confia. Isso é diferente de reduzir os poderes do CNJ ou de considerar que o Judiciário não possa ser criticado, fiscalizado, investigado, julgado de forma transparente aos olhos dos cidadãos.

As proteções que cercam a magistratura são do cargo em si e não das pessoas dos juízes, da mesma forma que a imunidade dos deputados e senadores é dos mandatos e não de suas pessoas. As prerrogativas são institucionais e não individuais. Crimes que juízes e parlamentares por ventura cometam devem ser investigados e punidos como os de qualquer cidadão. O que a lei lhes dá é a proteção para que julguem e legislem com liberdade e independência, mas não é para que se sobreponham às leis do país.

O Brasil tem feito um bom trabalho na superação das suas mazelas, ainda que diante de nós existam montanhas que parecem às vezes quase intransponíveis. Como jovem democracia, estamos aprendendo, errando e corrigindo os excessos. A luta contra a ditadura foi vigorosa e vitoriosa. Deixou mortos, traumas  e essa dificuldade que permanece de olhar o passado com coragem e sinceridade. A superação da desordem inflacionária foi uma obra coletiva de envergadura que mobilizou as famílias e deixou marcas e fortes lembranças em gerações de brasileiros. Certos vícios e equívocos de política econômica, que podem realimentar o mal, não foram, todavia, eliminados. A vastidão da pobreza começa a ser reduzida, injetando  dinamismo na economia e esperança de que o país abra oportunidades maiores para quem esteve excluído.

Foram difíceis as tarefas executadas, mas tudo permanece incompleto. É um país que se constrói por partes. Agora, o maior desafio que está diante da sociedade brasileira é o combate à corrupção. A imensidão da tarefa desconcerta e desanima. Uma das etapas desta luta é aumentar o controle e a transparência de todos os três poderes, impor o princípio da prestação de contas aos órgãos do executivo, legislativo e judiciário e erradicar o cacoete de pessoas que, pelos cargos que exercem, se julgam acima das leis.

Quando a ministra Eliana Calmon fez sua forte declaração sobre bandidos de toga, isso ofendeu muita gente do seu próprio poder, mas ajudou a tocar numa ferida que precisava ser exposta à luz. A toga não pode ser esconderijo para maus feitos; é manto que protege o exercício da magistratura e não os desvios pessoais dos indivíduos que exercem o poder. Sem essa distinção, o Brasil ficaria mais perto de uma sociedade de castas. E isso é estranho à democracia.

O que temos aprendido nesses 27 anos é que a democracia é de lenta construção. Talvez até seja uma tarefa interminável, em que novos passos contratem mais avanços. Ela se aperfeiçoa e progride, exigindo novos aperfeiçoamentos. O que houve nesta semana foi mais um passo. Decisivo e difícil. Ele dividiu o Poder Judiciário e isso está expresso no placar do Supremo Tribunal Federal, de seis a cinco. Os que perderam recolham-se sabendo que não há demérito nessa derrota. Defenderam seus pontos de vista com maior ou menor lógica, mas foram minoritários.

Triste era o país em que ministros do Supremo e juízes foram cassados por divergir do poder autoritário. Feio foi o momento em que as tropas fecharam o Congresso para impor uma reforma do Judiciário. Mas tudo isso felizmente ficou para trás.

O que houve agora não deixa derrotados e engrandece a Justiça. Fortalece-se o princípio de que não deve haver impunidade concedida pelo nível que se ocupa na escala social. Todos estamos submetidos às mesmas proteções e punições previstas no devido processo legal.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

O custo da indústria - Celso Ming


 Todos os dias o noticiário vai sendo martelado por informações de que o setor produtivo brasileiro (e não só a indústria) vai ficando inviabilizado por seus custos excessivos.
Ontem, por exemplo, o brasileiro ficou sabendo que o governo Dilma decidiu romper o acordo automotivo com o México, porque as importações de veículos made in Mexico estão tomando o mercado do produto brasileiro.
As queixas são recorrentes. Vêm do setor produtor de máquinas, passam pela área têxtil, surgem na indústria eletrônica e se estendem até aos produtores de brinquedos. Na semana passada, o presidente da Embraer, Frederico Curado (foto), advertia em Davos, durante o Fórum Econômico Mundial, que o gasto com mão de obra no Brasil estava ficando proibitivo para sua empresa. Segunda-feira, o Estado publicou que a execução do programa Minha Casa, Minha Vida vem se tornando difícil dado o aumento dos custos de terrenos, materiais e da mão de obra - até há alguns anos, considerada das mais baratas do mundo.
Não é de hoje que o setor produtivo tem esses problemas, mas, em vez de buscar soluções, prefere eleger culpados. Entre eles, o mais citado é o câmbio, "sempre defasado em, pelo menos, 30%" - como já nos anos 70 reclamava o então presidente da Duratex, Laerte Setúbal, fosse qual fosse a cotação do dólar. Lá pelas tantas, o governo tratava de "dar câmbio" para devolver algum mercado para a indústria, no entanto, até agora, não houve câmbio que chegasse. (Para o caso dos veículos do México, veja ainda o Confira.)
Além do câmbio, são apontados outros culpados: chineses, coreanos, crise global (que empurra encalhes de mercadoria para o Brasil) e, agora, mexicanos, que conseguem a proeza de enfiar cada vez mais veículos e autopeças nas tabas tupiniquins.
Não é preciso ter QI de Ph.D. para desconfiar que o buraco é mais embaixo. E não custa bater no mesmo bumbo em que esta Coluna vem batendo. O grande problema do setor produtivo brasileiro chama-se custo Brasil. Com algumas diferenças, é a mesma lista de barreiras à produção há mais de 50 anos: carga tributária insuportável; quarta mais cara energia elétrica do mundo; juros escorchantes; encargos sociais cada vez mais altos (de que se queixa o presidente da Embraer); e infraestrutura cara e precária.
Nos últimos anos, foram os serviços que passaram a custar o olho da cara. Faz sentido pagar de R$ 20 a R$ 30 por uma hora de estacionamento em São Paulo? Por que tarifas de banda larga e telefone no Brasil estão entre as mais caras do planeta? Por que se cobra R$ 1,6 mil para impermeabilizar dois metros lineares de caixilhos? Por que qualquer assistência técnica tem preços elevados? E o que tem a ver o câmbio com essas maluquices?
Com esses diagnósticos capengas, em vez de tratar de derrubar o custo Brasil, o governo Dilma vai enveredando para o protecionismo tosco, à la Argentina, e para opções de reserva de mercado, porque já não pode mais "dar câmbio" para compensar esses desequilíbrios. É o que faz agora, especialmente na indústria têxtil e na de veículos.
Durante certo tempo, esses artifícios reduzem o afluxo de importados. Mas não restabelecem a competitividade do setor produtivo nacional no mercado externo.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

DESINDUSTRIALIZAÇÃO




É o que vem acontecendo na última década no Brasil, embora de uma forma sutil, mas contínua, e fruto de preocupações entre lideranças políticas e empresariais responsáveis. Temos um estado mastodôntico, que suga as atividades produtivas para sua própria manutenção. Tudo isso, não para atender os principais interesses e necessidades da população, mas para a manutenção da própria máquina, e defender os interesses dos que dela se apropriam. Que não são poucos. Desde um humilde barnabé, até os altos e numerosos cargos de confiança que proliferam, abrindo as portas da corrupção eleitoral. Rouba-se do estado, para se eleger. Nem o judiciário quer que investiguem suas roubalheiras, que não são poucas. Juízes, ex juízes e desembargadores roubam com a cara mais lisa, posando de homens com seriedade. Ademais a justiça cara e lenta contribui consideravelmente para dificultar o funcionamento do capitalismo, já que boa parte dos capitais investidos são utilizados, ou no enfrentamento da burocracia, ou no suborno puro e simples de funcionários públicos. Por essas e outras, o Brasil está desindustrializando-se. Aliás, do ponto de vista tecnológico, nossas industrias fabricam cada vez mais produtos  toscos, comparados com os países desenvolvidos, e em vias de desenvolvimento como a China.

CHINA

A China, depois da abertura capitalista patrocinada pelo estado, e do retumbante fracasso da coletivização maoísta e da famigerada revolução cultural, liberou suas forças produtivas com uma ampla participação de capitais estrangeiros e de um grande esforço nas áreas de educação e tecnologia.Hoje compete no mercado global, nas áreas de eletrônica e automóveis. E é a China que, no comércio bilateral com o Brasil consome nossas comodittes e nos exporta produtos industrializados inclusive de baixa tecnologia , como guarda-chuvas e sombrinhas. Ademais, o crescimento do comércio dos países latino-americanos advêm mais do setor primário da economia. Claro, o setor primário com tecnologia agregada, como é o caso na nossa agroindústria. Hoje, a indústria agrega apenas quinze por cento da economia. Pequenos e grandes empresários cada vez mais dependem do estado. E o estado distriubui, e claro, muito mal os recursos.

TECNOLOGIA E EDUCAÇÃO

Sem o incremento da tecnologia e da educação estaremos perdidos. Gasta-se muito com educação mas os resultados são pífios. As coisas tem melhorado, mas nem tanto. A burocracia nas escolas é pesada, e os incentivos à produtividade e meritocracia estão apenas começando. Além de salários dignos, claro. Mas muita coisa tem que feita. Que tal começar com o restabelecimento das disciplinas nas escolas?

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

A QUEDA DE BRAÇO LUIZ FELIPE LAMPREIA


Teerã é uma enorme capital de mais de oito milhões de habitantes, enquadrada pelas montanhas Alborz e pelo deserto central iraniano. Os persas que nela habitam consideram-na orgulhosamente uma digna herdeira da sede do Império Aquemênida. Em seu apogeu no século quinto a.C., com Ciro o Grande, este domínio abrangia o Oriente Médio e todas as regiões ao redor do Mar Negro. O atual regime teocrático e militarista certamente tem a aspiração de recriar este império, ainda que com uma roupagem mais moderna. No rosto da maioria dos iranianos que vemos na televisão está estampada esta determinação fanática de afirmação nacional. Mas poucas nações modernas chegaram a um grau de isolamento comparável. Exceção feita à Rússia, o Irã é um país sem amigos relevantes no mundo. A queda de braço entre as potências ocidentais e o Irã é a questão global mais grave do momento. Do resultado, dependerá o futuro político do Oriente Médio, o controle do petróleo da Península Arábica e a segurança de Israel. Depois da retirada das tropas americanas do Iraque, Teerã ganhou uma vantagem estratégica no Oriente Médio, já que consolidou uma influência decisiva nesse país-chave de maioria igualmente xiita. Acoplada ao grande peso que tem junto ao Hezbollah no Líbano e ao Hamas em Gaza, tal vantagem permite ao Irã avançar mais adiante no xadrez geopolítico da região do que nunca. A marcha batida rumo à posse de armas nucleares sublinha a determinação tanto de dotar-se de condições de dissuasão contra ataques de inimigos, como a ambição de usar este poderoso argumento para influir mais no seu entorno, em particular no mundo árabe e no âmbito global do petróleo. Não é possível saber ao certo qual o grau de adiantamento do programa nuclear iraniano, embora ninguém com algum realismo duvide de que o objetivo é chegar à posse de armas de destruição de massa. O Irã pode estar muito perto ou não tanto dessa meta. As sanções podem estar funcionando para atrasar o programa mas podem não estar realmente abalando a determinação iraniana. As campanhas secretas para eliminar cientistas iranianos importantes podem ter afetado ou não seriamente as atividades de pesquisa e desenvolvimento. Mas nenhuma pessoa e, muito menos, nenhum governo ocidental pode deixar de encarar as piores hipóteses. Que acontecerá então? Está afastada a ideia de uma negociação com o Irã. Todas as vias diplomáticas foram exploradas em vão e o Irã furtou-se sempre a aceitar uma renúncia séria e verificável às suas instalações nucleares pela Agência Internacional de Viena. O Conselho de Segurança da ONU, os Estados Unidos e seus aliados europeus já atravessaram este Rubicão. Descarte-se igualmente, pelo menos no momento, a ideia, algumas vezes suscitada, de um ataque aéreo israelense e/ou americano. Seria uma operação de altíssimo custo político e militar, além de ter resultados incertos, que colocaria a região e o mundo inteiro em polvorosa, em abismo insondável. Alguns comentaristas, como Fareed Zakaria, da CNN, já afirmaram que um Irã atômico teria que ser objeto de coexistência, como a URSS no passado, pois apenas usaria as bombas como instrumento de dissuasão e influência. Este argumento ignora por completo, contudo, vários riscos potenciais gravíssimos — como a provável proliferação de armas nucleares na Arábia Saudita, na Turquia e no Egito, o fornecimento de materiais nucleares iranianos a países como a Venezuela ou a movimentos como Hezbollah e Hamas, entre outros. Por outro lado, não há como saber quanto tempo Israel e os Estados Unidos acompanharão, sem reagir militarmente, o desenrolar do programa atômico do Irã. Tampouco se conhece o real efeito das sanções já em ação ou o impacto dos recentes atos violentos de sabotagem sobre o programa nuclear iraniano. Todas estas questões vão ocupar o primeiro plano das atenções internacionais e constituem um dos temas mais importantes da agenda global dos próximos anos. Porém, o duelo estratégico em que o Irã decidiu empenhar-se não tem resultado previsível, hoje. O pior cenário, que infelizmente não é possível descartar, é assustador: petróleo a 250 dólares, convulsão no mundo árabe, fortes crises militares no Golfo Pérsico, riscos graves para Israel, colapso do regime de não proliferação multilateral. Isto não é ficção científica, vimos um filme parecido em 1973. Esperemos que, por desígnio, exasperação ou acidente, deste duelo não resulte uma confrontação que tenha efeitos tão graves para a paz e a economia mundiais. Se não podemos dizer que o tempo é da diplomacia, pelo menos resta esperar que a marcha da folia possa ser interrompida antes do abismo. 
LUIZ FELIPE LAMPREIA foi ministro das Relações Exteriores do governo Fernando Henrique Cardoso.