segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

FICA ARRUDA!

Depois de Sarney, vamos afinal institucionalizar a nossa cleptocracia. Arruda também, além de muitos amigos de rabo preso com as maracutaias, é amigo do presidente. Bem, não sei agora. Nunca, em quanlquer tempo nesse país, tantos têm capacidade em esconder o rabo, a começar pelo presidente depois do mensalão, não é meu amigo Roberto Almeida? É, mas ele se comunica bem com o povo, e é popular. E, além do mais, se todos roubam...Responderiam os velhacos.
José Roberto Arruda, com àqueles pacotões de dinheiro, deveria ser expulso da política, desde a falsificação das votações nos paínéis do senado. Se não pela lei, pela popuilação, que também é corrupta, ora bolas! Mas o povo vai votar em Joaquim Roriz, outro velho corrupto da política brasiliense, pode? E, ademais, como bem disse Lula, estas pessoas são diferenciadas, não é meu amigo Roberto Almeida? Podem roubar, prevaricar, fazer o escambau, que o presidente-operário perdoa. Afinal, ele não está ficando santo? Por falar nisso, padre Cícero também não está para ser revitalizado, digamos assim, pela sante madre igreja católica? Sou mais frei Damião. Acho que Roberto prefere mesmo Lula, né Roberto?

ROBERTO ALMEIDA

Meu amigo lulista Roberto Almeida foi, digamos, indiretamente ameaçado de perder o emprego de secretário na prefeitura de Capoeiras. É que o “democrata e honesto” José Luiz de Lima Sampaio, que também atende pelo apelido de “Zé da Luz”, (para alguns, “Zé das trevas”) mandou um emissário falar com o prefeito de Capoeiras, para demitir nosso Roberto do cargo. Essa gente rouba, faz o diabo, e ainda sentem ojeriza pelo contraditório, pela crítica, pela oposição, aliás tão fraquinha nestes tempos...O prefeito de Capoeiras, claro, desconversou, pois, sabe-se, é um homem de palavra, e não ía trair seu aliado político e amigo de tantos tempos . O pior é que o dito emissário é jornalista. Que rapaz ético! Um exemplo para a categoria. São os democratas de Lula e companhia.

SERRA NA FRENTE

Espero que Serra saia vitorioso destas eleições. É uma eleição muito difícil, contra o empresariado, e setores das chamadas classes trtabalhadoras, agora com seus sindicatos e fundos de pensão cheias de poder e dinheiro. É só não fazer besteiras e mostrar que é o melhor nessa era pós FHC e Lula. Um fez, o outro deu continuidade, e quis se apropriar da obra estabilizadora. Para os direitistas mais pragmáticos, Lula é melhor, ademais o essencial não foi mudado, pois as melhores qualidades de um governante é a continuidade, não a ruptura, como pregavam os raivosos petistas, lembram-se?
Com Serra, poderemos ver o estrago e a corrupção deste governo de propaganda e fantasia. Serra tem competência e é um osso duro de roer. Tem serviços prestados, fazendo um ótimo trabalho no governo de São Paulo, tem história como social-democrata, e pode dar a tranquilidade que o país precisa nessa sofrida e dolorida transição capitalista. Transição esta operada pelos social-democratas do PSDB.

ESTRATÉGIA PÍFIA

Lula e seus asseclas, estão fazendo de tudo para eleger a stalinista Dilma. Querem fazer uma eleição plebiscitária, comparando seu governo com o de Fernando Henrique. Só que agora descobriram que no ítem investimento, perdem para Fernando Henrique. Não operaram nenhuma reforma institucional, pegaram carona nas reformas, aparelharam o estado, foram os responsáveis pelo mensaslão, essa turma não está querendo muito? A mentira tem pernas curtas , dizia um ditado popular...
PROPAGANDA DE NATAL EM CAETÉS

Passa o carro de som da prefeitura, avisando sobre as festividades do natal, até aí tudo bem. Porém, na hora de anunciar o nome do prefeito, ouve-se: “Patrocínio da prefeitura de Caetés,. com o apoio de Zé da Luz e Sampainho”. Cadê o nome do nobre prefeito Aércio? Parece que o rapaz gosta mesmo é de comprar carros para brincar com seus amiguinhos, de preferência jovens. Ele sabe que é laranja e já se habituou com o papel. Que coisa!

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

O MESSIAS TUPINIQUIM

Certa vez , um reporter perguntou a Perón, quando já estava em seu exílio da Espanha, qual o segredo de sua popularidade, ou mesmo do seu carisma. Perón meio de galhorfa, colocou a sua dentadura sobre a mesa , afirmando que o segredo estava ali, em seu sorriso. O sorriso simpático desse cidadão quebrou a Argentina, que no período entre-guerras era talvez a sétima economia do mundo, duas vezes o tamanho da economia brasileira na época. Ainda hoje tem seguidores a direita e a esquerda da pobre vida política Argentina que ainda se rende ao populismo, e submetida, no continente, a política chavista, do bufão Hugo Chávez. Perón quebrou a Argentina, dando poderes inauditos à máfia sindical, que ele mantinha devidamente nos bolsos. Com a maior presença do estado na economia, e concessão de direitos corporativos aos funcionários, do estado e da iniciativa privada, Perón inviabilizou o capitalismo argentino. Com uma elite rica, e uma grande e influente classe média, a Argentina de hoje já conta como centenas de milhares de miseráveis. Boa parte das elites econômicas mantém bilhões de dólares no exterior, enquanto os peronistas, no poder, ainda manipulam os sindicatos e o estado , sugando ainda mais o que resta de capitalismo no país.
Lula não mexeu nos fundamentos macro econômicos da economia, gozando os louros da estabilização da era FHC, mas o país cresceu pouco, e além de ele aparelhar o estado, encheu os bolsos dos sindicatos e das federações sindicais, redutos das máfias sindicais brasileiras, sempre atreladas ao estado. O que deveria ter sido feito seria desatrelar de vez os sindicatos do estado, com uma ampla reforma sindical e trabalhista. E, claro, isso é que ele não vai fazer, pois não vai trair suas origens. No começo o PT pregava o contrário. Hoje, enquanto procuram canonizar Lula. os chamados movimentos sociais, sobretudos atrelados a assistência estatal, estão calados, pois dinheiro sempre é bom para calar bicos. E com o próximo presidente, sobretudo se ele ser da oposição? Principalmente agora que o presidente deu aumento a todo o mundo e a conta cai explodir no colo de seu sucessor, que, se for responsável, vai ter que apertar o cinto. Vão soltar os cachorros sindicais, com ameaças constantes de greves, sobretudo nos setores estatais? Veremos.
No Nordeste, o PT vai se tornando uma espécie de ARENA na ditadura militar. Amado pelos nordestinos, estes com tradição de lideranças messiânicas, como Conselheiro, Padre Cícero e Frei Damião, Lula talvez ainda volte ao Nordeste, pois, santificado, ele poderia viver num mundo dos seus singelos sonhos, como viver sem ser criticado, num muindo de áulicos, como uma enorme e tradicional casa-grande, bem ao estilo nordestino. Como é cruel a história, não?

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Complexa transição Pedro S. Malan

Sobre o século 21, um respeitado historiador inglês, Hobsbawm, observou que este teria começado com cerca de uma década de antecedência: "o breve século 20" teria tido seu tardio início com a Grande Guerra de 1914 e terminado com os eventos do início dos anos 90. Tais eventos parecem dar razão a Hobsbawm: a queda do Muro de Berlim e a reunificação da Alemanha; o colapso da URSS e a fragmentação de sua vasta zona de influência em mais de duas dezenas de países; a emergência da China como potência regional e global, após mais de 12 anos de reformas e de integração com a economia mundial; o avanço do processo de integração europeu com o acordo de Maastricht (1991) e a decisão de lançamento do euro ainda nos anos 90; o início das reformas econômicas modernizadoras na Índia; a renegociação da dívida externa do setor público de quase duas dezenas de países "emergentes"; e a transformação dos EUA de país credor do resto do mundo para a posição de devedor, agravada a partir de 1991, quando passou a incorrer em déficits crescentes em seu balanço de pagamentos.

Em seu conjunto, esses fatores levaram a uma expressiva redução da aversão ao risco e à uma extraordinária ampliação das oportunidades de comércio e investimento, doméstico e internacional, em áreas que passavam a se integrar à economia global. Adicionalmente, avanços tecnológicos nas áreas de informática e telecomunicações propiciaram antes impensáveis reduções de custo e aumentos de produtividade. E permitiram que, ao longo dos últimos 20 anos, centenas de milhões de pessoas passassem a ter acesso, em tempo real, a informações sobre eventos correntes, e sobre padrões de consumo, níveis de renda e riqueza, estilos de vida em outros países, levando a uma revolução de expectativas de milhões de recém-integrados à economia global.

Do ponto de vista econômico-estrutural, portanto, Hobsbawm estava certo: parece ter ocorrido uma reacomodação de placas tectônicas na economia mundial por volta do início dos anos 90, gerando um período sem precedentes de expansão da economia global, do comércio internacional (volumes e preços) e dos fluxos internacionais de capitais privados. Um ciclo de expansão global que, como notou Ken Rogoff, foi "o mais intenso, o mais longo e o mais amplamente disseminado da história moderna" - e cujo auge, é ainda Rogoff quem nota, foi alcançado no quinquênio 2003-2007 (algo que o lulo-petismo faz questão de ignorar). Auge de exuberância que, sabe-se bem hoje, contribuiu em boa medida para a grande crise global de 2008-2009, cujas consequências ainda se estarão fazendo sentir por alguns anos à frente.

O combate ao pânico avassalador que tomou conta de mercados financeiros e de governos em fins de 2008, e a busca da retomada da atividade econômica nos países desenvolvidos, foi feito à custa de uma historicamente sem precedentes intervenção do poder público - Tesouros e bancos centrais -, em termos de políticas expansionistas, fiscais, parafiscais e monetárias. Circunstâncias excepcionais exigem respostas excepcionais. Como Keynes sabia, e como sabem hoje os governos dos países desenvolvidos, essas medidas devem ter caráter transitório, até que se restabeleça a indispensável confiança dos investidores e consumidores privados.

Mas essas extraordinárias respostas de governos - que estão permitindo uma gradual superação da crise - têm levado ao que parece ser uma nova leitura de Hobsbawm: o século 20 estaria terminando só agora, com esta crise - e com o novo "paradigma" que emerge da forma como a crise vem sendo enfrentada.

Na sua vertente mais "econômica", o suposto "novo paradigma" conduz a uma reafirmação do papel do Estado, não apenas na superação da crise por meio de medidas extraordinárias - e temporárias, de caráter "contracíclico" -, como também do papel renovado de um Estado que passa a ser o elemento essencial para assegurar, ao longo do tempo, o desenvolvimento econômico e social acelerado.

Na sua vertente mais "política", o novo paradigma procura apresentar a crise atual como o último prego no caixão do "ideário" que teriam representado, nos anos 80 do século passado, Ronald Reagan e Margaret Thatcher. A "derrota" de ambos - e seus seguidores, vistos como legião - só agora teria sido consumada com o enterro, definitivo, das ideias de "Estado mínimo", da "desestruturação do bem-estar social" e do "fundamentalismo de mercado" - e de seus seguidores no Brasil, que seriam, para os militantes do lulo-petismo, em princípio, quaisquer oposicionistas.

A vertente "econômica", sobre o papel ampliado do Estado e de suas empresas, pode e deve ser amplamente debatida, esperemos que com um mínimo de honestidade intelectual e respeito aos fatos e aos outros. A vertente "política" mencionada no parágrafo anterior, ao contrário, é simplesmente um caso de flagrante desonestidade e indigência intelectual, desrespeito aos fatos e aos outros, tentativa de fazer com que uma mentira, e sua rotulagem barata e demagógica, se mil vezes repetida, possa chegar a assumir foros de veracidade para desavisados e adeptos de estereótipos e maniqueístas palavras de ordem.

É, no entanto, exatamente por conta desse exacerbado clima de palanque que vozes sensatas precisam insistir - como no texto que abre este artigo - na importância crucial de lançar um olhar objetivo para 2011 e adiante - o pós-Lula -, com foco nos problemas que este governo (como, aliás, fazem todos os governos) deixará para seu sucessor. Qualquer que seja seu nome, este não se chamará Lula.

PREFEITURA E LOTERIA

Ganhar uma prefeitura, parece-me, agora virou loteria. Loteria meio, digamos, programada por táticas e estratégias políticas, recheadas com muito dinheiro. É, digamos uma aplicação sem muito risco, pois o retorno é certo e seguro, porque, ademais ninguém vai preso, posando de autoridade.
Aqui em Caetés, dizem, o prefeito engaiolado, que ganha mais de quinze mil contos por mês para assinar papéis, já comprou, para parentes e agregados, dez carros. Sim isso mesmo, dez carros novinhos em folha. Será que ele vai botar uma agência? Ou mesmo uma locadora? E carros das mais diversas marcas, afinal o mundo é diversificado. Enquanto isso a merenda das crianças somem das escolas. É o Brasil dos grotões produzindo estas cenas, que, afinal, ninguém vê. Mas o presidente disse que a imprensa não é para investigar. Não é, caro amigo Roberto Almeida?


ISTO É INCRÍVEL

A cara de pau dos petistas como Doutora Dilma, ou mesmo Zé Dirceu, e o próprio Lula, asseverando a veracidade das provas filmadas da corrupção dos democratas, e, ainda mais pedindo punição. Coitadinhos, Mais de quarenta petistas de alto calibre estão indiciados como réus no STF. Que também convenhamos não é lá estas coisas, quando o assunto é condenar e prender peixes graúdos. E Sarney, pedindo a condenação dos envolvidos? Com àqueles bigodes de vassoura, devia ser o homem de peroba do ano. Que cara de pau!
Com essa o democratas não se livra da pecha de partido de corruptos. Aliás, guardadas as devidas proporções, como dizia Lula, o corrupto mor da nação, todos fazem. Se todos saltarem um abismo, iriamos todpos alegremente saltar. Espero que com esta popularidade ele não jogue de vez o país no abismo, sob os aplausos da população. Os lulistas serão bem piores do que os historicamente chatos petistas. Estes, pelo menos alegavam ter ideologia. E as mentiras são repetidas diariamente. Parece que Lula criou o PROER, a moeda, a lei de responsabilidade fiscal, a privatizações das teles, etc. E os lulistas a repetirem toda essa cantilena sem fim. No auge da era Lula, crescemos menos do que todo o mundo. Precisamos muito das reformas capitalistas, sem as quais o país não deslancha. Precisamos também urgentemente de uma reforma política. Corrupto tem que perder os bens roubados e ir para a cadeia. Por aqui, seria interessante que a justiça fosse sempre atrás do crescimento patrimonial, sejam de políticos, seja de membros da polícia, ou mesmo do poder judiciário. O que não pode é essa gente ficar bem na fita. É ou não é, lulistas corruptos?

RAUL JUNGMAN

O excelente parlamentar pernambucano fez uma ótima proposta para alavancar a reforma política. Fazer um plebiscito, comprometendo o próximo congresso em fazer a reforma. Seria também salutar aumentar as penas para os corruptos e fazer uma ampla reforma no judiciário, sobretudo para pegar os ladrões de lá também. Que, certamente, não são poucos. Tem muito ladrão em baixo daquelas horrorosas togas. Muitos membros do judiciário pensam que são deuses. Muitos têm certeza. Ô gente chinfrin! Aliás, é sempre boa a atuação de Raul, velho militante oposicionista aqui do estado. Votarei nele nas próximas eleições, pois ele tem sido um bravo combatente deste governo mais corrupto da história republicana. Quem viver, verá. Basta abrirem a tampa.

BARNABÉS

Com nosso arrastado capitalismo estatal e patrimonialista, quase toda a nossa juventude sonha em ser barnabé. Neste domingo fui para Lagedo onde um sobrinho foi disputar uma das vagas do concurso por lá realizado. Parecia dia de feira, com gente vindo de quase todos os lugares. Com esse capitalismo , para onde a gente vai? Ainda mais quando sabemos, este governo não tem nem vontade política nem competência para empreender as reformas necessárias para a alavancagem do capitalismo nacional. Incluir gente, e baixar as tarifas para quem trabalha e produz. Já Lula abriu mais vagas no estadp, aumentou salários, e engordou os bolsos das federações sindicais, fazendo, é claro a festa dos corruptos do setor, que aliás não são poucos. Ademais, Lula surgiu daí, dessa máfia sindical brasileira. Precisa falar mais?

CAETÉS

Caetés, que serve para enfeitar a biografia de Lula, do governo, nada recebeu. A falta d’água é crônica. O índice de desenvolvimento humano é um dos piores do estado. E a desmoralizada oligarquia política, só faz roubar. Que situação...

Festas

Sempre achei um absurdo o governo gastar dinheiro público com festas, estas de caráter popular ou mesmo eventos, mais, digamos, elitizados. Quantos bilhões de nós, contribuintes, são surrupiados pelos políticos, que adoram festas, claro, para roubar. Nesse terreno, aliás como diria Lula, todos roubam, talvez com raríssimas exceções. Até o carnaval é “chapa branca”, e as verbas são disputadas à tapa. Claro, sempre resta um dinheirinho, para campanhas, para o carro importado, para a bolsa da moda, e aí vai. Ou melhor, se vai nosso rico dinheirinho.
Para mim, cortava tudo. Deixava tudo com a iniciativa privada, e pronto. Dinheiro público só para financiar bilbliotecas multimídia em todas as cidades do país, bandas musicais e orquestras sinfônicas. Precisamos de mais bibliotecas, grandes eequipadas. Podemos passar sem os horrendos trios elétricos, ora bolas. Será que estamos entrando mesmo numa cleptocracia?
A briga do deputado federal Sílvio Costa demonstra que todo mundo tem rabo de palha nessa história. Ademais, o povão gosta de pão e circo, né? O pão vem dos programas sociais, o que está certo, não devemos deixar ninguém morrer de fome. Mas não devemos , isto de jeito nenhum, deixar ninguém sem estudar. Investindo em bibliotecas, o governo, evidentemente, estaria investindo em educação. Mas, político safado gosta mesmo é acenar para o povo, em cima de um caminhão de tirio elétrico, e ainda, na ressaca, ter os bolsos cheios , pelas maracutaias perpetradas com as festas. Quem não sabe disso? Se o povo gosta de festas, que pague do próprio bolso. E, ademais, bibliotreca não dá voto. Sobretudo, para os quais, a ignorância deva ser privilegiada, mesmo porque a grande maioria é mesmo ignorante. Para muitos, que seja assim, sempre. A voz do povo é a voz da imbecilidade, como diria o finado Paulo Francis.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Miriam Leitão:: Ele não fala por mim O GLOBO

"O presidente Lula defendeu ontem, de novo, o programa nuclear iraniano. A defesa do Irã é tão gratuita que causa espanto. Por que defender o indefensável? Ele disse que os Estados Unidos e a Rússia não têm autoridade para criticar o Irã. Não foram apenas esses dois países que condenaram o programa iraniano. O mundo o condenou porque ele não tem nenhuma cara de ser pacífico.

Parte do raciocínio faz sentido, parte não faz.

Quando defende o desarmamento nuclear de todos, Lula representa a maioria do povo brasileiro, a quem nunca interessou o desenvolvimento de armas nucleares.

Mas não faz sentido é a defesa, extemporânea e gratuita, de um governo que se isola da comunidade internacional, que escondeu parte das suas instalações nucleares, que mentiu para a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e que admite que está enriquecendo urânio além do percentual necessário para produzir energia.

O que o Brasil ganha defendendo um país que na semana passada foi condenado na Agência Internacional de Energia Atômica? China e Rússia votaram contra o aliado. O Brasil se absteve. Nada pior do que a abstenção num caso que merece uma posição clara.

Após sete anos de improvisos catastróficos em viagens internacionais, o presidente Lula ainda não entendeu que ele, quando está representando o Brasil, não fala por si, mas pela nação inteira. Portanto, tem que expressar o sentimento coletivo e não seus impulsos.

Não há qualquer clamor no Brasil de defesa do Irã, muito menos do governo Ahmadinejad. Pelo contrário.

A esdrúxula negativa de fatos históricos como o holocausto torna o governante iraniano definitivamente divorciado do pensamento da maioria dos brasileiros. Quando as urnas iranianas exalavam ainda o mau cheiro das fraudes, o Brasil foi o primeiro país a dizer que a eleição dele foi legítima. Até o Conselho de Guardiões do Irã admitiu que houve em cinquenta cidades do país mais votos que eleitores. A repressão ao movimento popular que pedia eleições limpas matou cidadãos nas ruas, como a jovem Neda.

Naquele momento de indignação em todo o mundo com o governo Ahmadinejad, o Brasil se apressou a dar o aval a eleições fraudulentas.

Com Honduras, ocorreu o oposto: o governo brasileiro condenou as eleições antes mesmo que elas tivessem acontecido. E já avisou que não reconheceria o novo governo.

No caso de Honduras e no caso do Irã, o que a política externa perde é o tom. Ser a favor do desarmamento nuclear o Brasil sempre foi. Mas sempre foi também contra a proliferação nuclear. E o Irã neste momento significa, na opinião das maiores autoridades no assunto reunidos na AIEA, o risco de proliferação nuclear. O mais estranho da declaração de Lula é que ela veio depois de ter sido divulgado um comunicado conjunto com a chanceler alemã Angela Merkel, admoestando o Irã a “responder positivamente” e “cooperar inteiramente” com a AIEA e a ONU. Isso sim é o correto e tira o Irã do isolamento.


No caso de Honduras, a posição defendida pelo presidente Lula, seu secretário de Relações Internacionais, Marco Aurélio Garcia, e seu ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, tem a mesma dubiedade. No princípio, foi no tom exato, depois, desafinou. Numa região devastada por golpes de Estado, o Brasil condenou o golpe e a deportação de Manuel Zelaya, no que fez bem. A posição brasileira começou a sair do tom quando deixou de ser a defesa dos princípios democráticos para ser uma militância zelaysta.

O Brasil condenou uma eleição, a priori, e avalizou outra, quando a população ainda estava na rua indignada com as fraudes.

No mensalão do DEM em Brasília, o presidente Lula só encontrou a palavra “deplorável” no segundo dia.

No primeiro, disse: “as imagens não falam por si”. O presidente da República não pode préjulgar. Mas não condenar antecipadamente não é o mesmo que absolver.

Tudo fala por si no escândalo de Brasília: as imagens, os diálogos gravados, as conversas telefônicas, as desculpas improvisadas e mutantes e a hesitação do Democratas. “Aquela despesa mensal com político sua hoje está em quanto?”, disse o governador de Brasília, José Roberto Arruda.

Muita coisa está fora da ordem nessa frase além do pronome possessivo.

O presidente Lula poderia não ter se manifestado. Seria melhor. Mas sua forma de lidar com a imprensa é autoritária como nos governos militares. Naquela época os generais não davam entrevistas coletivas. Eles falavam quando eram abordados em viagens internacionais.

Ao seguir esse modelo, Lula acaba se aborrecendo quando perguntado por essa “coisinha”. Preferia que perguntassem sobre grandes questões internacionais.

Mas, no dia seguinte, brindou seus interlocutores com a defesa dispensável do programa nuclear iraniano.

No Brasil, nunca se viu um movimento de opinião pública a favor do programa nuclear iraniano. Isso não é uma questão por aqui. O que incomoda, machuca, confunde o país neste momento são estas “coisinhas” deploráveis.

Lula quando fala certas coisas deveria esclarecer que fala por si.
Postado por Artigos às 10:27 AM
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Manual del perfecto idiota latinoamericano Roberto Campos 25/8/96

"Só há uma coisa pior do que ser explorado pelo imperialismo; é não ser por ele explorado" - Joan Robinson

O título acima é de um "best seller" em Buenos Aires, para o qual Afonso Romano foi o primeiro a nos chamar a atenção. O "Manual" tem um prefácio do notável escritor Mário Vargas Llosa e foi escrito, a três mãos, com grande verve, boa pesquisa histórica e agudo senso econômico, por Plínio Apuleyo Mendonza (colombiano), Alberto Vargas Llosa (peruano) e Carlos Alberto Montaner. Este último, um democrata belicoso que apoiou Fidel Castro na derrubada de Batista e depois teve de enfrentar uma nova ditadura, a do próprio Fidel. Todos os três foram simpatizantes do marxismo, que nos anos 50 e 70 grassou na América Latina como uma espécie de gonorréia juvenil, até que a queda do Muro de Berlim agisse como penicilina ideológica.

O "Manual" é uma devastadora catilinária contra a mitologia latino-americana dos nacional-populistas e esquerdistas. Aqueles, afeiçoados à arte de distribuir e incompetentes na arte de produzir, infligem, através do populismo clientelesco, patrióticos infortúnios à população. Estes, contumazes idólatras do fracasso, recusam-se a admitir que as riquezas são criadas pela diligência dos indivíduos e não pela clarividência do Estado; que resultam da disposição de poupar e correr riscos de investidores nacionais e estrangeiros; que os monopólios estatais são fontes de abusos e ineficiência; que o melhor instrumento de controle social do mercado é a concorrência e não o altruísmo do burocrata; e que a intervenção estatal gera privilégios e corrupção.

São parte da idiotice latino-americana a falsa causalidade e a errônea identificação de inimigos. Exemplo da falsa causalidade é a seguinte tirada slogânica: "El desarollo de los paises pobres es el producto histórico del enriquecimento de otros. Em última instancia, nuestra pobreza se debe a la explotación de que somos víctimas por parte de los paises ricos del planeta". Para essa cultura da inveja, a economia internacional é um jogo de soma zero, no qual inexiste a noção de vantagem mútua.

A errônea identificação de inimigos consiste em atribuir-se a pobreza endêmica e os absurdos desníveis de renda na América Latina ao capitalismo e ao liberalismo, animais quase inexistentes em nossa paisagem e que apenas agora ensaiam uma tímida presença. Os reais inimigos são outros: o mercantilismo patrimonialista, o estatismo e o nacionalismo.

Estes é que explicam os monopólios estatais dispendiosos e ineficientes; a inflação crônica, o empobrecimento e a extorsão imposta a poupadores e a usuários, vítimas de altas tarifas, impostos complexos e confiscos periódicos. Cabe aliás notar que o nacionalismo nem sequer é produto nativo; é um transplante europeu. O produto nativo deste subcontinente é o caudilhismo político.

O "Manual" dá explicações interessantes sobre o antiamericanismo, que é capítulo obrigatório na Bíblia do idiota latino-americano. Há um componente "cultural", ancorado na tradição hispano-católica; um "econômico", consequência de uma visão nacionalista e marxista das relações econômico-financeiras entre o "império" e as "colônias"; um "histórico", derivado dos conflitos armados entre Washington e alguns vizinhos do sul; e um "psicológico", produto malsão dessa mistura de ódio e admiração, que nos provoca a grande nação do Norte. O antiamericanismo é uma espécie de "mau hálito" do terceiro-mundismo, que até recentemente poluía nossa política externa.

É impiedosa a demolição feita, pelos autores, de mitos revolucionários e de heróis populistas: Pancho Villa, Fidel Castro, Allende, Peron, Che Guevara, Velasco Alvarado. Colocados sob a lupa implacável da análise de resultados, se tornam figuras menores, diferenciadas apenas pelo seu grau de masoquismo imaginário ou pelo infortúnio que impuseram a seus países. "Somos pobres: la culpa es de ellos" é o refrão de todas essas figuras, cuja sensatez econômica é inversamente proporcional à capacidade de suas glândulas salivares...

Enfocando principalmente o componente hispânico, o "Manual" subestima a contribuição brasileira para a idiotice do subcontinente. Nada diz sobre a teoria de Lula, segundo quem a inflação seria devida não à expansão monetária do governo e sim à "ganância do empresários". Ou sobre as arengas de Brizola, segundo o qual nosso subdesenvolvimento resulta das "perdas internacionais" que nos impõem as multinacionais, exploradoras de nossas riquezas. Ou sobre a paranóia antropológica de Darcy Ribeiro. Este declara que os Estados Unidos, talvez a sociedade mais inovadora e criativa da era moderna, são um mero transplante da Europa, que "não apresenta novidade nenhuma neste mundo". O Brasil, por contraste, é a Nova Roma, "tardia e tropical", na qual a mestiçagem se torna um misterioso detonador de criatividade! A verdade, naturalmente, é outra. Boa parte de nosso subdesenvolvimento se explica em termos culturais. Ao contrário dos anglo-saxões, que prezam a racionalidade e a competição, nossos componentes culturais são a cultura ibérica do privilégio, a cultura indígena da indolência e a cultura negra da magia...

Os dois brasileiros que merecem mais espaço no "Manual" são Frei Betto e Fernando Henrique Cardoso. O primeiro, por causa de seu apostolado da teologia da libertação. Este porque um de seus livros, intitulado "Dependência y desarrollo en America Latina", se tornou um dos "diez libros que conmovieron al idiota latinoamericano".

A teologia da libertação é uma espécie de coquetel de frutas retirado do "refrigerador teológico" para livrar os pobres de inimigos satânicos. Mistura-se, diz o "Manual", uma onça de Hegel - a idéia da consciência como fator de liberdade -, outra de Freud - o comportamento humano condicionado pelo inconsciente que reprime nossa psique - e finalmente uma onça de Marcuse - a repressão social de coletividade inconsciente -, que deve ser resgatada ao lhe ser devolvida a consciência social. Administrado esse coquetel, livra-se o povo da repressão que o impede de perceber que está sendo explorado.

O socialismo seria uma espécie de trampolim para o céu e o capitalismo, presumivelmente, um tobogã para a terra. Para Frei Betto, o capitalismo e a economia de mercado estão na raiz de nossa miséria e da injustiça. Só que essas instituições nunca vicejaram na América Latina, onde imperam o estatismo e o patrimonialismo. Frei Betto é capaz de dizer, com unção evangélica, megabobagens como as seguintes: "Cuba é o único país onde a palavra dignidade tem sentido". Ou então: "Em nossos países se nasce para morrer. Em Cuba, não"!

O livro de FHC, publicado em 1969 (com 24 reedições), justifica plenamente sua recomendação de que esqueçamos o que escreveu. Os países se dividiriam entre "centro" e "periferia". Estes, subdesenvolvidos, cumpririam na economia mundial as funções que lhes fossem determinadas pelos países do Centro. Suas decisões de produção e consumo se tomariam em função da dinâmica e dos interesses das economias desenvolvidas. Nascida do propósito de encontrar uma explicação para os fracassos da doutrina cepalina de substituição de importações (que não lograra diminuir a brecha que separava os Estados Unidos e o Canadá de seus vizinhos do Sul), a "teoria da dependência" acabou fazendo uma confusão homérica entre estágios temporários de subdesenvolvimento e fatalidades sociológicas.

Com o salto espetacular dos tigres asiáticos na última década, que tornou os "periféricos" Hong Kong e Cingapura mais ricos que a metrópole inglesa, e com a sofisticação de Taiwan e Coréia em indústrias de ponta, a teoria da dependência caiu no ridículo. FHC depois se tornou um político de êxito, aderiu à economia de mercado e à abertura internacional, e é hoje acusado de "neoliberal". (Injustamente, aliás, pois de vez em quando tem recaídas dirigistas, imiscuindo-se em mensalidades escolares, aluguéis e multas contratuais). Superou sua fase de subdesenvolvimento mental, o que prova tratar-se de doença grave e contagiosa, porém não incurável.

A inflação, diz Milton Friedman, é sempre e exclusivamente um fenômeno monetário. O subdesenvolvimento, por sua vez, não resulta de espoliação internacional ou da falta de recursos naturais. É sempre um fenômeno "cultural": um misto de idiotice e "mau-caratismo". Infelizmente, ambas as coisas são abundantes neste subcontinente, que Lord Palmerston outrora chamou de "continente desperdiçado"...

Roberto Campos, 78, economista e diplomata, é deputado federal pelo PPB do Rio de Janeiro. Foi senador pelo PDS-MT e ministro do Planejamento (governo Castello Branco). É autor de "A Lanterna na Popa" (Ed. Topbooks, 1994).

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

PAULO RABELLO DE CASTRO O modelo de alta gastança em 2010

Folha de S Paulo
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Na raiz do defeito de fabricação do modelo de crescimento brasileiro está o disparate dos gastos públicos correntes
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“COM A virada de 2009, Lula e o Brasil vêm de fato merecendo a exclamação histórica de Obama: "Esse é o cara!". Os mercados também estão repetindo: "Essa é a bola da vez!". E as seguidas valorizações de papéis e ativos produtivos, desde o início do ano, parecem comprovar que a boa fase da economia brasileira veio para ficar.
Há, de fato, razões objetivas para o otimismo reinante. Primeiro, o fator diferencial: enquanto muitos vão péssimo, o Brasil se destaca por ter retomado a marca do PIB pré-crise.
Segundo, pelo fator China, pois, enquanto esta continuar pedalando sua torrente de empréstimos e o sistema bancário deles resistir, estará assegurada a demanda que sustenta os preços de nossas commodities. E lá vamos nós!
Terceiro, a bolhinha do nosso crédito doméstico. Pelo quarto ano consecutivo, a expansão do crédito pessoal, público e para empresas crescerá pelo menos o dobro do ritmo da produção interna. Consumo e importações crescem em escalada.
Por último, sobe o gasto público, também ao dobro da expansão do PIB, com ênfase na despesa corrente. O Congresso aproveitou para contratar despesas de pessoal que acrescentam entre R$ 20 bilhões e R$ 30 bilhões anuais aos futuros Orçamentos. É uma festa contagiante.
Os fiscalistas de plantão, mal-humorados, querem estragar o ambiente, lembrando que esse "modelo" de gastança pode estar contratando novo estancamento da economia mais à frente. Essa é a última coisa que gostaríamos de ver no horizonte. Entretanto, alguns sinais desalentadores indicam a importância do alerta. A dívida bruta do setor público voltou à casa dos 70% do PIB. Como os atuais juros são de um dígito, o reflexo financeiro sobre o endividamento é moderado.
Mas, se o BC precisar elevar a taxa básica, o custo da dívida subirá rapidamente, comprometendo o minguante superavit primário. Este, por sua vez, ficou praticamente zerado com as medidas, corretas, aliás, de correção anticíclica. A má notícia é a forte elevação do deficit fiscal total para mais de 4% do PIB. Foram gastos correntes, estéreis do ponto de vista de ganhos futuros, os responsáveis pelo avanço do desequilíbrio das contas públicas. Os investimentos públicos ficaram para trás.
Nada mais de negativo conseguirá se grudar à imagem do presidente Lula, que terminará seu mandato com glórias de um Luís 17, tendo sobrevivido à guilhotina política para encerrar um ciclo de ressurreição da fama externa e da autoestima interna do Brasil. Passadas, porém, as festas da realeza e a estreia do filme do pressagiado, com direito a choro até de cabra-macho, é de esperar um pouco mais de humildade pelos desafios que herdamos da atual fase.
Com uma taxa de poupança cadente, ou seja, a economia guardando cada vez menos recursos para seu futuro, e um "modelo", como cunhou Raul Velloso, especialista no assunto, de alto consumo presente e baixo investimento, estaremos condenando o Brasil ao mesmo tipo de dependência ao capital estrangeiro, sob forma de poupanças externas, que virão, sim, explorar o nosso pré-sal, o pós-sal, a siderurgia, a petroquímica, o grande varejo, a banca de investimentos, com todos os riscos de volatilidade historicamente associados à nossa crônica carência de poupança nacional.
Na raiz desse defeito de fabricação do modelo de crescimento brasileiro, está o disparate dos gastos públicos correntes, cuja demanda permanente de mais carga tributária impede o brasileiro de investir mais, comandando assim seu próprio destino.”

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

CONHECIMENTO E LEITURA

Somos um país de analfabetos, diria, com ares de fatalidade, intelectuais e políticos de Pindorama da primeira metade do sangrento século XX. Na verdade, a educação foi, digamos, ungida a uma das prioridades nacionais, durante o período Vargas, e sobretudo depois dos anos cinqüenta. Ou pelo menos passou a ser planejada e discutida em termos nacionais, junto com as universidades que foram criadas a partir daquela época. Intelectuais surgiram , tentando interpretar o que seria o Brasil, e sua educação. Gilberto Freyre, Caio Prado Júnior, Sérgio Buarque de Hollanda, Câmara Cascudo, Florestan Fernandes, Darcy Ribeiro, Roberto Campos, foram dos seus modos, os mais diversos, discutidores do Brasil. De onde viemos? Quem somos? Para onde vamos? O que significa o Brasil? O que é ser brasileiro? Qual o caráter de nosso povo? Todos, grandes intelectuais brasileiros do pós-guerra, discutiram, participaram ativamente da luta pela educação no Brasil. Que, naquela época, era boa, mas excludente. A grande maioria ficava de fora. Depois, com os militares, a educação, foi, digamos, massificada, de certa forma, democratizada, porém, perderia a qualidade. E foi no final dos anos noventa, com Fernando Henrique, que, finalmente a escola foi universalizada, com quase todos na escola, e muitos voltando a estudar. Um século depois da universalização da escola nos principais países europeus, e nos Estados Unidos.
Hoje continuamos na mesma. Depois de universalizada, a escola ainda está péssima, e a maioria do povo, ainda não consegue ler os grandes interpretadores do Brasil, aliás , mal os conhecem. Não só o povo, mas a grande maioria dos professores, que também não tem o hábito de ler, também desconhecem o que estes grandes brasileiros pensaram. É uma pena, pois não imaginam o que estão perdendo...E, como os professores não lêem, os alunos idem. Passam a maior parte do tempo em decorebas, ou treinando o complicado jogo do vestibular. E todos, ou quase todos, não pensam. E quem não pensa, como é que vai ensinar a pensar? Ademais, professor ganha mal, é desrespeitado pelos alunos, estes super protegidos por uma legislação extremamente babaca e liberalóide típica dos nossos construtivistas de plantão, então, quem vai ser professor? Os estudantes mais pobres, que não conseguem passar no vestibular em carreiras social e financeiramente mais vantajosas, como Direito, Medicina, Informática, Administração, ou mesmo Turismo, só para ficarmos nestes exemplos. Repitamos, é preciso pagar bem aos professores, claro, exigindo-lhes o devido desempenho e responsabilidade profissional. Como diria o nosso economista-educador Cláudio Moura e Castro, o ensino básico está de mal a pior, a graduação universitária também. Só se salva a pós-graduação. Esta, porque todos dependem do desempenho, e os professores podem dar uns cocorotes nos alunos. Em sentido figurado, claro, mas que dão, dão. E sem repressão, não há educação, já diria o finado intelectual alemão, Sigmund Freud. Afinal, como inserir, civilizatoriamente as pessoas, sem reprimir-lhes a libido? Existe o estudar brincando? Afinal, aprender é sofrer...mas tem êxtase, que é a descoberta. As viagens em mundos nunca dantes navegados, como diria o poeta português, Camões.
É preciso mais ordem, e sobretudo respeito. E, evidentemente competência profissional, e sobretudo estímulo. Trabalhar e ganhar para viver, ora bolas!Porém, os donos do poder, antes defensores da ética e dos bons costumes políticos, e da qualidade na educação, aumentaram os gastos com o ensino universitário público, tirando do ensino básico e fundamental. Salários de professores , nem pensar. Disseram que o recém criado FUNDEB iria corrigir distorções nos estados. Hoje nem se fala mais nisso. Enquanto escrevo, o governo tenta minimizar a vergonhosa roubalheira do caixa dois, inventando a “teoria da corrupção sistêmica”. Não são as pessoas corruptas, é o sistema. Então, para que o presidente foi eleito? Para mudar ou piorar as coisas? Claro, todos os governos, políticos, todo mundo mente. Mas nunca vi tanta cara de pau neste governo. Ninguém sabe, ninguém viu, o cinismo corre solto. Dá até vontade de rir, se não doesse no nosso bolso. Afinal, o que os economistas chamam de custo Brasil, dentre eles, a corrupção ganha destaque.
E vamos seguindo rumo à mediocridade. Apesar de alguns avanços, a educação ainda não se constitui uma das prioridades nacionais. Os professores só faltam apanhar dentro de classe, com alunos que fazem o que querem , infernizando mais e mais suas vidas. Apesar de tudo e de todos, temos professores muito bons, mas que precisam ainda ser lapidados. É preciso centros permanentes de capacitação, e atualização profissional. É preciso restabelecer a autoridade do professor dentro da sala de aula, reprimindo veementemente os desordeiros, que muitas vezes precisam também de psicólogos. Por isso que as escolas militares são altamente disputadas. São eficientes e têm rígida disciplina. O resto é conversa fiada de construtivistas e/ou seguidores de Paulo Freire. Os idiotas da objetividade, como diria o saudoso Nélson Rodrigues.
E os alunos, e boa parte do professorado, continuam ignorantes. Muitos chegam a faculdade sem saber ler. Como Lula, que sua a camisa para ler um texto de uma página de jornal. Mas . ninguém mais do que Lula para apreciar uma boa ignorância. Afinal, são os menos escolarizados que hoje o apóiam. Então, viva a ignorância, e com ele, caminhemos firmemente para o quarto mundo. Ou quinto, quem sabe?