segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

O legado de Trump e o desespero da grande mídia - Filipe Altamir

O legado de Trump e o desespero da grande mídia

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Como era de se esperar, a alta cúpula burocrática norte-americana e os movimentos sociais progressistas não se contentariam com uma posse proveniente de uma eleição legítima. Desde a posse do Trump, encheram-se as ruas de manifestantes protestando contra sabe-se lá o quê, uma vez que ele mal tinha assumido o ofício e nada tinha feito, então não tinha contra o que protestar.
Obviamente que as feministas americanas foram as principais mentoras das manifestações, com apelações emocionais e irracionais ao público feminino progressista, movimentaram multidões de estudantes lobotomizados e agregados contra o Trump, que segundo as líderes feministas, se trata de um machista retrógrado que não alimenta o mínimo de respeito pelas mulheres. Ignorando é claro, que as principais líderes das movimentações são mulheres islâmicas que apoiam a aplicação da Sharia e uma legislação penal que subjuga sistematicamente as mulheres a condenações desproporcionais e bárbaras.
Vale lembrar que os homossexuais não fogem da equação absurda da Sharia. Segundo a lógica descerebrada desses movimentos, uma piadinha infame proferida pelo Trump há 12 anos é uma violência intransponível à dignidade feminina coletiva, mas apoiar um sistema que penaliza a mulher com apedrejamento, estupro e morte é algo tranquilo e favorável.
Em menos de uma semana de posse o Trump já deixou um legado memorável. Graças ao seu anúncio de cortar ao menos 75% das regulações econômicas culminando em uma economia na casa dos trilhões ao setor privado, a bolsa de valores norte-americana atingiu uma alta histórica e entusiasmada com a reforma macroeconômica do magnata. Além disso tudo, o famigerado acordoTrans-Pacífico que era instituído de regulações absurdas e burocráticas foi abolido da participação americana, gerando um alívio para o comércio interno. A jornada do Trump em enxugar a máquina não para por aí, na primeira semana aplicou um congelamento para contratações de novos funcionários públicos e um corte histórico de cargos comissionados. Eis que Trump já cumpre uma de suas principais promessas de gerar um corte de gastos e regulações históricas desde Ronald Reagan.
Para o alívio dos americanos conservadores e mais comuns, Trump cortou quaisquer verbas e subsídios públicos e federais a quaisquer organizações que promovam o aborto em território norte-americano ou a nível internacional. O Planned Parenthood, órgão responsável e acusado por estimular abortos nos EUA, agora sente-se ameaçado diante de um boicote deliberado que está por vir. Vale lembrar que essa mesma organização promoveu um mercado de vendas de órgãos fetais, gerando uma revolta generalizada no mundo inteiro.
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Talvez a maior polêmica até agora em torno da administração Trump seja o novo decreto autorizando a construção do muro, uma famosa promessa de campanha do magnata. Vale lembrar que o muro já existe, foi construído por Bill Clinton e duplicado e sofisticado em seu sistema de vigilância pelo Obama, o qual gerou uma deportação histórica de mais de 2 milhões de imigrantes. O Trump visa dar continuidade ao projeto com um sistema de vigilância mais aprimorado. Ao contrário do que pensam, a existência do muro não é nem de longe de benefício unilateral. Ele ajudará o controle fiscalizatório efetivo do fluxo de imigrantes mexicanos, combatendo o narco-tráfico e ajudando o governo mexicano a encarcerar os criminosos, diminuindo o índice de violência proveniente de imigrantes ilegais nos EUA e quebrando as pernas do narco-tráfico mexicano.
Nem de longe o governo mexicano estaria sendo humilhado em pagar ou ao menos custear parcialmente o muro, uma vez que trará inúmeros benefícios a ambos os países. Vale lembrar que nem o Trump e nem ninguém é contra a imigração em si, apenas contra as consequências nefastas da imigração ilegal e a criminalidade originada desse meio que gerou prejuízos milionários ao erário público norte-americano com segurança pública e encarceramento de cidadãos mexicanos que nem sequer tinham visto para habitarem o território americano.
Porém, o Presidente do México não demonstrou nenhum interesse em negociar os custos do muro, o que provavelmente faz-nos deduzir seu rabo preso com o cartel de drogas mexicanos, uma vez que a muralha ajudaria efetivamente a barrar não só o fluxo imigratório que ameaçaria a segurança pública norte-americana, mas também complicaria a margem de lucro dos narco-traficantes do México, o qual dominam quase que completamente a classe política mexicana. Em resposta a negativa do Presidente Mexicano, Trump anunciou que irá taxar os produtos importados do México em até 20%, gerando um boicote econômico e inflação dos preços dos bens produzidor por lá, impulsionando os consumidores a escolherem os mais baratos culminando em prejuízos ao mercado privado mexicano.
Voltando a onda de protestos. Recentemente uma multidão de manifestantes foram demonstrar apoio ao Trump com a “Marcha pela Vida”, movimentação essa que angariou mais manifestantes que os protestos contra. E curiosamente a grande mídia não tem abordado isso, ou ao menos abordaram de maneira tendenciosa e bastante tímida.
Como eu já havia falado por aqui, vale lembrar que desde os anos 70 o Trump vem sendo cogitado como um potencial Presidente dos EUA, inclusive era recepcionado de maneira entusiasmada pelo público e pela grande mídia. A partir do momento que o magnata anunciou sua pré-candidatura, deu início ao que até então seria configurado como o maior assassinato de reputações jamais antes visto, operado de maneira sistemática por toda a grande mídia em comunhão com os principais multi-bilionários que financiam movimentos e ideias progressistas no mundo inteiro, que é o caso da Open Society, do George Soros.
A mídia desde a campanha estava obstinada a tachar o Trump como um megalômano que não cumpriria nenhuma de suas promessas, não passando de um palhaço. Eis que o Trump demonstrou ter liderança e fibra para fazer cumprir suas principais promessas já na primeira semana do mandato, implicando em mudanças mais substanciais que toda a administração Obama.

CARTA CAPITAL ACUSA IVES GANDRA FILHO DE MACHISMO EM DECISÃO QUE BENEFICIA MULHER - Taiguara Fernandes30/01/2017

Carta Capital dá aula de Fake News ao acusar Ives Gandra Filho de citar a Bíblia e ser conservador... sem notar que julgou a favor da mulher.
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Ontem o portal Senso Incomum fez um magnífico trabalho de investigação e desvendou a fábrica de mentiras contra Ives Gandra Filho, jurista conservador cotado para o STF. A fonte primária das acusações de machismo contra Ives Gandra estão vindo de um site de Carta Capital, o portal Justificando, fundado por jornalistas ligados ao PT, conforme comprovou a reportagem do Senso.
Em artigo anterior, desfiz as fake news sobre a suposta “submissão da mulher”, que o Senso demonstrou, na mesma reportagem, ter vindo originalmente do portal jurídico de Carta Capital. Neste artigo vou desmascarar outra farsa, originada do mesmo portal.
Justificando fez matéria acusando Ives Gandra Filho de ter utilizado “fundamentação machista” em voto de um julgamento no TST, a respeito do descanso da mulher antes da sobrejornada de trabalho. Ives foi relator da decisão e garantiu o descanso da mulher.
Justificando, contudo, afirma que Ives Gandra teria utilizado motivos “machistas” para garantir o direito. Veja a acusação do portal:
Justificando - O voto de Ives Gandra
Antes de tudo, é preciso denunciar a deturpação cínica realizada: o portal Justificando afirma que “os quinze minutos de hora extra para as mulheres seria interessante para desestimular o empregador“, mas isso é uma distorção do trecho do voto que eles citam logo em seguida: O voto fala em “desestimular a prestação de sobrejornada por parte da mulher“, não em “desestimular o empregador”. Quem presta algo, por óbvio, é o prestador, o empregado, não o empregador!
O portal distorceu deliberadamente o sentido para afirmar que Ives Gandra estaria defendendo a dificultação da entrada de mulheres no mercado, quando o que ele está afirmando é outra coisa: após dizer que “a necessidade de proteção [da mulher] é inegável” (o trecho está destacado no próprio artigo), Ives afirma que os quinze minutos de descanso antes da hora extra devem ser pagos pelo empregador para que ele evite sobrecarregar a mulher trabalhadora – que, normalmente, tem outras responsabilidades em casa – com jornadas adicionais, sem uma compensação por isso.
É preciso ser muito maldoso para ver algo de ruim nesta motivação, que, além de nobre, preza enormemente pela dignidade da mulher.
Mais do que isso, o portal Justificando caiu no machismo no próprio artigo que pretendia denunciar essa ilusão que só as suas mentes deformadas viram: ao criticarem Ives Gandra por afirmar que as mulheres deveriam ser protegidas por, muitas vezes, acumularem deveres domésticos com os deveres de trabalho, o portal Justificando está afirmando que as mulheres que são mães de família e trabalhadoras não deveriam ser protegidas e, ainda, que o cuidado da casa e dos filhos é um demérito para essas mulheres.
Justificando demonstra claramente seu horror aos papéis de mãe e esposa (que eles consideram não precisar de proteção) ao citar uma advogada integrante da Rede Feminista de Juristas:
Justificando - machismo de Ives Gandra Filho
Ora, se Ives Gandra é criticado por conferir proteção às mulheres trabalhadoras que exercem também os papéis de mãe e esposa, então o portal Justificando acredita que esses papéis são coisas de menor valor para a mulher e que não devem ser protegidos.
Quantas mães não são ofendidas por essa sugestão? Quantas mulheres trabalhadoras que, além do trabalho, cuidam de sua casa e de seus filhos não são vilipendiadas por esse preconceito do portal Justificando? Mais ainda: por que Justificando recrimina Ives Gandra por buscar proteger toda uma parcela de mulheres que, além de trabalhar, cuida de suas casas, como se isso fosse uma atividade de menor valia para elas?
No ânsia de criticar Ives Gandra, o portal Justificando caiu no machismo e ofende milhares de mulheres trabalhadoras que são também mães de família e esposas, insinuando que suas atividades domésticas não precisariam de proteção, que seriam deméritos para elas.
O portal Justificando omitiu também a decisão final do processo em que Ives Gandra Filho foi relator, recortando trechos do seu voto e conferindo interpretações maldosas – expediente que foi feito pela mídia também com um artigo jurídico de Ives Gandra, conforme demonstrei.
Vejam a decisão completa e respondam – quanto maldade, estupidez e deformação moral é preciso para ver “machismo” nisto aqui?
A C Ó R D Ã O
MULHER – INTERVALO DE 15 MINUTOS ANTES DE LABOR EM SOBREJORNADA – CONSTITUCIONALIDADE DO ART. 384 DA CLT EM FACE DO ART. 5º, I, DA CF.
1. O art. 384 da CLT impõe intervalo de 15 minutos antes de se começar a prestação de horas extras pela trabalhadora mulher. Pretende-se sua não-recepção pela Constituição Federal, dada a plena igualdade de direitos e obrigações entre homens e mulheres decantada pela Carta Política de 1988 (art. 5º, I), como conquista feminina no campo jurídico.
2. A igualdade jurídica e intelectual entre homens e mulheres não afasta a natural diferenciação fisiológica e psicológica dos sexos, não escapando ao senso comum a patente diferença de compleição física entre homens e mulheres. Analisando o art. 384 da CLT em seu contexto, verifica-se que se trata de norma legal inserida no capítulo que cuida da proteção do trabalho da mulher e que, versando sobre intervalo intrajornada, possui natureza de norma afeta à medicina e segurança do trabalho, infensa à negociação coletiva, dada a sua indisponibilidade (cfr. Orientação Jurisprudencial 342 da SBDI-1 do TST).
3. O maior desgaste natural da mulher trabalhadora não foi desconsiderado pelo Constituinte de 1988, que garantiu diferentes condições para a obtenção da aposentadoria, com menos idade e tempo de contribuição previdenciária para as mulheres (CF, art. 201, § 7º, I e II). A própria diferenciação temporal da licença-maternidade e paternidade (CF, art. 7º, XVIII e XIX; ADCT, art. 10, § 1º) deixa claro que o desgaste físico efetivo é da maternidade. A praxe generalizada, ademais, é a de se postergar o gozo da licença-maternidade para depois do parto, o que leva a mulher, nos meses finais da gestação, a um desgaste físico cada vez maior, o que justifica o tratamento diferenciado em termos de jornada de trabalho e período de descanso.
4. Não é demais lembrar que as mulheres que trabalham fora do lar estão sujeitas a dupla jornada de trabalho, pois ainda realizam as atividades domésticas quando retornam à casa. Por mais que se dividam as tarefas domésticas entre o casal, o peso maior da administração da casa e da educação dos filhos acaba recaindo sobre a mulher.
5. Nesse diapasão, levando-se em consideração a máxima albergada pelo princípio da isonomia, de tratar desigualmente os desiguais na medida das suas desigualdades, ao ônus da dupla missão, familiar e profissional, que desempenha a mulher trabalhadora corresponde o bônus da jubilação antecipada e da concessão de vantagens específicas, em função de suas circunstâncias próprias, como é o caso do intervalo de 15 minutos antes de iniciar uma jornada extraordinária, sendo de se rejeitar a pretensa inconstitucionalidade do art. 384 da CLT.
Justificando revelou todo o seu machismo ao ignorar as mulheres trabalhadoras que são também mães e esposas. O portal está sendo contrário a uma decisão que visivelmente só protegeu e favoreceu essas mulheres.
Outro que caiu no machismo ao criticar o Presidente do TST foi o colunista de O Globo, Lauro Jardim.
Lauro Jardim insinuou que a irmã de Ives Gandra Filho, a competente professora Ângela Vidal Gandra Martins, teria sido contratada irregularmente para dar aulas na Escola Nacional da Magistratura do Trabalho (ENAMAT) por favorecimento de seu irmão, o Presidente do TST.
Em artigo de hoje no Senso Incomum, desmascarei mais essa farsa, comprovando que a legislação e o TCU não exigem licitação para contratação de professores e instrutores, por se tratar de talento personalíssimo.
O mais incoerente na atitude de Lauro Jardim, contudo, é o machismo intrínseco e descarado de sua insinuação.
Ao deixar no ar que a professora Ângela Vidal teria sido contratada por interferência do irmão, Lauro Jardim demonstra não acreditar na sua capacidade, competência e méritos próprios. A notória especialização do profissional é um requisito da Lei de Licitações para tornar inexigível a contratação de professores: por que Lauro Jardim não acredita que Ângela seria capaz de comprovar sua especialização?
Ângela Vidal Gandra Martins é uma professora competentíssima e com ampla experiência acadêmica e profissional:
Graduou-se em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP). Advogada da Advocacia Gandra Martins. Foi Assessora Jurídica da Associação Comercial do Paraná. Mestre e Doutora em Filosofia do Direito pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Pesquisadora na Harvard Law School. Professora de Fundamentos Antropológicos do Direito. Experiência em  Empresas Familiares, Arbitragem  e Direito Interrnacional.
Formada no Programa de Administração Avançada (Advanced Management Program) do IESE  Business School.
Representante da FECOMERCIO na ICC (International Chamber of Commerce).
(Currículo completo aqui)
Por que Lauro Jardim acredita que Ângela precisou de uma “ajudinha” escusa para dar aulas na ENAMAT? Não é um preconceito “machista” desconfiar de sua capacidade?
Os portais esquerdistas têm partido para uma guerra de mentiras das mais descaradas – caindo, eles próprios, naquilo de que acusam.
Estes dois exemplos de fake news demonstram como Ives Gandra Filho tem sido vítima do maior assassinato de reputação recente, simplesmente por ser cristão e conservador (leia um perfil dele aqui).
Esperamos que Michel Temer não caia nessa falcatrua.
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Luiz Felipe Pondé: "Falta de grana mata o amor porque ele perece diante da falta de horizontes"


Ricardo Cammarota/Folhapress
Ilustração Luiz Felipe Pondé de 30.jan.2017
Folha de São Paulo


Afeto tem preço? Sim, tem. E, enquanto você não descobriu o seu preço, ainda não pensou a fundo no tema.

Algum tempo atrás, nesta coluna, escrevi que hoje em dia é difícil saber separar afeto de grana (referia-me especificamente ao amor entre pais e filhos, mas o tema vai além disso, tocando o amor romântico também). Recebi alguns e-mails de leitoras revoltadas dizendo que era um absurdo eu não ser capaz de separar amor e grana. Eu já acho o contrário. Enquanto não pensarmos claramente no quanto amor e grana se misturam, não veremos nenhuma fronteira entre os dois.

Em nossa época, mentiras viraram moeda de troca no mercado do pensamento público. Agradar aos outros é métrica de valor. Eu não jogo esse jogo.

Devemos escapar da armadilha comum de pensar que assumir um preço para o afeto implica ser uma pessoa interesseira. Claro que esse caso óbvio também existe. Penso em pessoas motivadas pelo afeto mesmo e que, tristemente, às vezes, se batem com o limite material delas. Não era outra coisa que o grande Nelson Rodrigues tinha em mente quando dizia que dinheiro compra até amor verdadeiro.

O fato é que grana é um potencializador da vida. Com ela você pode criar um ambiente no qual confiança, bem-estar e um forte sentimento de muitas perspectivas se abrem diante de você. Onde bons sentimentos nascem? Num final de semana prolongado em Roma ou no trânsito de oito horas para Praia Grande?

Grana cria horizontes no quais você se desenvolve e pode sonhar com melhores modelos de você mesmo. Grana dá a você a chance de ser generoso, ousado, seguro de si mesmo. No caso das meninas se dá a mesma coisa.

Acrescentaria que no caso das meninas existe também um delicado sentimento (às vezes enterrado no mais fundo do cotidiano) de que, se alguém te dá uma bijuteria no lugar de uma joia, você se sente uma bijuteria, e não uma joia. E, em alguma medida, com razão. Porque o preço de uma joia representa o valor investido na mulher para quem você dá essa joia.

Homens, que na maioria das vezes ganham mais e são mais escravos da obrigação do sucesso material, se sentem investidos de amor pela mulher quando ela demonstra serem eles a sua prioridade. Quando ela reconhece potência em tudo o que eles fazem –o que não significa só ganhar dinheiro.

Falta de grana mata o amor porque ele perece diante da falta de horizontes. Do sentimento de que a vida está acabada naquela fórmula pobre de ser. Num cotidiano em que a rotina é sempre a da falta de liberdade de escolha. A dificuldade de enxergar isso torna ainda mais o afeto dependente da grana. A mentira sobre isso torna o amor ainda mais barato porque mais indefeso diante das contingências do dia a dia.

Quer outro exemplo? Você se casa com um cara que tem uma ex-mulher. Se ele der muita atenção para ela e se preocupar muito em deixá-la "bem materialmente" mesmo depois da separação, você vai, sim, achar que ele ainda a ama. Não minta sobre isso só pra ficar bem com o marketing do bem, que deixa o mundo ainda mais cretino do que ele já é normalmente.

O caso do amor entre pais e filhos não é tão diferente, apesar de depender mais da classe social e da cultura do país. No Brasil, da classe média alta pra cima, se você não der um apartamento para cada filho, fracassou como pai.

Imagine que seu pai deixou sua mãe por uma mulher 20 anos mais nova do que ele, e que ele teve um filho com ela. Sei, sei, dizem por aí que todos os jovens tiram isso de letra hoje, mas isso é, também, uma mentira do marketing do bem.

Agora imagine que ele nega para você uma viagem para Paris nas férias, mas faz um lindo quarto de bebê com todas as frescuras que sua nova jovem mulher pede. 

Quando encontra com você, só fala do novo "irmãozinho". Que tal?

Invertamos a situação. Imagine que você dedicou 40 anos da sua vida para seu filho. Imagine que agora ele é bem-sucedido profissionalmente, mas deixa você viver numa casa de repouso miserável paga com sua aposentadoria.

Onde está a fronteira entre amor e grana aí? Em Roma ou Praia Grande?


O chefe da ORCRIM no banco dos réus - Lula já pode ser denunciado como chefe do quadrilhão - com O Antagonista

O chefe da ORCRIM no banco dos réus


Rodrigo Janot, agora que os depoimentos da Odebrecht foram homologados, já pode denunciar Lula como chefe do quadrilhão.
Teori Zavascki foi fundamental para que isso ocorresse.

URGENTE: LULA CONFIRMADO NO QUADRILHÃO

Brasil  14:53
Lula passa a ser investigado no principal inquérito da Lava Jato no STF, que apura a atuação da ORCRIM na Petrobras.
Teori Zavascki autorizou a inclusão do petista.

PF PRENDE EIKE - com O Antagonista

PF PRENDE EIKE


A PF acabou de prender Eike Batista.

TV Globo

domingo, 29 de janeiro de 2017

A prepotência de Eike servia à corrupção - Elio Gaspari


- O Globo

Em junho de 2011, o empresário Eike Batista admitiu que emprestara o seu jatinho Legacy ao governador Sérgio Cabral para que ele chegasse a um resort da Bahia para a festa de aniversário do seu amigo Fernando Cavendish, dono da empreiteira Delta. Interpelado sobre a eventual impropriedade do mimo, Eike vestiu o manto de homem mais rico do Brasil, oitavo do mundo, e respondeu:

“Tive satisfação em ter colocado meu avião à disposição do governador Sérgio Cabral, que vem realizando seu trabalho com grande competência e determinação. Sou livre para selecionar minhas amizades, contribuir para campanhas políticas, trazer a Olimpíada para o Rio (...) e auxiliar a realização de diversos projetos sociais e culturais do estado.”

Batista exercitava a superioridade dos poderosos. Ele sabia a natureza de suas relações com o governador e tinha certeza de que esse segredo jamais seria rompido. Entre 2009 e 2011 o casal Cabral voara 13 vezes nas asas de Eike, mas isso era apenas um aperitivo. Ele deslizara US$ 16,5 milhões para os bolsos de Cabral, sempre “com grande competência e determinação.”

A sabedoria convencional leva as pessoas a acreditar que empresários muito ricos são também muito inteligentes. Os casos de Eike e Marcelo Odebrecht mostram que às vezes a prepotência lhes embaça o raciocínio. Eike não precisava ter assumido um tom principesco ao tratar do empréstimo do avião. Da mesma forma, em 2014, ao ser incriminado na Lava-Jato, Odebrecht deu uma lição de moral à imprensa: “A euforia de se publicar notícias de impacto em período eleitoral extrapolou o razoável. (...) Neste cenário nada democrático, fala-se o que se quer, sem as devidas comprovações, e alguns veículos da mídia acabam por apoiar o vazamento de informação protegida por lei, tratando como verdadeira a eventual denúncia vazia de um criminoso confesso e que é ‘premiado’ por denunciar a maior quantidade possível de empresas e pessoas.”

Tanto no caso de Eike como no de Odebrecht, as suspeitas de 2011 e 2014 revelaram-se conversas de freiras. A verdade ia muito além. Para glória da Viúva, Marcelo Odebrecht e seus 77 executivos tornaram-se “criminosos confessos.” Eike irá pelo mesmo caminho.

‘La La Land’ cura qualquer mau humor
Por mais algumas semanas funcionarão pelo mundo afora salas de distribuição de bom humor. Seja qual for a apurrinhação que azara a vida do sujeito, ele poderá entrar num cinema e o filme “La La Land” o ajudará a ficar de bem com a vida. (O juiz Moro deveria fazer sessões terapêuticas para os seus hóspedes de Curitiba.)

“La La Land” tem romance, poesia e a mágica da máquina de moer gente de Hollywood. Tudo isso e mais dois grandes atores: Ryan Gosling (um músico à procura de um cantinho para seu talento), Emma Stone (uma jovem atriz sem futuro). Isso e mais os olhos dela, capazes de cantar.

Passarão os anos para que se saiba o nome dos diretores de elenco que humilharam Ryan e Emma. (A cena do diretor que encerrou o teste para combinar um almoço aconteceu com ele, não com ela.)

Quase tudo ali é fantasia e verdade. Ela não trabalhava numa lanchonete, mas numa loja de petiscos para cachorros. A Emma da vida real é muito mais obstinada. Quando tinha 14 anos montou para os pais uma apresentação de PowerPoint intitulada “Projeto Hollywood.” Meses depois a mãe mudou-se com ela para Los Angeles. O resto é o sonho americano no cenário de Hollywood.

Desde 1951, quando o diretor Vittorio De Sica botou os favelados de Milão montados em vassouras e voando felizes sobre a Praça do Duomo, essa mágica dá sorte aos filmes. Em 2002 Steven Spielberg botou o E.T. para voar na caçamba da bicicleta do garoto. Emma e Ryan voam dançando.

Madame Natasha
Madame Natasha teve uma paixão juvenil por Mário Américo, um negro parrudo que acompanhou a seleção brasileira em seis copas do mundo como massagista. Chamavam-no “o homem das mãos de ouro.”

Natasha está inconformada com o aparecimento da palavra “massoterapeuta” para designar massagistas.

Se alguém dissesse a Mário Américo que ele era um “massoterapeuta”, talvez apanhasse.

Gandra é barbada
Depois que foram conhecidas as opiniões do doutor Ives Gandra Filho sobre o papel das mulheres, o divórcio e o casamento de bípedes com quadrupedes, ele se tornou uma barbada para uma cadeira na mais alta Corte da Arábia Saudita.

Peña Nieto
A briga de Donald Trump com o México pode sair cara para quem der simpatia automática ao presidente Enrique Peña Nieto.

O doutor está no vértice de um regime corrupto (não é o único) e já foi apanhado com a mão na massa. Em 2014 uma equipe de jornalistas chefiado por Carmen Aristegui revelou que a mulher de Peña Nieto ganhara de um empreiteiro uma casa cinematográfica, avaliada em US$ 7,5 milhões.

Mexendo seus pauzinhos, poderosos mexicanos desempregaram Aristegui e outros dois colegas. (Ela continuou trabalhando na CNN.)

Em julho de 2016 Peña Nieto pediu desculpas ao povo mexicano pelo “erro” imobiliário. Levou dois anos para perceber.

Trumpistão
No dia da posse de Trump sua secretária de Educação, a milionária Betsy DeVos postou uma mensagem de 18 palavras. Cometeu dois erros de inglês e um de estilo.

Preguiçoso
Um conhecedor das mumunhas da corrupção revelou-se surpreso com os costumes de Sérgio Cabral. Segundo ele, o ex-governador foi um caso de corrupto preguiçoso.

Habitualmente os ladrões pegam a sua parte e vão em frente. Veja-se o caso dos milionários das petrorroubalheiras. Cabral, porém, usava seus doleiros para pagar contas corriqueiras, como IPTU, IPVA ou mesmo conserto de carros. Aí o caso não é apenas de corrupção, mas preguiça mesmo, pois nem isso ele fazia.

Francis faz falta
Paulo Francis morreu em 1997, mas está fazendo uma falta danada. Diversas idiossincrasias de Donald Trump parecem ter saído do almanaque do jornalista.

Ele ficaria feliz ao saber que o presidente americano quer que organizações internacionais como a ONU, Otan e OEA vão às favas.

Lota avisou
Em dezembro de 2012, quando o poderoso Eike Batista queria transformar a Marina da Glória num mafuá anexo ao Hotel Glória, Lota Macedo Soares, a genial criadora do Aterro do Flamengo que se matou em 1967, mandou-lhe um e-mail. Ela dizia ao bilionário que não devia pavonear sua riqueza.

O chinês Huang Guangyu e o russo Mikhail Khodorkovsky foram os mais ricos de seus países e acabaram na cadeia.

Eike achava que Lota era doida, e que suas amizades nos governos municipal, estadual e federal resolveriam qualquer parada.

Saudades
No tempo do mensalão, o ministro Joaquim Barbosa era visto como uma encarnação do Tinhoso. Veio a Lava-Jato e com ela o juiz Sérgio Moro. Muita gente ficou com saudade de Joaquim Barbosa.

O juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal do Rio, deixará poderosos marqueses do Rio com saudades de Sérgio Moro.

NÃO COMPARE “REFUGIADOS” ISLÂMICOS COM JUDEUS SOB HITLER. JUDEUS FUGIAM DESSES “REFUGIADOS”. Flavio Morgenstern

Usando uma linguagem metonímica, a moda agora é comparar "refugiados" islâmicos justamente com judeus, que fugiram deles por toda a história.
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Imagine que várias pessoas se mudarão para seu bairro. Elas são machistas. Elas espancam mulheres. Elas odeiam judeus, negam o Holocausto e admiram Adolf Hitler. Elas são homofóbicas, acham que homossexualismo é doença e pecado, pensam como na Idade Média e que gays devem ser mortos. Também são racistas: acham que algumas raças e etnias devem ser extintas pelo bem delas. Você aceitaria receber tais pessoas? E se elas fossem os assim chamados “refugiados islâmicos”? Pois eles são praticamente idênticos.
A linguagem molda o pensamento, e a forma como algo é descrito muda nosso apreço a ela. Aliada a ideologias de moda, que se julgam profundos pensamentos estudados e sopesados, palavras como “feminismo” e “islamofóbico” convivem no mesmo discurso, sem que metade do Ocidente pareça atentar para a impossibilidade lógica, factual e existencial da convivência entre feministas e muçulmanos – apenas para se ficar no exemplo mais óbvio dos dias que correm.
Dessubstancializadas as palavras, que funcionam apenas como gritos de guerra e mandos de ordem para determinados segmentos políticos, os usuários da língua apenas podem preencher os sons que emitem dos vocábulos com analogias a realidades mais fáceis de serem absorvidas – via de regra fenômenos gigantescos ou ínfimos.
É o que estudiosos do fenômeno chamam de “linguagem metonímica”, que só faz referências às próprias impressões que pretende causar. Para entender qualquer evento complexo na política moderna, a regra de ouro é uma comparação alquebrada com o nazismo.
A ordem executiva assinada por Donald Trump, que instala um veto de entrada a 5 países muçulmanos em voga por serem contumazes exportadores de terroristas foi um destes eventos em que os comunicadores, que deveriam informar algo ao público além do que ele já presumiria saber, preferem apenas reduzir algo difícil a um referencial facilmente digerível, que cause horror às massas irrefletidamente.

O nacionalismo de Hitler

Um problema óbvio surge: os assim chamados “refugiados” islâmicos não se parecem nem um pouco com os judeus que estavam sendo perseguidos e dizimados por Adolf Hitler na Alemanha nazista. Exatamente o oposto: como qualquer criança de 10 anos assistindo a um noticiário pela primeira vez, eles estão exatamente do lado oposto, caçando judeus ao lado dos nazistas. Comparar “refugiados” muçulmanos logo a judeus é algo que deveria fazer qualquer um passar vergonha pela ignominia por anos sob risadas colossais, como a mamona de Requião. No entanto, é a regra hoje para se parecer alguém inteligente.
A substância dos fatos é bem diferente. Adolf Hitler era um socialista que levou a cabo uma forma de socialismo nacionalista, o Nazionale Sozialismus, ou nazismo. Apesar de o nacionalismo estar fora de moda no mundo e o caráter socialista do Terceiro Reich ser comumente ignorado, sua distância do modelo marxista-leninista se dava pelo conceito de Estado-Nação, algo quase exógeno à Alemanha: o poder do povo, incluindo sua “raça”, deveria se concretizar em um Estado forte com líder plenipotenciário, em um centralismo absoluto.
O inimigo que era o bode expiatório comum para ser culpado pelos defeitos europeus na época (inclusive por socialistas) eram os dois povos sem pátria a vaguear pelas nações: os ciganos e os judeus. Com a diferença óbvia de que os judeus prosperavam onde quer que parassem, dominavam a arte do comércio, da poupança e da especulação e até hoje são líderes em disciplina e patentes. Adolf Hitler, em um de seus discursos mais famosos na Hofbräuhaus em Munique e quase nunca traduzido, explica“por que somos anti-semitas” usando o velho bode expiatório do judeu, povo pária “sugando” os alemães, exigindo uma pátria livre de elementos “estrangeiros”.
Para o palpiteiro de 140 caracteres desconhecedor de qualquer estudo sério sobre o totalitarismo nazista, isto pode parecer um nacionalismo “simples”, modelo “meu país é melhor do que o seu”. Não é preciso avançar mais do que 10 páginas da leitura de Mein Kampf para testemunhar Hitler usando expressões francesas, elogiando arte italiana ou enxergando nos “nórdicos”, até então países pobres e rurais, seu grande modelo. O alvo de Hitler são elementos não-“arianos” em território alemão.
Alemanha nazista na ÁfricaSem entender isso, é praticamente impossível entender um dos eventos mais importantes da II Guerra Mundial, a Campanha Norte-Africana, quando a o Terceiro Reich operou na Líbia, Egito, Marrocos, Argélia (Operação Tocha) e Tunísia (Operação Tunísia), com efeitos que perduram até hoje. Foi tema de diversos filmes, como O poder de um jovem. O próprio Fusca foi projetado para ser bem usado no deserto (com poucos empurrões poderia ser “descapotado”). As forças Deutsches Afrikakorps foram atuantes para enfrentar o Common Wealth britânico na África, espalhando valores como representatividade popular e direitos individuais, tão caros à Inglaterra. Os planos de Hitler para a África incluíam um império colonial indo de Gana a Camarões.
Contanto que cada etnia ou, como Hitler as chamava, cada “raça” ficasse dentro de seu cercadinho, com uma potente Alemanha militarmente expansionista como “eixo” de influência no mundo, viveríamos sob o Tertium Imperium Germanicum.

Adolf Hitler: #refugeeswelcome

Seu alvo primordial eram judeus. Quem mais odiava judeus no mundo, apesar de o anti-semitismo ser corrente por séculos na Europa, era o povo que queria substituir o monoteísmo abraâmico de Israel por um outro modelo: os muçulmanos.
Com o esfacelamento do Império Otomano na Primeira Guerra, que o Estado Islâmico hoje tenta reviver, os territórios em disputa lutam pela criação também de estados soberanos, agravados pelas migrações e reformulações decorrentes da Grande Guerra. Surge um movimento que, mirando a mesquita de Al-Aqsa em Jerusalém, a primeira tentativa islâmica de aniquilação completa dos judeus do mundo, reivindica um vasto território chamado Palestina, e inicia um movimento de “Nacionalismo Palestino”, para criar um novo país exatamente onde está a Israel histórica, mas livre de judeus.
O líder do Nacionalismo Palestino era Amin al-Husseini, o “Grande Mufti de Jerusalém”. Apesar de usar um título dado pelo Império Britânico, sua ideologia era “anti-colonialista”, o que se espalhou pelo mundo a partir da educação centralizada na ONU e foi a única aprendida no Brasil desde então. Era anti-sionista, o movimento que reclamava aos judeus um país próprio onde Israel sempre existiu, e contrário às leis “imperialistas” do Common Wealth, que sempre garantiram que o povo não sofresse com tiranos.
Handshah Cimitarra Waffen SSDurante a Segunda Guerra, se refugiu na própria Alemanha nazista, colaborando com o Terceiro Reich fazendo transmissões via rádio e recrutando aos alemães soldados bósnios muçulmanos para a Waffen SS, formando a 13.ª Divisão de Montanha da Waffen SS Handschar, uma tropa de elite muçulmana-nazista para assassinar judeus e acelerar o Holocausto. Handschar (bósnio Handžar, árabe  khanjar, خنجر) é a cimitarra turca do Império Otomano.
Em troca, em encontro com o próprio Adolf Hitler, al-Husseini demandou ajuda para destruir Israel, estabelecendo uma independência árabe e o reconhecimento de um “Estado palestino” no lugar de Israel, conforme profecia islâmica. Em fevereiro de 1941, após encontro com Benito Mussolini, al-Husseini faz com que Alemanha nazista e Itália fascista reconheçam o “direito” de os estados árabes resolverem a “questão judaica”.
Amin al Husseini e Adolf Hitler.Em novembro, se encontra com o próprio Adolf Hitler, após conversas com Ernst von Weizsäcker e Joachim von Ribbentrop. Hitler estava ocupado com a guerra e com o “problema judeu”, mas prometeu apoio ao nacionalismo palestino contra judeus protegidos pela Inglaterra. A Alemanha nazista se foi, mas a retórica “anti-colonialista” e o reconhecimento a fórceps de uma suposta “Palestina”, que não permite nem assentamentos judaicos (ou seja: judeus morando e existindo pacificamente) permanece, transmitida da Alemanha nazista diretamente para a ONU.
Essa história não parece ser extremamente conhecida fora da Alemanha, e não parece que passou nas aulas de História dos jornalistas e das pessoas gritando que “Aqui se aceita refugiados!” no aeroporto JFK, em Nova York, após o anúncio de Donald Trump.
O mundo islâmico sempre odiou judeus, mas por motivos religiosos, enquanto a Europa odiava judeus por motivos econômicos (eram a burguesia que enriquecia com comércio, destruindo a antiga aristocracia rural) e nacionais: eram um povo “estranho”, que não comungava da mesma missa e não possuía os mesmos hábitos. Os judeus, na Europa, se fechavam em guetos: não tentavam impor o judaísmo aos países europeus. Eram, sim, verdadeiros refugiados: perseguidos desde a Antigüidade por impérios poderosíssimos (sua história começa com um Êxodo), agiam entre os seus, sabendo-se sempre ser uma minoria onde quer que estivessem.
Já muçulmanos de diversos matizes odeiam judeus por enxergar neste diminuto povo a Eterna Aliança Abraâmica que rivaliza com sua narrativa de um mundo sob o islamismo. Seu método de conquista é, justamente, a imigração (sua história começa com uma, a Hégira, que marca o início do calendário islâmico). Judeus, e israelitas, possuem mais Prêmios Nobel per capita do que qualquer país do mundo. Não se sabe de qualquer coisa boa ao mundo advinda do mundo islâmico recente. Há mais livros traduzidos para o espanhol no último ano do que livros traduzidos para o árabe nos últimos mil anos.
A história da invenção de uma “Palestina” por Amin al-Husseini é repetida com Hassan al-Banna, criador da Irmandade Muçulmana. Ou com todos os ditadores que, islamicamente, governam os países islâmicos do Oriente Médio. A maior parte não reconhece palestinos. Países ricos, como os Emirados Árabes Unidos, proíbem “refugiados” sírios. Quase todos proíbem judeus, sob penas que variam entre decapitação e enforcamento. O Hamas e o Irã negam o Holocausto, e prometem a destruição de Israel. O Hezbollah é abertamente pró-neonazismo, inclusive praticando a saudação nazista.
Em uma reportagem recente da Foreign Affairs vimos como Adolf Hitler é visto fora do mundo ocidental, ao alcance de redes sociais e canais de TV. Seu livro Mein Kampf é vendido normalmente em países islâmicos, e geralmente Hitler é visto como um grande líder que teve de lidar com o “problema judeu” e finalmente lhe deu uma solução. Com o fim dos direitos autorais sobre a auto-biografia de Hitler, a maior preocupação da Alemanha é com o público interessado no livro: Mein Kampf é vendido sobretudo para os “refugiados” islâmicos na Terra de Merkel.
Países como a Síria (na lista do veto de Donald Trump) e o Líbano são casos curiosos: fazendo parte doLevante, compreendem entrepostos comerciais que geraram uma das regiões mais ricas do planeta por milênios, enquanto impérios ruíam ao seu redor. Como tal, compreendiam uma variedade de etnias, religiões e povos em seu território. Assolados por guerras civis “anti-coloniais”, quando ditadores anteviam a possibilidade de aniquilar seus elementos “estranhos” ao islamismo e aplicar a shari’ah, geraram fugas em massa de sua população para países como o Brasil.
Cidades como a São Paulo, de Paulo Maluf e Fernando Haddad, possuem fartos elementos sírios e libaneses, da esfiha ao hospital de ponta Sírio-Libanês. É o prato cheio para analistas de meia pataca crerem que se deva aceitar “refugiados” islâmicos, afinal, São Paulo se enriqueceu com sírios e libaneses atuando juntos. Poucos parecem interessados em algo além de palavras ocas para verificar que são cristãos sírios e libaneses que vieram a São Paulo, justamente fugindo dos agora chamados “refugiados” que querem implantar a shari’ah.
Sem conhecer nada disso, o mais comum é ver jovens chamando todos que discordam deles de “nazistas”, comparando “refugiados” islâmicos com judeus, enxergando “anti-semitismo” na direita política e, naturalmente, negando a Israel o direito de existir, porque a “Palestina” está sofrendo com a existência de judeus.
Mas basta usar uma palavra agradável aos ouvidos dominados por expressões chocantes, como “fascista” ou “homofóbico”, cheias de -istas e -fóbicos, para atender ao grito apontando “islamofóbico!” e passar à boa e velha comparação com nazistas, tão somente porque as palavras parecem (“refugiados sírios fugindo de guerras!”), sem saber absolutamente nada da realidade destes povos.

Certamente, se alguma pessoa gritando que “refugiados são bem vindos” e postando fotos felizes ao lado de páginas sobre feminismo e criticando homofobia no Instagram ouvisse falar que está vindo uma horda de machistas, homofóbicos, racistas, anti-semitas e teocráticos que negam a Teoria da Evolução às suas calçadas, estariam todas exigindo que Donald Trump as varresse do mapa sob forte tortura.
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