sexta-feira, 27 de junho de 2014

Nem vítimas nem algozes - MERVAL PEREIRA

Nem vítimas nem algozes - MERVAL PEREIRA

O GLOBO - 26/06

Muito embora o plenário do Supremo tribunal Federal (STF) tenha reformado a decisão monocrática do ministro Joaquim Barbosa com relação à exigência de cumprimento de 1/6 da pena para que o condenado no regime semiaberto possa ter um trabalho externo, não aconteceu o que os militantes petistas tanto queriam, uma desmoralização do presidente demissionário, identificado por eles como um perseguidor dos mensaleiros condenados.

A começar pela manutenção da negativa de prisão domiciliar para o ex-presidente do PT José Genoino, o plenário do STF analisou as decisões de Barbosa referentes à execução das penas do processo do mensalão dando-lhe razão em alguns casos e discordando em outros, sempre ressaltando, por praticamente todos os membros, que a lei de execuções penais compreende diversas interpretações, não sendo nenhuma das decisões de Joaquim Barbosa questionável por ilegal ou despropositada.

Não há no caso nem vítimas nem algozes, como ressaltou o decano do Supremo, o ministro Celso de Mello, que fez questão de ressaltar a justeza das condenações e o caráter antidemocrático dos atos praticados pelos réus do mensalão.

O caso de Genoino se transformou em emblemática questão política, já que petistas utilizaram todos os meios para espalhar a ideia de que o ex-presidente do PT, contra o que dizem diversos laudos médicos, corre risco de vida se não for liberada sua prisão domiciliar.

ministro Luís Roberto Barroso, que assumiu a relatoria das execuções penais com a demissão de Barbosa, desde o primeiro momento que participou do julgamento do mensalão parece constrangido em condenar Genoino, e ontem voltou a elogiá-lo. No primeiro momento, lamentou condenar um homem que participou da resistência à ditadura no Brasil, em um tempo em que isso exigia abnegação e envolvia muitos riscos .

Esse discurso elogioso provocou a reação de diversos ministros na ocasião. A Ministra Cármen Lúcia disse que o juiz, infelizmente, não julga histórias, porque as histórias às vezes são feitas de desvios que seriam impensáveis de serem praticados em outra circunstância .

Ontem, Barroso classificou Genoino de símbolo do republicanismo e do igualitarismo antes de negar o pedido para que a prisão fosse transformada em domiciliar. Mas, sem que a questão estivesse em pauta, lembrou que Genoino cumpre 1/6 da pena em dois meses, dando a entender que a partir daí poderá ir para casa.

A questão do cumprimento de 1/6 das penas para a autorização de trabalho externo suscitou uma boa discussão sobre o sistema penitenciário e demonstrou que Barbosa não estava exagerando ao interpretar ao pé da letra a exigência do Código Penal.

Celso de Mello foi o único voto a apoiar Barbosa, mas não é o único a considerar que a jurisprudência do STF deve prevalecer sobre a do STJ, que desde 1999 vem admitindo o trabalho externo sem o cumprimento mínimo da pena. Mesmo os que votaram contra a posição de Barbosa, a começar pelo relator Barroso, admitiram que a situação do sistema penitenciário é um descalabro, e que a flexibilização da lei é necessária para conviver com nossa triste realidade.

A tese vencedora foi que a razoabilidade exige interpretação mais generosa da legislação, sendo lembrado que o Rio Grande do Sul já definiu que os presos em semiaberto devem ir para prisão domiciliar por falta de vagas compatíveis com o tipo de condenação. Esse assunto será levado ao plenário do STF pelo ministro Gilmar Mendes para que haja deliberação sobre essa decisão da justiça gaúcha.

Ficou claro que o estilo centralizador e autoritário do presidente demissionário Joaquim Barbosa não é o da preferência do plenário, tanto que a execução das penas será transferida para Vara de Execuções Penais de Brasília, e não centralizada pelo novo relator.

Mas ficou evidenciado que Barbosa não abusou de seu poder nem tomou decisões sem o apoio da lei. E certamente há um pensamento majoritário na sociedade, já detectado por pesquisas: o mensalão petista só levou poderosos para a cadeia e os manteve lá pelo estilo centralizador e autoritário de Barbosa, amplamente aprovado pela população, a ponto de uma parcela representativa querê-lo como candidato à Presidência.

quarta-feira, 25 de junho de 2014

VÍDEO QUE CIRCULA EM PORTUGAL SOBRE LULA


A HIPOCRISIA PETISTA - Sete episódios infames desmoralizam a ladainha da seita que louva a hipocrisia - POR AUGUSTO NUNES

Sete episódios infames desmoralizam a ladainha da seita que louva a hipocrisia

As oitavas de final já vão chegando, mas o time do Planalto continua tentando prorrogar o jogo de abertura da Copa, que terminou com a vitória do Brasil sobre a Croácia e a goleada sonora imposta a Dilma Rousseff pela multidão cansada de vigarices e bandalheiras protagonizadas pela seita lulopetista. Lula cobra dos adversários gestos de subserviência explícita à mãe e avó constrangida por xingamentos. Rui Falcão exige que os candidatos oposicionistas condenem (e com veemência) o comportamento dos 50 mil brasileiros que recomendaram à chefe de governo, em coro, o que todas as torcidas, em todos os estádios, invariavelmente ordenam ao juiz ou ao bandeirinha.
Haja hipocrisia, grita o calendário da infâmia companheira que ilustra este post. Pinçados entre centenas de manifestações liberticidas acumuladas pelo PT desde o dia do nascimento, sete episódios escancaram o farisaísmo do bando. Por achar que os fins justificam os meios, o bando no poder age há 13 anos como se tudo fosse permitido. Só é proibido alvejar com nomes feios a candidata em queda nas pesquisas e abandonada por antigos aliados, ressalva o mestre nos sermões de junho e repetem os coroinhas de missa negra. A ladainha é desmoralizada nos parágrafos seguintes:
MAIO DE 2000Sem perceber que os microfones estavam ligados, Lula se preparava para gravar a declaração de apoio a Fernando Marroni, candidato do PT a prefeito de Pelotas, quando qualificou a cidade gaúcha de “pólo exportador de veados”. Nunca se desculpou pela afronta. O partido não viu nada de mais no deboche homofóbico.
MAIO DE 2000Ao discursar para a tropa companheira, o deputado federal José Dirceu afirmou que os adversários políticos mereciam “apanhar nas ruas e nas urnas”. Dias depois da instrução expedida pelo presidente do PT, milicianos destacados para agitar a greve dos professores agrediram fisicamente o governador Mário Covas, já debilitado pelo câncer. Dirceu desmente ter dito o que disse no vídeo. Lula criticou Covas por ter aparecido no portão de um prédio público. O PT não viu nada de mais no monumento à violência.
JUNHO DE 2007Alguns jornalistas perguntaram a Marta Suplicy, à época acampada no Ministério do Turismo, se tinha algum conselho a oferecer aos milhares de passageiros atormentados pelo colapso da aviação civil. “Relaxa e goza”, sugeriu a companheira. Marta diria depois que “estava brincando” com os flagelados dos aeroportos. O PT não viu nada de mais no surto de humor da sexóloga em recesso.
JULHO DE 2007Ao lado de um assessor, em sua sala no Palácio do Planalto, Marco Aurélio Garcia soube pelo Jornal Nacional que a explosão do avião da TAM que matou 199 pessoas no aeroporto de Congonhas fora provocada por problemas mecânicos. O chanceler para assuntos cucarachas comemorou a notícia, que isentava o governo de culpas, com um obsceno toptoptop filmado por um cinegrafista. Garcia não pediu desculpas sequer aos parentes dos mortos. O PT não viu nada de mais no espetáculo da boçalidade.
FEVEREIRO DE 2013Numa livraria em São Paulo, onde faria uma palestra seguida de uma sessão de autógrafos, a jornalista cubana Yoani Sánchez foi sitiada por manifestantes que, berrando insultos, cassaram o direito de expressão da mulher que se opõe à ditadura comunista. O evento foi cancelado pelos organizadores. O PT não viu nada de mais na agressão liberticida.
FEVEREIRO DE 2014O companheiro paranaense André Vargas, vice-presidente da Câmara, aproveitou a abertura do ano legislativo para insultar o ministro Joaquim Barbosa, presidente do Supremo Tribunal Federal. Durante a cerimônia, o relator do processo do mensalão teve de ignorar as provocações do parlamentar a seu lado, que erguia o punho cerrado para solidarizar-se publicamente com os quadrilheiros engaiolados na Papuda. O PT não viu nada demais na ofensa intolerável ao chefe do Poder Judiciário. Vargas só foi expulso depois que a Polícia Federal descobriu os laços repulsivos que o vinculam à lavanderia de dólares do bandido Alberto Yousseff.
ABRIL DE 2014Escoltado por duas militantes, Rodrigo Grassi, assessor parlamentar da deputada companheira Érika Kokay, perseguiu Joaquim Barbosa numa avenida em Brasília, berrando termos ofensivos ao ministro do STF e palavras de ordem simpáticas aos quadrilheiros do mensalão. As imagens foram gravadas pelos próprios agressores. Pressionada pelo Brasil decente, a deputada teve de livrar-se do delinquente que sustentava. O PT achou muito compreensível a missão cumprida por Grassi.
Num comentário enviado à coluna, meu velho amigo Gonçalo Osório encerrou a ópera dos farsantes. “O primeiro a insultar a instituição da Presidência da República foi Lula. E o PT é o responsável pelo constante desrespeito a normas jurídicas, a decisões judiciais, ao mínimo decoro, à ordem, à ética e ao respeito que deve haver entre adversários políticos. O lulopetismo fez o que pôde para criar no Brasil antagonismos de classe, de raça, de religião, de ideologia. O que Dilma ouviu no Itaquerão é apenas consequência”.
Assustados com a paisagem eleitoral cada vez mais perigosa, os pastores da violência resolveram posar de apóstolos da tolerância. Lembram cafetinas indignadas com quem usa saias acima dos joelhos.

O governo acabou - MARCO SANTONIO VILLA

O governo acabou

Os ministérios estão paralisados. O que se mantém é a rotina administrativa

O governo Dilma definha a olhos vistos. Caminha para um fim melancólico. Os agentes econômicos têm plena consciência de que não podem esperar nada de novo. Cada declaração do ministro da Fazenda é recebida com desdém. As previsões são desmentidas semanas depois. Os planos não passam de ideias ao vento. O governo caiu no descrédito. Os ministérios estão paralisados. O que se mantém é a rotina administrativa. O governo se arrasta como um jogador de futebol, em fim de carreira, aos 40 minutos do segundo tempo, em uma tarde ensolarada.
Apesar do fracasso — e as pífias taxas de crescimento do PIB estão aí para que não haja nenhum desmentido —, Dilma é candidata à reeleição. São aquelas coisas que só acontecem no Brasil. Em qualquer lugar do mundo, após uma pálida gestão, o presidente abdicaria de concorrer. Não aqui. E, principalmente, tendo no governo a máquina petista que, hoje, só sobrevive como parasita do Estado.
A permanência no poder é a essência do projeto petista. Todo o resto é absolutamente secundário. O partido necessita da estrutura estatal para financeiramente se manter e o mesmo se aplica às suas lideranças — além dos milhares de assessores.
É nesta conjuntura que o partido tenta a todo custo manter o mesmo bloco que elegeu Dilma em 2010. E tem fracassado. Muitos dos companheiros de viagem já sentiram que os ventos estão soprando em sentido contrário. Estão procurando a oposição para manter o naco de poder que tiveram nos últimos 12 anos. O desafio para a oposição é como aproveitar esta divisão sem reproduzir a mesma forma de aliança que sempre condenou.
Como o cenário político foi ficando desfavorável à permanência do petismo, era mais que esperada a constante presença de Lula como elemento motivador e agregador para as alianças. Sabe, como criador, que o fracasso eleitoral da criatura será também o seu. Mas o sentimento popular de enfado, de cansaço, também o atingiu. O encanto está sendo quebrado, tanto no Brasil como no exterior. Hoje suas viagens internacionais não têm mais o apelo do período presidencial. Viaja como lobista utilizando descaradamente a estrutura governamental e intermediando negócios nebulosos à custa do Erário.
Se na campanha de 2010 era um presidente que pretendia eleger o sucessor, quatro anos depois a sua participação soa estranha, postiça. A tentativa de transferência do carisma fracassou. Isto explica por que Lula tem de trabalhar ativamente na campanha. Dilma deve ficar em um plano secundário quando o processo eleitoral efetivamente começar. Ela não tem o que apresentar. O figurino de faxineira, combatente da corrupção, foi esquecido. Na história da República, não houve um quadriênio com tantas acusações de “malfeitos” e desvios bilionários, como o dela. O figurino de gerentona foi abandonado com a sucessão de “pibinhos”. O que restou? Nada.
Lula está como gosta. É o centro das atenções. Acredita que pode novamente encarnar o personagem de Dom Sebastião. Em um país com uma pobre cultura democrática, não deve ser desprezada a sua participação nas eleições.
A paralisia política tem reflexos diretos na gestão governamental. As principais obras públicas estão atrasadas. Boa parte delas, além do atraso, teve majorados seus custos. Em três anos e meio, Dilma não conseguiu entregar nenhuma obra importante de infraestrutura. Isto em um país com os conhecidos problemas nesta área e que trazem sérios prejuízos à economia. Mas quando a ideologia se sobrepõe aos interesses nacionais não causa estranheza o investimento de US$ 1 bilhão na modernização e ampliação do porto de Mariel. Ou seja, a ironia da história é que a maior ação administrativa do governo Dilma não foi no Brasil, mas em Cuba.
Os investimentos de longo prazo foram caindo, os gastos para o desenvolvimento de educação, ciência e tecnologia são inferiores às necessidades de um país com as nossas carências. Não há uma área no governo que tenha cumprido suas metas, se destacado pela eficiência e que o ministro — alguém lembra o nome de ao menos cinco deles? — tenha se transformado em referência, positiva, claro, pois negativa não faltam candidatos.
O irresponsável namoro com o populismo econômico levou ao abandono das contas públicas, das metas de inflação e ao desequilíbrio das tarifas públicas. Basta ver o rombo produzido no setor elétrico. A ação governamental ficou pautada exclusivamente pela manutenção do PT no poder. As intervenções estatais impuseram uma lógica voluntarista e um estatismo fora de época. Basta citar as fabulosas injeções de capital — via Tesouro — para o BNDES e os generosos empréstimos (alguns, quase doações) ao grande capital. E a dívida pública, que está próxima dos R$ 2,5 trilhões?
No campo externo as opções escolhidas pelo governo foram as piores possíveis. Mais uma vez foi a ideologia que deu o tom. Basta citar um exemplo: a opção preferencial pelo Mercosul. Enquanto isso, o eixo dinâmico da economia mundial está se transferindo para a região Ásia-Pacífico.
Ainda não sabemos plenamente o significado para o país desta gestão. Mas quando comparamos os nossos índices de crescimento do PIB com os dos países emergentes ou nossos vizinhos da América Latina, o resultado é assustador. É possível estimar que no quadriênio Dilma a média sequer chegue a 2%. A média dos emergentes é de 5,2%, e da América Latina, de 3,2%. E o governo Dilma ainda tem mais sete meses pela frente. Meses de paralisia econômica. Haja agonia.
Marco Antonio Villa é historiador

Soberba e populismo - EDITORIAL O ESTADÃO O ESTADO DE S.PAULO - 24/06

Soberba e populismo - EDITORIAL O ESTADÃO

O ESTADO DE S.PAULO - 24/06

Há uma característica peculiar no DNA do PT que tem dificultado a articulação de alianças em torno da candidatura de Dilma Rousseff à reeleição: a soberba. A arrogância do comando lulopetista, que posa de monopolista da virtude e despreza os aliados porque age por puro fisiologismo, tem sido responsável por importantes reveses nesta pré-campanha eleitoral. O mais recente é a decisão do PMDB fluminense de apoiar a candidatura de Aécio Neves à Presidência em dobradinha com a do governador Luis Fernando Pezão à reeleição.

A dissidência do PMDB fluminense não se enquadra exatamente na galeria dos episódios louváveis que honram a política brasileira. É pura e simplesmente o desdobramento do toma lá dá cá que o PT não inventou, mas empenhou-se diligentemente em aperfeiçoar ao longo de quase 12 anos no poder. Desde a eleição ao governo estadual do peemedebista Sérgio Cabral em 2006, coerente com a orientação da direção nacional do partido, o PMDB fluminense e o governador em particular posicionaram-se com armas e bagagens no séquito de Luiz Inácio Lula da Silva. A ligação entre Lula e Cabral parecia tão sólida que este chegou a sonhar, em 2010, em ser o vice de Dilma Rousseff. Teve de se contentar com a candidatura à reeleição.

Mas a decepção definitiva de Cabral veio quando, em vez de honrar a aliança apoiando o candidato dele à própria sucessão, o PT optou por aceitar o fato consumado da candidatura do senador Lindbergh Farias ao governo do Estado, até porque a popularidade de Cabral caíra vertiginosamente, contaminando a de Pezão. Agora, Cabral e o PMDB fluminense dão o troco. Oficialmente, Pezão e Cabral continuarão apoiando Dilma. Mas a poderosa máquina política do PMDB fluminense vai trabalhar por Aécio Neves.

Às más notícias no plano das alianças eleitorais a soberba lulopetista parece disposta a responder com mais do mesmo, a julgar por tudo que foi proclamado na convenção nacional que confirmou a candidatura de Dilma à reeleição. A começar pelo fato de que a presidente está agora oficialmente enquadrada, pela proverbial imodéstia de Lula, na condição subalterna de "criatura" do Grande Chefe.

A insatisfação generalizada dos brasileiros com a qualidade dos serviços públicos se manifesta vigorosamente nas ruas. Mas Lula, Dilma e o PT se gabam de terem inventado um novo país, criando uma nova realidade nacional de desenvolvimento econômico e conquistas sociais. Estariam plenamente credenciados, portanto, a se lançarem à campanha eleitoral com o apelo à continuidade das fantásticas realizações com que mudaram para melhor a face do País. Mas como não podem ignorar que os brasileiros não estão lá muito satisfeitos com o que veem e, principalmente, sentem, é melhor ir de "mudança". Aliás, "mais mudança", porque, afinal, o estoque de promessas não cumpridas está longe de se esgotar.

O pior é que as principais novidades das "mudanças" apontam na direção do retrocesso. Apesar de terem repudiado o "ódio" revelado pela "elite branca" contra Dilma no lamentável episódio da abertura da Copa do Mundo, o discurso petista continuará focado no estímulo à cizânia nacional, à divisão dos brasileiros entre "nós" e "eles", agora com uma pegada mais "esquerdista" que procurará dar destaque à necessidade do "controle social da mídia" e de uma reforma política destinada não a aperfeiçoar o sistema democrático a serviço de uma sociedade pluralista, mas a consolidar a hegemonia da nomenklatura petista. Não é outro o objetivo do decreto que, a pretexto de "regulamentar o texto constitucional", pretende aparelhar a estrutura do Poder Central com "conselhos populares" manipulados pelo Planalto.

E todo esse conteúdo "popular" se derramará na campanha petista, embalado pela demagogia dos chavões populistas que durante a convenção de sábado Dilma leu no teleponto: "Recolhamos as pedras que atiram contra nós e vamos transformá-las em tijolos para fazer mais casas do Minha Casa, Minha Vida. Vamos recolher os xingamentos, os impropérios e as grosserias e transformá-los em versos de canções de esperança no futuro do Brasil".

A soberba afasta aliados. A demagogia populista nem sempre atrai eleitores.

Abreu e Lima continua a assombrar governo - EDITORIAL O GLOBO

Abreu e Lima continua a assombrar governo - EDITORIAL O GLOBO

O GLOBO - 24/06

Interesses de partidos, ideologias e pessoas fizeram com que o custo operacional da refinaria deva ser duas vezes superior à média mundial


A Petrobras oficialmente insiste que tudo transcorre dentro da normalidade, enquanto o governo atua no front político para evitar qualquer possibilidade de investigação séria no Congresso, onde há uma CPI chapa-branca instalada no Senado e outra, mista, de deputados e senadores, em que existe algum risco para o Planalto.

Mas, apesar de todas as manobras, os gritantes desmandos na execução do projeto da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, continuam a se impor por si mesmos. São tamanhos os desvios que, recorrendo à imagem desgastada do lixo jogado para baixo do tapete, conclui-se que a capacidade de toda a indústria de tecelagem não parece capaz de encobrir tudo que tem sido descoberto nessa história exemplar de como não se pode subordinar a ação do Estado a interesses de partidos, ideologias e pessoas. Houve a conjugação desses três fatores no escândalo de Abreu e Lima.

Não é sempre, mesmo na indústria do petróleo, onde as cifras são contabilizadas em bilhões de dólares, que um projeto orçado há 11 anos em US$ 2,3 bilhões chega a US$ 18,5 bilhões, dado de abril, e pode ter um custo final de US$ 20,1 bilhões.

Reportagens publicados pelo GLOBO domingo e ontem traçam o roteiro de como o projeto, uma decisão conjunta dos amigos e aliados político-ideológicos Lula e Hugo Chávez, atropelou a sensatez e relatórios técnicos, para fazer surgir uma refinaria cujo preço do barril refinado será de US$ 87 mil, mais que o dobro da média mundial. E pior para o Brasil, pois Chávez morreu e os venezuelanos, que já não colocavam dinheiro no projeto, deixaram de vez a pesada fatura com a Petrobras. Por tabela, para o Tesouro, sustentado pelo contribuinte.

Cada vez mais se entende o sentido da afirmação do ex-diretor da estatal Paulo Roberto Costa à “Folha de S.Paulo”, entre uma prisão preventiva e outra, de que Abreu e Lima foi aprovada a partir de uma “conta de padeiro”. Quer dizer, a Petrobras, à época sob controle do lulopetismo sindicalista e aparelhada por indicações políticas, mesmo de técnicos da casa, se subordinou à vontade política do Planalto e do partido no poder.

Paulo Roberto Costa, diretor de Abastecimento, ele próprio apadrinhado (PP, PT e PMDB), conhece a história por dentro, porque presidiu o conselho de administração da refinaria. E nessa condição atuou na aprovação de inúmeros aditivos em contratos com empreiteiras e fornecedores de bens e serviços em geral, causa da explosão dos custos do projeto — em dólares, quase 800% acima do orçado.

Paulo Roberto está preso, de forma preventiva, a pedido da Polícia Federal, enquanto transcorre a Operação Lava-Jato, sobre bilionário esquema de lavagem de dinheiro administrado pelo doleiro Alberto Youssef, antigo conhecido do submundo da política. Impossível não relacionar uma coisa com a outra.

COLUNA DE CLAUDIO HUMBERTO

COLUNA DE CLAUDIO HUMBERTO

“Estímulo à intolerância, ao ódio e à divisão do País”
Aécio Neves (PSDB) definindo as ameaças do PT de perseguir os críticos do governo


Abin cria aplicativo clone do Whatsapp

Após a espionagem dos Estados Unidos contra autoridades brasileiras, que não foi capaz de evitar, a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) criou um aplicativo de troca instantânea de mensagens semelhante ao consagrado Whatsapp. Batizado de "Whatsbin", o aplicativo dos arapongas da Abin se chama na verdade Athenas e garante utilizar um sistema de mensagens criptografadas que seriam "ingrampeáveis".

Mercado
O “Whatsbin” interessa a políticos poderosos de Brasília, que temem a quebra de sigilo, porque seria, além de “ingrampeável”, “irrastreável”.


Clientela
Várias autoridades do governo passaram a usar o “Whatsbin”, como o secretário-adjunto da Casa Civil, Gilson Alceu Bittencourt.

‘Te amo’
Entre os “traídos” pelo Whatsapp estão o doleiro Alberto Youssef e o deputado Luiz Argôlo (SDD-BA), pegos em grampos dos federais.

Flagra
A Operação Lava Jato, da PF, flagrou mais de duzentas mensagens de Whatsapp do deputado André Vargas (PT-PR) com o doleiro Youssef.

PF alega sigilo
Ignora-se o destino de dezenas de armas que a Polícia Federal destruiu quando começou a utilizar somente pistolas Glock em serviço. Confrontada num pedido de acesso à Lei da Informação, a PF alegou “informação sigilosa” para preservar “a segurança da sociedade e do Estado”, mesma alegação dos cartões corporativos do Planalto, recordistas em “sigilo” e gastança. Também não revela o nº de armas.

Mão no gatilho
A PF negou-se a dizer quem autorizou e também se as armas teriam sido entregues ao Exército, como deveria, a fim de destruí-las.

Falou demais
Muitos petistas reclamaram do interminável discurso de Dilma na convenção do PT. Boa parte dos delegados foi embora antes do final.

Base de lançamento
Merece uma chuva de ovos o jerico que colocou em pauta na Câmara dos Deputados um projeto criando o Dia Nacional do Ovo.

Nem pensar
Dos 11 pontos previstos para o Live Site, o “Fan Fest” dos Jogos Olímpicos, um já foi descartado: Santa Tereza. A ideia foi abandonada pelo Comitê de Segurança das Olimpíadas do Rio de Janeiro.

Pedindo demais
Gilberto Kassab (PSD) tentou uma última cartada: sair candidato ao governo paulista com o Solidariedade de vice, mas mantendo o apoio a Dilma. Fechado com Geraldo Alckmin (PSDB), o Solidariedade rejeitou.

Público virou privado
Senadores do PT utilizaram, sem o menor pudor, carro oficial do Senado para ir à convenção nacional do PT que ratificou no último sábado (23), em Brasília, candidatura à reeleição da presidente Dilma.

Sob controle
A cúpula do PP tranquilizou o Planalto quanto a rompimento com Dilma na convenção nacional, nesta quarta (25). O foco de rebeldia se limita ao Rio, de Francisco Dornelles, e Rio Grande do Sul, de Ana Amélia.

Rasteira
Causou mal estar no PP a decisão de Sérgio Cabral (PMDB), orientado pelo tucano Aécio Neves, de rifar a candidatura de Francisco Dornelles (PP) e oferecer a César Maia (DEM) a vaga para disputar ao Senado.

Mestre Maduro
Ignora-se a expertise da Venezuela em Segurança e Defesa, mas o ministro Celso Amorim despachou para lá um coronel do Exército para fazer mestrado de 11 meses às nossas custas, em setembro.

Último dia
O relator Marcos Rogério (PDT-RO) prorrogou até esta terça (24) o prazo para o deputado Luiz Argôlo (SDD-BA) apresentar defesa no Conselho de Ética sobre suas relações com doleiro Alberto Youssef.

Quase lá
Está praticamente fechada a candidatura de José Serra ao Senado em São Paulo. O tucano exige exclusividade, mas o PTB ameaça lançar a candidatura avulsa de Marlene Campos Machado.

Pensando bem...
...dizendo asneiras docemente desmentidas pela família petista, Lula lembra aquele tio velho meio demente, tolerado por ter a chave do cofre.


PODER SEM PUDOR

De política e virgindade

Exímio frasista, Geddel Vieira Lima certa vez reuniu a bancada da Bahia na Câmara, logo após a sua posse como ministro da Integração, sob o impacto da sugestão do então presidente Lula para que o americano George W. Bush buscasse seu "ponto G". Geddel resolveu explicar por que ele, de oposição ao PT, aliou-se a Lula:

- Em tempo de citações eróticas, devo dizer que aos 18 anos eu definia o caráter da mulher pela virgindade; aos 48, considero isso uma besteira...

Hoje aos 55 anos, ele se aligou aos "carlistas" na Bahia, que sempre o atacaram, para enfrentar a chapa liderada pelo PT.

DITADURA CLEPTOCRÁTICA TOGADA - RAFAEL BRASIL

A ditadura cleptocrática togada, do consórcio PT/ STF, se baseia nos princípios fundamentais de qualquer ditadura comunista. Terrorismo de e...