sábado, 31 de dezembro de 2011

O petroleiro João Cândido.

E o petroleiro João Cândido, aquele que segundo Lula seria o símbolo do 'renascimento' da indústria naval brasileira?
Em 02 de junho de 2010, o governo apresentou um vídeo ufanista e mentiroso em que dizia: ''O primeiro navio petroleiro encomendado pela Petrobras, o João Cândido, já foi lançado ao mar”. E íam além : “Há cinco anos, a Transpetro acreditou no impossível, e lançou o desafio de construir 49 navios no Brasil. Hoje, o primeiro já está no mar''. 
Essa era a propaganda da Petrobras na televisão, no dia seguinte. Mas, como vocês sabem que sempre devemos desconfiar de governos, como dizia Paulo Francis, fui buscar notícias do colossal navio. Descobri hoje que a retomada da indústria naval brasileira não passou de cenário para ilustrar enganosas propagandas eleitorais do PT e eleger Dilma Ducheff. A caça petista de votos a qualquer custo, sem planejamento sério, conduziu uma politicagem enorme em que o João Cândido foi engolido e nunca navegou. O petroleiro custou o dobro ( 336 milhões de reais) do preço de mercado e nunca zarpou, provavelmente afundaria se fosse lançado ao mar, conta a revista Veja. Falhas no desenho, na solda, nas Câmaras de refrigeração do navio ainda o mantém no estaleiro, sendo finalizado. Parece que querem levá-lo para consertar fora. Aqui não dão jeito. E o João Cândido não está sozinho. Reportagem da Folha de S.Paulo mostra que projetos malfeitos, com fortes indícios de irregularidades, foram aprovados por diretores de Furnas. O prejuízo pode chegar a R$ 200 milhões. Os escândalos se repetem. Navegar é preciso...

Na foto, Lula e o quase navio. 

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Vídeo cristalino: o PT e o Plano Real.


Amaury Ribeiro Jr: esclarecimentos!

Fui ao arquivo do Estadão e fiz buscas relacionadas ao jornalista Amaury Ribeiro Jr. Eis o que encontrei, datado de 2010:

Jornalista ligado à campanha de Dilma confessa violação de sigilo de tucanos

No Estado de S.Paulo, de Vannildo Mendes:
Amaury Ribeiro Jr. participou do grupo de inteligência da pré-campanha da candidata do PT
A investigação da Polícia Federal aponta que o jornalista Amaury Ribeiro Jr. encomendou a quebra dos sigilos fiscais do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge, da filha de José Serra, Verônica, do genro dele, Alexandre Bourgeois, e de outros tucanos entre setembro e outubro de 2009. De acordo com a PF, na época, o jornalista trabalhava no jornal Estado de Minas, que teria custeado as viagens dele a São Paulo para buscar os documentos. O jornalista participou do grupo de inteligência da pré-campanha de Dilma Rousseff (PT) em 2010, quando não tinha mais vínculo com o jornal mineiro. Esteve, inclusive, numa reunião em abril com a coordenação de comunicação da campanha petista para discutir a elaboração de um dossiê contra os tucanos.
Em depoimento que durou 13 horas na semana passada, Amaury confirmou que pagou R$ 12 mil ao despachante Dirceu Rodrigues Garcia, que trabalha em São Paulo. Mas não contou de onde saiu o dinheiro. Amaury disse à PF que decidiu fazer a investigação depois de descobrir que o deputado Marcelo Itagiba (PSDB-RJ) estaria comandando um grupo de espionagem a serviço de José Serra para devassar a vida do ex-governador Aécio Neves. Ele afirmou que deixou o jornal no final de 2009, mas deixou um relatório completo de toda a apuração, levando uma cópia consigo para futura publicação de um livro. Na sua versão, a inteligência do PT teria tomado conhecimento do conteúdo de sua investigação e o convidou para trabalhar na equipe de campanha de Dilma.
No ano passado, encomenda de Amaury foi repassada pelo despachante Dirceu Rodrigues Garcia ao office-boy Ademir Cabral, que pediu ajuda do contador Antonio Carlos Atella. Este último usou uma procuração falsa para violar os sigilos fiscais de Verônica Serra e seu marido, Alexandre Bourgeois, numa agência da Receita Federal em Santo André. Por conta da confissão, Amaury pode ser indiciado por corrupção ativa e co-autoria da violação do sigilo fiscal.
Depois de deixar o emprego no jornal, ele participou de uma reunião em abril com integrantes da pré-campanha de Dilma. Presente ao encontro, ocorrido num restaurante em Brasília, o delegado Onésimo de Souza afirmou à polícia que foi chamado para cuidar da segurança do escritório do jornalista Luiz Lanzetta, responsável até então pela coordenação de comunicação da campanha de Dilma. Lanzetta deixou a campanha em junho após a revelação do caso.
Amaury confirmou que durante o período em que ficou em Brasília, em abril de 2010, negociando com a equipe da pré-campanha de Dilma, a despesa do flat onde ficou hospedado foi pago por “uma pessoa do PT", ligada à candidatura governista. A PF já fechou praticamente todo o caso. Resta saber agora de onde saíram os R$ 12 mil e quem é a pessoa do PT que pagou a hospedagem do jornalista.

Categorias:
Link permanente20-10-10 14:51:29

domingo, 25 de dezembro de 2011

Privatizar faz mal?


A pergunta no título lhe é pertinente? Nos últimos quinze anos foi privatizada grande parte das empresas comandadas pelo Estado Brasileiro, e diversas críticas foram feitas a esta prática. Críticas essas baseadas em calúnias e ideologias mesquinhas, espalhadas às massas pelo Partido dos Trambiqueiros, o PT. Isso mesmo: o PT tanto tentou que conseguiu demonizar esse verbo tão importante à economia brasileira. Mas, a privatização de empresas estatais é tão prejudicial assim para o país como alguns afirmam?  Não, ela não é. O principal motivo que levou ao processo de privatização nos governos FHC foi tentar enxugar o Estado cleptocrático, dá-lhe alguma agilidade, diminuir-lhe a função gerencial, coisa em que o Estado é de uma ineficiência atroz. Com as privatizações, a dívida pública foi reduzida drasticamente e as empresas que serviam de cabides de empregos para marajás, passaram ao capital privado, sendo obrigadas a dar lucro, coisa que não fariam estando no setor estatal. E não podemos esquecer as conquistas adquiridas pelas empresas após as privatizações. Muita gente lembra-se como era o serviço de telecomunicações antes dele ser privatizado e duvido que sintam saudades.  Pouca gente tinha a possibilidade de ter um telefone dentro de sua residência e, hoje em dia, apesar de ainda termos várias imperfeições nos serviços, o número de linhas aumentou significativamente e a concorrência entre as operadoras de telefonia obriga as mesmas a perseguir a melhora constante de seus serviços e suas tecnologias, possibilitando cada vez mais uma melhoria no setor. E este é apenas um exemplo dos êxitos das privatizações. O Estado não gerencia bem, é uma engrenagem enferrujada e disfuncional, sugando o suor dos brasileiros e devolvendo-lhes serviços pífios e caros. Outro exemplo:  a  mineradora Vale do Rio Doce já apresentava bons resultados em suas operações, mas após sua venda em maio de 1997, a empresa passou do 5º para o 2º lugar no ranking global das mineradoras, pagando mais impostos, obtendo lucros e empregando mais gente. Hoje a Vale é a empresa que mais contribui para o superávit da balança comercial brasileira vendendo matérias-primas aos chineses e ao resto do mundo.
Também a Companhia Siderúrgica Nacional nos mostra o impacto positivo da sua privatização. Antes da venda ocorrer, a empresa pagava  128 milhões de reais em impostos, passando a  208 milhões depois de ser privatizada. Além disso, com a privatização ela deixou de dar prejuízo e passou a gerar um lucro anual médio de 232 milhões de reais. Assim sendo, o tempo mostrou que o processo de privatização não foi ruim para o país, como faz crer o PT, ao enganar a massa incauta em busca dos seus votos. Privatizar fez bem, enxugou o Estado, aumentou lucros e arrecadação, incentivou a concorrência entre empresas e barateou serviços. Quem demoniza as privatizações deve voltar aos livros e revistas. Ou dá uma olhada ao seu redor. No Brasil de hoje, as pessoas têm medo de defender esse processo tão importante. Dizer-se privatista nesse país é quase uma sentença de morte. A ignorância tomou o lugar da lucidez, da prática que desinfectou as contas públicas e cobrou resultados dos dinossauros estatais, obrigando-os a funcionarem nas mãos privadas. É lamentável que o PT não tenha continuado o processo com mais ênfase. Hoje o PT privatiza mas não o chama assim: tal ato é chamado de concessão, que na prática é a mesma coisa. O que mais falta ao PT roubar dos brasileiros?

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

O governo que não começou - JOSÉ SERRA

Em essência, ao término do seu primeiro ano de mandato pode-se dizer que o governo Dilma ainda não começou.

Não se sabe ainda a que veio,quais seus rumos. A boa nota atribuída à presidente nas pesquisas talvez seja,em parte,um voto de confiança para que definitivamente comece a governar a partir de 1.º de janeiro de 2012.

O crescimento encolheu; a indústria e o investimento industrial caíram mais do que proporcionalmente; grandes empresas continuam procurando e realizando investimentos no exterior; os investimentos públicos federais se retraíram em R$ 16 bilhões; os incentivos fáceis ao consumo de bens duráveis foram retomados, com impacto maior sobre as importações; a carga tributária cresceu e os juros reais anualizados, apesar da decisão correta do Banco Central de reduzi- los em cerca de 1/8, continuam os campeões mundiais-cerca de 5,5%. Note-se que os comemorados investimentos da Petrobrás têm ficado bem abaixo do previsto e seu impacto de demanda sobre a indústria doméstica tem sido medíocre, pela falta de planejamento e de reforço da engenharia nacional.

Na área social, houve ampliação cosmética de transferências de renda. A saúde sofre críticas veementes da população, tendo os gastos federais no setor recuado em relação às receitas correntes.

Na educação, permanecem a super centralização e a lentidão no ensino técnico,a inércia no ensino superior e o espetáculo triste das provas de avaliação, Enem à frente.Dois programas novos,copiados das propostas da oposição na campanha de 2010, não foram até  agora adiante: o Mãe Cegonha (era "Mãe Brasileira") e o Pronatec (era o "Protec", então satanizado pelo petismo). Uma noteria representado tem pode mais para implantá-los. Note-se que o Pronatec não permite dar bolsas a alunos de escolas técnicas privadas, discriminação absurda e pouco prática, enquanto o ProUni faz prodigamenteo contrário.

Outros segmentos da área social não foram bem. No saneamento, predominou a conversa mole, apesar de 54% dos lares do País não estarem ligados a redes de esgotos. Cogita-se agora adotar uma proposta nossa de 2007e vetada reiteradamente pelo governo Lula- Dilma: eliminar tributos sobre as empresas de saneamento (trata-se do PIS-Cofins, aumentado em 2004), em troca de mais investimentos em áreas carentes.São mais de R$ 2 bilhões/ ano. Esperemos que o recuo de fato aconteça e que seja bem feito.

Na segurança, prosseguiu o show de retórica, sem a prática correspondente.Continua o falatório sobre o Pronasci, um dos programas mais fracassados da história: previu reduzir a taxa de homicídios à metade até 2010, mas ela permaneceu no mesmo lugar, lá no alto. O agravamento dos homicídios em vários Estados não tem provocado nenhuma ação federal intensa e consequente.

Nem cadastro nacional de criminosos existe.

As fronteiras continuam com suas veias abertas.

Mas contratou-se agência de publicidade para, entre outras coisas, atenuar"a sensação de insegurança sobre as fronteiras", com gasto de R$10 milhões/ano, equivalente a uns 60% do que foi destinado a melhorar o sistema de defesa fronteiriço! E em relação ao crack,que mistura saúde e segurança? De novo grandes anúncios,mas nada prático de janeiro a dezembro, longo tempo para ter-se feito algo.

Na infraestrutura, prossegue a marcha da insensatez. Já falamos muito sobre isso. A capacidade executiva do governo nessa área está rente ao chão, e as concessões ou são mal feitas, como nas estradas, ou vêm com atraso de anos, como nos aeroportos (e os que propunham isso na campanha eram demonizados), ou estão engatinhando, como no caso dos portos. Não se conseguiu fazer nenhuma Parceria Público- Privada em nove anos! A falta de planejamento continua gritante. Dois exemplos. Os linhões da Usina de Santo Antonio, em Rondônia, se atrasaram vis a vis o começo da geração, o que levará ao sub aproveitamento dos investimentos. No Pará, a eclusa de Tucuruí no Rio Tocantins, recém-concluída depois de décadas, custou uma fortuna, mas não tornará o rio navegável, pois falta remover os pedrais a montante e ajusante. Assim,o retorno dos bilhões investidos foi dramaticamente postergado.

A transposição do São Francisco não anda, ante o projeto básico malfeito,e as obras já feitas se deterioram.

Ah,e mantém-se o alucinado projeto do trem-bala: R$ 65 bilhões, só para passageiros, sem demanda que o justifique e completamente fora de esquadro em matéria de prioridades.

No campo legislativo,a propalada reforma política só serviu para ocupar a imprensa. Jogou-se pela janela a oportunidade de uma medida fácil de adotar por lei e virtuosa no que diz respeito ao apuro democrático à redução de custos de campanha:o voto distrital nos municípios de mais de 200 mil eleitores.Reforma tributária?Nada, fora o falatório. Royalties do petróleo?Governos em liderança para arbitrar um problema que ele próprio criou. De resto, mudanças perigosas na legislação das concorrências, tendo como pretexto a Copado Mundo.Aprovado para ser realizado no País há 4,5 anos, o evento deu lugar a comemorações e muita propaganda.

Mas nem sequer a Lei da Copa foi votada e as obras estão desarticuladas, com imenso potencial de custos e escândalos.Sabem qual a medida mais inovadora na área?A antecipação dos recessos escolares e a decretação de feriados nos dias de jogos,para aliviara demanda por serviços urbanos...

O grande sucesso do PTnoseu primeiro ano de governo, em 2003, foi o Fome Zero, programa bem avaliado em pesquisas, mas que não existiu. O grande sucessoem2011, nono ano de governo petista, foi a faxina, que também não existiu. Mas serviu para preencher o tempo: seis ministros saíram por denúncias da imprensa e pressão da opinião pública, e,ao que tudo indica,o processo não vai acabar.

Outros 30% ou 40% dos esforços foram empregados no infindável jogo da comunicação: anúncios, propaganda paga,ameaças à liberdade de imprensa e fortalecimento do pseudo jornalismo, destinado atentar moer reputações e chantagear a imprensa séria.

Uma obra e tanto para o primeiro ano do terceiro governo do PT!



segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Merval Pereira classifica livro de Amaury como ficção e diz que obra ‘tem pouca credibilidade por fazer propaganda do PT.


O livro “Privataria tucana”, de autoria de Amaury Ribeiro Jr., é um sucesso de propaganda política do chamado marketing viral, utilizando-se dos novos meios de comunicação e dos blogueiros chapa-branca para criar um clima de mistério em torno de suas denúncias supostamente bombásticas, baseadas em “documentos, muitos documentos”, como definiu um desses blogueiros em entrevista com o autor da obra.
Disseminou-se a ideia de que a chamada “imprensa tradicional” não deu destaque ao livro, ao contrário do mundo da internet, para proteger o ex-candidato tucano à Presidência José Serra, que é o centro das denúncias.
Estariam os “jornalões” usando dois pesos e duas medidas em relação a Amaury , pois, enquanto acatam denúncias de bandidos contra o governo petista,  alegam que ele está sendo processado e, portanto, não teria credibilidade? É justamente o contrário. A chamada “grande imprensa”, por ter mais responsabilidade que os blogueiros ditos independentes, mas que, na maioria, são sustentados pela verba oficial e fazem propaganda política, demorou mais a entrar no assunto, ou simplesmente não entrará, porque precisava analisar com tranquilidade o livro para verificar se ele realmente acrescenta dados novos às denúncias sobre as privatizações e se tem provas.
Outros livros, como “O chefe”, de Ivo Patarra, com acusações gravíssimas contra o governo de Lula, também não tiveram repercussão na “grande imprensa” e, por motivos óbvios, foram ignorados pela blogosfera chapa-branca.
Desde que Pedro Collor denunciou as falcatruas de seu irmão presidente, há um padrão no comportamento da “grande imprensa”: as denúncias dos que participaram das falcatruas, sejam elas quais forem, têm a credibilidade do relato por dentro do crime. Deputado cassado e presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson desencadeou o escândalo do mensalão com o testemunho pessoal de quem esteve no centro das negociações e transformou-se em um dos 38 réus do processo. O ex-secretário de governo Durval Barbosa detonou a maior crise política da história de Brasília, com denúncias e gravações que culminaram com a prisão do então governador José Roberto Arruda e vários políticos.
E por aí vai. Já Amaury Ribeiro Jr. foi indiciado pela Polícia Federal por quatro crimes: violação de sigilo fiscal, corrupção ativa, uso de documentos falsos e oferta de vantagem a testemunha, tendo participado, como membro da equipe de campanha da candidata do PT, de atos contra o adversário tucano. O livro, portanto, continua sendo parte da sua atividade como propagandista da campanha petista e evidentemente tem pouca credibilidade na origem.
Na sua versão no livro, Amaury jura que não havia intenção de fazer dossiês contra Serra e que foi contratado “apenas” para descobrir vazamentos internos, e usou seus contatos policiais para a tarefa que, convenhamos, conforme descrita pelo próprio, não tem nada de jornalística.
Ele alega que a turma paulista de Rui Falcão (presidente do PT) e Palocci queria tirar os mineiros ligados a Fernando Pimentel da campanha e acabou criando uma versão distorcida dos fatos. No caso da quebra de sigilo de tucanos, na Receita de Mauá, Amaury diz que o despachante que o acusou de ter encomendado o serviço mentiu por pressão de policiais federais amigos de Serra. Enfim, Amaury tem de se explicar antes de denunciar outros, o que também enfraquece sua posição.
Ele e seus apoiadores ressaltam sempre que 1/3 do livro é composto de documentos, para dar apoio às denúncias. Mas, se os documentos, como dizem, são todos oficiais e estão em cartórios e juntas comerciais, imaginar que revelem crimes contra o patrimônio público é ingenuidade ou má-fé. Que trapaceiro registra seus trambiques em cartórios?
Há, a começar pelo título – “Privataria tucana” – uma tomada de posição política do autor contra as privatizações. E o modo como descreve as transações financeiras mostra que Amaury se alinha aos que acham que ter conta em paraíso fiscal é crime, ainda mais se for no Caribe, e que a legislação de remessa de dinheiro para o exterior feita pelo Banco Central à época do governo FH favorece lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
É um ponto de vista como outro qualquer, e ele tenta de todas as maneiras mostrar isso, sem, porém, conseguir montar um quadro factual que comprove suas certezas. É claro que há crimes financeiros nos paraísos fiscais, e é possível que algum dos citados no livro os tenha cometido. Mas, como quando o marqueteiro Duda Mendonca confessadamente recebeu seu pagamento pela campanha de Lula em 2002 em um paraíso fiscal de uma conta do PT, esses casos nao estão registrados em juntas comerciais.
Vários personagens, a maioria ligada a Serra, abrem e fecham empresas em paraísos fiscais, com o objetivo, segundo ilações do autor, de lavar dinheiro proveniente das privatizações e internalizá- lo legalmente no País. Acontece que passados 17 anos do primeiro governo de Fernando Henrique, e estando o PT no poder há nove anos, não houve um movimento para rever as privatizações. E os julgamentos de processos contra os dirigentes da época das privatizações não dão sustentação às críticas e às acusações de “improbidade administrativa” na privatização da Telebrás.
A decisão no- 765/99 do Plenário do Tribunal de Contas da União concluiu que, além de não haver qualquer irregularidade no processo, os responsáveis ”não visavam favorecer em particular o consórcio composto pelo Banco Opportunity e pela Itália Telecom, mas favorecer a competitividade do leilão da Tele Norte Leste S/A, objetivando um melhor resultado para o Erário na desestatização dessa empresa”.
Também o Ministério Público de Brasília foi derrotado, e, no recurso, o Tribunal Regional Federal do Distrito Federal decidiu não apenas acatar a decisão do TCU mas afirmar que “não restaram provadas as nulidades levantadas no processo licitatório de privatização do Sistema  Telebrás. Da mesma forma, não está demonstrada a má-fé, premissa do ato ilegal e ímprobo, para impor-se uma condenação aos réus. Também não se vislumbrou ofensa aos princípios constitucionais da Administração Pública para configurar a improbidade administrativa”.
O livro de Amaury está em sexto lugar na lista dos mais vendidos de não ficção. Talvez tivesse mais sucesso ainda se estivesse na lista de ficção.

Merval Pereira

DITADURA CLEPTOCRÁTICA TOGADA - RAFAEL BRASIL

A ditadura cleptocrática togada, do consórcio PT/ STF, se baseia nos princípios fundamentais de qualquer ditadura comunista. Terrorismo de e...