quinta-feira, 3 de julho de 2014

COLUNA DE CLAUDIO HUMBERTO

COLUNA DE CLAUDIO HUMBERTO

“Dependo do governo que eu fizer”
Luiz Pezão(PMDB), governador do Rio de Janeiro, sobre suas chances de reeleição



COM TANTOS IMPLICADOS, PT APOSTA EM PIZZA NA CPI

É tão expressivo o número de políticos citados na Operação Lava Jato, da Polícia Federal, cujos autos foram disponibilizados à CPI Mista da Petrobras, que o PT, agora, aposta no desinteresse dos próprios partidos em aprofundar investigações.

Dirigentes petistas alegam que, por se tratar de uma CPMI ampla e “sem foco”, os partidos dificilmente vão trazer à tona denúncias que os prejudiquem em pleno ano eleitoral.


DESINTERESSE

A 13ª Vara Federal de Curitiba permitiu acesso ao processo, que corre em segredo de justiça. Mas a turma da CPI, a rigor, nem quer saber disso.

MATERIAL, TEM

A CPI Mista da Petrobras recebeu provas colhidas nas investigações, e dados bancários e interceptações telefônicas de Paulo Roberto Costa.

PEIXES GRANDES

Além de políticos, investigações da Operação Lava Jato pegaram os chefões de grandes empreiteiras, todas no topo das doações eleitorais.

QUE CPMI?

Os políticos e os empreiteiros que os financiam celebram a Copa do Mundo, que despachou a CPMI da Petrobras para plano secundário.

ATÉ PETISTA ‘ESQUECE’ DILMA E COLA EM LULA

A exemplo do candidato ao governo de Pernambuco, Armando Monteiro (PTB), que tem apoio do PT e só encomendou peças publicitárias ao lado de Lula, também o candidato petista ao Senado, João Paulo, ignora solenemente a presidente Dilma em sua propaganda de campanha. Até no jingle. A musiquinha, em ritmo de frevo, jura que “João Paulo é de Lula, é do povo”, e não cita Dilma.


O PRATO QUE COMERAM

Tanto Armando Monteiro quanto o petista João Paulo passaram seus mandatos de senador e deputado no cordão do “beija-mão” a Dilma.


METADE

Eleito em 2010 com mais de 1 milhão de votos, o deputado Tiririca (PR) será reeleito com pelo menos 500 mil votos, este ano, em São Paulo.

MAIS UM

O PR sugeriu para substituir o general Jorge Fraxe, na direção-geral do DNIT: Anderson Ribeiro, ex-superintendente do órgão em Goiás e no Distrito Federal.

LIVRE DA MISÉRIA

O Distrito Federal, agora, é território livre da fome e da extrema pobreza. Hoje, menos de 3% de sua população têm renda inferior a R$ 140 per capita, superando tecnicamente os parâmetros fixados pela ONU.

ALÔ, RECEITA!

Além de US$ 3 milhões para jogadores, o jatinho do presidente de Gana trouxe ao Brasil US$ 1,5 milhão “não contabilizados” para 122 pessoas, entre seguranças, aspones e até amantes, segundo a imprensa local.

TERCEIRONA

Com o desempenho pífio de Alexandre Padilha (PT) nas pesquisas, o presidente do Solidariedade, sindicalista e deputado Paulo Pereira (SP) acha que, em São Paulo, a presidente Dilma Rousseff ficará atrás não apenas do tucano Aécio Neves, como também de Eduardo Campos (PSB).


PRA FRENTE, BRASIL

Cinquenta anos depois da ditadura que a vitimou, Dilma apelou ao patriotismo dos brasileiros para incentivar a Seleção. Na Copa de 1970, ela diz que torceu pelo Brasil, mesmo trancafiada pela ditadura Médici.

O BARATO DO CARA

O deputado André Vargas (ex-PT-PR) gastou R$ 7 mil em verba parlamentar desde abril, quando se afastou para ser julgado pela comissão de ética do partido. De R$ 508 chegou a R$ 4,3 mil em junho.

BRASIL 2022

Jerôme Valcke, admite o Mundial de Clubes 2017. Estádios não faltam. E, assim como o México sediou as copas de 1970 e 1986, o Brasil pode se habilitar a substituir o Catar, em 2022.

COMPENSAÇÃO

Há servidores federais que não querem nada com coisa nenhuma, mas também há muitos que dão duro e ainda cumprem a portaria que os obriga a compensar as horas de liberação para curtir jogos da Copa.

QUEM RESOLVE

Dirigentes do PCdoB pediram à presidente Dilma uma solução na briga dos candidatos ao Senado Inácio Arruda (CE) e Edvaldo Nogueira (SE). Ela repassou a bola para Aloizio Mercadante.

Ê, VIDÃO

Em meio à vagabundagem geral, só seis comissões da Câmara dos Deputados, do total de 22, tiveram quórum para funcionar, ontem.



PODER SEM PUDOR

SUCULENTA ATMOSFERA

O falecido escritor paraibano Maurílio de Almeida publicou ótimo livro sobre a viagem de d. Pedro II à cidade de Mamanguape, antiga capital do seu Estado. Ele conta no livro que um fazendeiro simples ofereceu almoço ao imperador. Após a refeição, Pedro II foi até o amplo terraço da fazenda, de onde se via um imenso laranjal. Fazia um calorzão dos diabos e d. Pedro resolveu jogar conversa fora, com o anfitrião:

- A atmosfera, hoje, está carregada...

O fazendeiro não deixou o imperador sem resposta:

- O senhor não viu nada, excelência! Naquelas laranjeiras nasce cada atmosferão do tamanho de uma jaca.

D. Pedro I caiu na risada.

A indústria encolhe - MIRIAM LEITÃO

A indústria encolhe - MIRIAM LEITÃO

O GLOBO - 03/07

A queda forte da produção industrial de maio, de 0,6%, confirma o sentimento geral de desânimo do setor. Por qualquer ângulo que se olhe, o número é negativo. O acumulado em cinco meses mostra uma queda de 1,6%; na comparação com maio do ano passado, há uma redução de 3,2%. Além da pouca atividade doméstica, há também dificuldades para exportar produtos manufaturados.

Os dados dos últimos dias mostram o seguinte quadro: a indústria está encolhendo, o Tesouro teve o pior déficit primário da série histórica, e abalança comercial fechou o semestre no vermelho. O saldo de janeiro a junho é negativo em US$ 2,4 bilhões, com queda das exportações, das importações, e, portanto, da corrente de comércio. A crise na Argentina já está afetando as exportações de manufaturados, que caíram 10% sobre o mesmo período de 2013.

A boa notícia é que o déficit externo diminuiu. Já houve momento do ano em que estava com US$ 6 bilhões e está agora com US$ 2,4 bi, após um bom superávit no mês de junho. Em parte, isso se deve ao aumento de produção e de exportação de petróleo. O déficit do ano passado no setor de petróleo ficou em US$ 20 bilhões, este ano pode fechar, nas previsões do governo, em US$ 15 bi.

A pior notícia dos dados da indústria é a queda de 2,6% da produção de bens de capitais em maio, em relação a abril, e de 9,7%, em relação a maio do ano passado. O número em relação ao mesmo mês de 2013 pode estar exagerado pelo aumento grande que houve de produção de caminhões para a renovação da frota com novos motores de baixa emissão. Mas está havendo queda até de um mês em relação ao anterior. E no ano já acumula redução de 5,8%.

No caso da balança comercial, ter déficit não é, necessariamente, um problema. Quando o volume de comércio está aumentando, ou quando as importações são de máquinas e equipamentos, a economia vai ser beneficiada por crescimento ou por um futuro aumento da produtividade. Nenhum problema. A questão é que o resultado divulgado pelo Ministério do Desenvolvimento mostrou que as importações de bens de capital caíram 5,1% no primeiro semestre, e isso reforça a percepção de que os empresários estão pouco confiantes com a economia e reduzindo investimentos. As importações em geral encolheram 3% na média diária. O déficit ficou menor porque o país importou menos combustíveis, 8%, e exportou mais petróleo.

Pelo lado das exportações, caíram as vendas externas que deveriam subir, e cresceu a dependência dos produtos básicos, como soja e minério de ferro. A exportação de produtos manufaturados recuou 10% no semestre, com retração de 31% nos automóveis e 25% nas autopeças. As vendas de produtos semimanufaturados também caíram 8,5%. Em compensação, vendemos mais produtos básicos, como carnes e soja.

A exportação de petróleo bruto cresceu 29% e ajudou a diminuir o rombo do setor energético no primeiro semestre. Ainda assim, o país ainda vive uma carência muito forte de produtos ligados ao setor de e nergia. Temos importado muito de tudo: gasolina, óleo diesel, gás, nafta petroquímico, querosene de aviação.

O quadro negativo revelado ontem pelos dados do IBGE em relação à indústria é muito maior, mais generalizado e permanente do que supõe o governo. O Ministério da Fazenda tem administrado os mesmos remédios que já foram usados e que não produziram nenhum resultado, como o pacotinho de não elevação do IPI de carros e alguns outros produtos. A indústria precisa mais que um medicamento temporário, tópico e setorial. Os dados confirmam as previsões de um ano de crescimento do PIB em torno de 1%, como registra a última pesquisa Focus, e consolidam o cenário de desânimo na economia.

quarta-feira, 2 de julho de 2014

O PT JÁ VAI TARDE - RAFAEL BRASIL

O PT JÁ VAI TARDE
A decadência do PT já chegou ao partido bem antes de chegar ao poder. Continuou sendo um partido de fortes inclinações leninistas, defensor da estatização e do aparelhamento do estado pelo partido. No início, tentaram enganar o povo com a carta aos brasileiros, em que diziam que iam respeitar as instituições e o livre mercado. E até que deu certo, mais pela inação do governo com a manutenção da macroeconomia, e com o crescimento global, que favoreceria o Brasil com o crescimento da China e sua sede pelas chamadas commodittes.
Com o sucesso do primeiro governo, catapultado pela ampliação dos chamados programas sociais, e pela facilidade de crédito, o consumo cresceu, e o governo elegeu a “criatura” do maioral e efetivo líder Lula, que é mesmo quem manda no partido. Com Dilma, a chamada esquerda realmente começaria a governar. Claro que deu errado, só os idiotas ou desinformados (a grande maioria, creio), e os oportunistas e corruptos de plantão, que sempre orbitaram as esferas do poder, desde os tempos da ditadura pensavam o contrário. Sarney, Maluf, Collor, Jáder Barbalho, só para ficarmos nestes tristes exemplos. Neste processo, o PT tornaria-se um ARENÃO, só que bem mais corrupto do que o antigo partido que dava sustentação à ditadura, que nem foi tão dura assim. Isto é, se compararmos com as ditaduras de esquerda, claro.


A cúpula do partido esteve envolvida em corrupção grossa. Até um débil mental sabe disso.  Não fosse o mensalão, quem duvidaria da eleição de um Dirceu, ou mesmo um Pallocci? Ou qualquer um aliado mais próximo do presidente, aliás a desconhecida Dilma não foi a eleita? A “gerentona”? Com ela a esquerda começou o processo de desarrumação econômica do país. Sem projetos, agravou os problemas nacionais, como habitação, saúde,  a educação e  a violência, só para ficarmos nestes exemplos . A inflação voltou, e o governo, pensando nas eleições, e por ideologia, posterga as reformas. Que seriam voltadas para o capitalismo, ou seja o livre mercado e a abertura econômica. Não fizeram e não vão fazer nada. No fim do governo acenam para a implantação de uma ditadura, tirando poderes do Congresso Nacional e do poder judiciário. Acuados pelo povo, perdendo popularidade, mostram as nojentas unhas totalitárias. Agora, querem o poder pelo poder. No dizer de Fernando Gabeira, “agora restam os carguinhos”. Se Dilma e o PT perderem as eleições já vão tarde. Se ganharem pobre do povo brasileiro. Esta gente nunca mais deveria voltar ao poder. Vade retro satanás!   

A Copa vai bem. A economia, não - EDITORIAL CORREIO BRAZILIENSE

A Copa vai bem. A economia, não - EDITORIAL CORREIO BRAZILIENSE

CORREIO BRAZILIENSE - 02/07

Os estádios transbordam de gente e de alegria. As comemorações rompem madrugadas. Torcedores de todos os cantos do mundo aprenderam rápido nosso jeito de compensar as deficiências com simpatia e bom humor. O futebol jogado é de boa qualidade e, mesmo na pior das partidas, proporciona emoção. Em resumo, a Copa do Mundo no Brasil é o sucesso que todos gostariam que fosse para sempre.
Mas, no fundo, todos sabem que o reencontro com a realidade é inevitável. O que nem todos perceberam ainda, talvez por estarem envolvidos com a sequência dos jogos e com a torcida pelo hexacampeonato, é que o país até agora não deu sinais de que vai conseguir evitar que 2014 seja marcado por um dos piores desempenhos de sua economia dos últimos anos. Tão ruim que pode comprometer a manutenção do emprego e da renda das pessoas.

Os indicadores dessa situação estão por toda parte. O próprio governo, quando libera alguma bondade, forçado pela gravidade de números setoriais e pressionado pelo calendário eleitoral, acaba desvelando mais uma ponta do problema maior: a economia vai mal, está praticamente estagnada e não esboça qualquer reação.

É o caso da prorrogação da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) dos móveis e dos automóveis, anunciada segunda-feira. Os incentivos fiscais ao consumo desses produtos terminariam ontem, mas vão continuar valendo até o fim do ano. Velho carro-chefe da indústria nacional, a automotiva vinha perdendo vendas desde o início do ano, seja por causa da pré-falência da Argentina, principal importadora dos nossos veículos, seja pelo esgotamento da capacidade de endividamento do consumidor brasileiro.

Trata-se, portanto, do ocaso de duas apostas que já deveriam ter sido revistas há tempos e que, agora, ajudam a compor uma conjuntura preocupante. O anúncio da bondade tributária às montadoras ocorreu no mesmo dia em que o Banco Central divulgou mais um boletim com a média das previsões do mercado para a economia brasileira, com redução de 1,5% para 1,1% da taxa de expansão do PIB para este ano.

No mesmo dia, o Banco Central divulgou o pior resultado das contas públicas do país em 13 anos: em vez de um indispensável superavit primário para pagamento dos juros da dívida pública, o que houve em maio foi um deficit de R$ 11 bilhões, puxado pelo mau desempenho do governo federal. Ou seja, a manutenção do incentivo fiscal ao consumo de móveis e automóveis, que vai representar R$ 1 bilhão a menos na arrecadação federal nos próximos meses, vem em má hora para o equilíbrio das contas públicas. Arrecadação que, aliás, teve queda de 5,9% em maio ante abril, provocada pela redução da atividade econômica em geral.

Mesmo que o governo tire novos coelhos da cartola das mágicas para fechar as contas públicas, o que vai sobrar para a reflexão da torcida, na ressaca da Copa Mundo, é que conquistas como o controle da inflação e a inclusão de milhões de brasileiros no mercado de consumo somente serão mantidas com mudanças na gestão da economia. É esse compromisso, colocado de forma clara, que a sociedade precisa cobrar nas urnas de outubro.

Apostando nos velhos remédios - EDITORIAL GAZETA DO POVO - PR

Apostando nos velhos remédios - EDITORIAL GAZETA DO POVO - PR


GAZETA DO POVO - PR - 02/07

Diminuir a carga tributária é meritório, mas fazê-lo na base do casuísmo, como no caso do IPI dos automóveis, é insistir no crescimento da economia pela via do consumo em detrimento da poupança e do investimento


Em 2008, no auge da crise econômica mundial provocada pela bolha imobiliária norte-americana, o Brasil adotou uma política econômica que o salvou do efeito dominó que varreu o planeta. Aquele tsunami, nas palavras do então presidente Lula, não passaria de uma “marolinha” entre nós, pois reduções de impostos para setores importantes da economia, como o automotivo e o dos eletrodomésticos da linha branca, manteriam o consumo em alta, preservariam os empregos e a arrecadação tributária pouco sofreria em razão do aumento da produção industrial.

De fato, na aparência, passamos praticamente incólumes pelos efeitos do crash americano que abalou as mais fortes economias do mundo. A indústria automobilística se recuperou e nunca se venderam tantas geladeiras e fogões. Esses setores, além de ter impostos reduzidos, foram também estimulados pela expansão do crédito. Não faltaram elogios e palavras de admiração sobre o modo como o Brasil se saiu do flagelo – mas já naquela época os mais atentos e experientes nomes da economia apontavam para o perigo de que o benéfico casuísmo se transformasse em regra, com resultados ruins para a economia brasileira no médio e longo prazos.

Os males previstos pelos economistas ortodoxos seriam provocados pela discricionaridade na concessão de benefícios em favor de alguns setores em detrimento de outros e, consequentemente, pela desorganização geral da economia. Além do que, com certeza, chegaria um momento de esgotamento da escalada de consumo. E, no rastro desses desacertos, certamente veríamos a volta da inflação e dos altos juros, do desemprego e da queda da arrecadação, aprofundando o desequilíbrio das contas públicas.

Este é o quadro que vivemos hoje no país, fruto da transformação em regra daquilo que deveria ser passageiro. Mas, ainda assim, o governo não dá demonstrações de ter aprendido a lição. A política econômica inaugurada em 2009 quebrou fundamentos daquela instituída no governo Fernando Henrique Cardoso, calcada na estabilidade da moeda e na clareza das regras estabelecidas – fatores essenciais para a segurança dos investimentos e para a atração de empreendedores. Ao contrário, já com Dilma Rousseff no poder e Guido Mantega mantido na Fazenda, o país não consegue enxergar o ponto de retorno.

Esta visão acaba de se firmar agora com a decisão do governo de manter alíquotas reduzidas do IPI para a indústria automobilística. Não que impostos menores não sejam um ardente desejo dos brasileiros, vítimas de uma das mais altas cargas tributárias do mundo. Mas a questão de fundo, neste momento, é outra: é a insistência do governo em manter o modelo de crescimento via consumo, modelo esse que dá visíveis e graves sinais de esgotamento e que tende a aprofundar as dificuldades de crescimento da economia, somadas à pressão inflacionária (contida com outras medidas heterodoxas, como o represamento dos preços dos combustíveis) e à diminuição do ritmo da criação de empregos. Enquanto isso, o estímulo à poupança e ao investimento, que trariam melhores resultados de médio e longo prazo, segue desprezado.

Talvez – outra vez casuisticamente – a manutenção do IPI reduzido tenha motivação eleitoral, o que leva a supor que, tão logo sejam fechadas as urnas, o país venha a sofrer solavancos de efeitos ignorados, mas certamente desagradáveis. Tudo porque continuamos a insistir na política da “marolinha” enquanto os países que melhor compreenderam o tsunami se recuperam com solidez.

terça-feira, 1 de julho de 2014

AS INCRÍVEIS MORDOMIAS DE FIDEL CASTRO - UM ESPANTO: Fidel Castro e sua inacreditável ilha particular (que não é Cuba)


UM ESPANTO: Fidel Castro e sua inacreditável ilha particular (que não é Cuba)

PARAÍSO SECRETO — Localizada a 15 quilômetros do litoral sul de Cuba, Cayo Piedra é, desde a década de 60, o refúgio particular e preferido de Fidel Castro (Foto: Reprodução/VEJA)
PARAÍSO SECRETO — Localizada a 15 quilômetros do litoral sul de Cuba, Cayo Piedra é, desde a década de 60, o refúgio particular e preferido de Fidel Castro (Foto: Reprodução/VEJA)
A ILHA DO CARA
Revelado o segredo dos altos índices de desenvolvimento humano em Cuba.
Eles devem estar sendo medidos na ilha privativa de Fidel Castro, um paraíso nababesco
Reportagem de Leonardo Coutinho publicada em edição impressa de VEJA
Cultuado pelos partidos de esquerda do Brasil e da América Latina, Fidel Castro vende com facilidade a falsa imagem do revolucionário despojado, metido antes em farda de campanha e, agora, na decrepitude, em agasalhos esportivos Adidas que ganha de presente da marca alemã.
Inúmeros relatos de pessoas que privaram da intimidade de Fidel haviam arranhado a aura de asceta do ditador cubano. Sabia-se que ele manda fazer suas botas de couro, sob medida, na Itália; que tem um iate e um jato particulares; come do bom e do melhor – enfim, nada diferente da vida luxuosa levada, em despudorado contraste com a miséria do povo, por tantos ditadores de todos os matizes ideológicos no decorrer da história.
Mas, como manda o manual do esquerdismo latino-americano, que nunca conseguiu se afastar do culto ao caudilhismo populista, se a realidade sobre Fidel desmentir a lenda, que prevaleça a lenda. Assim, a farsa sobrevive. Assim, as novas gerações vão sendo ludibriadas.
Resta ver se a farsa vai resistir às revelações sobre a corte de Fidel que aparecem na autobiografia de um ex-guar­da-costas do ditador, Juan Reinaldo Sánchez. O livro, que está chegando às livrarias brasileiras no fim de junho com o título A Vida Secreta de Fidel (Editora Paralela), revela excentricidades que seriam aberrantes mesmo para um bilionário capitalista.
Algum rentista de Wall Street tem uma criação particular de golfinhos destinados unicamente a entreter os netos?
Fidel tem.
Os líderes das empresas mais valorizadas do mundo, Google e Apple, que valem centenas de bilhões de dólares, são donos de ilhas particulares secretas, vigiadas por guarnições militares e protegidas por baterias antiaéreas?
Com um total de 1,5 quilômetro de extensão, as duas ilhotas têm uma estrutura luxuosa e recebem exclusivamente familiares e amigos íntimos do ditador (Foto: Reprodução/VEJA)
Com um total de 1,5 quilômetro de extensão, as duas ilhotas têm uma estrutura luxuosa e recebem exclusivamente familiares e amigos íntimos do ditador (Foto: Reprodução/VEJA)
Fidel tem tudo isso em sua ilha – e não se está falando de Cuba, que, de certa forma, é também sua propriedade particular.
O que o ex-guarda-costas revela em detalhes é a existência de uma ilha ao sul de Cuba onde Fidel Castro fica boa parte do seu tempo livre desde a década de 60. Nada mais condizente com uma dinastia absolutista do que uma ilha paradisíaca de usufruto exclusivo da família real dos Castro.
Juan Reinaldo Sánchez narra a liturgia diária do séquito de provadores oficiais que experimentam cada prato de comida e cada garrafa de vinho que chegam à mesa do soberano para garantir que não estejam envenenados. “A vida inteira Fidel repetiu que não possuía nenhum patrimônio além de uma modesta cabana de pescador em algum ponto da costa”, escreve Sánchez no seu livro.
A modesta cabana de Fidel é uma imensa casa de veraneio de 300 metros quadrados plantada em Cayo Piedra, ilha situada a 15 quilômetros da Baía dos Porcos, no mar caribenho do sul de Cuba. Quando Fidel conheceu Cayo Piedra, logo depois do triunfo de sua revolução de 1959, o lugar lhe pareceu o refúgio ideal para alguém decidido a nunca mais deixar o poder.
Eram duas ilhotas desertas sobre um banco de areia com uma rica fauna marinha. Condições excelentes para a caça submarina, um dos passatempos do soberano resignatário de Cuba. Muito se especulava sobre a existência do resort de Fidel, mas sua localização só se tornou conhecida agora, depois da publicação do livro de Sánchez.
O escritor colombiano Gabriel García Márquez, falecido recentemente, frequentava esse refúgio e, claro, nunca revelou o segredinho do amigo Fidel.
As coordenadas da casa principal de Cayo Piedra são: latitude 21°57¿52.06″N e longitude 81°7¿4.09″O. Além dela, o paraíso caribenho de areias branquinhas e mar transparente foi equipado com alojamento para a guarda pessoal, casa de criados, estação de geração de energia, baterias antiaéreas, um viveiro de tartarugas (Fidel as adora numa sopa), uma casa de hóspedes de 1 000 metros quadrados, piscina semiolímpica e um delfinário – que podemos apelidar, por que não, de a “Sea World do castrismo”.
Um lazer obsceno, quando se sabe que os cubanos não têm recursos para frequentar praias, reservadas aos turistas estrangeiros e seus dólares. Quando vão à praia, é para tentar um bico como guia ou se prostituir.
Em Cayo Piedra há também um heliporto, que serve apenas para o recebimento de suprimentos e para uma eventual emergência. Segundo Sánchez, Fidel só viajava para a ilha a bordo de seu iate – pelo menos até o seu câncer no intestino se agravar, em 2006.
Aquarama II é uma versão melhorada e ampliada de uma embarcação que ele confiscou de um milionário local depois de derrubar o governo de Fulgencio Batista, em 1959. Construído nos anos 70, o iate de Fidel tem 27,5 metros de comprimento e leitos para dezesseis pessoas, as mais privilegiadas no conforto de duas suítes.
O interior é revestido de madeiras nobres de Angola e há quatro motores – presentes do então líder soviético Leonid Brejnev – capazes de desenvolver a velocidade de 78 quilômetros por hora. No salão principal estão seis poltronas de couro negro. Uma delas, a maior, era exclusiva de Fidel. Ele costumava passar os 45 minutos da viagem bebendo uísque da marca Chivas Regal, o seu preferido, com gelo.
OSTENTAÇÃO — Fidel, em 1988, com o guarda-costas Juan Reinaldo, autor do livro devastador sobre o luxuoso estilo de vida do ditador socialista, ídolo do PT (Foto: SIPA Press)
OSTENTAÇÃO — Fidel, em 1988, com o guarda-costas Juan Reinaldo, autor do livro devastador sobre o luxuoso estilo de vida do ditador socialista, ídolo do PT (Foto: SIPA Press)
Em Cuba, uma garrafa custa 45 dólares, o dobro do salário mensal de um cidadão comum. Iate, mesmo que setentão? Um luxo, sem dúvida, ainda mais num país em que até os pescadores são proibidos de ter canoas, para evitar que fujam para os Estados Unidos, a 200 quilômetros de Cuba.
A residência de Fidel em Havana é uma casa de dois pavimentos com área construída de cerca de 1 200 metros quadrados e situada no centro de uma propriedade de 30 hectares, o equivalente a 36 campos de futebol. Conhecida como Ponto Zero, a área concentra ainda um conjunto de mansões onde vivem alguns de seus filhos.
Há casas de hóspedes, academia de ginástica, piscina, lavanderia industrial e até uma sorveteria exclusiva para a família Castro. As ruas dos arredores são inacessíveis para qualquer outro morador da cidade. O sítio urbano e cercado por muralhas de Fidel também tem um pomar, uma horta orgânica, um galinheiro e um curral.
O ditador é obcecado por suas vacas. No período em que Sánchez frequentou sua casa, cada integrante da família bebia o leite de uma vaca específica. A do ditador era a de número 5, o mesmo da camisa de basquete que ele usava na juventude.
Fidel dizia que o leite de cada vaca tinha um nível de acidez e que, depois de muitos testes e cruzamentos genéticos, ele havia encontrado o sabor de leite ideal para cada um dos cinco filhos que teve com Dalia del Valle, sua segunda mulher, com quem vive até hoje. (No total, Fidel tem nove filhos, incluindo um do primeiro casamento e três de relações extraconjugais.)
A farra das vacas leiteiras de Fidel é um acinte em um país em que apenas crianças de até 7 anos têm acesso garantido ao leite, e ainda assim limitado a 1 litro por dia.
Houve um tempo, conta o seu ex-se­gurança, em que Fidel guardava suas preciosas vacas na mesma casa em que morava uma de suas amantes, a revolucionária de primeira hora Celia Sánchez, no bairro de Vedado, um dos melhorzinhos de Havana. Celia, falecida em 1980, ocupava o 4º e último andar de um dos melhores imóveis da quadra.
No 3º andar, ficavam quatro vacas, que foram alçadas ao estábulo especial por meio de guindastes. Elas tinham em seus aposentos mais espaço do que a maioria dos seres humanos da capital, onde é comum que duas ou mais famílias sejam obrigadas a dividir um apartamento no qual deveria caber apenas um casal com dois filhos.
A relação obsessiva de Fidel com as vacas limita-se, aparentemente, à produção de leite. Uma delas, que chegou a figurar no Guinness por produzir 109 litros de leite em um único dia, está exposta no Museu da Revolução. Empalhada. À mesa, o ditador preferia peixe, lagosta, presunto espanhol e ovelha, enquanto os seus súditos se consideram afortunados quando têm carne de porco e, ainda mais raramente, de frango para comer.
Frutos do mar, para os cubanos, só em restaurantes turísticos e ao custo de um salário mensal. Não é difícil encontrar em Havana adultos que nunca comeram um bife de boi ou um assado de ovelha na vida. Pelo menos eles não convivem com a paranoia de morrer envenenado, como ocorre com Fidel, que exige que cada prato feito por seus dois chefs particulares seja provado antes por um funcionário ou pelo guarda-costas. Suas roupas, depois de lavadas e passadas, são submetidas a um teste de detecção de radiação.
Com o fim dos repasses de dinheiro da União Soviética para Cuba, no início da década de 90, conta o ex-guarda-costas, Fidel organizou um esquema de venda no mercado negro de diamantes contrabandeados de áreas de conflito na África e passou a vender serviços a traficantes colombianos. “Para Fidel, o narcotráfico era uma arma de luta revolucionária antes de ser um meio de enriquecimento ilícito”, escreveu Sánchez, que trabalhou com Fidel entre 1977 e 1994.
Ele foi demitido depois que o seu irmão fugiu de balsa para os Estados Unidos. Para Fidel, era inadmissível ter ao seu lado alguém que não previu que dentro de sua família havia “traidores da revolução”. Sánchez foi preso. Depois de dois anos na cadeia, passou uma década tentando fugir do país. Conseguiu em 2008, e levou consigo alguns segredos de Fidel.

REELEIÇÃO DE DILMA: NÚCLEOS DE MAIOR RESISTÊNCIA - POR MAURÍCIO ROMÃO

REELEIÇÃO DE DILMA: NÚCLEOS DE MAIOR RESISTÊNCIA

01/07/2014

Fonte: elaboração própria com base em dados do Ibope
Maurício Costa Romão
Os dados da última pesquisa do Ibope, de 13 a 15 de junho corrente, desagregados por variáveis socioeconômicas e geográficas, apontam que as maiores dificuldades da presidente Dilma Rousseff, no presente estágio da pré-campanha à presidência da República, residem nos estamentos dos brasileiros que têm curso superior, ganham acima de dez salários mínimos de renda familiar e moram do sul do país.
A tabela que acompanha o texto mostra as manifestações dos eleitores sobre a avaliação do governo e intenção de votos (incluindo o eventual segundo turno) para os segmentos selecionados.

Os números da avaliação do governo e da maneira de governar da presidente são amplamente desfavoráveis à petista nos três núcleos em apreço.
Na média geral da referida pesquisa do Ibope, que compreende a ponderação de percentagens de todas as categorias e variáveis, os conceitos de ruim e péssimo superaram ligeiramente os de ótimo e bom (33% a 31%). O mesmo acontecendo com a categoria aprova (44%) e desaprova (50%) à maneira de Dilma governar o país.
É oportuno mencionar que a avaliação de governo (ou popularidade) é um dos principais fatores determinantes do voto. Governantes bem avaliados tendem a reeleger-se. Prevalece o sentimento do eleitor de que se as coisas estão indo bem, por que mudar?
O entorno de 30% de avaliação positiva do governo é um percentual considerado baixo para qualificar um incumbente à reeleição*. Mas é bom ter presente que esta variável é apenas uma dentre outras que têm influência nos pleitos.
Já no que diz respeito às intenções de voto apresidente continua liderando as pesquisas, embora tenha estreitado a diferença para o conjunto dos demais adversários, relativamente a levantamentos anteriores, o que amplia a possibilidade de haver segundo turno.
Na pesquisa do Ibope de junho, no cômputo geral das intenções de voto, há empate técnico entre a presidente (39%) e os outros postulantes (40%). Nos segmentos mostrados na tabela, Dilma está em empate técnico com Aécio Neves no Sul do país e entre os brasileiros que têm curso superior e perde no núcleo de renda mais elevada, com números fora da margem de erro.
Quando se questiona o eleitor sobre como ele votaria caso houvesse segundo turno, a presidente chega a perder para os dois concorrentes em intenção de votos, exceto no Sul, quando é confrontada com Eduardo Campos.



Nota-se, portanto, que a presidente tem grandes dificuldades de aceitação nesses núcleos populacionais listados na tabela. E tais dificuldades se estão estendendo para outros segmentos, o que se reflete na média geral dos números das pesquisas. Estas pesquisas apontam também que o brasileiro tem manifestado um forte sentimento de mudança.
Com efeito, desde as insurgências de junho do ano passado as pesquisas detectam que os brasileiros (algo no entorno de 2/3) querem que as ações do próximo presidente sejam diferentes das ações praticadas atualmente.
Destes que querem mudanças, a maior parte prefere que o agente transformador seja alguém que não a própria mandatária nacional.
Enfim, para a presidente reeleger-se, o que parecia fato consumado há um ano, há que superar vários desafios no curto espaço de três meses, dentre eles o de minimizar o elevado grau de insatisfação incrustado na população desde as inquietudes que se manifestaram em meados do ano passado.    
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Maurício Costa Romão, Ph.D. em economia, é consultor da Contexto Estratégias Política e Institucional, e do Instituto de Pesquisa Maurício de Nassau. mauricio-romao@uol.com.br

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