quarta-feira, 22 de maio de 2019

GENETON MORAES NETO E A HISTORIOGRAFIA BRASILEIRA - RAFAEL BRASIL

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Sempre li muito jornais e revistas, desde a infância. Primeiro os gibis, depois livros infantis, como de Monteiro Lobato, e aos poucos, revistas e jornais. Desde as fofocas políticas e embates ideológicos, até ciência e futebol, quando lia Issac Assimov e João Saldanha, dentre muitos outros. E apesar da imensidão do bestrirol do dia a dia, ou mesmo da semana, sempre digo que se deve ler de tudo, ou quase tudo. E que os jornais e muitos jornalistas ajudaram a escrever a nossa história, com entrevistas, depoimentos, reportagens investigativas, etc. Portanto muitos livros de reportagens jornalisticas ou mesmo enfocando nossa cultura se destacam não só para esclarecer fatos , como descrever biografias de personagens da nossa cultura, política e coisas a afins, mas para desenterrar diversos fatos históricos antes esquecido por articulistas e historiadores. É o caso de Geneton Moraes Neto, com seu livro Nitroglicerina Pura, e uma longa entrevista reportagem sobre Carlos Drummond de Andrade. Paulo Francis logo comentou que ninguém tinha tirado tanto do grande poeta.
No livro Nitroglicerina Pura Feito em parceria com o famoso jornalista sergipano Joel Silveira, é desvendado um fato bem significativo, e escondido pela esquerda, da intensa colaboração de jornalistas esquerdistas e integralistas na época do pacto Molotov-Ribentroff, ou seja de Hitler e Stálin. Jornalistas comunistas como Jorge Amado dentre muitos outros passaram a colaborar com jornais fascistas, afinal isso era a orientação do comitern, ou seja a Internacional Comunista. No pacto houve até troca de prisioneiros com Stálin "presenteando" a Hitler milhares de comunistas alemães, que depois seriam eliminados nas masmorras da gestapo, a terrível polícia política nazista. Afinal, nazismo e comunismo tinham muito em comum, pois o sistema totalitário foi implementado por Lênin seis semanas depois do golpe no vácuo do poder na Rússia em poder dos social democratas. Stálin fez o resto do "serviço" matando milhões que eram considerados contra revolucionários pelo partido, coisa tão vaga como roubar espigas de cevada nos campos para matar a fome endêmica na Rússia, e países satélites como a Ucrânia, por exemplo.
Geneton com muita razão sabia da brevidade do trabalho em televisão, e, claro, os limites do trabalho jornalístico. E como jornalista abriu esta lacuna na nossa historiografia que sempre endeusou de certa forma os movimentos à esquerda do espectro político. Em poucas palavras, a partir desta investigação, abriu um leque neste campo, de reinterpretar a história com outras narrativas. Justamente nestes tempos bicudos, onde finalmente a direita conservadora ganhou a eleição presidencial depois de um grande assalto e desmonte do estado brasileiro perpetrado pela esquerda no poder. Também no trabalho em televisão, mostrou depoimentos contundentes dos principais atores políticos da ditadura militar, entrevistando inclusive generais como Leônidas Pires Gonçalves, dentre muitos outros.
Tive o prazer de conviver um pouco com Geneton através de um tio meu, Romero Souto Maior, que foi colega dele desde o cursinho Torres em Recife na década de 70. Era um homem muito tranquilo e bem humorado, de uma simplicidade sem par. E muito tolerante politicamente, afinal naquela época tínhamos muitas brigas, entre os defensores do regime, e os democratas que lutavam contra a ditadura. Evidentemente Geneton estava do lado dos democratas, mas tinha amigos do outro lado também, sem maiores problemas. Afinal além de sua verve de jornalista, havia um grande ser humano a observar agudamente os fatos e desnudá-los, sempre em busca da verdade. E o que é mais importante do que a busca da verdade?

2 comentários:

  1. Geneton era isso mesmo. Tinha a sabedoria de conviver com os contrários.Tolerancia, coisa rara, naquela quadra onde reinava um policiamento ideológico. Patrulhamento mesmo. Faz muita falta ao jornalismo brasileiro.

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  2. Geneton tinha a sabedoria de estudar profundamente o entrevistado e dai conseguir extrair o que todos queríamos saber, dai seu sucesso. Está fazendo falta...

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