domingo, 26 de junho de 2016

Viver dá trabalho - Míriam Leitão



- O Globo

No Congresso da Abraji, ministra Cármen Lúcia deu uma aula sobre o Brasil “A lã não pesa ao carneiro”. Com esta frase a ministra Carmen Lúcia respondeu como se vê diante do fato de que poderá até assumir a presidência da República, por chegar ao comando do Supremo Tribunal no período mais conturbado da nossa história. Ela disse estar preparada para as suas responsabilidades e relativizou a tensão atual: “em cada época os problemas parecem os maiores da história”.

A ministra que assumirá a presidência do STF é definida, nas conversas gravadas dos investigados, como “carne de pescoço”. Sérgio Machado diz no diálogo com o senador Renan Calheiros que “o novo Supremo com essa mulher vai ser pior ainda”. Ela foi na sexta-feira conversar com jornalistas e estudantes no Congresso da Associação Brasileira de Jornalistas Investigativos (Abraji). Chegou sem assessores e sem pose. Defendeu fortemente a liberdade de expressão, falou do seu amor ao Brasil — “sou capaz de morrer pelo país’ — e criticou os que pensam que podem pressionar os ministros da suprema corte brasileira.


Diante da pergunta feita por uma pessoa da plateia de como se sentia ouvindo as gravações de políticos falando em pressionar os ministros do Supremo, ela disse que muitos falam isso para demonstrar importância aos interlocutores. Mas que os ministros tomarão suas decisões com independência. “O Brasil tem juízes”, disse.

A frase não significou defesa corporativa. Na palestra-entrevista que concedeu à Abraji, Carmen Lúcia criticou fortemente os juízes do Paraná que entraram com uma sequência de ações contra jornalistas da “Gazeta do Povo”, por publicarem matéria sobre os salários dos magistrados. Primeiro, dizendo que os juízes são parte. Depois, lembrando que a informação é pública. E se não era divulgada é porque não estava sendo cumprido o princípio da transparência. Disse que quem vai para o espaço público perde parte da sua privacidade.

Na defesa da liberdade de expressão, ela deu uma aula de como, através da história, jornalistas foram ameaçados. Falou aos jovens sobre Orestes Barbosa, jornalista, cronista e compositor. Entre outras, ele fez a letra de “Chão de estrelas”.

— Orestes Barbosa foi duas vezes preso pelo que escreveu e em pleno governo de Epitácio Pessoa. Não foi no período Artur Bernardes, que impôs o estado de sítio, foi em um governo democrático. Numa das vezes em que foi preso, foi por uma manchete. Na prisão tornou-se cronista dos encarcerados.

Neste contexto, Carmen Lúcia defendeu a liberdade de imprensa e de expressão como parte fundamental da democracia. Diante da pergunta sobre o momento atual, de um governo interino e uma presidente afastada, ela disse que o país vive em normalidade democrática com as instituições funcionando perfeitamente.

Um jovem da plateia perguntou se o “monopólio dos meios de comunicação, principalmente na teledifusão” não seria um risco à liberdade de expressão. Carmen respondeu que, em tese, monopólios reduzem liberdades, mas que no contexto atual das comunicações em que há uma multiplicidade de formas de exercer o jornalismo, qualquer poder de mercado é naturalmente limitado pelas diversas possibilidades de veicular notícias pelos meios digitais.

Sobre a crítica feita à divulgação de partes do processo da Lava-Jato, que os investigados chamam de “seletiva”, ela respondeu que a publicidade do processo é constitucional e não depende da vontade do juiz. Tem que ser divulgado. O sigilo é sempre temporário, explicou, e serve, para proteger a investigação, em determinadas fases.

Curioso como a questão judicial está mesmo na ordem do dia, e o melhor resumo disso veio numa pergunta que, infelizmente, chegou às mãos dos organizadores quando já se encerrava o painel de uma hora e quarenta minutos. A pessoa perguntava o que ela achava do fato de que hoje o país sabe de cor o nome dos onze ministros do Supremo, mas não é capaz de dizer os onze jogadores titulares da seleção.

Citando poetas, fatos da história, casos de família, a ministra deu uma aula sobre o país. Ressaltou que o tempo da política e da economia é difícil, a corrupção, uma erva daninha a combater, ao mesmo tempo em que animou os jovens a enfrentar os problemas sem se desanimar diante das dificuldades, porque “viver dá trabalho”.

Um comentário:

  1. PROFESSOR,RAFAEAL BRASIL.

    Um dos melhores artigos que eu já li em toda minha vida.Como é bom a gente ler artigos desta natureza e magnitude.O único erro que a Dra.Juíza cometeu em sua via foi em intimar a Presidente Dilma para depor para explicar por que ela falava tanto em GOLPE?

    Depois ela voltou atrás e engavetou o seu pedido.Existem muitas contradições e antagonismos na ação política e erros grosseiros praticados por todos os partidos, os quais,entre eles o que existem é muita safadeza e acordos espúrios,conchavos,com o toma lá dá cá.Michel Temer não deixa eu mentir.

    Caso o vice-presidente tivesse praticado as mesmas ações que o vice-presidente de Fernando Collor de Melo, Itamar Franco (de saudosa in memoriam),isto é, comportando-se magistralmente,e não como ele fez,na véspera do impeachment quando recebeu os golpistas para o impeachment da Dilma,certamente,hoje ele estaria fazendo um governo de coalizão nacional entre quem era governo e oposição e não expulsando todos os quadros do PT em detrimento de todas as oposições.Por isso que se caracterizou golpe,pois mais de 10 bilhões de pedaladas fiscais e créditos suplementares formam assinados pelo vice-presidente do Brasil.Então,se é para afastar a Dilma pelas pedaladas o vice também teria que sofrer as mesmas punições com a perca de seu mandato.

    O motivo principal da existência dessa OPERAÇÃO LAVA JATO se deve ao conluio existente entre o público e o privado.Quando muitos falam em privatizar tudo o que eu discordo totalmente,pois fui um defensor número um do PSDB de 1994 a 2002 quando mudei de partido e de opinião (PSDB) para retornar ao PMDB e depois entrei no DEM forçado e depois me filiei no PSB espontaneamente por raízes históricas com os ex-governadores Miguel Arraes de Alencar e Eduardo Campos em 2011 e hoje permaneço por circunstâncias locais,nunca concordei que as empresas estratégicas do Governo fossem entreguem aos gringos e assim ficaríamos totalmente nus.

    Os bilhões e trilhões arrecadados pelo governo federal quem ganham e ganharão eles hoje e futuramente serão os empresários,firmas,empreiteiros,bancos e afins,pois tudo tem que ser LICITADO via carta -convite, tomada de preços,concorrências e pregões.E quem praticaram os maiores assaltos aos cofres públicos no Brasil nos últimos 50 anos foram as empresas que em conluio com os partidos e os políticos praticaram tudo e mais alguma coisa que as operações vampiro,sanguessugas,castelo de areia, Carlinhos Cachoeiras,mensalão, petrolão e lava jato vem mostrando ao Brasil e ao mundo.

    Finalmente,por que EDUARDO CUNHA PMDB com 220 Deputados Federais PSDB E DEM votaram uma PEC legalizando todas essas doações? Por o Senado votou contra ESSA PEC do Eduardo Cunha por 36 x 31 votos ? Por que a OAB apresentou UMA ADIN (ação direta de inconstitucionalidade ) AO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL que aprovou por 8 x 3 contra a vontade do juiz federal mais conservador Dr. Gilmar Mendes?

    Por que a Presidente Dilma Rousseff VETOU a PEC do Eduardo Cunha? Porque todas as doações feitas até hoje aos partidos e aos políticos foram totalmente ilegais e imorais.

    Se de 1989 até hoje tivesse existido uma ADIN dessa amplitude,certamente,não estávamos vendo tantas prisões de empresários,políticos,cidadãos que foram para o conluio de falcatruar o dinheiro público com o dinheiro privado,isto é, as empresas não teriam doado a todos os partidos tamanha magnitude de bilhões tirados direta e indiretamente dos próprios governos municipais,estaduais e federal.Errou feio o PSDB,PMDB,PT,PSD,PR,PTB,PP,DEM,PFL,PSD,PROS,PV,PDT,SD,os quais, foram cúmplices com todas as roubalheiras praticadas neste país por estes 50 anos de República Federativa do Brasil.

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