quarta-feira, 20 de abril de 2016

TORTURA HISTERIA E POLÍTICA - RAFAEL BRASIL




O pré candidato direitista Bolsonaro pisou na bola quando falou no milico Brilhante Ustra, um dos protagonistas da triste repressão política na época do endurecimento do regime militar, em 68, depois da promulgação do AI 5, quando a ditadura foi mais dura, digamos assim. Não era momento para este tipo de declaração. Mas o dito foi dito, e isso é o que importa.
Logo a gritaria foi forte. Defender torturadores é uma posição perigosa e equivocada. Mas essa vitimização toda é hipocrisia. Aliás Gabeira, que nunca foi de direita, reconhece que estas organizações nada tinham de democráticas. Até um macaco amestrado sabe disso. Nestas organizações, assaltaram bancos matando inocentes, torturaram e fuzilaram pessoas , e o pior: foram um dos fatores importantes para o endurecimento do regime. E é bom ressaltar que muitos terroristas como Lamarca e Marighela apostavam mesmo no endurecimento do regime para radicalizar a política, transformando-a em guerra. Todos pecaram e muito. A anistia já foi concedida e ponto final. Mas terrorista totalitário posar de herói da democracia não dá mais. Só para os idiotas de sempre.
Mas o que muitos querem mesmo é rescrever a história. Na verdade nossa ditadura foi uma das mais brandas, mesmo no contexto latino americano. Mataram, exatos, segundo a Comissão de Justiça e Paz, 425 almas. Em guerrilhas urbanas e rurais. Os terroristas mataram cerca de 180, segundo dados historicamente comprovados. Na Argentina cerca de 15, ou 20 mil, para uma população bem menor, assim como o Uruguai, com cerca de metade da população de Pernambuco mataram cerca de 1000 pessoas. 
Já nos países comunistas ninguém fala. Mas mataram milhões. Mao Tsé Tung, a quem o PC do B apoiou matou cerca de 75 milhões. Stálin 20, ou 30. Isto sem falar em Cuba, que para uma população de 6 milhões de habitantes em 1959, fuzilaram 17 mil. Noves fora os quase 100 mil que morreram tentando fugir.
Ditadura é sempre uma merda, mas tem que ter senso de proporções. Uma pessoa morta ou torturada por razões políticas é sempre um atentado não só à democracia mas a lei divina. O interessante é que não se fala sobre a tortura a presos comuns. Nem se dá importância ao fato. Como se os presos políticos fossem pessoas especiais. 
Na verdade abaixo o estado policial, mas polícia é um mal necessário, claro. Mas a questão são as mentalidades autoritárias ou totalitárias. A história não é um discurso ideológico, mas a observação e apuração dos fatos acontecidos, ou seja reais. O resto é conversa, e política. Tudo bem, faz parte da democracia e do debate leal e franco de idéias. Porém fatos são fatos. Ou não?

2 comentários:

  1. ...........O interessante é que não se fala sobre a tortura a presos comuns. Nem se dá importância ao fato. Como se os presos políticos fossem pessoas especiais... PENSAMENTO MUITO BEM CUNHADO E DISTRIBUÍDO AOS SEUS LEITORES. NA MOSCA ESSA OBSERVAÇÃO DO GRANDE RAFAEL. AFINAL, JÁ DIZIA O GRANDE BOB MARLEY QUE, "A verdade dói, a mentira mata, mas a dúvida tortura"...

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  2. Muito obrigado Altamir. E um grande abraço!

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