O governo Médici foi o mais duro do regime, e certamente o mais popular. Afinal o Brasil estava no auge do chamado milagre econômico, e se tivesse eleições diretas, Médici, certamente se reelegeria com certa folga, tal a sua popularidade. Além do mais, ele era meio populista, e faturou muito com o tricampeonato mundial de futebol conquistado pelo Brasil em 1970, no México. Ficou famosa sua frase de que a economia brasileira ia bem, mas o povo ia mal. Disse o óbvio ululante, como diria Nélson Rodrigues, mas dito por um general, e ainda mais presidente, vale o registro.
Geisel foi o general que o sucedeu. Segundo ele mesmo, só nesta condição
seria presidente do Brasil um sujeito como ele. Seu mais forte cabo eleitoral
foi seu irmão, Orlando Geisel, general de quatro estrelas, e muito respeitado
nas fileiras do exército até então. E seu único eleitor seria o próprio Médici,
que deixaria a presidência para nunca mais voltar. Felizmente.
Com Geisel, veio a crise internacional do petróleo e o fim do milagre econômico, tão propagado pelos militares, e seus maiores áulicos, como o então todo-poderoso do governo Médici, o hoje fiel conselheiro de Lula, Delfim Neto.
Com Geisel, veio a crise internacional do petróleo e o fim do milagre econômico, tão propagado pelos militares, e seus maiores áulicos, como o então todo-poderoso do governo Médici, o hoje fiel conselheiro de Lula, Delfim Neto.
Foi Geisel quem primeiro falou em distensão política, lá pelos idos de
1972. Foi neste ano que as oposições deram sinais de vida, dando um verdadeiro
banho no partido do governo, elegendo 16 senadores. Os governadores eram
escolhidos pelo presidente, a dedo, claro.
Foi Geisel, enfim, que aos poucos foi afastando os setores mais duros do establichment militar, demitindo, quando das mortes nos porões, do operário Manuel Fiel Filho, e do jornalista judeu e comunista Vladimir Herzog, o general Dilermando, um dos responsáveis pela linha dura, e depois, o general Sylvio Frota, um velho e influenciado fascista, como tantos outros militares da época.
Foi Geisel, enfim, que aos poucos foi afastando os setores mais duros do establichment militar, demitindo, quando das mortes nos porões, do operário Manuel Fiel Filho, e do jornalista judeu e comunista Vladimir Herzog, o general Dilermando, um dos responsáveis pela linha dura, e depois, o general Sylvio Frota, um velho e influenciado fascista, como tantos outros militares da época.
Autocraticamente, Geisel ao defenestrar a linha dura, começaria a acabar
com a própria ditadura. Que foi amolecendo, e na época dele, já se publicava
quase de tudo na imprensa do país, apesar da existência da censura. Mas, seu
projeto era conhecido. Ele buscava uma transição lenta, gradual e segura,
segundo suas próprias palavras. E, debaixo de críticas, elegeria o general
Figueiredo como seu sucessor imediato. Figueiredo, militar que veio dos meios
de informação, (fora chefe do SNI, durante o governo Médici) promoveria a
anistia, e não mais controlando a sua sucessão, digamos, permitiu os acordos
que viriam a resultar na transição. Ou seja, a união dos setores moderados da
oposição, liderados por Tancredo Neves, com os reformistas, ou insatisfeitos
com o governo militar, os remanescentes do partido governamental o PDS, que
fundariam o PFL.
Depois de frustrada as eleições diretas, quando da derrocada da emenda Dante de Oliveira, Tancredo ganharia as eleições no chamado Colégio Eleitoral, um dos artifícios usados pela ditadura para eleger seus próprios candidatos. Em outros termos, foi o Congresso que referendou o nome de Tancredo Neves como o presidente do Brasil, depois de 20 anos de ditadura militar.
Não só o PT, como boa parte das esquerdas ficaram contra a resolução da transição via colégio eleitoral. Uma bobagem, pois a transição fora feita. Aliás, uma das principais características das transições políticas é que elas são feitas pelos moderados, de ambos os lados.
Depois de frustrada as eleições diretas, quando da derrocada da emenda Dante de Oliveira, Tancredo ganharia as eleições no chamado Colégio Eleitoral, um dos artifícios usados pela ditadura para eleger seus próprios candidatos. Em outros termos, foi o Congresso que referendou o nome de Tancredo Neves como o presidente do Brasil, depois de 20 anos de ditadura militar.
Não só o PT, como boa parte das esquerdas ficaram contra a resolução da transição via colégio eleitoral. Uma bobagem, pois a transição fora feita. Aliás, uma das principais características das transições políticas é que elas são feitas pelos moderados, de ambos os lados.
Tem muita gente insatisfeita com os rumos da
democracia no Brasil. É bom lembrarmos que a democracia não é uma coisa
acabada, mas um longo processo. E ademais, se ditadura fosse bom, seríamos no
mínimo um país de primeiro mundo, pois nossa história republicana é
essencialmente autoritária, com pequenos interregnos democráticos, digamos
assim. Portanto, nossa democracia precisa ser aperfeiçoada, com o melhoramento
e foralecimento das instituições democráticas. E precisamos de muitas reformas,
como a da justiça, a trabalhista e sindical, a tributária, a fiscal, enfim.
Precisamos ainda de muita coisa para ajustarmos nossas instituições às
exigências de um mundo cada vez mais complexo, porque mais globalizado. Se as
reformas não acontecem, ficaremos eternamente paralizados, perplexos, diante de
um mundo cada vez em mais rápida transformação. Aliás, quais foram mesmo as
reformas de peso do governo Lula? Até agora, nada... Esperemos. Sentados, assim
é melhor
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