PMDB abre caminho para o impeachment de Dilma Rousseff
Na Folha:
“No dia seguinte ao rebaixamento da nota do Brasil pela Standard & Poor’s, o PMDB gravou seu programa nacional, que irá ao ar em rede nacional de rádio e TV no dia 24 com o slogan ‘O Brasil está pronto para acertar as contas com a verdade’. O filme mostra o vice-presidente Michel Temer à frente de um time de ministros, governadores e parlamentares e com um discurso de que é preciso ajudar o país. Parte das gravações foi feita no Palácio do Jaburu, residência oficial do vice.”
O PMDB está com um pé fora do governo. O novo discurso do partido sinaliza para o desembarque, sem se comprometer oficialmente com ele.
O slogan sobre “acertar as contas” no momento em que as contas públicas de Dilma Rousseff estão prestes a ser reprovadas pelo TCU soa bastante sugestivo. O PDMB quer mostrar que está do lado do Brasil, não do PT, e que está preparado para a solução política que for melhor para o país, inclusive para a abertura do processo de impeachment.
“Outros nomes do partido, como o presidente da Fiesp, Paulo Skaf – um dos mais críticos ao governo –, aparecem no programa.”
Em nota divulgada ontem, Skaf e Eduardo Vieira afirmaram que as Federações das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e do Rio de Janeiro (Firjan) estavam “perplexas com a inação do governo diante da deterioração crescente do quadro econômico do país” e que “o governo abriu mão de governar”:
“O país repudia com ênfase novos aumentos de impostos. Esta é a receita fácil de sempre, mas a sociedade não aguenta mais pagar a conta da incompetência do Estado. A perda do grau de investimento por uma agência de rating internacional é o desfecho de uma série de hesitações, equívocos e incapacidade de lidar com os desafios de uma conjuntura econômica cujo esfacelamento é resultado de incontáveis erros cometidos ao longo dos últimos anos.”
No programa do PMDB na TV, até o maior aliado de Dilma no partido afeta uma crítica ao seu desgoverno:
“A fala de Luiz Pezão atribui à ‘instabilidade política’ a crise econômica. ‘Sem definição, sem rumo, sem saber o que fazer e para onde ir, o país fica à deriva’, diz o governador fluminense”.
Na verdade, o país já naufragou, mas ok.
Pezão, junto com seu antecessor Sérgio Cabral, escapou da Operação Lava Jato com o pedido da Polícia Federal pelo arquivamento do inquérito.
Eduardo Cunha, não, mas também está pronto para acertar as contas com… o STF:
“Cunha tem dito que sua expectativa é que o lobista Fernando Baiano confirme, em sua delação, o depoimento de Julio Camargo, que o acusa de ter recebido US$ 5 milhões de recursos desviados da Petrobras.
Para interlocutores do peemedebista, Baiano foi pressionado a envolver Cunha para ter a delação aceita, e a única forma seria confirmar a fala de Camargo.”
Vazar essa história de ‘acordão’ para a imprensa é uma forma de Cunha minimizar o eventual impacto da delação do operador.
O PT tem esperanças de que o presidente da Câmara caia antes de conseguir derrubar Dilma, mas o movimento pró-impeachment já ganhou forças para muito além dele e ainda há tempo para abrir o processo.
Segundo a Folha, Cunha sinalizou aos coordenadores que não vai “sentar em cima” dos requerimentos pela saída da petista.
Neste sentido, o Brasil está pronto para acertar as contas com a verdade.
Felipe Moura Brasil ⎯ http://veja.abril.com.br/blog/felipe-moura-brasil
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