segunda-feira, 18 de maio de 2015

"De Brasília a Salvador: Quem tem medo de Ricardo Pessoa (UTC)?", por r Vitor Hugo Soares Com Blog do Noblat - O Globo




Na cabeça de quem vai desabar as marteladas de Ricardo Pessoa, a bomba ambulante da UTC? Responda quem souber

Quinta-feira, 14 de maio do ano das tempestades devastadoras na Cidade da Bahia – literal e metaforicamente falando. Dia seguinte ao desassossego geral em Brasília (para dizer o mínimo) com a passagem, por lá, de Ricardo Pessoa: dono da UTC, citado como chefe e negociador do grupo de empreiteiros corruptores enrolados no Petrolão, a partir da Lava Jato.
Carga ambulante de nitroglicerina pura, ele fez a explosiva viagem com o propósito de concluir detalhes e assinar, na sede da Procuradoria Geral da República, o mais aguardado acordo de delação premiada da década. Fato mais novo e contundente do grande escândalo da vez no Brasil. Maior de todos de que se tem notícia, envolvendo corruptos e corruptores (políticos, empresários, funcionários públicos dos mais altos escalões e gente graúda do governo) metidos na pilhagem financeira e na destruição da credibilidade da Petrobras, um orgulho nacional.
Feito e firmado, aguardam-se os desdobramentos e consequências criminais e políticas, aparentemente inevitáveis, da inesperada visita a Brasília do bam bam bam da UTC. 
Em Salvador, tão estressada (ou mais) quanto a capital do País – e não só pelos desastre e mortes causados pelas chuvas, em combinação fatal com históricas mazelas administrativas -  o jornal Tribuna da Bahia traz no alto da primeira página, da sua edição impressa, uma minúscula mas expressiva fotografia do figurão das construções a ponto de explodir. Encalacrado que anda com a polícia e a justiça em seus calcanhares (literal e figurativamente), e a família em seu cangote.
Ao lado da foto, uma interrogação singela, mas jornalisticamente relevante e crucial. Capaz de abalar o sistema nervoso e revolver os intestinos de muita gente, da Bahia a Brasília, passando por inúmeros outros destinos: "Ele resolveu falar. E tem muito a contar. E agora?", pergunta a manchetinha incômoda da TB, daquelas com poder de tirar o sono e fazer muita gente correr aos pretinhos básicos, ansiolíticos tarja preta, para aguentar o tranco.
Agora é aguardar para saber sobre os próximos passos do procurador-geral, Rodrigo Janot, e se o ministro do Supremo Tribunal Federal, Teori Zavaski, dono e senhor da palavra final, aceitará a proposta de delação e autorizará Pessoa a contar tudo o que sabe e fez em suas tenebrosas transações de corruptor notório.
Enquanto isso, sigamos o compasso do samba famoso, que ensina: "recordar é viver."
A foto reduzida de Ricardo Pessoa, na primeira página da Tribuna da Bahia, remete a memória, baiana e nacional, a outra imagem maior e mais emblemática. Retrato quase perfeito da mistura acintosa do público e do privado no País, a ponto de ficar praticamente impossível para a opinião pública, a sociedade, distinguir onde um termina e o outro começa, ou vice-versa.
A imagem foi produzida na sexta-feira, 13 de julho de 2012. No cenário quase sagrado do Recôncavo Baiano, às margens deslumbrantes da foz do Rio Paraguaçu, durante festança econômica, politica e eleitoral na histórica cidade de Maragogipe. Com a presença da presidente de República, Dilma Rousseff, já em pleno trabalho de campo pela reeleição.
Dilma participava da cerimônia de batismo da Plataforma B-59, seguida do lançamento da pedra fundamental do Estaleiro do Paraguaçu, investimento orçado em R$ 2 bilhões, previsto para começar a operar no ano passado. Sonho de maragogipanos, japoneses e baianos em geral, que praticamente se esfacelou com os primeiros solavancos do Lava Jato.
Destinado à construção e integração de unidades offshore como plataformas, navios especializados e unidades de perfuração, a obra monumental do estaleiro (EEP) foi entregue a um consórcio formado pelas empresas baianas Odebrecht e OAS, a carioca UTC e a japonesa Kawasaki.
Na foto de palanque antecipado da grande festança nacional em Maragogipe (corre ainda pela web, comandada por Dilma em dia de sorriso aberto, aparece em primeiro plano a inconfundível figura de Ricardo Pessoa, bem na frente da presidente. O dono da UTC segura um enorme martelo para marcar, simbolicamente, a importância do momento.
Em volta, o ex-governador da Bahia e atual ministro da Defesa, Jaques Wagner; a então presidente da Petrobras, Graça Foster e o ex , José Sergio Gabrielli; o ministro dos Transportes na época, o baiano Sérgio Passos; o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, o senador Walter Pinheiro, o atual governador Rui Costa, e um sem número de nomes da arraia menor da política e dos negócios na Bahia e no Pais. Muitos japoneses sorridentes também na fotografia. O ex-presidente Lula não esteve presente na festa, mas foi ele o nome mais lembrado, citado e reverenciado por todos. No palanque e na plateia.
Paro por aqui, mas deixo no ar a pergunta que não quer calar e razão maior do estresse extremo destes últimos dias da Bahia a Brasília: Na cabeça de quem vai desabar as marteladas de Ricardo Pessoa, a bomba ambulante da UTC? Responda quem souber. 
Ricardo Pessoa (segundo a direita), presidente da UTC (Foto: Roberto Stuckert Filho / PR)Ricardo Pessoa (segundo a direita), presidente da UTC (Foto: Roberto Stuckert Filho / PR)

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