sábado, 4 de abril de 2015

LYA LUFT: Que o Brasil seja salvo do naufrágio pela manifestação do dia 12


(Ilustração: Boatus.com)
(Ilustração: Boatus.com)
NO FUNDO DO MAR
Artigo publicado em edição impressa de VEJA
Lya LuftO Brasil naufraga. A cada dia a situação brasileira muda – em alguns aspectos geralmente negativos – tão depressa que, quando se pensa num artigo para esta coluna, já as coisas degringolaram ou se confundiram um pouco mais.
Portanto, é sempre em parte um tiro no escuro: quem sabe, até sair o texto, mais coisas graves terão acontecido e não consegui, na hora, atualizar? Mas, para isso, a gente que escreve conta com a compreensão do leitor – algo já meio esquisito de pedir, uma vez que nos solicitam “compreensão” para os fatos mais incompreensíveis.
A grande nau com seus 200 milhões de passageiros quase raspa o fundo do mar, onde ficará atolada se não tomarmos medidas. E nós, os comuns mortais, nós, o povo – porque povo não são só os pobres, os miseráveis, os despossuídos, os abandonados pelo governo, os pobres ingênuos iludidos ou os furiosos campesinos que desfilam com bandeiras e camisas vermelhas, ameaçando com foices sem ver os próprios enganos -, o que nós, o povo, repito, podemos fazer?
Além de tentarmos levar nossa existência e trabalho da maneira mais decente possível, na dura lida para conseguir pagar as contas e manter uma vida digna para a família, e torcermos para que os que mandam no país tomem as providências salvadoras, pouco podemos fazer, a não ser falar, ler, nos informar, e – isto sim – sair às ruas.
Confesso que no dia 15 de março não participei com meus filhos e amigos, e que me dispensei porque, afinal, a cada duas semanas estou com a cara na janela aqui, para milhões de leitores, muito exposta e muito ativa, sem ter de me apoiar na bengala que nos últimos anos uso para trajetos maiores ou mais cansativos, ou para subir alguns degraus.
Mas desta vez prometi a mim mesma, se sair a manifestação de 12 de abril, lá estarei, de bengalinha e tudo, orgulhosa de poder fazer algo mais concreto ainda do que um artigo, pelo bem deste país do qual minha família fez a sua pátria há 200 anos, labutando para que ele se torne maior e melhor.
Tenho escrito especificamente sobre esta nau vítima de tamanho desastre. Tenho pensado nela insistentemente muitas horas do meu dia, e em alguma hora insone de madrugada, quando acordo, como tantos brasileiros, me perguntando: e agora? O que vai suceder, quem vai comandar?
Pois estamos, não oficialmente, mas de fato, sem comando, sem experiente timoneiro que nos guie, os marinheiros aturdidos, alguns líderes apenas começando a tomar pulso e a ajudar no leme.
Tomamos consciência do perigo real, e protestamos pacificamente: 2 milhões de pessoas nas ruas do Brasil clamando pelo seu direito a escolas e hospitais públicos decentes, postos de saúde funcionando e dando os remédios básicos, estradas transitáveis; que a economia em redemoinho descendente não trave ainda mais nossa já dura vida cotidiana.
Que não desmoronem mais casinhas e edifícios do Minha Casa Minha Vida, malconstruídos, ou erguidos em locais proibidos, como à beira de uma represa.
Que os desperdícios em gastos do governo sejam zerados, que as assombrosas revelações, cada dia comprovadas, sobre roubos gigantescos na Petrobras e outras estatais não desabem sobre a população como um maremoto num país ingovernável e paralisado, onde propagandas enganosas causaram o endividamento impagável de milhares de famílias; que se interrompa e reduza o desemprego, que massacra muito mais pessoas do que se imagina; que se corrijam a humilhação e o isolamento do país no cenário internacional, pela patética atuação no campo diplomático.
Estamos roçando o fundo do mar de todos os naufrágios: não se divisa uma solução simples que possa mudar o cenário assustador.
Que a gente não naufrague, mas que uma fórmula quase milagrosa – que não conheço, mas desejo -, legal e eficiente, ponha este grande leme em mãos firmes e competentes, e nos reintroduza nos países civilizados, dando-nos segurança, paz e esperança: pois esta está cada dia mais ralinha.
Que Deus nos ajude!

3 comentários:

  1. Os erros do Brasil vem sendo acumulados por vários anos. As elites correram todas para os palanques do Sarney em 1985, para o Collor e Itamar,depois para o FHC e depois pularam para o Lula e depois para a Dilma. Hoje como eles da elite branca e compradora dos votos (prefeitos,vereadores,deputados estaduais e federais , senadores e governadores ) estão correndo de perto depois que deram o golpe nas finanças do Brasil. Deputados federais do PMDB-PSDB-PT-PTB-PDT-PSD-PROS -PP foram sim irresponsáveis em aprovar a reeleição e os aumentos de R$ 10.000,00 e 8.000,00 em 2010 e em 2014.

    ResponderExcluir
  2. AS OPOSIÇÕES NESTE PAÍS JÁ FORAM GOVERNO COM FHC POR 8 ANOS. TODOS ELES SABEM DE QUE AS DOAÇÕES FEITAS POR EMPRESÁRIOS, EMPREITEIROS, BANCOS E AFINS AOS PARTIDOS E POLÍTICOS SÃO IMORAIS, ILEGAIS E CONTRIBUEM PARA OS GRANDES ESCÂNDALOS DESTE PAÍS.

    ENTÃO, POR QUE ELES E ELAS NÃO SE REÚNEM E FAZEM UMA REFORMA POLÍTICA PRA VALER LOGO AGORA EM 2016 PARA PREFEITOS E VEREADORES? TODOS E TODAS FORAM CAPAZES DE REUNIREM EM MEIA HORA E AUMENTARAM OS SEUS SALÁRIOS DE R$ 16.512,09 PARA R$ 26.723,13 E 2010 E AGORA EM 2014 PARA R$ 33.763,00.

    PARA COIBIR A SANGRIA NOS COFRES PÚBLICOS E PRIVADOS COM AS COMPRAS DE VOTOS SOMENTE EXISTE UMA SAÍDA SEGUNDO DR ROBERTO MAGALHÃES E O PRÓPRIO FHC: VOTO DISTRITAL PURO. O RESTO É BALELA E NADA MAIS.

    ResponderExcluir
  3. Amigo, se o problema fosse apenas a reforma política, estaríamos no céu. Também o povo não deixa de ser culpado, pois vota nos políticos que aí estão. Reclama dos deputados e senadores corruptos e vota neles. As reformas são múltiplas e complexas, e passam desde a reforma política a econômica, educacional, da segurança e por aí vai. E tudo tem que ser feito através da democracia e dos políticos. A alternativa a política e a ditadura. E nossa história republicana está cheia de ditaduras ou mesmo regimes autoritários, que se fossem bons estaríamos no chamado primeiro mundo. Também não dá para colocar os políticos no mesmo saco. A corrupção petista extrapolou todos os limites do possível e imaginável. Nunca houve coisa parecida na história deste país.

    ResponderExcluir

DITADURA CLEPTOCRÁTICA TOGADA - RAFAEL BRASIL

A ditadura cleptocrática togada, do consórcio PT/ STF, se baseia nos princípios fundamentais de qualquer ditadura comunista. Terrorismo de e...