Para que serve um deputado estadual? Para dar muitas despeas ao povo com as inúmeras mordomias do cargo, e legislar sobre quase nada, dado o esvaziamento histórico da federação. Devia ser reduzida em número e em mordomias e salários de marajás. Além das boquinhas costumeiras como empregar parentes e amigos nos diversos cargos à disposição do tal deputado, que não serve para nada. Ou, digamos, quase nada.
Dizem que o deputado traz muitos benefícios à região em que é eleito. Pode ser, depende das articulações políticas do dito cujo, mas, pelo menos no Nordeste, a maioria das assembléias não gosta de ser de oposiçáo. Todos preferem ser governo, pois vivem das clientelas políticas, que são sempre realimentadas com cargos ou algumas benesses. Como nas câmaras de vereadores, não só do interior, mas das capitais, a maioria corre para os braços do governo de ocasião. Seria preciso sim, uma grande reforma pollítica no país.
Se gasta milhões para ser deputado estadual. Dizem que por menos de três milhões, nem se disputa. É uma das vergonhas nacionais. Tanto dinheiro, tanta mordomia sai muito caro para o povo, que são os contribuintes. Muitos desejam o cargo para defender interesses até sombrios, mas ser deputado é ser “otoridade”. Ser bajulado por onde anda, ou ter cargos para roubar do governo. Aparecer nas colunas sociais, pois, afinal, tal qual na finada República Velha, não era preciso ser honesto, mas parecer como tal. E inúmeras nulidades passeiam pelos corredores da assembléia, muitos meliantes, lépidos e soltos.
DEPUTADO ESTADUAL II
Na época da redemocratização, assisti a muitos debates na asembléia legislativa de Pernambuco. Não que gostasse, mas um grande tio meu, tio Ronaldo, trabalhava por lá, e como era seu empregado e moleque de recados, sempre aparecia para fazer os mandados de um jovem óffice boy. Na época, lutava-se contra a ditadura, e as sessões pegavam fogo no plenário. Muitos oposicionistas de peso por lá passaram como Jarbas Vasconcelos, Roberto Freire, Marcus Cunha, e outros menos votados. Existia também muitas lutas ideológicas, que no plenário deixavam inflamados os deputados , sobretudo os que lutavam pela liberdade e pela democracia. Depois o nível foi caindo, até hoje, quando o povo nem toma conhecimento nos deputados que votaram. E o dinheiro e corrupção eleitoram andam juntos, soltos, lépidos e fagueiros. Ô vida boa a de deputado.
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