Tragédia humanitária - EDITORIAL GAZETA DO POVO - PR
GAZETA DO POVO - PR - 08/08
A comunidade internacional demorou para se manifestar em relação à perseguição que o Estado Islâmico move contra cristãos e outras minorias religiosas
Uma crise humanitária de grandes proporções está atingindo o norte do Iraque, sem que a comunidade internacional dê a ela a devida atenção. Desde que o grupo Estado Islâmico (EI) proclamou um califado na área que está sob seu controle, e que cobre não apenas partes do Iraque, mas também o leste da Síria, os sunitas que integram o EI vêm sistematicamente perseguindo e eliminando membros de outras minorias religiosas – inclusive outros muçulmanos, como os xiitas. Os cristãos têm sido a comunidade mais atingida.
Mossul, a segunda maior cidade iraquiana, registrava a presença de cristãos desde o século 1.º d.C. e foi tomada pelo Estado Islâmico em 10 de junho. Logo após a invasão dos militantes islâmicos, os cristãos receberam comunicados informando que eles deviam se converter ao Islamismo ou pagar a jizya, uma espécie de “imposto de infiéis” que supostamente garantiria sua proteção. A outra opção seria a “morte pela espada”. As casas dos cristãos foram marcadas com a letra árabe “nun”, o equivalente ao “n” latino – e inicial da palavra “nazarenos”. Depois disso, não apenas dezenas de milhares de cristãos, mas também muitos muçulmanos xiitas, deixaram a cidade, e ainda assim os bens que conseguiam carregar eram roubados pelo EI durante a fuga. Um professor muçulmano da Universidade de Mossul, que se manifestou contrário à perseguição religiosa, foi morto pelos extremistas. Mosteiros e igrejas que datavam dos primeiros séculos da era cristã foram destruídos.
O destino dos fugitivos vem sendo o Curdistão ou aldeias na região da antiga Assíria, mas a resistência curda não tem sido suficiente para deter o avanço do Estado Islâmico. Na quarta-feira, Qaraqosh (a maior cidade cristã do Iraque), Qaramless, Bartala, Tell Keff e Ba’ashika foram tomadas pelo EI, provocando outra fuga em massa de cristãos e demais minorias religiosas, desta vez na direção de Erbil – cidade que já registra batalhas entre jihadistas e a defesa curda. Outros fugitivos estão cercados, sem água nem mantimentos. Segundo relatos, os extremistas executaram 1,5 mil homens diante das famílias, violentaram e sequestraram mulheres e garotas – o desrespeito às mulheres também é característico dos jihadistas; a mutilação genital é regra nas áreas governadas pelo Estado Islâmico – e estariam inclusive decapitando crianças, segundo um líder cristão local.
Por mais que essa crise humanitária esteja se desenrolando desde junho, apenas nos últimos dias a imprensa e a comunidade internacional passaram a dar mais atenção ao sofrimento das minorias religiosas sob a dominação do Estado Islâmico. A ajuda humanitária internacional é praticamente inexistente; apenas organizações religiosas e líderes do Curdistão têm efetivamente feito algo. Os Estados Unidos ainda estão apenas considerando a possibilidade de trazer mantimentos usando aviões. O Conselho de Segurança da ONU, que tinha emitido uma nota em 22 de julho, apenas ontem promoveu uma reunião especial para debater a questão, a pedido da França.
Por décadas, o Iraque foi um dos raros países de maioria islâmica que garantia aos cristãos a mesma liberdade religiosa de que gozam os muçulmanos em nações de tradição cristã. O caos que se seguiu à ocupação norte-americana permitiu o fortalecimento de vertentes islâmicas fundamentalistas – o Estado Islâmico é considerado violento demais até mesmo pelos terroristas da Al-Qaeda – que não estão hesitando em varrer do Iraque e do leste da Síria quaisquer vestígios de manifestações religiosas que não sejam o jihadismo sunita que professam. É uma tragédia para a qual o mundo demorou a acordar. Para muitos cristãos e membros de outras minorias religiosas que foram mortos ou perderam suas famílias, já é tarde demais. Os sobreviventes não podem se tornar vítimas da combinação entre extremismo e omissão.
A comunidade internacional demorou para se manifestar em relação à perseguição que o Estado Islâmico move contra cristãos e outras minorias religiosas
Uma crise humanitária de grandes proporções está atingindo o norte do Iraque, sem que a comunidade internacional dê a ela a devida atenção. Desde que o grupo Estado Islâmico (EI) proclamou um califado na área que está sob seu controle, e que cobre não apenas partes do Iraque, mas também o leste da Síria, os sunitas que integram o EI vêm sistematicamente perseguindo e eliminando membros de outras minorias religiosas – inclusive outros muçulmanos, como os xiitas. Os cristãos têm sido a comunidade mais atingida.
Mossul, a segunda maior cidade iraquiana, registrava a presença de cristãos desde o século 1.º d.C. e foi tomada pelo Estado Islâmico em 10 de junho. Logo após a invasão dos militantes islâmicos, os cristãos receberam comunicados informando que eles deviam se converter ao Islamismo ou pagar a jizya, uma espécie de “imposto de infiéis” que supostamente garantiria sua proteção. A outra opção seria a “morte pela espada”. As casas dos cristãos foram marcadas com a letra árabe “nun”, o equivalente ao “n” latino – e inicial da palavra “nazarenos”. Depois disso, não apenas dezenas de milhares de cristãos, mas também muitos muçulmanos xiitas, deixaram a cidade, e ainda assim os bens que conseguiam carregar eram roubados pelo EI durante a fuga. Um professor muçulmano da Universidade de Mossul, que se manifestou contrário à perseguição religiosa, foi morto pelos extremistas. Mosteiros e igrejas que datavam dos primeiros séculos da era cristã foram destruídos.
O destino dos fugitivos vem sendo o Curdistão ou aldeias na região da antiga Assíria, mas a resistência curda não tem sido suficiente para deter o avanço do Estado Islâmico. Na quarta-feira, Qaraqosh (a maior cidade cristã do Iraque), Qaramless, Bartala, Tell Keff e Ba’ashika foram tomadas pelo EI, provocando outra fuga em massa de cristãos e demais minorias religiosas, desta vez na direção de Erbil – cidade que já registra batalhas entre jihadistas e a defesa curda. Outros fugitivos estão cercados, sem água nem mantimentos. Segundo relatos, os extremistas executaram 1,5 mil homens diante das famílias, violentaram e sequestraram mulheres e garotas – o desrespeito às mulheres também é característico dos jihadistas; a mutilação genital é regra nas áreas governadas pelo Estado Islâmico – e estariam inclusive decapitando crianças, segundo um líder cristão local.
Por mais que essa crise humanitária esteja se desenrolando desde junho, apenas nos últimos dias a imprensa e a comunidade internacional passaram a dar mais atenção ao sofrimento das minorias religiosas sob a dominação do Estado Islâmico. A ajuda humanitária internacional é praticamente inexistente; apenas organizações religiosas e líderes do Curdistão têm efetivamente feito algo. Os Estados Unidos ainda estão apenas considerando a possibilidade de trazer mantimentos usando aviões. O Conselho de Segurança da ONU, que tinha emitido uma nota em 22 de julho, apenas ontem promoveu uma reunião especial para debater a questão, a pedido da França.
Por décadas, o Iraque foi um dos raros países de maioria islâmica que garantia aos cristãos a mesma liberdade religiosa de que gozam os muçulmanos em nações de tradição cristã. O caos que se seguiu à ocupação norte-americana permitiu o fortalecimento de vertentes islâmicas fundamentalistas – o Estado Islâmico é considerado violento demais até mesmo pelos terroristas da Al-Qaeda – que não estão hesitando em varrer do Iraque e do leste da Síria quaisquer vestígios de manifestações religiosas que não sejam o jihadismo sunita que professam. É uma tragédia para a qual o mundo demorou a acordar. Para muitos cristãos e membros de outras minorias religiosas que foram mortos ou perderam suas famílias, já é tarde demais. Os sobreviventes não podem se tornar vítimas da combinação entre extremismo e omissão.
Cara, isso é chocante! dói no peito e na alma. São seres humanos que apenas acreditam em Deus. porque fazer isso? No retorno de Cristo muitos do que fazem isso vão receber sua devida recompensa... porque matar seres vivos, criaturas de Deus, a matar ao filho de Deus caso ele viesse hoje... muitos já cegaram e não consegue mais ver a verdadeira realidade da vida, pois vivemos provações da nossa fé em Cristo todos os dias.
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