PROFESSOR SISTEMA
O descalabro na educação é um fato conhecido por todas as
pessoas minimamente informadas. Cerca de 30% dos alunos universitários não
sabem ler. No segundo grau, a grande maioria chega analfabeto. Já estou cansado
de ver alunos que não sabem – pasmem – nem escrever o seu nome. A grande
maioria chega ao segundo grau sem jamais ter lido um livro. Muitos sem ler
tampouco uma revista. Geralmente, ao chegar em casa, a família não se preocupa
com a educação dos filhos , pelo menos ajudando-os a fazer o antigo dever de
casa, agora chamado eufemisticamente de “tarefa”. Ou seja, as famílias,
geralmente também iletradas, colocam na escola toda a responsabilidade pelo
aprendizado dos filhos. E já repetia sempre minha avó, um ditado muito popular,
pelo menos no passado recente, que “educação de casa vai à praça”. Em outros
termos, a educação deve vir primeira e primordialmente da família.
Além do mais, o chamado sócio-construtivismo acabou com o que
restava da educação brasileira. Depois para completar veio o ECA, tirando de
vez toda a autoridade dos professores, fazendo-os de palhaços. Não podem fazer
nada diante da molecagem dos alunos, livres e soltos para fazer quase tudo o
que quiserem. Hoje é comum professores literalmente apanhando dos alunos em
plena sala de aula, com alunos mal-educados, e o pior: Os pais protegendo-os
sempre, acobertando as molecagens. Ademais, os professores não podem repreender
os “coitadinhos” dos alunos, principalmente os mais pobres, tratados como
vítimas sociais.
Pior ainda a burocracia. Professor deve basicamente ENSINAR.
E ensinar só para quem tem realmente vocação. Boa parte dos professores só
estão na profissão porque não conseguiram fazer outros cursos considerados mais
difíceis, sobretudo por serem mais atrativos financeiramente. Mas a burocracia
é infernal, com inutilidades mil. Ainda mais querem que os professores façam o
papel de psicólogos e assistentes sociais. Colocam quase tudo nos currículos,
tornando-=os longos e complexos. O vestibular empobrece o que seria o
verdadeiro ensino, pois baseia-se em marcar um “X” na resposta certa, ou quem
sabe na suposta questão errada. Muitas questões, sobretudo nas ciências humanas
são ideologicamente direcionadas, além dos livros didáticos , segundo os
mesmos, totalitarismo houve na Itália E Alemanha nazista, e nem fala na extinta
União Soviética, China, ou mesmo Cuba ou Coréia do Norte. E por falar em Cuba,
segundo alguns livros didáticos, o
governo é “revolucionário, enquanto no Brasil, e no restante da América Latina
existiram ditaduras militares, deixando entrever que Cuba nunca foi, nem é uma
brutal ditadura.
Mas o pior sempre acontece. Os professores são
praticamente obrigados a aprovar os
alunos. Se o aluno não comparecer a nenhuma prova, nem tampouco fazer
quaisquer teste de recuperação, e a nota
ficar em branco, o “SISTEMA” o aprova automaticamente colocando a nota mínima,
que é 6,0. Isto mesmo, o povo não sabe quem é este novo “professor”. O
professor “sistema” é o “grande irmão” da ignorância e do descalabro
educacional no Brasil. Se o professor não aprova, o sistema aprova. E pronto!
Isto acontece enquanto escrevo, pois sou professor da rede estadual de
educação, e também infelizmente convivo com estes descalabros. Ainda dizem que
a educação no estado está melhorando. Certamente está, com o grande professor,
SISTEMA, aprovando todo mundo. E assim caminhemos para a mais absoluta
mediocridade. Ainda bem que estou perto da aposentadoria. Na educação pública
já vi quase de tudo, como professores e diretores quase completamente
analfabetos e sujeitos basicamente destituídos de cultura, sobretudo nos cargos
políticos, que são a grande maioria dos chamados cargos de chefia. Mas esta do
novo pedagogo “sistema” é a primeira vez. Claro, quem opera o “sistema” são os
nossos “valorosos” técnicos em educação. A grande “vantagem” do professor sistema
é que ele gasta um pouco de energia , mas não recebe salário. Certamente tem
muitos técnicos educacionais competentes recebendo por eles. Assim é o Brasil.
Pode?
Minha retórica é: a escória acadêmica do país somos nós, os professores.
ResponderExcluirProf. Carlos Eduardo Lamego.