terça-feira, 27 de novembro de 2018

Olavo de Carvalho diz que não existem intelectuais da esquerda do seu nível


WASHINGTON
Apontado como guru do presidente eleito, Jair Bolsonaro, e de seus filhos, o escritor Olavo de Carvalho, 71, diz que não existem intelectuais da esquerda do seu nível e que seus detratores não passam de difamadores. "A situação é, assim, intelectualmente catastrófica", afirmou, durante entrevista concedida à Folha nesta segunda (26).
O escritor Olavo de Carvalho, guru do presidente eleito, Jair Bolsonaro
O escritor Olavo de Carvalho, guru do presidente eleito, Jair Bolsonaro - Vivi Zanatta - 6.out.17/Folhapress
O autor dos livros "O Jardim das Aflições" (1995) e "O Imbecil Coletivo" (1996) vive em Richmond, capital do estado da Virgínia (EUA), desde 2005. E nem mesmo a vitória de um governo conservador o motiva a voltar para a sua terra natal. "Quero ficar aqui no mato até morrer", diz.
Para ele, o movimento conservador brasileiro está atrasado e mostra uma "inexperiência horrível". Novas lideranças e uma "direita treinada" poderiam mudar os rumos do conservadorismo.
Apesar de ter emplacado dois ministros no novo governo (Ricardo Vélez Rodríguez para a Educação e Ernesto Fraga Araújo para o Itamaraty), ele conta que não mantém uma relação próxima com o futuro presidente brasileiro. Mas diz que toparia virar conselheiro dele por "R$ 100 ao mês".
Também não descarta por completo a possibilidade de se tornar embaixador do Brasil nos Estados Unidos. Mas isso não o agradaria, segundo ele: "Na embaixada não posso nem fumar meu cachimbo, porra!". O escritor conta que indicou outra pessoa para o posto, mas não quis revelar o nome.
Usuário ativo de redes sociais —em uma delas, acumula mais de 500 mil seguidores—, Carvalho elogia a estratégia de comunicação da campanha de Bolsonaro com os eleitores: sem intermediários, inspirada na usada pelo presidente americano, Donald Trump.
Avalia, contudo, que a campanha do presidente eleito foi um caos, sem coordenação. O que não foi, necessariamente, ruim. "O que aconteceu foi uma colaboração popular espontânea", afirma.
A imprensa está entre seus alvos preferenciais. Afirma que a opinião conservadora foi banida dos jornais e que ninguém pode falar em Deus sem ser chamado de fundamentalista pela mídia.
Critica ainda o movimento Escola sem Partido (por ter sido proposto antes da realização de uma pesquisa que comprove a hegemonia da esquerda nas instituições de ensino), a educação sexual nas escolas (que incentiva "mais putaria"), os "gayzistas" (que, segundo ele, querem impor seu modo de ser aos outros) e a ideia de aquecimento global.

O sr. tem sido descrito como o guru de Bolsonaro e emplacou dois ministros no novo governo. Tem mantido contato com o presidente eleito? Como é sua a relação com ele? Minha relação com ele é, literalmente nenhuma. Eu tive um hangout (conversa por aplicativo) com ele. Conversei com ele por telefone três vezes, com o filho umas duas ou três, dois deles estiveram aqui por algumas horas. Isso foi tudo.
Como foi a conversa com Jair Bolsonaro? Nem lembro mais do que conversamos. Mas foi uma conversa muito boa, muito simpática. Desde 2014, eu vi que Bolsonaro era um dos dois ou três deputados que não estavam metidos em corrupção. Eu disse: voto nesse cara para qualquer cargo que ele se candidatar. Se para presidente, então vai ser presidente.
Em entrevista à Folha no ano passado, o sr. disse que um dos filhos de Jair Bolsonaro pediu um aconselhamento antes das eleições. O que disse? Primeiro, que tem que centrar na segurança pública. Temos que garantir que brasileiros que saem para a rua para trabalhar vão voltar vivos. O resto pode ficar para depois. Se fizer um governo de merda do começo até o fim, mas resolver esse problema, acabar com 70 mil homicídios ano, você já é herói nacional.
O sr. chegou a indicar algum dos dois ministros diretamente para Bolsonaro? Sim. Coloquei no Facebook, creio que coloquei também na área de mensagens do Eduardo Bolsonaro (em rede social). Foi tudo. Eu sei que o Bolsonaro lê as minhas coisas e a gente está vendo que leva bastante a sério. Eu fico muito lisonjeado com isso.
Pretende sugerir mais algum nome para o novo governo? Eu não. Já esgotei meu estoque de ministros. Sugeri esses dois simplesmente porque me ocorreu na hora. Sugeri o ministro da Educação porque o Bolsonaro, em um discurso, disse que iria me convidar para ministro da Educação. Não quero ser ministro, então indico alguém. Então rejeitei e indiquei o Ricardo Vélez Rodriguez, que é pessoa altamente capacitada.
O sr. sinalizou que gostaria de ser embaixador brasileiro nos Estados Unidos. Não, não. Eu nunca disse que gostaria. Disse que, se me convidassem, o único cargo que eu poderia aceitar seria o de embaixador. Caso, é claro, não houvesse pessoa outra mais qualificada. Acabei até sugerindo um nome. Não vou dizer quem, é porque não foi divulgado ainda.
Mas o sr. chegou a receber algum convite para ser embaixador? Não. Me ofereceram dois ministérios, da Educação e da Cultura. Eu rejeitei os dois. Se fosse para aceitar um cargo público, o único que eu aceitaria seria esse. Por quê? Motivo muito simples, eu odeio isso, isso para mim seria a minha morte. Mas o Brasil precisa de dinheiro. E onde é lugar para buscar dinheiro? É aqui, porra!
Por que seria tão ruim assumir o cargo? Não sirvo para esse negócio de ser burocrata. Na embaixada não posso nem fumar meu cachimbo, porra! Esse cargo é para gente que tem cara de pau, que gosta de encenar papéis. Eu não. O único cargo que eu posso exercer é o de Olavo de Carvalho, tá entendendo?
Espera manter relação próxima com o presidente? Aconselhando, talvez? Depende dele. Se me quiser como conselheiro, eu viro conselheiro e cobro R$ 100 por mês.
O deputado Eduardo Bolsonaro está nos Estados Unidos nesta semana para estreitar as relações entre Brasil e EUA. Pretende se encontrar com ele? Não pretendo. Ele está em Washington, eu odeio ir para Washington. Aliás, eu odeio sair aqui da minha casa (Olavo vive em Richmond, no estado da Virgínia). Sou do mato, não da cidade.
Um dos motivos que o levou a sair do Brasil foi a chegada do PT ao poder. A eleição de Jair Bolsonaro o motivou a voltar? Não, preguiça. Tenho 71 anos, o que vou fazer aí? Quero ficar aqui no mato até morrer, sossegado.
As eleições resultaram em uma onda conservadora. Em uma entrevista em 2016, o sr. afirmou que seus livros ajudaram conservadores a sair do armário. Acredita que influenciou de alguma forma a situação política atual no Brasil?  O que eu fiz foi o seguinte: arrebentar com a hegemonia intelectual esquerdista em algumas áreas do país. Isso eu fiz basicamente com dois livros, na verdade, três: "A Nova Era e a Revolução Cultural", "O Imbecil Coletivo" e "O Mínimo que Você Precisa Saber para não Ser um Idiota". Esses três livros provocaram um furor no meio esquerdista, mas nunca foram respondidos à altura. No  mundo, a intelectualidade esquerdista também caiu. Sobraram só dois que pensam, que são David Harvey e o Antonio Negri. Como a intelectualidade brasileira é dependente do exterior, a queda da intelectualidade esquerdista internacional provocou o fim da intelectualidade esquerdista brasileira.
O sr. acredita que exista algum intelectual de esquerda à sua altura no Brasil? Mas nem pensar! Não existe. Não é que não está à altura minha, não está à altura dos meus alunos. A situação é assim, intelectualmente catastrófica. E à medida que a inteligência cai, sobem os maus instintos. A raiva, o nervosismo, o desejo de vingança, todo um quadro de sintomatologia neurótico e até psicótico.
Em quais aspectos o sr. acredita que é mal compreendido pelos críticos? Não tenho nenhum crítico, crítico é o sujeito que examina e analisa as ideias do outro, nunca nenhum cara da esquerda fez isso. O que fazem, como [o jornalista] Gilberto Dimenstein, é pegar frase solta —que ouviu em programa de rádio, olhou no Facebook— mudar o sentido, mudar a construção da frase, para dar sentido imbecil. Não tenho críticos, só difamadores na esquerda brasileira.
O sr. é um crítico do Foro de São Paulo, que reúne partidos e organizações de esquerda. Como vê a Cúpula Conservadora das Américas, criada por representantes da direita latino-americana? Eles estão criando resistência conservadora com 28 anos de atraso. E sem a ajuda da mídia. O Foro de São Paulo jamais teria chegado a existir e crescer sem a cumplicidade da mídia. A começar pela Folha de S.Paulo, que manteve o Foro em segredo por quase 18 anos. Escuta, quando houve na América Latina outra organização que congregasse quase 200 partidos políticos e mais de uma dúzia de chefes de Estado? Isso é um nada? Um clubinho de fim de semana? A mídia inteira acobertou esse imenso crime. A mídia brasileira é criminosa. Todas essas organizações são criminosas.
O sr. considera todo o trabalho da mídia criminoso? Claro que todo o trabalho, não. Existe algum criminoso que na vida só cometa crime? Não faz sentido. O maior criminoso do mundo também toma banho, faz cocô, faz compras para a família, dirige automóvel. Nada disso é criminoso. A Folha também faz coisa que não é criminosa.
Criminalizar a mídia não pode enfraquecer a democracia? Não. Democracia começou a ser praticada agora. Como é possível um país com 60%, 70% de cristãos e conservadores não existir um partido conservador, uma rádio conservadora, um jornal diário conservador, uma universidade conservadora, nada? Todos os canais foram tampados pela esquerda. Acha que isso é democracia? É ridículo. É tirania. Sistema de manipulação. Agora acabou. Agora começamos a ter democracia. Ninguém vai impedir vocês de falar. Se impedissem, eu seria o primeiro a combater. Pode falar o que quiser, agora, tem que ser responsável pelo que diz. Vai instaurar censura? Eu sou 100% contra, combateria censura até o fim.
Como resolver a situação? Aparecerem novos órgãos de mídia, que possam concorrer com esses aí, dar voz a quem nunca teve. A opinião conservadora foi banida. Hoje no Brasil ninguém pode pronunciar a palavra Deus sem ser chamado de fundamentalista ou obscurantista por praticamente toda a mídia.
Qual pode ser o impacto do novo governo no movimento conservador? Provavelmente a destruição desses corruptos, que são os esquerdistas, deve animar um pouco os conservadores, mas eu não sei se isso vai acontecer. Na verdade, em vez de esperar que governo anime os conservadores, são os conservadores que têm obrigação de se reunir para dar apoio ao governo.
O movimento conservador no Brasil falhou? Não sei. Não tenho capacidade para julgar. Negócio está começando, é cedo. Porém, o fato é que ele faz tudo muito atrasado. E às vezes vai com inabilidade, com inexperiência horrível. A direita é a posição majoritária da nação brasileira, e isso foi demonstrado na eleição de maneira mais do que suficiente, mas você não tem uma direita treinada. O pessoal da direita acordou agora. Foi apenas a opinião popular que se manifestou. Mas não tem ainda lideranças suficientes.
Como poderia melhorar? Começa a formar uma intelectualidade capacitada. Depois, talvez, apareça classe política. Mas os acontecimentos se precipitaram e o povo elegeu um governo conservador. Antes de tudo isso. Não temos nenhuma intelectualidade pronta. Para não dizer nenhuma, eu formei aí algumas 15, 20 pessoas. Precisava ter cem vezes mais do que isso. Agora, organização não tem nenhuma. A própria campanha do Bolsonaro foi um caos.
Por que considera que a campanha foi um caos? Eu acompanhei a coisa. Aquilo não tinha coordenação nenhuma. Não tinham dinheiro para fazer campanha. O que aconteceu foi colaboração popular espontânea. Através da internet, WhatsApp, Twitter, sem ganhar nada. Eu mesmo fiz. Vou votar nesse cara, recomendo que façam o mesmo. Eu botei um montão de vezes, milhões de pessoas fizeram isso, e isso foi a campanha Bolsonaro, a primeira campanha popular da nossa história.
Como o sr., que foi um dos primeiros intelectuais a investir na comunicação direta com o público, avalia a estratégia de comunicação da família Bolsonaro com o eleitorado? Tem que ser assim. Se a mídia não nos dá espaço, temos que abrir o nosso próprio espaço. Hoje eu tenho mais leitores do que qualquer órgão da grande mídia no Brasil, através do meu blog e Facebook. Isso é tudo. Se fosse esperar espacinho na mídia, estaria esmolando na porta até hoje.
O presidente não tem espaço na mídia? Agora são obrigados a dar algum espaço. Porém a tempestade de informação que cai em cima dele, dos ministros dele, em cima de mim, como se eu fosse autor do governo Bolsonaro, é uma coisa gigantesca, que mostra a total inconformidade da mídia com um governo de direita.
Como classifica o governo Bolsonaro? Espero que seja governo conservador. O que caracteriza conservadorismo nos lugares onde há uma tradição conservadora? Primeiro economia de livre mercado. Em segundo lugar, a moral judaico-cristã, que aceita grupos minoritários, mas não aceita que ditem normas para a maioria, não pode. Tem espacinho deles lá no canto, mas não queiram mandar na maioria. Como fazem hoje. Terceiro lugar, lei e ordem. A lei existe para ser cumprida e lugar de bandido é na cadeia, ponto final.
Quais seriam esses grupos minoritários querendo ditar normas? Gayzistas, em primeiro lugar. Hoje em dia tornaram obrigatório achar lindo a relação homossexual. Já leu Graciliano Ramos? Certamente não era um reacionário. Em livro de memórias, conta que tinha nojo físico de homossexual. O que pode fazer para controlar isso? Tem que calar a boca? É um criminoso porque sente isso? Não tem direito de sentir? Eu não sinto isso, pessoalmente, sou um anarquista. Não me escandalizo. Se tem emoção que não tenho é escândalo. Pode viver a sua vida sexual do jeito que quiser. Outra coisa é querer impor como valor universal perante o qual todos têm que se ajoelhar.
Quem está impondo como valores? Não se trata de liberdade? A mídia inteira propaga essa mentira idiota de que existe genocídio antigay no Brasil. Quando você vai ver, quantos homicídios de gays tiveram? Duzentos e poucos, cento e poucos. Em país que tem 70 mil homicídios por ano. Provando que o fenômeno não existe, mas continuam a fazer todo mundo se sentir culpado. Você é virtualmente um genocida.
Em 2017, um levantamento realizado por uma organização que defende os direitos dos homossexuais apontou um recorde de mortes por homofobia no Brasil: 445 lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais (LGBTs) foram mortos. Não, não. Lesbocídio já foi totalmente desmascarado, isso é falso. Muitas morreram em tiroteio, outras traficando drogas, outras mortas por suas parceiras que certamente não eram heterossexuais, e assim por diante. E mesmo 400, o que são 400 em lugar com 70 mil por ano.
Não acredita que exista crime motivado por orientação sexual? Pode haver, mas isso é raridade. Evidente que só psicopata fará um negócio desse. Matar um cara porque é homossexual? Pelo amor de Deus! Eles querem dizer que a sociedade é homofóbica. Mas quando vai ver, número de gays mortos por garotos de programa que são eles próprios gays é imenso.
Jair Bolsonaro chegou a afirmar para uma revista que seria incapaz de amar um filho homossexual. O que o sr. pensa dessa declaração? Olha eu nem acredito que ele pense seriamente nisso, ele falou em momento de fraqueza. Sabe como é repórter, provoca, provoca até você dizer enormidade. Já fizeram comigo, quanto mais não vão fazer com ele. Atitude em si é sinceramente absurda. Mesmo que filho tenha todos defeitos do mundo tem que continuar amando.
O sr. defende que a normalidade democrática é a concorrência "efetiva, livre, aberta, legal e ordenada" entre direita e esquerda. Mas em entrevista à Folha, em 2013, afirma que alguns tipos de esquerda "devem ser expulsas da política e dos canais de cultura". Acredita que o mesmo deve acontecer com alguns setores da direita? Quais? Existem ainda os remanescentes dos tempos dos militares, espécie de direita truculenta. Mas eles não têm expressão cultural. São estudantes, comerciantes da esquina, uns zé manés. Nas manifestações de 2013, 2015, apareceram alguns tipos, mas muito poucos e irrelevantes.
Quais seriam os grupos da direita truculenta? No meio intervencionista, muita gente. Falavam que tinha que matar, começavam com histórias. Claro que são doidos. Não são pessoas que vão realmente matar alguém. Nunca quebraram um nariz de comunista, ficam em casa fazendo homicídios eletrônicos, irrelevantes. Não há periculosidade nessa pessoa. Eu mesmo recebia mensagens. Ficaram loucos da vida comigo quando disse que um golpe militar seria simplesmente impossível, que os militares não o fariam. Até me ameaçaram de morte. Isso foi entre 2013 e 2015.
O sr. afirmou que o novo ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodriguez, tem sido avaliado de forma pueril. Quais ideias e propostas dele o sr. acredita que não estão recebendo o devido destaque? O pessoal diz, ah, pode ter diploma, mas é direitista. É direitista sim, mas é governo de direita. Eles não querem cara que é de direita, não pode ter ministro direitista, governo direitista. Essa é uma ideia pueril. Por isso que a democracia vai ter que aceitar o rodízio de partidos no poder. Ele até o momento, que eu saiba, concentrou a sua atenção no problema da alfabetização. Ele sabe que sistema de alfabetização adotado no Brasil por força da esquerda vai ter que mudar. O método sócio-construtivista só forma analfabetos e provoca até lesão cerebral. Tem que voltar ao velho método fônico, beabá, como era nos anos 60, 70. Tem que voltar já. Não sei como ele vai fazer isso. Esse é um ponto. Se ele fizer isso, salvou o Brasil.  
O sr. critica o Escola sem Partido e defende que haja um debate científico que quantifique a hegemonia comunista no ensino antes que sejam tomadas ações. Como fazê-lo, na prática? No começo dos anos 90, sugeri a empresários, instituições militares, instituições de cultura, várias vezes, uma pesquisa vasta sobre a dominação comunista nas universidades e na mídia. Ninguém prestou a menor atenção. Por exemplo, nas universidades, o que tem que ser feito é um recenseamento das teses de mestrado e de doutorado apresentadas nas áreas de filosofia, letras e ciências humanas. Ali já vai ver influência comunista maciça. E ver ao longo dos anos a deterioração na qualidade das teses. Além  do recenseamento, fazer várias técnicas cruzadas, inclusive pesquisa de opinião, de eleitorado, da votação.
O novo ministro apoia o Escola sem Partido. Pretende aconselhá-lo de alguma forma sobre a questão? Eu não saio dando conselho para ninguém, só respondo o que me perguntam. Se o pessoal do Escola sem Partido [entenda a proposta do Escola sem Partido] quiser os meus palpites, eu lhes dou. Se não quiserem, quiserem continuar fazendo do jeito deles, que façam. E ministro também está ali para fazer as coisas do jeito que quiser. Eu não sou desses intelectuais ativistas, assanhados para influenciar o curso das coisas.
Mas nos anos 90 sugeriu a proposta para outros. Por que não agora? Eu não tenho dinheiro para fazer a pesquisa. Precisa de pelo menos 30, 40 pesquisadores para fazer isso, meu Deus do céu. Se pudesse fazer sozinho já teria feito.
Mas acha que não vale nem sugerir isso para o novo ministro? Agora é tarde, porque em primeiro lugar todo o pessoal da esquerda já está alertado e podem simplesmente falsificar os dados. Ainda vale a pena fazer, mas com esse risco.
O sr. diz que "não existe caminho das pedras. O Brasil só pode ser melhorado cérebro por cérebro". O Brasil precisa acumular experiência. O povo precisa acumular experiência. Por isso sou muito a favor de o governo consultar o povo. Precisamos acabar com história de elite pseudointelectual que acha que sabe tudo. Boa parte está na mídia. Precisamos dar voz ao povo, chance de decidir a sua vida.
A solução seria uma democracia plebiscitária, por exemplo? Não sei se uma solução, mas acho que uma coisa saudável. Não sei se coisa formalmente publicitária como plebiscitária, mas acho, sim, que governo tem que aprender a ouvir o povo. Coisa que nenhum governo fez, absolutamente nenhum. Todos vieram com soluções prontas que interessavam sobretudo ou aos seus partidos ou grupos de interesses econômicos.
O que o sr. pensa sobre educação sexual nas escolas? Quanto mais educação sexual, mais putaria nas escolas. No fim, está ensinando criancinha a dar a bunda, chupar pica, espremer peitinho da outra em público. Acham que educação sexual está fazendo bem, mas só está fazendo mal. O Estado não tem que se meter em educação sexual de ninguém.
Como trabalhar nas escolas com a prevenção da gravidez precoce, DSTs e abusos sexuais? Sou professor de matemática e aparece aluna minha grávida. O que eu tenho com isso? A mãe e pai dela que resolvam, meu Deus do céu.
Mas aí não seria matemático ensinando, mas outro professor, como um psicólogo ou educador sexual. Não, educadores sexuais são os piores. Vêm com mil teorias mirabolantes e sempre têm agenda secreta. Estado não tem que se meter na educação sexual de ninguém. Nunca se meteu na minha, graças a Deus nunca me deu uma porra de educação sexual e não me fez falta nenhuma.
O que fazer no caso de famílias disfuncionais, de jovens mais carentes? A sociedade se organiza para isso. Aqui nos Estados Unidos, todo mundo faz trabalho voluntário para alguma entidade. Todo mundo. Para chegar a precisar do governo, só em último caso. Primeiro procura ajuda no bairro dele, na rua, na igreja, nos clubes. Agora, temos que educar a sociedade brasileira para ser solidária, ajudar uns aos outros. Já dizia Santo Agostinho, a base da sociedade humana é o amor ao próximo. Não é sacanear o próximo. Pensam que governo é super-homem, que vai resolver tudo? Não pode, pô. A sociedade que precisa resolver.
Mas ao falar para a sociedade resolver, não estaria sendo um pouco otimista? Não, não espero que isso se faça rapidamente. Sei todas as dificuldades. Mas vejo o seguinte: se vir os defeitos das minhas próprias ações que mudaram totalmente o panorama cultural e político em 20 anos. Se eu que sou zé mané fiz tudo isso, outras pessoas também podem fazer coisas grandes. Pessoas que tenham coragem, lancem grandes projetos, vão em frente, não fiquem esperando o governo fazer.
O sr. conheceu o novo ministro das Relações Exteriores, Ernesto Fraga Araújo, há cerca de um ano, correto? Mais ou menos um ano. Um amigo veio aqui e o trouxe. Era um cara que queria conhecer. Comecei a ler artigos dele no blog, fiquei muito impressionado com a cultura do cara, que vai muito além da média dos diplomatas brasileiros. E da mídia, nem se fala.
O novo chanceler escreveu em um blog que "quer ajudar o Brasil e o mundo a se libertarem da ideologia globalista". Acha que esse é o caminho? Mas é claro, tem que fazer isso amanhã. Esse negócio está ferrando com o mundo, um bando de louco presunçoso. Junta lá 200 banqueiros que acham que porque são cheios de dinheiro são todos gênios e que têm a solução para os problemas do mundo. Se acompanhar ao longo do tempo o diagnóstico que esses caras faziam, e soluções que propunham, vê que são todos idiotas, endinheirados, presunçosos. Nos anos 70, 80, pelo Clube de Roma, tinham uma tese assim: em cinco anos, todas as estradas do mundo estarão congestionadas e não haverá mais trânsito. Portanto nós temos que parar de fabricar automóveis agora. Os caras vêm com essa pseudociência, com estupidez do aquecimento global, do peido da vaca.
O senhor não acredita aquecimento global? Claro que não, nem que exista, quanto mais causado por seres humanos. Há 17 anos não se constata nenhum aumento de temperatura. Como aquecimento global para por 17 anos?
Um levantamento de que aquecimento global pode superar 1,5 grau Celsius até 2040. Acha que não é verdade? Poderia, no futuro. Falo coisas que acontecem, não que podem acontecer. Igual à polêmica que fazem com Bolsonaro. Viu o número de crimes futuros que atribuem ao Bolsonaro? Não crimes passados. Passado é Lula, turma do PT, a imprensa. Inventam que Bolsonaro vai cometer crime no futuro. Aquecimento global não conseguiram provar que existe. O tempo em que se podia confiar nas instituições de ciência já acabou. Nos últimos 30, 40 anos, o que teve de corrupção na área da ciência é uma coisa terrível. Eu, por via das dúvidas, não confio em cientistas com menos de 60 anos.
A Organização Meteorológica Mundial afirmou que 2017 foi, junto com 2015 e 2016, um dos três anos mais quentes desde 1880. Possível que tenha três ou quatro anos mais quentes, mas na curva geral, não há aquecimento global nenhum. A temperatura sobe e desce. Vamos aguardar os anos seguintes para ver o que acontece.
O que podemos esperar da política externa do novo chanceler? Esperar não sei, só desejar. Espero que saiba lidar com problema com devida habilidade. Porque ao sair chutando o pau da barraca e fazendo guerra ao globalismo, você se dana. Tem que ir devagar e com muito cuidado, preservando as parcelas de soberania que nós ainda temos. Tem que aprender a negociar, fazer o que o Trump está fazendo aqui. E insistir mais nas relações bilaterais do que nos acordos multilaterais que amarram o país.
O sr. disse que liberalismo virou extrema direita. O que classifica como extrema direita? Por exemplo, o Ricardo Vélez Rodriguez. Um monte de gente da mídia escreveu que o homem é de extrema direita. Mas ele é um liberal clássico. Como liberal clássico pode ser de extrema direita? Eu  não classifico nada como extrema direita. Acho que negócio de extremo é prova de burrice. As correntes políticas não estão em escala como essa da mecânica dos fluidos. Quando sobe lado, baixa outro. Não é assim.
Como o sr. classificaria Jair Bolsonaro? Ainda não sei. Sei que é um sujeito de alma conservadora. Apegado à moral cristã, à lei e ordem, são elementos conservadores, mais consentimentos conservadores do que ideologia conservadora. Ideologia acho que não tem nenhuma.
Por que não? Não tem doutrina. Ideologia pressupõe sempre uma doutrina organizadíssima, do começo ao fim. O pessoal não sabe o que é ideologia. Uma ideologia é um sistema de pensamento inteiramente coerente do princípio até o fim. É fórmula pronta para ser decorada e aplicada. Isso aí o Bolsonaro não tem. Como eu também não tenho. Temos que nos contentar com as ideologias inventadas e projetadas para cima de nós por vigaristas.

Julia Zaremba, Folha de São Paulo

A INTENTONA COMUNISTA - RAFAEL BRASIL

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Os comunistas odeiam esta palavra, intentona. Dizem que foi um levante, ou mesmo movimento, mas na verdade foi uma tentativa de golpe dentro dos quartéis, e que deu  a Vargas o pretexto para baixar o pau não só na esquerda, mas em todos os democratas de então, como aliás em todas as ditaduras. Logo depois, Vargas inventou um suposto levante comunista, o "Plano Cohen",  para implantar uma das piores, senão a pior ditadura da nossa Hirtória que foi o chamnado Estado Novo, de forte inspiração fascista, em 1937. Aliás, os fascistas depois de usados, foram defenestrados por Vargas também, depois de uma tentativa de golpe.
O levante e a repressão que se seguiu, matou mais do que o regime militar, cerca de 750 pessoas. Depois, na ditadura do Estado Novo a repressão foi a maior da nossa história republicana. A censura também, além do culto à personalidade, tal qual era a moda nos regimes autoritários e totalitários, como o comunismo, fascismo e nazismo, nesta ordem.  A propaganda e o culto à personalidade era intensa.
Vargas torturou, matou, enlouqueceu muita gente brutalmente perseguida pelo regime. Prestes foi preso e barbaramente torturado e o pior: Sua mulher, uma agente comunista alemã treinada pela internacional comunista Olga Benário, foi entregue pelo ditador a Hitler, que como judia e comunista foi eliminada nos porões da gestapo. Porém a Olga real nada tinha a ver com a Olga edulcorada pelo livro que depois virou filme, do jornalista de esquerda Fernando Morais.
Olga era uma agente da Internacional Comunista muito preparada. E era comum Stálin matar comunistas que íam pedir asilo ou proteção na chamada "pátria do socialismo". Nos expurgos da década de 30 matou milhões, e costumava presentear Hitler com prisioneiros comunistas alemães, assim como Hitler o retribuía. Não que seja justificável esta cruel ação de Vargas, claro, ele sempre foi um crápula e assassino. Mas seguindo esta lógica macabra, depois da guerra, os comunistas se aliariam a Vargas, e depois, com o varguismo, até os dias de hoje. E fizeram campanha pela volta de Vargas em 1950. Tudo a ver. Segundo a ideologia comunista, tudo pelo partido e pela revolução. Sentimentalismos pessoais? Que nada isso era tachado de sentimentalismo individualista burguês, ora essa. Quem quiser conferir leia a trilogia "Subterrâneos da Liberdade" de Jorge Amado, na época comunista, e que foi perseguido, exilado, e seus livros queimados em praça pública em Salvador. Claro , depois Amado renegaria este passado e esta obra essencialmente stalinista, e que acusava inclusive indiretamente, pessoas da própria esquerda trotskista pintando-os como uns verdadeiros diabos. Mas isso é outra história.
É isso aí, história é narrativa. E as narrativas são muitas, mas baseadas em documentos, e pela compreensão do universo cultural e político da época em questão. Claro, muitos novos trabalhos virão, o que sempre é bom. Afinal a História é a chave para a compreensão do presente e que procuremos não repetir os erros do passado. E a manipulação política da História serve sempre a interesses escusos. É isso aí.


domingo, 25 de novembro de 2018

Entrevista ao Estadão - Olavo de Carvalho

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Entrevistar uma pessoa sem conhecimento prévio é como ir a uma entrevista de emprego sem conhecer a empresa. Ou é muita inocência, ou burrice mesmo.(Paulo Coutinho, de cuja página copiei a matéria)
“WASHINGTON – Responsável por indicar dois ministros do novo governo, o filósofo Olavo de Carvalho rejeita o rótulo de ideólogo do presidente eleito, Jair Bolsonaro. “É lenda urbana”, disse. Em entrevista ao Estado, ele afirmou que há uma “dominação comunista” na educação brasileira e defendeu que seja feita uma “reunião de provas” sobre isso. Por isso, disse que é ingenuidade levar o projeto Escola sem Partido para debate no Congresso e que “uma guerra cultural se vence no campo cultural”. Olavo de Carvalho, que há 13 anos mora em Virgínia, nos Estados Unidos, criticou ainda a imprensa brasileira e falou que a eleição de Bolsonaro “tem de ser respeitada”.
Seu pensamento tem influenciado as decisões do novo governo, mas o senhor tem dito que teve pouco contato com o presidente eleito.
Conversei com ele exatamente três vezes, por telefone. O Eduardo (Bolsonaro) esteve aqui uma vez e o Flávio (Bolsonaro) esteve uma vez.
Eduardo Bolsonaro virá aos EUA na semana que vem. Pretende se encontrar com ele?
Eu espero que sim, se ele tiver tempo e puder dar uma esticada na viagem até aqui será um prazer recebê-lo.
Ele fez algum contato?
Que eu saiba, não.
Tivemos dois ministros definidos a partir de indicação do senhor. Há mais indicações suas?
Já gastei o meu estoque de ministros, eu não tenho mais nenhum no bolso (risos). Infelizmente não tenho mais ninguém.
Para falar das áreas com ministros que passaram pela sua indicação, como o ministro das Relações Exteriores. O assessor de Segurança Nacional da Casa Branca, John Bolton, viaja nesta semana ao Brasil e Eduardo Bolsonaro viaja para os Estados Unidos. Como o senhor imagina a aproximação entre EUA e Brasil e como o País vai se colocar no cenário internacional, tendo a China como importante parceiro comercial?
O presidente (Donald) Trump disse que tem US$ 267 bilhões esperando para investir no Brasil, eu acho que isso é muito bom. Não adianta nada dizer “ah, isso vai desagradar a China”, como disse aquele idiota do Mino Carta, “ano passado o comércio com a China nos deu 20 milhões de superávit”, muito bem. A China só fez isso porque o governo Lula e Dilma e o Temer também estavam distribuindo dinheiro para os amigos deles, os amigos da China: Cuba, Angola, Venezuela, etc: 1 trilhão. Levamos 20 milhões e distribuímos 1 trilhão. Que beleza, né? Claro que se o governo parar de representar vantagem política para a China, acaba o comércio na mesma hora. Comércio com a China é escravidão. Isso é óbvio e todo mundo deveria saber disso. Vai perguntar para o Tibet se é bom conversar com a China. Agora, para os EUA, é bom, porque a riqueza da China é quase feita toda de dinheiro americano. Outra coisa, tem gente que chega a ser tão idiota que ultrapassa a medida do acreditável. Por exemplo, Mino Carta acha ruim comerciar com Estados Unidos e acha que deve comerciar com a China. Mas a China só quer saber de comerciar com os Estados Unidos, meu Deus do céu. Por que os EUA é bom para a China e é ruim para nós? Essa coisa anti-americana pueril é coisa de estudantezinho comunista de 1950, naquele tempo havia um livrinho que os comunistas distribuíam, a Editora Brasiliense, que é comunista para caramba, chamado “um dia na vida do Brasilino” e tudo o que ele consumia era americano. Só que se você retirasse todos aqueles produtos, o Brasilino retornaria à Idade da Pedra. Tem essa mentalidade ainda. É encrenquismo. Agora encrenquismo com a China não tem, embora estejamos de fato entregando tudo para a China. Essa burrice já passou do limite no Brasil. Hoje o Cristovam Buarque diz uma coisa que prova que ele não tem capacidade para ser professor de ginásio. Ele diz: soviéticos e nazistas tentaram o Escola sem Partido e não deu certo. Como você diz uma coisa dessas? Isso quer dizer que a educação na União Soviética era sem partido? E o Partido Nazista também não ditava as regras de educação? Não tinha uma doutrina pronta? Como esse idiota faz uma coisa dessas e o pessoal ainda chama de educador? Não, ele não é um educador, é um destruidor de educação nacional. Esse homem foi ministro e todos os ministros de Educação dos últimos 50 anos são culpados da destruição da educação nacional. Esse sujeito deveria calar a boca e nunca mais abrir a boca. Esses são ídolos da mídia, a mídia adora. É uma espécie de máfia, eu falo bem de você e você fala bem de mim. Então tem os intelectuais queridinhos da mídia. Você leu O Imbecil Coletivo?
Não.
Então leia, você vai ver que todos os camaradas que nos anos 1990 falavam de mim, o que esse pessoal da mídia fala hoje, todos eles estão esquecidos, jogados na lata do lixo. E os que estão falando hoje também serão jogados na lata do lixo. Só que eles acham que vão ser imortais. Acham que vão sobreviver à minha obra. São loucos? Não sabem com quem estão lidando, porra. Eu sou um escritor de envergadura universal, esses caras são uns jornalistinhas de merda, saíram da faculdade ontem, porra. E quer discutir comigo? Ah, que coisa ridícula. O meu prestígio vai crescer e o deles vai sumir. Por que estão entrando num confronto em que só podem ser ridicularizados? A mídia não tem credibilidade alguma. Você vai averiguar a tiragem do Estadão é menor do que a que tinha nos anos 1950. O que ficam botando banca se esses órgãos estão todos perdendo crediblidade rapidamente? Todos apostaram na derrota do Bolsonaro e todos passaram vergonha. Ainda querem continuar passando vergonha? Por quê? Por que vem pedir para mim, para eu os envergonhar? Eu não quero humilhar ninguém, mas os caras dão a cara a tapa, fazer o quê?
O que quer dizer com a aposta na derrota do Bolsonaro?
Todos os comentaristas diziam que era impossível se eleger. Não teve um que dissesse “o Bolsonaro tem chance”. Nenhum disse. Mas diziam isso baseado no desejo, não numa análise objetiva. Que eu saiba, que previu a vitória do Bolsonaro só eu e o Filipe Martins, que aliás é meu aluno. A mesma coisa no Trump. Todos esses sábios da mídia brasileira dizendo “vai dar Hillary na cabeça”. Vai dar na cabeça deles, isso sim. Bando de idiota. Gente analfabeta. É analfabeto funcional grave. Hoje, na mídia, você não pode fazer uma piada que as pessoas entendem em sentido literal. Ou é sinal de doença mental ou de analfabetismo funcional, coisa boa não é. Estão todos assim, meu Deus do céu. O que aconteceu? Aconteceu 50 anos de propaganda comunista na orelha, sem o devido contraste para poder pensar. Outra coisa: só admite discussão padronizada, então você tem os progressistas de um lado e os conservadores do outro, essas duas linhas de pensamento, não admite as diferenças. Então para quê você precisa dos filósofos se você já tem as ideologias prontas? Vocês vêm me entrevistar e pensam “esse aqui é o representante do pensamento conservador”. Pensamento conservador é a mãe deles. Eu tenho o meu pensamento, minha ideia, minha filosofia está registrada em livro. Por que não leem o livro para depois conversar comigo? E não querer que eu seja enquadrado nessa porcaria que eles pensam de pensamento conservador. Você é a 20.ª pessoa que vem me entrevistar e sempre com a mesma expectativa: de que eu represente o pensamento conservador, o pensamento da extrema direita. Que estupidez é essa?
Não tenho a expectativa que o senhor represente o pensamento da extrema direita. Quis entrevistá-lo porque o seu pensamento influencia o novo governo. O sinal são os dois ministros nomeados a partir das suas indicações.
Eu escrevi livros que foram aplaudidos pelas maiores inteligências do mundo. Gente de primeiríssima ordem. Ninguém na mídia liga. De repente eu indico dois ministros e pronto. Isso já é uma palhaçada. Pessoal só se interessa pela coisa superficial do dia. E a contribuição que o homem está fazendo para o pensamento profundo não interessa.
Em uma entrevista em 2016 o senhor fala que foi o “parteiro” de uma direita. O senhor coloca o governo Bolsonaro dentro dessa direita da qual se define o parteiro?
É um governo de direita sem dúvida, mas a mídia inteira está escandalizada por haver um governo de direita. Isso quer dizer que não pode ter um governo de direita? Só pode ter de esquerda? E eles chamam isso de democracia? Há 20 anos disse: o PT não está disposto a suportar o rodízio de partidos no poder. Ele quer ficar para sempre. E toda a mídia é cúmplice nisso, porque eles não aceitam que haja um governo de direita. Nos EUA, você tem um governo de direita e pode ter um governo de esquerda. Todos os países decentes do mundo são assim. No Brasil não pode? Só pode ter esquerda? Em duas eleições todos os candidatos eram de esquerda e o Lula celebrou isso como se fosse a perfeição da democracia. Toda a mídia – Estadão, Folha, O Globo –, todos eles pensam assim: o governo de esquerda é a perfeição da democracia. Agora você sabe por quê? Todas as pesquisas demonstram que 70% a 80% dos brasileiros são cristãos conservadores. Em um País de maioria cristã conservadora você não tem um partido cristão conservador? Um jornal cristão conservador? Uma universidade cristã conservadora? Uma estação de TV? Uma estação de rádio? Nada. A maioria dos País está excluída de representação política e os caras consideram que isso é a perfeição da democracia. Estão brincando comigo? O Bolsonaro é a representação da vontade popular e tem que ser respeitada, o pessoal da mídia tem que calar a boca e aceitar a realidade das coisas, aceitar que o rodízio do poder é a essência da democracia. Eles não entendem isso, acham que democracia é o governo deles.
Começamos a falar sobre a China e mudamos de assunto: defende que o Brasil se distancie da China como parceira?
Para conversar com a China tem que falar grosso, porra. Tem que ser toma lá, dá cá. E não é isso que está acontecendo, eles estão dando tudo para a China. Estão entregando. É o entreguismo mais descarado que eu já vi na minha vida. Se os americanos fizessem o que a China está fazendo conosco, haveria uma revolução no Brasil. Os caras entregam tudo para a China a preço de banana e ainda dão dinheiro para os parceiros da China. Você acha que esse dinheiro que deram para Cuba, Venezuela, Angola, vai voltar algum dia? Nunca vai voltar. Essas grandes nações comunistas que foram a União Soviética e a China vivem do roubo e do saque. Vocês não perceberam ainda, não? Vou contar alguns episódios que as pessoas não sabem. Durante a Guerra Civil Espanhola, os russos chegaram na Espanha, pegaram todas as reservas estatais de ouro dizendo que era para protegê-las e levaram para Moscou. Nunca devolveram um tostão. Nunca.
O embaixador Ernesto Fraga Araújo vai falar grosso com a China como o senhor defende?
É claro. Tem que ser uma paridade como qualquer negociação. Tem que ver o que é do nosso interesse, o que é do interesse deles e tem que ter uma troca equitativa. Também não tem que esperar que a China nos apadrinhe, seja nossa mãe.
Quando começou sua relação com o embaixador Ernesto Fraga Araújo?
Não faz muito tempo, um ano, um ano e pouco. Ele esteve aqui em casa com um amigo meu e comecei a ler os artigos dele. Fiquei impressionadíssimo. Ele é capaz de fazer análises que a nossa mídia inteira não é capaz de fazer. Estão achando ruim com ele, por que não vão discutir com ele? Porque não têm capacidade. Você acha que esse pessoal de mídia… pega os colunistas do Estadão. Tem algum capacitado para discutir com Ernesto Araújo ou comigo? Estão brincando, porra. Um bando de moleque. Coitadinhos. Eu tenho a fama de bater nos caras que vêm debater comigo. Quando eu me defrontei com Cristovam Buarque eu fiquei com dó dele. Falei “esse cara é muito burrinho e não vou nem humilhá-lo. Vou passar a mão na cabeça dele para ele não se sentir mal”. E fiz isso. Era incapaz demais, gente. Olha a entrevista que ele deu hoje. Ele não passa num exame de ginásio se ele disser uma coisa dessa, dizer que o sistema do Escola sem Partido, que o aluno pode objetar o que o professor diz foi adotado na União Soviética e na Alemanha Nazista. Eu digo ora, vai lamber sabão velho burro.
Sobre o Escola Sem Partido. O senhor critica que isso seja encampado como mudança legislativa, o que defende então?
O Escola Sem Partido se tornou objeto de discussão e o problema do qual ele trata sumiu da discussão. O problema é a dominação que os comunistas exercem na educação brasileira, dominação tirânica, onipresente, que proíbe qualquer objeção e esconde as ideias do opositor. Esconde mesmo. Qual o primeiro ponto? Reunir as provas e escrever um trabalho científico a respeito. Não começar propondo um projeto de lei absolutamente ridículo. Os fundadores do Escola Sem Partido são meus amigos, pessoas pelas quais tenho muito respeito e carinho, mas é preciso ser um amador para tentar vencer uma guerra cultural com um projeto de lei. Uma guerra cultural se vence no campo cultural: chamando os caras para a briga, demonstrando que são uns bananas, uns coitados, calando a boca deles com argumento. Você conhece um tal de Dicionário Crítico do Pensamento de Direita? Eu escrevi um artigo a respeito. Os caras se propõem a apresentar um pensamento da direita. Quando você vai ler o dicinário, todos os pensadores importantes da direita estão ausentes e no lugar deles colocaram meia dúzia de nazistas absolutamente alucinados. Eles escondem as ideias do adversário e ainda colocam falsificação no lugar delas. É uma obra coletiva feita por 104 professores universitários subsidiados com dinheiro público. Para mim, todos esses são estelionatários. Para quê você precisa de um projeto de lei para aplicar a lei existente? Claro que isso é um estelionato. Está enganando a pessoa. Está prometendo uma coisa e dando outra. Mas isso foi em 2000. Imagina o quanto essa dominação comunista se ampliou nesses anos. E na mídia inclusive, na mídia aumentou muito, muito, muito. A mídia se tornou absolutamente intolerante com qualquer coisa que não venha da esquerda. E você mesma é testemunha disso. Você vê o que estão falando do Ernesto Araújo, do Bolsonaro. A hipótese de um governo de direita é inaceitável.
A mídia foi e é criticada por setores da esquerda…
Não, você está enganada. Foi criticada quando começou a noticiar os casos de corrupção. Objeção política e ideológica à esquerda a mídia jamais teve. Nada, nada, nada. Porém quando um dos caras começa a roubar e denuncia, que é uma coisa que até na União Soviética acontecia não é luta ideológica, meu Deus do céu, isso é disputa interna da própria esquerda. Aí é evidente que o esquerdista vai, se tem que xingar o outro esquerdista, vai xingar de quê? De direitista. Trótski não era xingado de agente do imperialismo por Stálin? E assim por diante. O Fidel Castro quando mandava fuzilar um dos seus companheiros de revolução dizia que era um agente do imperialismo. Quando eu fui contratado pelo O Globo, o Luiz Garcia, já falecido, deu uma entrevista confessando. “Naquela época, no Globo, tínhamos só colunistas de esquerda e estava dando na vista, então decidimos contratar um da direita, um”. Tinha 100 de esquerda. Contrataram um da direita para tirar a má impressão. O que é isso aí? É manipulação. Ele disse isso quase 20 anos atrás. A esquerda tem o monopólio da mídia brasileira, o monopólio. Sempre tem um ou outro de direita moderada para tirar a má impressão. O que é isso? É manipulação. As organizações de mídia são todas organizações criminosas e sabem perfeitamente que o pessoal do PT está ligado com as Farc, com contrabando, e estão apoiando.
Organizações de mídia são organizações criminosas?
Você não entendeu ainda, é? O PT dirige, dirigiu durante anos, o Foro de São Paulo, em parceria com as Farc, que são organizações criminosas, que inoculam 200 toneladas de cocaína por ano no Brasil. E estavam os dois lá de mãozinhas dadas dirigindo o Foro de São Paulo, que é a coordenação estratégica da esquerda no continente, e a mídia apoiando e acobertando e escondendo a existência do Foro de São Paulo. Durante 16 anos todos – Estadão, Folha, Globo, Veja – esconderam a existência do Foro de São Paulo. Esconderam, quando não negaram. E me chamavam de louco. Só pararam com isso quando, no terceiro congresso do PT, o próprio PT reconheceu que o Foro de São Paulo era coordenação estratégica do comunismo na América Latina. São todos cúmplices e todos organização criminosa, sim, estão acobertando a maior trama criminosa da história da América Latina, que é o PT e Farc.
Queria voltar a falar da Escola Sem Partido.
Avisa o Estadão: se quiser me processar, eu vou no tribunal e provo isso aí. E se brigar comigo vai perder, porque eu tenho mais leitores do que o Estadão.
Sobre a Escola Sem Partido. Nas suas palavras “uma guerra cultural se vence no campo cultural”. É viável tratar a educação como guerra?
Quem inventou a utilização da educação como guerra foram os comunistas, foi Antonio Gramsci, e já estão aplicando isso há décadas. E aí, se você reage, é você que está fazendo a guerra? Não. A guerra começou há muito tempo. Ele via toda a educação a serviço do partido, que ele chamada o ‘intelectual coletivo’. Isso foi aplicado no Brasil mais do que em qualquer outro lugar do mundo. O Gramsci chegou a ser o autor mais citado em trabalhos universitários no Brasil. Eles estão fazendo isso há 50 anos. Durante o governo militar, os esquerdistas já dominavam a mídia inteira. Você não tinha um jornal chefiado por um cara de direita, nenhum. E os colunistas de direita foram sendo removidos um por um. Isso no tempo dos militares. A anormalidade, quando dura bastante, o pessoal não percebe mais que é anormal, começa a achar que é normal.
O que significa “reunir as provas” no âmbito do Escola sem Partido?
Nós temos indícios de que o fenômeno da dominação comunista está presente, mas nós não temos a prova científica. Presta atenção. Nós temos indícios suficientes. Mas a prova científica seria o seguinte. Em primeiro lugar, seria preciso levantar todas as teses levantadas na área de filosofia e ciências humanas, em todas as universidades, nos últimos 40 anos, e você vai ver a onipresença de autores marxistas ou influenciados pelo Marx. E só. Não tem mais nada. É só isso que tem. Então você tem o discurso monopolístico sendo repassado tese em cima de tese. Isso dá para provar quantitativamente, só que é o seguinte: alguém tem que pegar as teses e verificar uma por uma. Pior ainda, é possível provar que o número de analfabetos funcionais produzindo teses universitárias e sendo aprovados têm aumentado ao longo dos anos. Eu mesmo tenho alguns exemplos, pego de vez em quando uma tese para examinar e mostro “o autor é analfabeto funcional por isso, por isso e por isso, não poderia ter recebido jamais o seu certificado universitário”. E está lá o rapaz fazendo propagandinha comunista e sendo aprovado. Isso é um escândalo, como vocês não percebem.
Mas a partir desse entendimento qual a proposta? Limitar quais autores poderiam ser citados numa tese universitária?
Eles que estão limitando. Eu estou querendo abrir. (Exalta o tom da voz) Não brinque com isso. Quer me fazer de palhaço? Peça desculpa pelo o que você falou. Quer insinuar que eu quero limitar o número de autores?
Eu fiz uma pergunta.
Peça desculpas já ou eu lhe meto um processo. Estou com o saco cheio da mídia brasileira. Não brinque.
Eu queria fazer uma pergunta e refaço como pergunta, não como insinuação. Qual a saída a partir do momento que se faz esse levantamento proposto pelo senhor?
Isso tem que ser discutido em público e esses autores têm que ser desmoralizados no campo cultural um por um. Medidas judiciais não adiantam, interferência de governo não adianta. Guerra cultural é cultural. Guerra cultural é vencida por intelectuais, não por legisladores, não por advogados, não pela polícia. E esse é o erro fundamental do Escola sem Partido, que eles cometem por ingenuidade. Não são pessoas que conhecem marxismo suficiente, estratégia comunista, são apenas cidadãos brasileiros que estão chocados com uma situação que é chocante mesmo e em desespero inventam uma medida qualquer “Ah vamos mudar os cartazinhos para avisar os alunos”. Isso não adianta nada. Você com um cartaz colado na parede pode concorrer com a influência diária do professor que está lá falando com eles o tempo todo? Não pode. Isso aí é uma bobagem. Agora, o erro que cometem por ingenuidade está sendo usado para acusar de uma coisa que eles não fazem “Ah isso é controle fascista”. Que palhaçada é essa?
O senhor fala em guerra cultural: quais as que o novo governo encampará?
O governo não pode empreender guerra cultural. Guerra cultural se faz formando intelectuais capacitados, que é o que eu estou fazendo. Tenho 5 mil alunos no Brasil, alguns já estão em posição de destaque no meio cultural: o Felipe Moura Brasil, o Filipe Martins, outros. É no campo da discussão que temos que desmoralizar essas pessoas. Trata-se de mostrar que certas pessoas não estão qualificadas para opinar, são analfabetos funcionais diplomados indevidamente por professores interessados em promover o comunismo. O professor comunista defende o aluninho comunista e dá um diplominha para ele, embora ele seja um analfabeto funcional. Isso aí é estelionato.
A partir do momento que intelectuais com ideias ligadas a estas fazem parte do governo, isso pode ser uma discussão dentro do governo. Por exemplo, com os novos ministros da Educação ou de Relações Exteriores, indicados pelo senhor.
Quando alguém assume um ministério, sacrifica sua carreira intelectual. Não vai poder exercer o trabalho intelectual durante o tempo que está no ministério como exercia antes, não vai dar. Isso não é um assunto para funcionários públicos, é um assunto para intelectuais independentes. Agora, se você juntar toda a intelectualidade esquerdista brasileira e botar para discutir comigo, ela perde, como vem perdendo há 30 anos. Sempre que o sujeito se mete comigo, sai de quatro chorando e chamando mamãe. Ficam com raivinha e ficam falando mal pelas costas. Não têm coragem de fazer um confronto direto.
Queria voltar no início da resposta. Se um ministro sacrifica sua carreira intelectual, quer dizer que eles adotarão posturas mais pragmáticas e menos ideológicas?
Me parece que sim. Não há outro jeito.
O que isso significa em política externa ou educacional, por exemplo?
Não tem jeito de conduzir política externa na base ideológica, isso é impossível. Há interesses de ordem econômica, militar, tem que levar tudo isso em conta. Mas isso você tinha que dizer para os ministros do Lula. Quando eles estavam lá socorrendo Angola, Cuba, Venezuela, isso era puramente ideológico. Por motivação ideológica, adotaram políticas econômicas, diplomáticas desastrosas, suicidas. Vai cobrar deles e não de nós. Nós não fizemos isso e não vamos fazer.
Uma curiosidade: já se encontrou com (o ex-estrategista de campanha de Trump) Steve Bannon nos EUA?
Não. Vou dizer uma coisa que deveria ser óbvia. As opiniões políticas que um filósofo tenha em razão dos acontecimentos do dia devem ser interpretados em função dos princípios mais permanentes de sua filosofia. Isso é uma regra universal. Se você não conhece princípios do existencialismo, você não vai poder entender o que o Jean Paul Sartre está falando sobre aquilo que aconteceu. Agora, todo mundo vem me entrevistar e não quer saber, não leu meus livros, não sabe o que eu penso, inventam um Olavo de Carvalho que é a imagem do que eles chamam da direita e raciocinam a partir daí. Estão conversando com o estereótipo que eles mesmos inventaram. Não se manda uma pessoa sem preparo filosófico para entrevistar um filósofo, um repórter sem cultura literária entrevistar um escritor.
Para não partirmos de estereótipos, como o senhor define o seu pensamento para essa entrevista e no que isso se alinha com o governo do Bolsonaro, pelas conversas que já tiveram?
Eu não sei onde se alinha com o pensamento do governo. Eu realmente não sei. Eu sei o seguinte: parece que o Bolsonaro e os filhos dele leram algo do que eu escrevi e concordaram. Não sei até onde e o quanto eles leram, mas são pessoas de boa vontade para comigo e me tratam muito bem. Isso é tudo o que eu sei. São pessoas pelas quais tenho simpatia pessoal. Não há um acordo ideológico, não houve um diálogo ideológico nenhum. Aliás, se pensar, qual é a minha ideologia? Eu não tenho nenhuma. Eu tenho ciência política. Agora o pessoal fala “ideólogo deles”, isso é tudo lenda urbana inventada por menino, coisa pueril, boboca.
Conversaram três vezes por telefone. Uma na época da facada…
Outra quando ele foi eleito. Ele me telefoneu, no entusiasmo do momento. Isso é tudo.
E a terceira?
Não lembro, mas foi há mais tempo. Agora tivemos um hang out – Eu, Bolsonaro, não lembro quem mais, tinham umas quatro pessoas online. Discutimos algumas ideias, eu acho que falei da guerra cultural. Eles leram meus livros, viu? Pelo menos O Imbecil Coletivo eles leram.
O que havia de interesse seu em passar para ele e dele em saber do senhor?
Não me lembro mesmo. Mas as minhas opiniões a respeito do Brasil estão expressas, impressas. Eu tenho uma coleção chamada Cartas de um Terráqueo, de oito volumes. As minhas ideias sobre o Brasil estão todas lá. Não vou resumi-las em dez minutos. O repórter tem obrigação de ler isso. Fui entrevistado por dezenas de repórteres. Algum deles tinha lido isso? Nenhum. Chega aqui igual uma criança recém-nascida.
Posso ter lido outras ideias suas que não o Imbecil Coletivo.
Sabe sobre as minhas ideias escrito por quem?
Pelo senhor, nas suas manifestações, seus vídeos, suas entrevistas.
Leu post no Facebook, não meus livros. Se você fosse entrevistar o Jean Paul Sartre, entrevistaria pelo que ele escreveu ou do que ouviu falar?
Não se trata de ouvir falar, mas de pesquisa.
Pesquisa no departamento de pesquisa do Estadão? Faz-me rir, esses caras não leem livro nenhum.
Quero voltar às perguntas sobre os ministros. Qual sua relação com o Ricardo Vélez?
Conheço há 30 anos. Eu o encontrei várias vezes no Instituto Liberal, no Fórum da Liberdade no Rio Grande do Sul, tive várias conversas com ele, conheço o trabalho dele. E ele eu fui vendo que era o sujeito que mais entendia de pensamento brasileiro no mundo. É uma coisa absolutamente incomparável. O cara nasceu na Colômbia e chega lá e conhece todos os autores do pensamento político.
Pretende se encontrar com Bolsonaro no Brasil ou gostaria de recebê-lo?
Minha filha, não pretendo influenciar o curso das coisas de absolutamente nada, eu só respondo o que me perguntam. Eu não estou aqui para fazer política mesmo, mesmo. Eu não tenho nenhuma ambição nem gosto por essa porcaria. Quando me ofereceram ministério eu falei “Eles querem ferrar com a minha vida, porra”. Eu como escritor sou um homem muito feliz, sou o que eu queria ser quando era criança. Eu queria ser um escritor, escrever coisas boas, coisas úteis e ter um montão de leitores. Pronto. Taí. O que mais eu posso querer? Um ministério? Um carguinho público? Uma coluna no Estadão? (risada) Vocês estão brincando comigo, porra. Eu não quero mais nada, estou feliz”.