sábado, 31 de março de 2018

Os Delírios Fatais do Homem Ocidental - Por Pat Buchanan

Os Delírios Fatais do Homem Ocidental

Por Pat Buchanan [*]
Os líderes adotaram políticas “enraizadas em esperanças injustificadas pela realidade”
“Erramos com a China. E agora?”, dizia a manchete sobre o artigo no Washington Post.
“Lembram-se de como o compromisso americano com a China tornaria essa bomba-relógio comunista parecida com o Ocidente democrático e capitalista?”, Perguntou Charles Lane em sua primeira frase.
As elites americanas acreditavam que o engajamento econômico e a abertura de mercados dos EUA levariam a República Popular a coexistir de forma benigna com seus vizinhos e com o Ocidente.
Nós nos enganamos. Não aconteceu.
Xi Jinping acaba de mudar a constituição da China para permitir que ele seja ditador para toda a vida. Ele continua a roubar propriedade intelectual de empresas americanas e a ocupar e fortalecer ilhotas no Mar do Sul da China, que Pequim agora toma inteiramente para si.
Enquanto isso, a China sustenta a Coréia do Norte, enquanto os aviões de guerra chineses e os navios de guerra circunavegam Taiwan ameaçando sua independência.
Hoje enfrentamos uma ditadura e uma superpotência comunista chinesa que busca remover a América do primeiro lugar entre as potências da Terra e levar as forças armadas dos EUA atravessarem o Pacífico.
Quem é responsável por esse erro histórico?
As elites de ambos os partidos. Os republicanos Bush da década de 1990 concederam à China o status de nação mais favorecida e escancararam as portas do mercado americano.
Resultado: a China arrecadou US$ 4 trilhões em superávits comerciais com os Estados Unidos. Seu superávit comercial de US$ 375 bilhões conosco em 2017 excedeu em muito o orçamento total da defesa chinesa.
Nós alimentamos o tigre e criamos um monstro.
Por quê? O que está na mente do homem ocidental que faz com que nossos líderes continuem adotando políticas enraizadas em esperanças injustificadas pela realidade?
Lembrem-se. Stalin era um tirano assassino sem rival na história cujas vítimas em 1939 eram 1.000 vezes mais numerosas do que as de Adolf Hitler, com quem ele se associava ansiosamente em troca da liberdade de violar os Estados bálticos e morder metade da Polônia.
Quando Hitler se virou contra Stalin, o açougueiro bolchevique correu para o Ocidente por ajuda. Churchill e FDR saudaram-no com elogios que fariam com que Pericles corasse. Em Yalta, Churchill levantou-se para brindar o açougueiro:
“Eu ando por este mundo com grande coragem e esperança quando me encontro em uma relação de amizade e intimidade com este grande homem, cuja fama se espalhou não só sobre toda a Rússia, mas o mundo. (…) Nós consideramos a vida do Marechal Stálin como a mais preciosa para as esperanças e corações de todos nós”.
Voltando para casa, Churchill assegurou a um Parlamento descrente: “Não conheço nenhum governo que cumpra suas obrigações, mesmo em seu próprio desfavor, mais solidamente do que o governo soviético russo”.
George W. Bush, com o establishment americano unido atrás dele, invadiu o Iraque com o objetivo de criar um Vermont no Oriente Médio que seria um farol da democracia para o mundo árabe e islâmico.
O ex-diretor do NSA Gen. William Odom chamou corretamente a invasão dos EUA o maior erro estratégico na história americana. Entretanto Bush, incorrigível, continuou a pregar uma cruzada pela democracia com o objetivo de “acabar com a tirania em nosso mundo”.
Qual é a raiz dessas crenças assombrosas – que Stalin seria um parceiro para a paz, que se construíssemos a China de Mao, ela se tornaria benigna e benevolente, que poderíamos remodelar as nações islâmicas em réplicas das democracias ocidentais, que poderíamos erradicar a tirania?
Hoje, estamos replicando essas loucuras históricas.
Depois da nossa vitória na Guerra Fria, nós não apenas nos lançamos ao Oriente Médio para refazê-lo à nossa imagem, emitimos garantias de guerra a todos os ex-membros do Pacto de Varsóvia e ameaçamos a Rússia com a guerra se ela intervir novamente nas Repúblicas do Báltico.
Nenhum presidente da Guerra Fria teria sonhado em lançar um desafio tão descarado a uma grande potência nuclear como a Rússia.
Se a Rússia de Putin não se tornar a nação pacifista que nunca foi, essas garantias serão cobradas um dia. E a América ou cederá ou enfrentará um confronto nuclear.
Por que arriscaríamos algo assim?
Considere essa louca ideologia do globalismo de livre comércio com suas raízes nos rabiscos de eruditos idiotas do século XIX, nenhum dos quais jamais construiu uma grande nação.
Aderindo religiosamente ao dogma de livre comércio, conseguimos US$ 12 trilhões em déficits comerciais desde Bush I. Nossas cidades foram destruídas pela perda de usinas e fábricas. Os salários dos trabalhadores estagnaram. A independência econômica que Hamilton buscou e os presidentes republicanos de Lincoln para McKinley alcançaram é passado.
Entretanto o maior risco que estamos correndo, baseado no utopismo, é a importação anual de mais de um milhão de imigrantes legais e ilegais, muitos dos Estados falidos do Terceiro Mundo, na crença de que podemos criar uma terra unida, pacífica e harmoniosa de 400 milhões, composto de toda raça, religião, etnia, tribo, credo, cultura e linguagem na Terra.
Onde está a evidência histórica para o sucesso desta experiência, cujo fracasso poderia significar o fim da América como uma nação e um povo?
[*] Pat Buchanan. “Fatal delusions of Western man“. WND, 3 de Janeiro de 2018.
Tradução: Cássia H.
Revisão: dvgurjao

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