sexta-feira, 31 de maio de 2013

LULA E ROSEMARY - UM SILÊNCIO DE 189 DIAS - REYNALDO BH


Reynaldo-BH: O placar da infâmia informa que o silêncio faz hoje 189 dias

REYNALDO ROCHA
189 dias! A gente não pode se acostumar com isto. Não é só uma numeração crescente neste blog. É muito mais.
A contagem, impiedosa como são as que se baseiam em verdades, continua a acrescentar escárnio ao escândalo.
Hoje o placar da infâmia informa que o silêncio faz 189 dias. Quase sete meses! E ninguém duvida que chegaremos a sete, oito, nove…
Um processo iniciado pela Polícia Federal com base em provas mais que robustas (incluindo escutas telefônicas e acesso a e-mails), envolvendo duas dezenas de criminosos (entre os quais pode estar Lula) não chegou ao fim.
Durante as investigações, a PF trabalhou com presteza e isenção. Fez o que dela se espera. Depois que se soube da extensão dos tentáculos do polvo indecente, o ritmo caiu extraordinariamente. Quase um carro estacionado em plena corrida de F1.
O que terá ocorrido? As ameaças da amante de Lula foram suficientemente fortes para que a blindagem fosse elevada a questão de estado? Ou a PF está em dúvida quanto às acusações que originaram o inquérito policial? Faltam provas ou sobram ameaças?
Rosemary não tem como se esquivar de um processo criminal. As provas são tão fartas que chegam a ser repetitivas. Corrupção ativa e passiva, tráfico de influência, enriquecimento ilícito, estelionato, etc. O teor dos e-mails é claro e objetivo. E custa a crer que também não existam gravações telefônicas com referências de Rose a quem apresentava como seu namorado.
Não creio que houve troca de mails entre ambos. Desconfio da capacidade de leitura e de escrita do destinatário. Mas telefonemas devem ter existido.
Quem visitava o amante no hospital (na ausência da esposa oficial) certamente se comunicava com o mesmo. Até para saber dos horários adequados para tais visitas.
Até quando a contagem que revela o mutismo (que equivale a confissão!) de Lula estará sendo a mesma da não pronúncia de Rosemary? A liberdade de que ela goza hoje não estará sendo usada para ─ contra a lei ─ ocultar provas ou intimidar testemunhas? Não é este um dos requisitos para a prisão, em nome da garantia da investigação isenta?
Onde estão o Ministério Público e a Polícia Federal? Como justificam o silêncio e a inação?
De Lula entendemos (e não aceitamos) o silêncio. É comum vermos “malfeitores” (usando a novilíngua de Dilma) calar-se para não se incriminarem. É uma garantia constitucional.
Os homens da lei é que não podem e não devem estar submetidos a esse voto de silêncio ou de esquecimento.
Quanto tempo ainda teremos que esperar para que a Justiça faça o que é mandatório? Que o inquérito concluso seja enviado ao MP. Com as conclusões devidas para o prosseguimento da ação penal.
Quem sabe neste momento o amante não socorra a amante?
Teríamos enfim uma palavra do homem que dizia amar a galeguinha e usava nosso dinheiro para ser amante da espertinha.
Se eles (e todos os outros) não têm vergonha na cara, lembrem-se que nós, que bancamos as contas deste relacionamento pessoal bancado com verbas públicas, temos! E exigimos uma ação da Justiça

CORDEL - 'LULÊU E ROSIÊTA'




31/05/2013
 às 13:00 \ Feira Livre

‘Lulêu e Rosiêta’, um cordel de Fred Crux

FRED CRUX
LULÊU E ROSIÊTA
(um romance à brasileira)
1
No Reino do Bananal,
um país meio aloprado,
surgiu um dia um casal
que já estava fadado
a fazer parte da história
se bem que sem muita glória.
Corrijam se estou errado.
2
Eu vou contar a vocês
como tudo começou:
ele era o antiburguês
e assim que iniciou
carreira sindicalista
se tornou mero fascista
com tendência a ditador
3
Falava em qualquer comício
como um sujeito decente
e sem muito sacrifício
enganava toda a gente.
Sua cultura raquítica,
como convém na política,
começava a ganhar frente.
4
Fundou partido operário,
bem vermelho e revoltado,
que lutava por salário
do tal proletariado
mas que no fundo almejava
o poder, que só teimava
em ir para o outro lado.
5
Convenceu a classe média
que ele era a salvação
e seria uma tragédia
se perdesse a eleição.
Candidato derrotado,
repetia este seu fado
sem perder a direção.
6
Até que um dia se elege
e aí começa o drama
pois logo tornou-se hereje,
deitou na fama e na cama,
meteu os pés pelos pés,
distribuiu capilés
e espojou-se na lama
7
E logo entornou a pipa,
reformou toda a “fachada”,
arrumou-se com uma “tipa”
que de “besta” não tem nada.
Uma tal de Rosemary
que mordeagrada e não fere
feito bichinha assanhada.
8
Essa dona, com prazer,
conquistou o manda-chuva
infiltrou-se no poder.
De tamarindo fez uva,
passou a mandar em tudo.
Conquistado o casacudo
lhe dava tapa de luva.
9
Viajou muito à vontade
por dezenas de países
no lugar da titular
e foi criando raízes.
Na cabine do avião,
ela jogava um bolão,
não deixava cicatrizes
10
E o presidente abobado
fazia todo o seu gosto.
Entregou-lhe o seu reinado,
mostrou-se muito disposto
a fazer qualquer benesse.
O que dona Rose quisesse,
cumpriria sem desgosto.
11
O Cara foi se enredando
com Rosemary, afinal
que um belo dia acordando
leu de pronto no jornal
A tramóia descoberta
a intimidade aberta
foi tombo descomunal
12
O choque foi tão agudo
que o papagaio falante
se tornou bicho trombudo
e naquele mesmo instante
teve horror a microfone,
desligou o telefone
e na hora ficou mudo
13
Hoje faz mais de seis meses
que Lula, rei da mentira,
escondeu-se dos fregueses,
camuflou a “pomba-gira”,
não quis mais um holofote,
apagou o seu archote
e multiplicou sua ira.
Rosemary, esse mistério
ninguém sabe se está viva
ou em algum ministério
fazendo uma tentativa
de esconder da polícia
toda aquela imundícia
que tramou quando era ativa.
14
O ex-presidente, então,
que já foi um poderoso,
fechou o seu matulão.
Boca-de-siri manhoso,
não fala nada de nada
camuflando a sua “fada”,
se escondendo do seu povo
15
Então, seu ex-presidente,
escolha agora o caminho.
Assuma o caso pendente
e abrace o seu espinho
porque já cheirou a Rosa,
que um dia foi formosa
e ainda quer seu carinho.
16
E que os dois, abraçados,
paguem pelo desmantelo
junto com os  apaniguados.
Que desenrolem o novelo
de toda essa trambicagem.
É esta a minha mensagem
do nosso povo é o apelo !

LULA ENTREGA OBRAS INACABADAS - AUGUSTO NUNES


05/03/2010
 às 20:26 \ Direto ao Ponto

Lula entrega obra aos pedaços e Sérgio Cabral inaugura dialeto

Em 2006, o presidente Lula inaugurou a pedra fundamental do Complexo Petroquímico do Estado do Rio de Janeiro, o Comperj. A plateia do comício em Itaboraí teve de aplaudir uma promessa. Em 2008, agora escoltado por Dilma Rousseff e pelo governador Sérgio Cabral, o chefe sempre em campanha voltou à cidade fluminense para inaugurar, hasteado sobre um trator, o início dos serviços de terraplenagem. A plateia teve de aplaudir uma miragem. Nesta segunda-feira, mais uma vez, Itaboraí poderá ver de perto Lula, Dilma e Cabral. A obra continua invisível. Só se tornará palpável ─ se tudo der certo ─ em meados de 2012, com a entrada em funcionamento de uma refinaria de petróleo.
Na terceira visita em menos de quatro anos, segundo a programação oficial, Lula vai trocar a inauguração do nada pela assinatura de ”contratos para implementação da unidade de destilação do complexo”. A plateia será convidada a aplaudir um punhado de papéis ─ e a reverenciar o talento administrativo da Mãe do PAC. “Este Comperj aqui tem a rubrica da presidente Dilma”, disse em 2008 o padrinho da candidata. A fantasia reafirma que o PAC, examinado com atenção, não é um conjunto de obras. É uma sequência de comícios.
Talvez pelo entusiasmo com que o governador Cabral festeja o bom andamento de cronogramas que ignoram os prazos combinados, Lula fez do Rio o cenário preferido para inaugurações extravagantes. Também na segunda-feira, por exemplo, serão entregues aos moradores da Favela da Rocinha as obras incluídas há dois anos entre as prioridades do PAC. Mas a coisa virá aos pedaços. A turma da Rocinha terá de conformar-se com a primeira fatia, que representa um quarto do total. O resto fica para depois.
Lula vai discursar com o mesmo entusiasmo, Sérgio Cabral vai esbanjar animação. Ele sempre fica eufórico quando encontra Dilma Rousseff. No Carnaval, a alegria foi tanta que, para exprimi-la, inaugurou um dialeto mais complicado que letra de samba-enredo.  Se a festança esquentar, a turma da Rocinha talvez tenha o prazer de conhecê-lo.

quinta-feira, 30 de maio de 2013

'DILMÊS DE BOLEIRO': AUGUSTO NUNES


30/05/2013
 às 16:51 \ Direto ao Ponto

Depois do ‘entrace’ na saída da Fonte Nova, prefeitura do Rio enriquece o inglês de Copa do Mundo com a invenção do ‘aiport’

Sempre que inaugura um estádio que não está pronto, Dilma Rousseff fica grávida de patriotismo mequetrefe ─ e recita o que o mestre lhe ensinou: só duvidam do governo (e seus comparsas) os eternos pessimistas, os céticos profissionais, os que torcem o tempo todo contra o progresso da nação reinventada pela seita lulopetista. Foi assim em 21 de dezembro de 2012, quando a presidente baixou em Belo Horizonte para dar por concluído o Mineirão ainda em obras.
“Nós, do Brasil, estamos dando uma demonstração para o mundo”, caprichou no dilmês de boleiro. “De que nós somos bons dentro do campo, mas somos bons fora do campo também”. Dilma tem tanta familiaridade com o que ocorre dentro do campo quanto Lula com o uso do plural. Para a Primeira Torcedora, trivela é o ministro da Pesca com erro de revisão. Se sabe o que anda acontecendo fora do campo, logo vai descobrir que ninguém perde tempo torcendo contra os organizadores da Copa. Time que só faz gol contra nem precisa de inimigos.
Confira o texto de Júlia Rodrigues na seção História em Imagens.  Depois do “entrace” na saída da Fonte Nova, a prefeitura do Rio enriqueceu o inglês de Copa do Mundo com a invenção do “aiport”. Os turistas vão sofrer para encontrar o Maracanã. Se chegarem lá, podem colidir com portões fechados: nesta quinta-feira, a Justiça atendeu ao pedido do Ministério Público estadual e suspendeu a realização do jogo entre Brasil e Inglaterra, marcado para domingo.
É possível que, nas próximas horas, governantes e cartolas consigam contornar a interdição. Mas a pedra no caminho continuará do mesmo tamanho. A decisão judicial se amparou nas evidências de que o Maracanã não está pronto para acomodar sem riscos as multidões com que sonham os vigaristas que enxergam na Copa de 2014 um grande negócio

REYNALDO BH: 'O DINHEIRO DO BOLSA FAMÍLIA NÃO É DO GOVERNO. É NOSSO'.

30/05/2013
 às 0:45 \ Feira Livre

Reynaldo-BH: O dinheiro que paga a conta do Bolsa-Família não é do governo. É nosso.

REYNALDO ROCHA
Será que finalmente o Bolsa-Família será visto com seus contornos reais?
Não creio que se deva alertar os beneficiados. Estes já foram definitivamente cooPTados.
Mas sinto que frente ao desastre econômico que se intensifica diariamente – inflação, déficits, crescimento inexistente – há um sentimento de perplexidade entre os que pagam a conta.
Demorou a cair a ficha. Mas caiu. Parece-me que o Brasil está retornando da anestesia.
Somos nós que pagamos essa conta e tentam negar-nos até o direito de saber claramente como está sendo usado o dinheiro dos impostos. O dinheiro é nosso, vale insistir. Não é do governo, menos ainda do PT.
Quem são os usuários? De que modo o benefício é concedido? Quantos sabem que o cadastramento é feito pelas prefeituras? A partir de quais critérios? Quais estados que têm maior número de usuário? Quais cidades?
O Bolsa-Família também é usado como critério de separação. Somos nós e eles. Eles, os usuários. Nós, os insensíveis. Eles (do PT) são donos do programa. Nós, meros observadores do que fazem.
Não! Eu pago para que o programa exista!
O assistencialismo explícito é visível. O ser “contra” o programa – posição politicamente incorreta – hoje é assumida de modo claro. E não sinto que haja alguém que queira simplesmente extinguir o Bolsa-Família. O que se quer é um uso efetivo do auxílio, para além da dádiva oficial. Que dá o nosso dinheiro sem nenhuma contrapartida.
Já não cabe a discussão sobre quem criou o programa. Como diria Dona Dilma, é matéria vencida. O que cabe discutir são os dez anos de uso intensivo como instrumento eleitoral.
Em dez anos os “sociólogos” do PT não conseguiram formatar uma porta de saída ou um degrau. Ao contrário, orgulham-se da inclusão de novos beneficiários.
O que era uma massa amorfa, oculta atrás de um cartão, hoje se conhece melhor.
Já conhecia exemplos didáticos. Já tive empregados que recebiam a bolsa em nome de 5 filhos além do salário que eu pagava! No Ceará, uma turma de costureiras (mais de 100!) de um curso patrocinado pelo FAT preferiu abrir mão de um emprego a abandonar o programa. Queriam trabalhar “sem carteira assinada”.
O Brasil que paga impostos viu uma mulher reclamando do valor recebido, pois era insuficiente para comprar uma calça de R$ 300,00 para a filha. Outra confessou candidamente que estava depositando dinheiro na poupança do marido. São inúmeros os exemplos. Há culpa? Sim, mas que não se eleja o beneficiário deste programa como alvo. Ele aprendeu que estudar era dispensável. Que trabalhar pode ser uma má opção frente a receber sem trabalhar. Que o dinheiro mensal não é de auxílio, mas sim de esmola com nome oficial.
Em troca, os usuários dão o que têm. O voto. A adoração dos novos pais e mães da pátria! Não entendem que este dinheiro recebido por eles é derivado da obrigação de tantos outros de pagar impostos. Justos ou injustos. O que vale é a sanha arrecadadora que financia PACs e esmolas.
Por fim, bastou que a imprensa assumisse o papel que dela é esperado. Mostrar a realidade. Questionar. Expor. (Recado a tantos, não todos: notaram que funciona como instrumento da verdade e da história? Espero que esse comportamento se repita em outras áreas. Não é pedir muito.)
Bastou para que o Brasil se questionasse sobre o programa, os dez anos passados, os critérios e até alguns usuários que não precisam desse auxílio. O governo sabe disso. Insiste em manter esses beneficiários cadastrados pois o que importa não é a situação de penúria dos miseráveis. O que vale é o voto do curral eleitoral consolidado.
Pouco me importa quem pariu Matheus. Importa-me – e muito – é que, passados dez anos, continua sendo a mesma mão que balança o berço. Um sono de dez anos.
Quando Dilma diz que o programa é “eterno”, está dizendo que a miséria será sempre presente no Brasil.
Não foi ela que anunciou o fim da miséria?
Para o lulopetismo, miséria certamente é uma doença cujo remédio não é emprego ou renda. É troca de votos por esmolas. Assim, a declaração de Dilma é uma ameaça. Ao Brasil

CLÓVIS ROSSI - LEI MAIS RÍGIDA JÁ EXISTE


quinta-feira, maio 30, 2013


Lei mais rígida já existe - CLÓVIS ROSSI

FOLHA DE SP - 30/05


Falta que as autoridades admitam o que é óbvio: o Brasil vive uma grave pane de segurança

Quer dizer, então, que o Congresso está examinando o aumento das penas para chefes do narcotráfico?

Parabéns, mas é tarde e nem seria necessário se as autoridades saíssem de sua letargia e aplicassem uma lei já existente, com punições mais severas do que as que estão em discussão no Congresso.

Trata-se, me informa um leitor, advogado que prefere manter o anonimato, da lei 7.170/83, que define crimes contra a segurança nacional e a ordem política e social, entre outras coisas.

Segurança nacional, ah, que horror, dirá logo você, que é incapaz de pensar fora do quadradinho.

Sim, segurança nacional. Não a dos tempos da ditadura, em que o Estado se dizia ameaçado pelos grupos armados --o que não era bem verdade, mas não é a discussão em causa. Segurança nacional definida como ameaça não ao Estado, mas à sociedade (que, naqueles velhos tempos, era ameaçada pelo Estado).

Que há uma emergência em matéria de segurança pública não dá para negar. A estatística é contundente: a taxa de homicídios por 100 mil habitantes no Brasil duplica a que a comunidade internacional considera ser epidêmica.

O artigo 12 da 7.170 estabelece pena para quem introduza no país armas ou material militar privativo das Forças Armadas (reclusão de 3 a 10 anos, pena que se aplica também a quem, "sem autorização legal, fabrica, vende, transporta, recebe, oculta, mantém em depósito ou distribui o armamento ou material militar" de que trata o artigo).

Preciso dizer que boa parte dos criminosos usa material privativo das Forças Armadas?

Já o artigo 15 prevê de 3 a 10 anos de reclusão para quem "praticar sabotagem contra instalações militares, meios de comunicações, meios e vias de transporte, estaleiros, portos, aeroportos, fábricas, usinas, barragem, depósitos e outras instalações congêneres".

Preciso dizer que os ataques a ônibus cabem nesse artigo, como cabem os atentados contra caixas eletrônicos, já que o parágrafo 1º aumenta em 50% a pena no caso de dano a, por exemplo, "serviços públicos reputados essenciais para a defesa, a segurança ou economia do país"?

A lei, portanto, está aí, com penas mais rigorosas que as habitualmente aplicadas (na verdade, não aplicadas, já que a impunidade é regra e um dos combustíveis que impulsiona a criminalidade).

Basta que as autoridades admitam o que é óbvio: há uma grave crise de segurança pública no Brasil.

Mas é bom deixar claro que penas, leves ou rigorosas, se tornam inócuas se não houver antes a transformação do aparelho policial. Não adianta o tipo de punição se poucos criminosos, comparativamente ao volume dos crimes, são levados aos tribunais. Com perdão pela obviedade, antes da pena tem que haver a prisão e a comprovação efetiva do crime praticado.

A polícia francesa conseguiu, em quatro dias, identificar o homem que atacou um soldado no sábado. Quantos dos que vira e mexe atacam ônibus são identificados? A polícia tem que ser parte da solução, não do problema.

IRREGULARIDADES DO GOVERNO PETISTA NA CONSTRUÇÃO DO ESTÁDIO DE BRASÍLIA

Mais cara da Copa, arena de Brasília acumula críticas e irregularidades

Atualizado em  17 de maio, 2013 - 16:05 (Brasília) 19:05 GMT
Estádio Mané Garrincha / Reuters
Custo total do estádio Mané Garrincha supera, até agora, o do Maracanã
Erguido inteiramente com dinheiro público, o Estádio Nacional de Brasília Mané Garrincha será inaugurado neste sábado em meio a dúvidas sobre sua viabilidade econômica e críticas à estratégia do governo do Distrito Federal (DF) para cobrir os custos da construção.
O estádio, que tem sido apresentado pelo governo local como o mais moderno do país, abrigará a abertura da Copa das Confederações, em 15 de junho, e sete partidas do Mundial de 2014.
Trata-se da arena mais cara erguida para a Copa do Mundo, levando-se em conta os gastos já efetuados até agora nas construções e também as projeções atuais para os gastos em todos os estádios. O valor que a Terracap – agência imobiliária pública controlada pelo Distrito Federal e pela União – já desembolsou para financiar o Mané Garrincha soma R$ 1,2 bilhão, segundo o Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF).
Críticos apontam irregularidades na obra detectadas pelo TCDF e temem que a arena seja subutilizada após os torneios.
O montante, diz o tribunal, deverá alcançar R$ 1,6 bilhão quando forem executadas as obras de acabamento e sinalização do estádio, além da reforma de seu entorno.

Irregularidades

Inicialmente, o Mané Garrincha estava orçado em R$ 696 milhões. Segundo o TCDF, houve 19 aditivos na construção. O tribunal diz ter identificado sobrepreço em compras e pagamentos por serviços não executados, entre outras irregularidades.
Já o governo do Distrito Federal afirma que a elevação do valor inicial se deveu a exigências da Fifa e à execução de serviços não previstos no projeto original, como a cobertura das cadeiras.
O preço do Mané Garrincha supera os gastos com a reforma do Maracanã, no Rio, que até agora consumiram R$ 1,1 bilhão. Com 76 mil lugares, o estádio carioca é o maior do Brasil. O Mané, com 70 mil assentos, é o segundo.
Contudo, enquanto o Maracanã abrigará a final do Mundial e, após o torneio, poderá ser usado pelos grandes times do Rio, a arena brasiliense sediará jogos menos importantes da Copa e fica numa cidade sem tradição futebolística.
Em sua inauguração, o Mané Garrincha abrigará a final do campeonato local, o Candangão, entre Brasiliense e Brasília. A média de público do torneio beira 1 mil pessoas por jogo, e o Distrito Federal não tem nenhum time na primeira divisão do campeonato brasileiro. Seu clube mais bem posicionado nacionalmente, o Brasiliense, disputará neste ano a terceira divisão do torneio.
O governo do DF espera atrair jogos de clubes maiores para o estádio. Em 26 de maio, Santos e Flamengo disputarão no Mané Garrincha a partida inicial do Campeonato Brasileiro, num evento que servirá de teste para a Copa das Confederações.

Arena 'multiuso'

Agnelo Queiroz / Agência Brasil
Governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz diz que estádio não terá apenas jogos de futebol
Ainda assim, segundo o governador Agnelo Queiroz (PT-DF), a arena não dependerá do futebol. "Não é um estádio de futebol. Vai ter até futebol, mas será uma arena multiuso, um importante centro esportivo, cultural e comercial", disse ele em entrevista coletiva recente, quando o Mané Garrincha foi apresentado a jornalistas de veículos estrangeiros.
Agnelo afirma que o estádio receberá shows frequentes e abrigará lojas, restaurantes, bares, cinemas e teatro. "Vamos atrair grandes eventos do país e internacionais".
Questionado sobre o custo de manutenção do Mané Garrincha, o governador não citou valores, mas disse que o estádio é dotado de sistemas que pouparão o consumo de água e energia.
Mesmo que a arena venha a gerar receitas que cubram sua manutenção, há dúvidas quanto à capacidade da Terracap de recuperar os gastos com a obra.
A agência pública arcou sozinha com os custos da arena, já que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que financia todos os outros estádios da Copa, não concordou com o projeto. Para executar a construção, a Terracap contratou as empreiteiras Via Engenharia e Andrade Gutierrez.
Na apresentação do estádio a jornalistas, o presidente da Terracap, Antônio Lins, disse que a companhia tem um "fluxo de caixa invejável" e que a obra não abalou suas contas. Pouco antes, o governador Agnelo Queiroz afirmou que a Terracap pode recuperar o investimento "vendendo um único terreno, na 901".
Acontece que o local mencionado – a quadra 901 do Setor de Grandes Áreas Norte (SGAN), em ponto bastante valorizado da região central de Brasília – é hoje uma extensa área verde que, segundo moradores e o Ministério Público, deve permanecer sem construções.
Em 2011, Agnelo anunciou os planos de leiloar o terreno para a construção de um complexo de hotéis, numa extensão do Setor Hoteleiro Norte. No ano seguinte, porém, a pedido do Ministério Público, o Tribunal de Justiça do Distrito Federal determinou que o governo suspendesse o projeto.
Segundo o juiz Carlos Rodrigues, a construção só poderá sair do papel se autorizada por lei distrital e respaldada pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), a quem caberá avaliar se ela respeita a concepção urbanística de Brasília. A consulta ao Iphan é necessária porque Brasília é tombada como Patrimônio Histórico Nacional.

Riscos ao plano-piloto


Raio-X do Mané Garrincha

  • Custo total*: R$ 1,2 bilhão (superior ao do Maracanã, o maior estádio da Copa do Mundo de 2014)
  • Foi construído pelas empreiteiras Via Engenharia e Andrade Gutierrez
  • A obra foi inteiramente financiada pela Terracap, agência imobiliária pública controlada pelo Distrito Federal e pela União
  • Terá 70 mil lugares
  • Segundo o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, o estádio será 'multiuso', com espaço para shows, cinemas e teatros, além dos jogos de futebol.

Mas o Iphan e a Unesco, agência da ONU que em 1987 conferiu à capital o status de Patrimônio Cultural da Humanidade, condenaram a construção. Técnicos da Unesco que visitaram a cidade em 2012 afirmaram em relatório que a expansão do setor hoteleiro resultaria "em uma mudança séria em relação à planta original desenhada por Lúcio Costa".
Sem poder levar o projeto adiante, a Terracap tem contado com leilões de outros terrenos para fazer caixa. Desde 2012, a empresa pôs à venda mais de 200 lotes, em sua maioria em cidades-satélites, arrecadando ao menos R$ 90 milhões.
Para Marisa Isar Machado, promotora do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), o governo distrital está "dilapidando seu patrimônio para bancar o estádio".
O MPDFT e o Tribunal de Contas apontaram irregularidades em parte das últimas licitações de terrenos públicos e conseguiram, no mês passado, suspender um leilão que previa arrecadar mais de R$ 100 milhões com a construção de um shopping no Lago Sul, área nobre de Brasília.
As disputas, que devem continuar pelos próximos meses, refletem ainda a demanda de construtoras por novas áreas na capital federal.
Em entrevista recente ao jornal Correio Braziliense, o empresário e ex-senador Paulo Octávio, um dos principais nomes do mercado imobiliário local, referiu-se assim ao mais valioso bem de Brasília: "No Rio de Janeiro, eles têm o petróleo. Nós temos a terra"

MAIS SOBRE A SUSPENSÃO DO JOGO NO MARACANÃ

Liminar suspende teste crucial para Maracanã

Atualizado em  30 de maio, 2013 - 18:53 (Brasília) 21:53 GMT
Maracanã, em foto de 15 de maio (Reuters)
Justiça alegou motivos de segurança para impedir amistoso no Maracanã
Uma decisão da Justiça do Rio de Janeiro proferida no final da tarde desta quinta-feira suspendeu a realização no estádio do Maracanã do amistoso entre Brasil e Inglaterra, marcado para o próximo domingo. A medida tem caráter liminar, e o governo do Rio já anunciou estar recorrendo da sentença.
O jogo amistoso entre as seleções de Brasil e Inglaterra deve ser o primeiro grande teste do Maracanã após a reforma realizada no estádio para a Copa das Confederações e a Copa do Mundo de 2014.
De acordo com a assessoria do Tribunal de Justiça do Rio, a decisão foi tomada pela juíza Adriana Costa dos Santos, da 13ª Vara de Fazenda Pública e que está no plantão judiciário.
A magistrada deferiu a ação do Ministério Público (MP) do Estado que pede a suspensão do jogo do próximo domingo e de outros eventos no local, alegando que o estádio do Maracanã não oferece condições de segurança e higiene para o público.
Ainda de acordo com o Tribunal de Justiça do Rio, a ação civil pública do MP que pede a suspensão do amistoso foi proposta contra a CBF (Confederação Brasileira de Futebol), seu presidente, José Maria Marin, e o Comitê Organizador Local (COL) da Copa do Mundo.
A assessoria do TJ ressalta que a decisão tem caráter liminar e que cabe recurso contra ela.

Recursos

Pouco após o anúncio da suspensão do amistoso, o governo do Estado do Rio de Janeiro divulgou uma nota à imprensa em que afirmou já estar recorrendo da decisão.
Na nota, o governo afirmou que "todos os requisitos de segurança para o amistoso Brasil Inglaterra foram cumpridos" e alega que, devido a uma "falha burocrática", o laudo da Polícia Militar que comprova o cumprimento das regras de segurança no Maracanã "não havia sido entregue à Suderj (Superintendência de Desportos do Estado do Rio de Janeiro, órgão responsável pela administração dos complexos esportivos do Estado)".
De acordo com o governo, o laudo a respeito da segurança do estádio será encaminhado ao plantão judiciário juntamente com o recurso contra a decisão que pede a suspensão do amistoso.

Inauguração

No último dia 27 de abril, o estádio foi inaugurado com um evento-teste que contou apenas com 30% de sua capacidade total de de 78.639 pessoas.
Cercada de polêmicas, a reforma do Maracanã custou R$ 1,049 bilhão, valor bastante superior ao previsto em sua licitação, de R$ 705 milhões.
O novo estádio será administrado por um consórcio formado pela empreiteira Odebrecht – que já é uma das encarregadas pela reforma do estádio –, pela empresa IMX, do empresário Eike Batista, e pela companhia de origem americana AEG.
O processo para a concessão do estádio à iniciativa privada também foi cercado por controvérsias e reviravoltas e chegou a ser por duas vezes suspenso após ações do Ministério Público, que foram posteriormente revertidas.
O estádio deve ser palco das partidas finais da Copa das Confederações – que começa no próximo dia 15 de junho – e da Copa do Mundo de 2014