quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Eduardo Bueno, jornalista, tradutor e historiador


O livro Brasil: uma história chega às livrarias numa versão ampliada que conta as transformações do país da pré-história à Era Lula. Eduardo Bueno, o autor, é um dos jornalistas mais consagrados do país e um dos grandes historiadores brasileiros – embora os historiadores tradicionais hesitem em reconhecê-lo. Nesta primeira parte da entrevista, Peninha, como é conhecido entre os jornalistas, fala sobre as diferenças entre as três edições do livro, que trazem novidades principalmente no começo (a pré-história) e no fim (período atual). “O passado muda tanto quanto o presente”, diverte-se. “Novas análises e descobertas fazem com que ele esteja sempre sendo reescrito”. A continuação da conversa entrará no ainda nesta semana.

Parte 2:

Parte 3:

Video

POLÍTICA EXTERNA PETISTA

Autor(es): Demétrio Magnoli
O Estado de S. Paulo - 31/01/2013
 
Lula sabe mais que os "intelectuais progressistas" reu­nidos em seu insti­tuto para, nas pala­vras do assessor Luiz Dulci, "definir um plano de trabalho para o desenvolvimen­to e integraÇão" da América Lati­na. Há muito reduzidos à condi­ção de intelectuais palacianos, os convidados celebraram os "avanços" na integração regio­nal e a miraculosa clarividência do ex-presidente. O anfitrião, contudo, pediu-lhes algo dife­rente da bajulação habitual: a formulação de uma "doutrina" da integração latino-americana. No 11.° ano de poder lulista, o pedido traz implícito o reconhe­cimento de um fracasso estron­doso de política externa - e da crise regional que se avizinha. "Não tem explicação, depois de mais de 500 anos, eu inaugu­rar a primeira ponte entre Bra­sil e Bolívia; não tem explicação, depois de mais de 500 anos, eu inaugurar a primeira ponte en­tre Brasil e Peru", proclamou o ex-presidente, sem ser corrigi­do por nenhum dos intelectuais que decoravam o ambiente. O trem inaugural da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré che­gou a Guajará-Mirim em abril de 1912. Os presidentes Café Fi­lho e Paz Estenssoro inaugura­ram a Estrada de Ferro Brasil- Bolívia, em Santa Cruz de La Sierra, em janeiro de, 1955. A Ponte da Amizade, sobre o Rio Paraná, uma ousada obra de en­genharia, foi inaugurada em 1965, conectando o Paraguai às rodovias brasileiras e ao Porto de Paranaguá. As pontes que Lu­la inaugurou estavam previstas na Iniciativa para a Integração da Infraestrutura Regional Sul-Americana (IIRSA), aprovada na conferência de chefes de Es­tado de Brasília, em 2000, no governo FHC. De lá para cá, sob o lulismo, integração regional converteu-se em eufemismo pa­ra alianças políticas entre governantes "progressistas". Desde 2003, com a nomea­ção de Marco Aurélio Garcia co­mo assessor especial da Presi­dência, a política brasileira pa­ra a América Latina foi transfe­rida da alçada do Itamaraty para a do lulopetismo, impregnan­do-se de reminiscêricias políti­cas antiamericanas, terceiro-mundistas e castristas. O co­quetel conduziu-nos ao irnpasse atual, que Lula é capaz de identificar mesmo se tenta disfarçá-lo pelo recurso à bazófia autocongratulatória. A "Doutrina Garcia" rejeita a ideia de livre-comércio, que fun­cionou como pilar original do Mercosul. A Argentina dos Kirchners aproveitou-se disso para violar sistematicamente as regras do Mercosul, desmontando o edifício da zona de livre-comércio. No seu instituto, Lula denunciou a "preocupação maior de relação preferencial com os EUA ou com a Europa ou com qualquer um, menos entre nós mesmos". Entretanto, na celebrada última década, a América Latina não aprofundou o comércio intrarregional, limitando-se a estabelecer uma "relação preferencial" com a China, que absorve nossas ex­portações de commodities. O primitivismo ideológico impe­de até mesmo a conclusão de um tratado comercial Brasil-México, elemento indispensá­vel em qualquer projeto de inte­gração latino-americana. A "Doutrina Garcia" acalenta a utopia de uma integração im­pulsionada por investimentos estatais e de grandes empresas financiadas por recursos públi­cos. Contudo a estratégia de ex­pansão regional do "capitalis­mo de Estado" brasileiro esbar­rou nas resistências nacionalistas de argentinos, bolivianos e equatorianos, que assestaram sucessivos golpes em negócios conduzidos pela Petrobrás e por construtoras beneficiadas por empréstimos privilegiados do BNDES. Numa dessas amar­gas ironias da História, o espec­tro do "imperialismo brasilei­ro" reemergiu como acusação dirigida por líderes latino-americanos "progressistas" contra o governo "progressista" de Lula. A "Doutrina Garcia" almeja promover a liderança regional do Brasil, preservar o regime au­toritário cubano e erguer uma barreira geopolítíca entre Améri­ca Latina e EUA. Em busca da primeira meta, o Brasil colidiu com as pretensões concorren­tes da Venezuela de Hugo Chávez, que criou a Aliança Bolivariana das Américas (Alba). A con­corrência entre o lulopetismo e o chavismo paralisa a União de Nações Sul-Americanas (Unasul), esvaziando de conteúdo suas reuniões de cúpula. Em busca das outras duas metas, que compartilha com o chavismo, o Brasil ajudou a converter a Co­munidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) numa ferramenta de prote­ção da ditadura castrista e de des­moralização da Carta Democrá­tica da Organização dos Estados Americanos (OEA). Dias atrás, Cristina Kirchner definiu a as­censão de Cuba à presidência ro­tativa da Celac como o marco de "uma nova época na América La­tina". Ela tem razão: é o fim da curta época na qual os Estados da região levaram a sério seus proclamados compromissos com os direitos humanos e as li­berdades públicas. Distraídos, os intelectuais pa­lacianos nada perceberam, mas a falência da "Doutrina Garcia" foi registrada no radar de Lula. De um lado, abaixo do celofane brilhante da Unasul e da Celac, desenvolve-se um processo que deveria ser batizado como a de­sintegração da América Latina. A principal evidência disso se en­contra na emergência da Alian­ça do Pacífico, uma área de livre-comércio formada sem alarido por México, Colômbia, Chile e Peru, aos quais podem se juntar o Panamá e outros países centro- americanos. De outro, lenta, mas inexoravelmente, desmoro­na a ordem castrista em Cuba, aproxima-se uma incerta transi­ção na Venezuela chavista e dissolve-se o consenso político kirchnerista na Argentina. Quando clama por uma nova "doutrina" da integração latino-americana, o ex-presidente reve­la aguda consciência da encruzilhada em que se colocou a políti­ca externa brasileira. A consciência de um proble­ma é condição necessária, mas não suficiente, para formular suas possíveis soluções. Lula e seu cortejo de intelectuais não encontrarão uma "doutrina" substituta sem lançar ao mar o lastro de anacronismos ideoló­gicos do lulopetismo

Gasolina sobe, Petrobras cai
Autor(es): Ramona Ordoñez, Marcello Corrêa e Bruno Villas Bôas
O Globo - 31/01/2013
 
Mercado reage mal, e ação cai 5% com perda de valor de R$ 12 bi. Alta nos postos chega a 10%

RIO, SÃO PAULO e brasília O reajuste nos preços da gasolina e do diesel, anunciado ontem pela Petrobras, já chegou às bombas, mas não trouxe alívio às ações da empresa, que caíram até mais de 5% na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). De 24 postos de Centro, Barra, Zona Norte e Zona Sul do Rio percorridos pelo GLOBO ontem, dez já reajustaram seus preços entre 2,81% e 10,7%. Em quatro postos, a alta superou os 4% previstos por analistas e pelo próprio ministro da Fazenda, Guido Mantega, ontem. Mesmo nos postos onde não houve ajuste, a expectativa era que o repasse para o consumidor ocorreria em até cinco dias.
Ontem, as ações ordinárias (ON, com direito a voto) da Petrobras caíram 5,12% e as preferenciais (PN, sem voto), 4,76%. Analistas previam uma alta maior no preço dos combustíveis. O reajuste de 6,6% na gasolina e de 5,4% no diesel, nas refinarias, vai reforçar o caixa da Petrobras em R$ 540 milhões por mês, preveem especialistas, porém será insuficiente para cobrir a defasagem entre os preços no mercado interno e os praticados no exterior.
Para o Centro Brasileiro de Infra Estrutura (CBIE), antes do reajuste a empresa perdia R$ 1,7 bilhão por mês com a defasagem. Agora, o prejuízo será de R$ 1 bilhão. O CBIE estima que, mesmo após o reajuste, a defasagem da gasolina está em 11,2% e a do diesel, em 19,7%.
- O reajuste era muito necessário, mas não veio quanto o mercado esperava, que era entre 7% e 10% - disse Emerson Leite, chefe da área de análise de ações do banco Credit Suisse First Boston, que vê a defasagem da gasolina agora em 13%, e a do diesel, em 24%.
Mercado esperava reajuste maior
Adriano Pires, diretor do CBIE, diz que, de janeiro a novembro de 2012, a Petrobras viu sua receita encolher R$ 18,6 bilhões com a defasagem de preços.
A queda das ações da Petrobras fez a empresa perder, só ontem, R$ 12,5 bilhões em valor de mercado. E influenciou o Ibovespa, principal índice da Bolsa, que fechou em baixa de 1,77%, aos 59.336 pontos.
- Além de o reajuste ter vindo abaixo do que esperava o mercado, a expectativa é que não ocorram novos aumentos este ano. Por isso, o mercado reagiu negativamente - diz Luís Gustavo Pereira, estrategista da Futura corretora.
Segundo o Citibank, o reajuste dos combustíveis vai elevar em R$ 4,3 bilhões o lucro da Petrobras em 2013. Em relatório, os analistas Pedro Medeiros e Fernando Valle salientaram que o aumento de preços não alivia suficientemente a situação da companhia. A relação entre a dívida e o patrimônio líquido da Petrobras deve subir para 33,2% ao fim do ano, próximo ao limite de 35%, acima do qual a empresa perderia seu grau de investimento ( investment grade ).
frete deve subir 1,53%
Na próxima segunda-feira, a Petrobras vai divulgar os resultados do quarto trimestre de 2012. Os números ainda não terão a influência do reajuste de ontem. Para o Citi, o resultado deve ser de R$ 4,7 bilhões, queda de 15% em relação ao trimestre anterior (R$ 5,5 bilhões).
Para o consumidor, o reajuste da gasolina vai pesar no bolso. O presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis do Município do Rio (Sindicomb), Manuel Fonseca, estima correção entre 4,5% a 5% nos postos:
- O aumento nas bombas será dessa ordem porque, na realidade, as distribuidoras já vinham aumentando seus preços. Os postos só vão repassar.
O corretor de imóveis Sebastião Almeida gasta cerca de R$ 1 mil por mês em combustível. Ontem, ele já pagou mais caro para reabastecer em um posto Ipiranga da Avenida Epitácio Pessoa, na Lagoa, onde a alta foi de 3,45%:
- É uma surpresa desagradável. Foge à nossa previsão de orçamento.
Economistas alertam que a alta da gasolina e do diesel afeta os custos do transporte e será repassada a outros preços. No caso das transportadoras de carga, o reajuste no diesel significará acréscimo de 1,53% no preço dos fretes de longa distância.
- São mais afetados os produtos mais leves, como hortifrutigranjeiros - diz Heron do Carmo, professor de economia da USP.
O empenho do governo em postergar reajustes de preços administrados, pedindo a prefeitos e governadores que adiem para o segundo trimestre a correção das tarifas dos transportes urbanos, pode aliviar as pressões sobre a inflação momentaneamente, observam os especialistas. O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, reafirmou ontem que as tarifas na capital paulista serão reajustas somente em junho. A prefeitura aumentará o subsídio que dá ao setor.
- Vamos oferecer o subsídio necessário para que o reajuste só aconteça em junho - disse Haddad.
Blogs e Colunistas
30/01/2013
 às 20:44

Genoino: punho esquerdo cerrado para o alto, gravata vermelha, têmpera revolucionária e… condenação por corrupção ativa e formação de quadrilha

Vejam esta foto de André Borges, da Folhapress.
 
Ela ilustra reportagem da Folha Online sobre o primeiro dia de trabalho, na Câmara, do deputado condenado por corrupção ativa e formação de quadrilha José Genoino (PT-SP). O texto informa que Genoino distribui abraços, sorrisos e apertos de mão e foi aplaudido. Segundo entendi, por petistas.
Rui Falcão, reconduzido à presidência do PT com o apoio unânime dos mensaleiros, discursou e fez um agradecimento público aos que o antecederam no cargo: o próprio Genoino e Ricardo Berzoini.
É justo. Na gestão de um, fez-se o mensalão; na de outro, o escândalo dos aloprados.
Uma linhagem de bravos!
Por Reinaldo Azevedo

Diferentes, mas tragédias, por Ricardo Noblat

Jorge Viana (PT-AC) enviou uma carta padrão para os 80 demais senadores pedindo o voto deles para se eleger vice-presidente do Senado nesta sexta-feira.
Renan Calheiros (PMDB-AL) nem se deu a esse trabalho. Sem ter dito uma única vez de público até hoje que é candidato, se elegerá com folga presidente do Senado.
E pela segunda vez. Da primeira não chegou a completar os dois anos de mandato. Renunciou para não ser cassado por quebra de decoro. Tremenda quebra!
O lobista de uma empreiteira pagava a pensão da jornalista mãe de uma filha que Renan teve fora do seu casamento. Renan alegou que era pecuarista.
Sua fortuna em gado bastaria para pagar o valor de qualquer pensão. A Polícia Federal descobriu que ele mentiu. Foi denunciado pelo Procurador Geral da República.
“A denúncia que apresentei contra ele é muito consistente”, garantiu o Procurador. Caberá ao Supremo Tribunal Federal acatá-la ou não.


Renan assumirá a presidência do Senado na condição de denunciado por corrupção. Se a denúncia for acatada, presidirá o Senado na condição de processado por corrupção.
A desmoralização do Senado estará completa caso Renan acabe condenado. Ele perderá então a presidência, o mandato de senador, os direitos políticos e talvez a liberdade.
O PMDB é dono da maior bancada de senadores. E também da maior bancada de deputados federais. Daí porque indicará os presidentes do Senado e da Câmara.
É o que manda o regimento interno das duas Casas. Mas nada tem a ver com o regimento o fato de o PMDB indicar políticos suspeitos para o comando do Congresso.
Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) espera colher na próxima segunda-feira uma vitória acachapante para presidente da Câmara. E não importa o apuro em que se meteu.
Um assessor de Henrique era dono da empresa que construía obras para prefeituras do Rio Grande do Norte com dinheiro federal obtido por... Henrique, naturalmente.
O assessor era também tesoureiro do PMDB no Estado. Notas fiscais frias permitiram a Henrique obter da Câmara o ressarcimento de despesas.
Seria mais do que razoável que o PMDB apontasse outros nomes para as presidências do Senado e da Câmara. 
Como não o fez, esperava-se que os demais partidos se recusassem a votar em Renan e em Henrique dado que se preocupam com a reputação do Congresso.
Mas quem disse que se preocupam? Quem disse que no lugar do PMDB procederiam de maneira diferente?
Argumentam que as vagas pertencem ao PMDB. É problema dele.
Cinismo puro!
Há tragédias que atraem a atenção coletiva e doem fundo, muito fundo. Santa Maria é um exemplo.
Há outras que quase passam despercebidas e parecem indolores. As eleições no Congresso são um exemplo.
Apesar de diferenças tão expressivas, ambas são tragédias


Que Senado nós queremos? - JOÃO CAPIBERIBE

O GLOBO - 31/01

Mais uma nova legislatura no Senado e a perspectiva de continuidade do mais do mesmo. Pelo andar da carruagem, somente com a criação de uma Frente Suprapartidária de senadores que prezam pelos bons costumes republicanos será possível oxigenar o Senado, acabando com a inércia.
O respaldo recebido dos cidadãos nas urnas é a razão maior para a criação desta Frente de senadores.
O Senado não pode continuar sendo alvo de um jogo de cartas marcadas, que nas últimas legislaturas geraram gestões atrasadas, equivocadas e que resultaram no descrédito da sociedade.
Infelizmente, estamos inertes, observando a banda passar sem questioná-la se está afinada com os anseios do povo ou se irá continuar nos levando ao fundo do poço.
Não podemos mais tolerar antigas práticas e desencontros.
Desde a redemocratização, o Executivo transformou o Legislativo em correia de transmissão dos interesses do Palácio do Planalto.
É preciso restabelecer a soberania do Senado e pôr um ponto final na subordinação. É a hora de nos insubordinarmos.
A construção de uma Frente de Senadores Suprapartidários é o embrião para o resgate da dignidade e da independência da Casa.
Afinal, uma nova Mesa Diretora será eleita quando fevereiro chegar e a primeira tarefa da Frente seria o lançamento de uma candidatura única para fazer frente ao candidato que representa a continuidade de práticas retrógradas.
O momento é oportuno. É hora de construir um novo rumo. 

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

LULA E SUA AMANTE

Já correm mais se sessenta dias que Lula foge , como um diabo da cruz, dos jornalistas. É que a base da profissão de jornalista é essencialmente perguntar. Logo, se encontrar com um jornalista, logo viria a pergunta básica: Lula, o que você acha de Rosemary? Ou do caso policial envolvendo sua ex amante. Ou mesmo: Desde quando, e como começaram o namoro? O que vocês faziam nos intervalos das viagens ao exterior? Você (Lula) sabia das maracutaias de sua amante em relação ao tráfico de influência para corruptos notórios como Gilberto Miranda? E vai por aí. 
No momento em que escrevo, Lula foge. Será que vai conseguir não ser indagado pelo assunto? Afinal todos os brasileiros querem saber. Para ser homem público, o sujeito tem que renunciar boa parte da vida privada. Não tem essa de blindagem. Além do mais, ele vai ser indiciado pela procuradoria geral da república, sobre as afirmações de Marcos Valério sobre seu suposto envolvimento no mensalão. Até as formigas comedoras de jornais sabem que ele sabia. É ou não é, meu amigo Roberto Almeida? Aliás, caro Roberto, se vosmecê se encontrasse com Lula, faria a pergunta que todos os brasileiros fariam? Ou deixava sua profissão de jornalista de lado, falando abobrinhas com ele? Com a palavra meu amigo que ainda acredita na palavra do ex presidente.

ELIO GASPARI



A investigação da Polícia Federal que abriu à visitação o jardim de Rose Noronha, a chefe do escritório da Presidência da República em São Paulo, produziu um mapa para o estudo do patronato companheiro.
Desde o estouro da quadrilha, em novembro passado, 25.11/12, interceptações telefônicas expuseram uma rede de capilés que vão da privataria no porto de Santos à Advocacia Geral da União.
Há nela o caso da Ilha das Cabras, um bem da Viúva, com uns 50 mil metros quadrados, no litoral paulista.
"Cabras” foi concedida ao milionário ex-senador Gilberto Miranda (PMDB-AM). O doutor ganhou o mimo há mais de vinte anos, construiu um heliporto, um deque e ergueu uma mansão.
Em 1995, a propriedade foi avaliada em R$ 10 milhões e, desde então, o Ministério Público contesta o usufruto desse paraíso particular.
O doutor batalha pela sua ilha. Conseguiu até uma lei da Assembleia Legislativa, mas o então governador Mário Covas vetou-a.
Nos últimos anos recorreu ao companheiro Paulo Vieira, diretor da Agência Nacional de Águas, flor do jardim de Rose, que, por sua vez, estava na rede de amigos do comissário José Dirceu e de Nosso Guia.
Em abril passado Miranda preocupou-se com sua posse, que precisava de um parecer da Advocacia Geral da União: “Nós estamos perdendo”, mas Vieira tranquilizou-o: “Por que você exige tanto do pobre de mim?... Relaxa, homem, relaxa que vai dar certo.”
Em maio, quando o Supremo Tribunal Federal preparava o julgamento dos mensaleiros, Vieira propusera a Rose “parar o Brasil”: “O julgamento é político e que eles (ministros do STF) não vão sair de lá ilesos (...) o negócio agora é tumultuar o processo.”
Gilberto Miranda, pedia a Vieira “um tiro de canhão” para garantir-lhe a Ilha das Cabras. Segundo Rose, a essa época o donatário ajudava a aliviar os penares do comissário José Dirceu, oferecendo-lhe ajuda de advogados.
Quando estava em Brasília, Miranda celebrizou-se pela generosidade com que emprestava seus jatinhos. Os repórteres Fausto Macedo e Bruno Boghossian acabam de revelar trechos de telefonemas de um assessor de José Dirceu para Gilberto Miranda no dia 9 de novembro passado:
“O Zé não estava querendo descer lá no Santos Dumont, entende? Cinco horas da tarde é um problema porque ele vai chegar lá às 18:40, é um problema...” Mais adiante: “Não tem ninguém domingo às 9h30m, não tem ninguém no Santos Dumont.”
Uma mordomia aérea jogou o comissário no registro de uma trama em que não precisava ter entrado. No dia 14, Vieira recebeu um telefonema do braço direito do Advogado Geral da União: “Consegui.” Em seguida, ligou para Miranda: “Tá sentado? Você não sabe da maior. O consultor da União modificou e se manifestou a favor nosso, tá?”
De fato, um novo parecer atendera aos seus interesses. Nesse mesmo dia Dirceu precisava de outro avião, mas o do ex-senador estava indisponível.
Nos dias 19 e 21, Paulo Vieira contaria que Rose pedira emprestados R$ 650 mil em dinheiro porque “comprou um apartamento novo em Higienópolis”.
Na manhã do dia 23, o advogado-geral adjunto da União, José Weber Holanda, acordou seu chefe, Luis Inácio Adams: “Eu estou com uma busca e apreensão na minha casa, da Polícia Federal. (...) Estão vasculhando tudo.” Seria “alguma coisa ligada com a ilha das Cabras.”

Elio Gaspari é jornalista

REINALDO AZEVEDO



29/01/2013
 às 22:19

Gurgel: acusação contra Lula vai ao MP esta semana

Na VEJA.com:
O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, afirmou nesta terça que poderá remeter ainda nesta semana para o Ministério Público que atua na Justiça de Primeira Instância as acusações do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
“Acredito que isso será feito nos próximos dias”, afirmou. “Estou apenas concluindo a análise para que possa efetivamente verificar se não há qualquer pessoa com prerrogativa de foro envolvida e, em não havendo, como o ex-presidente já não detém essa prerrogativa, a hipótese será de envio à Procuradoria da República em primeiro grau”, disse. No Brasil, autoridades têm direito à prerrogativa de foro e somente podem ser denunciadas pelo procurador-geral e julgadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Em depoimento prestado em setembro do ano passado, Marcos Valério afirmou que Lula sabia do esquema do mensalão. Na ocasião, o STF estava julgando os acusados de envolvimento com o esquema. Lula não estava entre os réus. Em dezembro, o tribunal concluiu o julgamento e condenou 25 pessoas, entre as quais Marcos Valério e o ex-ministro José Dirceu.
A remessa para a primeira instância do Ministério Público confirma informação publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo que Gurgel decidira, ainda em dezembro, enviar o caso para investigação. Como o próprio Gurgel identificou novidades no depoimento, uma investigação preliminar será aberta.
Por Reinaldo Azevedo

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

PODRIDÃO


O senado ser presidido por Sarney, já é um caso sério de atentado às instituições democráticas, com o intuito de desmoralizar de vez o congresso nacional, base da democracia representativa. Sarney ser substituído por Renan Calheiros, tem sua lógica demoníaca, mas é um duplo absurdo. Tudo isso com a complacência do governo, e pasmem , de parte da oposição, que trocou a eleição de Calheiros pela liberação do ex governador Marcondes Perilo, inimigo figadal de Lula, e outro corrupto, investigado na pífia CPI do jogo, de Carlinhos Cachoeira, que deu em Pizza. O principal motivo foi que, se avançada as investigações, a bomba cairia nos governos Lula e Dilma, principais contratadoras da construtora DELTA, cujo presidente está envolvido até os ossos com Carlinhos Cachoeira, e o governo federal. É tanta a roubalheira, que ficamos desorientados sobretudo com a quantidade das falcatruas. E isto é apenas a ponta do iceberg, como sabemos.

IVO AMARAL E A CORRUPÇÃO


Tive a honra de receber aqui em casa o ex deputado e prefeito de Garanhuns Ivo Amaral. Rimos muito, quando disse que, frente a turma do PT, os membros da antiga ARENA, partido de sustentação da ditadura militar, eram uns santos. E eram mesmo. O próprio Ivo é um homem  de classe média, e mora na mesma casa em Garanhuns, há décadas. 
Comparando a qualidade dos políticos com os do passado, sobretudo na câmara de vereadores na década de cinquenta, apontava médicos, comerciantes e profissionais liberais afins, como homens bem mais qualificados do que os de hoje, que, segundo Ivo, só pensam em dinheiro e cargos para roubar simplesmente, ou comprar votos. E naquela época, vereadores não ganhavam quase nada, e as reuniões eram realizadas à noite, no fim dos expedientes oriundos das atividades profissionais dos mesmos. Antonio de Andrade, Usaid Canuto, Aloísio Souto Pinto, Luís Pereira Júnior, Fausto Souto Maior e outros, segundo Ivo eram eleitos pelos partidos, que os escolhiam antecipadamente, ressaltando suas qualidades não só profissionais, mas sobretudo intelectuais. 
Meu saudoso tio, Rildo Souto Maior, destacado comunista do estado, que fez o primeiro acordo no campo do Brasil, em Palmares, juntamente com Gregório Bezerra, e o jovem Roberto Freire, me dizia que o primeiro livro falando em comunismo, lhe foi presenteado pelo meu avô paterno , Luís Pereira Júnior. O livro foi a Utopia de Thomas Morus. Segundo Tio Rildo, os "vereadores tinham lá suas veleidades intelectuais". Hoje, um bando de analfabetos, com raras exceções. O meu outro avô que foi vereador, foi Fausto Souto Maior. Comerciante bem sucedido no ramo de tecidos e confecções, foi orgulhosamente um grande rábula, advogado sem formação acadêmica, que se orgulhava de ser um dos homens de confiança de Agamenon Magalhães na região, o homem de Getúlio Vargas no Estado, imbatível eleitoralmente, e, tal qual Getúlio um dos pensadores do nacionalismo getulista. Vovô sempre se orgulhou de ser um dos homens sempre recebidos prontamente pelo governador e líder político estadual. Era um homem sério, comedido, de fala mansa, um intelectual orgânico das elites políticas regionais do seu tempo.
Desejo a Ivo, e toda a sua alegre e brilhante família, muitos anos de vida. Garanhuns lhe deve uma justa homenagem na chagada de seus oitenta anos. Quem for contra não passa de um imbecil e desmemoriado. 

AVALIAÇÃO DA EDUCAÇÃO SUPERIOR BRASILEIRA


O Estado de S. Paulo - 29/01/2013
 

Em todo o mundo a avaliação de processos, produtos e serviços, no que se refere à análise do desempenho e da relação com consumidores ou usuários, faz parte das preocupações de qualquer empresa, instituição ou órgão público. Trata-se de uma ação de melhoria contínua, e não de uma medida com finalidade punitiva.
No Brasil, por preceito constitucional, cabe ao Estado autorizar e avaliar a qualidade dos cursos superiores. E aqui, na prática, o que se constata éuma inversão da lógica do processo avalia-tivo, que não leva em conta o ob-jetivo principal de aperfeiçoamento que deveria orientar qualquer ação desenvolvida nesse sentido e se torna meramente punitiva.
A avaliação educacional é questão de extrema complexidade. Nela coexistem muitas diferentes realidades, que precisam ser amplamente averiguadas para que qualquer ponderação levada a efeito possa cumprir a sua finalidade.
A "Lei do Sinaes" - que instituiu o Sistema Nacional de Avaliação do Ensino Superior e estabeleceu os princípios, normatizou e disciplinou a matéria  foi sábia ao determinar que a avaliação da educação superior atentasse para alguns aspectos fundamentais diversidade dé instituições de ensino superior (IES); diferenças regionais; variação de tipologias e de metodologias usadas; desigualdades econômica, social e cultural dos estudantes, dentre outras espe-cificidades. A lei determinou, ainda, que os procedimentos deveriam envolver a auto avaliação das IES, além da avaliação extema realizada pelo Ministério da Educação (MEC) e o Exame Nacional de Desempenho de Estudantes Enade").
Mas, considerando que existem mais de 2.300 instituições de ensino superior distribuídas pelo País afora, com uma oferta de cerca de 30 mil cursos e mais de 6,7 milhões de estudantes, a realidade é que o MEC não tem condições de avaliar os cursos conforme determina a lei, mesmo acionando uma média de 10 mil cursos por ano.
Esse fato nunca foi explicado convenientemente à sociedade. A população não sabe que para vencer o desafio de avaliar esse grande número de cursos os técnicos do MEC precisaram encontrar uma alternativa com o objetivo de facilitar a operação. Baseando-se no modelo estatístico de distribuição normal dos resultados (a Curva de Gauss) - que quantifica com notas de 1 a 5 os grandes grupos populacionais e ordena os resultados melhores com as notas 4 e 5 (20%), os piores com notas 1 e 2 (20%) e os medianos com nota 3 (60%) -, o MEC criou o Conceito Preliminar de Curso (CPC), indicador provisório que, por meio de uma fórmula, sinaliza que só os cursos com piores notas (1 e 2) devem receber á avaliação in loco.
Em razão disso, o MEC criou também o índice Geral de Cursos (IGC) - média ponderada das notas dos CPCs e dos cursos de pós-graduação de cada instituição, para indicar as IES com notas 1 e 2 que deveriam ser efetivamente avaliadas posteriormente por uma comissão presencial. No decorrer do tempo, entretanto, esses índices provisórios se tornaram definitivos.
E o péssimo de tudo isso é que a divulgação dos resultados pela mídia, sem esclarecer o mecanismo da medida, classifica as IES pelos seus ICGs, que são somas de conceitos preliminares, e não conclusivos.
O fato é que a verdade sobre essa solução criativa encontrada pelo MEC para diminuir em 70% o seu trabalho nunca foi mostrada. Simplesmente se omite da sociedade que se trata de uma estratégia adotada diante da impossibilidade de se aplicar a lei.
É preocupante, portanto, que um arranjo matemático - baseado principalmente na nota do Enade, um exame de quatro horas de duração, com o qual os estudantes não têm compromisso algum sobre os resultados -esteja sendo aplicado para avaliar os cursos superiores brasileiros. O que seria apenas um exame para conhecer o que o aluno aprendeu em quatro anos é reformatado para apontar os cursos que não teriam bom desempenho. E esses índices provisórios é que estão valendo para qualificar as instituições de ensino superior brasileiras.
E importante acrescentar que o critério do ranking criado por essa prática também não é justo, tendo em vista que privilegia as instituições que recebem os melhores alunos, oriundos da rede privada de educação básica e que têm a possibilidade de estudar no período diurno, em detrimento dos alunos que estudam à noite e precisam conciliar os seus estudos com uma árduajor-nada de trabalho.
A lógica do ranking impede, por exemplo, que se estabeleça uma meta na quantidade de doutores a contratar. Isso porque, mesmo que as IES atinjam essa meta, sua posição no ranking dependerá do que as outras instituições fizerem. Afinal, qual é a porcentagem de doutores que uma instituição deve ter? Pela lógica gaussiana, não existe essa meta, é preciso estar acima das demais, ou seja, o resultado final de uma instituição de ensino superior depende do que ocorrer no segmento como um todo.
Nenhuma instituição educacional é contra a avaliação, mas, sim, contra métodos superficiais, nos quais indicadores frágeis se tomaram verdades absolutas, e são capazes de penalizar de maneira irreversível as instituições de ensino e os seus alunos.
O MEC precisa sintonizar-se com a modernidade e perceber que o propósito de qualquer avaliação é promover a melhoria contínua das instituições. A avaliação, acima de tudo, é um processo pedagógico que visa a maximizar a qualidade dos recursos humanos formados pelas instituições educacionais. Avaliar com base num único indicador, sujeito a imperfeições, é incorrer na prática inadmissível do pré-conceito. Neste contexto, precisa recon

domingo, 27 de janeiro de 2013

MUDOU SIM, E NÃO FUNCIONA


Mudou, sim. E não funciona

25 de janeiro de 2013 
Autor: Carlos Alberto Sardenberg
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Trata-se de uma quase unanimidade. Tirante os economistas do Banco Central, praticamente todos os demais acham que a inflação brasileira não alcança a meta oficial (4,5%, pelo IPCA, índice do IBGE) nem neste ano, nem no próximo, nem sabe-se lá quando.
Mas depois desse consenso, as opiniões começam a se dividir. Uma turma acha que isso é grave, que não se pode brincar com a inflação no Brasil e que a alta de preços é um imposto contra os mais pobres. Aliás, a inflação das famílias mais pobres está mais elevada do que a dos ricos.
Outra turma, dos economistas do governo ou aliados, acha que não tem nada demais numa inflação de 6,5% ao ano, número que estaria dentro da meta. Não é bem assim. Convém explicar: a meta, fixada pelo Conselho Monetário Nacional, é de 4,5% ao ano. Admite uma margem de tolerância (ou de erro, se quiserem) de dois pontos abaixo ou acima, isso para situações excepcionais, fora do controle do Banco Central.
Mas três anos seguidos com inflação na média de 6% ao ano não podem ser chamados de excepcionais. Pelos dados divulgados ontem pelo IBGE, a inflação corrente subiu de novo para os 6%. Ou seja, este é o ritmo de alta de preços no Brasil, acima da meta, abusando da margem de tolerância.
E isso apesar dos truques, como aquele, quase permanente, de segurar o preço da gasolina e outro, mais recente, de acertar com os prefeitos do Rio e São Paulo o adiamento do reajuste das tarifas de ônibus, previsto para este mês. No primeiro caso, estraga as contas da Petrobrás. No segundo, das prefeituras. É a maldição: em política econômica, toda gambiarra gera uma contra-gambiarra.
Mas todo esse debate poderia ser resolvido de modo muito fácil, dizem aliados do governo. Basta dizer que a meta de inflação agora é de até 6,5%. Mesma coisa que esses mesmos economistas estão propondo para o superávit primário. Em vez de o governo roubar nas contas para atingi-lo, basta reduzir o alvo.
Por que o governo não fez isso?
Reparem que é o mesmo padrão no caso do dólar, tratado aqui na semana passada. Todo mundo sabe que o real foi deliberadamente desvalorizado pelo governo e que a cotação agora varia numa banda de R$ 2,00 a 2,10 por dólar. De novo, críticos e aliados da presidente Dilma concordam nessa constatação, os primeiros, claro, achando errado, os segundos, certo. Mas o governo jura que não tem banda e sim uma clássica de taxa de câmbio flutuante.
É a maldição: em política econômica, toda gambiarra gera uma contra-gambiarra
Economistas ligados à linha desenvolvimentista (alguns preferem neo-desenvolvimentismo, sabe-se lá por que) sempre sustentaram que um país emergente terá inflação mais alta que os desenvolvidos e estáveis. Não haveria problema com alta de preços de 10% ou até 15% ao ano, se esse fosse o custo para uma expansão acelerada. Mais inflação em troca de mais crescimento, tal é o mote.
Acrescentam-se a essa receita a moeda desvalorizada e gastos públicos elevados.
Se o governo Dilma não está fazendo isso, então faz algo muito parecido. Mais ainda: havia mesmo a expectativa de que a presidente fosse pouco a pouco alterando os parâmetros da política econômica herdados da era FHC e que haviam sido mantidos por Lula por necessidade e não por convicção.
Assim, resultam duas possibilidades. Ou a política não mudou, apenas estaria sendo, digamos, mal executada. Ou mudou e o governo não quer admitir isso para não criar expectativas negativas, sobretudo lá fora, ou porque a mudança não está funcionando.
Afinal, temos inflação elevada e baixíssimo crescimento. O governo aumenta seus gastos e as obras não aparecem. O real foi desvalorizado, mas as importações crescem e os brasileiros continuam torrando dólares lá fora (US$ 22 bilhões no ano passado!).
Até aqui pelo menos, os fatos dizem o seguinte: a política mudou e não deu certo. Que fazer? Voltar ao padrão clássico ou aumentar a aposta neodesenvolvimentista?
Pode ser também que o governo não tenha uma política, mas apenas alvos. E cada vez que atira em um, acerta no que não devia. Um exemplo da hora: a redução das tarifas de energia vai estimular famílias e empresas a consumir mais, lógico. Isso em um momento em que os reservatórios das hidrelétricas, a energia mais barata, estão em ponto crítico, exigindo o auxílio das usinas termoelétricas, mais caras. O processo ainda retira recursos das companhias hidrelétricas, diminuindo sua capacidade de investir em novas fontes.
O pior de tudo é que o Brasil já viu isso nos anos 70 e 80

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

A CAMPANHA JÁ COMEÇOU


Ao anunciar pomposamente a queda no preço das contas de energia, Dilma já começou sua campanha política. A esta altura, a presidente se preocupa mais com a ambição de Lula em concorrer, do que propriamente seus fracos e desarticulados oposicionistas. Afinal, quem pode ser contra a queda das tarifas? E a presidente numa recaída meio stalinista disse que é impatriótico ser contra, porque não se pode ser contra a nação. Desde já, Dilma e o governo se consideram as encarnações vivas do que seria a nação brasileira. Até parece na ditadura militar, do "ame-o ou deixe-o". Quem for contra é contra o Brasil. Muito bonitinho. E as divergências? E o contraditório? Não pode? Mesmo sabendo-se que a conta indiretamente  é o povo que pagará mesmo. Afinal, em economia não existe almoço grátis.
Seus críticos a acusam de intervencionismo excessivo do governo, e que o mesmo implicaria na quebra de contratos, coisa que o Brasil é recorrente, e por essas e outras a credibilidade do país no exterior ainda é baixa, apesar de pelo menos duas décadas de estabilidade econômica. O setor de energia precisa de muitos ajustes. Usinas eólicas estão prontas, mas faltam cadeias de transmissão. Não  estamos usando como deveríamos energia solar, e vai por aí. No curto prazo, as ações das empresas que fizeram o acordo com o governo despencaram. Sabe-se também que se o país crescesse cerca de cinco por cento ao ano, teríamos racionamentos e apagões. Apagões já estamos tendo. Ou seja, qualquer governo necessita de críticas, e bem fundamentadas. o debate é fundamental na construção da democracia, mas essa gente stalinista de nada entende do assunto. A campanha já começou, mas muita água vai rolar por baixo das pontes deste imenso país. Dois anos em política pode parecer uma eternidade, pois como as nuvens, a politica sempre muda, tal a sua dinâmica. 
O país investe mal e pouco. O governo mente deslavadamente nas estatísticas, sobretudo com as discrepâncias entre o prometido e o realmente realizado. O governo também nunca fez quaisquer tipo de reformas, mas o povão não está nem aí para estas questões. Só que não há perspectiva de grande crescimento para os próximos anos, e o país não sai do lugar na educação, e piora na saúde onde a corrupção e a politicagem também campeiam. Ou seja, os problemas existem a são inúmeros. Ademais, as eleições brasileiras nunca foram exatamente fáceis, pois quase a metade dos eleitores nunca votaram no petismo. Como  Fernando Henrique, o PT e Lula nunca ganharam no primeiro turno. Ou seja, tudo pode acontecer, inclusive nada, ou seja. Dilma sendo reeleita, e aí teremos mais quatro anos de paralisia. Ou, o nada do nada.

PERNAMBUCO

Só terá eleições se Armando for candidato contra Eduardo, o pretenso ACM de Pernambuco. Se el governador apoiar um poste, pode perder. Desde já voto contra, pois Pernambuco precisa de outros atores, ou seja, de mais e novo oxigênio. Sem essa de novos coronéis. Abaixo o adesismo. Eduardo vai ser candidato a presidente? Não creio, só com uma verdadeira hecatombre política e econômica. Provavelmente Eduardo vai para o senado, e ser liderado por gente como Sarney, ou mesmo Renan Calheiros. É. O congresso chegou mesmo ao fundo do poço. Até quando? Já a candidatura a                                   vice presidência ficará com o PMDB. Dilma e Lula gostam muito dessa gente. Aliás, são ,irmãos siameses.
Contra Eduardo, o PT tem dois aliados miseráveis dentro do PSB. Ciro Gomes, que certa vez mandou Eduardo Campos ler mais, e o irmão Cid, governador do Ceará, novo feudo político dos irmãos Gomes. Também tem os precatórios cujo relatório do banco central é contundente na listagem de maracutaias perpetradas por Eduardo Campos, quando secretário da fazenda do avô Arraes, então governador do estado. Numa campanha presidencial nada escapa. Quem tiver rabo de palha não toque fogo no dos outros. E, como milhares de políticos tupiniquins, Eduardo tem um grande rabão de palha. Que sabe esconder até direitinho. Acho que aprendeu com Inocêncio Oliveira, que ainda deve sonhar com o senado. Já dizia o senador potiguar, Dinarte Mariz, mais ou menos assim." Se o céu existir, deve ser melhor do que o senado". Haja mordomias e corrupção, com Renan e Sarney, o senado já está também há anos literalmente no fundo do poço. 

O país é de todos


O país é de todos

A mensagem da parte final da fala da presidente Dilma Rousseff lembrou o princípio usado na propaganda oficial do governo Médici. Confundiu crítica, ou análise que contrarie o discurso oficial, com falta de amor à pátria. Misturou governo e nação. Como sabem os que combateram o regime, entre eles a própria presidente, governos são sempre temporários e não são a encarnação do país.
Discordar de uma decisão governamental, apontar riscos, não é torcer contra. Só governos de índole autoritária fazem esse tipo de interpretação. Se esse for o tom da campanha da presidente por mais um mandato será lamentável.
Convocar rede nacional de TV e rádio para o início extemporâneo de campanha eleitoral é irregular. A rede está à disposição do governante para assuntos de interesse coletivo e para informações úteis para a população. Convocá-la para anunciar a queda do preço da energia faz sentido, o que transformou a natureza do pronunciamento foi o tom escolhido pelo marqueteiro da presidente, na segunda metade do texto lido por ela, de ataque a todos os que não cultuam o governo. Seria, segundo diz a peça publicitária, coisa de gente sem fé no Brasil.
A primeira parte foi apresentação entusiasmada da sua visão da conjuntura, o que é normal. Depois, virou palanque fora de época. Mas, por uma questão de método, nenhum gestor, público ou privado, deve acreditar na inexistência de risco de curto, médio e longo prazos em qualquer projeto.
A queda do preço da energia tem o benéfico efeito de reduzir o custo das empresas, aumentando a competitividade do país, e de diminuir o peso da luz no orçamento das famílias. Ótimo. O problema é que a medida teria que vir com uma campanha de redução do consumo, porque neste exato momento o baixo nível dos reservatórios está exigindo o uso das térmicas que encarecem a energia. Portanto, quanto maior for a demanda, mais alta fica a conta a ser paga mais tarde. Se a redução do preço for entendido como um estímulo ao consumo, num momento de escassez, o resultado será o oposto do que busca o programa.
Parte da redução do preço será coberta por recursos do Tesouro, o que, no final das contas, é dinheiro de todos nós. Parte é resultado da antecipação do fim dos contratos com as empresas. A elas foi dado um prazo exíguo e duas opções: permanecer com o mesmo contrato até a sua expiração ou renová-lo por 30 anos com uma indenização pelo investimento ainda não amortizado. Os cálculos do que seria pago às empresas foram abaixo do que se esperava.
Algumas recusaram e isso não as faz inimigas do país, integrantes do pessoal "do contra". Foi uma decisão gerencial. Se o próprio governo ofereceu dois caminhos é porque ambos eram possíveis e tinham perdas e ganhos. A maioria das que aceitaram a fórmula do governo é de estatais federais.
Há vários fios desencapados no setor de energia e seria bom se o governo tivesse uma atitude mais sóbria em relação ao tema. O atraso nas linhas de transmissão, principalmente as que estão sob a responsabilidade da Chesf, é uma das inúmeras frentes de trabalho. O setor de transmissão precisa de muito mais investimento para renovação das linhas e modernização de sistemas obsoletos. As empresas têm que investir mais, e a maneira como foi conduzido esse programa as descapitalizou. A queda das ações torna difícil buscar recursos no mercado de capitais e limita o endividamento. As hidrelétricas construídas muito longe dos centros de consumo exigirão um enorme esforço para não se reproduzir, em grande escala, o que está acontecendo com os parques eólicos: começarem a gerar antes de estarem prontas as linhas de transmissão. O custo total para o país de não usar os parques eólicos pode chegar a R$ 1 bilhão.
Há dentro do governo relatórios alertando para vários desses riscos. De vez em quando a imprensa consegue capturar um. Ou há gente "do contra" infiltrada ou o governo deveria avaliar esses alertas internos com mais atenção. Há fatos intrigando especialistas ouvidos pelo governo que podem indicar que há sistemas de previsão internos que precisam ser aperfeiçoados. Tudo isso deveria estar sendo analisado com cuidado. Mas o governo preferiu transformar a energia em bandeira política e entregou o tema ao maniqueísmo próprio dos marqueteiros das campanhas eleitorais.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

O CORDÃO DO ENCARNADO Dora Kramer


O ex-presidente Luiz Inácio da Silva usurpa o poder de suas criaturas, é o que se diz sobre seus movimentos de interferência explícita no governo Dilma Rousseff e nos primeiros acordes da administração Fernando Haddad na Prefeitura de São Paulo.

Lula é alvo de toda sorte de críticas por desenhá-los como meras marionetes e tentar exercer de fato um poder que de direito não possui.

Não foi eleito, portanto não tem razão para se reunir com a equipe de Haddad para "traçar diretrizes". Não recebeu delegação presidencial para atuar como coordenador e, no entanto, age como se fosse a eminência mais nítida do governo federal. 

Isso é o que parece; não necessariamente é o que acontece. 

Primeiro, porque Dilma e Haddad detêm o poder de direito, estão lá sentados nas cadeiras que lhes couberam por candidaturas ungidas pelo criador e corroboradas pelo eleitor. Isso ninguém lhes tira. 

Segundo, porque têm a perfeita noção de que estão à frente de duas importantes trincheiras de um projeto partidário cujo condutor é Lula. Estão - todos os participantes dessa "marcha" - pouco ligando para essas formalidades que assombram analistas da cena política. Querem mais é que o chefe suba ao palco. Quanto mais o ex-presidente exercita suas artes de atrair todas as atenções, menos o PT precisa tratar de seus problemas com a ética e com (a falta de) resultados concretos de sua gestão federal. O debate nacional se desvia dos problemas reais para uma questão surreal. 

É como disse o ex-secretário geral da Presidência Luiz Dulci: "A movimentação de Lula é natural e desejável para o PT". 

Até semana passada, crescia o debate sobre inflação, investimentos, fornecimento de energia, maquiagem de dados das contas governamentais, PIB pífio, excesso de interferência estatal na economia, reclamações de políticos e empresários, construção de alternativas eleitorais para 2014.

Até a reunião com a equipe de Haddad para produzir fotografia passível de gerar análises sobre a interferência de Lula, o PT ainda enfrentava rescaldo do julgamento do mensalão, graças à iniciativa da juventude petista de promover "jantar vaquinha" para ajudar a pagar as multas dos condenados. Como se José Dirceu, por exemplo, precisasse de auxílio para juntar R$ 676 mil.

Até então Lula estava calado, fugindo de jornalistas por lavanderias de hotel para não comentar as acusações contra sua protegida Rosemary Noronha e o depoimento de Marcos Valério à Procuradoria-Geral da República, que ensejou pedido de abertura de investigação contra o ex-presidente no esquema posto a nu pelo Supremo Tribunal Federal. 

Nos últimos dias a pauta mudou: são os encontros de Lula com secretários, aconselhamentos de Lula para Dilma mudar o rumo do governo, anúncios de reuniões dele com ministros, a caravana de Lula País afora, a conversa de Lula com a presidente nesta sexta-feira, o papel de Lula como articulador da base no Congresso, a inadequação da conduta de Lula, enfim, uma virada de agenda com Lula ao centro em seu mais confortável papel.

Critica-se o ex-presidente por não "desencarnar"do cargo como havia prometido, levantam-se bandeiras em defesa da autonomia de Dilma, aceitam-se versões de que ela estaria desolada com essa interferência e, assim, cumpre-se exatamente o roteiro que interessa a Lula, ao Planalto e ao PT: fazer do ex-presidente o centro de tudo, privilegiando o acessório (as andanças dele) em detrimento do principal (as questões éticas e administrativas em aberto). 

O truque não é novo, mas continua eficaz porque há quem caia nele: por vontade ou falha de percepção. Resta conferir o efeito da realidade adiante sobre o prazo de validade desse tipo de dom de iludir a quem se dispõe a ceder às artimanhas do ilusionismo.