terça-feira, 23 de agosto de 2016

GUTEN MORGEN 10: NÃO É VOCÊ QUE PENSA O QUE PENSA – GEORGE SOROS PENSA POR VOCÊ - FLÁVIO MORGENSTERN

Enquanto todos acreditam ter chego sozinhos às suas conclusões sobre aborto, desarmamento etc, George Soros faz o mundo pensar como ele quer.
Facebooktwittermail
Na décima edição do Guten Morgen, o podcast do Senso Incomum, fizemos um apanhado especial sobre os vazamentos da Open Society, de Goerge Soros. Talvez este tenha sido o acontecimento mais importante da década, mas como ele afeta diretamente a imprensa mundial, incluindo a brasileira, pouco ou, em nosso país, nada se falou sobre o caso.
Houve uma mudança de mentalidade gritante nas últimas décadas. Quem tem mais de 25 anos sabe que as preocupações que agitavam jovens, analistas políticos e intelectuais há cerca de 15 ou 20 anos eram completamente diferentes das de hoje.
As inquietações modernas atendem por nomes terminados em -ismos, e hoje é consenso que a grande luta deve ser por causas como o feminismo, ou lutas anti-racismo, machismo e homofobia. O “politicamente correto” não precisa necessariamente dizer seu nome, mas é a tônica de nossos discursos. Causas como a legalização do aborto, o casamento gay, o desarmamento e a superação da família tradicional já são debatidas abertamente pela sociedade.
A interpretação de tais mudanças é de uma marcha inexorável de idéias progressistas da própria História, livrando-se de pensamentos conservadores, obscurantistas e ultrapassadas.
Mas como se deu a interconexão global de tal mentalidade? Será que apenas a forma da internet, com seu pouco público leitor, foi capaz de causar mudanças tão repentinas em lugares tão distintos quanto Brasil e América, Áustria e México, Nova Zelândia e Suécia?
Nesta semana, o maior promotor de tais políticas no mundo, o mega-investidor George Soros, teve contas de sua fundação, a Open Society, hackeadas. O vazamento não surpreendeu ninguém que estuda o globalismo, que já analisamos aqui no caso Brexit. Entretanto, o termo ainda nem é conhecido no Brasil, sendo confundido, por exemplo, com “globalização” (quase o seu oposto) ou com o velho socialismo, ou apenas com a ONU.
Figura pouco (ou nada) conhecida no Brasil, George Soros financia pesquisas, faz lobby em organismos internacionais, dá dinheiro para revoltas e revoluções nos quatro cantos do mundo, é praticamente criador do Fórum Econômico Mundial e consegue mudar toda a mentalidade de jornalistas a estudantes adolescentes para pensar exatamente como ele quer.
Neste podcast, talvez nosso mais importante episódio até o momento, entenderemos o básico que precisamos entender para saber por que o mundo atual pensa desta forma. Todos parecem se considerar críticos, mas quase ninguém sabe explicar de onde vêm suas próprias idéias. Boa parte delas tem uma origem icônica: George Soros.
Sobretudo: quem serve a George Soros e recebe dinheiro dele no Brasil?
Ouçam e divulguem – não esqueçam de assinar nosso feed e serem nossos patrões pelo Patreon!
A produção é de Filipe Trielli no estúdio Panela Produtora.
Contribua para manter o Senso Incomum no ar sendo nosso patrão através do Patreon
Não perca nossas análises culturais e políticas curtindo nossa página no Facebook 
E espalhe novos pensamentos seguindo nosso perfil no Twitter: @sensoinc

Diário do Olavo: metafísica, Deus, milagres, debates e argumentos

de
21/08
Alguns sábios materialistas e seus devotos admiradores facebookianos são tão IMBECIS E ILETRADOS que imaginam que, para impugnar um milagre, basta levantar a hipótese de que o mesmo efeito poderia ser obtido "por meios naturais". Mesmo admitindo-se que em muitos casos poderia realmente, o problema obviamente não é esse, é saber se esse meio natural poderia consistir -- como consistiu no feito miraculoso -- de simples palavras ditas a uma entidade invisível e até supostamente inexistente. O milagre não consiste em separar as águas, o que pode ser feito, na hipótese de uma engenharia avançadíssima, por meio de um duplo dique. O milagre está em separá-las sem dique nenhum e por meio de simples palavras.

O milagre não reside no efeito em si e sim no meio empregado para obtê-lo. Se esse meio é, POR DEFINIÇÃO, inalcançável por qualquer ciência humana presente ou futura, existente ou por existir, o feito é miraculoso e ponto final: não porque a ciência "ainda" não tenha explicação para ele e sim porque, mesmo se a tivesse, isso não a habilitaria a produzi-lo pelos mesmos meios empregados pelo operador do milagre. O sujeito que aprende "método científico" sem ter idéia dos seus fundamentos lógicos aplica-o como quem quisesse consertar um relógio de pulso com um martelo de borracheiro.
20/08
Milagre é uma ação que transcende, de maneira definitiva e irremediável, as possibilidades humanas, não tal ou qual estágio do desenvolvimento científico.

Por exemplo, trazer um morto de volta à vida. Talvez a ciência possa fazê-lo algum dia, porém jamais, em hipótese alguma sem nenhuma intervenção material no cadáver e por meio de uma simples ordem proferida em voz alta. Isso não transcende "as possibilidades da ciência atual", mas de toda e qualquer ciência humana concebível pelos séculos dos séculos. Não se trata de uma impossibilidade relativa, mas de uma impossibilidade lógica absoluta, derivada da pura e simples autocontradição.
*
Quem define os milagres como "fenômenos que a ciência não consegue explicar", quer o faça para confirmá-los ou para negá-los, é um BURRO, talvez em caráter vitalício e irremediável. Nenhum fato ou fenômeno, real ou irreal, pode ser definido pela sua ignorância dele. Quem leva mais de cinco segundos para entender isso é mais burro ainda.
*
Por exemplo, quando o Pe. Pio fez uma menina sem pupilas enxergar, isso não transcende "as possibilidades atuais do conhecimento científico", mas TODA E QUALQUER EXPLICAÇÃO MATERIAL CONCEBÍVEL PELOS SÉCULOS DOS SÉCULOS, porque ele devolveu a ela a visão SEM NENHUMA ALTERAÇÃO ANATOMOFISIOLÓGICA, por mínima que fosse. Isso não prova "uma limitação dos nossos conhecimentos científicos", mas uma LIMITAÇÃO DA ESPÉCIE HUMANA, TRANSCENDIDA POR MEIO DA PRECE. Ponto final.

12/08
Estou revendo o célebre debate entre Christopher Hitchens e William Lane Craig. Os argumentos de Hitchens são pueris e provincianos, mas, como refletem o puerilismo e provincianismo de uma parte da platéia, são bem aceitos e até parecem brilhantes. O fato é que ele não debate nada, pois se mostra INCAPAZ de pensar a tese adversária em si mesma, só já previamente reduzida aos termos dele próprio. É um IDIOTA no sentido estrito da mesmidade fechada.

Ele pode ser muito bom para falar de política, mas em assuntos metafísicos é um principiante metido a besta.
*
A primeira providência ao contestar uma idéia, é apreender o padrão da sua COERÊNCIA INTERNA, pois aquilo que não tem coerência nenhuma também não pode ter contradições. O Hitchens nem de longe percebe isso.
*
Por exemplo, toda noção de pecado só pode ser pensada em função da vida após a morte. Como não consegue conceber essa idéia, ele encara o pecado só do ponto de vista da vida social terrestre, o que, evidentemente, dá à idéia uma aparência absurda. De fato, por que Deus se meteria na nossa vida sexual, se não fosse pelo fato de que um dia teremos de viver sem ela na eternidade? Suprima a vida eterna, e Deus realmente não tem por que se meter na nossa vidinha sexual.
*
Só cretinos acreditam que a filosofia é uma coisa para quem “gosta de argumentos abstratos”. A própria distinção entre abstrato e concreto é uma questão filosófica, e das mais cabeludas. O trajeto inteiro que leva da percepção sensível aos conceitos abstratos é outra. Descrição e análise constituem o grosso do trabalho filosófico. “Argumentos” vêm muito depois e em geral não dão em nada.
*
Quando me vêm com lindos argumentos abstratos sobre a existência ou inexistência de Deus, respondo: Deus, quer exista ou não exista, é uma Pessoa, uma Individualidade concreta. Nenhum argumento abstrato do mundo pode provar que determinada individualidade existe ou não existe. Procure um método melhor para estudar essa questão.
*
Para mim, só existe um método para resolver a questão da existência ou inexistência de Deus: Vem em duas versões: (1) O método do Pe. Pio: chame Deus e peça-Lhe uma sucessão tão grande de milagres que ultrapasse toda razoabilidade de uma coincidência estatística; (2) O método do dr. Ricardo Castañon: examine uma hóstia em laboratório e prove que não pode ser outra coisa senão o sangue de Cristo. É o método recomendado pelo próprio Cristo em Mateus, 11: 2-6. Não há outro. O mais é divertimento de acadêmicos.

Fabio M Mello Deus é improvável, mas não impossível, mas temos que acreditar em algo na vida. Eu escolho acreditar que Deus existe.
Marcus Vinícius Tarriga Gomes Improvável no conceito científico, que é bastante limitado.
Olavo de Carvalho Ao contrário: a existência de Deus é um problema estritamente científico, não filosófico.
Ely Silveira Professor, e como fica a prova ontológica de Santo Anselmo?
Olavo de Carvalho Ely Silveira Já expliquei anos atrás que não é uma prova, foram os lógicos que a transformaram nisso indevidamente “ex post facto”.
*
Só com argumentos abstratos, você não pode provar nem mesmo a existência ou inexistência do Arruinaldo Azevedo, quanto mais a de Deus.
*
A questão da existência ou inexistência de Deus, assim como a de ursos azuis ou do Olavo de Carvalho, é um problema estritamente científico-experimental, não filosófico ou teológico.
*
Quando alguém se mete a discutir a existência ou inexistência de Deus em termos de “Um deus criou o universo ou o universo se criou sozinho?” já mostra que não entendeu o problema. Para provar que Jesus — ou, digamos, o Arruinaldo Azevedo — é Deus, não é preciso provar que ele criou o universo. Basta provar que ele faz coisas que só um deus faz. A questão da origem do universo não tem nada a ver com isso. Talvez ela não possa ser resolvida nunca, pois não está provado que um sujeito que não esteve presente no momento da Criação possa conhecer a origem dela.
Juliana Mizrahi Como saber se é um deus e não um demônio? (Não estou dizendo que ninguém é um demônio tá? Só estou levantando a questão. ) Olavo de Carvalho, Estou te fazendo essas perguntas porque não consegui encontrar as respostas sozinha, e acho o senhor infinitamente mais inteligente que eu. Sendo assim, estou te enviando umas batatas quentes que me corroem a alma com esperança que o senhor possa resolvê-las.
Olavo de Carvalho As marcas do demônio são inconfundíveis e conhecidas há milênios. Leia Mons. Albert Farges, “Les Phenomènes Mystiques”
*
O Pe. Pio pede ao Deus dele que faça uma coisa materialmente impossível, por exemplo, que faça uma menina desprovida de pupilas enxergar. Na mesma hora a menina começa a enxergar. Só há três hipóteses plausíveis: (1) Pe. Pio falou mesmo com Deus e Deus o ouviu. (2) Pe. Pio é Deus. (3) Mezzo-a-mezzo. Jesus Cristo afirmou categoricamente que esta última hipótese é a verdadeira,
Mônica Camatti Perfeito. Os Santos são o Corpo de Cristo celestial (unidos a Ele através da Comunhão Eucarística) e Nosso Senhor Jesus Cristo, a Cabeça e o Senhor. Se já faz parte da Pátria Celeste, torna-se Um só com Deus Pai.
Olavo de Carvalho Certíssimo, irmãzinha.

*
Eu não poderia jamais ser um filósofo universitário. Não há praticamente debate universitário de filosofia que não me pareça errado desde a base, porque não parte da “presença total” e sim da divisão universitária das disciplinas. E estou falando das universidades sérias.
*
Não sou do contra. O mundo dos bem-pensantes é que é contra o óbvio.
*
Pensem bem: Se um sujeito não sabe nem se Deus existe ou não, como vai saber se Ele criou o universo ou se este se criou sozinho quando Deus estava dormindo? “First things first” é um lema que nunca fez mal a ninguém.
*
É mais fácil saber se Jesus Cristo é Deus do que saber se Ele criou o universo (pois afinal a idéia de “Deus” é uma coisa, a idéia de “Deus criador” é outra). Mas os grandes debatedores da questão, sei lá por que, querem resolver o mais difícil primeiro. É por isso que nunca chegam a nada.
*
Os gregos e romanos acreditavam numa pilha de deuses que não tinham criado universo nenhum. Isso prova que as duas coisas não são a mesma.
*
O primeiro sinal de que alguém é um deus é o poder sobre-humano de que ele desfruta sobre o universo material, mesmo que não o tenha criado pessoalmente.
*
Prefiro tirar lições de método científico com Jack o Estripador do que com os grandes filósofos de hoje em dia. Vou por partes.
*
Surge um cidadão que só faz o bem, cura os leprosos, faz os paralíticos andarem e os cegos enxergarem, ressuscita os mortos, mas, quando ele diz que é o filho de Deus, vem um entojadinho, empina o nariz e e objeta:
— É, mas você não provou que criou o universo.
Cem por cento dos debates sobre Deus, hoje em dia, querem satisfazer ao entojadinho primeiro, à razão depois. Por isso não dão em nada.
*
Não dá para provar se Deus criou o universo ou não, mas dá para provar que, se não foi Ele, não foi ninguém mais — muito menos o próprio universo. A prova é simples e já a enunciei mil vezes. O universo só se tornou possível graças às proporções matemáticas que o moldaram. Se foi assim, e toda a ciência prova que foi, então essas proporções já eram válidas desde antes da criação do universo. Mas, para que algumas proporções fossem válidas, era preciso que todas fossem válidas, que a razão matemática INTEIRA fosse válida eternamente, acima e independentemente do próprio universo. Mas como ela poderia ser válida se não contivesse em si mesma o princípio da sua própria inteligibilidade? A Razão que tudo molda e explica explica-se a si mesma e de nada depende. Isso é o Logos divino. Ponto final.
*
Hitchens tinha apenas a inteligência média de um jornalista.
*
Christopher Hitchens diz que o nascimento virginal de Nosso Senhor, mesmo se confirmado, não provaria ser Ele o Filho de Deus. Isso é um ardil erístico muito pueril. A expressão “nascimento virginal” muda de significado no curso da argumentação: primeiro refere-se ao nascimento de uma pessoa determinada, depois torna-se “um” nascimento virginal genérico e por fim a conclusão lógica obtida deste último significado é aplicada retroativamente ao primeiro caso. É claro que “um” nascimento virginal, por si, não prova origem divina, mas, se esse nascimento é seguido da vida real do personagem individual e concreto, então o nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo não é mais “um” nascimento virginal e sim o primeiro de uma sucessão de milagres intimamente ligados uns aos outros numa totalidade concreta e vivente. Hitchens confunde um fato concreto com um conceito genérico e, do conceito, tira conclusões sobre o fato. Não creio que esse homem fosse sequer inteligente.
*
A incapacidade de distinguir o abstrato do concreto é o primeiro e o mais evidente sinal de burrice.
*
14/08
É sempre assim. Quando perguntamos de onde surgiu a matéria, os espertalhões tipo Dawkins e Hitchens respondem que certas partículas e certas forças eletromagnéticas se juntaram, etc. e tal. Como se partículas e forças eletromagnéticas não fossem, elas próprias, matéria. É uma falha de lógica tão elementar, tão pueril, que me leva a pensar que essas pessoas não são nem sequer inteligentes.
*
Qualquer teoria que só possa ser exposta em termos matemáticos, sem equivalentes verbais, não pode ser dita nem verdadeira nem falsa, a não ser em sentido puramente matemático. Isto deveria ser evidente à primeira vista.
*
Não me venham com historinhas de Lawrence Krauss. O sujeito que diz “A pergunta POR QUE não existe, porque um porquê supõe um propósito” não domina nem os rudimentos da lógica. Ademais, Krauss é comprovadamente um mentiroso.
*

15/08

Olavo: 
Mario Barbosa: O argumento que ofereci é IRREFUTÁVEL: Partículas e forças eletromagnéticas não podem ser a origem da matéria porque elas mesmas são matéria. Não podendo refutar isso, você choraminga, insulta, e ainda diz que sou eu quem apela ao ad hominem. Só não vou bloquear você desta página porque quero que fique à mostra como exemplo de burrice presunçosa.
*
Qualquer teoria que só possa ser exposta em termos matemáticos, sem equivalentes verbais, não pode ser dita nem verdadeira nem falsa, a não ser em sentido puramente matemático. Isto deveria ser evidente à primeira vista.
Rodrigo Loureiro Kurt Gödel não mostra que a matemática é inconsistente e não pode ser autoexplicativa?

Olavo de Carvalho Estou falando da totalidade das relações lógicas possíveis.
*
Coloquei este comentário numa palestra do Krauss:

Krauss says that it does not matter if a theory is rational or irrational, all that matters is if it can make correct predictions. This is quite stupid. The connection between the prediction and the predicted facts supposes a logical, rational link. Otherwise it is just empty words.
*
Não faz sentido explicar o universo físico em termos de relações matemáticas e ao mesmo tempo condicionar essas relações à existência do mesmo universo, como se fossem meros fatos empíricos e não leis incondicionalmente válidas, independentes de qualquer universo. Ou as leis da razão são eternas, ou toda e qualquer explicação do que quer que seja é história da carochinha.
*
Mover-se rapidamente entre raciocínios formais, mesmo enormemente complexos, não é prova de inteligência. Nenhum automatismo mental é, por si, inteligência.
*
Desde que inventaram os computadores, os homens não cessaram de tentar imitá-los, chegando à perfeição de ter a maturidade emocional de um computador.
*
Se as leis da razão não têm em si mesmas o princípio da sua própria inteligibilidade, então recebem essa inteligibilidade de fora. (do Lawrence Krauss, talvez), o que é autocontraditório. Mas, se a razão universal ou conjunto das relações lógicas possíveis tem inteligibilidade em si mesma, ela própria tem de ser inteligível a si mesma, portanto é não só inteligível, mas também inteligente. Qualquer tentativa de negar isso leva a contradições insuperáveis.
*
O princípio mais elementar da investigação científica é não fazer todas as perguntas de uma vez, mas subdividi-las na medida dos meios de investigações disponíveis. Mas, quando provamos que o Pe. Pio, por meio da oração, fez uma menina sem pupilas enxergar, ou que os corpos dos santos permanecem incorruptíveis por séculos, o ateuzinho, em vez de prosseguir conosco passo a passo na investigação, logo exige: Então prove que Deus fez o mundo! Prove que ele é pai de Jesus Cristo! Prove que Ele não é o culpado de todos os males! Prove que Ele escreveu a Bíblia! Etc. etc. etc. E, se não provamos tudo isso de uma vez, ele se crê autorizado a ignorar o fato que acabamos de lhe demonstrar, isto quando não tenta responder ao fato mediante hipóteses.
*
“Não desprezem o princípio de identidade, pois ele é Deus.” (F.-W. von Schelling)
*
Vocês podem também acreditar que o Big Bang criou retroativamente as partículas, as forças eletromagnéticas e as proporções matemáticas que o formaram, bem como a inteligibilidade dessas proporções. Eu prefiro acreditar que o Lawrence Krauss é o Paulo Ghiraldelli.
Jefferson Vieira Misseno A física quântica já mostrou que partículas de matéria e antimatéria podem sim surgir do nada (vácuo quântico), e se destruírem instantaneamente. Não apenas isso, mas também que partículas podem estar em dois lugares ao mesmo tempo, e que certas partículas podem existir e não existir ao mesmo tempo. Ainda mais, tudo o que vemos, pegamos e sentimos como sólido, na verdade não é sólido e pode ser composto de… nada!

Olavo de Carvalho Jefferson Vieira Misseno Oh, que lindo. E o vácuo quântico é absolutamente destituído de quaisquer propriedades? Confundir vácuo quântico com espaço vazio já é abusar do direito à burrice. Mas imaginá-lo como um “nada” acabará fazendo de você um novo Paulo Ghiraldelli.
*
O problema do Lawrence Krauss é um só: Ele não é sério.
*
Uma vez uma dona me trouxe um livro que dizia que Jesus Cristo tinha escapado da crucificação, fugido para o Japão, casado e tido vários descendentes, entre os quais algumas celebridades de hoje.
Comecei a rir.
— Mas é uma pesquisa séria!, protestou ela.
Respondi:
— Pior ainda.
*
Por que, meu saco, por que deixam menininhos sem cultura encher a cabeça com física quântica?
*
A coisa mais difícil e arriscada, na vida intelectual, é apreender um sistema, uma ordem, uma rede de conexões por trás de dados fragmentários e inconexos. No mínimo é preciso experimentar muitas hipóteses contraditórias até encontrar a que seja menos inviável, e essas hipóteses só acabam se revelando bastante tempo depois dos fatos transcorridos, quando várias tentativas já falharam (as famosas “opiniões dos sábios”, que segundo Aristóteles são o começo de toda investigação). Mas, no Brasil, as coisas mal acabam de acontecer e já aparecem mil espertinhos desvendando as conexões mais espetaculares por trás de tudo, sem nem mesmo cogitar de outras hipóteses possíveis. É o método Veadasco de historiografia.
*
A obrigação número um do estudioso é respeitar a complexidade, variedade e ambigüidade dos fatos em vez de espremer tudo numa concepção pré-fabricada. Mas no Brasil isso é chamado de “incoerência”.

Um episódio real da longa guerra petista contra os colégios militares - ESCRITO POR PERCIVAL PUGGINA

cm
Persiste ainda hoje, entre as esquerdas, com apoio da burocracia do Ministério da Educação, uma absoluta intolerância em relação à "indisciplina pedagógica" dos colégios militares.
Quando Olívio Dutra elegeu-se governador do Rio Grande, sua vitória foi entendida como evento culminante de uma empreitada revolucionária. Olívio e seus companheiros chegaram ao Palácio Piratini, em 1º de janeiro de 1999, mais ou menos como Che Guevara e Camilo Cienfuegos haviam entrado em Havana exatos 40 anos antes - donos do pedaço, para fazer o que bem entendessem e quisessem. Só faltou um velho tanque de guerra para os bigodudos e barbudos do PT se amontoarem em cima.
Foi com esse voluntarismo que o primeiro governador gaúcho petista, posteriormente conhecido como "O Exterminador do Futuro I" (haveria uma segunda versão com outro ator), despachou a montadora da Ford para Camaçari, na Bahia. "Nenhum centavo de dinheiro público para uma empresa que não precisa!", explicava o governador incandescendo sua mistura de vetustos ardores messiânicos e antiamericanismo adolescente. E o PIB gaúcho, por meia dúzia de tostões, perdeu mais de um bilhão de dólares por ano pelo resto de nossas vidas. Foi assim, também, que se instalaram pela primeira vez entre nós a tolerância, as palavras macias, o aconchego e os abraços aos criminosos, seguidos de recriminações e restrições às ações policiais. Foi assim que o MST e as invasões de terras ganharam uma secretaria de Estado. Foi assim, também, que o PT gaúcho inventou uma Constituinte Escolar, instrumento ideológico concebido para, sob rótulo de participação popular, permitir que o partido estabelecesse as diretrizes de uma educação comunista no Rio Grande do Sul.
A essas alturas já era gritante o contraste entre a qualidade da Educação prestada pelo Colégio Tiradentes, sob orientação da Brigada Militar, e o decadente ensino público estadual. A insuportável contradição não comportava explicações palatáveis, mas sua notoriedade exigia completa eliminação. E o governo transferiu o tradicional Colégio para a já então ultra-ideologizada Secretaria de Educação. O Colégio Tiradentes foi condenado à morte, executado e esquartejado. No mesmo intento de combater a quem defende a sociedade e de afrontar a tudo que pudesse parecer militar, Olívio Dutra retirou o comando da Brigada Militar do prédio onde historicamente funcionava e fez a Chefia de Polícia mudar-se do Palácio da Polícia. Sim, sim, parece mentira, mas é verdade pura.
Eleito governador em 2002, Germano Rigotto, tratou de reverter o aviltamento das instituições policiais. Fez com que seus comandos retornassem às sedes tradicionais e decretou a volta do Colégio Tiradentes à Brigada Militar. Ao se pronunciar durante a solenidade de assinatura desse decreto, o governador afirmou algo que não pode sumir nas brumas do esquecimento porque define muito bem a natureza totalitária de seu antecessor: "Não raro, por escassez de recursos ou limitações de qualquer natureza, a comunidade quer algo e o governo não pode atender. O que raramente acontece é o governo fazer algo contra o manifesto desejo da comunidade. Foi o que o aconteceu e é o que sendo retificado neste momento. O Colégio Tiradentes volta para onde deve estar. O Quartel General da Brigada Militar, retornou ao seu QG. A Polícia Civil voltou para o Palácio da Polícia".
Três atos marcantes, revogando providências que o governo petista impôs à sociedade gaúcha, contrariando-a intensamente, apenas para expressar seu antagonismo a tudo que fosse ou seja policial e militar.
Decorridos 13 anos, podemos ler no episódio aqui narrado as preliminares de um antagonismo que não se extinguiu. Persiste ainda hoje, entre as esquerdas, com apoio da burocracia do Ministério da Educação, uma absoluta intolerância em relação à "indisciplina pedagógica" dos colégios militares.

PODE FALAR “PRESIDENTA” OU É COISA DE QUEM BATE NA AVÓ? - Flavio Morgenstern

Após Carmen Lúcia assumir a presidência do STF, começou uma discussão sobre o uso da palavra "presidenta". Gramática e dicionário respondem?
Facebooktwittermail
O professor Pasquale Cipro Neto escreveu um artigo na Folha em resposta à ministra Carmen Lúcia, que ao assumir a presidência do STF, preferiu ser chamada de presidente, ao contrário de Dilma Rousseff, que prefere presidenta.
O artigo de Pasquale Cipro Neto está correto em sua inteireza, como de costume. Como Carmen Lúcia afirmou que é estudante e amante e amante da língua portuguesa, o professor Pasquale, data venia, explicou que a palavra “presidenta” existe, que não é o dicionário que determina (pelo contrário) e que é uma opção estética.
Pasquale não poderia se alongar mais em um artigo daquele porte, portanto não teria como explicar muito além da existência da palavra, já registrada como neologismo em um dicionário de 1913. Essa é, digamos, a gramática pura, normativa. Não se tocou ainda na questão do uso do vocábulo.
Nós já explicamos algo sobre “presidenta” em nosso último podcast (ouçam e assinem nosso feed). As palavras, em uso, respondem, obedecem e são utilizadas conforme ideologias e visões de mundo (pense-se em palavras como “liberal”, “Deus”, “repressão” ou “opressão”).
Como mulheres presidentes são raras (ao contrário de mulheres estudantes ou cartomantes), e como a palavra presidente, que é originalmente adjetivo, passa a ser usada como substantivo (o que é comum a partir de particípios), pode-se fazer essa bricolagem: para frisar o feminino, que pouco é notado na fala, inventa-se a feminilização de uma marca comum aos dois gêneros (questão trans à parte).
A língua é mesmo assim, e português é uma das línguas com mais exceções às regras que existe (qual o feminino de elefante?). O uso é que determina o que vira regra, ao contrário do que crêem os ideólogos do “preconceito lingüístico”.
O estudo do uso da língua é feito pela Pragmática, uma área da Lingüística, ciência bem pouco conhecida fora dos cursos acadêmicos de Letras. Infelizmente, é uma área tomada por ideólogos radicais em sua maioria. Nada mais comum do que lingüistas, com uma teoria poderosa, falarem bobagem que justamente a Pragmática corrigiria. Os críticos comuns de Pasquale nos cursos de Letras são exemplos abundantes. Ou abundantas.
Dilma Rousseff: "Ah, porque não sei o que, não sei o que, não sei o que lá"Pela Pragmática, notamos que o uso popular sempre permitiu formações como “presidenta” (não falamos “minha ídala”?). O uso formal, no caso de um cargo como o de Dilma, é que precisa de suporte maior, cerceando os vocábulos “permitidos” a um escol de melhor cepa (!). Com efeito, palavrões são dicionarizados: um presidente não é convidado a utilizá-los por isso. Nem se inventa neologismos a torto e a direito se se é presidente.
Urge se escorar em um clássico, um livro que utilize o vocábulo, algum uso da língua que mostre seu potencial de sobrevivência e seu valor como palavra capaz de demarcar algo da realidade. O vocabulário comum do povo é confuso, tem limites vaporosos, confunde com facilidade a grande obra do mestre Picasso com a grande pica de aço do mestre de obras.
Um presidente, mesmo que sem domínio da língua portuguesa culta, deve falar com clareza, sem confusão de significados. Sem abusar daquilo que Ezra Pound chama de “linguagem de diplomatas”, sempre sorrindo e congratulando diante de câmeras, mas trazendo uma faca escondida para se golpear pelas costas. Neste sentido, Lula, que dificilmente acerta um plural, dá de 7 x 1 em Dilma Rousseff. Se é que tem 1 no placar.
Portanto, existe algum grande escritor que, com bom uso, utilizou o vocábulo “presidenta” de uma maneira que, digamos, o justificasse? Pelas redes sociais, citaram Machado de Assis, em Memórias Póstumas de Brás Cubas. Atentando-se ao dicionário (existência) e ao clássico (referência), tudo em ordem. A cobra começa a morder o próprio rabo quando atentamos para o uso.
Nossa colunista Paula Rosiska analisou o caso em sua página:
De fato, Machado de Assis utiliza a palavra presidenta no romance Memórias Póstumas de Brás Cubas. Mas o significado está longe de agradar à militância esquerdista, que deu ao termo um sentido feminista, de “empoderamento”: tratar-se-ia apenas da mulher de um presidente, não de alguém com poderes de chefe de Estado ou de qualquer outra coisa.
É como o feminino de embaixador, que no dicionário aparece como embaixatriz (a mulher que se casa com um) e embaixadora (a que exerce a função). A palavra presidenta está, no romance de Machado, mais próxima de embaixatriz.
Confira.

— Você é rico, continuou ele, não precisa de um magro ordenado; mas se quisesse obsequiar-me, ia de secretário comigo.
Meu espírito deu um salto para trás, como se descobrisse uma serpente diante de si. Encarei o Lobo Neves, fixamente, imperiosamente a ver se lhe apanhava algum pensamento oculto… Nem sombra disso; o olhar vinha direito e franco, a placidez do rosto era natural, não violenta, uma placidez salpicada de alegria. Respirei, e não tive ânimo de olhar para Virgília; senti por cima da página o olhar dela, que me pedia também a mesma coisa, e disse que sim, que iria. Na verdade, um presidente, uma presidenta, um secretário, era resolver as coisas de um modo administrativo.
Se houvesse algum uso minimamente “normal” para a forma presidenta, tudo estaria dentro dos conformes. O problema é que o uso de Machado, um dos prováveis responsáveis pela dicionarização, é bem menor – diga-se, quase depreciativo – da mulher. E nem é o mesmo cargo (como embaixadora e embaixatriz).
Cynara Menezes team grelo duroSobra como único motivo a ideologia, citada por Paula Rosiska. Olhando-se apenas para o dicionário e a referência, os defensores da forma presidenta, que são basicamente a militância do PT (pessoas tão separadas na sociedade quanto água e óleo), tentam dar um “empoderamento” dicionarizado, sem perceber que o sentido (estudado pela Semântica) do termo fica quase oposto.
Pelo pensamento ideológico, como analisamos por aqui, tenta-se recuperar algo do pensamento mágico, acreditando-se que se cria uma realidade através de palavras mágicas. Um Creo materia de esquerda.
O que acabam fazendo é delimitando o usuário do termo. Forma-se o chamado shibboleth (analisado em nosso artigo de estréia do site), uma palavra que não tem referência no tecido do real, mas delimita o falante como pertencente a um grupo. Afinal, dicionarizada ou não, alguém diz “presidenta” sem ser para Dilma sem ser petista e, ademais, sem advogar pelas causas culturais defendidas pelo PT, como feminismo, “empoderamento”, progressismo etc?
No uso, portanto, há mais do que dicionário e referência. Palavras são usadas para ideologia. Apesar de Pasquale Cipro Neto estar 100% correto no que afirma, não se trata apenas de uma questão estética, mas também ideológica. Pense-se em chamar as ilhas Falklands de “Malvinas”, ou a diferença entre chamar um negro de black ou de nigger em inglês e teremos exemplos gritantes da diferença.
Neste sentido, presidenta continua dicionarizada e pronta para a verbalização. Contudo, no uso, que deixa entrever a ideologia pelos rasgos da meia calça, a idéia do “empoderamento” não consegue disfarçar a alienação transbordante, e é difícil uma mulher aceitar ser chamada de presidenta sem ser associada justamente a Dilma Rousseff – o que faz a maior parte das mulheres brasileiras soltar um belo“Ahn… ehrr…”
Contribua para manter o Senso Incomum no ar sendo nosso patrão através do Patreon
Não perca nossas análises culturais e políticas curtindo nossa página no Facebook 
E espalhe novos pensamentos seguindo nosso perfil no Twitter: @sensoinc