sábado, 22 de julho de 2017

Opinião do dia – Rosa Luxemburgo


A liberdade apenas para os partidários do governo, apenas para os membros do partido, por muitos que sejam, não é liberdade. A liberdade é sempre a liberdade para o que pensa diferente.

A Liberdade é quase sempre, exclusivamente a liberdade de quem pensa diferente de nós.

Sem eleições gerais, sem uma liberdade de imprensa e uma liberdade de reunião ilimitadas, sem uma luta de opiniões livres, a vida vegeta e murcha em todas as instituições públicas, e a burocracia torna-se o único elemento ativo.

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Rosa Luxemburgo (5/3/1871-15/1/1919) filosofa, escritora de formação marxista, fundadora do Partido da Social Democracia da Polônia e da Alemanha. Fuzilada em Berlim em 15/1/1919, em crítica aos bolcheviques, após a Revolução Russa de 1917.

PRESIDENTE DONALD TRUMP – O PRIMEIRO SEMESTRE Filipe G. Martins

Nosso grande especialista em América, Filipe Martins, faz um breviário dos primeiros seis meses de Donald Trump como presidente.
O dia de ontem marcou o final dos primeiros seis meses da presidência de Donald Trump, que teve início em 20 de janeiro de 2017, após uma das vitórias eleitorais mais impressionantes da história. Por ser a primeira pessoa a chegar à presidência dos Estados Unidos da América sem nunca ter exercido um cargo eletivo previamente e por ser um bilionário de muito sucesso no mundo dos negócios, além de uma figura polêmica e politicamente incorreta, Donald Trump tem sido observado com especial atenção.
Sua experiência empresarial; seu status de outsider; sua abordagem reformista; seu resgate de princípios como a soberania das nações e a auto-determinação dos povos; e uma série de outras características atípicas para um político contemporâneo; somadas ao fato de ele estar à frente da nação mais poderosa e influente do mundo, o colocam sob o olhar atento de políticos e eleitores do mundo todo, que vêem em seu governo uma demonstração do que se pode esperar de outsiders, de nacionalistas e de outras categorias de políticos que, direta ou indiretamente, se espelham nele.
Por isso mesmo, este assunto demanda um amplo debate e um balanço mais detalhado destes seis primeiros meses, abrangendo os sucessos e as falhas do Governo Donald Trump. No entanto, nem um debate de qualidade nem um balanço preciso poderão ser obtidos sem uma cobertura equilibrada do que está ocorrendo por lá, o que depende da publicação de matérias que apresentem uma perspectiva distinta daquela que tem bombardeado a grande mídia brasileira.
Para contribuir com esse equilíbrio, deixo aqui uma lista das realizações do Governo, oferecendo um contraponto às matérias que estão sendo publicadas, desde o início da semana, por inúmeros veículos de mídia e que, em sua maioria, apresentam uma perspectiva excessivamente negativa da presidência e até tentam avançar a idéia falsa de que nada foi realizado nestes seis meses.
A lista foi organizada de modo temático, tomando como critério as promessas e os objetivos de Donald Trump e de seus eleitores e não os desejos de seus opositores. Ressalto ainda que essa lista foi elaborada sem qualquer pretensão de ser exaustiva e que muitas outras vitórias poderiam ser mencionadas. Ao final dele, sugiro que a confrontem com o que tem sido mostrado na TV, e perguntem a si próprios se gostariam de ter no Brasil um presidente que fizesse pelo nosso país o que Donald Trump está fazendo pelos Estados Unidos da América.

Vitórias políticas e estratégicas

  • Nomeou um excelente juiz para a Suprema Corte;
  • Retirou os EUA do opaco e impermeável TPP;
  • Aprovou 40 projetos de lei, 13 atos de revisão legislativa e 30 ordens executivas para desfazer decisões nocivas e prejudiciais do Governo Obama;
  • Ajudou o Partido Republicano a vencer todas as eleições especiais disputadas até agora – todas eram vistas como termômetros da aprovação de seu trabalho;
  • A credibilidade da grande mídia nunca foi tão baixa;
  • Canais que não fazem nada além de atacá-lo, como a CNN e a MSNBC, estão experimentando as audiências mais baixas que já tiveram em anos;
  • Apesar de uma taxa de aprovação pessoal baixa (shy effect), todas as pesquisas mostram que os americanos estão otimistas com a direção do país e com a economia;
  • Criou uma comissão para identificar, investigar e produzir um relatório sobre fraude eleitoral.

Economia

  • Congelou a criação de regulações governamentais;
  • Eliminou regulações que afetavam a economia;
  • Congelou a contratação de funcionários públicos;
  • Estabeleceu que uma nova regulamentação só pode ser criada se duas anteriores forem eliminadas;
  • Criou um programa para identificar e eliminar regulações desnecessárias no setor agrícola;
  • Anunciou o corte de bilhões de dólares no financiamento da ONU;
  • Reduziu a dívida americana em 100 bilhões;
  • Está realizando uma reforma administrativa da máquina estatal;
  • Está promovendo o corte de gastos administrativos do governo;
  • Tomou providências para realizar uma auditoria dos gastos públicos;
  • Estabeleceu um exemplo ao doar todo o seu salário;
  • A folha de pagamento da Casa Branca de Donald Trump é 5.1 milhões menor do que a da Casa Branca de Obama;
  • O número de pessoas desempregadas é o menor em 16 anos;
  • Alguns estados estão passando pela menor taxa de desemprego da história;
  • O número de pessoas fora do mercado laboral já é menor do que o apresentado dez anos atrás, em junho de 2007;
  • Desde que Trump foi eleito, cerca de 600 mil novos empregos foram criados;
  • O percentual de americanos efetivamente empregados tem se mantido acima dos 60%, um patamar que nunca foi alcançado durante o Governo Obama;
  • Há cerca de 6 milhões de vagas de emprego disponíveis, o maior número da série histórica do Bureau of Labor Statistics;
  • Desde que Trump assumiu o governo, 589 mil pessoas conseguiram empregos em período integral, melhorando suas condições de trabalho;
  • O aumento na demanda por mão-de-obra já está elevando os salários reais dos trabalhadores e diminuindo a dependência de programas governamentais;
  • De fevereiro a abril, a renda familiar média aumentou mil e trezentos dólares, indo de US$58.061,00 a US$59.361,00;
  • O número de pessoas que dependem de benefícios como o seguro desemprego é o menor desde janeiro de 1974;
  • O número de dependentes de programas governamentais como o "food stamps" também tem caído mês a mês;
  • O otimismo dos consumidores já supera os números anteriores à crise de 2008;
  • O Dow Jones Industrial Average, o NASDAQ e o S&P 500 vêm subindo e batendo recorde atrás de recorde;
  • Apresentou um programa de reforma tributária, que realizará uma simplificação e uma diminuição drásticas dos impostos;
  • Os termos do NAFTA e de outros acordos comerciais estão sendo renegociados;
  • Regulações mais rígidas foram criadas para inviabilizar o lobby de ex-funcionários públicos e agentes do governo;
  • Recriou o Conselho Nacional Espacial, ampliou o orçamento da NASA e estabeleceu o objetivo de colocar o homem em Marte até 2030, com a finalidade de facilitar o desenvolvimento de novas tecnologias.

Política externa e segurança nacional

  • Conduziu com maestria e força momentos difíceis como o uso de armas químicas na Síria;
  • Está pressionando a China e a Rússia e criando um ambiente sem precedentes para conter as loucuras da Coréia do Norte;
  • Reverteu as mudanças promovidas pelo Governo Obama que favoreciam a ditadura cubana;
  • Anunciou um cessar-fogo na Síria;
  • Encerrou o programa da CIA que armava os rebeldes sírios (dentre os quais, muitos eram ligados à Al Qaeda e ao próprio ISIS);
  • Concedeu mais autonomia ao Departamento de Defesa, o que resultou no uso da GBU-43B (conhecida como "mãe de todas as bombas) contra um complexo de túneis utilizados pelo ISIS no Afeganistão. O ataque matou pelo menos 100 terroristas, incluindo quatro comandantes importantes, sem qualquer baixa de civis.
  • O ISIS está vivendo o seu pior momento e está próximo de se tornar uma organização meramente simbólica;
  • Impôs uma nova rodada de sanções contra o Irã;
  • Anunciou a expansão de 21 bilhões de dólares no orçamento das Forças Armadas;
  • Está desenvolvendo um programa para ampliar a Marinha americana e o poder bélico dos EUA em geral;
  • Libertou prestadores de serviço humanitário no Egito;
  • Impediu que Sabrina de Sousa, uma agente da CIA, fosse extraditada para a Itália;
  • Conseguiu a libertação de inúmeros prisioneiros civis e militares nos exterior;
  • Segundo o pai de Otto Warmbier, que foi mantido em uma prisão norte-coreana até junho de 2017, se o Obama tivesse se engajado tanto quanto o Trump na negociação o seu filho teria tido um destino melhor;
  • Acordou a venda de recursos energéticos americanos para a Polônia, dando autonomia e independência para o seu maior aliado no Leste Europeu;
  • Tem se aproximado dos países da Iniciativa dos Três Mares para conter o avanço russo sem fortalecer a União Européia;
  • Escolheu, para sua primeira viagem internacional como presidente, um itinerário simbólico que incluía Jerusalém, Riyadh, o Vaticano e Bruxelas;
  • Realizou um dos melhores discursos da história recente em Varsóvia na Polônia, se comprometendo a defender a Civilização Ocidental;
  • Renegociou a compra de 90 caças F-35 da Lockheed Martin, reduzindo 725 milhões de dólares nos custos com que o Governo Obama havia concordado e abrindo o caminho para a economia de bilhões ao longo do programa.

Segurança migratória e das fronteiras

  • Acabou com a política "Catch & Release", leniente e negligente com a imigração ilegal;
  • Reduziu em 73% a travessia ilegal das fronteiras americanas;
  • Aumentou em 38% a prisão de imigrantes ilegais;
  • Aumentou em 40% a deportação de imigrantes ilegais;
  • Ampliou a segurança nas fronteiras e tomou previdências para facilitar o trabalho dos agentes de segurança;
  • Os agentes de controle alfandegário e de imigração realizaram quase 42 mil prisões em 100 dias;
  • Aprovou uma lei que aumenta a punição de criminosos, caso eles já tenham sido deportados previamente;
  • Cortou o envio de fundos para "cidades santuários", que dificultam o combate à imigração ilegal;
  • Aumentou o orçamento da ICE, a agência que exerce função de controle alfandegário e de imigração;
  • Anunciou a ampliação do quadro de agentes da ICE;
  • Colocou uma equipe de engenheiros e especialistas para planejar a construção do MURO, que deve começar em breve.

Combate à infiltração de terroristas

  • Aprovou o banimento temporário do ingresso de pessoas originárias de um grupo de Estados falidos ou que financiam o terrorismo;
  • Reduziu em 50% a recepção de refugiados;
  • Os perseguidos (cristãos e outras minorias) passaram a ter prioridade frente aos perseguidores (terroristas islâmicos) no programa de refugiados;
  • Está tomando providências para estabelecer um programa para vetar o ingresso de extremistas.

Segurança pública

  • Solicitou estudos para encontrar formas de ampliar as penas para crimes violentos;
  • Tornou o Departamento de Justiça um ambiente menos hostil para os policiais e outros agentes de segurança;
  • Facilitou o processo de levantamento de fundos e de orçamento por parte das polícias locais;
  • Aprovou uma lei que facilita e agiliza o auxílio para a família de policias mortos em atividade;
  • Identificou um esquema fraudulento no sistema de saúde envolvendo 412 pessoas e o desvio de 1.3 bilhões de dólares;
  • Enviou agentes federais para auxiliar no combate à epidemia de crimes violentos em Chicago.

Energia

  • Autorizou e estimulou a aceleração dos dutos de Keystone e Dakota;
  • Retirou os EUA do Acordo de Paris, evitando que a economia fosse afetada por uma carga extra de regulações ineficazes;
  • Tomou providências para desregulamentar o setor energético, o que já tem gerado milhares de empregos;
  • Ampliou a área do Alaska que pode ser explorada para a extração de recursos energéticos;
  • Pediu uma reforma do Departamento de Energia para agilizar o processo de aprovação de operações de exploração de gás e petróleo;
  • Eliminou uma lei que impedia a criação de novas operações de extração de petróleo do fundo do mar e solicitou uma revisão de todas as regulações do setor energético;
  • Negociou a ampliação da venda de recursos energéticos para a Polônia e outros países do Leste Europeu.

 Questões sociais e educação

  • Cortou o financiamento de organizações que promovem o aborto no exterior;
  • Aprovou medidas que asseguram e ampliam as liberdades religiosas;
  • Anunciou o fim da intervenção federal na educação de crianças de até 12 anos;
  • Reverteu a lei que permitia que os estudantes de escolas públicas utilizassem o banheiro destinado a pessoas do sexo oposto;
  • Eliminou regulações para facilitar o ingresso de jovens em programas de aprendizado e treinamento profissional, bem como de ensino vocacional;
  • Solicitou que sua Secretária de Educação combata ativamente o Common Core e crie um programa para devolver o controle das políticas de educação para os estados;
  • Tem dado todo o auxílio (fundos e especialistas) para resolver os problemas ligados à contaminação da água na cidade de Flint, no Michigan.

Atos simbólicos

  • Foi o primeiro presidente, desde Ronald Reagan, a discursar na convenção anual da NRA, a Associação Nacional de Rifles, maior responsável pela manutenção do direito de portar armas nos EUA e no mundo;
  • Mike Pence, seu vice, foi designado para fazer um discurso na Marcha Anual pela Vida, se tornando o primeiro vice-presidente da história a participar do evento;
  • Trump também designou sua conselheira Kellyanne Conway para falar no evento e explicitar o apoio do presidente aos movimentos pró-vida;
  • Em vez de realizar o seu primeiro discurso de formatura na Universidade de Notre Dame, como todos os presidentes, Trump fez seu primeiro discurso numa universidade conservadora, a Christian Liberty University. No discurso, ele lembrou que "na América, não adoramos o governo, nós adoramos Deus e Deus somente";
  • A Casa Branca criou um grupo diário de oração e um grupo semanal de estudos bíblicos;
  • Em vez de comemorar o centésimo dia de seu governo no Jantar dos Correspondentes da Casa Branca, o presidente optou por ir para Pensilvânia se reunir com os seus apoiadores. Isso fez dele o primeiro presidente, desde o Reagan, a não participar do jantar;
  • No mesmo dia, uma pesquisa do Morning Consult descobriu que 37% dos americanos confiavam mais na Casa Branca do que na mídia enquanto 29% confiavam mais na mídia do que na Casa Branca;
  • No dia de sua posse, anunciou a criação do Dia Nacional do Patriotismo;
  • Ainda em seu primeiro dia de governo, ele retornou o busto do Primeiro Ministro britânico Winston Churchill ao Salão Oval, de onde o Obama havia o removido. Ele também aceitou a oferta do Reino Unido de emprestar outro busto de Churchill para a Casa Branca.
  • Em junho, o Homeland Security anunciou o corte do financiamento para inúmeras organizações islâmicas que recebiam fundos do Governo Obama.
  • O Departamento de Justiça abriu um processo contra dois médicos e uma terceira pessoa por realizarem mutilação genital no território americano, a primeira demonstração de executar a lei que proíbe esse ato desde que ela foi criada em 1996.

Apesar do que tenta dizer a grande e velha mídia, na realidade é bem difícil apontar quais seriam os deméritos do primeiro semestre de Donald Trump como homem mais poderoso do mundo.
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sexta-feira, 21 de julho de 2017

Nonsense | Eliane Cantanhêde


- O Estado de S.Paulo

Temer aumenta impostos, PT e Gleisi Hoffmann apoiam regime Maduro. Incrível!

Nós, os leigos, que não presidimos o País, não presidimos nenhum partido e nem sequer temos mandato parlamentar, não estamos entendendo nada. Michel Temer aumenta impostos enquanto abre os cofres para a base aliada? E Gleisi Hoffmann faz juras de amor ao regime Maduro, que está matando pessoas e destruindo a Venezuela?

Aumentar impostos é coisa para governos fortes, com apoio popular e votos garantidos no Congresso Nacional. Não é exatamente o caso de Temer, que amarga em torno de 7% de popularidade, índice ainda pior do que o de Collor e o de Dilma Rousseff às vésperas do impeachment.

Além disso, Temer está a dias da votação da denúncia da PGR no plenário da Câmara e enfrenta sérios problemas no Congresso, onde ele tem uma base aliada imensa, mas nem sempre fiel. Os partidos dizem uma coisa, os seus deputados e senadores podem fazer outra. Vide o ex-presidente do Senado e ex-líder do PMDB Renan Calheiros. O PMDB é o partido de Temer, mas o peemedebista Renan é cada vez mais ostensivamente contra Temer.

Anunciado o pacote de aumento do PIS/Confins sobre a gasolina e mais um corte de R$ 5,9 bilhões em gastos, Temer embarcou para a Argentina, onde o Brasil vai assumir a presidência do Mercosul e ajudar a transformar o encontro num foro contra Nicolás Maduro e a favor dos venezuelanos.

Enquanto isso, a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, acaba de participar de um outro Foro, o de São Paulo, na Nicarágua, onde se reuniram 118 partidos de 26 países das Américas. Acreditem ou não, ela fez exatamente o oposto do que se pretende no Brasil e no Mercosul: levou o apoio petista ao regime injusto e sangrento de Maduro.

Com boa vontade, dá até para entender que Gleisi tenha defendido o ex-presidente Lula, que é o grande pastor de almas do PT, acaba de ser condenado a 9 anos e 6 meses de prisão e ainda é réu de mais quatro processos. Vá lá, até porque Gleisi só virou presidente do PT por obra e graça de Lula.

Mas defender Maduro?! Em nome do PT, Gleisi manifestou “apoio e solidariedade a ele frente à violenta ofensiva da direita”. E defendeu “a consolidação cada vez maior da revolução bolivariana”. Quase macabro.

Maduro não só aprofundou o caos na Venezuela, destruiu a economia, acabou com os produtos e jogou a população na rua da amargura (e nas fronteiras brasileiras) como, por fim, está matando manifestantes que resistem à ditadura e ao colapso do país. São dezenas de mortos. Ficar com Maduro é ficar contra o povo venezuelano.

O risco de Temer é o azedume contra o Planalto piorar ainda mais. Aumento de imposto é um prato feito para a oposição, irrita a população e os setores produtivos. Ainda mais se o governo abre as burras para garantir votos da Câmara contra a denúncia do procurador Rodrigo Janot e empurra a conta da crise fiscal para a maioria da sociedade.

E o risco de Gleisi é não ganhar nada e perder muito. O PT e Lula já tinham mesmo o apoio incondicional da esquerda do continente, mas podem perder ainda mais votos e simpatia dos brasileiros que simplesmente não suportam os absurdos cometidos na Venezuela em nome de uma ideologia.

Mas, enfim, Temer, Meirelles, Gleisi e o PT são vacinados, maiores de idade e sabem muito bem o que fazem. Ou deveriam saber.

Marco Aurélio. Por falar em Venezuela, o professor Marco Aurélio Garcia, morto ontem, aos 76 anos, foi um dos ideólogos da guinada em direção aos “bolivarianos” no governo Lula, mas sumiu no de Dilma, por absoluta inexistência de política externa. Era um homem culto e, justiça seja feita, passou incólume pelas lambanças da Lava Jato.

Aumento de impostos irá financiar reajustes salariais dados a funcionários federais - Marcelo Faria

Aumento de impostos irá financiar reajustes salariais dados a funcionários federais

O governo federal confirmou nesta quinta-feira (20) o aumento das alíquotas de PIS/Cofins sobre combustíveis para que o governo tire mais R$ 10,4 bilhões do bolso dos pagadores de impostos somente esse ano. A medida deve elevar os preços de diversos setores, dos transportes municipais aos alimentos.
aumento-impostos
O aumento de impostos ocorre depois do governo federal elevar os salários de mais de 1 milhão de funcionários federais. Somente em 2017, o impacto dos aumentos salariais dados à verdadeira elite brasileira será de R$ 23 bilhões, mais do que o dobro do valor a ser arrecadado com as novas alíquotas de impostos.
Em junho de 2016, foi publicada a MP que beneficiou analistas, gestores e especialistas do Poder Executivo; servidores da Previdência, Saúde e Trabalho; das agências reguladoras; das carreiras jurídicas; do Banco Central, além de outra dezena de carreiras. O impacto desse aumento para os cofres públicos soma R$ 53 bilhões, somente até 2018, beneficiando 1,1 milhão de servidores civis.
Já a MP 765, aprovada neste mês – um dia antes de perder a validade – concedeu aumentos para 70 mil servidores, de oito categoria. Foram beneficiadas as carreiras de alto nível do Poder Executivo Federal: auditoria-fiscal da Receita Federal; auditoria-fiscal do Trabalho; perito médico previdenciário; carreira de infraestrutura; diplomata; oficial de chancelaria; assistente de chancelaria; e policial civil dos ex-territórios. Esse pacote de bondades vai custar R$ 11,2 bilhões no bolso de todos os brasileiros até 2019 e beneficiará 70 mil funcionários estatais, ou 0,04% da população brasileira.
A lista de “bondades” feitas pelo governo aos funcionários federais com o dinheiro dos pagadores de impostos incluiu o pagamento de bônus de eficiência para Auditores Fiscais da Receita Federal, no valor mensal de R$ 3 mil, inclusive para aposentados e pensionistas da carreira. A carreira passou a ter salário básico inicial de R$ 19.211,01 podendo chegar a R$ 24.943,07. Em 2019, o vencimento básico mais baixo da carreira será de R$ 21.029,09 e o mais alto R$ 27.303,62. Os valores são os mesmos para ativos e aposentados. A carreira ainda recebe auxílio pré-escola e auxílio alimentação.

OS R$ 9 MILHÕES DE LULA: ATÉ QUANDO VÃO INSISTIR NESSA DE QUE O PT É “PARTIDO DE POBRE”? Flavio Morgenstern

O PT se pinta como um partido dos excluídos, e o único motivo para alguém criticá-lo é ser rico e não gostar de pobre. Nada mais mentiroso.
Esta é a era dos memes, conceito de Richard Dawkins que define idéias, comportamentos ou estilos transmitidos em uma cultura por meio da memetização (imitação). Adicione a isto a rapidez dos 140 caracteres, RT e curtir, e a política passa de alguma tentativa rudimentar de argumentação para a pura “lacração”: repete-se roboticamente bordões e slogans vindos de autoridades e acredita-se que se venceu uma discussão, invocando-se o pertencimento a um grupelho. O clichê a ser repetido acerebradamente pela militância do PT, o partido de Lula, é o mais cacete: “a casa grande surta quando a senzala ganha poder”. Like, RT, voilà!
Há evidentemente a confusão diabólica do anacronismo: a sociedade brasileira não tem sua economia definida por casas grandes e senzalas há praticamente 2 séculos, e eventos posteriores, como a imigração de japoneses, italianos e alemães que vieram substituir escravos, não permitem que a velha redução à “seqüelas da escravidão” convença alguém para explicar qualquer discrepância econômica do Brasil atual.
O referencial está não apenas 2 séculos atrasado: a história já até mesmo inverteu alguns dos personagens neste tempo.
Mas o erro maior é existencial. O que o PT pretende, ainda, é resgatar a velha e mofada teoria de “luta de classes” do marxismo ortodoxo e dar a realidade toda por explicada. Em um país desproporcionalmente assolado por um Estado gigante, populismo, corporativismo, conchavos entre público e privado, clientelismo, assistencialismo, corrupção e uma noção de realidade mais periférica do que o Sri Lanka, apostar na dinâmica fácil de digerir (e repetir em 140 caracteres) da Casa Grande & Senzala é apenas um bordão mais chato e sem sentido do que refrão de música emo.
Com sua referência anacrônica, o PT tenta se pintar como um partido de pobres, de explorados, de oprimidos, dos grandes coitados injustiçados históricos da nação. Todos os seus adversários e inimigos seriam tão somente ricaços, a elite exploradora, os feitores e malfeitores.
Ninguém desgostaria do PT devido ao mensalão, à diminuição da liberdade de expressão, à torrefação de dinheiro público, ao petrolão, ao BNDES tirando dinheiro do pobre para dar para o empresário que paga dívida de campanha, Pasadena, Friboi, desemprego, inflação, Toninho do PT, roubos, triplex, sítio, Celso Daniel, nada.
único motivo para alguém não gostar do PT, de Lula, de Dilma ou, sei lá, de Maria do Rosário ou do petrolão seria essa pessoa ser triliardária, e o PT ser tão bom, mas tão bom que faz os pobres ficarem ricos (realidade que ninguém vê fora dos discursos petistas), e os ricos, por uma malvadeza horrenda, não gostarem de que pobres enriqueçam, preferindo que eles não tomem banho, os assaltem e ouçam funk alto.
Petistas precisam acreditar em tal estultice, ou seu discurso cai por terra. Mas há um adicional cruel a tal descoco: a maioria dos petistas é ricaNão é o partido dos pobres: é dos atores da Globo (tratada como “direitista” pelo PT), dos artistas Rouanet, dos empresários BNDES, dos professores de Universidades top que falam em “revolução operária” e fazem Jornalismo, Psicologia e Desenho Industrial.
Ou seja: eles são os ricos com “consciência social”. Já todos os outros ricos do país são malvados que, por algum buraco negro econômico, lucram explorando os pobres (o que eles próprios, misteriosamente, nunca fazem).
Tal nequice existencial gera a mais bizarra falha estrutural que já existiu na política brasileira.
Marilena Chaui odeia a classe média. Salário na USP. R$ 15 milO PT pode até ter um passado remoto de alguma pobreza. É um partido de sindicatos, que cresceu como alternativa ao velho PCB na ditadura fazendo greves. Tem sua ala trotskysta, sua ala maoísta, os velhos guerrilheiros. E cresceu pelo modelo do sindicalismo político (modelo mais próximo do fascismo do que do socialismo), unindo sindicalistas à Teologia da Libertação e à esquerda da USP.
Mas isto foi só sua “era romântica”, de guerrilheiros que queriam fumar charutos cubanos. O PT cresceu mesmo atrás de lideranças sindicalistas que falam cuspindo como Lula, Gushiken e Berzoini. O PT é mais Suplicy do que Okamotto, é mais Hoffmann do que Vicentinho, é mais Haddad do que Benedita. Experimentar ouvir seus sobrenomes no original não tem nada de “Silva” e “Santos”, é tudo bem europeu puro-sangue: Salvatti, Hoffmann, Rossi, Palocci, Rousseff.
Petistas hoje são universitários, concurseiros buscando cargos bem remunerados, empresários do “capitalismo social”, jornalistas poderosíssimos com grande trânsito na grande e velha mídia e, claro, empreiteiros, banqueiros, frigorifeiros e petroleiros afins. Pobre anda em desespero com a falta de segurança e a roubalheira e prefere Jair Bolsonaro dizendo que bandido bom é bandido morto ao dilmêshermético para falar de cachorro atrás saudando a mandioca.
Pobre, que tem uma vida com muito maior percentual de urgência, quer solução para seus problemas, não firula ideológica de “transfobia”, “aborto contra o patriarcado”, “legalizar as drogas” e “educação socio-construtivista”. Se Lula conseguia convencer alguém com um discurso populista de greve transformado em Fome Zero (e depois do fracasso retumbante, em Bolsa Família), o aumento artificial de crédito e gasto é sempre um moinho de vento, que explode na forma de inflação e impostos depois.
O pobre hoje é mais anti-petista do que qualquer mauricinho filhinho de papai que sonha em ser youtuber de sucesso: o pobre é Deus, polícia e moralidade ainda mais rígida do que a de ricos urbanos no Jardim de Epicuro. Quem se identifica com o PT adora um discurso a favor de pobre, mas prefere vê-los no zoológico ou num filme da Anna Muylaert numa sala cult na Rua Augusta – não feliz por que o filho que canta no coral da igreja vai casar e entrar na faculdade de Contabilidade.
Não se trata apenas de uma refração ou inversão ótica: trata-se da própria estrutura da sociedade.
Os ricos intelectuais da USP que apoiaram os sindicalistas metalúrgicos, bancários e professores que fundaram o PT queriam uma sociedade não mais movida pelo empreendedorismo e moral capitalista, mas pela força do sindicalismo socialista. Hoje, os sindicalistas já estão no poder há mais de uma década: e ser sindicalista atualmente, nestes ricos sindicatos que dão poder político, significa ser rico e poderoso. Bem mais do que aquele empresário que abriu uma pizzaria na periferia.
Petistas querem uma sociedade em que metalúrgicos enriqueçam, e essa sociedade já é a atual. O problema é que, para transferir dinheiro para sindicatos (e BNDES, e Rouanet, e Bolsa-Blogueiro, e petrodólar para comprar o deputado do meião etc), o empreendedor é sufocado com impostos. Além de ideologia, hegemonia cultural, música do Tico Santa Cruz, textão da Eliane Brum e daí para baixo.
Lula, que fala que é um homem da “senzala” (Lula é negro?), diz que a “casa grande” não gosta dele. Seria mais sensato dizer que é o pobre que escapa da ideologia do reducionismo petista. O pobre que mais vive a realidade.
Sérgio Moro decretou o congelamento de R$ 600 mil de Lula. Petistas imediatamente apareceram para gritar que Moro, este “golpista tucano”, estava deixando Lula sem dinheiro para suas necessidades mais básicas. Logo a seguir, vem a notícia de que Moro também bloqueou R$ 9 milhões de Lula (sic) em um plano de previdência privada. Primeiro, vê-se a hipocrisia cheia de eufemismos e hipérboles (e nunca descrição fria) dos petistas. Segundo, que “classe média” e empresário e empreendedor individual e pai de família cristão heterossexual conservador coxinha por aí tem R$ 9 milhões só a receber, líquido? Mesmo R$ 600 mil?