sexta-feira, 21 de setembro de 2018

*Fernando Gabeira: Pão, pão, queijo, queijo


- O Estado de S.Paulo

É com a realidade que está aí que teremos de construir nossos sonhos, ainda que modestos

Ando muito pelo Brasil, mas não faço pesquisas. Nem pergunto em quem o interlocutor vai votar. Apenas converso. E com isso vou formando um quadro que, às vezes, é confirmado pelas pesquisas que dizem ter estreita margem de erro.

Faz algum tempo que tento me acostumar com a realidade que vem pela frente, um confronto polarizado entre dois líderes populares, Lula e Bolsonaro. Como um está na cadeia e o outro no hospital, a eleição ganha um tom de realismo fantástico. É preciso abstrair a dimensão romanesca e cair na realidade: um dos dois será vitorioso, com todas as consequências que isso implica.

Senti no Nordeste que Lula tem muita força. Na Bahia, sobretudo, um sentimento de gratidão a Lula e a popularidade do governo local indicam uma supremacia da esquerda. No Norte, Sudeste e Sul, ouço muito o nome de Bolsonaro. Se o que vi tem o valor de uma pesquisa espontânea, minha inclinação é supor que a aspiração de mudança está encarnando nele.

Às vezes tendo a imaginar se essa imensa resistência ao governo de esquerda não se parece com o susto que os franceses tiveram com o Maio de 1968, optando pela volta de De Gaulle.

Não vejo o momento que virá pela óptica dos anos 60 no Brasil, pelo menos não o descreveria como Roberto Campos ao analisar a queda de Goulart e a tomada do poder pelos militares. Para ele, a alternativa eram anos de chumbo ou rios de sangue. E também não é, como às vezes dizemos brincando, um dilema entre Venezuela e Filipinas. O presidente das Filipinas é um peso-pesado no gênero. E um destino venezuelano é altamente improvável. Maduro não se aguentaria tanto tempo se não tivesse cooptado as Forças Armadas com empregos que rendem muito aos generais. No Brasil isso seria diferente.

Ainda assim, descartando modelos mais assustadores, viveremos uma situação delicada. As duas forças em presença são dificilmente conciliáveis.

Nos Estados Unidos, apesar da rivalidade, em alguns e raríssimos momentos democratas e republicanos reconhecem o interesse nacional. Já a polarização brasileira, de uma certa forma, reduziu as chances de um esboço de projeto nacional para enfrentar a crise e reconstruir o País. Certamente cada uma das partes tem o seu. Mas ele dificilmente atravessa os limites dos seus entusiasmados seguidores.

O estímulo ao equilíbrio deve vir da sociedade, mas isso não é fácil quando a maioria dos eleitores pende para uma visão mais radical. O discurso do equilíbrio é sentido como uma das formas de manter o sistema político-eleitoral. As expectativas são muito maiores.

Num posto de gasolina da estrada, um homem com um longo chapéu de palha me disse: “Voto no Bolsonaro porque é preciso virar a mesa”. Nesses momentos sinto a fragilidade dos instrumentos com que deveríamos contar quando o presidente assumir: Congresso e Supremo Tribunal.

O Congresso, na verdade, é a força sobre a qual a sociedade ainda pode exercer uma influência maior. Ainda assim, com discretíssimas mudanças será sentido mais como parte do problema do que como solução.

O Supremo... Bem, o Supremo todos sabemos que está parcialmente empenhado em neutralizar a Lava Jato. Cada vez que concede um habeas corpus, liberta um condenado, desmembra um processo para tirá-lo de Curitiba, está alimentando o desejo de uma renovação pela direita.

Vejo um amplo jogo de grandes forças sociais e, diante dele, poucas as chances da intervenção individual. Reconheço que vivemos num país com alto nível de imprevisibilidade. Mas, com os dados que tenho, creio que a tarefa será cada vez mais pensar os próximos passos, estabelecer um roteiro de redução de danos. É uma tarefa para todos os que querem sair do atraso, incluídos os eleitores mais moderados dos dois líderes.

Ultimamente têm surgido alguns livros no Brasil sobre a decadência da democracia, que não sofre mais golpes de Estado, mas simplesmente transita para regimes autoritários. Os livros são ótimos, porém o cenário dos últimos anos no Brasil é um livro aberto. Várias vezes o Congresso votou projetos absurdos sabendo que estava cavando um abismo maior entre os políticos e a sociedade. Os escândalos de corrupção, que levaram um grupo para a cadeia e deixaram seu principal aliado agonizando diante da pressão policial, tudo isso contribui para um desencanto geral com o sistema político-partidário.

Não se trata de um “bem que avisei” ou de caça aos culpados, apenas uma constatação importante de como será difícil a nova fase.

Se uma visão mais moderada perder a batalha eleitoral, e isso me parece provável no momento, não terá perdido com isso a sua importância. Ela pode ser um fio de esperança para que surja um projeto de reconstrução mais consensual. E ser uma espécie de algodão entre cristais, lembrando que a guerra fria acabou e é necessário superar os grandes dilemas ideológicos para recuperar o tempo perdido.

A polarização entre dois líderes populares de certa forma simplifica e torna o processo mais caloroso ainda. Mas revela como surgem os líderes nacionais no Brasil democrático. Eles simbolizam também a força da comunicação oral. São capazes de transmitir a mensagem que a forma literária dos intelectuais não consegue.

Claro que seu discurso também é lido, perpassa os jornais e revistas. No entanto, é a linguagem oral, com seus erros, hesitações e exageros, que consegue chegar ao coração dos eleitores em escala nacional. Outros podem usá-la sem êxito. Entra aí um outro fator importante: o papel do indivíduo, sua trajetória e personalidade.

Poderia divagar muito sobre o dilema brasileiro. Poderia até desejar que não fosse assim. Mas seria perda de tempo. Se não estou muito equivocado, essa é a realidade que está aí. E é com ela que teremos de construir incessantemente nossos sonhos, ainda que modestos.
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*Jornalista

quarta-feira, 19 de setembro de 2018

O verdadeiro começo do fim - Carla Pola


Da página da Carla Pola:
O verdadeiro começo do fim
2018-09-12 | Carla Pola

Engraçado. Hoje eu me peguei pensando no Lula. Imagino o quanto deve estar desesperado por ter que passar o bastão para o Haddad.
Como psicopata que é, conforme o livro de Ponerologia o coloquei na categoria dos caracteropatas, aqueles que precisam de holofotes, que precisam aparecer o tempo todo subjugando todos a sua volta.
O Lula foi um homem que passou por cima de tudo e de todos para chegar ao poder. Entregou companheiros de sindicato aos militares, destruiu a vida de muitos, comandou a fundação do PT e soube trazer o partido em rédeas curtas. Junto com o assassino Fidel Castro fundou o Foro de SP que vem destruindo os países da América Latina.
Jamais foi comunista, jamais foi esquerdista (ideologicamente falando), mas entendeu cedo que o poder que queria estava na esquerda; ou seja, o poder total. O domínio sobre tudo e todos.
É um animal político, geralmente todos os psicopatas do meio político são. Calculista, foi um mito criado pela esquerda. O falso romantismo de se ter um operário no poder, no caso dele um falso operário.
Na verdade, as mentiras contadas com uma naturalidade de impressionar qualquer pessoa normal sempre foi o tom de seu poder. Nada e nem ninguém o preocupa a não ser ele mesmo.
Usou as pessoas até mesmo preso. Manteve a corrida eleitoral até hoje sob seu domínio, não se preocupou nenhum pouco que estava prejudicando seu partido e muitos candidatos, o negócio era ele continuar nos holofotes, sob as luzes da ribalta.
É público e notório que muitos petistas não o suportavam, caso do José Dirceu, por exemplo. Só o aguentavam porque inteligente e espertamente Lula conseguiu manter o poder concentrado nele.
Jamais deixou que alguém crescesse mais do que ele dentro do próprio partido, mas hoje teve que passar o bastão para o Haddad disputar a Presidência.
Deve ter sido duro para ele.
Muitos especialistas acreditam na capacidade que o Lula ainda tem de transferir votos. Também acho que ele transfere, mas não no percentual que muitos colocam. Não vejo o Haddad no 2º turno, sinceramente.
A casa do Lula começou a cair quando resolveu fazer caravanas pelo Brasil. Foi um fiasco no nordeste, no sul então nem se fala! A máscara já havia caído.
A imprensa esquerdista se desespera, pois o mito criado era e sempre foi uma farsa.
Aos poucos os petistas se afastarão dele, na política não há vácuos, com o tempo ele será só notícia em páginas policiais. José Dirceu tentará reorganizar o PT, mas não creio que conseguirá. A legenda está queimada.
Também não sei se o tirarão da cadeia. Lembremos que o Toffoli é vassalo do Dirceu e não do Lula. Acho que o Dirceu prefere que ele permaneça mais um tempo atrás das grades a fim de não o atrapalhar.
As cortinas começam a se fechar para um falso mito criado pela esquerda, para um homem que não honrou a esposa em vida e nem mesmo na morte; para um homem que sempre foi pequeno, mas achou que era grande.
As luzes começam a se apagar uma a uma para um homem que sempre só quis ser o Fidel Castro brasileiro.
Por onde um psicopata passa, ele deixa um rastro de destruição e dor. Assim foi Lula em toda sua vida a ponto de acabar com uma nação.
Para um caracteropata como ele o dia de hoje deve estar sendo mais difícil que o dia de sua prisão.
As visitas à Curitiba diminuirão com o passar do tempo, ele sairá da mídia como político e só aparecerá como bandido. Em breve ninguém dará bola se ele for para um presídio. A esquerda seguirá outro líder. Outro psicopata, mas, mesmo assim, outro líder.
Durante anos sonhei com esse momento e parecia que nunca chegaria. Chegou. Claro que não no tempo que eu desejava, mas no tempo de Deus que é sempre o tempo certo.
Adeus Lula, feche as cortinas e apague a luz. O palco político se fechou para você.
PT saudações!

Fascismo e fascistas - Olavo de Carvalho

Fascismo e fascistas

Nunca é demais lembrar aos antifascistas de plantão que o fascismo é, aliás tanto quanto o marxismo, uma ideologia organizada e racional da qual eles não sabem ABSOLUTAMENTE NADA, o que lhes garante a deliciosa liberdade de poder aplicar a quaisquer opiniões soltas que lhes desagradem o nome desse fenômeno, imantado de evocações macabras quase sempre sem a menor relação com a realidade histórica correspondente. Basta lembrar que, no Brasil, o único governo fascista que tivemos foi o de Getúlio Vargas, do qual esses mesmíssimos antifascistas se orgulham de ser herdeiros e imitadores. O debate político brasileiro é um bate-boca no hospício entre loucos que disputam o monopólio da privada.

Filosofia no Brasil - Olavo de Carvalho

Filosofia no Brasil

As principais ocupações de um filósofo universitário brasileiro hoje em dia são: (a) desentender as idéias dos filósofos do passado para poder continuar a discuti-las sem jamais chegar a entendê-las; (b) criar e destruir respostas para alguns interessantes e divertidos enigmas lógicos como o problema de Gettier ou o paradoxo de Russell, de cuja solução ou falta dela não resultará absolutamente nada; (c) controlar meticulosamente o número de publicações em revistas especializadas e participações em congressos filosóficos necessário para conquistar e manter um posto capaz de equilibrar o orçamento doméstico; (d) concordar com os pares em todas as questões essenciais da vida, como por exemplo votar no Haddad para presidente da República.

A missão da Fôia - OLAVO DE CARVALHO

A missão da Fôia

Só a total ignorância do que seja o movimento comunista pode justificar que se veja no famoso plano de dominação continental do PT seja um mero boato, seja uma realidade material, como tendem a vê-lo, respectivamente, a esquerda chique e a direita brega.
A dialética interna do movimento comunista emprega sistematicamente a técnica chamada do “pé na porta”, que consiste em avançar exigências ousadas para forçar a aprovação de outras mais moderadas, entendidas como etapas preliminares para a realização daquelas ou como substitutivos aceitáveis caso elas se revelem prematuras ou utópicas.
Se os detalhes divulgados não se integraram formalmente no plano geral do Foro de São Paulo, ajudaram a formulá-lo e a torná-lo, por contraste, mais anestésico. Mas que esse plano É de dominação continental comunista é algo que ninguém que haja lido os documentos internos daquela entidade pode negar. A Fôia de S. Paulo, mentirosa e fingida como sempre, desmente as hipóteses de detalhe para com isso negar a realidade do conjunto. Ocultar, camuflar e adocicar os planos do Foro de São Paulo tem sido a missão da Fôia desde 1990.

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

MENTIR É UM MANTRA COMUNISTA - Rafael Brasil


 "Posa à vontade no hospital, simulando armas em punho. Já ensaia os primeiros passos e está a cada dia melhor. O repouso forçado, em vez de atrapalhá-lo, parece que o ajuda, ao poupá-lo de alguns debates e dar-lhe gás para o segundo turno. Poderá fazer campanha do hospital, do mesmo modo que Lula faz da cadeia". Assim disse o cientista político gramsciano da USP, Marco Aurélio Nogueira, sobre Bolsonaro, equiparando sua situação com a de Lula. Existe coisa mais canalha? Afinal, é  mais do que substantiva a diferença de um hospital para uma cadeia. Óbvio ululante.
Estes pulhas mentem sistematicamente, este é da chamada esquerda moderada. Afinal o mantra comunista é mentir, vide o panfleto de Trotski, seguido e amado por comunistas de todos os quadrantes, "Moral e Revolução". Em síntese, para o partido, ou a causa, vale tudo, em contraposição a um suposto comportamento da chamada burguesia neste sentido. A mentira é mais palatável desinformando, e de preferência com títulos acadêmicos. Vá tomar no cú, Marco Aurélio!

segunda-feira, 10 de setembro de 2018

"Luzia abrindo cabeças', por Fernando Gabeira


Luzia já não está mais entre nós. Depois de 11.500 anos, sucumbiu à crise brasileira no último dia de Pompeia, o incêndio que levou os afrescos que sobreviveram ao vulcão Vesúvio.

A noite do incêndio foi uma das mais difíceis para mim. Pesadelo, tristeza, raiva e uma dose de culpa. No Congresso, destinei verba parlamentar para o Museu Nacional. O desastre mostrou como era pobre nossa visão de tapar buracos no orçamento de organismo que precisa de uma proteção sistêmica.

Infelizmente, compreendi tudo isso muito tarde, daí minha tristeza e raiva com as chamas. Na verdade, não foi apenas a passagem de Luzia que abriu minha cabeça.

À volta ao jornalismo, tratando de pequenos museus locais, sobretudo em lugares que precisam deles para encontrar sua identidade e agregar valor às suas riquezas naturais, compreendi que eles não são um fardo que deva ser tratado com migalhas. Na viagem à Rússia, onde escritores, sobretudo do século XIX, são cultuados, e há museus de todo tipo, ficou claro para mim que não se trata apenas de preservar a memória, mas transformá-la também numa fonte de renda através do turismo.

Em viagens pelo Brasil, vejo quase toda semana algum tipo de museu. Mantido por um empresário, o Instituto Ricardo Brennand, em Recife, é uma boa surpresa. Nele existem, entre outros, os quadros do holandês Frans Post, que nos deixou belas imagens sobre o Brasil Colonial. É uma coleção que só perde para a da própria Holanda.

Tive boa impressão do Museu Mazzaropi, em Taubaté, construído numa área em que também foram reproduzidos os cenários dos seus filmes: é um hotel fazenda.

Aqui no Brasil, temos um pouco o complexo do novo mundo, da permanente construção e destruição. Nosso lema parece ter surgido da frase de Marx, que também é o título do livro de Marshall Berman: “Tudo que é sólido desmancha no ar”.

Na semana do incêndio, trabalhava , precisamente, em algo ligado a essa frase. É o projeto do trem Minas-Rio, comprado em Três Rios sem ajuda do governo. Ele vai ligar nove cidades, inclusive Cataguases, Minas.

Passei por algumas delas e, em Cataguases, procurei estimular a criação de um museu que fale um pouco do papel da cidade no modernismo. Ali houve uma revista antenada com o movimento, a “Revista Verde”, e um escritor e poeta de destaque: Rosário Fusco.

Não é o primeiro lugar em que trato do tema. Na verdade, na semana anterior estive na Bahia precisamente mostrando o projeto de museu hippie em Arembepe.

No momento em que as cidades precisam se reinventar para enfrentar a crise, é mergulhando na sua tradição e cultura que podemos achar uma saída, através da economia criativa. O que me dói no incêndio é ter percorrido tantas experiências locais e não ter percebido com clareza como o Museu Nacional poderia ter sido importante para o Rio de Janeiro, uma espécie de porta de entrada do Brasil mas que, na verdade, escondia um dos seus principais tesouros culturais.

Ao invés de uma campanha para transformá-lo num momento em que se construíam tantos estádios e um Museu do Amanhã, por que esquecemos o ontem, o anteontem, os dias primordiais de Luzia?

Havia um ar de decadência no museu. Fios de ligações improvisadas, infiltrações, telhas quebradas; enfim, todos esses incômodos de um corpo velho e mal tratado. Diante de museus internacionais bem cuidados e interativos, talvez não nos orgulhássemos dele como deveríamos.

Agora é tarde. Mas não significa que vamos continuar apenas chorando pela perda. Se o crânio de Luzia, perdido nas cinzas, conseguir, pelo menos, abrir nossa cabeça, será uma pequena vitória.

No passado, recusou-se uma ajuda do Banco Mundial porque não se aceitava o Museu como fundação privada. Conseguimos criar um bloqueio duplo: arrogância do novo mundo diante do passado e a ilusão de que tudo deve ser feito pelo Estado.

Não sou inocente nessa história. Quase não há nada nos programas presidenciais sobre a proteção do patrimônio. Se iniciasse uma discussão no tempo em que apenas tapávamos goteiras, talvez hoje já houvesse uma política disponível aos candidatos.

Mas o pássaro da consciência canta apenas ao entardecer. Precisamos sempre de grandes traumas para vislumbrar o caminho. Algo em nós parece hibernar: suspeito que seja o raciocínio.



O Globo

sábado, 8 de setembro de 2018

Sobre o atentado a Jair Bolsonaro - Olavo de Carvalho

Sobre o atentado a Jair Bolsonaro
Quem assume a tarefa de combater o crime está sempre sujeito a sofrer violência por parte do crime. Em todas as épocas e lugares, aqueles agentes da lei, políticos, juízes, promotores e cidadãos comuns que se insurgem contra os bandidos imediatamente se tornam alvo preferencial desses mesmos bandidos e se expõem a sofrer atentados à sua vida e patrimônio, à sua família e amigos. Por isso o crime é tão difícil de combater: quem o combate corre riscos enormes, pois o crime não se defende apenas fugindo, não se defende apenas mentindo, não se defende apenas mediante chicanas jurídicas ou espaço comprado na mídia. O crime se defende, antes de mais nada, atacando diretamente, fisicamente, aqueles que o enfrentam.
Não pode ser outra a leitura do atentado a Jair Bolsonaro. Há anos, e principalmente no atual cenário político, Bolsonaro é a grande voz que se ergueu contra o crime. Bolsonaro é a principal figura nacional, o único entre os candidatos presidenciais, que se propõe a enfrentar tanto o crime “comum” (e como é triste aliás que tenhamos passado a considerar “comum” o assassinato, o roubo e toda a violência que grassa no país), quanto o crime político (a corrupção e todas as suas ramificações). Mais do que isso, Bolsonaro sabe que crime comum e corrupção estão ligados e não é possível derrotar um sem vencer o outro. Sabe que não há fronteiras – apenas diferenças de método – entre a bandidagem “independente”, o crime organizado, o tráfico, as máfias políticas e os esquemas corruptos de enriquecimento pessoal e partidário. Todos esses crimes juntos, e não apenas a corrupção política “clássica”, ameaçam destruir o país. Bolsonaro é o único que o sabe e o diz, o único que se propõe a agir diretamente e concretamente contra essa realidade. A candidatura de Jair Bolsonaro é o único projeto político no Brasil que tem o diagnóstico correto da situação e o único com a determinação e coragem de propor uma cura. Bolsonaro é o único capaz de enfrentar o mal que está a ponto de destruir o Brasil, o crime, em todas as suas formas.
O atentado a Bolsonaro ilumina de forma gritante esse fato, para quem ainda pudesse ter dúvida. Bolsonaro combate o crime, o crime quer matar Bolsonaro. Não importa se o perpetrador agiu sozinho ou apoiado, se foi pago ou induzido. Importa que ele provém da ideologia esquerdista que há décadas propele o crime no Brasil e atuou por ela inspirado. Nos rincões de sua mente, o esfaqueador tinha claríssimo que Bolsonaro é o grande inimigo do projeto esquerdista, e decidiu partir para a ação mais direta possível em favor da causa que o anima, o assassinato.
Sem Bolsonaro, horizontes muito mais risonhos e verdejantes se abririam à esquerda brasileira, que tem o crime como seu núcleo pulsante. Imagine-se o alívio que todos os corruptos e bandidos sentiriam se Bolsonaro faltasse. A mão que hoje aperta a garganta do crime – e que estrangulará o crime se chegar à presidência – de repente desapareceria. Tudo poderia voltar a como era antes. O país ficaria reduzido a opções políticas que, ou fazem parte do esquema criminoso, ou, no máximo, se dispõem a combater apenas timidamente alguns de seus aspectos, deixando no lugar todos os conluios, arranjos, tolerâncias e acanhamentos que ao longo dos anos vêm concedento todo o poder aos criminosos. Afora Bolsonaro, todos os outros projetos políticos ou fazem parte da doença, ou ignoram a doença, ou querem tratá-la com aspirina. Sem Bolsonaro o Brasil perderia a esperança de sair da espiral de pobreza, insegurança e corrupção que nos tem caracterizado. Com a vitória de qualquer outro candidato o crime se arranjaria muito bem. Se Bolsonaro faltasse, todos os criminosos do Brasil, seja de colarinho branco ou de qualquer cor, abririam champanha e disparariam suas armas para o alto em comemoração.
Então, como pode alguém argumentar que “violência gera violência”? Sustentar que “a culpa é do clima de ódio”, ou “do radicalismo” ou “do extremismo”? Um cidadão de bem, um político patriota, ergue-se contra o crime e, ao sofrer uma brutal tentativa de assassinato, a culpa é dele? A culpa é da coragem que ele teve de sair às ruas falando abertamente contra o crime? Vamos colocar no mesmo pé de igualdade o crime e aquele que quer enfrentá-lo? Falar firme e inequivocamente contra o crime é uma “violência” semelhante à violência dos criminosos acuados que querem livrar-se do seu maior inimigo?
Não podemos cair no clichê de que “violência gera violência”. O que há é simplesmente isto: um projeto político de combate ao crime gera desespero por parte do crime, e esse desespero chega agora ao ponto da violência mais extrema.
Clima de extremismo? Então colocaremos em igualdade moral os que defendem com seus atos e palavras a sociedade, tentando salvá-la do colapso produzido pelo crime, e aqueles que pretendem perpetuar os esquemas de poder criminoso? São ambos extremistas? Devemos rejeitar o bem porque o bem é o extremo oposto do mal? Afinal, são dois extremismos. Devemos optar por um meio termo pastoso e inconsequente em lugar de defender o bem, apenas para não sermos chamados de extremistas? Devemos acomodar-nos com um meio termo que deixará no lugar todas as estruturas do mal? O crime sai lá de suas profundezas e, com os anos, vai ocupando todas as posições no “centro”, contaminando o “bom senso”, conquistando espaços no discurso oficial, na mídia, na academia – mas quando alguém decide lutar contra ele e reverter essa marcha o crime grita: “Não pode! Isso é extremismo!” Se ainda assim o adversário insiste, o crime vai lá e o esfaqueia – e imediatamente sai pela mídia cinicamente dizendo que “violência gera violência”. Ora, acaso é o combate contra o mal que gera o mal? Se deixarmos de combater o mal, o mal desaparecerá? Ou se fortalecerá ainda mais, utilizando tanto os meios violentos quanto os não violentos, conforme sua antiga estratégia?
Abandonar a defesa do bem, abandonar o combate ao crime para não ser chamado de “radical”, terá por único efeito abandoar ao crime todo o terreno da disputa política. Aceitar o discurso segundo o qual a culpa do atentado é “o clima de extremismo” significaria deixar-se intimidar pelo crime.
Outro político talvez pensasse: “É mesmo, estou pegando muito pesado contra o crime, vou pegar mais leve e talvez não me esfaqueiem de novo. Desculpa aí, crime, foi mal!” Bolsonaro não pensará assim! Mas não podemos deixar que o discurso oficial da mídia construa essa narrativa e convença as pessoas que ainda escutam a mídia. Se deixarmos a grande mídia construir a narrativa, o efeito será enfraquecer a mensagem de Bolsonaro e fortalecer o crime.
É preciso, assim, contrastar a narrativa automática da mídia com a simples realidade: o grande inimigo do crime foi atacado e quase morto pelo crime. A única coisa a fazer é nos propormos a combater o crime junto com ele. O desespero do crime, evidenciado pelo atentado, mostra que estamos mais perto do que imaginaríamos no caminho para reconquistar o Brasil.