sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Ex-advogado da quadrilha do PT, Toffoli dá presente de Natal antecipado a Renan - POR JOSIAS DE SOUZA


Ex-advogado da quadrilha do PT, Toffoli dá presente de Natal antecipado a Renan

Com Blog do Josias - UOL



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Ser ministro do Supremo Tribunal Federal é muito bom. O salário é alto, o gabinete é amplo, as férias são dobradas e o poder sempre pode ser usado para enxotar Renan Calheiros do comando do Senado, o que deve proporcionar uma sensação muito agradável.
Por maioria de seis votos, o Supremo já decidiu que um réu não pode ocupar cargos na linha de sucessão da Presidência da República. Mas o veredicto não foi proclamado porque o ministro Dias Toffoli pediu vista do processo. Ele alega que precisa estudar melhor a matéria. E Renan, que acaba de virar réu, pode continuar dirigindo o Senado e o Congresso.
Num instante em que se aproxima o Natal, Dias Toffoli oferece a Renan Calheiros um presente antecipado. Em duas semanas começa o recesso parlamentar. Os congressistas só voltarão a Brasília em fevereiro, quando será eleito um novo presidente para o Senado. E o réu Renan poderá concluir o seu mandato sem ser importunado.
Toffoli parece acreditar que o clima de oba-oba que caracteriza esse período do ano fará desaparecer o mau humor que transformou o brasileiro num chato, que já não convive muito bem com a desfaçatez.
Os colegas de Dias Toffoli deveriam chamá-lo para uma conversa. É a respeitabilidade do Supremo que está em jogo. Enquanto o ministro mantiver na gaveta o processo que segura Renan na cadeira, os glúteos da Suprema Corte estarão expostos na vitrine.
No mais, convém rezar pela saúde de Michel Temer e do presidente da Câmara, Rodrigo Maia. Você talvez considere que a dupla não vale nada. Mas se os dois faltarem, o presidente da República será Renan Calheiros.

"Ditador. E só ditador", por Antonio Carlos Prado


IstoE

Ditador. E só ditador
QUEM DIRIA - Fidel Castro, então um nacionalista, passeia em 1955 no Central Park, em Nova York: pedido de dinheiro ao governo americano para a sua guerrilha

Deus e o diabo na terra do açúcar. Deus e o diabo na ilha do fumo. Ao longo de seis décadas, para socialistas e comunistas o ditador Fidel Alejandro Castro Ruiz foi um deus. Para muitos democratas, ou não tão democratas assim, ele significava deus e diabo ao mesmo tempo. Agora, com a sua morte na semana passada, aos 90 anos, o que mais se ouve e se lê é essa mesma ladainha – Fidel Castro foi um ídolo político para o bem e para o mal. Toda essa dubiedade se traduz, na verdade, em hipocrisia ou, na melhor das hipóteses, em tolo romantismo. Diga-se claramente que Fidel foi o mais longevo tirano da América Central, criador de uma das mais cruéis ditaduras do planeta, e legou aos cubanos uma ilha empobrecida no setor financeiro, nula no setor industrial, ignorante no setor tecnológico – até a internet é restrita no país, fato que escancarou as portas para o tráfico de pen drives com notícias do exterior. Fidel era um nacionalista, por exemplo, quando em 1955 foi aos EUA, após a frustrada tentativa de assalto ao quartel Moncada, pedir dinheiro ao governo americano para financiar a sua guerrilha contra o ditador Fulgencio Batista. Ei-lo numa foto (a dir.) que surpreende o leitor: Fidel, de terno e gravata, passeando no Central Park, em Nova York. Fidel continuava nacionalista em 1959 quando desceu de Sierra Maestra com seus guerrilheiros e tomou Santa Clara. Ele virou comunista pouco depois porque precisou da ex-URSS para sobreviver no poder. Ou seja: a sua ideologia sempre foi, tão somente, o poder. Por má fé ou falta de informação, há aqueles que teimam em colocar um pé de Fidel no céu e o outro pé no inferno. Bobagem. Ele é todo diabo.
Nesses tempos atuais do politicamente correto, veem-se aguerridos defensores do direito de cada pessoa ser dona de sua opção sexual (com o que concordo) idolatrando Fidel (ponto em que discordo). Aviso aos navegantes dessas águas da contemporaneidade: entre as 26 mil pessoas que ele mandou fuzilar no paredón, morreram adversários políticos, fazendeiros e empresários dos quais queria as terras e os lucros para o Estado, muitas prostitutas e muitos gays. Sim, Fidel fuzilava gays. Mais: criou os centros de “reeducação” para homossexuais, verdadeiras masmorras e máquinas de produzir sofrimento e loucura. Acrescento que também não vejo movimentos feministas criticarem o tirano de Havana por matar prostitutas. E é importante frisar, aos que se dizem de esquerda, que Fidel Castro manteve desde 1959 a imprensa censurada, usurpou do povo o direito de pensar, rezar, criticar e eleger seus governantes, impôs um obscuro estamento burocrático comunista à nação.
Entidade respeitada pela própria esquerda, a Human Rights Watch aponta que cerca de dez mil pessoas foram presas no ano passado, entre elas os jornalistas que simplesmente tentaram noticiar a passagem do vendaval Mattew pela ilha. Para tudo isso a esquerda e alguns democratas que querem ficar bem com todo o condomínio ideológico cerram os olhos. Eis a hipocrisia. Quanto aos ingênuos de plantão, teimam eles no romantismo já denunciado pelo poeta Reinado Arenas em “Antes que anoiteça” (que a esquerda brasileira pouco leu), teimam eles no romantismo que o pensador André Malraux denominou “ilusão lírica” ao se referir ao início da Guerra Civil Espanhola, teimam eles em desconsiderar o olhar de Jean-Paul Sartre em “Furacão sobre Cuba”. Aliás, por aqui, houve também quem venerasse a música de Pablo Milanês – e, por favor, se é para ouvir a chamada Nueva Trova, Silvio Rodríguez é melhor no verso e na música e menos ideologicamente dramático (talvez por isso foi tido durante bom tempo pela burocracia estatal cubana como um “artista playboy”). Existe, porém, mais teimosia: a que evapora das mesas de bar a dizer que tudo andou e anda bem em Cuba porque lá tem boa saúde pública e bom ensino gratuito. É preciso avisar essa gente que democracia e estado de direito não são excludentes de saúde e de educação. Ou, se quiserem, pensemos pelo avesso do avesso: durante a famigerada ditadura militar brasileira, no período do ditador Emilio Garrastazu Médici, o Brasil ia bem de educação, saúde e crescimento imobiliário, tudo isso enquanto se lançava ao silêncio do mar corpos de oponentes políticos. O crescimento do País não justificava nem compensava a tortura nos porões. Digo: Médici foi um tirano. Mas também digo: Fidel foi um tirano.
A morte de Fidel Castro encerra um ciclo de agonia na combalida Cuba (Deus queira que sim) e demonstra que o socialismo e o comunismo se tornaram arremedos de sistemas: politicamente porque se revelaram autoritários, economicamente porque se revelaram incompetentes. Cuba segue a sina, e nela não haverá glasnost mas haverá perestroika – interessa aos EUA reaproximado por Barack Obama, interessa aos legítimos conservadores que nada têm a ver com os delírios de Donald Trump, e interessa à juventude da ilha. Fidel falava, falava e não parava de falar em seus discursos, porque é dessa forma, com ideias politicamente ocas e palavras incendiárias, que o populismo de tais regimes se mantém. Os tribunos romanos falavam durante horas e horas, muitos ouvintes desmaiavam, e daí nasceu a expressão epilepsia (o que abate por cima) porque se acreditava que entidades espirituais causavam os desmaios. Com o tempo descobriu-se que a epilepsia é assunto médico, tanto quanto a megalomania por meio de discursos quilométricos. Em um de seus discursos, quem diria, o próprio Fidel, que pleiteava para si o slogan de general “inquebrantable” dado ao ditador sanguinário Josef Stalin, também desmaiou. Não se sabe se ele não aguentou a eternidade do pronunciamento ou a eternidade de demagogia – já houve tanto “pai dos pobres” na América Latina (vide Juan Domingo Perón, Getúlio Vargas e Lula, só para citar três exemplos), que se um deles de fato o tivesse sido não haveria miseráveis desse lados dos “tristes trópicos” de Claude Lévi-Strauss.
E por que o socialismo e o comunismo precisam de tais discursos? A explicação está no pecado original da teoria que um dia se pretendeu sociológica e científica, formulada por Karl Marx, mas que na realidade nunca passou de uma escada ideológica para tomada e manutenção do poder. Com Heráclito, tivemos uma dialética pessimista porque não vislumbrava por vir: o seu princípio desanimador era “nunca nos banhamos duas vezes na mesma água do mesmo rio”. Com Georg Friedrich Hegel a humanidade cresceu largo e profundo em sua dimensão intelectual porque a dialética ganhou no campo das ideias (repita-se:das ideias) o otimismo da tese-antítese e síntese, sendo que a síntese se faz como um patamar superior de evolução, a qual novamente se tornará uma tese melhor, uma antítese aperfeiçoada e outra síntese mais elaborada, e assim sucessivamente. Pois bem, Karl Marx, com zero de ciência e mil de ideologia, distorceu a dialética hegeliana e a colocou na camisa de força daquilo que denominou “materialismo histórico”, no qual a síntese seria a absurda e execrável “ditadura do proletariado”. Ela serviu, por exemplo, para embasar regimes sanguinários como o de Stalin na ex-URSS e de Josip Briz Tito, na Hungria. O nome já não presta: “ditadura do proletariado”. Fidel Castro a vivia pregando. Para o bem daqueles que são tolerantes e não gostam de ditaduras, essa dialética marxista foi incinerada junto com o corpo de Fidel.

Elba Ramalho conta o trauma que sofreu após praticar um aborto


O BRASIL CONTRA O CONGRESSO - RAFAEL BRASIL

Resultado de imagem para charges sobre o congresso contra a lava jato


Nunca na história do país existiu tamanho distanciamento dos políticos com o povo. O que é um perigo, pois nos regimes autoritários e totalitários, a política nunca deixou de existir, só que de um lado. Nos regimes autoritários, os opositores, quando muito perdiam seus empregos no estado, a alguns militantes mais radicais eram devidamente presos e muitas vezes  torturados e mortos. Nos países totalitários matavam logo. 
Os comunistas que fizeram a malfadada Revolução Russa , quando nos tempos do tzarismo, aproveitavam suas estadias na prisão para estudar o comunismo. Quando no poder, matavam todos, e foram os que mais mataram comunistas. Stálin matou TODOS os revolucionários que participaram da revolução. Mao Tsé  Tung nem se fala.
 Aqui nas Américas Fidel perpetrou a ditadura mais sanguinária do continente em sua já triste história de regimes autoritários, muitos até caricatos.
No Brasil a república já nasceu autoritária, e de um golpe sem nenhuma participação popular. Foi uma república já infectada pelo positivismo, que no Brasil era uma espécie de religião, e realmente tinham setores positivistas que fundavam igrejas, cujo messias era Augusto Comte, o pai do positivismo que descambaria para o marxismo, com a idéia de que elites podiam construir uma sociedade perfeita, inclusive renegando a política.
 Para os marxistas, a sociedade comunista prescindiria do estado e da política. Coisa de doido mesmo, só que estas idéias mataram cerca de 150 milhões de pessoas, consideradas descartáveis por   não serem adaptáveis ao sistema.
Hoje no Brasil, a crise está levando, naturalmente, a uma demonização da política. Por isso é preciso radicalizar, digamos, na democracia. Botar esta canalha da finada nova república para fora da vida pública, inclusive botando muitos na cadeia e refundar nossa democracia. A começar por Renan. Como é que pode um meliante como ele sobreviver no poder por décadas e em vários governos? É preciso jogar essa cambada no lugar que eles merecem que é a lata de lixo da história, e claro, que pagem pelas safadezas.
Hoje o congresso nacional é o principal inimigo do povo. A imensa maioria dos políticos está contaminada, pois para se eleger precisam de rios de dinheiro, e dinheiro não nasce em árvores.
No momento todos estão desesperados diante da bombástica delação da odebreceht. Vai sobrar pouca gente. Daí os intensos movimentos contra as investigações, em todos os níveis.
Muitos meliantes do congresso ameaçam não votar as matérias econômicas necessárias, como moeda de troca para a impunidade. Mas diante dos fatos, a recuperação econômica passa pela refundação da república, e do aperfeiçoamento das instituições democráticas. O pior é que faltam líderes. Mas eles aparecerão no decorrer do processo, cada vez mais indefinido. 
Enquanto escrevo o país pode entrar em depressão. Aí é o inferno, se considerarmos que estamos já há décadas no purgatório. Uma situação no mínimo de arrepiar. Mas retroceder jamais. Vamos ver a resposta do povo nas ruas. E nos torturarmos com a podridão das investigações, desnudando a natureza da antes chamada nova república. Que Deus proteja o povo brasileiro. Vige Maria, e vade retro satanás!

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Demétrio Magnoli: "O copo da utopia"


Demétrio Magnoli: "O copo da utopia"

O Globo

Com honrosas exceções, a imprensa prestou lealdade ao ícone revolucionário, Fidel, virando as costas, em indisfarçável desprezo, aos cubanos comuns


Visitei Cuba em 1994, no auge do Período Especial, o termo orwelliano escolhido pelo regime castrista para batizar a crise trágica derivada da implosão da URSS. Casualmente, encontrei-me em Havana com uma ex-aluna, que estava furiosa com um motorista de táxi atrevido o suficiente para queixar-se do governo. A jovem brasileira, encantada com o mito da Revolução Cubana, pensava em denunciar à gerência do hotel (isto é, na prática, ao governo) o taxista que “manchava” a “imagem de Cuba”. Lembrei-me do episódio acompanhando a cobertura da morte de Fidel Castro. Com honrosas exceções, a imprensa prestou lealdade ao ícone revolucionário, virando as costas, em indisfarçável desprezo, aos cubanos comuns.

Os jornais encheram-se de declarações de estadistas, inclusive de nações democráticas, prestando homenagem a uma figura que, “embora controvertida”, teria desafiado o imperialismo, promovido a soberania de Cuba e oferecido justiça social a seu povo. Nas capas e nos textos internos, sobraram palavras épicas, especialmente “História” e “Revolução”, que costumam ganhar o adorno da inicial maiúscula. Na TV, de correspondentes brasileiros, ouvi panegíricos a Fidel que seus próprios aduladores cubanos já têm vergonha de entoar. Tanto quanto os estadistas, os jornalistas beberam avidamente no copo da utopia, enterrando a realidade factual sob pilhas espessas de sentenças ideológicas.

Fidel entrou no barco de Caronte, na derradeira jornada rumo ao submundo, exatos 60 anos depois de embarcar no iate Granma, na madrugada de 26 de novembro de 1956, para a viagem que conduziu seu grupo de revolucionários do México à Sierra Maestra. Durante mais de meio século, os nomes “Cuba” e “Fidel” foram pronunciados juntos, como se a nação fundada por José Martí não pudesse existir sem seu supremo “Comandante”. Mas, confundindo os repórteres, o peso incalculável dessa história não produziu cenas dramáticas, emocionais, nas ruas de Havana.

Queria-se luto fechado, dor lancinante, declarações de amor incontido. No lugar disso, os estrangeiros testemunharam um país anestesiado: ruas mais ou menos vazias, uma normalidade sem buliço ou bebidas alcoólicas, a resistência a conceder entrevistas, parcas declarações estandardizadas. Os repórteres fingiram não ver o medo — e se recusaram a espiar dentro dos lares. Na segurança dos espaços privados, longe dos ouvidos de vizinhos nem sempre confiáveis, pronunciaram-se frases inconvenientes, abriram-se garrafas de rum, alguns até mesmo brindaram. Os jornalistas deveriam saber que Cuba, afinal, não é o equivalente de Fidel.

As lições sobre o medo estão à mão, em incontáveis relatos. Um exemplo é suficiente. O dissidente soviético Natan Sharansky tinha 5 anos quando morreu Stalin. Seu pai explicou-lhe, então, “que Stalin era uma pessoa horrível, que matou muitas pessoas”, mas pediu-lhe a maior discrição: “Faça o que todo mundo fizer”. Natan obedeceu. “Fui para a escola e chorei junto com todas as crianças e cantei com todas elas as músicas que diziam quão grande foi Stalin”. A dissociação entre o gesto público e o privado, entre o que se diz e o que se pensa, é uma marca inconfundível da vida cotidiana nos regimes totalitários. Sharansky: “Isso é como funciona a mente de um cidadão leal, você faz tudo o que te mandarem fazer. E, ao mesmo tempo, você sabe que tudo é mentira.”

Nos dias seguintes à morte de Fidel, o regime castrista prendeu, uma vez mais, o grafiteiro El Sexto, que desenhara numa parede a frase “Já se foi”, e proibiu um encontro do Centro de Estudos Convivência, um grupo apartidário, cuja pauta era discutir perspectivas sobre a educação e a cultura em Cuba. As duas notícias, tão reveladoras, quase não apareceram na imprensa internacional, devotada a entrevistar, interminavelmente, o “cidadão leal” que faz tudo o que os outros fazem. Os jornalistas prestam homenagem à História, traindo seu compromisso profissional de contar histórias.

O britânico “The Guardian”, um jornal de referência, publicou uma reportagem convencional, pontilhada de declarações de praxe de cubanos comuns, geralmente elogiosas ao “Comandante”. Na nota de rodapé, esclarece-se burocraticamente que os nomes dos entrevistados foram ficcionalizados. O “cidadão leal” teme ver seu nome reproduzido em páginas impressas, quando fala de Fidel, mesmo se o elogia — e isso não faz soar um alerta entre os repórteres, redatores ou editores! No caso singular de Cuba, a imprensa normalizou as engrenagens do totalitarismo, tratando-as como um relevo habitual da paisagem.

“A História me absolverá”, vaticinou Fidel em 1953, da cadeira de réu no julgamento em que foi condenado pelo ataque ao quartel Moncada. O jovem Fidel invocava a história para enfatizar a carência de legitimidade dos juízes que serviam à ditadura de Fulgêncio Batista.

Mas a curiosa ideia da História como um tribunal de última instância, o equivalente comunista do Juízo Final dos cristãos, cumpre a função de uma assepsia moral. Diante da imponente Senhora Juíza, qual é o valor de nossos princípios políticos ou de nossa bússola ética? Na sua maioria, os analistas da imprensa inclinaram-se, respeitosamente, à exigência castrista do julgamento pela História, um privilégio que, com razão, jamais concederam a tantos outros ditadores.

A Cuba castrista justificou a ditadura em nome da proteção de um sistema econômico socialista. Hoje, o próprio Raúl Castro admite a falência desse sistema e promove reformas de mercado — mas conserva, a todo custo, o poder ditatorial do Partido Comunista. O copo da utopia secou antes da morte de Fidel, quando o regime decidiu substituir o socialismo selvagem por um capitalismo simetricamente selvagem, que não abrange liberdades políticas, autonomia sindical ou direitos trabalhistas. Teimosos, porém, os jornalistas continuam reunidos em torno de um copo vazio.

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Ives Gandra da Silva Martins: "STF desrespeita vontade popular ao legislar sobre aborto até 3º mês"



Alan Marques - 28.mar.2016/Folhapress
O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Luís Roberto Barroso
O ministro Luís Roberto Barroso em sessão do STF em março deste ano


Folha de São Paulo


A Suprema Corte decidiu que o aborto até o terceiro mês não é crime, pois ainda não há um ser humano. Não haveria, pois, vida humana, antes de o feto estar inteiramente formado, razão pela qual qualquer mulher pode matar o filho gerado em seu ventre.

Apesar de a Constituição anterior apenas proteger "a inviolabilidade dos direitos concernentes à vida" e não o "próprio direito à vida", como o faz, com clareza, a Constituição atual no artigo 5º, houve por bem, a Máxima Corte, entender que o Código Penal de 1940 (artigo 128) seria inconstitucional na sua restrição às outras formas de aborto que não o terapêutico e o sentimental.

O Supremo não pode legislar, nem mesmo nas ações de inconstitucionalidade por omissão do Congresso (artigo 103 § 2º), artigo este desprezado pelos bons juristas daquela Corte.

O que mais preocupa na decisão, embora só de uma Turma, é que o artigo 2º do Código Civil, segundo o qual "todos os direitos do nascituro são assegurados desde a concepção", passa a ter um acréscimo "menos um, o direito à vida"!!!

Por outro lado, o Pacto de São José declara, em seu artigo 4º, que a vida é assegurada desde a concepção, sendo, pois, conflitante a tomada de posição da referida Turma com o Tratado do qual o Brasil é signatário.

No momento, há inúmeros projetos de leis em andamento no Congresso Nacional sobre aborto, em que nas audiências públicas –participei de algumas– a maioria da população tem-se revelado contra a morte de nascituros provocada por quem deles deveria cuidar. Ora, o que a população, por seus representantes legítimos por ela eleitos, ainda não decidiu, a Suprema Corte, cujos integrantes são eleitos não pelo povo, mas por um homem só, vem agora decidir.

Minha admiração pelos onze ministros é imensa, inúmeras vezes já expressa em artigos, conferências e livros, o que torna mais desconfortável contestar suas posições, até por que tenho livros escritos com muitos deles, sobre tê-los como confrades em algumas academias.

Apesar da admiração e respeito, entendo que macularam a lei suprema, ao declararem que uma das grandes conquistas do século 21 é a da mulher assassinar seus filhos –enquanto ainda dela inteiramente dependentes, pois nos seus ventres.

Certa vez, o consagrado professor Jérôme Lejeune, que detectou aspectos relevantes da síndrome de Down, membro da Academia Francesa de Letras, foi entrevistado por televisão inglesa, e lhe perguntaram por que fazia oposição ao aborto até três meses, adotado na Inglaterra.

Sua resposta foi singela: "Se o nascituro não é um ser humano até os três meses, só pode ser um ser animal. Ora, se para os ingleses a rainha da Inglaterra foi um animal durante três meses na sua forma embrionária, para, depois, tornar-se um ser humano, isto é um problema deles, não meu, que sempre fui um ser humano, desde a concepção".

Valeria a pena os senhores ministros da Suprema Corte refletirem sobre as sábias palavras do saudoso professor Jérôme Lejeune.

MANIFESTAÇÕES DE 4/12: POR QUE NÃO IREI - André Gordon

Manifestações foram organizadas para o dia 4 de dezembro pelas medidas contra a corrupção. Há motivo para desconfiar de boas intenções.
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Ontem assistimos novamente um espetáculo de vandalismo em frente ao Congresso Nacional. Como se não bastasse o extremo mau gosto de se fazer um protesto num dia de luto nacional, esses desocupados e pelegos, vagabundos e mercenários mostraram que nutrem pelo Brasil apenas desprezo. Não respeitam a dor alheia, não respeitam as instituições e não respeitam o patrimônio público e privado. Apenas depredam.
Eles protestavam não contra a PEC 55, que todos sabem absolutamente necessária, nem contra a anistia ao caixa dois, que não estará em pauta, nem contra a reforma da educação, que é flexível a ponto de comportar quase quaisquer matizes. Eles querem apenas abrir o caminho para desestabilizar o atual governo, como fizeram em todos os governos anteriores, exceto os de Lula e Dilma.
Contam com apoio de boa parte da mídia, sabemos. Se fosse um grupo de direitistas que tivesse promovido o quebra-quebra de ontem, tenham certeza que seriam massacrados por semanas nos jornais e nas TVs. Sendo MST, CUT ou “estudantes” sabe-se do quê, já estão esses papagaios de pirata, sempre a postos, dizendo que a PM agiu com truculência. O certo, segundo estes degenerados, seria deixar que a turba invadisse o Congresso e quebrasse tudo.
E por que eu faço essas colocações óbvias? Porque faz dias que venho alertando para armadilhas que vêm sendo plantadas e com o intuito de sabotar o governo Temer. O caso Calero foi uma destas armadilhas. Esse jovem ministro, que gravou ilegalmente quem lhe confiou um ministério, nunca se incomodara, nos anos em que serviu aos governos do PT, na Petrobrás ou CVM, ou mesmo na secretaria junto ao Duda Paes, outro bastião da moralidade da era PT.
E o que falar do ex-chefe de gabinete de FHC, Xico Graziano, que defendeu faz poucos dias, no maior jornal do país, a volta de FHC através de eleições indiretas? Jabuti não sobe em árvore. Isso é o que chamamos de plantar rumores, idéias, tais como num teste de laboratório, para ver se colam.
E o que falar das manifestações de 4/12 (4 de dezembro)? “Isentões” querem mostrar que são limpinhos, bonzinhos e amigos da galera. Também protestam contra o centro ou a direita, já que protestaram contra a esquerda. Na figura do Dr. Hélio Bicudo podem se sentir representados. Eles formam a maior parte da massa de manobra. Muita vontade, pouco freio. Muito fígado, pouco cérebro. Muita tática, pouca estratégia.
Os movimentos que se destacaram no fora Dilma são bastante heterogêneos. Há de tudo um pouco. O que menos há é independência e maturidade. Comportam-se como adolescentes. Adolescentes da geração Y. Entendedores sabem do que falo. Quem é contra todos os partidos, inclusive o “PQP”, que aponte então o caminho para que coloquemos o país nos trilhos. Aqui não questiono o mérito por trás dos protestos.
É quase unânime que a Lava-jato é positiva e pode ser considerada um marco para o país, graças, principalmente, ao belo trabalho da Comarca de Curitiba. Também é quase unânime o entendimento que corruptos devem ser presos. Quem não atentar para o fato de que hoje empresários, banqueiros, deputados e senadores foram ou estão presos por conta da Lava-jato ou Zelotes, não está conectado à realidade.
O maior empreiteiro do país está preso faz dois anos. O ex-todo-poderoso Eduardo Cunha está preso, a tesouraria toda do PT está presa. Lula será preso. Quiçá ainda este ano. O timing destas manifestações não poderia ser pior Em meio a estas diversas tentativas para desestabilizar este governo de transição, quaisquer protestos e manifestações de rua se somarão aos atos de vandalismo como o de hoje.
Os jornais anunciaram 4/12 com uma semana de antecedência. Precisamos, no passado, de centenas de milhares nas ruas para ganhar uma notinha nesses mesmos jornais. Jogou-se no colo do Temer a responsabilidade pela lei da “anistia”, como se não fosse do Congresso a atribuição para aprovar a proposta do MP com apoio popular, que também pecou no timing.
Geddel deixou o governo, mas segue sendo protagonista, como se o Temer não tivesse agido da forma correta e prudente, no caso. Está armada a arapuca. Temer foi ágil. Saiu Geddel, disse que vetará a anistia. O Senado se ligou. Acaba de aprovar a PEC 55 por 61 x 14. Massacre. Essa eficiência deve ser refletida nos mercados ainda nesta semana, já que ontem circulou na mídia um eventual atraso nas votações. Estamos com 12.1% de desemprego. R$ 170 bi de déficit primário. O PIB caindo mais de 3% este ano.
Apenas o restabelecimento da confiança, tanto de empresários quanto de consumidores poderá impulsionar novamente nossa atividade e trazer consigo um círculo virtuoso. E esta confiança não será restabelecida sem que haja um mínimo de estabilidade política para que as reformas sejam levadas adiante. Sabemos que o inimigo de nosso inimigo, é nosso amigo.
Se atuarmos junto com nossos maiores inimigos, os grupos da esquerda revolucionária, ainda que sem coordenação explícita, e contra um inconveniente menor, estaremos simultaneamente dando oxigênio para estes nossos maiores inimigos, às cordas, ao mesmo tempo em que ajudamos a dinamitar a única ponte que eventualmente nos permitirá chegarmos onde almejamos, o governo de transição para 2018.
O PT e seus congêneres deveriam estar escondidos, no máximo conspirando junto de seus advogados. Mas não. Conseguem ainda papel de protagonista ao encaminhar pedidos de Impeachment e, com menos de 20% de representação, colocar o país no corner. O MinC fora extinto. Gritaram. O ressuscitaram. E para lá enviaram um cavalo de Tróia. Viram no que deu.
O PSDB perdeu seu lugar na fila. De forma estratégica, aceitou fazer parte do governo Temer. Ao menos por enquanto. Antes que Aécio Neves, José Serra e Geraldo Alckmin comecem a se digladiar, devem tentar demover o PMDB do protagonismo em 2018. Caso não consigam, faria sentido desestabilizar o atual governo para lançar FHC em votação indireta. Seria o nome que uniria o partido e de quebra poderia tentar resgatar sua biografia, manchada sob a pecha da “herança maldita” durante os 13 anos de PT. E desta vez, creio eu, tentaria fazer um sucessor, diferentemente de 2002.
Se as digitais do PSDB estiverem por trás destes ruídos, não me surpreenderia nem um pouco. O que sei é que se o PSDB voltar ao poder prematuramente, o sonho de termos um governo de direita e que buscasse resgatar os valores que perdemos nas últimas décadas, ficará muito mais distante. É por isso que no dia 4/12 eu irei, mas para um churrasco com amigos, e espero que a lucidez leve aqueles bem intencionados a fazer o mesmo. Deixemos o MASP para que os movimentos contrários ao Brasil passem vergonha sozinhos.

Momento Antagonista: Bobeou, dançou

Momento Antagonista: Bobeou, dançou


Claudio Dantas comenta a mais recente tentativa de golpe arquitetada por Renan Calheiros e avisa: renúncia da força-tarefa depende, antes de tudo, do tamanho da manifestação de domingo.