quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Um árabe islâmico relata: A verdadeira resposta palestina ao discurso de Trump sobre Jerusalém Bassam Tawil

Um árabe islâmico relata: A verdadeira resposta palestina ao discurso de Trump sobre Jerusalém

12 de dezembro de 2017 - 18:40:06
A imagem do punhado de palestinos protestando em Belém, queimando imagens do presidente dos EUA, Donald Trump, em 6 de dezembro, foi feita para que parecesse ser parte de um gigantesco protesto das comunidades palestinas. (Imagem: captura de tela do video CBS News)
Não se deixe enganar: os prometidos “rios de sangue” jorram nesse exato momento. No entanto, é a faca de árabes e muçulmanos que corta a garganta dos irmãos árabes e muçulmanos que é a fonte desta torrente vermelha.

Não mais do que três horas depois que o presidente dos Estados Unidos Donald Trump, telefonou ao presidente da Autoridade Palestina Mahmoud Abbas, para informá-lo sobre sua intenção de transferir a embaixada dos EUA de Tel Aviv para Jerusalém, um sem-número de fotojornalistas palestinos receberam um telefonema de Belém.
Os telefonemas vieram de “ativistas” palestinos, convidando os fotógrafos a irem à cidade para documentar um “acontecimento importante”. Quando os fotógrafos chegaram, descobriram que o “acontecimento importante” nada mais era do que meia dúzia de gatos pingados de “ativistas” palestinos que se dispuseram a queimar posters de Trump na frente das câmeras.
Os “ativistas” aguardaram pacientemente enquanto os fotojornalistas e cinegrafistas montavam seus equipamentos para registrarem o “acontecimento importante”. Logo, a mídia já estava toda alvoroçada com relatos sobre “manifestantes palestinos furiosos tomando as ruas para protestar” contra a intenção de Trump de transferir a embaixada para Jerusalém e o reconhecimento da cidade como a capital de Israel. As filmagens da meia dúzia de gatos pingados palestinos queimando as fotos de Trump foram feitas de tal forma para que parecesse que faziam parte de um gigantesco protesto avassalando as comunidades palestinas.
A cena mostra mais um caso do conluio entre os palestinos e os meios de comunicação, cujos representantes estão sempre ávidos em servir de porta-vozes da máquina de propaganda palestina e proporcionar uma plataforma aberta para transmitir ameaças dos palestinos contra Israel e os EUA.
Se os fotógrafos e os cinegrafistas não tivessem aparecido para registrar a “espontânea” queima das imagens, os ativistas palestinos teriam sido obrigados a debandarem, com o rabo entre as pernas, de volta para um dos coffee shops de Belém.
Até aqui nada de mais, nada incomum: os ativistas palestinos estão cansados de saber que os repórteres, tanto locais quanto estrangeiros, estão sedentos por sensacionalismo e, o que melhor para sair bem na fita do que pôsteres de Trump em chamas bem no lugar do nascimento de Jesus na véspera de Natal, quando milhares de peregrinos e turistas cristãos estão se dirigindo para a cidade?
Ao maquiar a “cerimônia” da queima de pôsteres como reflexo da fúria generalizada dos palestinos quanto à política de Trump em relação a Jerusalém, a mídia internacional está sendo mais uma vez cúmplice na disseminação da propaganda dos formadores de opinião palestinos. Líderes e porta-vozes palestinos dão tudo de si para criarem a impressão de que a política de Trump no tocante a Jerusalém incendiará a região. Eles também se esforçam ao máximo para mandar a mensagem ao povo americano de que a política de seu presidente põe em perigo suas vidas. Com efeito, a mídia se ofereceu para servir à campanha de intimidação dos palestinos. E a confluência da mídia na farsa da queima de pôsteres em Belém é só o começo.
Agora que os palestinos conseguiram, com a ajuda da mídia, incrustar essas imagens nas mentes de milhões de americanos, eles planejam encenar mais protestos. Objetivo: aterrorizar o povo americano e forçar Trump a rescindir sua decisão sobre o status de Jerusalém. Essa tática de intimidação através da mídia não é nova. Na verdade, ela vem acontecendo há décadas, em grande parte graças à adesão da grande mídia do Ocidente.
A esta altura, jornalistas palestinos e ocidentais já foram convidados a cobrir uma série de protestos programados pelos palestinos para os próximos dias e semanas em resposta à política de Trump. Os jornalistas, incluindo fotógrafos e cameramen, receberam planilhas detalhadas especificando data e hora das manifestações que terão lugar em diferentes regiões da Cisjordânia e da Faixa de Gaza. Aos jornalistas foram prometidas mais cenas de fotos de Trump e da bandeira dos EUA em chamas. Foram até dadas dicas a jornalistas sobre os locais onde os “confrontos” irão ocorrer entre os arruaceiros palestinos e os soldados da Força de Defesa de Israel. Em outras palavras, os jornalistas foram informados exatamente onde deveriam estar para documentar os palestinos atirando pedras contra os soldados, juntamente com a previsão da resposta da FDI.
O engraçado é que, se por alguma razão os cameramen não aparecerem, os “ativistas” também não aparecerão. No mundo palestino, tudo gira em torno da manipulação da mídia e do recrutamento dela em favor da causa palestina. E a causa é sempre atacar Israel e atacar Trump não fica muito atrás.
Sim, os palestinos irão protestar nos próximos dias contra Trump. Sim, eles tomarão as ruas e atirarão pedras contra os soldados da FDI. Sim, eles queimarão imagens de Trump e bandeiras dos Estados Unidos. E sim, eles tentarão perpetrar ataques terroristas contra os israelenses.
“Quando estamos em nossas salas de estar assistindo aos noticiários transmitidos da Cisjordânia e da Faixa de Gaza, por que não nos perguntamos: quantos desses ‘eventos’ não são, de fato, paródias da mídia? Por que os jornalistas se deixam levar pela máquina de propaganda palestina que vomita ódio e violência da manhã até à noite? E por que os jornalistas exageram e agravam as ameaças de violência e anarquia dos palestinos?
Primeiro, muitos jornalistas querem agradar seus leitores e editores, oferecendo-lhes histórias que apresentam uma imagem negativa de Israel. Segundo, há também aqueles jornalistas que acreditam que escrever histórias anti-israelenses os ajudarão a ganhar prêmios de diversas organizações autoproclamadas de defesa da moral. Terceiro, muitos jornalistas acreditam que escrever artigos anti-Israel lhes darão acesso aos assim chamados grupos ‘liberais’ e a um clube fechado, exclusivo, teoricamente ‘esclarecido’ que romantiza estar ‘no lado direito da história’. Eles não querem ver que 21 estados muçulmanos procuraram por muitas décadas destruir um único estado judeu, eles acham que se os jornalistas forem ‘liberais’ e ‘de mente aberta’, eles têm que apoiar os ‘coitadinhos’, que eles acreditam serem ‘os palestinos’. Quarto, muitos jornalistas veem o conflito como sendo entre bandidos (supostamente os israelenses) e mocinhos (supostamente os palestinos) e que é dever deles ficarem do lado dos ‘mocinhos’, ainda que os ‘mocinhos’ estejam praticando atos de violência e terrorismo.”
Não faz muito tempo, mais de 300 fiéis muçulmanos foram massacrados por terroristas também muçulmanos enquanto eles oravam em uma mesquita no Sinai, Egito. Essa tragédia provavelmente foi coberta por menos jornalistas do que o episódio orquestrado sobre o poster de Trump em Belém. Houve alguma comoção no mundo árabe e islâmico? Agora se fala sobre “dias de fúria” nos países árabes e muçulmanos em sinal de protesto contra Trump. Por que não houve “dias de fúria” nos países árabes e islâmicos quando mais de 300 fiéis, entre eles muitas crianças, foram massacrados durante as rezas da sexta-feira?
Já está mais do que na hora de certa autoreflexão por parte da mídia: eles realmente querem continuar servindo como porta-vozes dos árabes e muçulmanos que intimidam e aterrorizam o Ocidente?
Os jornalistas mancomunam diligentemente com a Autoridade Palestina e o Hamas para criarem a falsa impressão de que eclodirá a Terceira Guerra Mundial se a embaixada dos EUA for transferida para Jerusalém. Centenas de milhares de muçulmanos e cristãos foram massacrados desde que teve início a “primavera árabe” há mais de seis anos. Eles foram mortos por terroristas muçulmanos e outros árabes. O derramamento de sangue continua até hoje no Iêmen, Líbia, Síria, Iraque e Egito.
Não se deixe enganar: os prometidos “rios de sangue” jorram nesse exato momento. No entanto, é a faca de árabes e muçulmanos que corta a garganta de irmãos árabes e muçulmanos que é a fonte desta torrente vermelha e não uma declaração feita por um presidente dos EUA. Talvez isso possa finalmente ser um evento que vale a pena cobrir pelos itinerantes repórteres da região?

Bassam Tawil, árabe muçulmano, radicado no Oriente Médio.

Bolsonaro rebate Meirelles - com O Antagonista


Bolsonaro rebate Meirelles


Henrique Meirelles declarou ontem que Jair Bolsonaro “não deixou clara sua linha econômica”.
A assessoria do deputado enviou a O Antagonista a nota abaixo:
“Jair Bolsonaro é o único pré-candidato com propostas reais, tais como: Superávit primário de 0,5% do PIB; Banco Central independente; BNDES transparente; redução pela metade no número de ministérios, para 14; privatizações pulverizadas e com golden share (seguindo o modelo da Embraer); Reforma da Previdência Fásica (muito diferente da péssima reforma enviada por Temer/Dilma/Lula); respeito total às leis e à Constituição (infelizmente, isso é um diferencial no Brasil); etc. Mais propostas virão em breve. Temos um time de professores e doutores, altamente qualificados, que está finalizando um programa para reformular nosso setor energético.”

Demétrio Magnoli: Duas filas em Iribarren


Demétrio Magnoli: Duas filas em Iribarren

- O Globo

No domingo, duas filas formaram-se em lados opostos de uma rua de Iribarren, na periferia de Barquisimeto (Venezuela). Numa delas, as pessoas votavam em eleições municipais boicotadas pelos maiores partidos oposicionistas. Na outra, registravam-se para receber o Carnet de la Patria, cartão de benefícios sociais oferecidos pelo governo. Um dia depois, o presidente Nicolás Maduro anunciou que os partidos boicotadores perderiam o direito de concorrer em eleições futuras, a começar pelas presidenciais de 2018. Não se ouviu uma palavra de protesto de Lula, Dilma Rousseff, Guilherme Boulos ou algum dos ícones intelectuais da esquerda brasileira.

A troca direta da ajuda oficial pelo voto é uma antiga estratégia do regime chavista. Porém, desde dezembro de 2015, quando a oposição obteve vitória avassaladora nas eleições legislativas, o governo sabe que nunca mais triunfará em eleições livres. Nos pleitos estaduais, Maduro apelou à intimidação e à fraude generalizadas. Mas o recurso tem limites, definidos pelo colapso da economia. O PIB contrairá 12% em 2017, mais que em países sob guerra civil como a República Democrática do Congo. A inflação anualizada ultrapassa 800% e, em 2018, deve romper a barreira de 2.000%. Proibindo a ação política da oposição, o chavismo prepara-se para reprimir uma temida revolta popular. O argentino Adolfo Pérez Esquivel, Nobel da Paz no longínquo 1980, reproduz o discurso de Maduro, justificando a ditadura pelo álibi previsível: as “agressões do império norte-americano”.

“Eles desaparecerão do mapa político”, proclamou Maduro, referindo-se aos partidos de oposição. Para todos os efeitos práticos, o chavismo converte-se em regime de partido único. É Cuba 2.0 — só que sem Fulgencio Batista, revolução ou Guerra Fria. Na Nicarágua, em julho, diante do Foro de São Paulo, uma articulação de partidos da esquerda latino-americana, a presidente petista Gleisi Hoffmann garantiu “apoio ao presidente Maduro”. Logo depois, o PSOL emitiu nota de “solidariedade à revolução bolivariana” na qual, sinistramente, avisa que “não há meio-termo”. A esquerda latino-americana acostumou-se a celebrar ditaduras em nome da utopia. Na Venezuela, aprende a descartar a utopia, ficando apenas com a ditadura.

Cuba foi a última experiência da utopia comunista: a abolição da propriedade privada, pelo controle estatal dos meios de produção. A Venezuela chavista, uma Cuba sem utopia, não almeja abolir a propriedade privada, mas conservá-la como privilégio restrito aos empresários que circundam o poder — a “boliburguesia” (burguesia bolivariana) — e às empresas estrangeiras conectadas ao regime, como a Odebrecht, financiadora de campanhas de Hugo Chávez e Maduro. A solidariedade ao chavismo não representa uma recuperação tardia da utopia econômica e social comunista, mas um sinal de adesão ideológica ao sistema de partido único. Os líderes do PT e do PSOL, e os intelectuais de esquerda que os acompanham, estão dizendo que aboliriam a democracia, se pudessem.

Maduro conserva o poder graças à aliança tecida entre o chavismo e a cúpula das Forças Armadas. O regime fracassou absolutamente no domínio da economia, mas obteve um sucesso decisivo na incorporação dos militares ao mais lucrativo dos negócios estatais: a importação e distribuição de alimentos. As operações de arbitragem entre as taxas de câmbio controlado e subterrâneo proporcionam lucros fabulosos, que asseguram a lealdade militar. O regime “cívico-militar”, caracterização precisa utilizada por Maduro, assenta-se sobre o desastre econômico e o desvio legalizado de recursos públicos. Autoritarismo e corrupção formam as faces complementares do chavismo crepuscular. A “revolução bolivariana” dos nossos intelectuais de esquerda assemelha-se cada vez mais às ditaduras militares clássicas da América Latina.

A moderna social-democracia europeia nasceu no rescaldo da Revolução Russa. A implantação do regime de partido único na Rússia Soviética ensinou os social-democratas a repudiar o poder monolítico. Os comunistas europeus resistiram a aprender a lição. Em 1974, bem depois da morte de Stalin (1953) e das invasões soviéticas da Hungria (1956) e da Tchecoslováquia (1968), o filósofo ex-comunista polonês Leszek Kolakowski recordou, enfastiado, ao historiador marxista britânico Edward P. Thompson que “esse esqueleto nunca voltará a sorrir”. Por essa época, Enrico Berlinguer, líder do Partido Comunista Italiano, concluía sua ruptura com Moscou, anunciava o “eurocomunismo” e comprometia-se com o princípio da pluralidade política. A tragédia na Venezuela prova que nem mesmo a falência de Cuba abriu uma fresta na caverna histórica da esquerda latino-americana.

As duas filas simétricas de Iribarren descrevem o horizonte distópico no qual se movem o PT e o PSOL. A primeira, metáfora do partido único, registra uma persistente aversão às liberdades públicas. A segunda, metáfora da economia política do chavismo, denuncia um projeto de controle estatal sobre os indivíduos. O esqueleto não sorri, mas funciona como marcador ideológico e moral: Maduro é um cortejo.

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Demétrio Magnoli é sociólogo

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

URGENTE: LULA SERÁ JULGADO EM 24 DE JANEIRO NO TRF4 -com O Antagonista.

URGENTE: LULA SERÁ JULGADO EM 24 DE JANEIRO NO TRF4

Lula será julgado no TRF-4 no dia 24 de janeiro.
Algumas semanas atrás, O Antagonista publicou:
O desembargador Leandro Paulsen, revisor da Lava Jato no TRF-4, tem levado em média 30 dias para liberar seus votos.
Considerando o recesso, o julgamento de Lula pode ocorrer no fim de janeiro.
O Brasil tem pressa. A Oitava Turma sabe disso e está cumprindo seu papel.

"Lula candidato? Nunca", por Marco Antonio Villa


O Globo


Ele continua na ofensiva. Ataca sistematicamente o juiz Sergio Moro. Desqualifica a operação Lava-Jato


Luiz Inácio Lula da Silva está novamente no primeiro plano da política brasileira. Mesmo condenado a nove anos e meio de prisão e sendo réu em seis ações penais — excluindo diversos inquéritos que podem ser recebidos pela Justiça —, hoje, ele é o principal ator do pleito presidencial de 2018.

Representa o que há de pior na política nacional: o descompromisso com os destinos do Brasil, o oportunismo, a fala despolitizada, o caudilhismo, o trato da coisa pública como coisa privada. Resiste à ação da Justiça contando com o beneplácito da elite política, grande parte dela também envolvida com a corrupção que apresou o Estado brasileiro.

A condenação — ou condenações — de Lula e o cumprimento da pena em regime fechado não vai simbolizar somente a punição de um chefe — vá lá — partidário que exerceu por duas vezes a Presidência da República. Demonstrará mais, muito mais. Será o sinal de que ninguém está acima das leis, que qualquer mandão — local ou nacional — não poderá se abrigar sob o manto das nefastas relações políticas de Brasília.

Isto pode explicar, por exemplo, a reiteração do PSDB de que pretende vencer Lula nas urnas, como se a cédula fosse superior à lei e a urna pudesse inocentar ou condenar um cidadão. Em outras palavras, a prisão do ex-presidente indica que qualquer líder político, inclusive do PSDB, poderá ser condenado e preso.

Aí o espírito de corpo transcende as fronteiras partidárias: eles, os senhores do baraço e do cutelo, unem-se e rejeitam que um dos seus possa cumprir na cadeia a pena a que foi condenado.

Argumentam, hipocritamente, que a Justiça foi longe de mais, que ninguém pode se sentir seguro, que o estado democrático de direito está correndo sério risco. E não faltarão juristas — regiamente pagos — para encontrar algum dispositivo na legislação que não foi devidamente respeitado e que, portanto, seria nula a ação da Justiça.

A Constituição proíbe que o presidente da República permaneça na função quando uma infração penal comum ou queixa-crime for recebida pelo Supremo Tribunal Federal (artigo 86, parágrafo 1º).

Assim, como um condenado — e não réu — poderá ser candidato no pleito de outubro de 2018? E, como qualquer candidato pode chegar à Presidência da República, teremos um apenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro gerindo a coisa pública! O que dirá desta vez o STF? Qual o malabarismo que será adotado para justificar o injustificável?

Lula continua na ofensiva. Ataca sistematicamente o juiz Sergio Moro. Desqualifica a operação Lava-Jato. Desmoraliza a ação do Ministério Público Federal. E nada acontece. Poderia, de acordo com o Código de Processo Penal (artigo 312) ser preso, no mínimo, por colocar em risco a ordem pública. Nenhum ministro do STF saiu em defesa do juiz Moro quando vilipendiado pelo criminoso Lula. Nenhum. Na última sexta-feira, foi chamado de “um cara do mal.” Dias antes, de “surdo.”

Disse que as provas foram arranjadas para garantir sua condenação. Silêncio no STF. Por quê?

Estavam viajando e não tomaram conhecimento dos fatos? Tiveram medo? Encontravam-se cuidando dos rendosos negócios particulares?

A desmoralização do estado democrático de direito joga água no moinho do autoritarismo. Estimula o extremismo. Aponta que as instituições estão a serviço de criminosos como Luiz Inácio Lula da Silva. O curioso é que ele conta também com o apoio entusiástico dos partidos chamados conservadores — no sentido brasileiro, não inglês. Basta acompanhar a política na Região Nordeste.

Lá o PSD, PP, PMDB, PR, PRB e PSB, entre outros, apoiam entusiasticamente os governos do PT e a possível candidatura Lula. Desejam manter seus feudos provinciais e garantir participação no governo central. Pouco importam os valores democráticos, o cumprimento da Constituição. Não estão nem aí com as instituições. Querem é participar da partilha do poder. Mas não só os coronéis nordestinos que dão as costas ao interesse nacional. E o grande capital? Este comunga da mesma forma de agir dos oligarcas: observa a cena política sempre à procura de lucros, fáceis, preferencialmente.

Não tem qualquer contradição antagônica com Lula. Pelo contrário, o veem como um realizador. Os mais entusiasmados o consideram um estadista. Ele representa a ordem — e bons negócios, claro.

Não custa recordar que o grande empresariado se omitiu — com raríssimas exceções — na luta pelo impeachment de Dilma Rousseff.

A prisão imediata de Lula — e não faltam razões — não conta com o apoio da elite dirigente. Temem uma comoção popular. Contudo, quando da condução coercitiva, em março de 2016, nada aconteceu.

Somando os manifestantes que estavam em frente ao seu apartamento, em São Bernardo do Campo, com aqueles que encontravam-se na sede do Partido dos Trabalhadores e no Aeroporto de Congonhas, ambos em São Paulo, não havia mais que 500 pessoas, isto apesar da ampla cobertura da imprensa. Nas recentes caravanas pelo Brasil, em nenhum local houve ato que tivesse mais que cinco mil pessoas — na verdade, na maior parte deles, o número poderia ser contado em algumas centenas.

Portanto, a “resistência popular” não pode ser usada como artifício para justificar a complacência ou, sendo mais direto, a covardia.

A possível homologação da candidatura Lula pela Justiça Eleitoral representará o ápice da desmoralização das instituições. A partir daí, o país poderá entrar em um caminho sem volta. O imprevisível vai tomar conta do país. E nenhuma alternativa política poderá ser descartada.

Marco Antonio Villa é historiador

Auxílio-moradia no Judiciário cresceu 6.312% desde 2009 - com O Antagonista

Auxílio-moradia no Judiciário cresceu 6.312% desde 2009

Levantamento pedido pelo deputado Rubens Bueno mostra que, de 2009 a 2016, os gastos do Judiciário com auxílio-moradia saltaram de R$ 3 milhões para R$ 307,6 milhões, informa Lauro Jardim.
Os dados são do Tesouro Nacional. Descontado o IPCA no período, o aumento é de 6.312%.

domingo, 10 de dezembro de 2017

As principais ameaças à educação – Parte 2 Heitor De Paola


As principais ameaças à educação – Parte 2

7 de dezembro de 2017 - 3:50:45
O que se pretende com a educação sexual de crianças e adolescentes?

“Thus, a good man, though a slave, is free, but a wicked man, though a king, is a slave. For he serves not one man alone, but what is worse, as many masters as he has vices”
Santo Agostinho
De Civitate Dei
“…man, no longer sacred, was a machine whose engine ran on passion. From there (we can) understand that (…) the man who controlled passions, controlled man”
E. Michael Jones
Libido Dominandi – Sexual Liberation and Political Control

Terminei o primeiro artigo desta série dizendo: “A má influência do feminismo ativista e gay tenta feminizar os homens e retirar deles sua função específica: de chefe da família”. Esta frase tornou-se anátema, senão pecado mortal, no mundo feminista radical que vem se instalando no mundo.
Neste segundo artigo analisarei as nefastas consequências da educação sexual na educação e no ensino de crianças e adolescentes.
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Nos últimos anos do século XX, interesses inconfessáveis, mas muito bem conhecidos, fizeram recrudescer a ideia falaciosa de que as crianças precisam de educação sexual. A pergunta crucial é: por quê? Ora, se a humanidade não tivesse aprendido por si mesma o mundo não teria sido povoado, pois sexo é fundamentalmente procriação. “Crescei e multiplicai-vos” bastou, não foi necessário criar pedagogos, “especialistas” e sexólogos ou o que mais seja para que, começando com um casal, o mundo fosse povoado. Por que então alguns se arvoram em professores de algo tão básico como comer ou dormir?
A premissa é de que a criança quer e precisa de estimulação e atividade sexual desde a mais tenra idade. Sem nenhuma justificativa científica esta ideia é apresentada como uma lei da natureza, contradizendo todos os estudos do desenvolvimento psicológico e hormonal.
A resposta é óbvia: ninguém está sinceramente interessado em educação sexual, essa é a mais deslavada mentira! A ideia inconfessável é intervir nos instintos básicos das crianças para impedir que se desenvolvam normalmente seguindo as etapas bio-psicológicas próprias. O desenvolvimento tem leis próprias e o melhor que os adultos podem fazer é não atrapalhar!
A educação sexual é parte essencial da ideologia de gênero. Não se pretende educar, mas destruir – ou, como alguns preferem, desconstruir – o desenvolvimento infanto-juvenil normal introduzindo simultaneamente noções perversas de sexualidade. Já se disse: “é de pequenino que se torce o pepino”, pois a mente infantil ainda em evolução é mais maleável que a do adulto, embora esta maleabilidade não seja tão grande quanto se pensa. Para evitar o desenvolvimento normal é necessário afastar a criança da família o quanto antes e atribuir à escola o poder de educar e não apenas ensinar.
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A primeira tarefa dos revolucionários é inserir uma cunha entre a biologia e a psicologia. Essa última é escrava da primeira. Ao criar uma falsa autonomia da psicologia, separando-se sexo de gênero, imposição biológica de desejos, cria-se na criança um estado confusional extremamente lesivo. Quanto mais cedo a interferência, pior.
O objetivo mais profundo é o de acabar com a noção de família tal como se desenvolveu no curso de milênios: pai, mãe e seus filhos, o núcleo onde reside o verdadeiro poder nas sociedades livres. A estrutura familiar bem desenvolvida e integrada é a maior fonte de defesa contra a tirania do controle estatal, o verdadeiro objetivo final por trás da ideologia de gênero: o fim da liberdade humana e o controle político-ideológico.
Nos novos tempos que pretendem impingir, mãe e pai perdem todo sentido, pois invocam o sexo biológico, segundo eles apenas uma “construção social” que nega a liberdade das pessoas escolherem seu “gênero”. No mundo “genérico” que inunda o ocidente “o sexo de cada pessoa independe da biologia, e num recém-nascido não pode ser “injustamente” determinado por médicos e pais que apenas examinam a genitália visível”. Várias escolas, católicas e protestantes inclusas, estão abolindo os termos mãe e pai e os substituindo pelos politicamente corretos “Genitor 1” e “Genitor 2”.
A mente infantil não é tabula rasa. Ao contrário, mesmo antes do nascimento a vida mental intrauterina é extremamente complexa, como demonstram os trabalhos de Alessandra Piontelli entre outros.  A genética predetermina as fantasias e sonhos que já ocorrem na vida antes do nascimento. A criança já nasce com preconcepções do mundo, principalmente de seu próprio corpo e das necessidades básicas, entre elas o sexo. É uma mentira do mundo que chamam de pós-moderno (seja lá o que querem dizer com isto!) que a estrutura cromossômica (XX ou XY) não determina inexoravelmente a biologia e, ipso facto, a psicologia.
Bebês já nascem fazendo movimentos com os lábios que indicam que sabem exatamente que ali deverá entrar um mamilo para alimentá-lo. Assim como todas as funções básicas, incluindo o conhecimento precário dos órgãos genitais que caracterizam seu sexo. É fundamental que encontre o que Heinz Hartmann denominou average expectable environment (Ego Psyhology and the Problem of Adaptation, Int’l Universities Press, 1958) – a expectativa de um ambiente medianamente razoável para seu desenvolvimento. E esse ambiente insubstituível é a família.
Melanie Phillips referiu:
“Nós despojamos a paternidade do seu significado removendo o vínculo com a biologia, (…) e proibindo referências a mães e pais. Despojamos os homens e as mulheres do significado com base em que, alguns dias as pessoas pensariam que são um e noutros eles poderiam pensar que são o outro. E o que eles disseram que eram, em qualquer momento, é o que realmente são. Para gerenciar isso, confundimos deliberadamente sexo e gênero. Isso porque o sexo é biologia e a biologia é fixa, enquanto o gênero, este sim, é uma construção social e, portanto, podemos desconstruí-la e reconstruí-la (à vontade). Por isto a identidade sexual deve ser negada e transformada em gênero”
 (The deconstruction of humanity).
Para os ideólogos de gênero é exatamente o oposto: a identidade sexual é socialmente construída e significa o aprisionamento do “verdadeiro eu” – que pode ter um gênero diverso do biológico – a esta imposição social. Segundo os Princípios de Yogiakarta, documento básico da ideologia de gênero, esse é

“a profundamente sentida experiência interna e individual do gênero de cada pessoa, que pode ou não corresponder ao sexo atribuído no nascimento, incluindo o senso pessoal do corpo (que pode envolver, por livre escolha, modificação da aparência ou função corporal por meios médicos, cirúrgicos ou outros) e outras expressões de gênero, inclusive vestimenta, modo de falar e maneirismos”
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Na realidade, gênero é apenas uma qualidade gramatical, nada tendo a ver com seres humanos a não ser enquanto personagens da literatura. Um copo é do gênero masculino, uma mesa é do gênero feminino. Mas isto basta para definir seres humanos concretos? É claro que não, mas serve para satisfazer os desejos ligados aos instintos mais primitivos de poder ser homem, mulher ou qualquer outra coisa – ou nenhuma – ao sabor dos desejos. Este desejo faz parte da necessidade infantil de sentimento de onipotência para enfrentar sua real fragilidade e necessidade de amparo. Permanecendo na mente do adulto configura um delírio psicótico, uma vida totalmente fora da realidade.
Esta escravização aos desejos foi muito bem explicitada pelo Cardeal Carlo Caffarra quando advertiu sobre a estratégia “d’O Grande Inquisidor, de Dostoievsky, que diz a Cristo:
‘Você dá a eles liberdade eu dou-lhes pão. Eles me seguirão’. A estratégia é clara: dominar o homem formando um pacto com um de seus instintos básicos. O novo Grande Inquisidor não mudou a estratégia. Ele diz a Cristo: ‘Você promete regozijo no prudente, íntegro e casto exercício da sexualidade, eu prometo o gozo desregrado. Você verá que eles me seguirão’. O novo Inquisidor escraviza através da ilusão do prazer sexual completamente livre de regras”. Caffarra considera “que o mundo está tomado por ‘Uma ideologia global alimentada por uma liberdade “insana” e “literalmente louca” (que) está tentando destruir a “última barreira” que preserva a humanidade de perder o significado de ser “humano”, a saber, a “natureza sexual da pessoa humana na sua dualidade de homem e mulher’.
(O Ataque Final à Criação: Fim Da Dualidade Homem/Mulher  – as ênfases são minhas).
Há pouco mais de um século Sigmund Freud escandalizou Viena e o mundo ao demonstrar que as crianças têm uma vida sexual intensa no reino da fantasia. Percebeu que as “neuroses” são resultado da repressão dos impulsos sexuais e das fantasias a eles ligadas. Porém, jamais disse, como muitos divulgam, que não deveria haver repressão. Pelo contrário, já desde o início afirmou que sem a repressão dos instintos básicos não haveria crescimento satisfatório e muito menos civilização. Principalmente porque os instintos básicos incluem também os impulsos destrutivos. Nunca Freud supôs que sexo infantil é algo como sexo genital. É esta confusão que escandaliza ainda hoje aqueles que querem ver na criança a ingenuidade paradisíaca. Sexo (Eros) é tudo que une, que evolui, a tendência à vida. Tânatos é a tendência à destruição, à desunião e à morte.
É exatamente por isto que é possível intervir de forma predatória nos impulsos primitivos. Se eles não existissem como seria possível perverte-los? Pois é disto que se trata: impor a perversão como nova norma moral! Este é o núcleo básico da ideologia de gênero: por Eros a serviço de Tânatos. É disto que trata o Grande Inquisidor, na forma de pedagogos, psicopedagogos e “especialistas” em educação que inventaram a falsa necessidade de “educação sexual”: intervir malignamente no desenvolvimento normal, explorando Eros e Tânatos perversamente.
Na mesma abordagem sobre o desenvolvimento infantil, Freud percebeu que lá pelos 4 ou 5 anos há uma total repressão destas fantasias, instalando-se um período que denominou fase de latência, quando a libido (a força instintiva) se separa das fantasias sexuais e se dirige ao mundo apegando-se à curiosidade, o que possibilita o aprendizado. É necessário enfatizar que falo de repressão interna, um mecanismo que nasce conosco e independente de qualquer atitude externa. Este período se desenrola até o início da puberdade quando as características sexuais secundárias se desenvolvem. A endocrinologia posteriormente confirmou a existência de uma fase de latência hormonal, embora começando antes da idade determinada por Freud: há uma diminuição dos hormônios sexuais (testosterona, nos meninos, e estrógenos, nas meninas) que voltarão a se intensificar na puberdade. É nesta fase que as crianças começam a escola e tal como andarilhos no deserto estão sedentas de conhecimento. Absorvem tudo que lhes é fornecido sem critérios de valor, a não ser aqueles que encontram – quando encontram – no lar.
É então que os Grandes Inquisidores maldosamente, sabendo que operam em terreno fértil, introduzem a “educação sexual” através da pornografia em suas diversas manifestações.
Mas uma criança que não é precocemente sexualizada possui um natural sentimento de vergonha que a protege de intrusões e atividades sexuais. Os limites impostos por este sentimento natural de vergonha só serão ultrapassados no futuro quando, já adulto encontra uma relação amorosa heterossexual e respeitosa, quando já existe o pleno amor no qual a intimidade sexual é apenas uma manifestação desejável e prazerosa para ambos.
O que a ideologia de gênero procura modificar através do ensino da falsa “opção sexual”, assim definida (Yogiakarta):

“Compreendemos orientação sexual como uma referência à capacidade de cada pessoa de ter uma profunda atração emocional, afetiva ou sexual por indivíduos de gênero diferente, do mesmo gênero ou de mais de um gênero, assim como ter relações íntimas e sexuais com essas pessoas”
.
É exatamente por isso que a perversão tem que começar já antes do período escolar. Crianças muito pequenas são estimuladas ao toque físico, à masturbação, a perder a vergonha de falar abertamente sobre sexo e ideia “meu corpo me pertence”. Nas brincadeiras infantis que já têm caráter sexual primitivo (brincar de médico, p. ex.) e que são “escondidas” pela vergonha, se introduzem adultos que as pervertem dizendo que isto é normal e não precisam ter vergonha. É inevitável que esta intervenção ocorra por parte de adultos com tendências à pedofilia, quando não plenamente pedófilos. Ainda segundo Freud as experiências de sedução externas podem causar uma ruptura da fase de latência, ou mesmo sua extinção.
As crianças tendem a se identificar com os adultos que representam autoridade. Sendo estimuladas na escola a fazer o que é proibido em casa, entram em dissonância cognitiva que podem fazê-la seguir a sedução do Grande Inquisidor: o estímulo ao prazer maior no momento. Isto leva à perda do bem mais precioso da vida: o amor.
Diretores de uma fundação para crianças e adolescentes na Alemanha, Bernd Siggelkow & Wolfgang Büscher publicaram um livro cujo título já diz tudo: a Tragédia Sexual Alemã: Quando as Crianças não mais aprendem o que é o amor (Deutschslands sexuelle Tragödie: Wenn Kinder nicht mehr lernen was Liebe ist).
O verdadeiro amor que não é escravo dos instintos, mas os domina naturalmente, sem imposição, mas pelo reconhecimento da dignidade própria e do outro. Isto só pode ser obtido no seio da tão odiada família.
Já conquistados na infância os adolescentes e adultos, impedidos do desenvolvimento psicossexual normal serão infantilizados, como desejaram os grandes inquisidores, que precisam de uma humanidade facilmente controlável:
“Ensinaremos que a felicidade da infância é a mais deliciosa. (…) Nós até permitiremos que eles pequem, pois são fracos, e por causa dessa concessão eles vão professar um amor infantil por nós. E eles nos considerarão benfeitores por vermos que somos responsáveis por seus pecados. E nunca mais terão segredos para nós”.
Este o destino de nossos filhos e netos se a ideologia de gênero, que já penetrou nos cursos de pedagogia e nos consultórios e nas associações e conselhos médicos, psicológicos, psicanalíticos, não for impedida urgentemente de prosseguir sua nefasta influência.

Heitor De Paola (www.heitordepaola.com), escritor e comentarista político, é membro da International Psychoanalytical Association, clinical consultant da Boyer House Foundation, Berkeley, Califórnia, e integra o Board of Directors da Drug Watch International. É autor do livro ‘O Eixo do Mal Latino-Americano e a Nova Ordem Mundial’ e possui trabalhos publicados no Brasil e exterior. É colunista do Mídia Sem Máscara e ex-militante da organização comunista clandestina Ação Popular (AP).


"Reformas e os contrarreformas", por Gustavo Krause


Com Blog do Noblat - O Globo


Como vencer um debate sem precisar ter razão e Como mentir com estatísticas são obras que poderiam servir de manuais para o debate político no Brasil atual.
O autor do primeiro livro é o filósofo Arthur Schopenhauer cuja obra O mundo como vontade e representação o coloca no panteão do idealismo transcendental kantiano e como notável referência do pessimismo filosófico.
Segundo Olavo de Carvalho, no autêntico estilo ame-o ou deixei-o e com habitual profundidade analítica, em notas e comentários, o Como vencer um debate sem precisar ter razão (Topbooks, 1997) “é um tratado de patifaria intelectual, não para uso dos patifes e sim de suas vítimas, isto é, nós, o povo [...] Ensina a reconhecer e a desmontar as artimanhas do debatedor capcioso – o sujeitinho que nada tendo a objetar seriamente às razões do adversário, procura apenas desmoralizá-lo ou confundir a plateia para fazer com que o verdadeiro pareça falso e o falso verdadeiro [...] No Brasil de hoje, a edição deste livro é um empreendimento de saúde pública”.
De fato, o filósofo alemão define a Dialética erística com “a arte de discutir de modo a vencer por meios lícitos ou ilícitos”; enumera e discorre sobre 38 estratagemas.
O segundo livro, edição digital (Intrínseca, 2016), de Darrell Huff, publicado nos EUA, em 1954, arrola nove manobras estatísticas e, no capítulo 10, explica como encarar e derrubar estatísticas falsas, dando razão a Disraeili que dizia: “Existem três tipos de mentiras: as mentiras, as mentiras deslavadas e as estatísticas”.
No nosso país, o voluntarismo ideológico e a radicalização política estão mais para o embate do que para o debate; mais para o “gritálogo” do que para o diálogo; mais para o confronto belicoso do que para a discussão civilizada. E quando se trata da agenda de reformas, as forças dos contrarreformas afrontam o interesse nacional.
No caso da reforma da previdência, nega-se o “mundo como um conjunto de fatos”. Não importam dados: em 2017, gastos previdenciários de R$ 671 bilhões, 10% do PIB e um déficit de R$ 190 bilhões.
Por fim, um dado demográfico eloquente: o aumento da expectativa de vida para 75,8 anos e o rápido envelhecimento da população brasileira frente à taxa de fecundidade de 1,74. Tudo mais é a dialética do cinismo.
E o futuro? Sem reforma, seremos um enorme Rio de Janeiro sem as bênçãos do Cristo Redentor.
Reforma (Foto: Arquivo Google)