quinta-feira, 22 de março de 2018

PRIMEIRA SEMANA DE GOVERNO - RAFAEL BRASIL - RECORDAR É VIVER - ARTIGO DE 2007


PRIMEIRA SEMANA DE GOVERNO



Na primeira semana, os governos recém-eleitos, sem dinheiro no cofre, tentaram fazer pirotecnia marqueteira, digamos assim. Lula anunciou um pacote para alavancar o espetáculo do crescimento, tão falado e pouco visto aqui por essas paragens tropicais. Afinal, crescimento significa riqueza, por aqui, a socialização da miséria. Os governadores quase em unanimidade, anunciaram a contenção dos gastos públicos, com os mais diversos arrochos e mudanças anunciadas para não só conter o gasto público mas melhorar a qualidade dos gastos. Enquanto os governadores anunciam medidas austeras, o governo federal criou o PAC. O que é o PAC? Ora, seus burros, programa de aceleração do crescimento. Nosso presidente, coitado, tão preocupado com o processo de crescimento nacional, criou um plano que nem ele mesmo sabe direito qual é. E que aponta, pelo menos nas suas sábias palavras, para um maior gasto público para fazer o país crescer. Afinal, o presidente vai ou não aumentar o gasto público? E esse gasto, anunciado pelo presidente, vai realmente acelerar o crescimento do país? O presidente é mágico? Ora bolas, para destravar o país, é preciso enfrentar os enormes poderes corporativos, não só do executivo, mas sobretudo do legislativo e do judiciário. É desonerar ao máximo quem trabalha e produz. Enfrentar os lobos e as lobas que desde o século passado mamam nas tetas do estado. Estes são fortes, porque organizados, ao contrário da maioria desorganizada, sobretudo das classes que o velho Marx chamaria de lúmpen proletariados. A turma da bolsa esmola, que se contenta com pouco mais de oito bilhões por ano. Baratinho, não? Este governo vai enfrentar as elites? Qual nada, este é o governo das elites. Nunca, em toda a história deste país elas estiveram tão bem representadas. Nunca vi tanta enganação, quando ouço Lula falar mal das elites. Lula vai destravar o capitalismo nacional? Não creio. Tudo indica que ele vai acabar seu governo assim mesmo, sem fazer nada. Se procurar efetivamente fazer algo, certamente as coisas vão piorar, portanto, que as coisas fiquem como estão. 

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