domingo, 30 de abril de 2017

Carta de 14 estudantes evidencia que eles aprenderam a pensar - DEMÉTRIO MAGNOLI


FOLHA DE SP - 29/04

A missão do professor é ensinar a pensar, não catequizar sobre o certo e o errado. Uma carta divulgada por 14 alunos do Colégio Santa Cruz, criticando a adesão de seus professores à greve geral, evidencia que eles aprenderam. O cerne da crítica: os professores apelam a "noções generalistas de justiça social" e pautam-se "em um maniqueísmo exacerbado", adotando uma "forma de pensar" que "simplifica e empobrece o debate" sobre a reforma previdenciária.

Portinari pintou "Os Retirantes" em 1944, na trilha da criação do Dnocs e da Codevasf. A imagem pungente dos migrantes famélicos conferiu uma aura de santidade à captura de recursos federais pelas elites nordestinas. Na sua carta, os alunos explicam como a invocação ritual de direitos sociais oculta a defesa de privilégios corporativos: o regime especial do funcionalismo, as aposentadorias fidalgais do Judiciário. Eles aprenderam a identificar um truque clássico do discurso político –e confrontam a frase feita com o argumento.

Os pobres, álibi de sempre, não serviram para calar a boca desses 14, que oferecem uma aula a seus mestres. "Um direito ser garantido por lei não garante o orçamento necessário para cumpri-lo". Atrás do sistema de privilégios previdenciários, encontram-se os desastres no saneamento básico, na educação e na saúde públicas.

O deficit da Previdência, que cresce no compasso da dinâmica demográfica, só pode ser financiado pela reativação do tributo inflacionário, um imposto antidemocrático cobrado dos pobres. Quem ensina quem, nesse caso?

Os 14 refutam o manifesto grevista de seus professores, mas só desvendam parcialmente seu sentido político. A indagação crucial é: por que os mestres, "que nos possibilitaram desenvolver as competências necessárias para entrar no debate político", rejeitam a complexidade, retraindo-se à caverna do chavão sindical? Desconfio que as respostas a essa questão ajudem a iluminar a extensão da adesão à greve geral.

Na pré-história da nação brasileira, estão colonos empenhados em "fazer a América", capturando índios, buscando pedras preciosas, extraindo ouro. Prezamos, acima de tudo, a recompensa pecuniária pessoal. Na Istambul de 2013, uma onda de manifestações antigovernistas foi deflagrada pela defesa do parque Gezi, que se queria converter em shopping center.

Aqui, não fazemos isso. Escolas, hospitais, redes de esgoto, metrôs e trens, praças públicas, bibliotecas, museus, parques nacionais? Não: lutamos por repasses em moeda sonante, nas formas de aposentadorias precoces, pensões especiais, bolsas, multas rescisórias, passes livres, cestas básicas, uniformes escolares, faltas abonadas, cotas raciais, meia-entrada. Desprezamos os direitos sociais universais. Queremos nossa parte em dinheiro –e já!

A história política moderna do Brasil começa com Getúlio Vargas. O primeiro "pai do povo" ensinou-nos que o Estado funcionará como intermediador geral da disputa por rendas. Com ele, aprendemos a interpretar os "direitos" como notas promissórias emitidas pelo Tesouro em nome de indivíduos organizados em corporações.

Os empresários almejam subsídios do BNDES, os sindicalistas protegem o imposto sindical, os artistas cantam a glória de leis de incentivo financiadas por renúncia tributária. A nossa parte em dinheiro depende da qualidade da conexão política de nossa corporação. Séculos depois, os colonos ainda "fazem a América", mas por outros meios. A efígie de Vargas tremula na ponta dos mastros da greve geral.

Lula ensaiou uma reforma previdenciária, no primeiro mandato. Dilma falou sobre a necessidade de aumentar a idade de aposentadoria, no curto outono realista de seus últimos meses. De volta à oposição, o PT se esqueceu disso, investindo na canção antiga, que toca a alma da nação de colonos estatizados. Eis uma aula que os 14 não terão.

LARGUE DE FRESCURITE E VÁ LER OLAVO DE CARVALHO - Flavio Morgenstern

O maior pensador brasileiro faz 70 anos – mas ainda há quem tenha nojinho de Olavo sem ler seus livros por boatinho de internet. #Olavo70anos
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Só há um jeito de não gostar de Olavo de Carvalho: nunca o ler – ou, ainda melhor, só ler seus comentários de internet retirados de contexto e raramente ultrapassando as 3 linhas. O maior filósofo do Brasil completa hoje 70 anos de profunda atividade intelectual, sem encontrar quem o ombreie em profundidade e altitude intelectual – muito menos entre seus adversários.
Seus livros estão entre os maiores achados da língua portuguesa atual. Olavo já analisou o tempo verbal de línguas como latim, grego e árabe para encontrar em Aristóteles uma chave de leitura praticamente inédita, mostrando uma hierarquia despercebida entre a poética, a retórica, a dialética e a analítica ou lógica (Aristóteles em Nova Perspectiva: Introdução à Teoria dos Quatro Discursos).
Ou como uma interpretação falseada da ciência ultra-moderna e do pensamento tradicional chinês de Fritjof Capra, aliada ao pensamento político neomaquiavélico de Antonio Gramsci abriu caminho para uma visão cultural new age, floreada em um ecumenismo que da verdade dos povos não pega emprestado senão sua casca para vender mentiras (A Nova Era e a Revolução Cultural. Fritjof Capra e Antonio Gramsci).
Falando em Maquiavel, é de Olavo um dos melhores estudos sobre a vida e obra (e sua intercomunicação) do pensador florentino, visto pela história como “um clássico da filosofia política” (seja lá o que isso significa, se a política só piorou e ficou mais violenta desde então), sem que se note como o aclamado “Renascimento”, que teve Maquiavel como um de seus motores políticos, além de um momento de bizarras superstições, foi também o começo de uma contradição ontológica entre o discurso e a posição do sujeito que profere o discurso – a chamada paralaxe cognitiva, uma das marcas mais características da filosofia de Olavo de Carvalho.
Ora, Maquiavel, um puxa-saco de Príncipes, confunde em sua própria filosofia o que é descrição com o que é prescrição, em sua cisão absoluta entre moral e práxis, além de tentar justificar sua própria posição de capachão, escondendo-a sob camadas de arrogância pouco convincente, abrindo espaço para o morticínio político que marcaria os séculos vindouros (o livrinho Maquiavel ou a Confusão Demoníaca, um dos mais importantes textos sobre a violência política no mundo).
O mesmo procedimento foi aplicado depois a René Descartes, o “homem do racionalismo” que, bem ao contrário do que a curiosa crença na razão moderna (e, também, modernista), teve todo seu vislumbre de “De omnibus dubitandum est” de um sonho com o demônio, e cria todo um sistema “racionalista” que inaugura o esquematismo mental moderno, em que a realidade é a última coisa a pertencer à dita “razão” esquemática. (Visões de Descartes).
Tais livros são “capítulos” que se tornaram livros à parte de um livro seu que desmembrou: O Olho do Sol, que acabou se tornando uma coleção de livros sobre a mentalidade revolucionária, a marca da modernidade, onde agir pensando em um futuro utópico, com o homem sendo uma peça a ser movida ou retornada de um modelo esquemático mental, direcionado a um futuro tratado como o fim da existência.
Olavo também já analisou o grosso da situação dos intelectuais brasileiros, sempre confusos entre seu discurso e o próprio ato de proferi-los – via de regra, imbuídos de uma retórica coitadista, como se fossem excluídos do meio acadêmico e jornalístico, sempre como se fossem a única voz a nadar contra a corrente, como se fossem uma resistência esquerdista sem espaço na grande mídia, tratando Folha e Globo como jornais ultra-conservadores, quase como defensores de Donald Trump, de George W. Bush, do Tea Party e da Segunda Emenda. É mais paralaxe cognitiva em ação: seu próprio ato de falar contradiz o que é falado. É a falta de um Dasein intelectual brasileiro: e bem das pessoas que hoje externalizam conceitos como “lugar de fala”… (O Futuro do Pensamento Brasileiro. Estudos Sobre o Nosso Lugar no Mundo)
A capacidade intelectual, e de escrita incrivelmente engraçada de Olavo, também se mostrou em um de seus livros mais clássicos: O Imbecil Coletivo: Atualidades Inculturais Brasileiras, em que as falhas intelectuais de personas variando entre Charles Sanders Peirce e Emir Sader (data venia, data maxima venia…) são comparadas à tradição, a grandes nomes (sejam Aristóteles ou Arnold Toynbee) e o resultado, inevitavelmente, não é apenas uma surra intelectual com nocaute nos primeiros 3 segundos de luta: é algo ridículo, que se torna mais engraçado do que qualquer livro de humor. O livro, coletânea de artigos de jornal de quando assuntos elevados havia na imprensa brasileira (antes de uma coluna do Gregório Duvivier), ainda teve uma continuação, O Imbecil Coletivo II: A Longa Marcha Da Vaca Para O Brejo.
Olavo ainda escreveu sobre a geopolítica americana frente a um mundo não mais bipolarizado, mas tripolarizado, tendo um eixo de entidades globalistas (termo introduzido no Brasil por ele) no Ocidente, o complexo russo-chinês no Oriente e, hoje, a ummah, a comunidade mundial muçulmana, como terceiro pólo. Foi, na verdade, um debate com ninguém menos do que Alexandr Dugin, o “cérebro de Putin”, o filósofo mais perigoso do mundo”, o novo “Rasputin” do presidente russo Vladimir Putin, que, apostando no esquema bipolar, admitiu que perdeu o debate (Os EUA e a Nova Ordem Mundial. Um Debate Entre Alexandre Dugin e Olavo de Carvalho).
Enfim, alguém que domina tão vastos assuntos, que não consegue deixar de ser reconhecido pela sua assombrosa erudição nem pelos seus mais ferrenhos inimigos, alguém que é verdadeiro patrimônio cultural brasileiro (e entendido assim pelo governo americano), simplesmente precisa ser lido neste país, hoje envenenado por pessoas do escol de Leandro Karnal a PC Siqueira (o youtuber é hoje editor de uma revista “científica”). A contemplar quais são os gatekeepers a “organizar” o que deve ser lido pela massa da população (do povão ao estudante da USP), os Emires Saders e Leandros Konders, que tanta vergonha passam nas páginas d’O Imbecil Coletivo, soam quase geniais diante de uma geração que não sabe pensar em mais do que 140 caracteres.
Entretanto, ao invés de estar sendo disputado a tapa por todos os jornais, revistas e publicações digitais (este Senso Incomum certamente o está), Olavo de Carvalho é preterido por qualquer youtuber que conte piadas adolescentes para adultos adolescentizados.
Pior (o que é pior do que a geração youtuber?): Olavo de Carvalho é criticado. Não por erros em seus livros, que não são lidos (enquanto Olavo deve ser o único ser humano a ter terminado livros como A Nervura do Real, de Marilena Chaui), mas por boatos criados por adolescentes na internet.
Olavo é acusado de não ter diploma de filosofia – acusação assaz estranha, para quem tanto critica a falta de filosofia nos cursos de filosofia (vide seu incrível A Filosofia e seu Inverso) – ou de ter sido astrólogo – basta ver sua análise filosófica sobre os símbolos da astrologia, base cosmológica e antropológica de qualquer civilização, para se entender que Olavo não fez nada diferente do que T. S. Eliot, Carl Jung – e incrivelmente mais elevada do que o ministro da Educação de Dilma, Renato Janine Ribeiro – o fizeram.
Também o criticam por ter “tentado refutar Isaac Newton” (o mesmo que Goethe, Schopenhauer, Husserl e Einstein disseram sobre Newton, já refutado em vida pelo gênio da lógica matemática  Gottfried Leibniz). Não há entre seus críticos quem perceba que a crítica de Olavo não é sobre a lei da gravidade (e há quem realmente acredite que Olavo ache que os corpos não cairão se soltos da mão), e sim sobre o mecanicismo, filosofia reducionista de Newton (comungada por Descartes) que crê ridiculamente que até mesmo as sinapses do cérebro são movimentos mecânicos (Descartes costumava dissecar ratos vivos, crendo que seus gritos de dor eram puramente “ar passando por dutos”; Olavo de Carvalho, caçador de ursos, não é considerado um defensor dos direitos dos animais por seus detratores).
Muito menos quem perceba que Olavo critica em Newton sua crença na alquimia: não a simbologia e base cosmológica da astrologia, mas uma superstição de achar a “pedra filosofal” para transformar ferro em ouro, que Newton tanto acreditava. E “não-científico” é Olavo, e não os guris de redes sociais o chamando de “astrólogo” como xingamento oco…
Para uma população com bibliofobia, a aversão a livros com os quais já não concorde de antemão (o que mostra bem qual o conteúdo que consegue apreender dos 3 livros por ano que de fato lêem), resta coroar o bolo cerejosamente com o boato de que Olavo de Carvalho acredita que há fetos abortados na Pepsi, graças a um comentário que fez rapidamente em seu antigo podcast, o True Outspeak, comentando uma notícia de que a Pepsi estava fazendo pesquisas com um adoçante que usava células de bebês abortados.
Ao contrário da boataria de adolescentes nas redes sociais, de fato a Pepsi fez um contrato de US$ 30 milhões com a Senomyx, que desenvolvia pesquisas para gostos artificiais com a linha celular HEK-293, com rins de bebês abortados.
Ou seja, de todo o complexo diploma-Newton-astrologia-Pepsi com que tentam pechar Olavo de Carvalho de farsante, para não ter de refutar o que vai escrito em seus livros, é apenas um embuste de memes feitos por crianças intelectuais. E são estes memes que são levados pela nossa “imprensa séria”, que prefere discutir pela milésima vez se precisamos dar o benefício da dúvida ao PT e sobre os direitos dos ofendidos com piadas na internet do que em ler o arcabouço da civilização ocidental com quem está nele interessado.
Olavo de Carvalho formou sozinho a maior geração de intelectuais do país desde a morte de Mário Ferreira dos Santos, Vicente Ferreira da Silva e Bruno Tolentino, os maiores filósofos e pensadores do país antes de sua estréia intelectual.
É simplesmente impossível ler os formados (para rir dos diplomófilos) por Olavo, como o crítico literário Rodrigo Gurgel, o cientista político Bruno Garschagen, o analista político Filipe Martins, o advogado Taiguara Fernandes, a analista Bruna Luiza, o escritor Paulo Briguet, o comentarista Silvio Grimaldo, o cinegrafista Josias Teófilo, o escritor Yuri Vieira, o teatrólogo Roberto Mallet, a professora Henriete Fonseca, o músico Filipe Trielli, o jornalista Felipe Moura Brasil, o cinegrafista Mauro Ventura, a jornalista Rachel Sheherazade, o antropólogo Flávio Gordon, a jornalista Joice Hasselmann, o engenheiro Flavio Quintela, o analista Alexandre Borges, a professora Fernanda Takitani, o editor César Kyn d’Ávila, o teólogo Mateus de Castro, o advogado Bene Barbosa, a musicista Stella Caimmy, o humorista Danilo Gentili, e tantos outros (vários orgulhosamente neste Senso Incomum), nem que sejam 10 páginas por dia, e ler 10 páginas por dia de suas Nêmesis no campo das análises da realidade: o “humorista” Gregório Duvivier, o crítico de cinema Pablo Villaça, a feminista Lola Aronovich, o jornalista Paulo Henrique Amorim, a professora Marilena Chaui, o blogueiro Xico Sá, a adolescente Jout Jout, o youtuber P C Siqueira, os blogueiros do Anticast, o colecionador de carros Flavio Gomes, a jornalista Cynara Menezes, o prestador de esclarecimentos para a Polícia Federal Breno Altman, o vocalista do Detonautas Tico Santa Cruz, o blogueiro Paulo Nogueira, a revoltada Heloísa Helena, o assessor de tirano Alexandr Dugin (com o perdão do desnível), e concluir que, definitivamente, quem mais compreende da estrutura da realidade é a esquerda, ao contrário dessa lunática, atrasada, ultrapassada, preconceituosa e aristotélica direita.
De fato, ao invés de argumentos, a esquerda só possui como resposta ao “olavismo” forçar seus acólitos a não ler Olavo de Carvalho de jeito nenhum, do contrário, acabarão por deixar de ser de esquerda (caminho trilhado por vários olavetes, mostrando que só se passa da esquerda para a defesa de Olavo, nunca o caminho contrário). É como tentar criar uma casca sobre seus escritos, ao invés de enfrentar o núcleo de seu pensamento, sob qualquer pele postiça.
De fato, só há um caminho para os anti-olavetes do país: enfiar a cabeça num buraco, expondo a rabadilha ao público que poderá rir do quanto precisaram se negar a enfrentar a realidade para continuar acreditando em suas crenças, acusando todos os outros de crenças ultrapassadas.
Olavo de Carvalho completa 70 anos com uma coragem rara no mundo: ser o que é, sem aderir a modismos e sem o aplauso fácil de agradar às multidões. Curiosamente, mesmo em nosso país, sua “minoria silenciosa” é que faz a real diferença: basta lembrar de quantos cartazes onde se lia “Olavo tem razão” foram vistos nos protestos pelo impeachment de Dilma Rousseff no país.
Sua defesa da consciência individual na era do pensamento coletivo (eufemismo para modismo) é o que salvou tantos intelectuais de uma inanição, em um país que não podia dialogar com Chesterton, Voegelin, Horowitz, Santayana ou Huizinga. É por isto que um portal, olavetemente inspirado para ser batizado como Senso Incomum, não poderia ser uma ânvora contra a corrente de insultos fáceis da grande mídia e dos grandes adolescentes de redes sociais para lembrar que apenas quem acertou algo nos últimos anos foram os olavetes e aqueles que, de alguma forma, pensam como Olavo de Carvalho, não importa quanto digam que somos “extremistas” ou “conspiratórios” por defender a consciência da realidade.
Parabéns por tudo o que fez por nós, Olavo – afinal, o presente é sempre nosso! E a você que ainda tem nojinho de Olavo, e conseqüentemente nunca o leu, perca as amarras do pensamento de grupinho e ganhe consciência de si mesmo. Do Oráculo de Delfos a Olavo de Carvalho, parece a lição que a coletividade mais quer destruir em nome da glória fácil de uma coluna na Folha de S. Paulo e uma conversinha de boteco achando que são os únicos contra tudo isso que está aí, lendo e concordando exatamente com tudo isso que está aí.
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Promessas de maio | Fernando Gabeira


- O Globo

Em maio, as manhãs no Rio costumam ser lindas e, ao entardecer, em Minas, começam a aparecer crianças vestidas de anjo. Mas é em Curitiba que grande parte da atenção se concentra. O depoimento de Lula diante de Sérgio Moro é tido como um grande momento. Talvez contra a corrente, acredito que nada de essencial será mudado. E m confronto com as evidências que o ligam ao triplex de Guarujá e o sítio de Atibaia, Lula vai negar e, possivelmente, reafirmar que não há documento oficial que o ligue a essas propriedades. Imagino também que, se houver provocações, Sérgio Moro terá a habilidade e vai contorná-las, seguindo com as perguntas que realmente possam esclarecer.

A ideia de que um processo dessa natureza se resolve com manifestações políticas é mais um equívoco da esquerda. Aliás, apoiado em outro equívoco: o de que uma performance num interrogatório pode ser transformado numa alavanca para a campanha presidencial. Se, por acaso, têm como modelo o famoso “A História me absolverá” de Fidel Castro, independentemente de comparar oratórias, é gritante a disparidade de situações. Uma coisa é ser acusado de tramar contra a ditadura de Fulgencio Batista, outra é ser acusado de receber propinas por negócios na Petrobras. Lula está numa situação incômoda, tentando revertê-la em seu favor, e apreensivo com a possibilidade de prisão. Algo que, creio, não vai acontecer. As forças de esquerda no Brasil jogam toda a sua sorte num líder carismático e resolvem acompanhá-lo na aventura, pois temem desaparecer sem ele.

Não sou muito de discutir processos, notas frias, assinaturas falsas. Talvez por isso me interesse mais pela experiência vivida, aquilo que meus olhos e ouvidos revelaram. Por exemplo, estou voltando de Porto Velho, onde aprendi um pouco sobre a história da Usina de Santo Antônio, aquela em que a Odebrecht comprou todo mundo: governador, senadores, deputados, centrais sindicais, polícia e índios.

A delação da Odebrecht fala que as centrais sindicais foram lá, a pedido da empresa e pagos por ela, para controlar os motins dos trabalhadores. O que o delator não contou é que a Odebrecht precisava terminar a obra com muita rapidez, pois assim teria um tempo para vender a energia no mercado livre, por um preço três vezes maior. Os trabalhadores foram submetidos a um intenso ritmo de trabalho, e por isso se rebelaram. Não é a maneira mais racional de reagir. Mas era um trabalho intenso no calor insuportável de Rondônia. Eu mesmo, depois de um dia de trabalho levíssimo se comparado com os deles, não me sentia muito capaz de reagir racionalmente. Não antes, pelo menos, de um banho frio.

As duas obras de Rondônia foram a famosa estrada Madeira-Mamoré, com o sacrifício de muitos na selva, e a Usina de Santo Antônio, imposta em ritmo extremamente duro para os trabalhadores.
A História vai registrar que a CUT e a Força Sindical se colocaram a serviço de uma empresa que, ansiosa por sobrelucros, oprimiu milhares de peões. Lula surgiu com aquela frase dos bagres impedindo a construção da usina. Como bom funcionário da Odebrecht, omitiu que não eram os bagres, mas todas as espécies de peixe que se movimentam no Rio Madeira para a reprodução.

O julgamento dos 20 mil trabalhadores, dos atingidos pela barragem, dos moradores da Jaci Paraná quando tomarem conhecimento de tudo isso, certamente vai dispensar a ida ao tabelião para buscar provas. É uma verdade histórica.

Com a insistência na negação suicida e jogando todas as suas fichas no destino de seu líder, se a esquerda sonha de verdade em chegar ao governo e não está apenas fugindo da polícia, é um sonho cinzento. Nas circunstâncias, dificilmente venceria e, se o fizesse, a resistência colocaria a todo instante a tentação totalitária.

Isso não é futuro, é punk. O que pode acontecer com essa insistência no erro é um cenário parecido com o da França, onde, por outros motivos, a esquerda nem chegou ao segundo turno.

Não tenho a pretensão de acertar num futuro tão nebuloso como o nosso. Mas algumas coisas, aprendi. O que fizeram na Usina de Santo Antônio, por dinheiro, foi uma vergonha.

Todos os que se intitulam progressistas e embarcam nessa canoa furada do lulapetismo, diante do episódio não têm outra saída: ou engolem ou cospem.

Num artigo escrito há quase dez anos, previ que a experiência petista ia acabar numa delegacia da esquina. O artigo era “Flores para os mortos”.

Talvez por isso, maio em Curitiba me pareça tão familiar como as lindas manhãs do Rio e os anjos subindo ladeira ao entardecer numa cidade histórica de Minas. A maioria da esquerda ainda acredita que nada aconteceu e que vai chegar ao poder. O interessante é que muitos que sabem o que aconteceu consideram possível essa hipótese.

Em maio, costumo delirar.

sábado, 29 de abril de 2017

NÃO EXISTE “GREVE DE ESTUDANTES” - Flavio Morgenstern

Não adianta falar em Artigo 9.º da Constituição ou Lei N.º 7.783: estudante não tem como fazer greve, não está protegido por estas leis.
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A UNE, uma entidade da época da ditadura, que não consegue nem representar a si própria como eterno braço com funções paramilitares do PCdoB, sempre se envolve em arruaças promovidas pelo PT, inclusive enquanto estava no poder, para aumentar o poder do partido sobre o Estado e as leis, dando a impressão de que é “o povo” que deseja o que não deseja nas urnas. Uma de suas invenções jabuticabas mais típicas é uma estrovenga chamada “greve de estudantes”.
Assim que se fala que estudantes estariam fazendo “greve” (embora as aspas também mereçam recair sobre a palavra “estudantes”), imediatamente convida-se algum “especialista” em Direito para falar, com esgares de propriedade e vernáculo vetusto, o óbvio que se descobre em 10 segundos no Google: que o artigo da Constituição que permite o direito à greve é o 9 (pronunciar com a mão dançando uma valsa forever alone) e que a lei que o regula é a Lei N.º 7.783, de 28 de junho de 1989 (pronunciar como quem quer vomitar caviar estragado). E lá se está a explicação para a UNE unar.
Mas ocupando o lugar de juristas especialistas em falar à plebe rude a folha de rosto de artigos que parecem exigir anos de estudo para serem descobertos, poucos parecem querer entender o que é uma greve. Uma greve, como já explicamos, é proibir outros trabalhadores de trabalhar, geralmente após uma assembléia deliberativa. Não inclui, por exemplo, fechar ruas, agredir quem tenta pegar um ônibus ou botar fogo em pneu em rodovia. Isso não está “protegido” pela lei, nem os criminosos que praticam tais atos devem ser chamados de “manifestantes”.
Estudantes como estudantes estudam, não trabalham. Professores trabalham. Mesmo o direito à greve da Constituição, que permite até trancar a porta de uma fábrica e proibir que outros trabalhem, não inclui proibir outros de estudarQuando você se recusa a estudar, você não faz greve, você faz um boicote. É uma outra categoria de ação: e não há proteção no artigo tal, nem na lei de vários números-mas-sou-de-Humanas que permita obrigar alguém a boicotar algo com você.
Não é preciso ser muito especialista de Globo News para entender a diferença – e que não importa o quanto invoquem o “direito à greve”, estão tentando aplicá-lo a algo que nada tem a ver com “direito à greve”, concordando-se ou não com ele ou com o motivo da greve em questão.
Apesar das “marchas pela ciência”, do “racionalismo” e do “vá estudar”, a esquerda, sobretudo o seu quinhão mais notável, o infanto-juvenil, tem se voltado a tentar reinstaurar uma espécie de pensamento mágico em seu modus operandi. É o pensamento xamânico antigo, que acredita que uma palavra, ou ao menos as palavras mágicas, formam matéria (creo materia) ou podem destrui-la (perdo materia).
Basta que vários crêem que boicote de estudantes é greve, repetindo bastante entre especialistas da Globo News (que no passo seguinte será chamada de “mídia golpista”), e voilà, criou-se algo da cartola que não estava na Constituição, mas juram que estava lá. Crendo em conjunto, como antropólogos de Lévi-Strauss a Marcel Mauss estudaram, criam uma sociedade mágica, com ritualística definida, palavras-passe de ordem e refazendo tribos contra tribos.
É uma pena que a realidade seja sempre mais chata do que quer nossa vã esquerda.
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O DESESPERO DO POVO DIANTE DAS "ZELITES". QUE SE PHODAM! - RAFAEL BRASIL

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A adesão à greve foi pequena. Só àqueles setores esquerdistas e os sindicatos porque perderam a boquinha do imposto sindical, e funcionários públicos, aderiram. Os políticos governistas comemoraram, mas são também odiados pela população, assim como os militantes esquerdistas, sindicalistas corruptos e padres de passeata  que acharam tudo um sucesso. O povo está dando nós em pingos d'água para fazer a feira, e procurar trabalho.
Enquanto isso os ministros do STF soltam os meliantes da lava jato, e os políticos conspiram contra ela. Justamente quando as investigações e os inquéritos os atingem agora em cheio. Dizem que numa última fase a lava jato pagará membros do judiciário. Será mesmo? As investigações conta Lula avançam, agora com as delações de Renato Duque e Palocci.
O sistema político está podre, há tempos, e em todos os níveis. Federal, estadual e municipal. E em todos os rincões do país. O que já era ruim piorou.
O governo ilegítimo, e cercado de bandidos, aponta para as reformas, necessárias, mas perde a batalha da comunicação, dentre outros fatores, pela própria ilegitimidade e pelo ódio mais do que justificado do povo aos políticos. Mas não só aos políticos. Mas agentes do estado, ou seja, o chamado estamento burocrático do estado. A burocracia nacional oprime o povo. 
São escolas que não funcionam, hospitais, estradas esburacadas, violência assustadora. Enquanto isso os agentes públicos foram às ruas, assim como os sindicalistas, para manterem seus eternos privilégios corporativos. Juntamente com os velhos e carcomidos partidos comunistas, das mais variadas matrizes. Além é claro, dos alegres e "progressistas" padres de passeata, que enfeitaram muitas manifestações.
O feriadão esticado pelas greves que paralisaram os transportes, acaba semana que vem. E o Brasil e suas cambaleantes instituições continuam a derreter.  Alguém aí se arrisca dizer para onde vamos? Só Deus mesmo. O resto é farofa.

sexta-feira, 28 de abril de 2017

A GREVE PIFOU - RAFAEL BRASIL

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A greve pifou. Como fizeram terrorismo e proibiram à força o transporte público, o povão ficou em casa vagabundando. Inclusive quem a apoiou. 
Greve chapa branca é dia de feriado para os indemissíveis funcionários públicos, que em suma, vivem dos impostos de  quem produz e trabalha. Fizeram alguma zoada, quebraram vitrines de bancos e orelhões no meio da rua. O povo não gosta de baderna, nem de baderneiros. Aliás, é de baderna que o povo tá cheio.
É bandido, assaltante, latrocina, estuprador tendo benesses na justiça e na cadeia, é a violência desmedida, a loucura insana nas nossas escolas e universidades, enfim, o escambau. E até a Igreja apoiando estes baderneiros, uma vergonha. 
Se quisessem fazer um movimento porque não aos domingos? Por que justamente numa sexta feira antes de um feriadão? Na verdade estes grupos estavam querendo salvar o esquerdismo, que quase acabou com o país. Só um idiota não sabia disso. É isso aí.

IGREJA CATÓLICA APOIA COMUNISTAS NA GREVE - RAFAEL BRASIL

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Só um burro não sabe os objetivos da greve geral antecedendo o dia do feriadão de segunda feira. É mobilizar os setores esquerdistas que estão desempregados com o descalabro governista, e os sindicatos aliados ao petismo, que estão perdendo as mamatas que o povo paga, com o fim do malfadado imposto sindical.
A Igreja Católica, através da sua ong  CNBB, de viés esquerdista, com os famosos padres de passeata que infestaram a Igreja, através de missas e comunicados, apoia a greve dizendo que assim protege  os pobres e os trabalhadores. Até os colégios católicos apoiaram a greve, sacrificando assim o calendário escolar, e pior: fazendo a cabeça dos alunos, sem fomentar o debate, sem nada. 
Eles alegam que as reformas precisam justamente  ser encaminhadas com o devido debate sobre o assunto, que é a reforma trabalhista e da previdência. Na prática, autocraticamente, doutrinam os pobres dos alunos. Agem assim como os piores stalinistas. São os stalinistas de batina, aliás estes padres comunistas nem batina usam mais. Uma verdadeira praga na Igreja Católica.
Agora de manhã já conhecemos os teores dos movimentos grevistas. Os blacks blocks e os comunistas ligados aos sindicatos promovem o terror contra a população. Fazem gravações através de aplicativos na internet aterrorizando o povo. Obstruem estradas e avenidas, e fazem piquetes em garagens de ônibus. E só pelo que vi hoje, aterrorizam pobres passageiros em aeroportos.
Esses padres agem como se Jesus fosse um facínora como Che Guevara e outras desgraças mais. Afinal, quem já viu Jesus pregar coisas como luta de classes e outros absurdos da ideologia comunista? Por essas e outras o protestantismo prolifera no país. Afinal o cristianismo se caracteriza pela conversão e mudança interior do indivíduo, e não com o abstrato e iluminista conceito de classe social. É a Igreja pevertida desde as entranhas com a tal da teologia da libertação, que bem poderia ser chamada de teologia da escravidão. Vade retro satanás! Vige Maria, que Deus proteja o povo brasileiro dessa gente!