quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Dilma sob ataques - MERVAL PEREIRA

MERVAL PEREIRA31.12.2014 10h25m

 A presidente Dilma terá grandes problemas pela frente por que a esquerda do PT e os sindicalistas já começam a se movimentar tanto contra Joaquim Levy quanto contra as medidas de contenção de custos dos benefícios sociais. Ao mesmo tempo, também o PSDB saiu ao ataque contra as novas medidas de contenção, acusando o governo de estar traindo seus eleitores e classificando de “neoliberalismo petista” as medidas anunciada.

 A questão central é que mexer em valores que são importantes para trabalhadores e sindicalistas dá a sensação de que o governo está traindo seus eleitores, ao mesmo tempo que dá margem a que o PSDB assuma uma maneira petista de fazer oposição. 
Mas na verdade o governo está fazendo o que tinha que fazer mesmo, há distorções no seguro desemprego, no sistema de pensões, e em diversos outros mecanismos de benefícios sociais, é necessário, mas desgastante, dar uma controlada nisso. A ideia é economizar cerca de R$ 18 bilhões por ano, o que não é pouca coisa para um país que está precisando desesperadamente cortar custos. 
Mas mexe com interesses de sindicalistas, que já estão muito agitados, e com políticos também. Até setores do PMDB estão questionando as medidas, chamando a atenção para o fato de que o governo começa a cortar custos pelos trabalhadores, e não pelos gastos excessivos da máquina governamental. 
A esquerda do PT está se sentindo afastada da composição desse segundo ministério da presidente Dilma, e acha que a direita tomou conta do governo. Há setores da esquerda, dentro e fora do PT, que não apoiam a presidente por estar tomando medidas que criticava nos seus adversários na campanha eleitoral, e este é um fato que denota a incongruência de um governo que tem que abandonar suas crenças ideológicas na economia para reverter uma situação desastrosa que ele mesmo criou.
 Dilma está tomando medidas que mudam a direção que apontou nos discursos durante a campanha eleitoral, mas não são medidas “de direita”, como equivocadamente apontam seus críticos internos, mas medidas necessárias para recuperar o equilíbrio das contas públicas. 
Ao que tudo indica, teremos pela primeira vez um déficit fiscal ao final deste 2014, pois para chegarmos a um superávit de R$ 10 bilhões anunciado pelo (ainda) ministro Guido Mantega teríamos que ter um superávit de quase R$ 30 bilhões em dezembro, o que é inviável a esta altura, pelo menos sem malabarismos fiscais. 
Dilma já anunciou que vai abrir o capital da Caixa Econômica para investimentos privados e precisa fazer isso mesmo por que o governo não tem dinheiro. O problema da presidente Dilma é que ela não terá o apoio nem de seu partido, o PT, já liberado pelo ex-presidente Lula para críticas, e nem dos movimentos sociais, que ao contrário estarão mobilizados numa ação conjunta de Lula com os líderes sindicais para ir para as ruas defender os interesses da esquerda. 
Isso quer dizer que a pretexto de defender o governo do ataque da “direita”, esses movimentos sociais estarão indo contra setores que estão encastelados no ministério de Dilma, como Gilberto Kassab, do PSD, que no ministério das Cidades terá que dialogar Guilherme Boulos, do Movimento dos Sem Teto, o novo enfant terrible da esquerda brasileira. 
A futura ministra da Agricultura, Kátia Abreu, também terá que se confrontar com João Pedro Stedile e o MST, que prometeu guerra nas ruas caso Aécio Neves vencesse a eleição, e vê a presidente da Confederação Nacional de Agricultura como uma inimiga tão grande quanto o candidato tucano, com o agravante de estar dentro do governo. 
Ao lado disso, o governo não contará com o apoio da oposição, ao contrário do que aconteceu no início do primeiro governo Lula. A Força Sindical, que apoiou Aécio Neves na eleição presidencial, se juntará aos demais sindicatos ligados ao PT para combater as mudanças nas regras de concessão de benefícios trabalhistas e previdenciários, que considera nocivas aos trabalhadores. 
A Força Sindical toca num ponto nevrálgico: o país vive expectativa de aumento de desemprego, de inflação e dos juros, e as novas medidas serão adotadas nesse novo ambiente econômico de crise. 
O PSDB está disposto a ser oposição até mesmo ao ministro da Fazenda Joaquim Levy, que veio de suas hostes. O deputado Antonio Imbassahy já deu a direção ao dizer que as medidas anunciadas representam o “neoliberalismo petista, que provocará desemprego e prejudicará os trabalhadores”. 
O próprio presidente do PSDB, senador Aécio Neves, soltou uma nota afirmando que a presidente “faz agora o impensável: coloca em prática as suas medidas impopulares, prejudicando aqueles que deveriam ser alvo da defesa intransigente do seu governo: os trabalhadores e os estudantes".
O embate será duro e incessante, e a presidente Dilma não parece estar equipada politicamente para enfrentá-lo.

Ano difícil: da pior crise da Petrobras à vaca que tossiu - MIRIAM LEITÃO

Ano difícil em que os dados foram piorando ao longo dos meses. No começo, o mercado previa 2% de crescimento e o governo achava que eram os pessimistas. Termina o ano com a previsão em zero. A inflação ficou acima do teto da meta vários meses. O que é a pior combinação.
O governo bateu vários recordes... de déficit. Déficit público de quase 6% do PIB, quando se conta o que pagou de juros da dívida. Mas mesmo sem contar o custo financeiro, o risco é terminar com déficit primário. Até novembro, esse vermelho está em 18 bilhões.
Foi o ano que estourou o pior escândalo de corrupção do passado recente. A Polícia Federal, Ministério Público e a Justiça descobriram e investigam um esquema bilionário de roubo na Petrobras que levou para a prisão ex-poderosos diretores da empresa e dirigentes de grandes empreiteiras. A Petrobras está no pior momento da sua história enfrentando ações na Justiça aqui e no exterior e sem conseguir ter um balanço auditado.
A crise elétrica atravessou o ano todo, com as empresas de pires na mão pedindo dinheiro ao Tesouro. Ele deu uma parte, depois mandou que elas pedissem empréstimos. Elas pediram 18 bilhões e a garantia bancária, querido ouvinte, é o seu bolso. A Aneel já autorizou cobrar essa conta em três anos a partir de 2015. 
A água nos reservatórios caía mês após mês, mas o governo em disputa eleitoral escondia a necessidade de campanha de redução de consumo de energia.
Em São Paulo, o governo cometeu a mesma insensatez de adiar a decisão de conter o consumo porque estava em campanha pela reeleição.

Durante a campanha, o governo Dilma negou todos os problemas econômicos que o país enfrenta. Assim que as urnas fecharam, todos eles apareceram. A presidente Dilma negou que a inflação estivesse alta, e os juros subiram logo após as eleições; negou que os gastos estivessem descontrolados e os números confirmaram a confusão nas contas. Ela disse que não mudaria direitos sociais e convocou até um exemplo bovino. “Nem que a vaca tussa”.
Esse final de ano ficará conhecido como o fim do ano em que a vaca tossiu.

Ouça aqui o comentário completo na CBN.

CUBA: '3 horas para ver um clipe': cubanos relatam drama de interagir em redes sociais


Cubanos natos, moradores e visitantes da ilha governada pelos Castro a rigor podem acessar o YouTube com liberdade. O problema é que, na prática, a maioria não consegue assistir a nenhum vídeo.





Velocidade, qualidade de conexão, preço e quantidade de pontos de acesso à internet sempre foram pedras no caminho de quem passa pelo único país comunista das Américas. Agora, se depender das promessas recentes de Raúl Castro e Barack Obama, líderes de Cuba e dos Estados Unidos, a barricada tecnológica pode cair.

Em discurso simultâneo feito em 17 de dezembro, ambos anunciaram, entre outras medidas, que provedores americanos de telecomunicações poderão instalar sua infraestrutura e exportar serviços para a ilha caribenha. Para "melhorar a comunicação entre os países", a Casa Branca disse por comunicado que quer estimular a oferta de "serviços comerciais de telecomunicações e internet" - inclusive via smartphones.

À BBC Brasil, moradores da ilha disseram que uma única hora de acesso à rede hoje pode custar até US$ 8. O valor equivale a 40% do salário mensal de 8 em cada 10 cubanos - cuja renda é de aproximadamente US$ 20 por mês.

Incomum em residências, o acesso é realizado normalmente em universidades ou espécies de lan houses estatais criadas pelo governo em 2013 - há 154 no país, segundo fontes oficiais.

Mas enquanto o Estado afirma que 25% dos cubanos têm acesso à rede, entidades internacionais de direitos humanos alertam que apenas 5% acessam a "internet total", isto é, sem restrições, páginas controladas ou bloqueadas.

De acordo com relatório divulgado em novembro pela UIT (União Internacional de Telecomunicacões), Cuba ocupa o 160º lugar em um ranking mundial que mede acesso a telefonia, banda larga, residências com internet e computadores.

A lista inclui 166 países - considerados piores que Cuba, só a Eritrea, a República Democrática do Congo, a República Centro-Africana, Chade, Mianmar e Madagascar.




Duas justificativas distintas são frequentes para explicar a dificuldade de conexão da ilha, segundo os cubanos entrevistados.

Por um lado, simpatizantes de Raúl Castro atribuem as limitações ao embargo econômico imposto pelos Estados Unidos. Outros argumentam que a má qualidade do acesso seria uma forma conveniente de dificultar o contato dos moradores da ilha com outras pessoas e com as informações em circulação.

"Posso deixar um videoclipe carregando por três horas e sei que não vou conseguir assisti-lo", disse ao #SalaSocial da BBC Brasil o documentarista cubano Ismael Perdomo, de 43 anos, que vive em Havana.

A ligação para o telefone fixo do cineasta caiu quatro vezes durante uma hora de conversa.

Criador do site Cuba24horas.com, onde publica minidocumentários como Havana-Miami: Os tempos mudam (série de histórias sobre a vida dos cubanos que vivem nas duas cidades), Perdomo lamenta que seus conterrâneos tenham "perdido muita coisa do mundo digital".

"Ter internet em Cuba hoje é mais difícil que ter telefone fixo há 30 anos no Brasil", diz. Ele se refere à época em que uma linha telefônica comum chegava a custar US$ 3 mil nas principais capitais brasileiras e demorava anos para ser instalada.

O cineasta, entretanto, defende o regime comunista que rege a ilha desde o início do castrismo, em 1959.

"A pressão financeira nos fez um país pequeno", argumenta. "Cuba precisa de muitas mudanças, mas nossa revolução foi autêntica, legítima e durou muitos anos. É uma etapa importante que passou e agora queremos alcançar o resto do mundo."

Sua opinião não coincide com a de muitos moradores da ilha - caso da espanhola Libia Pérez, que vive em San Antonio de los Baños, a 27 quilômetros de Havana. "Quem vive fora da ilha tem muito mais facilidade de se informar sobre o que acontece em Cuba do quem vive dentro", ela diz.

À reportagem, por meio de mensagens privadas no Facebook, Pérez questiona o argumento de que a internet ruim seria culpa do bloqueio. "Agora é hora de comprovar. A suspeita geral é contra o governo, que parece não querer abrir esta janela ao povo", diz.

Mas qual será o alcance local das redes sociais - reconhecidas em todo o ocidente como espaços de discussão política, críticas a governos e organização de eventos como as "primaveras" que se espalharam por vários países?

Segundo o documentarista Perdomo, elas são mais usadas como ferramentas de comunicação do que fonte de informação ou questionamento.

"Fizemos uma pesquisa local e, para a maioria dos garotos, as redes sociais são apenas espaços para conversar com amigos distantes e familiares no exterior", diz.

A conclusão foi que as redes funcionam em Cuba como um "telefone mais moderno", e não como espaço para troca de notícias e dados, diz o morador de Havana.

Nas palavras do conterrâneo Pablo Nuñez, de 19 anos, os cubanos "não tiveram chance" de criar o hábito de usar as redes como ferramenta crítica. "Com a baixa velocidade, as redes aqui servem para o básico: mandar e receber notícias, às vezes fotos, para as pessoas que amamos", diz.

Graças ao mercado negro, as redes sociais por lá acabam se tornando "analógicas": para driblar restrições, os cubanos têm o hábito de fazer circular HDs externos, CDs e até disquetes com vídeos, fotos e textos que poderiam ser questionados pelo governo ou demorar muito para serem acessados pelo computador.

O estado das comunicações digitais é complicado pelo fato de boa parte dos cidadãos usar o que se chama internacionalmente de "intranet cubana".

De acordo com o jornal Washington Post, a internet para a maioria dos cubanos se restringe a um sistema local que inclui e-mails, sites favoráveis ao governo "e um punhado de outros serviços". A "internet completa" fica restrita a estrangeiros em hotéis e universidades e alguns profissionais cubanos autorizados pelo governo.


Pablo desconversa quando questionado se poderia criticar o que não lhe agradasse no governo. "Há muitas maneiras de se mostrar o que se sente. Não precisa ser na frente do computador."

REYNALDO-BH: Qual Dilma vai prevalecer? A do estelionato eleitoral ou aquela que seria a continuidade de um país-maravilha que não existe


Mentiu na campanha ou está mentindo agora? (Ilustração: slate.com)
Mentiu na campanha ou está mentindo agora? (Ilustração: slate.com)
Post do LeitorPost do amigo do blog Reynaldo-BH
Dra. Jekill and Mrs. Hyde.
Como em O Médico e o Monstro, o livro de terror de Robert Louis Stevenson, temos a médica e o monstro na mesma pessoa.
Dilma Roussef.
O problema é identificar qual das duas personalidades prevalecerá.
Como todos sabem, o lado demoníaco de Jekill aparecia na forma de Mr. Hyde. Que acreditava dominar as aparições do personagem maligno.
Mas Jekill perdeu o controle sobre a criatura. Sobre si mesmo.
Qual Dilma será vitoriosa? A farsante e estelionatária eleitoral ou a que foi vendida como a continuidade do país perfeito que afirmava existir?
Olha-se para Dilma e se enxerga Aécio. Mira-se Joaquim Levy e se vê um ortodoxo mais intenso que Armírio Fraga.
Mas as semelhanças param por aí.
Seriam saudáveis e até úteis. Mas, Dilma como uma Mrs. Hyde, mentiu. Como nunca antes neste país…
Não era um banqueiro que tomando conta do Banco Central iria retirar a comida dos pratos dos brasileiros?
Pois Joaquim Levy cuidava, no BRADESCO, de grandes fortunas. Era o diretor da área. Hoje é o tzar da economia. A salvação esperada pelo PT que não tem NINGUÉM para assumir o encargo e precisou recorrer ao PSDB.
Dilma Hyde continua a afirmar que ele roubará a comida dos miseráveis? Ou mudou de opinião? Nem uma coisa nem outra: sabia que mentia.
Não era Aécio que iria aumentar os juros básicos? Pois antes da posse Dilma Hyde aumentou-os DUAS vezes.
Não era Aécio que iria detonar os bancos públicos? Pois Dilma Hyde anunciou a “abertura” do capital da Caixa Econômica Federal, seguindo a receita liberal. Que era o mal maior do Brasil!
Não era Marina que iria acabar com a exploração do pré-sal? A Petrobras não tem crédito nem para PAGAR o que deve. O que dirá investir em TODAS AS ÁREAS do pré-sal como o “novo” marco regulatório exige.
A inflação não estava sob controle absoluto? Por que então a nova equipe econômica diz que somente em 2017 (isso mesmo! 2017!) a inflação irá cair?
Mrs. Hyde não perguntou a Aécio – em um debate – quais seriam as “medidas impopulares contra a classe trabalhadora” que o candidato adotaria se eleito?
Ela mesma dá a resposta: o maior ARROCHO contra aposentados, pensionistas e desempregados que se tem notícia no Brasil! Auxílio desemprego agora se exige 18 meses (eram 6) para ser “merecedor” da ajuda.
Seguro de pescador? Só se ele provar que é pescador há no mínimo três anos! Morte? Antes, 100% do salário do falecido; agora 50%! Está em consonância com o que Mrs. Hyde disse na campanha?
Não era a “monstra” que, risonhamente, garantia não compactuar com malfeitos? Será que ela considera o PETROLÃO (sem parâmetros históricos no MUNDO!) uma benfeitoria, como a CPI blindada pelo PT e quadrilha da base alugada afirmou em relatório final? Por isso mantém a diretoria da Petrobras?
Alguém já se esqueceu do aeroporto de Cláudio, que Aécio construiu em “terras da família”? O novo ministro dos Esportes foi pego com 600 mil reais em DINHEIRO vivo a bordo de um jatinho na Pampulha. Foi expulso do partido e suspenso – como pastor – até da Universal de Edir Macedo. Será o responsável pelos BILHÕES das Olimpíadas de 2016. Eis aí a Mrs. Hyde em ação.
Qual Dilma montou este ministério que é antes de tudo e salvas raras exceções, um acinte e uma ofensa à nossa dignidade?
A médica maquiada pelo João “Bafo de Onça” Santana (o marqueteiro especialista em baixarias) ou a monstra que não esperou a posse para desdizer NA PRÁTICA tudo o que prometeu?
Dilma perdeu o respeito (pouco) que tinha. A eleição foi legal, juridicamente falando. Seguiu-se o Estado de Direito e a democracia. Dilma, porém, a tornou ilegítima. Uma farsa. Um assalto aos votos que teve. Um atestado de vigarista vulgar que roubou ideias de terceiros e as misturou com a escória que sempre apoiou o poder.
A MAIORIA dos ministros escolhidos por oportunismo político ou pagamento (na boca do caixa?) por favores passados e acordos futuros.
Aceitou Berzoini como ministro das Comunicações com a promessa (feita ao PT) de ter-se a volta da censura através do “controle social da mídia”, como o ministro escolhido sempre defendeu.
Dilma perdeu o que tão cinicamente conseguiu. A legitimidade para estar onde está. Quando assume ter mentido, ocultado, enganado, ofendido e roubado consciências, através de atos, se diminui ainda mais.
Mrs. Hyde está no comando. Dr. Jekill era somente uma ilusão de um marqueteiro desonesto.
Mrs. Hyde não mete medo em ninguém. Todos somente a evitam. Por isso, Mrs. Hyde está só. Com o poder que acredita (acredita?) ainda ter. Não tem. Nunca terá.
Poder sem legitimidade é somente ditadura!
É o ocaso de uma farsa. Dantesca. Onde o inferno é o Brasil e onde os mais necessitados já foram atingidos. O PT concorda? SIM! Diz que Mrs. Hyde está “fazendo correções” nos benefícios sociais.
Imagino o que diriam se fosse a oposição (Marina ou Aécio) que tivesse proposto este esbulho de direitos adquiridos. E alterados não por lei, mas por medida provisória. De aplicação imediata.
Não me sinto contente por ter estado no lugar certo da trincheira. Sempre contra a demagogia barata, nascida da DIVISÃO IRREVERSÍVEL do Brasil entre “nós x eles” (como Lula sempre pregou!) e da demonização de quem somente discordava.
Sinto-me desanimado.
Mais uma vez. Mas, como sempre, sei que é passageiro.
Mrs. Hyde, como disse, não mete medo. Mais vale a companhia que tivemos na trincheira. Hoje sabemos claramente quem está onde e por que.
É a grande lição de 2014. Que fica como esperança em 2015.
A Mrs. Hyde basta a própria herança. Esta sim, maldita.

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Obama e Raúl esqueceram o principal - PERCIVAL PUGGINA

"Ahora, llevamos adelante, pese a las dificultades, la actualización de nuestro modelo económico para construir un socialismo próspero e sostenible".
Raúl Castro, em discurso ao povo cubano no dia 17 de dezembro de 2014.

Num dia de outubro do ano de 2012 - já contei isso antes por aqui - enquanto caminhava ao longo do Malecón habanero, eu ia observando o incessante bater das ondas contra os molhes que protegem a cidade. Retornara a Havana, passados 10 anos da minha visita anterior, para conhecer as mudanças que se dizia, então, estarem ocorrendo no país. Gastara os dias anteriores perguntando às pessoas sobre essas mudanças. "Câmbios? No hay cambios!", asseguravam-me aqueles com quem falava. De fato, tudo parecia apenas dez anos mais velho, dez anos mais deteriorado, exceto pela novidade dos telefones celulares. "Mas um dia o mar vencerá o muro", eu ia pensando enquanto contemplava a baía de Havana.
Lendo os jornais de hoje, 18 de dezembro de 2014, me pergunto: será este o momento? Será agora que Cuba tomará a decisão certa, o caminho da democracia sonhado por tantos cubanos, exauridos de sua liberdade e criatividade por um governo comunista, de feitio leninista? A frase com que abro este comentário, feito em cima dos acontecimentos, deixa margem para muitas dúvidas. O ditador Raúl Castro pretende instalar-se sobre uma contradição - "socialismo próspero". Ora, isso não existe. O que pode existir é uma ditadura com capitalismo, tipo chinesa.
Diante disso, vê-se que Obama acaba de prestar um desserviço ao povo cubano. Se era para fazer acordo, que o acordo previsse a abertura política. Ao isolar das negociações o povo da ilha, Obama reproduz a conduta brasileira, que socorre o ditador em suas necessidades materiais ajustando o estribo para que ele possa continuar cavalgando a nação cubana. Huber Matos, um dos principais comandantes da revolução, no livro "Cómo llegó la noche", relata uma conversa que teve com Fidel, indagando-o sobre quando iriam cumprir a promessa de permitir aos trabalhadores a participação no resultado das empresas. Na resposta, o Líder Máximo afirmou que isso seria impossível porque quando o trabalhador adquire independência econômica logo vai atrás da independência política.
Se tal entendimento os manteve no poder durante 54 anos, não vejo razão para que tenham mudado de opinião. A longa experiência certifica a correção da tese. Ademais, o modelo político cubano, segundo a própria definição de Fidel Castro, é marxista-leninista, ou seja, tem total desapreço à democracia e às liberdades que normalmente a acompanham. Se a questão política interna de Cuba não faz parte da pauta negociada entre Raúl e Obama com as bênçãos de Sua Santidade o Papa Francisco, então esqueceram o principal. Cuba não é um negócio da família Castro & Castro Cia. Ltda, com a qual Obama faz acertos, mas uma nação insular onde, há mais de meio século, 11 milhões de pessoas trabalham como escravas do Estado. Um dia, contudo, o mar vencerá o muro.

Três notinhas da semana - ESCRITO POR OLAVO DE CARVALHO |



Se abrir relações diplomáticas e comerciais com uma ditadura comunista pudesse fomentar a liberdade, a China seria hoje uma democracia. Obama repete o erro criminoso de Richard Nixon, adquirindo para os EUA "o melhor inimigo que o dinheiro pode comprar". Em poucos anos, Cuba será uma potência econômica e militar invejável, sem democratizar-se no mais mínimo que seja – excetuada, é claro, a hipótese de uma revolução popular, que é exatamente o que o governo americano tenta evitar mediante a tábua de salvação atirada in extremis a uma ditadura moribunda.

Além do Brasil e das Farc, o Foro de São Paulo terá agora mais um patrono bilionário: os EUA, por intermediação de Cuba.

Os políticos conservadores e os refugiados cubanos em Miami podem se esforçar para dar outro rumo ao encadeamento das causas e efeitos, mas isso será como colocar rédeas num dragão.

Ao apoiar a iniciativa do governo Obama, o Papa Francisco prova mais uma vez sua completa falta de discernimento político.

* * *

Um dos dogmas mais básicos – e mais psicóticos – da mentalidade revolucionária nas últimas quatro ou cinco décadas é que não existe “natureza humana”: o bicho-homem não tem instintos, não tem programação genética, é uma folha em branco, uma tábua rasa: tudo o que ele faz e pensa é imposto por “estereótipos culturais”. Estes, por sua vez, não surgem da experiência acumulada das gerações, mas são “instrumentos de dominação” criados pela maldita classe dominante.

Se você acredita que é macho só porque nasceu macho, ou fêmea só porque nasceu fêmea, está muito enganado(a). Foi o “aparato de reprodução da ideologia burguesa” que vestiu em você esses modelitos odiosos para que você não percebesse que seu pênis pode ser um sinal de feminilidade e sua vagina uma prova de macheza acima de qualquer suspeita.

Nem precisa perguntar: Sim, a ciência já demonstrou que isso é uma fraude das grossas. E sim, os mesmos que brandem a teoria da “tábua rasa” contra os papéis tradicionais de homem e mulher saem gritando, cinco minutos depois, que o homossexualismo é genético e que tentar mudar um homossexual é crime. Isto é: você não nasce homem nem mulher, mas nasce homossexual. Perguntar como você pode sentir atração por pessoas “do mesmo sexo” sem ter sexo nenhum é homofobia.

Há ainda aqueles que exigem acesso aos banheiros femininos para os transexuais e ao mesmo tempo berram que “é preciso acabar com os estereótipos de macho e fêmea”. Mas o que faz de um transexual um transexual senão o fato de que, nascido num sexo, ele copia os estereótipos do outro? E é preciso ser cego para não notar que a conduta feminina de um transexual é ainda mais estereotipada que a das mulheres.

Um documentário recente (https://www.youtube.com/watch?v=p5LRdW8xw70) mostrou que na Noruega, o país onde a legislação é a mais igualitária do mundo para homens e mulheres, as pessoas continuam a buscar as profissões que correspondem ao “estereótipo” do seu sexo, com freqüência estatística até maior do que o faziam antes de oficializado o discurso equalizante. Os fanáticos da “tábua rasa” dizem que elas fazem isso por pressão da sociedade, mas elas insistem que não: as mulheres escolhem cuidar de bebês, e não de automóveis, porque querem e não porque mamãe mandou. Mas os iluminados acreditam que essas pessoas não têm autoridade para dizer o que querem: quem tem são eles.

É essa a mentalidade por trás de milhares de leis psicóticas com que cérebros lesados impõem a sua deformidade à população, proibindo a saúde mental como se fosse um crime.
        
        
* * *

Está aberta a temporada de caça ao deputado Jair Bolsonaro. Na verdade, sempre esteve, não sendo essa portanto a razão pela qual volto ao assunto. A razão é que agora os tiros vêm da mais inesperada das direções: a coluna do Reinaldo Azevedo. E vêm com aquela persistência inflexível do atirador que não aceita como troféu senão a completa destruição do alvo ou, na mais branda das hipóteses, a sua definitiva humilhação pública.Numa de suas últimas postagens, o colunista da Veja firmou sua posição: ou o sr. Bolsonaro pede desculpas à sua colega Maria do Rosário, ou merece ter seu mandato cassado. Cassar o mandato de Maria do Rosário? Nem pensar.

Já disse, e reafirmo, que sou amigo do Reinaldo Azevedo e não deixarei de sê-lo por causa de uma opinião errada, depois de tantas certas e valiosas que ele já publicou. Mas esta de agora é tão errada, tão absurda, tão indefensável, que eu falharia ao meu dever de amizade se não alertasse o colunista para a injustiça que comete e o vexame a que se expõe.

Que a resposta do sr. Bolsonaro à sra. Maria do Rosário foi "uma boçalidade", como a qualifica Reinaldo Azevedo, é certo e ninguém duvida. Mas o sr. Bolsonaro a pronunciou em resposta, não a "outra boçalidade", como pretende Azevedo, e sim a uma falsa imputação de crime, que é por sua vez um crime. Reinaldo Azevedo exige que a boçalidade seja punida e o crime fique impune.

Como todo debatedor teimoso que se empenha na defesa do indefensável, Reinaldo se vê forçado a apelar a expedientes argumentativos notavelmente capciosos que, em situações normais, ele desprezaria.

Um deles é proclamar que a resposta do sr. Bolsonaro a Maria do Rosário transforma o estupro em uma “questão de mérito”. Quer dizer, pergunta Reinaldo, que, se Maria do Rosário merecesse, Bolsonaro a estupraria? Isso é deformar as palavras do acusado para lhe imputar uma intenção criminosa. Na verdade, Bolsonaro disse: “Se eu fosse um estuprador...” O restante da frase, portanto, baseia-se na premissa de que ele não o é, e só pode ser compreendido assim. Reinaldo parte da premissa inversa para dar a impressão de que o deputado fez a apologia do estupro. Com isso, ele endossa o insulto lançado pela deputada Maria do Rosário e usa essa premissa caluniosa como prova de si mesma. Raciocinar tão mal não é hábito de Reinaldo Azevedo, mas, como se sabe, o ódio político move montanhas: montanhas de neurônios para o lixo.

Pior ainda: tendo recebido centenas de objeções sensatas e racionais na área de comentários do seu artigo – inclusive as minhas --, ele não responde a nenhuma, mas tenta dar a impressão de que toda a oposição à sua versão dos fatos vem de “seguidores de Bolsonaro”, exemplificados tipicamente nos signatários de uma petição raivosa que exige a demissão do colunista de Veja. Fui ver a petição, e sabem quantos signatários tinha? Sete e não mais de sete (talvez agora tenha oito ou nove). Ao fazer desses sete os representantes da maioria que não pedia cabeça nenhuma, Reinaldo procedeu exatamente como os repórteres pró-petistas que, na massa de dezenas de milhares de manifestantes anti-Dilma, pinçaram cinco ou seis gatos pingados adeptos da “intervenção militar” para criar a impressão de que a manifestação era essencialmente golpista.

Boas notícias do espaço: “muro invisível” protege a Terra contra radiação letal


asoe
Notícias tranquilizadoras sobre a natureza e o nosso meio ambiente provêm com relativa frequência da ciência objetiva. Mas elas não obtêm espaço na mídia, que prefere os anúncios estarrecedores ou deprimentes, e raras vezes verdadeiros, do ambientalismo radical.
É o caso da descoberta surpreendente, e até agora inexplicada, feita por uma dupla de satélites da NASA (National Aeronautics and Space Administration – Administração Nacional da Aeronáutica e do Espaço) e reportada em 27.11.14 pela revista científica britânica “Nature”.
Os satélites detectaram um campo de força invisível e impenetrável, a cerca de 11 mil km da superfície da Terra, que protege nosso planeta de doses letais de radiação. O anúncio foi noticiado por Salvador Nogueira, blogueiro da Folha de S.Paulo.

As sondas Van Allen foram lançadas em agosto de 2012 com o objetivo estudar os ‘cinturões de Van Allen’, dois anéis de radiação resultantes da interação do campo magnético terrestre com as partículas emanadas constantemente do Sol.

Os dois cinturões, aliás, foram a primeira descoberta da era espacial, feita em 1958 pelo cientista americano James Van Allen, da Universidade de Iowa.
  
sva
As sondas de Van Allen da NASA, instrumentos da descoberta do "escudo" protetor da Terra.

Agora houve uma nova surpresa. E foi obra dos cientistas do MIT e da Universidade de Colorado, em Boulder, liderados por Dan Baker, ex-aluno do próprio Van Allen e diretor do Laboratório de Física Atmosférica e Espacial da Universidade de Colorado, em Boulder. 
Eles perceberam que todos os elétrons com níveis altíssimos de energia, que chegavam a velocidades próximas à da luz, eram barrados um pouco acima do primeiro dos cinturões. Nenhum deles conseguia passar a barreira dos 11 mil km.

Essas barreiras funcionam como um escudo protetor altamente benéfico, pois essa radiação seria nociva se chegasse à superfície da Terra.

Caso atingissem regularmente a superfície do planeta, tais partículas inviabilizariam o desenvolvimento da vida, além de “fritar” os circuitos eletrônicos de satélites, explicou “O Globo”.

A surpresa aumentou pelo fato desse bloqueio abrupto contrariar a expectativa dos pesquisadores. Eles imaginavam que esses elétrons paravam na atmosfera terrestre e a ideia de uma barreira a 11 mil km nem sequer era suspeitada.

“É quase como se esses elétrons estivessem trombando com uma parede de vidro no espaço”, disse Baker. “É um fenômeno extremamente intrigante.”
“É um fenômeno muito raro, extraordinário. Ele indica que, se colocarmos um satélite ou uma estação espacial em órbita do lado de dentro dessa barreira impenetrável, podemos esperar que eles tenham vida útil muito maior”, declarou John Foster, diretor do Observatório Haystack do MIT, citado pelo "O Estado de S.Paulo".
tcces
A ilustração didática mostra a proporção de uma tempestade solar e a Terra (pontinho azul)

cme

Fotomontagem de sucessivas explosões solares que chegam pouco depois até a Terra.
O corpo solar é representado pelo círculo branco.

Os cientistas ainda não têm uma explicação clara sobre a origem da barreira. O campo magnético da Terra parece não ter nada a ver com isso. 
O campo magnético terrestre é 30 vezes mais fraco na chamada Anomalia do Atlântico Sul — um “buraco” no campo magnético perto da costa oriental da América do Sul.

Nessa região, os cinturões de Van Allen chegam um pouco mais perto da superfície.

E se isso fosse causado pelo magnetismo terrestre, seria natural que os elétrons penetrassem mais na região. Mas não.

Baker e seus colegas elaboraram a hipótese de um gás ionizado chamado plasmasfera, que emitiria ondas eletromagnéticas responsáveis por rebater os danosos elétrons altamente energéticos.

Durante os momentos de grande atividade solar, os dois cinturões se desdobram em três, reforçando a defesa da Terra.

Os tripulantes das missões Apollo, que atravessaram esses cinturões entre 1968 e 1972, reportaram, até com os olhos fechados, flashes luminosos durante a travessia. 
 
sva
 
Gráfico da NASA apresentando os escudos magnéticos de Van Allen em volta da Terra e as duas 2 sondas da NASA, também conhecidas como Radiation Belt Storm Probes.

Segundo os cientistas, as ondas magnéticas de baixa frequência produzidas pela plasmasfera, tal como o “chiado” em uma transmissão de rádio, seriam as responsáveis por desviar os elétrons de alta energia, “erguendo” o escudo.

Ainda é preciso ver como essa plasmasfera se comporta quando atingida por tempestades geomagnéticas mais intensas.

“Se o Sol eventualmente bombardear a magnetosfera terrestre com uma ejeção de massa coronal, suspeito que ela será capaz de romper o escudo por um período de tempo”, especula Baker.

Em qualquer hipótese, a descoberta confirma mais uma vez a ordem profunda que existe na natureza. Ela também põe em evidencia os sapienciais mecanismos que reconstituem essa ordem quando atingida por fatores mais adversos.

E tudo isso sem que o homem tenha ideia desses mecanismos benéficos, suas ameaças e suas capacidades de auto-restauração.

Em face desses fenômenos, fica claro como são limitadas as forças do homem e limitados os efeitos de sua atividade! 
E nossos ardidos ambientalistas continuam achando que o homem pode desertificar ou torrar o planeta com aerossóis, carros ou cidades!

Se tivesse falado a verdade, Dilma teria sido reeleita? Ricardo Noblat

De Dilma, em 22 de outubro deste ano, às vésperas de se reeleger por uma vantagem modesta de votos:
- As pessoas são o centro do meu governo como foram o centro do governo Lula. Vamos mostrar que este país não vai voltar atrás. As duras conquistas não serão tiradas de nós.
De Dilma em mais de uma ocasião da campanha no primeiro e no segundo turnos:
- A inflação está sob controle. Não vou aplicar os métodos do PSDB. Não estou aqui para aumentar os juros e desempregar ninguém.
Da reeleição para cá, o Banco Central já aumentou os juros duas vezes. E a impressão digital do PSDB apareceu com nitidez no pacote de medidas anunciado, ontem, para organizar as finanças do governo que a presidente jamais admitiu que estivessem desorganizadas.
O pacote reúne mudanças que atingem o abono salarial, o seguro-desemprego, o seguro-desemprego dos pescadores artesanais, a pensão por morte e o auxílio-doença.
No blog do Planalto - e também no blog da Dilma -, o duro ajuste fiscal bancado por Joaquim Levy, futuro ministro da Fazenda, e destinado a economizar no próximo ano R$ 18 bilhões, foi apresentado sob a manchete: "Governo corrige distorções na concessão de benefícios trabalhistas e previdenciários".
Quem diria que benefícios conquistados pelos brasileiros que mais precisam seriam chamados de "distorções" por auxiliares de Dilma. Quem diria que Dilma e sua turma se valeriam da receita do PSDB para pôr a casa em ordem.
Estelionato é, segundo o Dicionário do Aurélio, o "ato de obter, para si ou para outrem, vantagem patrimonial ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo em erro alguém, por meio fraudulento".
Substitua "vantagem patrimonial ilícita" por "vantagem eleitoral ilícita" para ter uma ideia do que cometeu Dilma na campanha em que se reelegeu.
Ela negou tudo ou quase tudo que começou a fazer para governar outra vez. Simples assim.

A Petrobras e o pré-sal no fundo do poço - Gilberto Menezes Côrtes


Famílias temem que a economia entre em longo ciclo de inflação alta com baixo crescimento, fatal ao emprego e à renda, até na indústria naval. Teria o sonho acabado?

Nem o maior crítico das decisões de Dilma quando acumulou nos governos Lula o Ministério de Minas e Energia e a Casa Civil com a presidência do Conselho de Administração da Petrobras podia supor que a empresa fecharia 2014 em situação tão dramática. Sem o lastro de gigantes campos de petróleo (mais de dois milhões de barris/dia e mais de 16 bilhões de barris em reservas), refinarias, petroquímica, navios e plataformas próprias ou arrendadas, poderia seguir o destino da petroleira de Eike Batista, a OGX, com um só campo de produção, inviável. Entre a descoberta provada do pré-sal — em 2007, quando o barril valia US$ 105 (chegou a US$ 160 no mercado futuro, em agosto de 2008, quando o estouro da bolha financeira de Wall Street jogou a economia mundial ao chão) — e dezembro de 2014 (US$ 59, com a redução da demanda nos EUA, após exploração do shale gas), tudo o que podia ser feito de errado aconteceu na Petrobras, a "tempestade perfeita".
Certa de que o Brasil ganhara na loteria e garantira seu futuro no século 21 (embora sem base educacional e produção industrial sofisticada ou tecnologia de ponta), Dilma convenceu Lula a suspender os leilões da ANP, a rever o marco regulatório e dar à Petrobras posição obrigatória mínima de 30% em cada novo poço. Manteve o rígido controle dos preços dos derivados, incluindo o GLP, que dá popularidade, mas mina as receitas da estatal. Confiante, o governo fez do petróleo o novo motor da economia e lançou ambicioso programa de produção de barcos de apoio, plataformas, navios de transporte, tudo com alto índice de nacionalização. Moleza para empreiteiras e fornecedores.
Quando as entregas atrasavam, ou tinham defeito (caso do navio João Cândido, posto ao mar, com soldas mal feitas no Estaleiro Atlântico Sul, em maio de 2010, em Pernambuco, para servir de palanque ao lançamento oficial da candidatura Dilma), dizia-se que era "o preço da curva de aprendizagem". Véu que encobria tenebrosas transações. Como informou O GLOBO, a manobra teve bis em Angra dos Reis (no estaleiro Toyo Setal, com executivos na delação premiada) entre o primeiro o segundo turnos de 2010, ao custo extra de US$ 25 milhões para antecipar a entrega da plataforma P-57 (custou US$ 1,2 bilhão), majestoso palanque da eleição de Dilma. O pré-sal serviu para costurar alianças com políticos dos estados do Norte, Nordeste e Centro-Oeste, dando-lhes maior fatia na redistribuição dos royalties do óleo do mar, prejudicando Rio de Janeiro (responsável por 80% do petróleo do país), Espírito Santo e São Paulo. E atrelou 75% dos recursos à saúde e à educação. Daí, a forte votação de Dilma no Norte/Nordeste em 2010 e 2014.
Na crise de 2008/2009, o governo dobrou as fichas no petróleo. Estimulou a venda de carros à nova classe C em até seis anos e manteve gasolina e álcool congelados. Gerou engarrafamentos diários e superendividamento das famílias. Agora, hesita em agir. As famílias temem que a economia entre em longo ciclo de inflação alta com baixo crescimento, fatal ao emprego e à renda, até na indústria naval. Teria o sonho acabado? A desmoralização da Petrobras fez seus ativos valerem menos que as dívidas para tocar o pré-sal. Com os problemas da estatal e a queda vertiginosa do petróleo (e dos minérios e das commodities agrícolas), além de sérios problemas na balança comercial e nas contas externas, a sonhada redenção do Brasil, via petróleo e a educação de qualidade, corre risco de se limitar a uma segunda época no Pronatec.
Gilberto Menezes Côrtes é jornalista

MIRIAM LEITÃO - "VERMELHO NOVO"

Vermelho novo

O déficit divulgado ontem foi o pior para o mês da série histórica. Quantas vezes você leu esta frase nas páginas de economia este ano? Não pare de ler, não é notícia velha. É um novo vermelho nas contas públicas de novembro, de R$ 6,7 bilhões. No ano, o déficit primário é de R$ 18,3 bilhões. Para fechar na nova meta de R$ 10 bi de superávit, será preciso um dezembro com azul de R$ 28 bilhões.
É dura a herança que Dilma receberá de Dilma. A presidente terá que começar o segundo mandato herdando vermelhos velhos na balança comercial, no déficit público, no resultado da conta-corrente, no setor elétrico, na dívida pública. E tem a meta de chegar a um resultado positivo, em 2015, de no mínimo R$ 66 bilhões, segundo contou Joaquim Levy.
Na minha terra, em Minas, há duas cidades próximas. Uma chamada Vermelho Velho, e a outra, Vermelho Novo. Assim estará o governo a partir de quinta-feira, tentando separar o déficit antigo do que vier a ser responsabilidade da nova administração.
A arrecadação até subiu no ano, em 3,9%, mas as despesas cresceram num ritmo mais veloz: 12,7%. E isso não é tudo. A nova equipe que assumirá está vasculhando as contas atrás de déficits ocultos. Na área de energia, há uma lista infindável de contas dependuradas no Tesouro, além daquelas que já se sabe que foram cobertas com empréstimos bancários que serão pagos através de aumentos da conta de luz.
O problema é que, quanto maior for a herança deixada por Dilma para o novo governo Dilma, mais difícil será o ajuste. Nesta reta final, com os ministros ainda não empossados olhando as contas por dentro, está ficando claro que o rombo é de fato tão grande quanto diziam os mais pessimistas.
Um dos truques que ajudaram a recobrir de azul as velhas contas vermelhas foi o de antecipar dividendos de estatais. Não poderá mais ser feito. Não apenas porque a nova equipe já abjurou a velha prática, como será impossível mesmo. A Petrobras não terá condições de pagar agora os R$ 2 bi previstos por ter recebido mais quatro campos de pré-sal na Bacia de Campos. A Eletrobrás não poderá pagar dividendos, simplesmente por não ter lucro. Ela está com dificuldades para pagar o que deve à Petrobras. Sobram os bancos públicos, mas o BNDES precisa manter seus recursos porque acaba de receber um novo cheque do Tesouro e o aviso prévio de que não haverá outros.
Em entrevista da qual participei com a então candidata Dilma, em 2010, perguntei se não havia risco de aumentar o déficit público e a dívida bruta caso ela ganhasse. Lembrei que ela, anos antes, na chefia da Casa Civil, havia chamado de rudimentar a proposta do ex-ministro Antonio Palocci de buscar o déficit nominal zero. Dilma respondeu a pergunta, que lhe fiz em entrevista na CBN, dizendo que eu estava errada “no número e no conceito”. Ao fim do seu primeiro mandato o que se constata, infelizmente, é que o erro não era meu. O déficit público nominal está fechando o ano em 5,6% do PIB e a dívida pública bruta está em 63% do PIB. Quando ela assumiu, estava em 54%. Veja o gráfico.
O trabalho de arrumar as contas não será fácil. O governo persistiu demais no erro de achar que poderia enganar os números com artimanhas fiscais e aumentar os gastos. Os dois ministros terão muito o que fazer para tentar virar esse jogo. A aposta que fazem é que o gesto de mudar de rumo já seja o primeiro passo para a reconquista da credibilidade da política econômica.