segunda-feira, 30 de junho de 2014

EM PRIMEIRA MÃO: A MÚSICA DE LOBÃO PARA A LISTA NEGRA DE JORNALISTAS CRIADA PELO PT. DIVULGUEM!


EM PRIMEIRA MÃO: A MÚSICA DE LOBÃO PARA A LISTA NEGRA DE JORNALISTAS CRIADA PELO PT. DIVULGUEM!

Manterei este post no alto da homepage durante todo o dia. As atualizações estarão sempre abaixo dele.
O cantor, compositor e colunista Lobão: retrato de um tempo numa canção
O cantor, compositor e colunista Lobão: retrato de um tempo numa canção
Vamos lá. O cantor e compositor Lobão, também colunista da VEJA, é um dos nove “malditos” que foram parar na lista negra do PT, assinada por Alberto Cantalice, vice-presidente do partido, divulgada no site oficial da legenda e propagada pelos blogs sujos, financiados por estatais. É a verticalização da infâmia, que os fascistoides costumam promover quando chegam ao poder: o estado, o partido e as milícias atuam como ordem unida. Só para lembrar: os outros oito da lista somos eu, Augusto Nunes, Diogo Mainardi, Demétrio Magnoli, Arnaldo Jabor, Guilherme Fiuza, Marcelo Madureira e Danilo Gentilli. Essa é apenas a fornada inicial do nacional-socialismo petista. Se o partido vencer a eleição, certamente a lista será ampliada. A “Repórteres Sem Fronteiras”, a mais importante entidade internacional de defesa da independência jornalística, expressou o seu repúdio. Janio de Freitas, por sua vez, preferiu repudiar a… “Repórteres Sem Fronteiras”. Entenderam?
Adiante! Lobão fez uma música retratando, digamos assim, a alma profunda dos “companheiros” e evidenciando o espírito destes tempos. Chama-se “A Marcha dos Infames”. Ouçam e divulguem. Na sequência, publico a letra e um breve comentário a respeito.

A MARCHA DOS INFAMESAqueles que não são
E que jamais serão
Abusam do Poder,
Demência e obsessão.
Insistem em atacar
Com as chagas abertas do rancor,
E aos incautos fazer crer
Que seu ódio no peito é amor
Tanto martírio em vão,
Estupro da nação,
Até quando esse sonho ruim,
esse pesadelo sem fim?
Apedrejando irmãos
E os que não são iguais,
A destruição é a fé,
E a morte e a vida, banais.
E um céu sem esperança,
A Infâmia cobriu,
Com o manto da ignorância,
O desastre que nos pariu.
E o sangue dos ladrões
De outros carnavais
Na veia de vilões,
tratados como heróis.
E até quando ouvir
Cretinos e boçais
Mentir, mentir, mentir,
Eternamente mentir?
Mas o dia chegará
Em que o chão da Pátria irá tremer,
E o que não é não mais será
Em nome do povo, o Poder.
RetomoAdequando o comentário a estes dias, gol de placa de Lobão, na letra e na melodia! Reparem que o autor recorre a uma marcha propriamente, de caráter marcial mesmo, evidenciando o espírito da soldadesca sem uniforme do petismo — afinal, essa gente é uniformizada por dentro, não é mesmo?
Na letra — que, é claro!, faz uma denúncia da maior gravidade —, Lobão apela a um tom a um só tempo grandiloquente e meio farsesco, como a evidenciar a truculência cafona e vigarista dos fascistoides de plantão.
Há dois trechos que chamam particularmente a minha atenção:
E o sangue dos ladrões
De outros carnavais
Na veia de vilões,
tratados como heróis.Na mosca! O poder, hoje, no Brasil mistura o sangue do velho patriomonialismo — que forjou ao menos uns dois séculos de atraso — com o do novo patrimonialismo, que pretende liderar o atraso dos séculos vindouros. E gosto particularmente da última estrofe:Mas o dia chegaráEm que o chão da Pátria irá tremer,E O-QUE-NÃO-É não mais seráEm nome do povo, o Poder.
Tomei a liberdade de escrever em maiúsculas e usando hífen “O-QUE-NÃO-É”. É preciso que se entendam essas palavras como uma unidade semântica para que se perceba o seu caráter de sujeito do verbo “será”. “O-QUE-NÃO-É” dispensa predicativos; trata-se do falso, do engodo, da trapaça histórica, da vigarice, da mentira em si.
Divulguem por todos os meios a música de Lobão. Aí está o retrato de uma era. É uma canção de protesto destes tempos. Afinal, os “protestadores” de carteirinha do passado — Chico & Seus Miquinhos Amestrados” — estão calados diante de listas negras. Eles criavam metáforas contra a ditadura militar no passado não porque fossem, por princípio, contra ditaduras e perseguições. Opunham-se àquela ditadura em particular, mas não a outras. E julgavam que o regime não podia perseguir “as pessoas erradas”. Quando persegue “as certas”, tudo bem!
Não por acaso, nunca se opuseram a ditadura cubana. No fim das contas, foi Cuba que os pariu. A música de Lobão expõe farsantes do presente e do passado.
Por Reinaldo Azevedo

domingo, 29 de junho de 2014

“Não sou pessimista. O PT é que é péssimo para o Brasil” - FELIPE MOURA BRASIL

“Não sou pessimista. O PT é que é péssimo para o Brasil”


“Brasileiro é o povo mais otimista do mundo, diz pesquisa do Instituto Gallup World Poll.” A matéria está no Portal da Copa, o site do governo federal (abre aspas) “sobre a Copa do Mundo”: “Com nota 8,8, numa escala de 0 a 10, o Brasil voltou a liderar o ranking, pelo oitavo ano consecutivo. ‘Ninguém vê o futuro com tanto otimismo quanto o brasileiro’, afirma o ministro-chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos, Marcelo Neri”. Ancelmo Gois também deu a notícia, reproduzida pelos blogs sujos do PT: “não há povo no mundo que acredite mais no futuro do que o brasileiro”. É verdade. (Nem vou questionar os métodos da pesquisa dessa vez.) É por isso que o PT está há 12 anos no poder, prometendo um futuro que nunca chega. “A principal causa do fracasso nacional”, dizia Diogo Mainardi, “é o otimismo psicótico dos brasileiros.”
Na convenção nacional petista, Dilma repetiu como promessas os compromissos que assumira em sua posse e que não conseguiu executar. Fez isso, como destacou Josias de Souza, “sem pronunciar nenhuma frase que pudesse ser entendida como uma autocrítica. Ao contrário. Em algumas passagens de sua fala, Dilma culpou terceiros pelos malogros do seu governo”. Por exemplo: “o compromisso de melhorar os serviços públicos, antes ‘decisivo, irrevogável e indispensável’, virou [quase quatro anos depois] um objetivo impalpável a ser obtido num futuro incerto, no bojo de um ambicioso ‘Plano de Transformação Nacional’. Desde que governadores e prefeitos deixem de ser um estorvo para as boas intenções do governo federal.” Encobrir os próprios fracassos* com a afetação de boas intenções é a receita básica da esquerda revolucionária, tanto mais eficiente quanto mais loucamente otimista (lê-se: otário) é o povo.
O que o radialista americano Rush Limbaugh fala do método de Obama se aplica perfeitamente a Dilma: “Você sai e anuncia que você tem essas novas metas monumentais, esses novos planos monumentais, você vai agilizá-los, vai melhorá-los, e é isso. Se eles acontecem ou não, é irrelevante. O crédito a Obama aumenta com o anúncio de sua intenção de melhorar.” Ou ainda: “Esta é a chave para tudo o que a esquerda faz: boas intenções… Não importa se é um fracasso de política interna ou externa; boas intenções são como a esquerda disfarça e camufla todos os seus fracassos.” No Brasil, o elogio do otimismo pela imprensa chapa-branca e a rotulação dos adversários como “pessimistas” pelo partido vêm fortalecer a esperança (a “esperança contra o ódio”, como inverte Lula) de que o PT fará em mais quatro anos aquilo que não fez em doze.
Para ajustar o vocabulário ao desejo de mudança manifestado por 74% do eleitorado, Dilma pronunciou 47 vezes palavras ou expressões com o significado de recomeço ou de ajuste, entre elas “transformação” (17 vezes, incluindo variantes), “reforma” (12), “novo ciclo” (7), “mudança” (5), “melhorar” (5), “novo salto” (1). Aécio Neves havia dito no programa Roda Viva: “O governo é tão ruim que até o PT quer mudar”, mas a mudança petista, na verdade, é pura propaganda eleitoral para otimistas bocós. O que o PT realmente quer mudar, pelo decreto 8.243, é a ordem constitucional do país, trocando a representação eleitoral pelo governo direto de organizações e movimentos criados pelo partido e chamados cinicamente de “sociedade civil”.
A proposta de “gerar novos espaços de participação popular na gestão pública” – e por “popular” entenda-se não do povo, mas desses movimentos – já estava explícita na declaração final do XIX encontro do Foro de São Paulo, realizado em 2013, de modo que o governo Dilma, submetendo a soberania nacional ao poder continental da entidade esquerdista, apenas a colocou em prática para garantir a gestão pública de seus partidários mesmo em caso de derrota nas urnas. Este sim é o “novo salto” – o salto qualitativo que marca a passagem de qualquer regime para uma ditadura socialista de fato. A lista negra de jornalistas, anunciada pelo vice-presidente do PT, Alberto Cantalice, é o prenúncio do paredón que virá (talvez à moda Celso Daniel) se não houver iniciativas criativas e corajosas contra os “avanços” dessa gente, que também se reúne com PCC (Luiz Moura) e Black Blocs (Gilberto Carvalho). Se ainda há tontos para rir da hipótese de fuzilamento, devem ser os mesmos que riam de quem denunciava a existência do Foro e de seu plano ora decretado de implantar o comunismo no Brasil.
A literatura contra o otimismo
Machado de Assis e Lima Barreto até que tentaram, mas não fizeram o povo menos suscetível aos arautos do futuro melhor. O positivismo, um dos responsáveis por exacerbar o otimismo geral, já teria sido menos danoso ao país se o trecho de “Recordações do Escrivão Isaías Caminha” (1909), de Lima Barreto, em que Isaías analisa o discurso de Raimundo Teixeira Mendes (1855-1927) e seus esboços da ordem futura, tivesse recebido a merecida atenção: “A quantas necessidades presentes daquele auditório não iria dar remédio a promessa daquela sociedade a vir?! Os homens têm amor à utopia quando condensada em fórmulas de felicidade; e aqueles militares, funcionários, estudantes, encontravam naquelas afirmações, repetidas com tanta segurança e cuja verdade não procuravam examinar, um alimento para a fome de felicidade da espécie e um consolo para os seus maus dias presentes.” Se Machado de Assis, como lembrava Mainardi, “nunca se deixou contaminar pelo otimismo panglossiano dos brasileiros, evitando aquela euforia irracional que, ao longo de nossa história, sempre resultou em alguma forma de abuso”, o personagem de Barreto também teve seu saudável ceticismo.

De todo modo, soterradas pelo acúmulo de chavões idiotizantes, as mentes brasileiras perdem há pelo menos 105 anos – e mais ainda nas últimas décadas graças a ocupação de espaços culturais e de ensino pela militância – o poder de reação que a liberdade de decisão humana lhes faculta. Assim como o sucesso do positivismo entre os militares se deveu sobretudo ao Catecismo Positivista (1852) de Auguste Comte que circulava nas escolas (e que, de acordo com Isaías, Teixeira Mendes explicava na Igreja do Apostolado, no Rio), o sucesso do marxismo entre os estudantes universitários se deveu à sua divulgação em manuais de propaganda, que trazia fórmulas prontas de fácil absorção para pessoas incapazes de trabalho intelectual sério. Foi daí que ambos – as duas alas principais do movimento revolucionário – se propagaram pela sociedade até virarem o “positivismo inconsciente“, de que fala Olavo de Carvalho, e o “marxismo atmosférico“, segundo Nelson Rodrigues, que tornaram o Brasil este eldorado para qualquer projeto de mudança social a ser realizado mediante a concentração de poder.
O otimismo psicótico brasileiro talvez seja incurável e decerto o PT vai otimizá-lo em favor deste seu projeto comunista, no qual quase 60 mil assassinatos por ano no país (137 por dia), o 55º lugar dos estudantes no ranking de leitura do Pisa, o desastre dos hospitais públicos e o Pibinho são só detalhes disfarçados e camuflados com a afetação de boas intenções. Mas se ”campanha é um trabalho de explicar”, como disse Dilma na convenção, resta a oposição parafrasear o (ex?-)comunista José Saramago e explicar ao povo o óbvio ululante:
“Não sou pessimista. O PT é que é péssimo para o Brasil.”
Felipe Moura Brasil - http://www.veja.com/felipemourabrasil
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PS: “Fracassos”, no caso, em nossa medida; não na da esquerda revolucionária, para a qual muitas vezes o caos é uma conquista premeditada.

O homem José Sarney sobreviveu para contemplar o velório do político José Sarney

O homem José Sarney sobreviveu para contemplar o velório do político José Sarney

Atualizado às 9h30
Acossado no Maranhão por pesquisas que prenunciam a derrota do candidato a governador escolhido pela Famiglia, hostilizado no Amapá por vaias que antecipam a derrota nas urnas, o senador José Sarney, aos 84 anos, desistiu da disputa da reeleição para escapar do fiasco desmoralizante. Invocando a necessidade de cuidar da mulher enferma, revogou uma de suas frases prediletas. “Em política só existe a porta de entrada”.
“Sarney esqueceu que a morte política vive à espreita dos muito vivos”, avisou o título do artigo aqui postado quando o investigado que ganharia da Polícia Federal a alcunha de Madre Superiora lutava para continuar pendurado na presidência do Senado. Enfim obrigado a engolir a aposentadoria indesejada, vai contemplar impotente a agonia do reinado de mais de meio século. E logo descobrirá o que acontece aos que perdem o poder num país impiedoso com quem foi muita coisa e nada mais será.
“Na porta de quem é só um ex- nasce capim”, ensinou o general Golbery do Couto e Silva. Pior para Sarney. Melhor para o Brasil decente, atesta o post de 17 de junho de 2009:
Porque era provido do sentimento da honra, por ser capaz de sentir vergonha, Getúlio Vargas preferiu morrer a sujeitar-se a vinganças ultrajantes. Depois de ter renunciado à vida, o estadista gaúcho sobreviveu politicamente à morte física. Porque acha que nada desonra, por ser incapaz de envergonhar-se, José Sarney preferiu permanecer na presidência do Senado a reconhecer que ofendeu o Brasil que pensa. Depois de ratificado a constatação de Jânio Quadros ─ “Brasileiro não  renuncia sequer ao cargo de síndico” ─, o morubixaba maranhense vai conhecer em vida a morte política.
“Em política só existe a porta de entrada”, repete Sarney a cada entrevista mais extensa. Claro que existem portas de saída ─ só não as enxerga quem imagina que a carteirinha de sócio do clube dos pais da pátria tem validade perpétua. Há a porta da frente e a dos fundos. Por aquela saiu Getúlio, sobraçando uma comovente carta-testamento. Pela porta dos fundos vai saindo o presidente do Senado, no cangote de um discurso inverossímil.
Foi penoso acompanhar pela TV a performance do artista em seu ocaso. Mãos trêmulas, olhar assustadiço, a voz indignada contrastando com os desmaios no meio da frase sem pé nem cabeça, o homem que chegou ao Congresso há 50 anos, governou o Maranhão e o Brasil e preside de novo o Senado parecia um coroinha do baixo clero. Enfileirou argumentos indigentes, evocou atos de bravura imaginários, reinventou o passado de governista congênito e caprichou na pose de herói da resistência.
Sempre perseguindo erraticamente pontos finais, Sarney engavetou pecados antigos, subestimou os recentes, informou que os atos secretos não foram secretos e, caprichando na pose de vítima, exigiu respeito. “A crise não é minha, a crise é do Senado”, inocentou-se. É isso aí, concordaram os presentes, com falatórios na tribuna ou com os gritos do silêncio.
Todos fizeram de conta que Sarney não embolsou malandramente o auxílio-moradia, não promoveu a diretor-geral o bandido de estimação Agaciel Maia, não pendurou no cabideiro de empregos do Congresso duas sobrinhas, um neto, o ex-presidente da Assembléia Legislativa do Amapá, 5o parentes pra cá e 50 amigos pra lá. Todos absolveram o patriarca que tentara encobrir com um desfile de negativas a procissão de delinquências comprovadas.
Quando estiverem cauterizadas as feridas morais abertas pela Era da Mediocridade, o Brasil contemplará com desconsolo e desconcerto a paisagem deste começo de século. Como foi possível suportar sem revides as bofetadas desferidas por um político sem luz, orador bisonho, poeta menor e escritor medíocre? Como explicar a mansidão da maioria dos insultados pelo coro dos cúmplices contentes?
A ausência no plenário de representantes do Brasil que presta é tão perturbadora quanto a presença de Sarney no centro da mesa diretora. Encerrado o espetáculo do cinismo, ninguém falou em nome dos injuriados. Ninguém contestou a discurseira absurda. Ninguém lastimou a decomposição do Legislativo. Ninguém sentiu vergonha.
Os senadores ficaram parecidos com Sarney, que é a cara do Senado destes tempos tristonhos. Mais cedo para uns que para outros, a morte política chegará para todos. Tomara que a instituição sobreviva.
Passados cinco anos, o Senado segue respirando por aparelhos. O homem José Sarney sobreviveu para angustiar-se com o velório do político José Sarney.

SEGUNDO PESQUISA, PROFESSOR BRASILEIRO É UM DOS QUE MAIS TRABALHAM. BOA PARTE DE SEU TEMPO É DESPERDIÇADO EM BUROCRACIA E NO ENFRENTAMENTO DA BAGUNÇA DOS ALUNOS




José Luis da Conceição/Divulgação SEE
Pesquisa foi feita com mais de 14 mil professores brasileiros; docentes usam apenas 67% do tempo da aula; o resto é "desperdiçado" com atividades administrativas e no controle da "bagunça"

Os Professores brasileiros de escolas de ensino fundamental, gastam, em média, 25 horas por semana só com as aulas. O número é superior à média de aproximadamente 30 países, como a Finlândia, Coreia, Estados Unidos, México e Cingapura. Lá, os professores gastam, em média, 19 horas por semana ensinando em sala de aula, ou seja, um porcentual 24% menor. O  posição brasileira é inferior apenas à do Chile, onde os professores gastam quase 27 horas em aulas. 
O docente brasileiro, contudo, usa até 22% mais de tempo que a média dos demais países em outras atividades da profissão, como correção de "tarefas de casa", aconselhamento e orientação de alunos. Todos os dados são da mais recente Pesquisa Internacional sobre Ensino e Aprendizagem (Talis) divulgada nesta quarta-feira (25) na França.
Junto com o Brasil, não foram apenas países ricos e integrantes da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) - coordenadora da pesquisa - que participaram do estudo. Outras nações emergentes e também países menos desenvolvidos fizeram parte da pesquisa. Polônia, Bulgária, Croácia, Malásia e Romênia fazem parte do conjunto de nações integrantes da edição 2013 da Talis.
Os dados foram obtidos junto a mais de 14 mil professores brasileiros e cerca de 1 mil diretores de 1070 escolas públicas e privadas de todos os estados do País. Os docentes e dirigentes responderam aos questionários da pesquisa, de forma sigilosa, entre os meses de setembro a novembro de 2012. Cada questionário tinha cerca de 40 perguntas.
Em âmbito nacional, o estudo foi coordenado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), vinculado ao Ministério da Educação (MEC). Em 2007, o Brasil também participou da primeira rodada da pesquisa, a Talis 2008, que foi publicada no ano seguinte.
Objetivo
A pesquisa tem como principal objetivo analisar as condições de trabalho que as escolas oferecem para os professores e o ambiente de aprendizagem nas salas de aula.
De acordo com o Inep, "a comparação e análise de dados internacionais permite que os países participantes identifiquem desafios e aprendam a partir de políticas públicas adotadas fora de suas fronteiras".
Diferente do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA), que prioriza a avaliação dos alunos, do seu contexto e da escola, no Talis, o foco está mais centrado nos docentes. "O programa Talis é um programa de pesquisas que visa preencher lacunas de informação importantes para a comparação internacional dos sistemas de ensino", afirma estudo da Universidade Federal do Paraná liderado pela pesquisadora Rose Meri Trojan.
"Desperdício"
A pesquisa também quis saber do professor quanto tempo de aula é voltado, efetivamente, para a aprendizagem. E o número é pouco animador para o Brasil. Mesmo com uma carga de 25 horas de aulas por semana, mais de 30% do tempo desses encontros regulares é "desperdiçado" em tarefas de manutenção da ordem dentro da sala e em questões burocráticas, como o preenchimento de chamadas e outras atividades administrativas.
Só o tempo gasto para por "ordem na bagunça" dos estudantes representa 20% do tempo total da aula. Com serviços administrativos, são gastos 12%. De aula mesmo, ou seja, atividades de aprendizagem, o professor dispõe apenas de 67% do tempo. É a pior situação entre todos os países avaliados. Na média dos países pesquisados, quase 80% do tempo é voltado, exclusivamente, para a aprendizagem.



Reprodução/TV Univesp
Ocimar Alavarse, da USP, diz que é preciso mudar o foco do ensino para a aprendizagem

"Precisamos otimizar mais o tempo em sala de aula. O Brasil ainda tem como foco o ensino, mas é preciso se voltar para a aprendizagem. Não podemos desperdiçar tanto tempo com outras questões", afirma Ocimar Alavarse, professor da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP).
Segundo ele, um dos principais fatores de dispersão do aluno é a  própria defasagem que ele tem em termos de conhecimento por uma série de fatores, inclusive os socioeconômicos. "Os alunos que chegam no fundamental veem com baixa proficiência ou possuem uma diferença muito grande em relação aos demais estudantes. Isso é um dos fatores que faz com que ele não fique atento às aulas e o professor precise gastar mais tempo organizando a dispersão", fala Alavarse.
Deslocamento
Além de usar mais horas por semana ensinando, parte dos professores brasileiros ainda sofre com o desgaste em descolamentos. Isso porque, muitos deles trabalham em mais de um estabelecimento.



Thinkstock/Getty Images
Dupla jornada em escolas diferentes representa mais trabalho e causa estresse no professor

"Ainda temos que enfrentar o desafio da reorganização do corpo de professores nas escolas públicas. O ideal era que ele estivesse vinculado a apenas uma escola. No entanto, é comum docentes, especialmente dos anos finais do ensino fundamental, ensinarem em mais de um estabelecimento, já que certas matérias que eles lecionam têm uma carga horária e número de turmas limitado", afirma Daniel Cara, coordenador geral da Campanha Nacional pelo Direito à Educação.
No Brasil, cerca de 40% dos mais de 2 milhões de professores da educação básica dão aulas em cinco ou mais turmas. E aproximadamente 20% deles ensinam em pelo menos dois estabelecimentos. Já em São Paulo, 26% dos professores dão aulas em duas escolas. Os dados são do Censo Escolar 2013 divulgados no início deste ano pelo MEC.

sábado, 28 de junho de 2014

A árvore que não cabe numa foto só

A árvore que não cabe numa foto só

Ela está no Sequoia National Park, o célebre abrigo de árvores gigantes ao sul da Califórnia, nos Estados Unidos. The Presidente Tree, ou “A Árvore Presidente”, ganhou este nome há 90 anos, tamanha a admiração dos que lhe observam. O tronco, com 75 metros de altura, se mantém sobre uma base de 8,5 metros de diâmetro e sustenta quase 2 bilhões de folhas. Aos 3.200 anos, a Presidente continua a crescer precisamente 1 m³ por ano e é a segunda maior árvore em volume do mundo, atrás apenas da General Sherman – outra sequoia, com 82,6 metros de altura e 7,8 metros de diâmetro na base.
De tão portentosa, a Presidente nunca havia sido eternizada numa única imagem até que, em novembro de 2012, o fotógrafo Michael Nichols, da revista National Geographic, dedicou-se a superar o desafio em duas semanas. Depois de dividir a árvore em 126 fotos, juntou-as numa só. Confira algumas etapas do trabalho que resultou na imagem que mostra a Presidente em sua gloriosa inteireza:
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Assista abaixo ao vídeo da National Geographic que registrou o desafio dos cientistas e fotógrafos que se propuseram a fazer com que a Presidente coubesse numa única imagem:

Novo apagão na Venezuela interrompe discurso de Maduro Na VEJA.com:

28/06/2014
 às 1:42

Novo apagão na Venezuela interrompe discurso de Maduro

Na VEJA.com:
Um apagão atingiu pelo menos quinze dos 23 Estados venezuelanos nesta sexta-feira, segundo o jornal local El Universal, e interrompeu por duas vezes a transmissão ao vivo de um pronunciamento do presidente Nicolás Maduro. O blecaute teve início às 15 horas (16h30 em Brasília), por uma falha na subestação La Arenosa, em Carabobo, uma das mais importantes do país. Outros centros de geração também foram afetados, interrompendo o serviço no oeste e no centro do país. A capital Caracas foi uma das atingidas, e os problemas se estenderam a Maracaibo, segunda maior cidade venezuelana, e ao polo industrial de Valencia.
Maduro discursava durante uma cerimônia de premiação jornalística quando as imagens de TV ficaram congeladas por vários segundos. Ao fundo, foi possível ouvir “parece que caiu a energia”. Pouco depois, disse que o governo investigará “a fundo” as causas do apagão. ““Vamos fazer uma investigação muito objetiva a fundo para ver se é uma falha programada, induzida, por gente enlouquecida. Sabemos que há um grupo que em quatro meses chegou a níveis de loucura e ódio muito além do normal”, disse, referindo-se à onda de protestos contra seu governo, iniciada em fevereiro, contra os altos índices de inflação e criminalidade, o desabastecimento, a falta de liberdade.
O presidente disse que uma reunião será realizada para ver quais medidas especiais devem ser tomadas para “proteger” o setor. Talvez não precisasse se preocupar em buscar respostas para o que está claro: a falta de investimento no setor sujeita a população ao problema, que é se tornou uma constante – de 2008 pra cá, foram sete ocorrências relevantes. O governo, no entanto, costuma culpar “sabotadores”. No ano passado, o governo lançou o programa Grande Missão Elétrica Venezuela, envolvendo as Forças Armadas no ‘combate’ à sabotagem.
O país sofreu com grandes apagões em abril de 2008, abril e junho de 2011, fevereiro, setembro e dezembro de 2013, quando dezenove Estados ficaram às escuras. Em março de 2014, cinco Estados também ficaram sem energia. Nesta sexta-feira, em Caracas, pedestres perambulavam pelas ruas da cidade, já que o apagão forçou o fechamento do metrô e deixou motoristas frustrados buzinando em meio ao caos instaurado pela falta de semáforos. Extraoficialmente, 60% do país ficou sem serviço elétrico.
Em 2007, o caudilho Hugo Chávez nacionalizou setores da economia, incluindo o de energia, o que levou à deterioração dos serviços de geração e transmissão a ponto de a pouca capacidade disponível levar aos racionamentos, apesar de a capacidade instalada do país ser maior que a demanda.
Mudanças – Quando o país já enfrentava a queda de energia, Maduro ainda anunciou que vai promover uma revisão e reestruturação do governo. “Vamos dar uma sacudida completa nos mecanismos de governo para entrar em uma nova etapa de eficiência verdadeira”. O processo, afirmou, será efetivado na primeira quinzena de julho e abrangerá todos os ministérios e programas do governo.
Por Reinaldo Azevedo

sexta-feira, 27 de junho de 2014

VÍDEO IMPERDÍVEL: Lula, tranquilamente, se refere a si mesmo como “criador” e à presidente da República como sua “criatura”

/2014
 às 14:00 \ Política & Cia

VÍDEO IMPERDÍVEL: Lula, tranquilamente, se refere a si mesmo como “criador” e à presidente da República como sua “criatura”

Aconteceu sábado, durante a convenção nacional do PT que formalizou a candidatura da presidente Dilma à reeleição.
Menos de 1 minuto, mas segundos preciosos para revelar o que vai na cabeça modestíssima do ex-presidento Lula, em trecho de pronunciamento que pretendia — pretendia — ser elogioso a Dilma.
A dica veio do leitor e amigo do blog Marcelo. Apreciem, além de tudo o vídeo é curtinho:

Chato para a tropa da desqualificação: o conservador Pastor Everaldo fala coisa com coisa! - POR REINALDO AZEVEDO


Chato para a tropa da desqualificação: o conservador Pastor Everaldo fala coisa com coisa!

Pastor Everaldo: até agora, dizendo as coisas certas e, sem temer a patrulha politicamente conveniente
Pastor Everaldo: até agora, dizendo as coisas certas e sem temer a patrulha politicamente conveniente
Amplos setores da imprensa brasileira estão acostumados a tratar religiosos, especialmente evangélicos, como seres primitivos e folclóricos. A Lei 7.716 pune também o preconceito religioso, no mesmo artigo que trata de outras discriminações: de raça, cor e procedência nacional. Mas não é levado muito a sério por ninguém nesse particular. A afirmação nunca é frontal, mas são muitos os subterfúgios para sugerir que o crente — em especial o cristão, de qualquer denominação — é meio idiota, apatetado ou pilantra. A menos que se trate de um desses padres da “Escatologia da Libertação”. Se for desafiado por alguém, provo. Não é preciso ir muito longe: tentaram tirar Marco Feliciano (PSC-SP) da presidência da Comissão de Direitos Humanos na marra. Não! Eu não concordava com suas teses. Deixei isso claro. E daí? Queriam defenestrá-lo, no entanto, com base em que lei, em que código? Não havia. Era só o cerco politicamente conveniente (que não chamo mais “correto” porque, de correto, nada tem). Afinal, se é para punir alguém de quem não gostam, que mal há em transgredir a lei não é mesmo?
Muito bem! Por que essa introdução? Porque esses mesmos setores estão quebrando a cara com o Pastor Everaldo, candidato do PSC à Presidência da República. É inteligente, articulado, fala coisa com coisa e não tem receio de parecer o que é: um conservador — no melhor sentido, até agora ao menos, que essa palavra possa ter. Conheço, deixo claro, pouco de sua trajetória. Prometo tentar saber mais. Falo sobre o que leio e ouço do credo político que tem externado. Está tudo no lugar. Nos EUA, só para ter uma referência, integraria alguma ala moderada do Partido Republicano. Por aqui, ainda é tratado com certa suspicácia. Sabem como é… O homem é um cristão!!! E isso pode ser muito perigoso, né? Quando veio à luz o escândalo Luiz Moura, o deputado estadual petista que se reuniu com membros do PCC, fui ler as reportagens que haviam saído sobre ele quando apenas candidato. Foi tratado como um exemplo de recuperação! De um cristão, no entanto, convém suspeitar sempre, certo? Se um adepto do consumo de drogas se candidata, isso enriquece a democracia. Se é um pastor, há quem veja nisso grande perigo.
Everaldo esteve nesta quinta em Salvador, na convenção do PSC que oficializou o apoio à candidatura de Paulo Souto (DEM) ao governo da Bahia. Segundo informa Aguirre Talento, na Folha, afirmou:“Defendemos a vida do ser humano desde a sua concepção, defendemos a família como está na Constituição brasileira, sem discriminar ninguém. A pessoa mais democrática e liberal é Deus, que deu livre arbítrio para o homem fazer o que bem entende de sua vida. Não é o Estado que vai dizer como vai o cidadão se comportar”.
É um repúdio ao aborto — e, em todo o mundo democrático, há partidos plenamente integrados à democracia, é evidente, que têm essa pauta (só no Brasil é que se tenta criminalizar moralmente essa escolha). Deixa claro que defende a manutenção da família nos termos da Constituição, formada por homem, mulher e filhos. Mas condena discriminações ao, com acerto, afirmar que não cabe ao estado definir certos comportamentos e escolhas. Notem: um partido tem o direito de ter uma opinião sobre o que deve ser a família legalmente constituída. Tal tese, de resto, no que concerne ao estado brasileiro (e contra a Constituição), está vencida. Mas só os autoritários, fascistoides mesmo, ambicionariam impedir a expressão de uma opinião.
Gosto da coragem que tem  Everaldo de dizer coisas nas quais acredita, sem ligar para a patrulha: “Graças a Deus, estamos numa democracia, e vou repetir sempre isto; aqui não é Cuba nem Venezuela”. Na mosca! Fez, mais uma vez, uma defesa de um estado enxuto, com redirecionamento dos gastos públicos para saúde, educação e segurança pública. Está certo! No programa nacional do partido, no horário político gratuito, enfrentou a “doxa” e mandou ver: defendeu a privatização de estatais. É capaz de falar com propriedade sobre esses assuntos.
Sem máquina, sem governos de estado, dirigente de um partido pequeno, sem aparecer na televisão, sem ter a simpatia de jornalistas (muito pelo contrário), Everaldo surge com 3% ou 4% nas pesquisas de intenção de voto. E pode, escrevo de novo aqui, fazer diferença num segundo turno. Os petistas acompanham com temor a sua candidatura por motivos óbvios.

DILMA ODIOU SER CHAMADA POR LULA DE ‘CRIATURA’ - NOTINHA DE CLÁUDIO HUMBERTO

DILMA ODIOU SER CHAMADA POR LULA DE ‘CRIATURA’

Assessores de Dilma afirmam que só depois “caiu a ficha”, mas ela ficou muito irritada com uma frase do Lula, durante a convenção nacional do PT, dia 21. Ao discursar, ele se definiu como “criador” e a chamou de “criatura”, como a novelista americana Mary Shelley batizou o Dr. Frankstein e sua criatura aterrorizante. Lula ainda disse que o governo é dele e de Dilma, ratificando acusação de adversários.

ELE NÃO SABIA

Amigos dizem que Lula não sabia da conotação negativa da expressão “criador e criatura”, assim como chama autoestima de “alta estima”.

Na balada - CARLOS ALBERTO SARDENBERG


Na balada - CARLOS ALBERTO SARDENBERG


Jogadores locais, para conseguir vaga nos times, precisam evoluir até o ponto em que estão os estrangeiros



Parece que Neymar e Song, da seleção de Camarões, são bons amigos. Antes e depois do jogo da última segunda, a TV mostrou os dois trocando abraços e se divertindo com alguma coisa que o craque brasileiro comentou.

São colegas de trabalho. Jogam no Barcelona, convivem uma temporada inteira e não seria estranho que estivessem combinando uma balada.

Os jogadores estão globalizados. Há legiões de estrangeiros por toda parte, mas, sem dúvida, os melhores do mundo atuam na Europa. E fazem partidas encantadoras o ano todo. O Manchester da Inglaterra tem nada menos que 14 jogadores espalhados por diversas seleções.

Isso é bom ou ruim? Depende. Para o público que pode acompanhar os jogos pela televisão, é um espetáculo. Para o técnico da Inglaterra, porém, a globalização prejudicou sua seleção. Ocorre, disse, que craques internacionais são os titulares dos times ingleses, colocando na reserva os locais. Logo, estes têm menos chances de aperfeiçoamento.

Supondo que ele estivesse correto, qual seria a saída? Só uma, proibir ou limitar ao extremo a entrada dos estrangeiros. Ou seja, fechar os mercados.

Funcionaria?

Certamente não. Como para qualquer outro mercado, com o perdão da palavra, o de jogadores funciona melhor com fronteiras abertas.

Como em qualquer setor, importa-se o que de melhor têm os países exportadores. Estes só conseguem colocar lá fora seus produtos mais competitivos, isso definido por uma combinação de qualidade e preço.

Só faz sentido contratar jogadores melhores do que os disponíveis internamente pagando salários mais elevados. Também faz sentido importar jogadores de qualidade pouco superior ou mesmo semelhante à dos locais, mas cuja contratação seja mais econômica.

Em qualquer caso, a consequência é a elevação da qualidade do futebol importador. Os jogadores locais, para conseguir vaga nos times, precisam evoluir até o ponto em que estão os estrangeiros com os quais passam a competir.

O caso da Espanha, em especial, é uma demonstração disso. No passado, tinha grandes times, globais, e uma seleção apenas média. Mas, de uns oito anos para cá, o time exibiu uma incrível combinação de craques. Tal foi a mudança que os jogadores espanhóis passaram também a ser exportados para outros centros de excelência.

OK, a Espanha perdeu, assim como Inglaterra e Itália, outros centros globalizados. Mas por isso o futebol é o jogo mais bonito do mundo. É difícil ganhar, mesmo sendo melhor. E, como tudo pode depender de um lance, o fator chance é decisivo.

Mas ninguém pode negar que são três ótimos times, e que têm evoluído.

Mas, vira e mexe, a cada fracasso, a discussão volta, como acaba de ser recolocada pelo técnico inglês.

O que ele reclama é a mesma coisa que pedem produtores locais de qualquer país, de qualquer setor, quando submetidos à competição com os importados. Claro que é preciso cuidado com dumping, preço vil, concorrência desleal. Mas isso é simples de administrar.

É muito diferente instalar um sistema protecionista, que bloqueia de algum modo a entrada dos importados. Isso sempre levou à estagnação econômica e a prejuízos ao consumidor, que só tem acesso a produtos piores e mais caros.

Proibir a importação de jogadores piora tudo. Ficam times piores, que oferecem espetáculos piores e, portanto, com faturamento muito menor.

Nesse mercado, o Brasil está no papel de exportador. Grande exportador, como a Argentina e, de resto, toda a América do Sul e a África. Isso tem enfraquecido o futebol local, sem craques e, pois, com menos faturamento.

Vai daí que muita gente acha que proibir a exportação, especialmente dos jovens, é uma saída. Um baita equívoco.


Primeiro, que seria uma violação à liberdade de ir e vir e de trabalhar. Então, um clube europeu oferece uma nota ao jovem pobre e ele é obrigado a jogar no Brasil por salários muito menores?

Não é justo, não é legal.

Nem eficiente. Os jogadores vão embora porque os clubes não têm dinheiro para pagar em níveis internacionais. E por que não têm dinheiro? Porque dirigentes amadores e incompetentes, para dizer o mínimo, não conseguem tornar mais rentável um negócio que empolga milhões de pessoas, que poderiam perfeitamente pagar o preço justo por espetáculos mais bem organizados.

O futebol brasileiro, como negócio, é tão pouco competitivo como a economia brasileira.

Mas há um último ponto: sendo amigos de clube, os jogadores não amoleceriam quando se encontrassem em partidas de seleção? Bom, basta acompanhar alguns minutos de qualquer jogo desta Copa para ver que ninguém alivia nada.

Eles até podem combinar uma balada para a noite de folga, mas não no campo.

O PT fora do eixo - JOSÉ SERRA O ESTADO DE S.PAULO - 26/06

O PT fora do eixo - JOSÉ SERRA

O ESTADO DE S.PAULO - 26/06

O PT não é um partido muito tolerante já a partir de seus próprios pressupostos originais e de seu nome: quem se pretende um partido "dos" trabalhadores, não "de" trabalhadores, já ambiciona de saída a condição de monopolista de um setor da sociedade. Mais ainda: reivindica o poder de determinar quem pertence, ou não, a essa categoria em particular. Assim, um operário que não vota no PT, por exemplo, não estará, pois, entre "os" trabalhadores; do mesmo modo, o partido tem conferido a "carteirinha" de operário padrão a pessoas que jamais ganharam o sustento com o fruto do próprio trabalho.

A fórmula petista é conhecida: a máquina partidária suja ou lava reputações a depender de suas necessidades objetivas. Os chamados bandidos de ontem podem ser convertidos à condição de heróis e um herói do passado pode passar a ser tratado como bandido. A única condição para ganhar a bênção é estabelecer com o ente partidário uma relação de subordinação. A partir daí não há limites. Foi assim que o PT promoveu o casamento perverso do patrimonialismo "aggiornado", traduzido pela elite sindical, com o patrimonialismo tradicional, de velha extração.

Afirmei no final de 2003 o que nem todos compreenderam bem, que o petismo era o "bolchevismo sem utopia". Aproxima-se do bolchevismo nos métodos, no propósito de tentar se estabelecer, se possível, como partido único; nas instâncias decisórias aproxima-se do chamado "centralismo democrático", que nada mais é do que a ditadura da direção central do partido. É bolchevista também na certeza de que determinadas ações até podem ser ruins para o Brasil, mas serão implementadas se parecerem boas para o partido. Como se considera que é ele que conduz a História do Brasil, não contrário, tem-se por certo que o que é bom para o partido será, no longo prazo, bom para o País e para o povo. Nesse sentido particular os petistas ainda são bastante leninistas.

Quando afirmei que lhes faltava a dimensão utópica, não estava emprestando um valor necessariamente positivo a essa utopia. Na minha ação política miro a terra que há, não a Terra do Nunca. E nela procuro sempre ampliar aquilo que é percebido como os limites do possível. De todo modo, é inegável que o bolchevismo tinha um devir, uma prefiguração, um sonho de um outro amanhã, ainda que isso tenha desembocado na tragédia e no horror stalinista. Mas isso não muda a crença genuína de muitos que se entregaram àquela luta. Isso o PT não tem. E chega a ser piada afirmar que o partido, de alguma maneira e em alguma dimensão, no que concerne à economia é socialista ou mesmo de esquerda. Muitas correntes de esquerda são autoritárias, mas convém não confundir o autoritarismo petista com socialismo. O socialismo tem sido só a fachada que o PT utiliza para lavar o seu autoritarismo - associado, infelizmente, a uma grande inépcia para governar, de que tenho tratado sempre nesta página.

Quero chamar a atenção é para o recrudescimento da face intolerante do partido. Como também já abordei aqui, vivemos o fim de um ciclo, que faz cruzar, episodicamente, a História do Brasil e a do PT. As circunstâncias que permitiram ao petismo sustentar o modelo que aí está - que nunca foi "de desenvolvimento", mas de administração oportunista de fatores que não eram de sua escolha - se esgotaram. Na, infelizmente, longa agonia desse fim de ciclo temos a economia semiestagnada, os baixos investimentos e a desindustrialização, os déficits do balanço de pagamentos em alta e a inflação reprimida. E, nota-se, o partido nada tem a oferecer a não ser a pregação terrorista de que qualquer mudança implicará desgraça nacional.

Não tendo mais auroras a oferecer, não sabendo por que governa nem por que pretende governar o País por mais quatro anos, e percebendo que amplos setores da sociedade desconfiam dessa eterna e falsa luta do "nós" contra "eles", o petismo começa a adentrar terrenos perigosos. Se a prática não chega a ameaçar a democracia - tomara que não! -, é certo que gera turbulências na trajetória do País. No apagar das luzes deste mandato, a presidente Dilma Rousseff decide regulamentar, por decreto - quando poderia fazê-lo por projeto de lei -, os "conselhos populares". Não por acaso, bane o Congresso do debate, verticalizando essa participação, num claro mecanismo de substituição da democracia representativa pela democracia direta. Na Constituição elas são complementares, não excludentes. Por incrível que pareça - mas sempre afinado com o bolchevismo sem utopia -, o modelo previsto no Decreto 8.243 procura substituir a democracia dos milhões pela democracia dos poucos milhares - quase sempre atrelados ao partido. É como se o PT pretendesse tomar o lugar da sociedade.

Ainda mais detestável: o partido não se inibe de criar uma lista negra de jornalistas - na primeira fornada estão Arnaldo Jabor, Augusto Nunes, Reinaldo Azevedo, Diogo Mainardi, Guilherme Fiuza, Danilo Gentili, Marcelo Madureira, Demétrio Magnoli e Lobão -, satanizando-os e, evidentemente, expondo-os a riscos. É desnecessário dizer que tenho diferenças, às vezes severas, com vários deles. Isso é parte do jogo. É evidente que o regime democrático não comporta listas negras, sejam feitas pelo Estado, por partidos ou por entidades. Mormente porque, por mais que se possa discordar do ponto de vista de cada um, em que momento eles ameaçaram a democracia? Igualmente falsa - porque há evidência dos fatos - é que sejam tucanos ou "de oposição". Não são. Mas, e se fossem? Num país livre não se faz esse tipo de questionamento.

Acuado pelos fatos, com receio de perder a eleição, sem oferecer uma resposta para os graves desafios postos no presente e inexoravelmente contratados para o futuro, o PT resolveu acionar a tecla da intolerância para tentar resolver tudo no grito. Cumpre aos defensores da democracia contrariar essa prática e essa perspectiva. Não foi assim que construímos um regime de liberdades públicas no Brasil. O PT está perdendo o eixo e tende a voltar à sua própria natureza.