segunda-feira, 30 de setembro de 2013

PÍLULAS DO DOUTOR CUBANO: REYNALDO BH

Feira Livre


29/09/2013
 às 20:31 \ Feira Livre

Reynaldo-BH: Pílulas do doutor cubano

REYNALDO ROCHA
1) Dá para desculpar quem entrou no PT há 10 anos. Mas, e hoje? Alguém poderá alegar mais tarde que estava enganado?
2) Antes de exigir da NSA que pare de espionar Dilma, daria para pedir à CEF que pare de espionar caseiros?
3) O foguete do Cristo Redentor caindo na capa da revista The Economist explica a subida dos que ganham mais?
4) Alguém já imaginou alguma ligação entre o número de analfabetos crescendo no Brasil e a celebração da ignorância amparada por Bolsas – Família, Sofá, etc?
5) Quantos votos serão necessários para que Celso de Mello seja execrado pelo PT?
6) As entidades de defesa dos negros do Brasil (a maioria vivendo de dinheiro público) informam: Joaquim Barbosa não é negro. Começou a desbotar em 2012 e hoje é considerado cinza intenso. Está explicado o silêncio?
7) Antonio Patriota ─ seguindo a lógica do Brasil ─ sofre de amnésia. Na sabatina do Senado, esqueceu-se da Bolívia. Ou teria sido um truque para preservar a sanidade mental?
8) Cada qual escolhe o conselheiro que mais admira. Henrique Alves parece que só ouve o Bode Henriquim… Fica tudo explicado. Até a existência na Câmara dos Deputados de mensaleiros Henriquim é mesmo o bode expiatório… Brasil, país da piada pronta (apud José Simão).
9) Restringiram a saída de presos das cadeias. Uma compensação por deixarem os congressistas soltos?
10) Dilma demorou três anos para aprender a usar o Twitter. Vai passar 4 anos tentando entender o que é governar um país. E não vai conseguir.
11) Ciro Gomes, irmão de Cid da Sogra, chama Eduardo Campos de canalha. Impressionante como os iguais se reconhecem. A sorte do Ceará é os Gomes são somente dois…
12) Uma dúvida: Zé Dirceu voltou a namorar a Rose? Está tão calado como Lula por ter pedido a prenda de volta?
13) E a fixação de Zé Dirceu com secretárias? Apareceu mais uma, agora no Senado de Renan. Mais uma paga com nosso dinheiro. Quem vai herdar a prenda?
14) Novo partido na praça (a R$ 3,75 o voto): PROS. Quando vai ser criado o CONTRAS?
15) E a REDE?  Um partido que não consegue nem obter o registro certamente terá dificuldades para conseguir até os votos dos próprios candidatos.
16) Evo Morales, a lhama andina, quer tirar a ONU de New York. Precisa combinar com Dilma, que tirou férias na cidade e atrasou o voo de volta em 5 horas para passear num museu. Esses bolivarianos precisam se entender ou consultar algum passaralho venezuelano. Maduro diz que ele sabe.
17) Por que todo filho de stalinista prefere ir à Disney em vez de cortar cana em Cuba e comprar charutos no mercado negro?
18) Os médicos de Cuba entendem perfeitamente a língua portuguesa. Estudaram por mais de um ano o que Dilma fala. Estão no mesmo nível dos lulopetitas. Eles não dizem coisa com coisa e quem os ouve tem a mesma expressão de quem escuta um discurso da gerentona. Um caso clássico de nada sobre coisa alguma.

NELSON MOTTA: 'ATUALIDADES ELEITORAIS'


‘Atualidades eleitorais’, por Nelson Motta

Publicado no Globo desta sexta-feira
NELSON MOTTA
É um mistério denso e insondável como a floresta amazônica: como Marina Silva pode ter 26% das intenções de votos para presidente, sem sequer ser candidata, e não conseguir para a sua Rede Sustentabilidade as 500 mil assinaturas que legalizaram partidos como o Pátria Livre, o Renovador Trabalhista Brasileiro, o da Causa Operária, ou o Ecológico Nacional? Ninguém os conhece, mas eles existem e recebem fundos partidários (o PCO levou R$ 629 mil, e o PEN, R$ 343 mil, em 2012) e valioso tempo na televisão (R$ 850 milhões, pagos pelo contribuinte e divididos entre os 32 partidos), que podem vender para quem pagar mais.
Das duas, uma: ou o comitê organizador da Rede é tão desorganizado, até como despachante incapaz de recolher simples assinaturas, que desqualificaria seu candidato a qualquer cargo; ou uma conjunção de interesses escusos conspira em diversos níveis para inviabilizar o partido e a candidatura de Marina, pelo estrago que pode fazer em candidaturas do governo e da oposição.
Não que o partido e a própria Marina representem grandes expectativas de modernidade e inovação, por enquanto significam apenas que os outros são muito piores, e sem esperanças de melhorar. Na Rede, o ambiente voluntarista também será propício a grandes incompetências, burrices e atrasos (sempre com a melhor das intenções… rsrs), mas que dão tanto ou mais prejuízo ao país do que a ladroagem.
Na oposição, as perspectivas não são animadoras: Carlos Lupi insinua o apoio do PDT à candidatura de Eduardo Campos e Paulinho da Força oferece o seu novo partido Solidariedade a Aécio Neves. Assim como elogios vindos de certas pessoas soam como ofensas, como imaginar que apoios como esses possam contribuir para as mudanças que as candidaturas têm que oferecer? Entre eles e a base dilmista de Sarney, Renan, Maluf e companhia, só mudam as moscas.
No Rio de Janeiro, a população se prepara para uma escolha pior que a de Sofia, entre Garotinho, Lindinho Farias e Marcelo Crivella, que lideram as pesquisas para governador. Num bar do Leblon, um velho e cínico carioca advertia: vocês vão ter saudades do Cabral…

CARLOS BRICKMANN: 'SIGA O CHEIRO DO DINHEIRO'



29/09/2013
 às 7:44 \ Feira Livre

‘Siga o cheiro do dinheiro’, de Carlos Brickmann

Há algo em comum entre os 32 partidos políticos do país. Não, não é o nome Partido: o Solidariedade, de Paulinho, não se chama “partido”. E a Rede, de Marina Silva, se vier a ser registrada também não terá este nome. O que têm em comum é que todos podem aliar-se em eleições estaduais, combater-se em eleições federais, ou vice-versa, unir-se em torno de um candidato, opor-se a ele. E ninguém vai estranhar o ziguezague: aqui, acredita-se, partido é assim mesmo.
Se um partido pode tudo, sem qualquer preocupação com programas de Governo ou com alguma ideologia, por que tantos políticos se preocupam em criar outros partidos? Para que formar 32 partidos? Para que servem? Que é que são?
São minas de ouro ─ com a vantagem de não exigir investimento para extraí-lo. Há montanhas de dinheiro público à disposição de seus dirigentes. O Fundo Partidário distribuiu no ano passado R$ 286,2 milhões. A propaganda política chamada de gratuita custa ao Tesouro perto de R$ 900 milhões em ano eleitoral (só é gratuita para o partido, porque a conta vem para nós). Os dois partidos novos, PROS e Solidariedade, mal se formaram e já levam R$ 30 milhões anuais do Fundo Partidário. No Brasil, partido não é um instrumento para chegar ao poder. No Brasil, partido normalmente é um instrumento para chegar ao dinheiro.
Sigam o caminho do dinheiro, dizia aos repórteres que desvendavam o escândalo Watergate sua principal fonte, apelidado de Garganta Profunda. Quer saber por que surgem tantos partidos? Siga o dinheiro. Há gente com bolsos profundos.
Além da imaginação
Mas é pura ingenuidade acreditar que com este dinheiro os partidos ficam saciados. Há ainda os cargos públicos com nomeações sem concurso, prêmio extra pelo apoio eleitoral; há o aluguel do horário gratuito, nem sempre oferecido gratuitamente pelos partidos menores aos aliados maiores. E há certas transferências da organização para os organizadores que, quando descobertas, se transformam em escândalo. 
Mas como querer que os beneméritos organizadores, que dedicam a vida ao partido e à democracia, paguem suas contas pessoais no fim do mês?
Os insaciáveis
Com tudo isso, ainda há quem queira que as campanhas sejam financiadas por dinheiro público. Como vimos, já são. O que querem é mais dinheiro público.

A HISTÓRIA DO MILAGRE QUE CONVENCEU IGREJA A CANONIZAR JOÃO PAULO II - ALBERTO NAJAR, DA BBC MUNDO

A história do milagre que convenceu Igreja a canonizar João Paulo 2º

Atualizado em  30 de setembro, 2013 - 13:57 (Brasília) 16:57 GMT
Floribeth Mora (Foto: AFP)
Floribeth foi diagnosticada com um aneurisma em 2011; médicos lhe deram apenas um mês de vida
O médico revisou, repetidamente, os exames clínicos da paciente, que estava em estado terminal. Ele foi ao laboratório do hospital verificar se o teste estava certo, voltou ao seu consultório e releu o histórico do caso de novo.
Espantosamente, tudo conferia. O aneurisma cerebral que afetava Floribeth Mora Díaz - e que lhe dava, até então, apenas um mês de vida - havia desaparecido.
A costa-riquenha que, semanas antes, padecia em uma maca e mal conseguia se mover agora olhava para ele sorridente. Ela dizia que se tratava de um milagre que ela havia pedido ao papa João Paulo 2º.
"O médico dizia que era inexplicável, porque não havia sequer uma marca na minha cabeça (ou) nas artérias indicando que ali tinha ocorrido um aneurisma", diz Floribeth à BBC Mundo.
O médico, Carlos Vargas, não acreditou no milagre, mas não conseguiu explicar a ausência do aneurisma, após exames na Costa Rica e na Itália.
O caso foi decisivo para que a Igreja Católica decidisse canonizar Karol Wojtyla. Nesta segunda-feira, o papa Francisco anunciou que a cerimônia de canonização ocorrerá em 27 de abril de 2014, e no mesmo ato será canonizado também o papa João 23.
Até antes do episódio envolvendo Floribeth, apenas um milagre era atribuído a João Paulo 2º - o que era insuficiente para que ele pudesse ser considerado um santo, de acordo com as regras adotadas pelo Vaticano.

Um mês de vida

A história do suposto milagre teria começado em abril de 2011, quando Floribeth foi diagnosticada com o aneurisma no lado esquerdo do cérebro, clinicamente impossível de ser eliminado.
Para Floribeth, uma dona de casa que estudava direito, a notícia foi devastadora.
"Foi horrível, horroroso ver o sofrimento da minha família, dos meus filhos; e eu sofria porque não ia mais vê-los", relembra. "Tinha medo da morte, (mas) sempre tive fé em Deus."
A saúde de Floribeth se deteriorou rapidamente. Ela sofria dores de cabeça e começou a ter dificuldades em falar e em usar a mão esquerda.
Ela diz que, ao mesmo tempo, considerava João Paulo 2º "um homem especial" e "santo". Rogou a ele por sua saúde.
Em 1º de maio do mesmo ano, viu na TV uma cerimônia em que o antigo papa era declarado beato da Igreja Católica. E diz que, na mesma noite, escutou uma voz pedindo que ela "se erguesse e não tivesse medo".
"Não me ergui de uma vez, mas comecei a sentir paz, minha agonia sumiu", conta. "O processo de cura do meu corpo ocorreu paulatinamente."
Meses depois, em novembro, foi a uma consulta de rotina no hospital que a atendia. Ela diz que se sentia curada, mas queria a confirmação médica.
Quando seu médico veio com a boa notícia, ela decidiu contar a ele o que havia vivenciado. Também escreveu seu caso na página oficial de Wojtyla na internet e, semanas depois, recebeu um telefonema do departamento do Vaticano que cuida da santificação do papa.

Nova 'responsabilidade'

O processo para certificar a "cura milagrosa" durou vários meses, em que Floribeth foi submetida a novos exames médicos, também na Itália.
O caso ganhou repercussão recentemente na Costa Rica, onde Floribeth foi apresentada à imprensa pelo arcebispo de San José, Hugo Barrantes.
A vida de Floribeth e de sua família mudou depois disso. Ela pretende voltar a estudar, mas por enquanto dedica boa parte de seu tempo a divulgar sua história e a receber visitas em sua casa.
O telefone de seu marido, Edwin Arce, não para de tocar com pedidos de entrevistas que ela nunca nega. É parte de sua nova responsabilidade, afirma.
"Digo a eles (jornalistas) que não vejam a mulher, (...) vejam o milagre, porque é algo que pode acontecer com qualquer um", argumenta.
Em abril do ano que vem, quando ocorrer a cerimônia de santificação, Floribeth será encarregada de levar ao altar as relíquias do papa polonês.
Além de Floribeth, a freira e enfermeira francesa Marie Simon Pierre diz ter sido curada milagrosamente do mal de Parkinson por influencia de João Paulo 2º.

PROFESSORES, NÃO DEIXEM DE LER : ANALFABETISMO: BOLA DE NEVE DO ATRASO - EDITORIAL CORREIO BRASILIENSE

segunda-feira, setembro 30, 2013


Analfabetismo: bola de neve do atraso - EDITORIAL CORREIO BRAZILIENSE

CORREIO BRAZILIENSE - 30/09
A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) divulgada sexta-feira passada pelo IBGE é trágico flagrante do atraso governamental em área essencial para o desenvolvimento do país: a educação. Depois de uma década e meia em declínio, o contingente de analfabetos brasileiros com mais de 15 anos de idade foi engordado em cerca de 300 mil pessoas no último ano com relação a 2011. Tivesse estagnado, a vergonha já seria grande, mas, pior do que isso, a curva do analfabetismo voltou a apontar para cima, com avanço de 0,1 ponto percentual, passando de 8,6% para 8,7%.
Ressalve-se que tal grau de ignorância é observado em faixa etária bastante avançada para a vida escolar. E que aqui não se trata de pessoas desprovidas de pleno domínio da leitura e da escrita, mas de quem simplesmente é incapaz de ambas as coisas. Mais: o universo dos analfabetos funcionais (agora, sim, dos que não sabem ler nem escrever satisfatoriamente), entre os que chegaram ou ultrapassaram os 15 anos, é bastante superior, girando em torno de 20% do total. Ou seja, o infortúnio do estudante neste país vai de ponta a ponta. Para se ter ideia, cerca de 38% dos que cursam o terceiro grau têm sérias dificuldades para produzir e interpretar textos.

No fim de 2012, mais precisamente em 9 de novembro, o governo federal lançou o Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa. O programa, com previsão de investimentos de R$ 2,7 bilhões neste ano e em 2014, tem como alvo crianças de 7 anos. Vejam que essa é a "idade certa". Tanto que em 2008 foi instituída a Provinha Brasil, destinada a aferir se, aos 8 anos, os alunos do 2° ano do ensino fundamental da rede pública estariam, de fato, plenamente alfabetizados. Mas, passada meia década, percebe-se que os efeitos da louvável medida adotada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep/MEC) têm sido, no mínimo, insuficientes.

Acabar com o mal endêmico que compromete geração após geração de brasileiros, como pesado entrave ao desenvolvimento sustentável do país, é desafio para toda a sociedade. Mas é preciso, antes, romper o círculo vicioso, para que as famílias adquiram condições de prestar cota de colaboração nessa tarefa gigantesca. Sem o mínimo, perde-se inclusive a possibilidade de aplicação de prática comum nos países desenvolvidos, de os pais lerem para os filhos pequenos, o que desperta o interesse pela leitura, desenvolve o raciocínio, amplia o conhecimento da língua e facilita o aprendizado das demais disciplinas.

Fracassos em matemática, geografia, história, ciências e outras matérias se devem, sobretudo, a deficiências de leitura e escrita. Nessa bola de neve do atraso, a evasão escolar cresce, alimentada pelo desinteresse de quem está na escola sem entender nada. Mais: a própria cidadania é mutilada. Portanto, é preciso fazer valer cada centavo dos R$ 2,7 bilhões destinados a crianças de 7 anos em 2013 e 2014. Mas os jovens e adultos analfabetos também carecem de ação rápida e eficiente do Estado. É o futuro da nação que está em jogo.

Uma mulher linda - LUIZ FELIPE PONDÉ

FOLHA DE SP - 30/09
A pergunta que mata de medo as mulheres é: afinal, o que quer o homem numa mulher?

Recentemente participei de um debate sobre a trilogia "Cinquenta Tons".

Muitas críticas: típico best-seller que identifica um drama universal (o amor) e propõe uma solução "easy" (seja sadomasô light e o casamento virá); a srta. Steele (a heroína) não está a altura de Lady Chatterley (de D.H. Lawrence) nem das irmãs Justine e Juliette (do Marquês de Sade) nem da personagem de "História de O" (de Anne Desclos, sob o pseudônimo Pauline Réage), porque a srta. Steele se vende por um MacBook Pro, enquanto as outras são para valer. Tudo verdade.

O maior pecado de "Cinquenta Tons" é que ele vende uma fantasia: o homem ideal. Christian Grey é rico, bonito, inteligente, viril, experiente. Mas o fato é que as mulheres desejam mesmo homens fortes, viris, sensíveis até a página três, ricos não só de grana. Enfim, "Cinquenta Tons" vende porque fala para todas as mulheres, bobas, ignorantes, cultas ou críticas. Mas, como virou moda mentir, ninguém confessa.

Dias depois do debate, revi um filme idiota americano (como "Cinquenta Tons"), em que um milionário fodão (interpretado por Richard Gere) contrata uma garota de programa (Julia Roberts, ah! Se todas fossem iguais a você, Julia, que maravilha viver...) e acabam se apaixonando. Claro, o filme é "Uma Linda Mulher". A fórmula clara da gata borralheira do sexo que vira a esposa Cinderela.

Mas o longa é muito mais do que isso. Diante da crítica histérica de que é mais um filme machista (que sono...), vale notar que ele faz a pergunta que mata de medo as mulheres: afinal, o que quer o homem numa mulher?

Dirão as apressadas que o homem quer que a mulher traga uma cerveja e venha pelada. Errado: melhor de calcinha e salto alto. Seria a superficialidade masculina o último bastião da ideologia "dominante"? Bastião este que agrada a todas as mulheres porque as acalma: os homens só querem uma bunda!

O filme toca num tema atávico que deixa mesmo as meninas "críticas" de cabelo em pé: seria a garota de programa a mulher ideal?

O personagem de Gere é fodão. Ele sabe o que os fodões sabem: o mundo é repetitivo, e as pessoas são previsíveis. Querem dinheiro, reconhecimento e "serviços", e fazem qualquer coisa para conseguir, embora neguem.

Se, no fundo, todos estão à venda por "um programa" de sucesso, melhor sair com alguém mais honesto: a garota de programa é a mulher menos cara do mundo. Ela "só" quer dinheiro, e isso às vezes é uma bênção. Ela é a mulher ideal porque é a única diante da qual o homem relaxa.

Afinal, o que quer o homem numa mulher? Num dado momento do filme, Gere diz à bela Roberts: "As pessoas são previsíveis, mas você me surpreendeu" (não vou contar detalhes).

Não devemos menosprezar essa fala e o que acontece depois, o apaixonar-se pela garota de programa. Gere sabe o que diz: as pessoas são mesmo previsíveis. Mas hoje a moda é dizer que são todas "únicas".

La Roberts encanta o fodão porque ela não é óbvia, e a mulher óbvia só quer fodões.

Graças a ela, ele rompe o ciclo da desconfiança causada pela obviedade das mulheres, e graças a ele, ela se cansa de ser puta, porque a puta não é uma mulher de verdade.

Os homens sentem que as mulheres querem deles apenas sucesso (em todos os sentidos). Mas hoje virou moda dizer que isso não é verdade. Ficou pior porque continua sendo verdade, mas, quando o cara sente isso, ele deve se sentir um machista porque sabe disso.

O homem quer uma mulher para quem ele não tenha que ser o sr. Grey, mas a mulher não perdoa um homem fraco. A garota de programa perdoa porque "só" quer dinheiro.

A fraqueza masculina aniquila o desejo da mulher. Mas, como essa mulher ideal não existe (assim como o sr. Grey), o ideal acaba ficando colado ao corpo irreal da namorada "paga".

Mesmo sabendo que sr. Grey (um fodão) não existe, as mulheres não suportam homens que não se pareçam com ele, e esta é a verdade suprema de "Cinquenta Tons".

Por fim: uma amiga minha, psicóloga, me disse que muitos dos seus pacientes vêm ao consultório falar de como suas mães (fálicas) destroem seus pais (fracos).

São essas mulheres fálicas, segundo ela, que à noite gemem de solidão sonhando com o sr. Grey.

Óbvio?

'Black Bloc do Eu Sozinho' - RUY CASTRO

FOLHA DE SP - 30/09
RIO DE JANEIRO - Há dias, neste espaço ("A cidade é deles", "Opinião", 30/8), comparei o uniforme dos "black blocs" --coturno, calças, mochila, camiseta e jaqueta pretos-- com a fantasia do Batman. Um e outra só podiam ser usados à noite, eu disse, porque, à luz do sol, eram ridículos. E insinuei que, até há pouco, muitos "black blocs" deviam estar vestidos de Batman e brincando de super-herói no play.

Na última quarta-feira, um deles, com capa, máscara, luvas, ceroula e botas do Homem-Morcego --talvez compradas na Casa Turuna, na Saara--, intrometeu-se na manifestação dos professores cariocas, que lutam por reivindicações específicas. A presença do fantasiado não condizia com a sisudez do protesto diante da Câmara Municipal.

Na noite seguinte, na Cinelândia, cem "black blocs" hostilizaram o pessoal de cinema que chegava para a abertura do Festival do Rio, um evento de que a cidade se orgulha. Entre as palavras de ordem, não se sabe por que, o já surrado "Não vai ter Copa!". Aliás, em junho, eles já haviam tentado invadir o Paço Imperial e vandalizar uma exposição de pintura. Com isso, ficamos sabendo que os "black blocs" não gostam de cinema, nem de futebol, nem de artes plásticas.

Gostam, então, de quê? De rock, sem dúvida, porque o Rock in Rio transcorreu em paz, só tisnado pelos inevitáveis roubos de celulares, comas alcoólicos e diarreias por excesso de batata frita. Devem gostar também de "junk food", porque nenhuma loja do Burger King foi atingida até hoje pelos seus quebra-quebras. E gostam de advogados, sob cujas togas se escondem quando se veem ameaçados.

Já sem nenhum apoio popular, os "black blocs" limitam-se hoje a si próprios. E o contingente tende a diminuir. Está próximo o dia em que um ou outro ainda sairá individualmente às ruas, no melhor estilo "Black Bloc do Eu Sozinho".

segunda-feira, setembro 30, 2013


Pouca educação não é coragem - PAULO BROSSARD

ZERO HORA - 30/09

Pretendia escrever sobre assuntos bem diferentes dos que estou agora a ocupar-me, mas fui praticamente obrigado a fazê-lo considerando a passagem da senhora presidente da República pelos altiplanos da Assembléia Geral da ONU. A despeito de suas debilidades, aliás, desde sua constituição decorrentes da reserva do poder de veto reservada a cinco Estados, a ONU não se libertou até agora dessa mácula. Contudo, nela continua a existir a tribuna de caráter mundial da qual o Brasil tem o privilégio de ocupar na abertura dos trabalhos da Assembleia Geral, como legado de um alegretense que reunia ao talento a bravura e a ambos o fascínio de sua personalidade de escol: a Osvaldo Aranha se deve esse prerrogativa. Isto posto, nada mais natural que nessa ocasião nosso país seja representado pelo Chefe do Estado.
Não faz muito tempo foi amplamente divulgado que a senhora presidente pensava em suspender a viagem aos Estados Unidos a convite daquele país e sem demora a suspensão foi convertida em cancelamento. Ao mesmo tempo, foi descoberto o acesso de fontes americanas a assuntos referentes ao nosso país, fato objeto de ampla publicidade.
Ambas as ocorrências foram noticiadas reiteradamente como alvo do discurso a ser proferido pela senhora presidente na oração que deveria pronunciar ao ser aberta a Assembleia Geral, o que foi confirmado. Ocorre que, a novidade descoberta não se sabe se pela senhora presidente, se pelo Itamaraty ou pelo inominado assessor especial da presidência, de novidade não tinha nada.
Esses dados me parecem significativos, pois sucessivamente divulgados de maneira a dar caráter internacional a um expediente de evidente endereço eleitoral que, aliás, tem sido reconhecido por gregos e troianos; saliente-se que depois da queda de popularidade da senhora presidente, seu marqueteiro, também conhecido como quadragésimo ministro, prometia recuperar a popularidade perdida em coisa de quatro meses. De modo que até a xingação, aliás, anunciada antes do discurso da Assembleia Geral e por todos os meios de comunicação e depois confirmada, não surpreendeu a ninguém; curiosamente foi publicado sem que nenhuma autoridade americana sequer de média importância que fosse, estivesse presente quando do discurso; para que se seu teor era de todos de antemão conhecido?
O tom pouco educado e inadequado do discurso é tentativa de exibir uma suposta valentia, útil apenas para fins internos e eleitoreiros. O Brasil perdeu uma oportunidade de falar para o mundo.
Nesta altura o que me parece de particular importância é saber se o Itamaraty inspirou ou acompanhou o plano, ou se foi ele concebido pela senhora presidente com ou sem a colaboração do assessor especial, ainda que, qualquer que seja a resposta, o fato é de suma gravidade; contudo, o interesse nacional reclama que esse ponto seja esclarecido. Se o Itamaraty tinha conhecimento mais diminuído fica ele, fenômeno que tem sido apontado particularmente por diplomatas de alta expressão.
Depois da xingação veio à louvação. A senhora presidente prosseguiu fazendo o elogio do seu próprio governo com a pretensão de incentivar investimentos estrangeiros. Com todas as vênias, parece-me que o expediente chega às raias da infantilidade, até porque os eventuais investidores além de cientes da situação interna e externa do país, seguramente são leitores, entre outras publicações de circulação internacional, do The Economist. Em síntese, o discurso proferido em Nova York se destinava à pretendida reeleição. Convém lembrar que, não faz muito, a senhora presidente declarou sem rebuços que na campanha ela seria uma “fera”.

segunda-feira, setembro 30, 2013


Desconfiança israelense - GILLES LAPOUGE

O Estado de S.Paulo - 30/09
PARIS - Avanço na questão nuclear iraniana: as negociações serão retomadas em 15 e 16 de outubro em Genebra, envolvendo Irã, os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU e a Alemanha (P5+1). A ofensiva de charme do novo presidente do Irã, Hassan Rohani, está no auge. Sucesso total, uma vez que o secretário de Estado dos EUA. John Kerry, ficou satisfeito.

Antes de Rohani, o Irã era presidido por um personagem insano, meio diabólico, Mahmoud Ahmadinejad, que passava seu tempo "apagando Israel do mapa". Depois desse trágico palhaço, não foi difícil para seu sucessor seduzir seus interlocutores. Só um país não foi seduzido por Rohani: Israel. O primeiro ministro, Binyamin Netanyahu, disse que o gesto de Rohani é "cínico e hipócrita". Para Netanyahu, o iraniano é um lobo em pele do cordeiro.

Por que Rohani encenaria essa comédia? Simples: ele quer tirar o país do estrangulamento provocado pelas sanções, mas suas intenções não mudaram quanto ao programa nuclear. Neste debate, um outro protagonista se destaca: o russo Vladimir Putin.

Depois de ter avançado seus peões no xadrez da crise iraniana, manipular os americanos e retomar as estratégias da Guerra Fria, Putin se envolveu na discussão de todas as crises. Há um mês, afirmou que o arsenal químico sírio foi construído em resposta às armas nucleares de Israel. E inverteu o jogo. Enquanto o mundo todo se inquieta com os esforços do Irã para se dotar de uma bomba nuclear, a Rússia dirige seus projetores para um outro ponto do campo político: o armamento atômico israelense, que é substancial. Um estudo da revista Bulletin of the Atomic Scientist lembra que o país tem 80 ogivas nucleares, embora jamais tenha reconhecido oficialmente.

É preciso lembrar que Israel começou cedo a construir seu arsenal. Em 1960, um tratado secreto foi assinado entre a primeira-ministra Golda Meir e o presidente Richard Nixon. O objetivo era fazer frente à proliferação de armas não convencionais no Oriente Médio. Desde então, Israel fez tudo para conservar sua superioridade atômica em relação aos vizinhos. Em 1981, seus aviões destruíram o reator iraquiano de Osirak. Depois, bombardearam a usina nuclear de Deir ez-Zor, na Síria. Não é por acaso que, às vésperas da negociação, Putin traga à luz o desequilíbrio de uma região na qual Israel é uma potência atômica e o Irã busca sua bomba nuclear./TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

segunda-feira, setembro 30, 2013


Andando para trás - AÉCIO NEVES

FOLHA DE SP - 30/09
Os dados da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) 2012 divulgados pelo IBGE mostram os limites do modelo de políticas sociais adotado no país a partir de 2003, com a chegada do PT ao poder. O governo federal prefere fechar os olhos à realidade a refletir sobre os alertas que vêm sendo feitos por especialistas de várias áreas.

Vale destacar alguns dos números da Pnad 2012. Nada menos do que 13,2 milhões de brasileiros de 15 anos ou mais são analfabetos. De 2011 para 2012, mais 300 mil pessoas entraram nessa sombria estatística. No Nordeste, a taxa de analfabetos na mesma faixa etária ultrapassa 17% da população, o que demonstra a permanência de imensas diferenças regionais.

O crescimento da desigualdade é evidente: 1% dos brasileiros com rendimentos mais elevados ganham 87 vezes mais do que os 10% dos brasileiros com os rendimentos mais baixos. Em 2011, esta diferença era de 84 vezes.

Também é preocupante a questão da renda e do trabalho. O apagão de mão de obra qualificada se aprofunda pela baixa escolaridade do trabalhador e pela sua frágil formação para o mundo cada vez mais exigente do trabalho.

Os novos dados do analfabetismo que surpreenderam o país, somados a informações já reveladas por outras pesquisas e constatadas diariamente em todo o Brasil, mostram um governo que vem menosprezando a mais poderosa alavanca de transformação social: a educação.

Quando o governo do PSDB implantou os programas de transferência de renda --que continuam sendo fundamentais-- na década de 1990, o objetivo era que fossem ponto de partida para conquistas sociais importantes e definitivas para as famílias cadastradas. O PT fez com que esses programas se transformassem em ponto de chegada. E contenta-se hoje com a administração da pobreza, ao invés de investir em formas efetivas para a sua superação.

O partido submeteu a lógica de ações estratégicas para o país à conveniência do discurso político da legenda. Por isso, insiste em tratar a pobreza pela ótica exclusiva da privação de renda, quando o mundo caminha na direção de percebê-la como uma privação mais ampla, também de direitos e serviços. Essa visão, mais realista e mais justa com milhões de famílias, esbarra nos maus resultados da gestão federal em diversas áreas, na propaganda e no discurso salvacionista do governo.

Por mais que a atual administração federal tenha criado o mantra de que acabou com a miséria no país, os brasileiros sabem que isso não é verdade. Precisamos ter coragem de fazer avançar as políticas sociais no país, para que elas sejam de fato instrumento de travessia na vida de milhões de brasileiros.