sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Os EUA e o Pacífico.

É, ele admitiu!
Se havia alguma dúvida de que os Estados Unidos vão olhar cada vez mais para o Oriente ao invés de olhar para a América Latrina como uma prioridade, eis que notícias dos últimos dias vêm jogar um balde de água fria nessa expectativa. Primeiro, o presidente Obama (O Lula diria Obrahma!) disse na reunião de cúpula Ásia-Pacífico (APEC), realizada no começo de novembro no Havaí, que “Os Estados Unidos da América são um país do Pacífico e vieram para ficar”, num claro recado às pretensões chinesas, é claro.  E ele acrescentou: “Nenhuma região será mais importante para determinar nosso futuro econômico em longo prazo do que a região da Ásia-Pacífico.'' Em segundo lugar, pouco antes de viagem de Obama, a secretária de Estado Hillary Clinton, publicou um texto na revista Foreign Policy, intitulado “O século dos Estados Unidos no Pacífico”. Neste artigo ela afirma que o futuro econômico dos EUA dependerá da sua capacidade para conquistar os mercados asiáticos. Não sem razão. A Ásia é o continente que mais diminui a pobreza, desde a década de 1970.  Além disso, um estudo sobre o intercâmbio de estudantes de vários países com os Estados Unidos revela que há um enorme crescimento do número de estudantes asiáticos nas universidades norte-americanas e uma queda no número de estudantes latino-americanos. Mas não é novidade essa posição americana. Sempre a América Latrina foi relegada pelo Tio Sam, daí terem surgido figuras patéticas misturando comunismo, populismo e guerrilha, e fazendo da região um campo fértil para o atraso, para o ganho de espaço de ideologias da lata do lixo, como diria Rafael Brasil. Penso que Obama está buscando aumentar a presença dos EUA na Ásia, tanto pelo rápido crescimento econômico da região, como pelo fato de que Washington quer conter a ascensão chinesa. Países como Japão (esse sempre esteve debaixo do arsenal americano desde o fim da II Guerra Mundial, não é surpresa), Coreia do Sul, Tailândia, Taiwan, Índia e, acreditem, o Vietnã, buscam proteção dos EUA diante da influência chinesa. Parece que o país do dragão não inspira muita confiança na vizinhança, não!  Na semana passada, li que Obama assinou acordo com a primeira ministra australiana para o envio de marines para uma nova base militar em Darwin, no norte da Austrália. Os americanos parecem buscar criar um cordão sanitário em torno da China, tal qual aquele que foi feito com a URSS na Guerra Fria. Para isso, já usam o Havaí, Guam, Ilhas Marianas, Atol Johnston, Midway e outros arquipélagos, todos com bases militares no Pacífico e com vários tipos de armas nucleares, de grandes a pequenas. Isso é compreensível, mas os EUA deveriam, no mínimo, olhar tanto para Oriente como para o Sul. Os Estados Unidos exportam três vezes mais para a América Latrina do que para a China. E considerando que as economias latino-americanas estão crescendo, pode não ter sido muito prudente definir os EUA como “um país do Pacífico”, deixando a interpretação de que não estão interessados no seu quintal. Se há o vácuo de poder, alguém vai ocupá-lo. Ou como vocês acham que surgiu um Hugo Chávez, um Foro de São Paulo, ou a ampliação de partidos e ideias de esquerda nessa parte do continente? Que falta faz um Ronald Reagan...

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Que é uma sociedade justa?

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Olavo de Carvalho


Quando se pergunta qual o conceito que fazemos de uma sociedade justa, a palavra “conceito” entra aí com um sentido antes americano – pragmatista – do que greco-latino: em vez de designar apenas a fórmula verbal de uma essência ou ente, significa o esquema mental de um plano a ser realizado. Nesse sentido, evidentemente, não tenho conceito nenhum de sociedade justa, pois, persuadido de que não cabe a mim trazer ao mundo tão maravilhosa coisa, também não me parece ocupação proveitosa ficar inventando planos que não tenciono realizar.
O que está ao meu alcance, em vez disso, é analisar a ideia mesma de “sociedade justa” – o seu conceito no sentido greco-latino do termo – para ver se faz sentido e se tem alguma serventia.
Desde logo, os atributos de justiça e injustiça só se aplicam aos entes reais capazes de agir. Um ser humano pode agir, uma empresa pode agir, um grupo político pode agir, mas “a sociedade”, como um todo, não pode. Toda ação subentende a unidade da intenção que a determina, e nenhuma sociedade chega a ter jamais uma unidade de intenções que justifique apontá-la como sujeito concreto de uma ação determinada. A sociedade, como tal, não é um agente: é o terreno, a moldura onde as ações de milhares de agentes, movidos por intenções diversas, produzem resultados que não correspondem integralmente nem mesmo aos seus propósitos originais, quanto mais aos de um ente genérico chamado “a sociedade”!
“Sociedade justa” não é portanto um conceito descritivo. É uma figura de linguagem, uma metonímia. Por isso mesmo, tem necessariamente uma multiplicidade de sentidos que se superpõem e se mesclam numa confusão indeslindável. Isso basta para explicar por que os maiores crimes e injustiças do mundo foram praticados, precisamente, em nome da “sociedade justa”. Quando você adota como meta das suas ações uma figura de linguagem imaginando que é um conceito, isto é, quando você se propõe realizar uma coisa que não consegue nem mesmo definir, é fatal que acabe realizando algo de totalmente diverso do que esperava. Quando isso acontece há choro e ranger de dentes, mas quase sempre o autor da encrenca se esquiva de arcar com suas culpas, apegando-se com tenacidade de caranguejo a uma alegação de boas intenções que, justamente por não corresponderem a nenhuma realidade identificável, são o melhor analgésico para as consciências pouco exigentes.
Se a sociedade, em si, não pode ser justa ou injusta, toda sociedade abrange uma variedade de agentes conscientes que, estes sim, podem praticar ações justas ou injustas. Se algum significado substantivo pode ter a expressão “sociedade justa”, é o de uma sociedade onde os diversos agentes têm meios e disposição para ajudar uns aos outros a evitar atos injustos ou a repará-los quando não puderem ser evitados. Sociedade justa, no fim das contas, significa apenas uma sociedade onde a luta pela justiça é possível. Quando digo “meios”, isso quer dizer: poder. Poder legal, decerto, mas não só isso: se você não tem meios econômicos, políticos e culturais de fazer valer a justiça, pouco adianta a lei estar do seu lado. Para haver aquele mínimo de justiça sem o qual a expressão “sociedade justa” é apenas um belo adorno de crimes nefandos, é preciso que haja uma certa variedade e abundância de meios de poder espalhados pela população em vez de concentrados nas mãos de uma elite iluminada ou sortuda. Porém, se a população mesma não é capaz de criar esses meios e, em vez disso, confia num grupo revolucionário que promete tomá-los de seus atuais detentores e distribuí-los democraticamente, aí é que o reino da injustiça se instala de uma vez por todas. Para distribuir poderes, é preciso primeiro possuí-los: o futuro distribuidor de poderes tem de tornar-se, antes, o detentor monopolístico de todo o poder. E mesmo que depois venha a tentar cumprir sua promessa, a mera condição de distribuidor de poderes continuará fazendo dele, cada vez mais, o senhor absoluto do poder supremo.
Poderes, meios de agir, não podem ser tomados, nem dados, nem emprestados: têm de ser criados. Caso contrário, não são poderes: são símbolos de poder, usados para mascarar a falta de poder efetivo. Quem não tem o poder de criar meios de poder será sempre, na melhor das hipóteses, o escravo do doador ou distribuidor.
Na medida em que a expressão “sociedade justa” pode se transmutar de figura de linguagem em conceito descritivo razoável, torna-se claro que uma realidade correspondente a esse conceito só pode existir como obra de um povo dotado de iniciativa e criatividade – um povo cujos atos e empreendimentos sejam variados, inéditos e criativos o bastante para que não possam ser controlados por nenhuma elite, seja de oligarcas acomodados, seja de revolucionários ambiciosos.
A justiça não é um padrão abstrato, fixo, aplicável uniformemente a uma infinidade de situações padronizadas. É um equilíbrio sutil e precário, a ser descoberto de novo e de novo entre as mil e uma ambiguidades de cada situação particular e concreta. No filme de Sidney Lumet, “The Verdict” (1982), o advogado falido Frank Galvin, esplendidamente interpretado por Paul Newman, chega a uma conclusão óbvia após ter alcançado uma tardia e improvável vitória judicial: “Os tribunais não existem para fazer justiça, mas para nos dar uma oportunidade de lutar pela justiça”. Nunca me esqueci dessa lição de realismo. A única sociedade justa que pode existir na realidade, e não em sonhos, é aquela que, reconhecendo sua incapacidade de “fazer justiça” – sobretudo a de fazê-la de uma vez para sempre, perfeita e uniforme para todos –, não tira de cada cidadão a oportunidade de lutar pela modesta dose de justiça de que precisa a cada momento da vida.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

República das Bananas Rodrigo Constantino




Neste feriado, que celebra mais um aniversário de nossa República, vem
ao caso refletirmos sobre os rumos de nosso país. Até que ponto
vivemos sob um regime que podemos chamar, efetivamente, de
republicano?
Todos dizem defender a "res pública", até mesmo os regimes socialistas
totalitários. Mas a essência do modelo republicano está na questão da
representatividade. Sem um modelo eficiente de representação política,
com claros limites constitucionais ao poder do Estado, não é adequado
chamar de República o regime.
Sob esta ótica, o Brasil não está nada bem na foto. Feudalismo,
patrimonialismo ou mercantilismo: esses são os termos mais adequados
para descrever nosso modelo. Há extrema concentração de poder no
governo central, dominado por uma patota que transformou a coisa
pública em "cosa nostra". O Estado foi privatizado. A pilhagem é
sistemática.
Um "Ogro filantrópico" (Octavio Paz). Um "Dinossauro" (Meira Penna).
Estas são as imagens mais fiéis ao Estado brasileiro, uma máquina que
distribui privilégios aos "amigos do rei", enquanto espalha os custos,
especialmente sobre a classe média, esmagada pelos impostos e sem
representação política adequada. Ou o leitor se sente representado em
Brasília?
Nossa República nasceu sem participação popular. Entre os principais
motivos de descontentamento com a monarquia, estavam os altos índices
de analfabetismo e de miséria. Pergunto: como estamos após 122 anos?
Malgrado algumas conquistas, parece evidente que o modelo tem
fracassado, e muito. Temos elevado índice de analfabetismo funcional,
péssima qualidade de ensino público, e muita miséria ainda.
Inúmeros parasitas são sustentados pelas benesses estatais, restando
aos hospedeiros uma fatura que já chega a um trilhão de reais! Se as
instituições republicanas já eram frágeis, foram enfraquecidas ainda
mais durante a gestão petista. O ex-presidente Lula muito contribuiu
para esgarçar de vez os valores republicanos, ao escancarar, com
escárnio, suas alianças espúrias em nome da "governabilidade".
O "mensalão", com sua completa impunidade até agora, foi a pá de cal
nas esperanças daqueles que sonham com um modelo mais justo e ético.
Levaremos anos, quiçá décadas, até recuperarmos os estragos causados
pelos abusos de poder do lulopetismo. O Estado foi transmutado em um
gigantesco instrumento de compra de votos, possível graças ao
crescimento chinês, que inundou o Brasil com divisas para a compra de
recursos naturais. A expansão de crédito fez o restante.
O governo criou bolsas para diversas classes, desde as esmolas para os
mais pobres, até a "Bolsa Empresário" do BNDES. Os sindicatos foram
comprados, assim como a UNE, que aderiu a um constrangedor silêncio
frente aos infindáveis escândalos de corrupção. As ONGs, agora em
evidência, ignoraram a letra N e se tornaram braços governamentais
envoltos em esquemas de desvio de recursos públicos. As exceções
comprovam a regra.
Alguns podem alegar que a elevada popularidade justifica isso tudo. Os
que assim fazem apenas demonstram não compreender o conceito de
República. Até Mussolini foi popular na Itália fascista! Como Cícero
explica nos diálogos sobre a República Romana, "não creio que
corresponda mais o nome de República ao despotismo da multidão".
Tirania popular ainda é tirania.
O Brasil não chega a tanto, é verdade. Não estamos no mesmo estágio da
Venezuela de Chávez, a despeito do desejo de muitos petistas. Mas
ainda vivemos no Antigo Regime, das castas e capitanias hereditárias,
tributário do autoritarismo da Era Vargas e do positivismo. Estamos
muito distantes da Grande Sociedade Aberta e do império da lei
isonômica.
O alerta feito por Ayn Rand mostra a precária situação brasileira:
"Quando você perceber que, para produzir, precisa obter a autorização
de quem não produz nada; quando comprovar que o dinheiro flui para
quem negocia não com bens, mas com favores; quando perceber que muitos
ficam ricos pelo suborno e por influência, mais que pelo trabalho, e
que as leis não nos protegem deles, mas, pelo contrário, são eles que
estão protegidos de você; quando perceber que a corrupção é
recompensada, e a honestidade se converte em auto-sacrifício; então
poderá afirmar, sem temor de errar, que sua sociedade está condenada".
Vamos deixar isso acontecer passivamente? Republicanos legítimos,
uni-vos! Está na hora de romper com os grilhões do patrimonialismo e
instaurar uma República de fato em nosso país.

República das Bananas Rodrigo Constantino




Neste feriado, que celebra mais um aniversário de nossa República, vem
ao caso refletirmos sobre os rumos de nosso país. Até que ponto
vivemos sob um regime que podemos chamar, efetivamente, de
republicano?
Todos dizem defender a "res pública", até mesmo os regimes socialistas
totalitários. Mas a essência do modelo republicano está na questão da
representatividade. Sem um modelo eficiente de representação política,
com claros limites constitucionais ao poder do Estado, não é adequado
chamar de República o regime.
Sob esta ótica, o Brasil não está nada bem na foto. Feudalismo,
patrimonialismo ou mercantilismo: esses são os termos mais adequados
para descrever nosso modelo. Há extrema concentração de poder no
governo central, dominado por uma patota que transformou a coisa
pública em "cosa nostra". O Estado foi privatizado. A pilhagem é
sistemática.
Um "Ogro filantrópico" (Octavio Paz). Um "Dinossauro" (Meira Penna).
Estas são as imagens mais fiéis ao Estado brasileiro, uma máquina que
distribui privilégios aos "amigos do rei", enquanto espalha os custos,
especialmente sobre a classe média, esmagada pelos impostos e sem
representação política adequada. Ou o leitor se sente representado em
Brasília?
Nossa República nasceu sem participação popular. Entre os principais
motivos de descontentamento com a monarquia, estavam os altos índices
de analfabetismo e de miséria. Pergunto: como estamos após 122 anos?
Malgrado algumas conquistas, parece evidente que o modelo tem
fracassado, e muito. Temos elevado índice de analfabetismo funcional,
péssima qualidade de ensino público, e muita miséria ainda.
Inúmeros parasitas são sustentados pelas benesses estatais, restando
aos hospedeiros uma fatura que já chega a um trilhão de reais! Se as
instituições republicanas já eram frágeis, foram enfraquecidas ainda
mais durante a gestão petista. O ex-presidente Lula muito contribuiu
para esgarçar de vez os valores republicanos, ao escancarar, com
escárnio, suas alianças espúrias em nome da "governabilidade".
O "mensalão", com sua completa impunidade até agora, foi a pá de cal
nas esperanças daqueles que sonham com um modelo mais justo e ético.
Levaremos anos, quiçá décadas, até recuperarmos os estragos causados
pelos abusos de poder do lulopetismo. O Estado foi transmutado em um
gigantesco instrumento de compra de votos, possível graças ao
crescimento chinês, que inundou o Brasil com divisas para a compra de
recursos naturais. A expansão de crédito fez o restante.
O governo criou bolsas para diversas classes, desde as esmolas para os
mais pobres, até a "Bolsa Empresário" do BNDES. Os sindicatos foram
comprados, assim como a UNE, que aderiu a um constrangedor silêncio
frente aos infindáveis escândalos de corrupção. As ONGs, agora em
evidência, ignoraram a letra N e se tornaram braços governamentais
envoltos em esquemas de desvio de recursos públicos. As exceções
comprovam a regra.
Alguns podem alegar que a elevada popularidade justifica isso tudo. Os
que assim fazem apenas demonstram não compreender o conceito de
República. Até Mussolini foi popular na Itália fascista! Como Cícero
explica nos diálogos sobre a República Romana, "não creio que
corresponda mais o nome de República ao despotismo da multidão".
Tirania popular ainda é tirania.
O Brasil não chega a tanto, é verdade. Não estamos no mesmo estágio da
Venezuela de Chávez, a despeito do desejo de muitos petistas. Mas
ainda vivemos no Antigo Regime, das castas e capitanias hereditárias,
tributário do autoritarismo da Era Vargas e do positivismo. Estamos
muito distantes da Grande Sociedade Aberta e do império da lei
isonômica.
O alerta feito por Ayn Rand mostra a precária situação brasileira:
"Quando você perceber que, para produzir, precisa obter a autorização
de quem não produz nada; quando comprovar que o dinheiro flui para
quem negocia não com bens, mas com favores; quando perceber que muitos
ficam ricos pelo suborno e por influência, mais que pelo trabalho, e
que as leis não nos protegem deles, mas, pelo contrário, são eles que
estão protegidos de você; quando perceber que a corrupção é
recompensada, e a honestidade se converte em auto-sacrifício; então
poderá afirmar, sem temor de errar, que sua sociedade está condenada".
Vamos deixar isso acontecer passivamente? Republicanos legítimos,
uni-vos! Está na hora de romper com os grilhões do patrimonialismo e
instaurar uma República de fato em nosso país.

domingo, 20 de novembro de 2011

Vitória esmagadora da direita na Espanha; socialistas obtêm pior resultado desde a redemocratização do país


Mariano Rajoy beja sua mulher, Elvira Fernández, na sede do PP, comemorando vitória esmagadora do seu partido (Foto: Gorka Lejarcegi)


Mariano Rajoy beja sua mulher, Elvira Fernández, na sede do PP, comemorando vitória esmagadora do seu partido (Foto: Gorka Lejarcegi)
Traduzi longos trechos da reportagem de José Manuel Romero no jornal espanhol El País:
A pior crise econômica desde a redemocratização e a gestão fracassada do governo socialista, que iniciou a legislatura com dois milhões de desempregados e o deixa com cinco milhões, deu ao Partido Popular a maioria absoluta e liberdade para tirar a Espanha do fundo do poço, em meio ao vendaval. O novo primeiro-ministro, Mariano Rajoy, vai governar com o apoio de 186 deputados, acima do número obtido por José María Aznar em 2000, contra 110 escassos deputados do PSOE, o pior resultado desde a redemocratização.
Em sua primeira aparição depois de saber da vitória esmagadora, Rajoy demonstrou um euforia contida diante de milhares de pessoas que foram à sede do partido, em Madri, comemorar o resultado. “Governarei sem sectarismo. Ninguém tem de ficar preocupado”, afirmou. Com a promessa de trabalhar a partir de amanhã para colocar a Espanha “no topo da Europa”, Rajoy admitiu que, dada a delicada situação financeira do país, não pode prometer “milagres”. E convidou tanto seus eleitores como os não-eleitores a participar da mudança.
Essa vitória retumbante — até hoje, havia o registro de três maiorias absolutas em 10 eleições gerais —  dá ao PP o poder absoluto na Espanha. Terá o comando do governo central, de 11 das 17 “Comunidades Autônomas” [mais ou menos o correspondente aos "estados no Brasil] e de metade dos municípios. O naufrágio do PSOE, que tinha 13 pontos percentuais a mais no início do processo eleitoral (caiu de 43% para 30%) impulsionou a maioria absoluta do PP, que chegou a 44%, oito pontos a mais do que em 2008.
Rodeado por alguns dos seus partidários, Alfredo Perez Rubalcaba admitiu na noite deste domingo a derrota socialista. “Perdemos claramente a eleição”. Por volta das 22h30 [hora local], depois de reconhecer que o adversário tinha sido o vitorioso, o socialista compareceu à sede do PSOE, na rua Ferraz, para anunciar que propôs ao secretário-geral do partido, José Luis Rodriguez Zapatero [primeiro-ministro que perde o cargo], a convocação de um congresso para discutir o futuro do partido depois do desastre eleitoral.
(…)
O líder do PP chegou ao topo com um discurso cheio de propostas ambíguas, baseado num programa intencionalmente indefinido, que agora terá de se revelar. Os primeiros dias de Rajoy no comando do governo, a partir da segunda quinzena de dezembro — caso não haja nenhum acordo com os socialistas para antecipar a posse — serão particularmente intensos e complexos. Com a Espanha perto da insolvência e os mercados reclamando mais cortes de gastos, o líder do PP terá de resolver em duas semanas o reajuste de 8,5 milhões de pensões, decidir o salário de 3,1 milhões funcionários públicos (cortados e congelados há um ano e meio) e, num prazo um pouco mais longo, mas não muito, onde meter a tesoura para cortar, no próximo ano, pelo menos 16 bilhões de euros para reduzir o déficit público a 4,4% [do PIB] e cumprir, assim, os compromissos com a União Européia.
(…)
Na primeira vez em que o PP chegou ao governo central, em 1996, José María Aznar prometeu, na posse, reduzir o déficit para 3% (na época, estava em 4,4%), para atender, então, a exigências da União Européia. A tarefa de Rajoy agora é parecida, mas numa situação muito mais difícil.
(…)
Inútil voto útil
Foi inútil a estratégia socialista de pedir o voto útil das esquerdas para o PSOE e martelar que a volta do PP ao poder poria em perigo o poder de compra dos pensionistas, o seguro-desemprego e os direitos civis. O contínuo aumento do desemprego há três anos, até atingir 5 milhões de cidadãos desempregados, foi uma pedra pesada demais para os socialistas. O baque sofrido em maio, nas eleições municipais e nas Comunidades Autônomas, quando o PSOE perdeu o poder regional — e boa parte dele para o PP —, era um anúncio do desastre deste dia 20.

O último esforço do candidato socialista, que pediu em comícios que os espanhóis não dessem o “poder total” ao PP não surtiu efeito junto ao eleitorado. Nos três próximos anos, a Espanha será quase governada por um único partido.
(…)
 
Por Reinaldo Azevedo

sábado, 19 de novembro de 2011

ASAS CORTADAS



http://www.blogdoturismope.com.br/wp-content/uploads/eduardo-campos1.jpg

Bastou  Eduardo Campos ensaiar vôos mais altos, com a pretensão se ser candidato a presidente da república, para a turma do PT instigar seu cachorrinho de estimação, Ciro Gomes a bater de frente com o empolado governador de Pernambuco. Essa gente quer mesmo se perpetuar no poder. Não abrem para ninguém. Aqui querem o governo. Com toda desgraça, prefiro Eduardo. Dizem que foi retaliação contra o lançamento informal de Fernando Bezerra para a prefeitura do Recife. Ciro disse que era melhor candidato do que ele. Para isso transferiu seu título para seu feudo o Ceará, depois de ter ido na onda de Lula com a estória da candidatura em São Paulo. Mas que Ciro é fiel a Lula não restam dúvidas. Na ótica do PT é necessário abater os possíveis concorrentes no nascedouro. Mas um dia a casa cai, não é Eduardo? Ser “imperador” em Pernambuco é uma coisa. No Brasil é outra. E com o PT no poder, não é brincadeira. Mas vamos ver como termina essa história.

O IDH cubano: falácias, mentiras!

O IDH - Índice de Desenvolvimento Humano - foi criado como um padrão para medição dos níveis de  desenvolvimento humano das nações, tendo em vista  os indicadores de renda, alfabetização e expectativa de vida. Pois bem!
Sendo assim, o único regime totalitário da América Latrina - Cuba - aparece com frequência à frente do Brasil e de outros países no ranking anual feito pela ONU, tendo por base o IDH. Esse fato leva muitas pessoas a acreditarem que o socialismo cubano seria o responsável por tal desempenho. Nada mais falacioso, pura bobagem, como vou lhes mostrar:  o IDH tem a renda per capita como um dos componentes mais importantes. Ocorre, porém, que o valor de renda per capta utilizado para compor o IDH é a calculada pelo método PPP (Paridade do Poder de Compra). E aqui temos alguns graves problemas metodológicos que acabam por inflar o IDH cubano. Se o poder de compra dos cubanos é ridículo, já que passa fome grande parte do povo daquela ilha, como pode o PPP cubano ser tão alto? Em um país onde o governo distribui 5 ovos per capita por semana + três cebolas + uma calça usada contrabandeada de Miami por ano, como alguém pode medir poder de compra e renda per capita? Não é segredo para ninguém que o PIB cubano não é calculado com base nos padrões internacionais. Sabe-se que a ilha-prisão  de Fidel Castro utiliza metodologias específicas, introduzindo serviços de saúde e educação no PIB, produzindo então sua elevação. Ou seja: jogam sujo para inflar os índices, as estatísticas, igual o Brasil faz com a educação.
Outro aspecto é que a renda per capita de cuba entra no cálculo do IDH com sendo de mais de US$ 9.700. Um absurdo!
Para deixar isso claro, vamos observar que o salário de um médico cubano está na casa de US$ 20,00 mensais, o que dá US$ 240,00 / ano! Ora, então como é que podemos falar que o país tem renda per capita de US$ 6.000,00? Se os profissionais mais bem pagos em Cuba recebem anualmente um salário de US$ 240,00, como a renda per capita do país pode ser de US$ 6.000, ao dividir-se o PIB pela população? Não passa de maquiagem em estatísticas na pura cara de pau.
O fato é que  o IDH de Cuba está muito atrás do IDH da maioria dos países da América Latina, pois a renda per capita de Cuba é uma das mais baixas do subcontinente. Como pode Cuba estar na 51ª posição nesse índice se existem 3,5 linhas telefônicas para cada 100 pessoas. Em 1959, existiam 15 linhas. Em 1959, cada cidadão tinha à sua disposição uma potência elétrica de 450 kw. Agora, a revolução oferece apenas 75 kw. Existiam 38 automóveis para cada 1.000 cubanos, em 1959. Hoje existem apenas 10 automóveis para cada 1.000 cubanos. Os mais modernos são da década de 1960. Havia um ônibus para cada 300 pessoas, em 1959. Agora há tão somente um ônibus para cada 25.000 habitantes. Dizem que todos sabem ler em Cuba, mas leem somente aquilo que os Castro deixam. Cuba ainda vive um comunismo decadente, uma sobra mal digerida da Guerra Fria e sua população sofre com as escolhas do passado de seu governo. Uma prisão! Não, erro, há duas grandes prisões: Guantánamo + o resto da ilha. A diferença é que dentro da prisão americana, certamente há comida. Já do lado de fora da base...
Certamente os 16 milhões de brasileiros que são considerados miseráveis (sobrevivem com 2 dólares ou menos por dia) pelo nosso governo comem melhor do que os cubanos. Quando foi perguntado do porquê de haverem tantas prostitutas em Cuba, Fidel tentou ver o lado bom:
-''Certamente todas têm curso superior'', disse o Coma Andante.  
Realmente faz toda a diferença: fazer sexo com uma bela latina enquanto ela recita Shakespeare ou declama os discursos de Nikita Kruchev deve ser bem original. Se o sonho de qualquer cubano é fugir para os EUA, por que Cuba apresenta uma posição tão boa no IDH? Seriam os cubanos burros por rejeitarem o ''paraíso de Fidel'' em detrimento do ''grande demônio do norte'', os EUA?
Até o Brasil, com os seus graves problemas, deve ser muito melhor do que a fazenda Castro. Duvido que algum tupiniquim queira emigrar para Havana. 
 
Autor: Hadriel Ferreira

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

CAPITALISMO NORDESTINO

 
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Fiquei alegre com o florescimento e vitalidade do capitalismo do agreste, mais especialmente de Caruaru e adjacências. Tudo, ou quase tudo em estado de mudança, com construções de todos os tipos, e serviços dos mais diversos. Claro, um capitalismo meio primitivo, com fábricas de  confecções, com uma grande participação do trabalho doméstico na divisão da produção, tal qual no início da chamada Revolução Industrial na Inglaterra, lá pelos fins do século XVIII. E um comércio pujante, acoplado a esta disforme e plural estrutura produtiva. Os serviços proliferam, e o estado, tenta tocar a péssima infra-estrutura. O espírito empreendedor tende a tornar-se dominante. Claro, existe muito assistencialismo, porém tendente a pelo menos diminuir. Claro, o estado deveria contribuir, sobretudo na área de educação, mais voltada para o mercado de trabalho. Em síntese com a construção de mais escolas técnicas. Mas, no nosso país o estado não está voltado para os reais interesses da população e sim para os grupos que dele se aproveitam. E as corporações são mais fortes do que se imagina, e por essas e outras, o Brasil não anda. Ou anda devagar. Mas apesar de tudo, o capitalismo ainda sobrevive. E sustenta todos, sobretudo os sugadores do estado.

PRESIDENTA BRABA

Se a presidenta é tão braba, porque não luta contra o corporativismo sindical, só para ficarmos neste exemplo? A estrutura sindical brasileira é sustentada pelo estado , desde Getúlio Vargas, que queria, e claro, conseguiu controlar os sindicatos.  As estruturas sindicais são gigantescas máquinas onde predomina o assistencialismo mais fulêiro. Todos nós “entregamos” compulsoriamente para sustentar esta máquina de corrupção, mais esta, o correspondente a um dia de trabalho por ano. Milhares de corruptos, maiores e menores, sempre viveram dessa estrutura. Lula nasceu daí. E as esquerdas da época inclusive seus intelectuais acreditavam que ele era um puro operário. Não um intelectual ao estilo leninista, mas um operário puro-sangue. Deu no que deu. Num dos governos mais corruptos da nossa história recente, Lula, que nunca foi burro enganou e ainda engana quase toda essa gente. Muitos tornaram-se cleptocratas, como o sinistro José Dirceu, uma espécie de Golbery do lulismo, embora sem nunca chegar perto , intelectualmente do General. Outros ingênuos ainda acreditam nessa gente, Vai ser burro assim no inferno. Vai, Dilma? Ela nem fala nisso, afinal ela também se diz socialista. Como, mexer nos queridinhos trabalhadores que sempre neles votaram?

 PRESIDNTA BRABA II

Que tal enfrentar as corporações dos professores das universidades federais? E no judiciário, onde os funcionários se aposentam ganhando fortunas sem terem contribuído? Isto sem falar dos salários altíssimos dos parlamentares, juntamente com os inócuos deputados estaduais? Para estas coisas ela não é braba. Os juízes ganham fábulas, e lá dentro, a corrupção nem chega ao conhecimento público. Talvez, como os crimes, sobretudo de colarinho branco, e o tráfico de drogas, só uma parte infinitesimal chega ao conhecimento do distinto público e da própria justiça. Alguém duvida? Vai, Dilma? Quer ser uma grande presidenta? Que pelo menos procure enfrentar pelo menos uma destas questões. Mas não. Ela é fraca mesmo.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

OS GATOS DA SENHORA DILMA




http://exame.abril.com.br/assets/pictures/17730/size_590_dilma-eduardo-lula.jpg?1288605459
Quem quiser trabalhar com Dilma terá que agüentar seus gatos. Como muitos adoram o poder e suas sinecuras, não se incomodam, são os sem-vergonha de sempre, que aliás proliferam nos círculos do poder, pequenos ou grandes. Para quem não sabe, lavar um gato, na linguagem da nossa região, significa levar carões, ou esporros, ou como queiram chamar. A presidente gosta  de imprimir uma imagem de durona, pois até seu ibope está aumentando, provando que o povo gosta mesmo de chicote. De gato em gato, e com a colaboração da revista veja, lá se vão os indicados por Lula, para, segundo analistas governistas, que também não são poucos garantir a governabilidade. A presidente manda recados que vai fazer uma grande reforma ministerial, quem sabe talvez, imprimindo sua marca ao governo. Só que, para melhorar, ou pelo menos encaminhar as coisas, a mesma deveria propor reformas que o país tanto precisa.  Porém os obstáculos ideológicos são grandes, e tem muito esquerdista devidamente acostumado com seus preciosos cargos na máquina estatal. Que,  só serve mesmo a quem está dentro. O povo, deve mesmo se contentar  com serviços péssimos oferecidos pelo estado patrimonialista, e pela nefasta burocracia que oprime a todos os cidadãos deste belo e troncho país. Afinal não são com gatos que as coisas são resolvidas.


CORONÉ DUDU
O governador de Pernambuco movimenta-se para ser um dos protagonistas da política nacional. Quer ser presidente. Tudo bem, ninguém vai a lugar algum desprovido de ambições. Aqui no estado as adesões são grandes, e parece que todo mundo tem medo dele. Como Dilma, dá muitos gatos em seus subordinados, que sonham em serem escolhidos pelo mesmo para o cargo de governador. É bom lembrar que o mesmo quase quebrou o estado, quando secretário da fazenda do seu falecido avô, deixando a bomba para Jarbas e o pefelê, que consertaram as finanças estaduais, dando prioridade a atração de investimentos, tendo como carro chefe Suape, que aliás não recebeu nenhum centavo de seu avô quando governador por duas vezes após a volta do exílio. Por falar em Arraes, o mesmo alimentava tem uma projeção nacional, mas nunca chegou nem perto, embora tenha sido um homem de idéias. Hoje o governador , tal como Jarbas e os pefelistas, prioriza a atração de investimentos internos, via governo federal e externos da iniciativa privada. Só guarda de socialista o nome de seu partido, e isto é inegavelmente um grande avanço. Porém, se não tiver cuidado, se tornará um pato manco, como tantos “poderosos” de outrora. Em suma, já vi este filme com muitas outras nulidades, maiores ou menores. Para mim não passa de um “coronézinho” de asfalto. O tempo o colocará na sua devida insignificância.


MEDO DO CORONÉ
Em Garanhuns todo mundo morre de medo do coroné Eduardo. Que nada fez por Garanhuns, a não ser retirar o presídio feminino. Se fosse governador, construiria um grande presídio, sobretudo  para abrigar os corruptos da região, que aliás não são poucos. Para mim o coroné Eduardo que vá para o raio que o parta. E que os políticos frouxos da nossa terra o acompanhem, sendo relegados ao ostracismo. O governador que continue dando gatos em sua turma.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

“CHEFE DE QUADRILHA” ATACA “LUTA MORALISTA CONTRA A CORRUPÇÃO”

Dirceu com a camiseta-símbolo da luta contra a luta contra a corrupção... (Foto: André Dusek/AE)
 Dirceu com a camiseta-símbolo da luta contra a luta contra a corrupção... Entenderam?


A Juventude do PT fez seu Segundo Congresso em Brasília. “Juventude” e “PT”, juntos, formam um oximoro e tanto! Ou se é petista ou se é jovem. Por que digo isso? Porque não há nada na política brasileira que seja mais velho, retrógrado, reacionário e atrasado do que o PT. E isso, definitivamente, não combina com juventude. O evento em Brasília prova isso.
O grande destaque de ontem foi o chefe de quadrilha (segundo a PGR) e deputado cassado por corrupção José Dirceu. Ele não teve dúvida: atacou o que chamou de “luta moralista contra a corrupção”, afirmando que, no passado, pressões assim resultaram na eleição de Jânio Quadros e Fernando Collor. Ele só se esqueceu de dizer que também foi a luta contra a corrupção que depôs o mesmo Collor. Mas esse é Dirceu. Tarde demais para ter compromisso com a verdade.
O que quer o Zé? Ora, uma luta contra a corrupção que seja amoralista ou imoralista, a exemplo daquelas empreendidas pelo petismo. Em que ela consiste? Na criminalização de inocentes, desde que adversários, e na absolvição de culpados, desde que aliados. Entenderam? Não é isso o que faz o PT desde que existe? Já exibi mais de uma vez aqui o vídeo que flagra Lula em dois momentos: no primeiro, ele esculhamba Sarney e sua família, afirmando que são o retrato do que há de mais nefasto no Brasil; no segundo, os mesmos Sarneys se transformam na expressão da grandeza política, da lealdade, da competência.  É o que se chama de “luta imoralista contra a corrupção”, entenderam?

Escreve Eduardo Bresciani no Estadão Online:
“Para ele [Dirceu], a intenção das denúncias é somente atacar o governo. “Nesse momento o que pretende construir é isso, a pretexto de combater a corrupção”. Na visão de Dirceu, a pressão que é feita sobre os ministros não é a mesma em relação a escândalos em São Paulo, onde o PSDB está a frente da administração. “Quando dizem que tem de responsabilizar o ministro e o partido por problemas no ministério, então tem que se responsabilizar o PSDB, o Geraldo Alckmin e o José Serra pelo escândalo das emendas em São Paulo”.
INEXISTEM os tais “escândalos” em São Paulo. O factóide criado com a história da liberação de emendas não prosperou. Alckmin está no governo há menos de um ano, e já está provado que os petistas foram muito bem-tratados pelo ex-governador Serra - vale dizer: não houve discriminação no governo de nenhuma forma. Se alguma ilegalidade tivesse havido, então os petistas teriam sido cúmplices. Não que isso fosse uma impossibilidade teórica, claro!, pensando exclusivamente na natureza dos brutos, mas simplesmente não aconteceu. Por que o chefe de quadrilha não aponta as irregularidades em vez de ficar com acusações genéricas? Por que os deputados de seu partido não o fazem?
Eis aí! É o método: a “luta imoralista contra a corrupção” supõe criminalizar inocentes e inocentar larápios. Sempre foi assim.
Dirceu ganhou daqueles jovens velhos uma camiseta que traz seu rosto estampado. E se lê: “Contra o golpe das Elites - Inocente”. O “consultor de empresas privadas”, que tem alguns dos potentados da economia nacional - e multinacional! - como clientes, o que faz dele hoje um dos maiores lobistas do Brasil, é apresentado, quem diria?, como inimigo das elites.
Só se estiverem falando sobre as elites do bom senso, do decoro, da lógica, da ética, da moral e dos bons costumes.
 
Por Reinaldo Azevedo

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Surpresa nenhuma!

Enquanto assistíamos ao ótimo Jornal Nacional de hoje, onde mostrava-se o depoimento na Câmara Federal do ministro Carlos Lupi, eis que surge em cena o deputado petista Paulo Teixeira (acima),  dizendo: 
- Venho aqui trazer ao nobre ministro o apoio do Partido dos Trabalhadores.
A Val, minha namorada que não perde uma oportunidade, logo soltou:
-Pudera! Esse deputado é redundante! Onde já se viu petista não apoiar o malfeito?

Como sempre, foi precisa, direta ao ponto!

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

GUSTAVO IOSCHPE - Só mais dinheiro não resolve


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As três últimas tentativas de fazer um teste para alunos concluintes do ensino médio viraram caso de polícia. Mas esse pode ser o menor dos problemas do ministro da Educação, Fernando Haddad. No MEC de Haddad, a solução para todos os problemas é sempre a infusão de mais dinheiro público em uma máquina perdulária e incompetente. A marca do bom gestor é fazer mais com menos. Haddad é a antítese disso, pois, ao tempo em que o orçamento do MEC explodia, a qualidade do ensino piorava. O ministro gosta de vender como uma vitória da educação o fato de, nos últimos dez anos, o orçamento do MEC ter ido de 19 bilhões de reais para 69 bilhões de reais. Enquanto o dinheiro público jorrava, a qualidade do ensino no Brasil se deteriorava, conforme mostram os números dos levantamentos anuais do Sistema de Avaliação da Educação Básica. Em cinco do total de seis desses levantamentos fica evidente a queda de qualidade. É muito dinheiro para tão pouco resultado. Vejamos as razões disso.

O programa do MEC de merenda escolar passou de 1,5 bilhão de reais em 2006 para 3,2 bilhões de reais neste ano. O gasto mais que dobrou, mas o número de alunos atendidos aumentou apenas 25% no mesmo período.

O Enem é outro caso. A razão pela qual os problemas se repetem há três anos é que seu formato é um convite à falha. É inviável fazer apenas um teste simultâneo por ano, em todo o país, para selecionar os alunos das universidades federais. O MEC argumenta que a culpa do "acidente" deste ano foi a ação criminosa de um professor. Correto. Nenhuma atividade está livre da ação de criminosos. Mas a frequência com que ocorrem problemas no Enem desafia a paciência de alunos e pais de alunos. Desafia a inteligência entender por que o MEC não adota um sistema de aferições feitas em datas variáveis com base em um banco de questões com mais de 40000 delas, de modo que possam ser montadas provas diferentes mas com a mesma capacidade de avaliação do aluno. Hoje, o banco de perguntas do Inep tem apenas 6000 questões. A empresa que fez o pré-teste do Enem foi contratada sem licitação e cobrou quase sete vezes mais do que no ano passado. A previsão de gastos totais da prova para este ano é de 238 milhões - um custo de 45 reais por inscrito. Sabem qual foi o custo das eleições de 2010? 3,61 reais por eleitor. Ou seja, um doze avos do custo per capita do Enem. Apesar do baixo custo, os resultados das eleições saem no mesmo dia, e sem contestações judiciais de monta.

Outro programa inflado é o Prouni, que dá isenções fiscais às universidades particulares que concedem bolsas a alunos carentes. Por que razão O MEC precisa recorrer à iniciativa privada, que responde por cerca de 70% das matrículas do sistema de ensino superior, ignorando seu próprio sistema de universidades federais? Trombeteado como uma redenção, o programa atinge 250000 alunos, o que representa apenas 1% da população brasileira em idade universitária. Apesar das lindas cerimônias de inauguração de universidades federais em locais inóspitos e dos bilhões de reais gastos anualmente para manter as escolas federais, elas continuam um reduto de pouquíssimos, respondendo por 15% do total de matrículas. ou 3% da população em idade universitária.

Mais uma vez o que se tem são gastos elevados produzindo resultados pífios e um sistema que apresenta distorções inexplicáveis. Enquanto a relação aluno por professor é de 17 nas instituições privadas, nas universidades federais, é de apenas 10. Essa diferença é didática. Uma maneira de expandir rapidamente o número de alunos nas universidades federais seria simplesmente abrir mais vagas e admitir mais alunos. Se um professor de universidade federal desse aulas para o mesmo número de alunos do seu colega da rede privada, a capacidade do sistema oficial de ensino superior praticamente dobraria quase sem custos para os pagadores de impostos, correto? Corretíssimo. Para isso, é preciso enfrentar as resistências corporativas das universidades federais - e isso o atual ministro não faz, pois comprar essa briga atrapalha seu projeto político. Haddad é um bravo apenas na hora de gastar dinheiro público e agradar às corporações.

Nove anos depois da queda do Muro de Berlim, em 1998, Haddad escreveu um livro intitulado Em Defesa do Socialismo. Naquele ano, o mundo experimentava já a explosão de produtividade trazida pela populalização da internet e a China já fazia o maior resgate de pessoas da miséria da história humana justamente por ter abandonado o socialismo. No livro, Haddad sustenta que a ideia de que uma pessoa comum possa ser capaz de escolher o que é melhor para si não passa de delírio. Para o socialista tardio Haddad, o povo só avança quando guiado por iluminados líderes socialistas. Escreve ele: "Ao invés de tomar o mercado como um provedor de sinais que indica ao capitalista o que os indivíduos desejam, visão fantasiosa do processo real, os cidadãos, através de seus representantes, devem encontrar uma forma de sinalizar os bens que desejam que sejam objetos de desejo". Chama mais atenção a pobreza da sintaxe do que a indigência das ideias? É difícil responder.

Haddad surpreende mesmo é em sua interpretação sobre a inovação tecnológica, chave do desenvolvimento. Ele não vê valor nela: "A atividade inovadora, ao contrário do falta muito para a vida dos estudantes brasileiros melhorar efetivamente trabalho qualificado, não produz valor. A internalização da ciência ao processo produtivo por meio da contratação, pelo capital, de agentes inovadores não muda o fato de que, por exemplo, o "custo de concepção" de uma nova mercadoria não se confunde com o "custo", medido em trabalho social, de reproduzi-Ia industrialmente, que é a única medida do seu valor". É um assombro. Na visão de Haddad, a ciência aplicada original e inovadora não tem valor, o que conduz à inevitável conclusão de que, para ele, a atual Era do Conhecimento é apenas mais um estágio decadente a ser superado pelo socialismo. Pela mesma visão, a educação - e a imprensa livre que dissemina o conhecimento produzido por ela - precisa ser controlada pelos líderes socialistas. Isso tudo nove anos depois de essas mesmas ideias terem causado a implosão do sistema soviético. Para ser justo temos que admitir que o ministro não deve mais rezar pela cartilha ideológica de seu livro de mais de duas décadas atrás. Mas ele não conseguiu reformular o ensino básico. Vai deixar os alunos brasileiros tão analfabetos quanto os encontrou. Seu maior êxito foi talvez o de instituir a obrigatoriedade do ensino de filosofia e sociologia (leia-se: a pregação esquerdizante) no ensino médio, para depois, em manobra diversionista que deixaria seus heróis de vinte anos atrás orgulhosos, reclamar do inchaço do currículo naquele nível.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011