sexta-feira, 18 de junho de 2010

Um governo que não anda na educação, na reforma agrária, na infraestrutura… E é o próprio governo quem diz

Um governo que não anda na educação, na reforma agrária, na infraestrutura… E é o próprio governo quem diz

http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/dilma-recusa-mais-um-confronto-com-serra-e-marina-agora-na-cna-explica-se-ela-precisa-nao-existir-para-ser-eleita/

A candidata petista a Presidente, Dilma Rousseff, havia topado participar de uma sabatina promovida pelo portal UOL e pela Folha Online. Cancelou. Alegou problema de agenda — essa viagem que ela faz à Europa, sempre notando que a viagem é que se sobrepôs à sabatina, não o contrário. No dia 1º de julho, a CNA (Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil) realiza também o seu encontro com os presidenciáveis, a exemplo do que fez a CNI, da Indústria. José Serra (PSDB) e Marina Silva (PV) vão participar. A petista está, de novo, com problema de agenda.

Publiquei no blog o filme de duas curtas intervenções de Dilma na sua viagem à Europa. Fica evidenciada ali a sua dificuldade de se expressar com clareza — e não se sabe até onde isso é conseqüência da dificuldade de pensar com clareza. Os embates públicos, na primeiríssima fase da campanha, não lhe foram, com efeito, satisfatório. E o PT decidiu que Dilma falará sem opositores até quando for possível. E, no melhor dos mundos, assim seguirá até o fim.

Dilma quer evitar o efeito comparação. O maior temor, evidentemente, é Serra, com quem aparece empatada nas pesquisas. Mas o embate com Marina também não lhe é confortável. Num caso, teme a confrontação técnica; no outro, a, como posso dizer?, mitológica.

Serra não é exatamente um adversário a quem se possa responder com a tradicional chicana petista, que mistura supervalorização dos feitos de Lula — até setores do Ministério do Planejamento evidenciam a patacoada da fala oficial (ver abaixo) — com mistificação ideológica. Com o tucano, a velha saída à esquerda do petismo não funciona. De modo curioso até, os petistas insistem em afirmar, ainda que por vias tortas, que esquerdista mesmo é… Serra!!! Dilma fica sem discurso.

Com Marina, a coisa se opera em outro nível. Ainda que pouca gente entenda direito o que a candidata verde diz — ela goza de uma espécie de licença para ser genericamente boa, genericamente bem-intencionada e espantosamente contraditória —, o fato inegável é que a senadora tem a simpatia da audiência. Parece que Marina não mata nem barata antes de um diálogo produtivo sobre todas as implicações éticas de tal ato. Até acho que, no embate das duas, Dilma acaba sendo prejudicada mais por suas eventuais virtudes do que por seus defeitos. Mas e daí? Numa disputa eleitoral, esses discursos não-verbais, próprios das esferas de sentimentos, de sensações, contam muito.

Os analistas abduzidos pelo petismo tendem a afirmar que falta aos adversários de Dilma uma plataforma. Eu diria que, no confronto direto, quem, dos três, realmente não tem plataforma nenhuma que não seja a continuidade é Dilma Rousseff. Tirem-lhe Lula, e vamos ver o que sobra.

O confronto direto evidencia aquilo que o próprio Lula já revelou: há um buraco na cédula, onde “deveria” estar o nome dele. Como a legislação não permite, então vai o nome de Dilma mesmo…

Horário político, horário eleitoral, viagem ao exterior sem opositores para encher o saco… É o único caminho possível para a candidata do PT. Não exibi o filme em que José Eduardo Cardozo leva a mão à cabeça quando Dilma fala só para ser ranheta. Trata-se de um símbolo de uma candidatura.

A chance de Dilma ser eleita está em Dilma não existir. Lembremo-nos fala de Lula:
Vai ser a primeira eleição, desde que voltou (sic) as eleições diretas para presidente, que o meu nome não vai estar na cédula. Vai haver um vazio naquela cédula.

Dilma está no lugar do vazio. Lula quer eleger o vazio. E o vazio não quer o confronto porque não tem o que dizer. Nem mesmo pode ser socorrida pelas utopias de Marina.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

AVE, LULA; José Danon

Para a maioria dos brasileiros, já tão acostumados à demagogia tradicional do discurso de seus políticos, não desperta surpresa o exótico comportamento de Lula em suas frequentes e folclóricas manifestações públicas em exibição nos cenários nacional e internacional.

Mas no exterior esse tipo de atitude não contribui favoravelmente para melhorar a imagem de seriedade e estabilidade político-institucional que o Brasil pretende cultivar. O mundo não vê grande diferença entre as excentricidades de um Lula ? que se propõe a resolver, munido somente de charme tupiniquim, impasses diplomáticos internacionais históricos e milenares de grande complexidade ? ou de um folclórico Idi Amin Dada de triste memória, que afirmava, para o entretenimento de sua plateia global, ser capaz de se comunicar verbalmente com crocodilos.

No caso de Idi Amin, o artifício de se mostrar propositalmente extravagante se justificava em razão de que suas esquisitices faziam parte de um estratagema publicitário que lhe permitia alcançar a visibilidade desejada. No caso de Lula, além do visível objetivo de promoção pessoal, esse comportamento não tem nenhum outro sentido prático, ao contrário. Sua atuação tem contribuído para a desconstrução dos esforços diplomáticos de pacífica e progressista convivência que historicamente orientam nossas relações exteriores. Um sintético retrospecto das recentes peripécias da diplomacia deste governo faz crer que nossa política externa, outrora objetiva e responsável, se encontra hoje em mãos de condutores de maturidade política e de eficácia igualmente questionáveis.

Com Honduras, tivemos o fiasco diplomático resultante da desastrada intervenção brasileira, apoiando e dando abrigo em nossa embaixada a um presidente que pretendia se eternizar no poder e, ao final, foi devidamente substituído por um sucessor democraticamente eleito.

Com a Itália, um inexplicável esforço para dar guarida a um ex-guerrilheiro condenado por diversos assassinatos pela Justiça de seu país, criando um impasse diplomático absolutamente desnecessário com um importante e tradicional aliado comercial e político.

Com a Venezuela, o inexplicável apoio pessoal de Lula ao déspota Hugo Chávez, que ampara guerrilheiros, censura a imprensa e prende opositores políticos, e que Lula, curiosamente, defende como exemplo de liderança democrática (certamente aferido por sua visão pessoal ? e esperamos que intransferível ? do que seja democracia).

Em Cuba, seu apoio incondicional ao ditador Fidel Castro, no poder, de fato, há 51 anos. Recentemente, por ocasião da morte de Orlando Zapata, prisioneiro político em greve de fome nos calabouços cubanos, Lula logrou a façanha de proferir uma das declarações mais infelizes e polêmicas já protagonizadas por um presidente brasileiro no exterior, culpando a vítima por sua própria morte, ao "deixar-se morrer". Sua bizarra declaração foi unânime e globalmente criticada, até por seus aliados políticos.

Lula foi também o mentor do perdão de dívidas de outros países com o Brasil, ignorando carências internas gritantes. São cenas cotidianas o nosso sistema viário abandonado, hospitais inoperantes, escolas desamparadas, prisões comandadas por prisioneiros, barracos de papelão servindo de moradia a trabalhadores que pagam os impostos que vão financiar metrôs e armamentos na Venezuela, hotéis em Cuba, casas de alvenaria na Bolívia e empregos no Paraguai, no Equador, em Moçambique, na Nigéria, em Cabo Verde, na Nicarágua e no Gabão. O total das dívidas perdoadas desses países foi de R$ 1,62 bilhão, quantia suficiente para atender ao reajuste dos aposentados, que o governo afirma não ter recursos para honrar. Está também doando como ajuda à Grécia mais de R$ 567 milhões, além de emprestar R$ 17 bilhões ao FMI sem haver sido convidado a fazê-lo.

Conta-se que os Césares de Roma traziam a seu lado nas bigas, ao desfilarem em seu triunfante retorno das batalhas, uma pessoa que teria a única função de sussurrar repetidamente em seus ouvidos: "Lembra-te de que és mortal, ó César." Como contrapartida ao clamor da multidão que poderia levá-los a olvidar-se de sua condição humana e acreditar-se divinos, esse chamado tinha o objetivo de reconduzi-los à realidade, lembrá-los de sua própria finitude, restabelecendo assim a normalidade das coisas.

Talvez nos falte alguém que ao lado desse homem visivelmente deslumbrado pelo poder, seduzido pelo afago dos indefectíveis aduladores e de questionável preparo para o exercício de uma função tão complexa, repita ao seu ouvido, de tempos em tempos: "Meu senhor, o senhor é só presidente. Lembre-se de que seu cargo é temporário, ó Lula."

Um presidente que descumpre as leis que não lhe agradam e debocha das sanções que lhe são aplicadas está desprestigiando os fundamentos em que se baseia o sistema democrático, nossa única garantia real de liberdade. Deve-se questionar se quem dá tão pouco valor às regras institucionais que regem a democracia poderá merecer representá-la. Em breve saberemos se a "herança maldita" é a que foi recebida por este governo ou a que será deixada por ele.

Afortunadamente, no bojo da própria arquitetura concepcional, formal e dinâmica da ideia de democracia reside, assim como um antídoto guardado no estojo do veneno, o elemento de correção das possíveis ameaças à sua viabilidade: a obrigatoriedade intransigente e inegociável da reavaliação periódica de sua evolução.

A alternância no poder não pretende ser o elixir de mirabolantes propriedades para a cura de todos os nossos males, mas o nutriente que nos permite sobreviver para que possamos ter a liberdade de errar quantas vezes forem necessárias.

Vale lembrar que a maior virtude da democracia não é a de nos conceder a faculdade de optar pela escolha certa, mas sim a de nos garantir o permanente direito de poder corrigir a escolha errada.

Felizmente, 3 de outubro de 2010 nos espera.

domingo, 6 de junho de 2010

ELEIÇÃO DIFÍCIL

Se Serra ganhar estas eleições poderá ser considerado um verdadeiro herói. Quase toda a mídia contra ele, Lula mentindo e avacalhando a justiça eleitoral, e o estado, apinhado de petistas com medo de perder o emprego darão a vida para manter suas boquinhas, que ademais não são poucas. Depois da participação de Lula, Dilma subiu. Porém, parece que parou no empate com Serra, ao contrário do que muitos petistas pensaram. Muitos achavam que Dilma já estaria à frente de Serra, e vibravam com o fato inventado por blogueiros petistas. Também tentaram montar um dossiê contra Serra e sua família, mais especialmente sua filha Verônica. Nunca se viu tanta movimentação para eleger um candidato a presidente. Lula precisa deste mandato, para, segundo seus áulicos, pavimentar sua eleição em 2014, e sedimentar a presença do lulismo no poder em pelo menos 16 anos. Que tal, implantar logo uma ditadura? A ditadura dos analfabetos e dos imbecis, era só o que faltava ao Brasil neste quarto de século que se inicia. Lula, Sarney, Jáder Barbalho, Paulinho da força sindical. Maluf, Eduardo precatório, os quarenta ladrões do mensalão e o que existe de pior na politicahla nacional. Vamos continuar com essa turma? Então votem em Dilma, a stalinista mentirosa. Apaqdrinhada pelo presidente mais mentiroso da história deste país.

“ MODÉSTIA”

Muito modesto esse Lula. Ao chegar atrasado a uma solenidade em Brasília, o mesmo desculpou-se pelo atraso, emendando logo depois: “Nenhum presidente faz isso, de se desculpar em público”. Precisa falar mais?

TÁ DIFÍCIL

Em quem votar para deputado? Está difícil, com tantos cacarecos por aí. Como achar um homem de bem? Acho que vou consultar um pai de santo, ou mesmo uma cartomante, quem sabe, não terei mais luzes?

SPORT

Foi conspiração ou não foi as derrotas do Sport neste início de campeonato? Bastou mudar de técnico e o time deslanchou. É preciso contratar mais gente, pois essa não é confiável. Vamos ver se melhora.

O legado do tempo Miriam Leitão

O GLOBO - 06/06/10

O presidente Lula rejeitou o exemplo de Hugo Chávez de perseguir mandatos sucessivos e seguiu o modelo Álvaro Uribe que aceitou a ordem da Suprema Corte de que um terceiro mandato era inconstitucional. Melhor: nem esperou a Justiça.

Mesmo assim, Lula corre risco de perder esse ponto positivo em sua biografia política desrespeitando tão abusivamente as leis eleitorais.

Lula se equivoca quando pensa que a medida do sucesso do seu governo será a capacidade de eleger seu sucessor.

Isso nem sempre prova alguma coisa. Só o tempo decantará o que há de marketing nessa avaliação positiva para traçar o retrato definitivo que ficará do presidente na História. Ter feito o sucessor não está entre requisitos do bom julgamento.

Até Paulo Maluf elegeu seu sucessor. Isso não fez diferença em sua desastrosa biografia política.

Lula será avaliado no futuro pelo que fez ou deixou de fazer. No seu caso, algumas coisas que deixou de fazer serão parte integrante da sua lista de méritos. Seu programa continha promessas capazes de incinerar avanços duramente conquistados nos anos anteriores, como a normalização das relações com a comunidade financeira internacional, a estabilização, a abertura comercial. Como já é História, ele não fez o que prometeu — e que sugeriam vários dos economistas do seu grupo político — e assim acertou.

Mas certamente pesará contra ele o comportamento abusivo de uso da máquina governamental e o descumprimento das leis eleitorais que ele tem praticado nos últimos meses. É um desrespeito à Presidência e ao Judiciário que ele esteja usando o governo, em suas várias instâncias, para afrontar a Justiça Eleitoral e as normas desse período de campanha.

Em pleno comício no ABC, dias atrás, Lula disse que ele tem que dar exemplo, por isso não faria campanha, quando já estava fazendo o que negava fazer.

Prometeu voltar no segundo semestre para fazer campanha na porta de fábrica.

Se ele pudesse se despir da Presidência, poderia fazê-lo. Ou até o mais básico, se ele pagasse os custos das suas viagens políticoeleitorais já seria um pouco melhor, mas quem paga para ele desrespeitar a lei eleitoral são os contribuintes brasileiros.

Até agora o país está vivendo uma situação em que o crime compensa. O TSE dá suas sentenças e elas são ignoradas. No pior dos casos, o TSE postergou tanto a pena para o PT que ela recairá em 2011, quando já não fará mais diferença no atual pleito. O tribunal tem dado sinais de perigosa flexibilização em algumas interpretações.

Se o TSE não for rigoroso, o que estará em jogo é a própria autoridade da Justiça Eleitoral no país.

Além das suas viagens eleitoreiras, o país viveu o abuso de pagar com recursos do contribuinte as viagens da pré-candidata quando ela era ainda ministra, mas já fazia campanha.

Dizer que aqueles palanques que o Brasil viu, e o brasileiro pagou, não eram comícios, é dizer que somos todos bobos.

Casos como os dos dias passados em visitas às obras do São Francisco, em que pouco se fiscalizava e muito se posava e discursava para a campanha, ou o extemporâneo e caro circo do lançamento do PAC-2 são fraturas expostas nas regras do bom comportamento político.

Se a candidata do presidente for eleita, isso não apagará o mal feito. Ficará o país sabendo que Lula inaugurou a temporada do vale tudo no governo federal quando o governante quer eleger o sucessor. Isso avacalha a democracia que o país está construindo.

A conta parcial de alguns desses eventos foi apresentada por requerimento do deputado Raul Jungmann (PPSPE): R$ 3 milhões. Quem paga campanha é partido — para isso tem até dinheiro público distribuído às legendas — mas não pode ser com o orçamento do Palácio do Planalto.

É acintoso.

As declarações da linha do "nunca antes" não vão impor realidades. Quando baixar a poeira do marketing superlativo do atual presidente, o país registrará o bom e o ruim do legado da era Lula. Mesmo agora, adianta pouco falar que desde Geisel nunca se investiu tanto em estradas, se elas estão intransitáveis; que a Saúde está perto da perfeição, se há filas de pacientes para cirurgias; relançar as notas do real para se vincular a um plano ao qual se opôs; ampliar o gasto público para forçar um crescimento econômico exuberante na reta final, se as estatísticas vão mostrar que nos anos de boom mundial o Brasil cresceu menos que a média dos outros países e dos vizinhos. Nada ficará da tese de que 2003 é a data inaugural do Brasil, porque a História registrará o processo de modernização que começou antes e continuará depois de Lula.

Também não servirá para a História sua tese de que foi vítima do mensalão. O escândalo será visto como é: não uma conspiração contra ele, mas o pior caso de corrupção da História do Brasil e ocorrido no coração do governo Lula, com o concurso dos seus mais próximos colaboradores.

Seus méritos serão mais bem dimensionados quando passar a temporada dos autoelogios, aos quais Lula se entrega com ímpeto enquanto deprecia outros governantes. Suas boas políticas serão valorizadas quando não forem peças de palanques. Os avanços desses oito anos serão constatados e calculados não pela capacidade de eleger quem quer que seja, mas pelo balanço lúcido e informado que o tempo permitirá fazer.

Hoje, seu afã de eleger, a qualquer custo, a candidata que escolheu só vai malbaratar sua herança, vai fazer mal à democracia brasileira, vai apequenar a Presidência e desrespeitar o papel institucional da Justiça Eleitoral.

FERNANDO HENRIQUE CARDOSO Política externa responsável

O Estado de S.Paulo - 06/06/10

A despeito das bazófias presidenciais, que, vez por outra, voltam ao bordão de que "hoje não nos agachamos mais" perante o mundo, se há setor no qual o Brasil ganhou credibilidade e, portanto, o respeito internacional foi no das relações exteriores. Elas sempre foram orientadas por valores e estiveram intransigentemente fincadas no terreno do interesse nacional. A demagogia presidencial não passa de surto de ego deslumbrado, que desrespeita os fatos e mesmo a dignidade do País.

Com exceção dos flertes com o totalitarismo europeu durante o Estado Novo, sempre nos orientamos pela defesa dos valores democráticos, pela busca da paz entre as nações, por sua igualdade jurídica e pela defesa de nossos interesses econômicos. Com toda a dificuldade do período da guerra fria - quando os governos militares se opuseram ao mundo soviético e a seus aliados -, não nos distanciamos do que então se chamava de Terceiro Mundo. Se não nos juntamos propriamente ao grupo dos "não-alinhados", dele sempre estivemos próximos. Terminada a guerra fria, restabelecemos relações com os países do campo socialista, Cuba e China à frente, voltamos a estar mais ativamente presentes na África, apoiamos o Conselho de Segurança da ONU nos conflitos entre Israel e a Palestina, sustentamos a posição favorável à criação de "dois Estados" e o respeito às fronteiras de 1967 e nunca nos solidarizamos com o grito de "delenda Israel" nem com as afrontas de negação do Holocausto.

Seguindo esta mesma linha, assinamos o Tratado de Não-Proliferação de armas atômicas (TNP), com ressalvas quanto à manutenção dos arsenais pelos "grandes", fomos críticos das invasões unilaterais no Iraque e só aceitamos a intervenção no Afeganistão graças à supervisão das ações bélicas pela ONU. A reação ao unilateralismo foi tanta que em discurso na Assembleia Nacional da França cheguei a aludir à similitude entre o unilateralismo e o terrorismo, provocando certo mal-estar em Washington. Procedemos de igual modo na defesa de nossos interesses como país em desenvolvimento. No dia em que se publicarem as cartas que dirigi aos chefes de Estado do G-7 se verá que predicávamos desde então maior regulação financeira no plano global e maior controle do FMI e do Banco Mundial pelos países emergentes. Reivindicamos nossos direitos comerciais na OMC, a começar pelo caso do algodão, e, no caso das patentes farmacêuticas, defendemos vitoriosamente em Doha o ponto de vista de que a vida conta mais que o lucro. Todas estas políticas tiveram desdobramentos positivos no atual governo.

Temos, portanto, credenciais de sobra para exercer uma ação mais efetiva na condução dos negócios do mundo. A hegemonia norte-americana vem diminuindo pelo fortalecimento econômico dos Brics (metáfora que abrange não só os quatro países, mas vários novos atores econômicos), especialmente da China, pela presença da União Europeia e também vem sendo minada pelas rebeliões do mundo árabe e muçulmano, como o próprio governo Obama reconhece. É natural, portanto, que o Brasil insista em sentar-se à mesa dos tomadores de decisões globais. Sendo assim, por que a celeuma causada pela tentativa de acordo entre Irã e a comunidade internacional empreendida pelo governo brasileiro? Há duas ordens distintas de questões para explicar o porquê de tanto barulho. A primeira é a falta de clareza entre a ação empreendida e os valores fundamentais que orientam nossa política externa. A segunda é a forma um tanto retórica e pretensiosa que ela vem assumindo.

Quanto ao primeiro ponto, como compatibilizar o repúdio às armas nucleares com a autonomia decisória dos povos? Esta abrange inclusive o direito ao conhecimento de novas tecnologias, mesmo as "duais", que tanto podem ser usadas para a paz como para a guerra. Em nosso caso, conseguimos, por exemplo, dominar a técnica de foguetes propulsores de satélites (e quem lança satélite pode lançar mísseis). Ninguém desconfia, entretanto, de que a utilizaremos para a guerra, até porque obedecemos às regras do acordo internacional que regula a matéria. Do mesmo modo, dominamos o ciclo completo de enriquecimento do urânio. Mas não cabem dúvidas de que não estamos fazendo a bomba atômica, não só porque nossa Constituição proíbe, mas porque inexistem ameaças externas e porque submetemos o enriquecimento do urânio (guardado o sigilo da tecnologia usada) ao duplo controle de um tratado de fiscalização recíproca com a Argentina e da Agência Internacional de Energia Atômica.

É precisamente isto que falta no caso do Irã: a confiabilidade internacional nos propósitos pacíficos do domínio da tecnologia. E é isso que o governo americano alega para recusar a intermediação obtida, ao reafirmar que a quantidade de urânio já disponível, mesmo descontada a quantidade a ser remetida para enriquecimento no exterior, permitiria a fabricação da bomba. O xis da questão, portanto, seria a obtenção pelo Brasil e pela Turquia de garantias mais efetivas de que tal não acontecerá. Deixando de lado as alegações recíprocas sobre se houve o estímulo americano à ação intermediadora (que para quem quer ter uma posição independente na política externa é de somenos), uma ação eficaz para evitar o confronto e as sanções - posição coerente com nossa tradição negociadora - deveria buscar desfazer a sensação da maioria da comunidade internacional de que o governo iraniano está ganhando tempo para seguir em seus propósitos nucleares.

Neste ponto a retórica dos atores brasileiros parece ter falhado. O levantar de mãos de Ahmadinejad e Lula, à moda futebolística, e as declarações presunçosas do presidente brasileiro, passando a impressão de que havíamos dado um drible nas "grandes potências", digno de Copa do Mundo, reforçaram a sensação de que estaríamos (no que não creio) nos bandeando para o "outro lado". E em política internacional, mais do que em geral, cosi è (se vi pare).

quinta-feira, 3 de junho de 2010

ISRAEL PISA NO TOMATE E LULA NA LÍNGUA

Mais uma bobagem de Israel no caso da invasão dos navios que supostamente íam entregar aos palestinos “ajuda humanitária”. Coloco aspas, porque no meio da ajuda, íam inúmeros terroristas do hamas, grupo fundamentalista islâmico-palestino financiado pelo e treinado pelo Irã, e odiado não só pelos judeus, mas sobretudo palestinos que querem uma paz, mesmo que moderada, e inúmeros países árabes que realmente contam, como o Egito e a Arábia Saudita, também com problemas internos causados por seus fundamentalistas, que não são poucos. Lembre-mo-nos que Bin Laden faz parte de uma milionária família saudita.
Com o tresloucado ato, Israel provocou a ira de todos os fundamentalistas, juntos com os idiotas da objetividade, como Lula e sua turma aqui no Brasil, assim como uns péssimos analistas de botequim, que infestam os bares e bodegas do país. Aliás, já houve vida inteligente nos bares, hoje devidamente ocupados, não só pelos idiotas comuns, mas sobretudo pelos da objetividade que tomaram quase todos os lugares destes alegres espaços públicos. Ira e alegria, pois um dos líderes do hamas, estava louco de alegre com a morte de oito pessoas, o que proporcionaria uma onda de indignação mundial contra os judeus, objetivo aliás cumprido pela sempre burra ditreita israelense. E por falar em ajuda e visita humanitária, porque nunca foram fazer uma visitinha ao Irã, em solidariedade aos inúmeros mortos na repressão brutal deste regime aos seus opositores? Lula vibrou com o ataque, e logo ficou de lado do Irã, como costumeiramente vem fazendo. Disse na televisão que seu fiasco diplomático na incursão iraniana, foi um tremendo sucesso, pois nunca , na história mundial recente, alguém, a não ser ele, claro, colocou o Irã para negociar. Quando, na verdade, estes brutais aiatolás ganharam tempo para fazer sua bombinha, o que Lula quer fazer aqui no Brasil mas não tem coragem de dizer. Como é que um sujeito abre a boca para falar tantas idiotices, tentando a todo custo esconder o fracasso que tem se tornado a política externa brasileira por culpa sua e de seus ministros aloprados? Realmente não existe limites para a imbecilidade.
A solução para o caso palestino é a junção dos moderados de ambas as partes. Negociar com terroristas , não dá. Terrorista não quer conversar , quer matar. Por isso, tem que ser tratado à bala. O terrorismo na prática leva a ascesão dos radicais de direita, dos falcões da vida, do lado de Israel. Que só não bombardeou o Irã por causa dos EUA de quem são clientes. Mas talvez não tenha outro jeito, e estaremos num mundo cada vez mais inseguro. E um estado terrorista com a bomba apontada para a cabeça dos judeus? Será que Lula e sua turma teriam coragem de encarar?

DILMA

Agora toda arrumadinha, com novo corte de cabelo, totalmente repaginada, como dizem os colunistas. Uma stalinista moderninha, bacana, para usarmos a gíria dos anos sessenta. Mas o povo tem que saber, que ela montou um dossiê falso contra a ex primeira dama Ruth Cardoso, e agora montava um dossiê contra a filha de Serra. Afinal esta gente nunca se emenda. Disse que tinha mestrado e doutorado, tudo mentira. Disse ter entrado na luta armada para defender a democracia, mentira também, pois ela defendia uma ditadura stalinista para o Brasil. Para ela, democracia só como um instrumento para se chegar à ditadura do proletariado. Aqui querem montar de vez uma cleptocracia com tinturas esquerdizantes. Fala em aumentar o tamanho do estado. Essa gente nunca se farta de rouibar?Ademais, quanto mais estado, mais roubo. Não é, Zé Genoíno? Não é, Zé Dirceu? É pos essas e outras que a grande máfia que ainda domina a Rússia, é oriunda do partido comuinista, o velho e de triste memória PCUS.

PETISTAS

Muitos já estão certos da vitória de Ludilma. Muitos já montam seus imaginários ministérios. Planeja-se Ludilma quatro anos e Lula mais oito. Será que já combinaram com o adversário, como diria Garrincha? E se Serra ganhar? Aí a casa cai para este tipo de gente que infesta a politicalha nacional. Muitos devem ir para a cadeia, ou mesmo já deviam há muito tempo.