terça-feira, 13 de março de 2018

EDUCAÇÃO - Rafael Brasil - Recordar é Viver - artigo de 2007

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EDUCAÇÃO



Tem sido amplamente divulgado pela imprensa os pífios resultados da educação pública nacional, em comparação com o desempenho da maioria dos países. O Brasil está abaixo da média, tanto em matemática quanto em leitura. Também devemos salientar que a escola privada também não é lá essas coisas, mas suplanta a rede pública. Os modismos intelectuais modernosos acabaram de enterrar de vez a escola pública, quando sabemos que, pelo menos no sudeste, mais especialmente em São Paulo, a escola pública era de boa qualidade. Aqui em Pernambuco, em Recife, o professor de segundo grau de Geografia era, na década de cinqüenta, Manoel Correia de Andrade, e o de História, Amaro Quintas, ambos com trabalhos importantes nas suas respectivas áreas, em âmbito nacional. Ou seja, a escola pública era de boa qualidade, embora elitista, com a maioria da população fora da escola. 

O ensino era tradicional, e ai de alunos que soltassem pilhérias com os professores, que eram cultos e respeitados. A hierarquia era respeitada e a competição era estimulada, priorizando os alunos mais competentes. Eu estudei no Colégio de São Bento em Olinda lá pelo final dos anos sessenta e início dos setenta, e aluno que desrespeitasse professor era sumariamente expulso do colégio. Tínhamos o maior medo de levar uma suspensão, pois era surra na certa em casa. E castigo, com semanas sem jogar futebol, ou mesmo quando era “exilado” na casa de tia Marlene, onde meus primos não gostavam de futebol e eram todos uns pernas de pau. Mas lá mesmo eu enrolava minha tia, lendo gibis, que colocava cuidadosamente dentro dos livros, e brincando com meus primos de todo jeito. Tínhamos um calendário de cento e oitenta dias, mas o mesmo era respeitado. Já na quinta série, na época primeiro ginasial, todos nós sabíamos ler.
Hoje quase ninguém quer ler, a não ser textos curtos, e a preguiça mental é grande.
Pesquisas indicam que os próprios professores lêem pouco, muitos desinteressados, pois são pouco cobrados. Faltam muito e ensinam pouco, raramente são demitidos, e quase não existe promoção por mérito. Tanto faz dar aula boa ou não, isso não influirá na carreira do profissional.
Hoje praticamente só as escolas particulares mantém o ensino tradicional, e é lá que as elites botam seus filhos para estudar. As escolas públicas viraram uma zona, não tem nem mais grade curricular estadual. E como nas escolas se discute pouco, cada qual faz o que quer. E os alunos não são verdadeiramente avaliados, passando todo mundo, priorizando-se a burrice e a indolência, deixando-se a meritocracia de lado em nome de uma falsa democracia. Na verdade, democracia aplicada à educação, é essencialmente escola de qualidade para todos, e não deixar os alunos fazerem o que querem. Isto é falso liberalismo. Por essas e outras, as escolas mais bem colocadas nas avaliações nacionais, são justamente as militares, onde a ordem e a hierarquia são dogmas. Já dizia Freud, que educação é repressão. A inserção dos indivíduos na civilização implica na repressão da libido, não? Mas ninguém pode tocar nos “jovens”, sempre tão incompreendidos. Na verdade ninguém quer dizer não a eles, coitadinhos. E haja teorias construtivistas ou não para corroborar com a malandragem e a insubordinação, onde os professores têm medo de dar aulas, quando são diariamente humilhados por alunos pilantras, que tem toda proteção do estado. Claro, outros problemas são sérios, como a baixa renumeração dos professores, e a má qualidade dos livros didáticos, mas , como diriam alguns velhos e bons marxistas, a melhoria da educação nacional é uma imposição das próprias forças produtivas, ou seja do capitalismo. Afinal estamos na era da inteligência, não? Porém, aqui em Pindorama, ainda tentam teimosamente reinventar a roda. Enquanto no mundo todo se alfabetiza da forma tradicional, foneticamente, e com a velha e eficaz cartilha do ABC, aqui, os construtivistas querem que os alunos aprendam a ler sem método específico, e ao mesmo tempo criticamente, respeitando-se sempre o ritmo diferenciado dos alunos. Tudo muito bonito, mas assim ninguém aprende, simplesmente porque sem método, não se ensina. É assim que caminhamos rumo à eterna ignorância. Voltarei ao assunto em breve.

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