terça-feira, 13 de março de 2018

AMARO RODRIGUES E O FUTEBOL BRASILEIRO - RECORDAR É VIVER - ARTIGO DE 2008

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FUTEBOL BRASILEIRO




Meu grande amigo ,Amaro Rodrigues de Freitas, ex jogador de futebol lá pelos anos sessenta e setenta, costuma me dizer que não vai mais a campo de futebol porque, dentre outras coisas, detesta ver jogadores errando passes infantis, ou mesmo matando a bola com a canela. Rodrigues, como era chamado, e ainda continua sendo seu nome de guerra, jogava em times do Nordeste, desde times do Piauí, como o River, chegando mesmo a atuar no Vitória da Bahia. 

Ele era do tempo de Pelé e Garrincha, Traçaia, Tomires e Alemão do Sport,nos anos cinqüenta, Bita Nino e Lala pelo Náutico,nos anos sessenta, e mesmo o Santa dos anos setenta de Givanildo Erb e Luciano, dentre tantos outros. Em outras palavras, mesmo no Nordeste tínhamos times de primeira, que jogavam de igual para igual com os times do sul maravilha, que, em alguns casos eram máquinas de jogar futebol. O Santos de Pelé, o Palmeiras de Dudu e Ademir da Guia, o Botafogo de Garrincha, e depois Jairzinho e Paulo César, O fluminense de Samarone Flávio e depois Rivelino, o Flamengo de Zico, e vai por aí. Isso sem falar no Cruzeiro de Tostão e Dirceu Lopes, o Atlético de Dadá Jacaré , e o Flamengo de Zico e companhia. Sim , não podemos esquecer do Inter dos anos setenta, com Figueirôa, Manga e Falcão. Tínhamos um grande futebol, porque raramente os jogadores iam para fora do país. A globalização ainda não tinha atingido o futebol. Se fosse hoje, o nosso Rodrigues tinha atuado, quem sabe no Sport, ou mesmo no Coríntians. Ou mesmo negociado para o exterior, como os países do oriente, como o Japão, ou mesmo para a fria Ucrânia. Afinal, hoje nosso futebol é de terceira, e quando surge algum craque, pimba! É logo comprado por um time Europeu, ou mesmo asiático. Que fazer? Modernizar nosso futebol colocando-o nas mãos de empresários, fortalecendo os combalidos clubes, ainda doentes com a praga da velha e carcomida cartolagem . Velha, carcomida e corrupta, diga-se de passagem. Como é que um cidadão como Ricardo Teixeira comanda nosso futebol por mais de vinte anos? Como é que, times como Flamengo, ou Corinthians não tem estádio de futebol apesar de terem enormes torcidas. Já dizia o velho e bom finado João Saldanha, que só existe futebol forte com clubes fortes. Nossos clubes estão literalmente falidos. O governo fez até uma loteria para tentar salvar os clubes com suas enormes e impagáveis dívidas com a Previdência.

Hoje, dentre os principais produtos de exportação, o Brasil exporta jogadores. E os europeus já estão pegando os craques nas escolinhas, fazendo contratos com meninos de 
16 anos. Aqui os dirigentes botam o dinheiro da venda dos craques, ninguém sabe aonde. Os estádios estão em pandarecos, e os gramados idem. O da Ilha do Retiro é uma vergonha, e o estádio do Arruda está comprometido estruturalmente. Quase todos os times são medíocres, com exceção talvez do São Paulo, te sempre teve uma administração moderna, porque, dentre outros fatores sacrificou literalmente seu futebol na década de sessenta para levantar o estádio do Morumbi.
Temos que ter estádios melhores, mais confortáveis e asseados, jogadores de nível, etc. Para isso ´é preciso ter dinheiro, e inclusive aumentando significativamente os preços dos ingressos, pois, basicamente nossa classe média pagaria bem por bons espetáculos com um conforto adequado. Certamente na copa do mundo as coisas melhorarão, com a construção, ou mesmo a reforma dos estádios. Mas a corrupção capeará. Alguém duvida? Sobretudo quando o governo entrar na jogada. Lembremo-nos das obras do Pan, devidamente superfaturadas, e com o estouro do orçamento.
O velho e bom Rodrigues terminaria sua carreira no Caetés Atlético clube, e na Aga de Garanhuns. É sempre um prazer conversar com ele, e ouvir suas incríveis histórias de boleiro, que digo a ele que parecem histórias de pescadores ou caçadores. É aí que o velho amigo fica meio brabo. Um abraço amigo velho, e ainda tomaremos muitas cervejas, ouvindo bossa nova, e conversando lorotas.



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